Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

Traje académico

 
Traje académico
 
 
Traje académico
 
 
 

O traje académico em Portugal é considerado o uniforme do estudante universitário. Deriva das vestes eclesiásticas e, desde sempre, é composto pela capa e batina. Este facto realça o efeito da Igreja no Ensino. De facto, foi o clero que, até ao século XVIII, deteve o monopólio do ensino, nomeadamente a Companhia de Jesus. Hoje em dia o seu uso é regulamentado pela Praxe académica, ou simplesmente Praxe, e consiste no conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica.
 
O traje terá surgido como uma medida de indistinção entre o pobre e o rico, concentrando o esforço da distinção académica única e exclusivamente nas capacidades do estudante. Existem, portanto, um conjunto de regras de elaboração e utilização do traje que descrevem especificamente as características da calça ou saia, camisa, laço ou gravata, colete, batina, capa, sapatos.
 
História
 
Apesar de hoje em dia se apresentar uniformizado, o traje académico nem sempre foi como se conhece actualmente. Os antigos estatutos da Universidade de Coimbra não obrigavam o uso do traje, mas proibiam, porém, o uso de certas cores e condicionavam alguns traços do corte.
 
Dos estatutos de D. Manuel I:
«Não poderão os sobreditos nem outros alguns estudantes trazer barras nem debruns de pano em vestido algum; nem isso mesmo poderão trazer vestido algum de pano frisado; nem poderão trazer barretes de outra feição senão redondos; e assim hei por bem que os pelotes e aljubetes que houverem de trazer sejam de comprido três dedos abaixo do joelho ao menos; e assim não poderão trazer capas algumas de capelo, somente poderão trazer lobas abertas ou cerradas ou mantéus sem capelo; não trarão golpes nem entretalhos nas calças nem trarão lavor branco nem de cor alguma em camisas nem lenços.»
Na obra de Luís Cyrne de Castro, Tempos Idos, refere-se que seria em 1645 que D. João IV  iria confirmar os estatutos da Universidade, que vigoraram até 1772, sendo reformulados na sequência da reforma Pombalina.
 
Porém, é no século XIX que o traje académico sofre maiores alterações, instaurando uma polémica, ao ponto do reitor se impor e decretar medidas extremas. Com base em relatos da época por Antão de Vasconcelos nota-se que a batina evoluiu do tornozelo ao joelho. Porém, nos finais do século as transformações seriam ainda maiores. Como Ramalho Ortigão salienta, a calça vestia-se agora comprida.
 
É, em 1957, com a publicação do primeiro Código de Praxe Académica, que o traje passar a ser uniformizado.
 
Na Universidade do Minho, no entanto, após 1989, a Associação Académica constatou que o traje académico actual não reflectia as velhas tradições da cidade. Assim sendo decidiram criar um novo traje académico exclusivo desta academia. Com tal acto, abriram caminho para outras Universidades e Institutos mais recentes não quererem adoptar o modelo de traje tradicional e, actualmente, o traje académico reflecte um pouco da tradição de cada instituição.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
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Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Dia das Bruxas - Halloween

 
Uma abóbora esculpida com uma vela acesa no seu interior, símbolo tradicional do dia das bruxas
Uma abóbora esculpida com uma vela acesa no seu interior,
símbolo tradicional do Dia das Bruxas
 
 

O Halloween, nome original na língua inglesa, é um evento de cariz tradicional, que ocorre nos países anglo-saxónicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações pagãs dos antigos povos celtas.
 
História
 
A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às actuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou Travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Em alguns países, as crianças fantasiam-se e saem em grupos batendo de porta em porta dizendo, em coro, a frase: "travessuras ou gostosuras?". 
 
Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de Outubro e 2 de Novembro e marcava o fim do Verão (samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta).
 
O fim do Verão era considerado como ano novo para os celtas. Era pois uma data sagrada uma vez que, durante este período, os celtas consideravam que o "véu" entre o mundo material e o mundo dos mortos (ancestrais) e dos deuses (mundo divino) ficava mais ténue.
 
O Samhain era comemorado por volta do dia 1 de Novembro, com alegria e homenagens aos que já partiram e aos deuses. Para os celtas, os deuses também eram seus ancestrais, os primeiros de toda árvore genealógica.
 
Etimologia
 
Uma vez que entre o pôr-do-sol do dia 31 de Outubro e 1 de Novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês) acredita-se que assim se deu origem ao nome actual da festa: Hallow Evening -> Hallowe'en -> Halloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das Bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo esta uma designação apenas dos povos de língua oficial portuguesa.
 
A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas, terá começado na Idade Média no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.
 
Essa designação perpetuou-se e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no Século XIX, ficou assim conhecida como "Dia das Bruxas".
 
Bruxa, em sânscrito (língua clássica da Índia antiga), quer dizer “mulher sábia” ou sabedoria feminina, ou seja, deusa, mulher mágica, mulher = bruxa. Uma bruxa é geralmente retratada como uma mulher velha e acabada que é uma exímia manipuladora de Magia Negra. Uma das imagens mais famosas das bruxas é aquela em que fica sentada numa vassoura voadora.
 
                                                A Bruxa voando na sua vassoura...

Existem bruxas famosas como as Bruxas de Salem e em algumas histórias, como o popular Harry Potter, em que existe uma vasta comunidade de bruxos e bruxas cuja maioria prefere evitar a Magia Negra.
 
As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Para identificar uma bruxa, os inquisidores comparavam o peso de uma mulher ao peso de uma Bíblia gigante. As que eram mais leves eram consideradas bruxas pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural. Quase todas têm um gato preto.
 
Halloween na actualidade
 
Com a conversão ao cristianismo dos povos europeus, foi-se estabelecendo a partir dos Séculos IV e V o calendário litúrgico católico, surgindo as celebrações do dia dos fiéis defuntos e do dia de Todos-os-Santos, mitigando as referências às entidades pagãs, erodindo a popularidade da sua mitologia em favor da presença dos santos católicos.
 
Actualmente, além das práticas de pedir doces ou de vestir roupas de fantasias que se popularizaram inclusive no Brasil, podemos encontrar pessoas que celebram à moda celta, como os praticantes do druidismo (o druida era o sacerdote dos celtas) ou da wicca (considerada como uma forma de bruxaria moderna).
 
Um ritual habitual na noite de 31 de Outubro é o de acender uma vela numa das janelas de casa, em homenagem aos seus ancestrais.
 
Muitos grupos reúnem-se e meditam em volta de fogueiras para honrar os seus mortos e os seus deuses, com oferendas como frutas e flores, e terminam a festa compartilhando comida e bebida, música e dança. Uma boa bebida para essa época é o leite quente com mel, servido com pedaços de maçã e polvilhado com canela. Pode-se acrescentar o chocolate, que na época dos celtas não existia, mas que hoje é muito bem-vindo !...
Fonte: Wikipédia. 
 
 
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

O Yom Kippur

 
Yom Kippur (1878)
 
Yom Kippur (1878)
 
 
 

O Yom Kippur marca o início do Kippur (reflexão, jejum, orações e penitência, purificação e perdão), e é um dos dias mais importantes do judaísmo. No calendário hebreu, o Yom Kippur começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishri (o que coincide com Setembro ou Outubro), continuando até ao seguinte pôr do sol.
 
Seguem-se as datas dos próximos Yom Kippur:
  • 2006: 2 de Outubro (hoje)
  • 2007: 22 de Setembro
  • 2008: 9 de Outubro
  • 2009: 28 de Setembro
  • 2010: 18 de Setembro
Nota: o feriado começa no pôr do sol do dia precedente às datas referidas.
 
Proibições
 
Existem 5 proibições no Yom Kipur:
  1. Comer - desde um pouco antes do pôr-do-sol de Domingo até o nascer das estrelas da segunda-feira;
  2. Usar calçados de couro;
  3. Relacionamento conjugal;
  4. Passar cremes, desodorizantes, etc., no corpo;
  5. Banhar-se por prazer.
A essência destas proibições é causar aflição ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva judaica, o ser humano é constituído pelo yétzer hatóv (o desejo de fazer as coisas correctamente, que é identificado com a alma) e o yétzer hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde ao corpo). O desafio na vida é "sincronizar" o corpo com o yétzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud (compilação, que data de 499 d.C., de leis e tradições judaicas) entre um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma). É sempre melhor o cavaleiro estar em cima do cavalo!
 
Orações
 
Durante as orações fala-se o Vidúy, uma confissão, e Ál Chét, uma lista de transgressões entre o homem e Deus e o homem e o seu semelhante. É interessante notar duas coisas: primeiro, as transgressões estão em ordem alfabética (em hebraico). Isto torna a lista bastante abrangente, além de permitir a inclusão de qualquer transgressão que se queira na letra apropriada.
 
Em segundo, o Vidúy e Ál Chét, estão no plural, o que pretende transmitir a ideia de que o povo judeu é um povo "entrelaçado", onde todos devem ser responsáveis pelos outros. Mesmo não cometendo uma determinada ofensa, pretende-se transmitir uma carga de responsabilidade por aqueles que a cometeram - especialmente se a transgressão pudesse ter sido evitada por aqueles que não arcarão com as culpas.
 
Natureza do Yom Kippur
 
Mas o que é o Yom Kippur? São proibições como no Pessach? (Pessach é hoje uma festa central do Judaísmo e serve como uma ligação entre o povo judeu e a sua história).
  • NÃO, Yom Kipur é o tempo em que se eleva a alma para perto do Trono e Balança Divina.
Mas então é a época em que se pede perdão?
  • NÃO, o tempo de pedir perdão é entre Rosh Hashaná (ano-novo dentro do judaísmo) e Yom Kippur. No decorrer das rezas de Kipur, é que concluímos este apelo ao Senhor, mas de nada adianta pedir perdão a Deus se o pecado foi cometido ao próximo - deve-se pedir desculpas, para depois clamar perdão a Deus.
Dia do Perdão
 
Durante um longo ano o homem comete toda a sorte de erros, atropelos, voluntários, involuntários. O processo da teshuváh (arrependimento, retorno ao bem) não poderá realizar-se magicamente num dia. A tradição judia coloca ao mês de EluI, último do ano, como prefácio para ir preparando o homem para a reflexão profunda, até ao grande caminho interior. Cedo, nas manhãs de Elul, ouve-se o som do shofar (trombeta feita de chifre de carneiro usado dentro do judaísmo nas convocações dos dias sagrados como Rosh Hashaná e Yom Kipur):
Desperta povo!
 
Uma semana antes de Rosh Hashaná, também durante a madrugada, se dizem as orações que se chamam "selichot" (perdões). O 1º de Tishri é o grande dia, a base para um ano novo e um novo ano de vida. Depois seguirão nove dias até ao dia do perdão. Dez dias, para aprofundar-se dentro de si, afastar o mal, aproximar o bem. O processo chega à sua culminância no dia 10º de Tishri : Yom Kippur.
 
A expiação, Kippur, na raiz hebraica, refere-se ao "que cobre", ou seja, o castigo que envolve o acto perverso. Tudo o que se pode anular, deter ou parar é o castigo; mas não o acto cometido; esse acto está aí e a única maneira de superá-lo é através de uma transcendental modificação da conduta pessoal posterior. Os actos são do homem, seguirão sendo dele, e a consequência, a sua responsabilidade. Deus pode apagar o castigo, não o acto. O jejum - que acompanha todo o dia do perdão - por sua parte não faz milagre. O jejum do dia não sacrifica nada a favor de Deus, sendo que tal ideia seria eminentemente pagã. O que faz é reconcentrar o homem no seu espírito, afastá-lo, por algumas horas, da servidão do homem ao corpo e a suas necessidades.
 
Observa-se também que as más acções ou transgressões têm duas polaridades: uma do homem em relação ao homem e a outra, do homem em relação a Deus. A primeira é a da vida diária, exterior, social e inter-humana. A outra, do âmbito da alma, é o segredo da consciência. A primeira é coisa de homens, e os homens têm de resolvê-la: "As transgressões que vão de homem a homem, não são espiadas pelo lom Kippur, se antes não forem perdoadas pelo próximo ".
 
Daí que se costuma pedir previamente o perdão de nossos semelhantes, se eles não perdoam, Deus não poderá intervir.
 
Jejum no Yom Kippur
 
É o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. É permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar electricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram à luz há menos de trinta dias.
 
Se uma pessoa enquanto estiver jejuando passar mal, a ponto de quase desmaiar, deve-se dar-lhe comida até que se recupere. Se houver perigo de uma epidemia, e os médicos da cidade aconselharem que é necessário comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.
 
Existem outras proibições, além daquelas, como trabalhar, comer ou beber. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de perfumes e unguentos, excepto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras peças da indumentária feitas de couro não podem ser usadas na Yom Kippur, pois não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.
 
Após o Yom Kippur, espera-se que haja festa e alegria, não perdendo de vista o facto de que o Yom Kippur é um dia santo de júbilo.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

Dia dos Avós

 
Dia dos Avós 
 

Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de Julho, e este dia foi escolhido para a comemoração porque é o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
 
Século I a.C. - Conta a história que Ana e seu marido, Joaquim, viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse uma criança. Apesar da idade avançada do casal, um anjo do Senhor apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina abençoada a quem baptizaram de Maria. Santa Ana morreu quando a menina tinha apenas 3 anos. Devido à sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos. Maria cresceu conhecendo e amando a Deus e foi por Ele a escolhida para ser Mãe de Seu Filho. São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós.
 
O Dia dos Avós gera polémica por conta das críticas dos que só vêem o lado comercial da comemoração.
 
Mas o papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos, e muitas vezes eles são o suporte afectivo e financeiro de pais e filhos. Por isso se diz que os avós são pais duas vezes.
 
As avós são também chamadas de "segunda mãe", e muitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação de seus netos, com sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.
 
Celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza.
 
Aproveite esta data para mandar uma mensagem de carinho aos queridos vovô e vovó e dizer o quanto você lembra deles.
 
O Portal da Família expressa seu profundo carinho por todos os vovôs e vovós que nos visitam.
 
Fonte: http://www.portaldafamilia.org/datas/avos/diadasavos.shtml
 
Este mesmo sentimento é partilhado pela
Praia da Claridade
neste cantinho de Portugal.
 
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006

As siglas poveiras

 
Exemplo de siglas poveiras hereditárias numa família de quatro filhos. A posição dos piques varia consoante a família.
 
                Exemplo de siglas poveiras,                    
    hereditárias numa família de quatro filhos.         
  A posição dos piques varia consoante a família.

 
 

As siglas poveiras ou marcas poveiras são uma forma de "proto-escrita primitiva", tratando-se de um sistema de comunicação visual simples usado na Póvoa de Varzim durante séculos, em especial nas classes piscatórias. Para se escrever usava-se uma navalha e eram escritas sobre madeira, mas também poderiam ser pintadas, por exemplo, em barcos ou em barracos de praia.
 
No passado, era também usado para recordar coisas; eram conhecidas como a «escrita» poveira, mas não formavam um alfabeto, funcionando tal como os hieróglifos; usada porque muitos pescadores eram desconhecedores do alfabeto latino, e assim as runas adquiriram bastante utilidade. Por exemplo, era usadas pelos vendedores no seu livro de conta fiada, sendo lidas e reconhecidas como reconhecemos um nome escrito em alfabeto latino. Os valores em dinheiro eram simbolizados por rodelas e riscos designando vinténs e tostões, respectivamente; e desenhados depois da marca de um dado indivíduo.
 
 
História
 
As siglas terão entrado em uso na Póvoa de Varzim devido à colonização viking entre os séculos IX e X e permanecido na comunidade devido à prática da endogamia e protecção cultural por parte da população.
 
Os vikings (por vezes usa-se a forma aportuguesada viquingues ou ainda varegues) eram guerreiros-marinheiros da Escandinávia que entre o final do século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da Escandinávia, Europa e ilhas Britânicas. Embora sejam conhecidos principalmente como um povo de terror e destruição, eles também fundaram povoados e fizeram comércio pacificamente.
 
As marcas poveiras  eram usadas como brasão ou assinatura familiar para assinar os seus pertences – também existiram na Escandinávia, onde eram chamados de "bomärken".
 
As siglas foram estudadas, pela primeira vez, por António dos Santos Graça no seu livro «Epopeia dos Humildes». Editado em 1952, o livro contém centenas de siglas e a história e tragédia marítima poveiras. Outras das suas obras são "O Poveiro" (1932), "A Crença do Poveiro nas Almas Penadas" (1933) e "Inscrições Tumulares por Siglas" (1942).
 
 
Herança da marca
 
As siglas são brasões de famílias hereditários, transmitidos por herança de pais para filhos, têm simbolismo e só os herdeiros podem usar.
 
As siglas eram passadas do pai para o filho mais novo, aos outros filhos eram dadas a mesma sigla mas com traços, chamados de «pique». Assim, o filho mais velho tem um pique, o segundo dois, e por aí em diante, até ao filho mais novo que não teria nenhum pique, herdando assim o mesmo símbolo que o seu pai.
 
Na tradição poveira, que ainda perdura, o herdeiro da família é o filho mais novo tal como na antiga Bretanha e Dinamarca. O filho mais novo é o herdeiro dado que é esperado que tome conta dos seus pais quando estes se tornassem idosos.
 
 
Siglas e religião
 
Locais úteis para o estudo das siglas são os templos religiosos localizados não só na cidade e no seu concelho, mas também por todo o noroeste peninsular, em especial no Minho (em Portugal), mas também na Galiza (Espanha).
 
Os Poveiros, ao longo de gerações, costumavam gravar nas portas das capelas perto de areais ou montes a sua marca como documento de passagem, como se pode verificar na Nossa Senhora da Bonança, em Esposende, e Santa Trega (Santa Tecla) no monte junto a La Guardia, Espanha. A marca serviria para como que os poveiros que mais tarde a vissem, que passou por ali ou para trazer boa ventura a si mesmos pelo santo que fora venerar.
 
Em 23 de Setembro de 1991 é inaugurada nas festividades de Santa Trega, uma escultura em honra às siglas poveiras que recorda a antiga porta coberta de siglas da capela de Santa Trega, por forma a perdurar o que tinha sido perdido. Com a inauguração veio da Póvoa de Varzim uma expedição a bordo da lancha poveira "Fé em Deus", cujos pescadores subiram ao Trega e oraram na ermida dedicada à padroeira do Monte. Os montes perto da costa, por serem visíveis do mar, têm importância na religiosidade dos poveiros. Outrora, os pescadores iam ao monte rezar à santa num ritual com cantigas por forma a mudar os ventos para que pudessem regressar a casa.
 
Os templos de Senhora da Abadia e São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, São Torcato, em Guimarães e Senhora da Guia, em Vila do Conde tem todos também a marca de siglas poveiras durante a sua história.
 
No concelho, estas siglas podem ainda ser encontradas em especial na Igreja Matriz (desde 1757), mas também na Igreja da Lapa na cidade e na Capela de Santa Cruz em Balasar.
 
A mesa da sacristia da antiga Igreja da Misericórdia que serviu de Matriz até 1757 guardava em si milhares de siglas que serviriam para um estudo mais pormenorizado, mas foi destruída quando a igreja foi demolida. Os poveiros escreviam a sua sigla na mesa da igreja matriz quando se casavam como forma a registar o evento.
 
 
Marcas de peixe
 
O peixe apanhado na rede pertencia ao seu proprietário, quer seja lanchão ou sardinheiro; os peixes eram assim marcados com sigla e entregues às mulheres dos donos da rede. As marcas de peixe são golpes feitos em forma de sigla no peixe em diferentes pontos.
 
A tripulação de cada barco tinha também uma sigla que era usada por todos os tripulantes, caso estes mudassem de barco passariam a usar a sigla desse barco.
 
 
Uso actual de siglas
 
Apesar de já não ter o uso de outrora, alguns banheiros ainda colocam a sua marca familiar nos barracões, acontecendo o mesmo dentro do núcleo familiar com os pertences em algumas famílias típicas. A Casa dos Pescadores da Póvoa de Varzim ainda aceita as siglas como formas correctas de assinatura.
 
No entanto, não existe contudo uma política de salvaguarda por parte do município. Pelo contrário, com a recente reestruturação dos barracões, muitas das siglas dos concessionários desapareceram das praias.
 
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

A Sibéria

 
A Sibéria - localização -
 
 A Sibéria - localização -
 
 

A Sibéria é uma vasta região da Rússia e do Norte do Kazaquistão, integralmente no norte da Ásia, estendendo-se dos Montes Urais ao Oceano Pacífico, e para sul desde o Oceano Árctico até aos montes do centro-norte do Kazaquistão e até à fronteira com a Mongólia e China.
 
 
História da Sibéria
 
A conquista e colonização da Sibéria pelos cossacos (habilidosos cavaleiros do Sul da Rússia que surgiram no século XVI para defender o Império Russo), e pelos russos, feita no século XVI, em geral, têm muitos paralelismos com a conquista do Oeste americano: um povo europeu tecnologicamente mais desenvolvido invade territórios ancestralmente ocupados por povos nómadas, com menos sofisticação tecnológica e um estilo de vida, tradições e maneira de olhar para o mundo, muito diferentes das do povo invasor, armado também com a sua cultura judaico-cristã. O resultado inevitável é a derrota militar dos povos com menor potencial tecnológico, que traz consigo uma assimilação cultural em grande medida feita pela força. Todos os povos europeus que se expandiram pelo mundo, derrotando militarmente as culturas autóctones de menor potencial tecnológico, utilizaram alguns aspectos mais diferentes das culturas locais como pretexto para a sua classificação como inferior, justificando assim não só a dominação mas todo o tipo de desmandos que chegaram mesmo à escravatura e ao genocídio. Os russos na Sibéria não foram excepção.
 
Entre os traços culturais usados para justificar a dominação e a assimilação dos povos siberianos contam-se em lugar de destaque os ritos funerários. Devido à dificuldade em abrir campas com os instrumentos de que dispunham em solo gelado ou encharcado, as culturas siberianas não enterravam os seus mortos. Os koryaques e os chukchis (nómadas e caçadores de renas da Sibéria; vivem em tendas de pele de rena, muito bem vedadas para reter o calor), dissecavam os mortos. Os yukaghires desmembravam-nos e depois distribuíam as várias partes, já secas, pelos familiares mais próximos. Estes pedaços do ente querido eram apelidados de "avós", funcionando como amuletos. Os kamchadales, pelo seu lado, tinham em mente as necessidades de transporte no Além: davam os cadáveres a comer aos cães, para que os falecidos tivessem uma boa equipa de cães a puxar-lhes o trenó.
 
Os russos, presos às suas tradições cristãs, viam estes povos como "bárbaros". Curiosamente, nesta mesma altura (séculos XVII e XVIII), a Europa ocidental olhava para o czar (título usado pelos monarcas da Rússia Imperial entre 1546 e 1917) e os seus súbditos, de uma forma semelhante.
 
No entanto, os cossacos rapidamente aprenderam que lhes sairia muito caro desprezar toda a experiência acumulada pelos siberianos ao longo das muitas gerações que levaram a encontrar as melhores soluções de sobrevivência no clima agreste da Sibéria e na escassez local de recursos.
 
Um dos aspectos onde eles rapidamente adoptaram os costumes locais foi na alimentação, e muita dela chegou aos nossos dias.
 
Os ostyaques e voguls, por exemplo, bebiam o sangue fresco das renas e, quando tal não era possível, aproveitavam-no para fazer panquecas ou para engrossar a sopa. O peixe geralmente era comido cru, e para acompanhar bebia-se seiva de bétula. Os quirguizes, buriates e yakutes adoravam kumis - nada mais, nada menos, que leite de égua fermentado. Os yakutes orgulhavam-se particularmente do seu "alcatrão de leite" (não sendo a tradução fiável). Trata-se de uma mistura cozida de carne, peixe, raízes, ervas e casca de árvores. Tudo isto era bem triturado e misturado, juntando-se-lhe depois farinha e leite.
 
Mas o grande pitéu dos siberianos era a rena, no que não se distinguiam de todos os outros povos do Árctico.
 
Os nómadas da tundra aproveitavam tudo daqueles animais: os globos oculares eram comidos como em Portugal se comem azeitonas, os lábios e orelhas eram especialmente apreciados e até o conteúdo semi-digerido dos intestinos (fibras de plantas) era utilizado para fazer "pudins negros" (os outros ingredientes eram a gordura e o sangue coagulado).
Fonte: Wikipédia.
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Sábado, 12 de Março de 2005

Arte xávega

A arte xávega terá sido trazida para Portugal por volta de 1776.

A localidade a que se refere este artigo - Costa de Lavos - é uma praia que pertence ao concelho da Figueira da Foz, uns 10 quilómetros a sul.
Assisti muita vez ao desenrolar desta actividade piscatória, digna de se apreciar, desde a saída do barco, ao seu regresso, ao puxar das redes onde, na parte final, formava um grande saco de peixe que depois era estendido na areia da praia.
De salientar que em muitas outras praias se podia ver esta actividade. 

Arte _xávega
           
Os bois puxando a rede com o peixe capturado

"A arte xávega é um dos cartazes turísticos da Costa de Lavos, terra que tem mantido esta tradição.

Arte xávega, ou arte grande, é o nome dado a uma forma tradicional de pesca de arrasto, em que um grupo de pescadores, organizado em companha, num barco a remos, lança as redes a grande distância, para cercar os cardumes, puxando-as no fim do lanço para a praia, à força de braços ou com a ajuda de bois.

Chegado ao areal, o pescado é separado e vendido, logo na praia, ou pelas ruas, com a ajuda dos pregões das varinas.

Outrora, na praia da Costa de Lavos, a imagem de animais que puxavam os barcos era comum. (...)
Se, noutros tempos, os bois faziam parte da vida das pessoas, nas suas culturas caseiras, hoje, com a diminuição das práticas agrícolas, não é fácil conseguir as necessárias juntas de boi para a demonstração da arte xávega.

Mas, como <quem não tem cão caça com gato>, os promotores da tradição substituíram os bois pelas vacas, em metade do número ideal, mas ainda assim suficiente para conseguir o efeito visual pretendido.

Quanto à função dos animais, sendo em menor quantidade, foi desempenhada por tractores, que se encarregaram de puxar as redes de arrasto, trazendo o peixe fresquinho, e ainda a saltar."

   

Fonte:  Jornal "O Figueirense" - 11/03/2005 - "Arte xávega na Costa de Lavos", pág. 14.
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FILIPE FREITAS

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