Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

Cesário Verde

(1855 - 1886)

José Joaquim Cesário Verde, poeta português,
nasceu em 25 de Fevereiro de 1855 na cidade de Lisboa mais precisamente em Caneças, Loures, oriundo de uma família burguesa abastada. O pai era lavrador (tinha uma quinta em Linda-a-Pastora) e comerciante (estabelecido com uma loja de ferragens na baixa lisboeta). Dedicou-se desde muito jovem a essas actividades. No ano de 1873 matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Coimbra, mas frequentou o curso somente por alguns meses. Nesse período, começou a publicar poesias no "Diário de Notícias", no "Diário da Tarde", no "Ocidente" e em alguns outros periódicos. Nessa época também surgem os sintomas mais agudos da tuberculose, doença que o levaria à morte em 18 de Julho de 1886. No ano seguinte, Silva Pinto, seu amigo dos tempos de universidade, reúne seus poemas num livro intitulado "O Livro de Cesário Verde".

CesarioVerde.jpg

Um trecho d' O Livro de Cesário Verde

O SENTIMENTO DE UM OCIDENTAL
      
A Guerra Junqueiro

I

AVE-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,
Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinido de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!

II

NOITE FECHADA

...

Se gostaram, eu coloco o II, o III e o IV. -  Dou a palavra aos leitores...
porque sem eles o meu trabalho não faz sentido...
No fim de cada artigo encontram a palavra  "Comentar".
Cliquem nela e dêm a vossa opinião, porque sem as vossas palavras eu é que sinto a minha página "parada", mesmo colocando um assunto diariamente, se não tiver retorno...
Depois pergunto a mim próprio: " vale a pena ? "
Mas alguns visitantes já lá deixaram a sua "contribuição" e o meu artigo de ontem (24) foi de agradecimento e dedicado a todos esses que por aqui passaram.
Bem hajam !

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Domingo, 20 de Fevereiro de 2005

Vitorino Nemésio

 
Nasceu em 19 de Dezembro de 1901
Faleceu em 20 de Fevereiro de 1978
 

VitorinoNemesio03.jpg

Cronologia

 
1901
 - A 19 de Dezembro, nasce Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores.

1912 -  Inicia os estudos secundários no liceu de Angra do Heroísmo.

1916 - Colabora no «Eco Académico». Semanário dos Alunos do Liceu de Angra, desde o n.º 2 (13 de Fevereiro). Funda e dirige «Estrela d'Alva». Revista Literária Ilustrada e Noticiosa, também em Angra do Heroísmo.

1918 - Conclui na Horta (Faial) o 5.º ano do liceu.

1919 -  Inicia o serviço militar, como voluntário, em Infantaria, o que lhe proporciona a primeira viagem a Lisboa.

1921 -  Em Lisboa, é redactor dos jornais «A Pátria» e «A Imprensa de Lisboa» e do «Última Hora».

1922 -  Conclui o liceu em Coimbra e inscreve-se na Faculdade de Direito. Trabalha como revisor na Imprensa da Universidade.

1923 -  Ingressa na Maçonaria, na loja Revolta, de Coimbra. Morte do pai, a 7 de Abril. Colaboração na revista «Bizâncio», de Coimbra. Primeira viagem a Espanha, com o Orfeão Académico: em Salamanca conhece Unamuno.

1924 -  Abandona o curso de Direito e matricula-se na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Geográficas. Com Afonso Duarte, António de Sousa, Branquinho da Fonseca, Gaspar Simões e outros, funda a revista «Tríptico».

1925 -  Opta definitivamente pelo curso de Filologia Românica. Surge o jornal «Humanidade». Quinzenário de Estudantes de Coimbra, de que é redactor principal Vitorino Nemésio. Colaboram, entre outros, José Régio, João Gaspar Simões e António de Sousa.

1926 -  A 12 de Fevereiro, casa com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, de quem terá quatro filhos, a primeira das quais, Georgina, nasce em Novembro.

1927 -  Funda e dirige, com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, «Gente Nova». Jornal Republicano Académico.

1928 -  Passa a colaborar na revista «Seara Nova».

1929 -  Início de correspondência com Miguel de Unamuno.

1930 -  Nemésio colabora na «presença» (n.º 27, Junho-Julho, e 29, Novembro-Dezembro), com textos poéticos. Em Outubro transfere-se para a Faculdade de Letras de Lisboa. Começa a pesquisa sobre Herculano que o ocupará ao longo da vida.

1931 -  Licencia-se na Faculdade de Letras de Lisboa, após o que inicia ali o magistério, lecionando Literatura Italiana.

1933 -  Começa a leccionar Literatura Espanhola (a par da Italiana) em Lisboa, na Faculdade de Letras.

1934 -  Passa por Salamanca para se encontrar pessoalmente com Unamuno. Início de correspondência com Valery Larbaud. Inicia o desempenho das funções de chargé de cours na Universidade de Montpellier. Larbaud lerá os poemas franceses de Nemésio e proporcionar-lhe-á a chancela de um editor parisiense (Corrêa). Doutoramento em Letras, em Outubro, com A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

1935 -  Colabora no jornal «O Diabo» com vários poemas.

1936 -  Concorre a Professor Auxiliar da Faculdade de Letras.

1937 -  Funda e dirige, em Coimbra, a «Revista de Portugal» (n.º 1, Outubro), em cujo editorial, não assinado, se afirma: "Não vamos traçar nenhum programa. O nosso melhor programa seriam vinte ou trinta anos de vida e de realizações de cultura universal e portuguesa." Radica-se na Bélgica e na Universidade Livre de Bruxelas lecciona, durante dois anos.

1939 -  O n.º 7 (Abril) da «Revista de Portugal» publica o primeiro fragmento do romance que virá a ter o título Mau Tempo no Canal ("Um ciclone nas Ilhas"). Regressa a Portugal, para ensinar na Faculdade de Letras de Lisboa.

1940 -  Concorre ao lugar de Professor Catedrático da Universidade de Lisboa.

1941 -  Colabora com um poema nos «Cadernos de Poesia».

1942 -  Colabora na revista de António Pedro, «Variante», e na de Ruy Cinatti, «Aventura».

1944 -  É editada a primeira edição de Mau Tempo no Canal. Colabora na revista de Carlos Queiroz, «Litoral» (n.º 1, Junho).

1945 -  O Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências é atribuído a Mau Tempo no Canal.

1946 - É colaborador regular no «Diário Popular», com uma secção intitulada "Leitura Semanal".

1947 - Colabora na revista «Vértice» ("Arquipélago dos Picapaus", vol. IV, n.º 52, Novembro-Dezembro).

1952 -  Primeira viagem ao Brasil, que se tornará um destino frequente para Nemésio. Dela resultam os primeiros estudos, crónicas e poemas brasileiros.

1955 -  Viagem aos Açores, em Maio.

1956 -  É Director, até 1958, da Faculdade de Letras de Lisboa, onde fora secretário de 1944 a 47.

1958 -  Lecciona no Brasil (Baía, Ceará, Rio de Janeiro, etc.).

1960 -  Intervém na reforma dos planos de estudos das Faculdades de Letras então projectada. Viagem a África, relacionada com os cursos de extensão universitária em Luanda e Lourenço Marques.

1963 -  Efectua uma viagem à Holanda. É eleito sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa.

1965 -  Preside à Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente, redigindo parte do programa das comemorações. Nova viagem ao Brasil. A Universidade Paul Valery, de Montpellier, doutora honoris causa o seu antigo leitor. Recebe o Prémio Nacional de Literatura pelo conjunto da obra.

1966 -  A Biblioteca e Arquivo Distrital de Angra comemora os "50 Anos da Vida Literária de Vitorino Nemésio" com uma exposição bibliográfica e a realização de conferências.

1969 -  Inicia uma colaboração regular na RTP, com o programa "Se bem me lembro", que o imporá como figura ímpar em matéria de comunicação audio-visual.

1970 -  Inaugura as comemorações do centenário da Geração de 70 no Centro Cultural Português de Paris, da Fundação Calouste Gulbenkian.

1971 -  A partir de Fevereiro, colabora regularmente na revista «Observador». A 12 de Dezembo, profere a sua "Última lição" na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quarente anos.

1974 -  Recebe o Prémio Montagine, da Fundação Freiherr von Stein/Friedrich von Schiller, de Hamburgo. A Bertrand lança a primeira colectânea de estudos sobre a obra de Nemésio.

1975 -  Colabora na Homenagem ao Prof. Aurélio Quintanilha, a quem dedicará Limite de Idade. A 11 de Dezembro, assume a direcção do jornal «O Dia».

1977 -  Coordenador nacional do centenário de Herculano.

1978A 20 de Fevereiro, morre em Lisboa, no Hospital da CUF, e será sepultado em Coimbra, no cemitério de Santo António dos Olivais. 
Pouco antes de morrer, Nemésio pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.
Publica-se o primeiro estudo em livro que lhe é exclusivamente consagrado: Vitorino Nemésio, a Obra e o Homem, de José Martins Garcia.
 
António Valdemar
Diário de Notícias, 16 de Dezembro de 2001


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Um poema:

 
A concha
 
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
 
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
 
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
 
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
 
                   Vitorino Nemésio
 

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Sábado, 19 de Fevereiro de 2005

Figueira da Foz

Recordei alguns nomes consagrados...
O caso do guitarrista  CARLOS PAREDES
e o poeta do povo ou "Poeta Cauteleiro",  ANTÓNIO ALEIXO,
tendo  "alguém que sonha"  comentado que gostou muito do meu artigo sobre este poeta algarvio, também guardador de rebanhos e cantor popular...
Agradeço publicamente as suas palavras e volte sempre que quiser, pode ser que descubra novos assuntos de seu interesse.

Também para todos...
volte-sempre.gif
E deixem um comentário !

Conforme prometi outro dia, 
vou publicar mais duas fotografias da Figueira da Foz.



Av_25_de_Abril.jpg

A Av. 25 de Abril, paralela ao Oceano Atlântico.
Ao fundo a vila de Buarcos e a Serra da Boa Viagem. 

____________________________________________________

Agora, para ELAS e também para ELES,
para TODOS os que visitarem esta página,
os meus votos de que...


SejaFeliz.gif

 

Bom_fim_SEMANA03.gif

FigFozPonteNoite.JPG

A Ponte da Figueira da Foz à noite,
deixando "cair" as suas luzes no rio Mondego...


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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

António Aleixo

AntonioAleixo.gif

O poeta António Aleixo, cauteleiro e guardador de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé, é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia.
Nasceu em Vila Real de Santo António a 18 de Fevereiro de 1899
Faleceu em Loulé a 16 de Novembro de 1949
.
Não sendo totalmente analfabeto, sabe ler e leu meia dúzia de bons livros - não é porém capaz de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe dá certamente qualificação para poder ser considerado um poeta culto. Todavia, há nos versos que fazem parte do seu livro "Este livro que vos deixo", uma correcção de linguagem e sobretudo, uma expressão concisa e original de uma amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida, que não deixa de impressionar. António Aleixo, compõe e improvisa nas mais diversas situações e oportunidades. Umas vezes cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionado por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente. Passeando, sozinho, a guardar umas cabras ou a fazer circular as cautelas de lotaria - sua mais habitual ocupação, por isso também chamado "poeta cauteleiro" - ou acompanhado por amigos, numa ceia ou num café, o poeta está presente e alerta e lá vem a quadra ou a sextilha, a fixar um pensamento, a finalizar uma discussão, a apreciar um dito ou a refinar uma troça. E, normalmente, a forma é lapidar, o conceito incisivo e o vocabulário justo e preciso. O que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens.
       
Joaquim Magalhães
In
Este Livro que vos deixo...
António Aleixo

Quadras e Versos
       

A obra do poeta é constituída por
Quadras, Versos,Glosas e Autos: "Auto da Vida e da Morte", "Auto do Curandeiro" e " Auto do Ti Jaquim".
Os motivos e temas de inspiração são bastantes variados. Não sendo um revoltado, acaba por desabafar na sua poesia todo o sofrimento provocado por certas injustiças, como se pode apreciar na quadra seguinte:

Quem nada tem, nada come;
     E ao pé de quem tem de comer,
     Se alguém disser que tem fome,
  Comete um crime, sem querer

 

Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis,
Agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.

A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito.

Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão

Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.

Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

São parvos, não rias deles,
deixa-os ser, que não são sós:
Às vezes rimos daqueles,
que valem mais do que nós.

Embora os meus olhos sejam,
os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Este Livro que vos deixo... 7ª edição, 1983

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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

Recordando ALMEIDA GARRETT


Almeida_Garrett.jpg

Almeida Garrett

- João Baptista da Silva Leitão -


 

Cronologia:

 

1799 - João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.

1804-08 - Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.

1809-16 - Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.

1818-20 - Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de "O Retrato de Vénus", que será acusada como sendo "materialista, ateu e imoral". Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.

1822 - Dirige, com Luís Francisco Midosi, "'O Toucador', periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas". Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14...

1823-27 - Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve "Camões" e "Dona Branca". Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.

1828 - D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a "Lírica de João Mínimo".

1829 - Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.

1830-31 - Edita o violento panfleto "Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português", numa época marcada por duas crises de saúde graves.

1832 - Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa "O Arco de Santana". É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: "Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou."

1833 - Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.

1834 - Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.

1835-40 - Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor - com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve "Um Auto de Gil Vicente". É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura

1841-42 - Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.

Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica "O Alfageme de Santarém".

1843 - 17 de Julho: inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de "As Viagens da Minha Terra". Escreve a sua outra obra-prima: "Frei Luís de Sousa".

1844 - Publica anonimamente uma autobiografia na revista "Universo Pitoresco". No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.

1845 - Aparece em capítulos, em Junho, na "Revista Universal Lisbonense", "Viagens na Minha Terra". É representada "Falar Verdade a Mentir", enquanto outra, "As Profecias do Bandarra" se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.

1846 - Publica "Viagens na Minha Terra". Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.

1847-50 - Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado "A Comédia do Marquês". Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada "lei das rolhas". Dedica-se com regularidade à compilação final do seu "Romanceiro".

1851-53 - Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde - que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.

1854 - Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: "Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro."

Fonte:

 
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GARRETT
também tem o seu nome na toponímia figueirense,
próximo do famoso Palácio Sotto Mayor,
mandado edificar por Joaquim Sotto-Mayor, no início do século XX. Constitui uma luxuosa vivenda de estilo francês, com fachada sumptuosa, integrando-se em amplo espaço verde.
Localização: Rua Joaquim Sotto Mayor.
Figueira da Foz
 

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Por BÁRBARA REISCOM AIDA LIMA, Joana Gorjão Henriques, Pedro Quedas e Sofia Gonçalves
Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2004 in JornalPúblico

 
Garrett, o homem que inventou o português moderno e muito mais...

Tem ruas, praças e avenidas com o seu nome por todo o país, e ainda faz parte das leituras obrigatórias do ensino secundário. Todos, aliás, lhe conhecemos o retrato "oficial": cabelo ondulado, barba oval e estreita que mal cobre o rosto, e todo muito composto - é sabido que era vaidoso e passava horas a arranjar-se, tantas as pequenas almofadas que distribuía pelo corpo para ficar mais elegante.

Mas o que resta, hoje, de Almeida Garrett, 150 anos depois da sua morte?

Garrett só viveu 54 anos mas fez centenas de coisas: foi escritor, deputado, ministro, tribuno, Cronista-Mor do Reino e actor; fundou vários jornais, o Teatro Nacional D. Maria II e co-fundou o Grémio Literário; escreveu peças de teatro, poesia, romances e leis nacionais (da Constituição Setembrista de 1838, à chamada reforma do ensino de Passos Manuel ou a lei da propriedade literária); foi um quase-etnólogo que registou séculos de literatura popular oral; escreveu o que alguns estudiosos consideram ser "a primeira descrição do acto sexual" na literatura portuguesa (em "O Arco de Sant'Ana", quando Ester sonha que é violada pelo futuro bispo); desembarcou em 1832 nas praias do Mindelo, ao pé do Porto, com farda e arma, ao lado do exército liberal de D. Pedro IV para lutar contra as tropas miguelistas; escreveu folhetos políticos incendiários, viveu a "utopia das soluções populares", e morreu visconde.
 

Obras de
Almeida Garrett
 
Viagens na Minha Terra
Frei Luís de Sousa
Folhas Caídas
Falar Verdade a Mentir
Flores sem Fruto
Dona Branca
Camões
Tio Simplício
Lírica de João Mínimo
O Arco de Sant'Ana
O Alfageme de Santarém
Mérope
Helena
Memórias Biográficas
Um Auto de Gil Vicente
Adosinda
Fábulas e Contos
Romanceiro
Catão
D. Filipa de Vilhena

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FILIPE FREITAS

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