Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006

Louis Armstrong

 
Louis Armstrong - no ano de 1930
 
 
 

Louis Armstrong  (4 de Agosto de 1901, Nova Orleans - 6 de Julho de 1971, Nova Iorque) foi um músico dos Estados Unidos da América.
 
Biografia

Trompetista e cantor de jazz americano. É conhecido pelo pseudónimo de Satchmo. Quando era criança e a viver em condições miseráveis, começou a cantar em locais públicos de Nova Orleans com alguns companheiros.
 
Em 1917 ingressa numa orquestra, a de Kid Ory. A partir de então inicia uma carreira de continuados êxitos, primeiro no conjunto de King Oliver e depois no de Fletcher Henderson.
 
Em 1925 forma o seu próprio grupo, chamado Hot Five. Nos anos 30 é o precursor da passagem do estilo polifónico tradicional de Nova Orleans para a preponderância do solista, característica esta das modernas correntes do jazz. Grava mais de um centena de discos e intervém numa quinzena de filmes.
 
Gravou três composições com Ella Fitzgerald: Ella and Louis, Ella and Louis Again e Porgy and Bess.
 
De entre as muitas gravações, destacam-se:
 
"Stardust", "What a Wonderful World", "When The Saints Go Marching In", "Dream a Little Dream of Me", "Ain't Misbehavin'", e "Stompin' at the Savoy".
 
 
 
What a wonderful world
 
Louis Armstrong

(tradução da música de fundo actualmente neste blog)
 
Que mundo maravilhoso
 
Vejo árvores verdes
Rosas vermelhas também
Vejo-as desabrochar para mim e para você
E penso comigo
Que mundo maravilhoso
Vejo céus azuis
E nuvens brancas
O abençoado dia brilhante
A sagrada noite escura
E penso comigo
Que mundo maravilhoso
As cores do arco-íris
Tão lindas no céu
Estão também nas faces
Das pessoas que passam
Vejo amigos cumprimentando-se
Dizendo "Como vai você?"
Na verdade estão dizendo:
"Eu te amo"
Escuto bébés chorarem
Observo crescerem
Eles aprenderão muito mais
Do que eu jamais aprenderei
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo
Que mundo maravilhoso !
 
Música: - What A Wonderful World - Louis Armstrong
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

Cesária Évora

 
 Cesária Évora  ( Cize )  -  à soleira da porta
 
 Cesária Évora  ( Cize )  -  à soleira da porta
 
 

Cesária Évora (nasceu em Mindelo, a segunda maior cidade de Cabo Verde, na ilha de São Vicente, em 27 de Agosto de 1941) é uma famosa cantora cabo-verdiana, apelidada de "a rainha da morna". Também conhecida como "a diva dos pés descalços", por causa de sua tendência a apresentar-se nos palcos com os pés descalços, em solidariedade aos sem-tecto e às mulheres e crianças pobres do seu país.
 
À morna, um género musical profundo em sentimentos e descendente do fado português cantado em crioulo cabo-verdiano. Ela mistura toques sentimentais com sons acústicos de violão, cavaquinho, violino, acordeão e clarineta. O blues cabo-verdiano de Cesária Évora em geral fala da longa e amarga história de isolamento do país e de comércio de escravos, assim como da emigração - o número de cabo-verdianos morando no exterior é maior do que a população total do país.
 
Na voz afinada de Cesária Évora, acompanhada de instrumentos que dão um toque de melancolia, ressalta o emocional na sua música. Mesmo plateias que não entendem a sua língua conseguem perceber emoção nas suas apresentações.
 
Em 2004 ela ganhou um prémio Grammy de Melhor álbum de world music contemporânea.
O Grammy Awards, apresentado pela Recording Academy (uma associação de norte-americanos
profissionalmente envolvidos na indústria de gravação de música) por incríveis realizações na indústria musical, é um dos quatro maiores prémios musicais anuais dos Estados Unidos.
 
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

O Saxofone

 
Saxofone alto
 
Saxofone alto
 
 
Duas boquilhas para sax tenor; a da esquerda mais utilizada para musica clássica, a da direita mais apropriada para o pop ou jazz.

  
Duas boquilhas para sax tenor:
a da esquerda mais utilizada para musica clássica,
a da direita mais apropriada para o pop ou jazz.
 
 

Palhetas para sax alto e sax tenor respectivamente 
  
Palhetas para sax alto e sax tenor respectivamente
 
 
 

O saxofone é um instrumento de sopro inventado em 1840 pelo belga Adolphe Sax (1), um respeitado fabricante de instrumentos, que viveu na França no século XIX.
 
 
História
 
Ao contrário da maioria dos instrumentos populares hoje em dia, que para chegar aos seus formatos actuais foram evoluídos de instrumentos mais antigos, o saxofone foi um instrumento inventado. O pai do saxofone foi o belga Antonie Joseph Sax, mais conhecido pela alcunha de Adolphe Sax. Filho de um fabricante de instrumentos musicais, Adolphe Sax aos 25 anos foi morar em Paris, e começou a trabalhar no projecto de novos instrumentos. Ao adaptar uma boquilha semelhante ao do clarinete numa espécie de corneta, Sax teve a ideia de criar o saxofone, que foi concluído em 1840 e patenteado logo em seguida, em 1844.
 
Embora seja feito de metal, o saxofone pertence à família das madeiras, pois o seu som é emitido a partir da vibração de uma palheta de madeira que fica fixada à boquilha.
 
Por ter um som único, com propriedades tanto dos instrumentos de madeira, quanto dos de metais, o saxofone logo foi adoptado por muitos músicos. O sax tem a capacidade de ter o poder de execução de instrumentos como o clarinete, ao mesmo tempo que tem uma potência sonora quase tão grande quanto à das cornetas. Além disso o seu timbre é um dos que mais se assemelha ao da voz humana, sendo um dos mais apreciados em todos os cantos do planeta.
 
 
Construção
 
O sax é um instrumento fabricado em metal, geralmente latão, com uma mecânica semelhante à do clarinete e à da flauta. É composto basicamente por um tubo cónico com 26 orifícios que têm as aberturas controladas por 23 chaves vedadas com sapatilhas (sapata, rodela, dos instrumentos musicais de sopro) geralmente de couro (nas versões mais modernas) e uma boquilha onde se acopla uma palheta geralmente de bambu (instrumento de palheta simples). A família dos saxofones é bem extensa, mas o desenho é semelhante a todos, sendo de forma similar a um cachimbo ou ainda recto, dependendo do tamanho.
 
 
A família do saxofone
 
A família dos saxofones mais utilizada actualmente é composta por:
 
-  Soprano, armado em Sib
-  Alto ou contralto, armado em Mib
-  Tenor, armado em Sib
-  Barítono, armado em Mib

 
 
Há porém outros modelos mais raros, ou que foram caindo em desuso, por exemplo:
 
Sopranino, armado em Fá e Mib
Soprano, armado em Dó
-  Mezzo-Soprano, armado em Fá
-  "Melody", armado em Dó
Baixo, armado em Sib
-  Contra-Baixo, armado em Mib

 
 
Duas características comuns à família dos saxofones são o sistema de digitação e a escrita. A diferença básica entre os saxofones é o tamanho: o tubo pode variar de poucos centímetros, como no sopranino, a vários metros, como no contra-baixo.
 
Outra peculiaridade é que os saxofones são instrumentos transpositores, ou seja, a nota escrita não é a mesma nota que ouvimos (som real). Assim, para podermos ouvir uma nota equivalente ao dó de um piano é necessário escrever notas diferentes dependendo em qual tonalidade o saxofone é armado.
 
 
A boquilha
 
A boquilha é a peça que se encaixa na ponta do saxofone e na qual é fixada a palheta. O seu funcionamento é semelhante ao de um apito, que gera as vibrações que irão percorrer o corpo do instrumento e as quais tornarão o som típico do saxofone. As boquilhas podem ser fabricadas dos mais diversos materiais: massa plástica, metais, acrílico, madeira, vidro e até mesmo osso, contudo as de massa plástica e de metais são as mais utilizadas.
 
O formato das boquilhas também pode variar bastante, tanto externamente quanto internamente. Alterações nos formatos implicam em alterações significativas do som produzido, e devido a este facto a escolha da boquilha é uma decisão muito pessoal para cada saxofonista. Não existe um padrão entre as fábricas. A grosso modo, duas medidas internas são definidas: a altura da abertura e a sua profundidade. Quanto maior for a abertura e menor a profundidade, mais estridente será o som produzido, já o contrário resulta num som abafado e pequeno.
 
 
A palheta
 
A palheta está para o saxofone assim como a corda está para o violão. Ela é a responsável pela emissão do som emitido pelo instrumento. Ao soprarmos a boquilha é gerada uma coluna de ar que faz vibrar a palheta, produzindo o som.
 
As palhetas são fabricadas com madeira, geralmente cana ou bambu, existindo porém palhetas sintéticas criadas pela engenharia moderna. Existem numerações para determinar o nível de dureza de uma palheta, mas esta numeração não é padronizada, varia de fabricante para fabricante. Quanto mais dura é a palheta maior é o esforço para a emissão da nota, contudo menor é o esforço para manter o controle da afinação.
 
 
(1) - Antoine Joseph Adolphe Sax (6 de Novembro de 1814 - 4 de Fevereiro de 1894) foi um construtor de instrumentos belga, conhecido por ter inventado o saxofone.
 
Adolphe Sax nasceu em Dinant, Bélgica. O pai, Charles-Joseph Sax, também era construtor de instrumentos. Adolphe cedo começou a construir os seus instrumentos.
 
Quando deixou a escola, Sax começou as experiências para descobrir novos instrumentos e a sua primeira invenção importante foi um melhoramento no clarinete baixo, que patenteou apenas com 20 anos de idade.
 
Em 1841, Sax mudou-se para Paris, onde continuou a trabalhar na construção e invenção de instrumentos. A sua invenção mais famosa foi o saxofone, destinado a ser usado nas bandas militares.
 
O compositor Hector Berlioz escreveu aprovando o novo instrumento em 1842, mas Sax apenas o patenteou em 1846, depois de desenhar e construir toda a família de saxofones (do soprano ao baixo).
 
A partir de 1867, Sax foi professor do Conservatório de Paris, cidade onde morreu em 1894, e está sepultado no cemitério de Montmartre.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Sábado, 29 de Abril de 2006

Dia Internacional da Dança

 
Espectáculo de Tango
   
Espectáculo de Tango
 
 
 

O Dia Internacional da Dança tem sido celebrado no dia 29 de Abril, promovido pelo Conselho Internacional de Dança (CID), uma organização interna da UNESCO para todos os tipos de dança.
 
A dança é uma forma de expressão artística de sentimentos e ideias através do movimento corporal. Na maior parte dos casos, a dança é acompanhada pela música e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela.
 
A comemoração foi introduzida em 1982 pelo Comité Internacional da Dança da UNESCO. A data comemora o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), o criador do ballet moderno.
 
Entre os objectivos do Dia da Dança estão o aumento da atenção pela importância da dança entre o público geral, assim como incentivar governos de todo o mundo para fornecerem um local próprio para a dança em todos os sistemas de educação, do ensino infantil ao superior.
 
Enquanto a dança tem sido uma parte integral da cultura humana através da sua história, não é prioridade oficial no mundo. Em particular, o prof. Alkis Raftis, presidente do Conselho Internacional de Dança, disse no seu discurso em 2003 que "em mais da metade dos 200 países no mundo, a dança não aparece em textos legais (para melhor ou para pior!). Não há fundos no orçamento do Estado destinados ao apoio a este tipo de arte. Não há educação da dança, seja privada ou pública".
 
 
Um exemplo de dança:   O Tango
 
O tango é um estilo musical e uma dança a par proveniente do Cone Sul da América do Sul. Nasceu em meados do século XIX em Buenos Aires e Montevideu. No início do século XX espalhou-se pela América do Norte e pela Europa.
 
Não confundir com o palo flamenco, o qual é chamado igualmente de tango, não tendo, contudo, a ver com o da tradição latino-americana.
 
 
Origem do Tango
 
O tango é uma música de origem negra. Primeiro era uma música profana, “com um ritmo bárbaro”, executada por tambores, atabaques e outros instrumentos membranófonos, acompanhada por um bater constante com as palmas das mãos e por um canto sincopado. A dança era sincrónica, frenética, quase acto sexual. Eram os “candombes” dos negros de Buenos Aires, entre os meados e o fim do século XVIII, e também de Montevideu, quando eram eleitos os reis e rainhas das várias “nações” (etnias) negras. Depois, como resultado do sincretismo de culturas africanas e europeias, houve uma espécie de abrandamento da música, do ritmo e da dança, o que resultou numa ladainha, um embalo, quase música cristã: era a forma dos negros, escravos e libertos (escravo que passou à condição de livre), participarem da procissão de “Corpus Christi”. Depois houve uma outra transformação, de volta às origens africanas, agora uma procissão dançante, não religiosa, “os tambores”, que eram realizados todos os domingos e feriados. Era a festa dos negros de Buenos Aires, que durava de meio dia até altas horas da noite, na Praça da Vitória, à qual compareciam o Ditador Rosas, sua família e altos funcionários do governo.
 
Com a grande emigração de europeus, a música e dança foi como que “contaminada” por outros géneros musicais, tais como a “habanera” e a “milonga”. O primeiro é um ritmo de origem afro-cubana que foi levado para a Espanha e que, modificado, retornou à América. É uma música de compasso binário, com o primeiro tempo fortemente acentuado, com uma curta introdução seguida de duas partes de oito compassos cada uma, com modulação do tom crescente. O segundo é um canto e dança da Andaluzia que, nos fins do século XIX, se popularizou nos subúrbios de Montevideu e Buenos Aires. A fusão dos tambores com a habanera, com a milonga e com ritmos de origem europeia, resultou num som mestiço, num ritmo menos sexual, mas ainda sensual.
 
Quanto à expressão “tango”, em diversos dialectos de regiões de onde provieram os mais significativos contingentes de escravos vindos para a América (Congo, golfo de Guiné e Sudão meridional), significa lugar fechado, círculo e esconderijo. Os traficantes apropriaram-se do termo para identificar os locais de concentração de escravos, antes do embarque e após o desembarque. Na América o termo teve vários significados, porém sempre directamente ligados aos escravos africanos ou aos seus costumes e cultura: reunião de escravos boçais, local de bailes, música de escravos. Hoje, a palavra tango significa essencialmente a música nacional Argentina  - Tomislav R. Femenick.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sinto-me: K.O. a dançar Tango
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Sábado, 4 de Março de 2006

Antonio Vivaldi

Antonio Vivaldi

As Quatro Estações  - Vivaldi-4s_Spring_Allegro

Antonio Lucio Vivaldi  (4 de Março de 1678, Veneza, Itália - 28 de Julho de 1741, Viena, Áustria), apelidado de Il Prete Rosso, foi um padre italiano e compositor de música barroca.

O seu pai, um barbeiro mas também um talentoso violinista (alguns chegam a considerá-lo como um virtuoso), ajudou-o a iniciar uma carreira no mundo da música e foi responsável pela sua admissão na orquestra da Cappela di San Marco, onde se tornou um violinista reconhecido.

Em 1703, Vivaldi tornou-se padre, vindo a ser apelidado de Il Prete Rosso, "O Padre Vermelho", muito provavelmente devido ao seu cabelo ruivo. Em 1704, foi-lhe dada dispensa da celebração da Santa Eucaristia devido à sua saúde fragilizada (aparentemente sofreria de asma), tendo-se voltado para o ensino de violino num orfanato de raparigas chamado Ospedalle della Pietà  em Veneza. Pouco tempo após a sua iniciação nestas novas funções, as crianças ganharam-lhe apreço e estima; Vivaldi compôs para elas a maioria dos seus concertos, cantatas e música sagrada. Em 1705, a primeira colecção (raccolta ) dos seus trabalhos foi publicada. Muitos outros se lhe seguiram. No orfanato, desempenhou diversos cargos interrompido apenas pelas suas muitas viagens, e, em 1713, tornou-se responsável pelas actividades musicais da instituição. Vivaldi foi realmente um compositor prolífico e a sua fama deve-se sobretudo à composição de:
  • mais de 500 concertos (210 dos quais para violino ou violoncelo solo ), dos quais se destaca o seu mais conhecido e divulgado trabalho, Le Quattro Stagioni  (As Quatro Estações),
  • 46 óperas,
  • sinfonias,
  • 73 sonatas,
  • música de câmara (mesmo se algumas sonatas para flauta, como Il Pastor Fido, lhe tenham sido erradamente atribuídas, apesar de compostas por Cedeville),
  • música sacra (oratorio Juditha Triumphans, composta para a Pietá; dois Gloria; Stabat Mater; Nisi Dominus; Beatus Vir; Magnificat; Dixit Dominus e outros.

Menos conhecido é o facto de a maior parte do seu repertório ter sido descoberto apenas na primeira metade do século XX em Turim e Génova, mas publicado na segunda metade. A música de Vivaldi é particularmente inovadora, quebrando com a tradição consolidade em esquemas; deu brilho à estrutura formal e rítmica do concerto, repetidamente procurando contrastes harmónicos, e inventou melodias e trechos originais. Ademais, Vivaldi era francamente capaz de compor música não académica, apreciada supostamente pelo público geral, e não só por uma minoria intelectual. A alegre aparência dos seus trabalhos revela uma alegria de compor. Estas estão entre as razões da vasta popularidade da sua música. Esta popularidade rapidamente o tornou famoso em países como a França, na altura muito fechada nos seus valores nacionais.

É considerado um dos compositores que fez com que a música barroca (com o seu típico contraste entre sonoridades pesadas) evoluísse num estilo impressionista. Vivaldi tem sido apontado como um precursor dos músicos românticos. Johann Sebastian Bach foi deveras influenciado pelo concerto e Aria de Vivaldi (revivido nas suas Paixões e cantate ). Bach transcreveu alguns dos concertos de Vivaldi para teclas solo, bem como alguns para orquestra, incluindo o famoso Concerto para Quatro Violinos e Violoncelo, Cordas e Continuo (RV580). Contudo, nem todos os músicos demostraram o mesmo entusiasmo: Igor Stravinsky provocantemente afirmou que Vivaldi não teria escrito centenas de concertos mas um único, repetido centenas de vezes. Apesar do seu estatuto de sacerdote, é suposto ter tido vários casos amorosos, um dos quais com a cantora Anna Giraud, com quem Vivaldi era suspeito de manter uma menos clara actividade comercial nas velhas óperas venezianas, adaptando-as apenas ligeiramente às capacidades vocais da sua amante. Este negócio causou-lhe alguns dissabores com outros músicos, como Benedetto Marcello, que terá escrito um panfleto contra ele.

Vivaldi, tal como muitos outros compositores da época, terminou a sua vida em pobreza. As suas composições já não suscitavam a alta estima que uma vez fizeram em Veneza; gostos musicais em mudança, rapidamente o colocaram fora de moda, e Vivaldi terá decidido vender um avultado número dos seus manuscritos a preços irrisórios, por forma a financiar uma migração para Viena. As razões da partida de Vivaldi para Viena não são claras, mas parece provável que terá querido conhecer Carlos VI, que adorava as suas composições (Vivaldi dedicou La Cetra  a Carlos em 1727), e assumiu a posição de compositor real na Corte Imperial. Contudo, pouco depois da sua chegada a Viena, Carlos viria a morrer. Este trágico golpe de azar deixou o compositor desprovido da protecção real e de uma fonte de rendimentos. Vivaldi teve que vender mais manuscritos para se governar, e terá eventualmente falecido não muito tempo depois, em 1741. Foi-lhe dada uma sepultura anónima de pobre (a missa de Requiem na qual o jovem Joseph Haydn terá cantado, no coro). Igualmente desafortunada, a sua música viria a cair na obscuridade até aos anos de 1900.

A ressurreição do trabalho de Vivaldi no século XX deve-se sobretudo aos esforços de Alfredo Casella, que em 1939 organizou a agora histórica Semana Vivaldi. Desde então, as composições de Vivaldi obtiveram sucesso universal, e o advento da "actuação historicamente informada" conseguiu catapultá-lo para o estrelato novamente. Em 1947, o empresário veneziano Antonio Fanna fundou o Istituto Italiano Antonio Vivaldi,  com o compositor Gian Francesco Malipiero como seu director artístico, e o propósito de promover a música de Vivaldi e publicar novas edições dos seus trabalhos.

A música de Vivaldi, juntamente com a de Mozart, Tchaikovsky e Corelli, foi incluída nas teorias de Alfred Tomatis sobre os efeitos da música no comportamento humano, e usada em terapia musical.


Vida do compositor

Antonio Lucio Vivaldi nasceu a 4 de Março de 1678 em Veneza, Itália. Nessa época, a cidade e a sua região formavam uma república independente - a Serenissima Reppublica. Era um ducado próspero e influente, muito ligado às artes: eram venezianos Monteverdi, Tiepolo, Tintoretto, Canaletto, Zeno, Albinoni... e Vivaldi, claro, que iria tornar-se um dos mais célebres. Vivaldi sempre teve uma saúde frágil. Consta que correra risco de vida logo ao primeiro dia, tanto que o seu baptizado ocorreu apressadamente, poucos instantes após o parto. O pai, Giovanni Battista, era barbeiro, fabricante de perucas e também tocava violino, o que lhe valia um posto na Capela Ducal de São Marcos. Os Vivaldi eram conhecidos na cidade com o apelido de Il Rossi, isto é, os vermelhos. Isso devia-se ao facto de que a maior parte dos membros da família serem ruivos. Na época, ter cabelos vermelhos era um tanto raro; os ruivos despertavam a atenção de todos e não eram muito bem vistos. Antonio demonstrava vocação musical desde pequeno. Foi educado pelo pai, que o iniciou ao violino; os seus progressos foram tão evidentes que logo entrou como "extra" na Capela Ducal. Ao mesmo tempo, o seu pai encaminhava-o ao sacerdócio. Giovanni planeava a carreira do filho com exactidão: padre, António teria todas as garantias e a protecção da Igreja, e ainda assim teria livre trânsito no meio musical de Veneza. Não foi diferente. António recebeu a tonsura (coroa de clérigo) em 1693, quando tinha apenas 15 anos, e foi ordenado padre dez anos depois. Exactamente no mesmo ano, o já Prete Rosso - Padre Ruivo - assumia o cargo de professor de violino no Ospedalle della Pietà, instituição religiosa que fornecia abrigo e formação musical a meninas carentes. Mas Vivaldi não rezou missa por muito tempo, mais ou menos um ano. Depois, nunca mais. Há algumas lendas em torno deste facto. Uma delas conta que ele saíra a correr, a meio de uma missa, para anotar uma melodia que lhe ocorrera. Por esta história e outras, Vivaldi seria afastado das funções sacerdotais pelo Tribunal da Inquisição. Porém, ele mesmo explicaria o seu problema, já no final da vida dizendo que há vinte e cinco anos ele não celebrava missa e não mais o faria, não por ordem ou proibição de seus superiores, mas de sua espontânea vontade, devido a uma doença congénita que lhe deixava com a sensação de falta de ar. Assim que se ordenou padre, rezou a missa durante pouco mais de um ano e por três vezes teve que abandonar o altar sem terminar a cerimónia, por causa desse mesmo mal. Segundo ele chamava-se "stretezza di petto" - angina de peito, asma??? Tendo mal misterioso ou não, Vivaldi tornou-se director do Ospedale em 1705. Era um grande posto, apesar de mal pago. Tinha à sua disposição uma boa orquestra, coro e solistas, que, permanentemente e sem limitações de espécie alguma, lhe permitiam a execução das suas obras e toda a espécie de experiências musicais. Existiam quatro ospedalle semelhantes em Veneza, todos famosos pela sua música - segundo Jean-Jacques Rousseau, "muito superior à das óperas, sem paralelo na Itália". A Pietà era a mais respeitada delas, e os seus concertos eram frequentados pelas pessoas mais influentes da época, inclusive reis e rainhas. Vivaldi, portanto, começou a entrar em contacto constante com a nobreza. E iniciou a sua fama internacional, fazendo viagens e publicando as suas obras.

Além do Ospedalle, Vivaldi dedicou-se à ópera. Começou no teatro não apenas como empresário de ópera, Vivaldi teria uma vida das mais atribuladas. O Padre Ruivo não parava: contratava e dispensava, resolvia atritos entre cantores, solucionava problemas financeiros, ensaiava, montava tournées... e a sua "stretezza di petto"? - parece que a doença não era empecilho.

Como compositor, mas como empresário, em 1713, quando a sua primeira ópera Ottone in villa, foi encenada em Vicenza. Mas o seu nome ficaria ligado ao Teatro Santo Ângelo, de Veneza, onde seria o principal organizador, diríamos "agitador cultural". Como não bastasse o afastamento das funções da igreja e a actividade no teatro, o estranho padre ainda vivia cercado de um séquito bastante curioso: cinco mulheres - Annina, sua cantora predilecta, Paolina, a irmã, a mãe das duas e mais um par de outras moças. Obviamente, Vivaldi tornou-se vítima de toda uma série de ataques e comentários, até o alcunhavam de “padre mentiroso”. Entre os sucessos e ataques, Vivaldi consolidou-se como compositor e empresário, levando a sua companhia teatral a apresentações em inúmeras cidades. Uma dessas viagens, no entanto, foi frustrada pelo Cardeal Tommaso Ruffo, que proibiu a ida de Vivaldi a Ferrara, em 1737, onde iria fixar a maior parte da sua actividade empresarial. O cardeal considerava Vivaldi uma pessoa indigna, "um padre que não reza missa e que mantém uma amizade suspeita com uma cantora". A empreitada consumiu boa parte dos bens do Padre Ruivo, e a sua proibição, como definiu ele próprio, representou a "ruína total". Vivaldi, quase falido e mal visto na sua cidade, resolve partir para o norte da Europa, em 1740. Os motivos e o destino desse exílio ainda são misteriosos, como boa parte da vida do compositor. Alguns historiadores defendem que Vivaldi teria, na verdade, sido expulso pelo governo da República de Veneza. Mas não há certezas. De qualquer modo, a fuga de Vivaldi foi interrompida em Viena, talvez para ir para a corte imperial. Todos os indícios mostram que a capital austríaca era apenas um ponto de passagem. Ele hospeda-se, ao lado da inseparável Annina, na casa de um desconhecido, de nome Satler. Passa algum tempo lá e, de maneira inesperada, no dia 28 de Julho de 1741, faleceu. O seu funeral foi a exacta antítese dos sucessos fulgurantes que obteve tanto como director da Ospedalle quanto como empresário de ópera: simples, pobre, sem rituais nem protocolos, na mais completa obscuridade. A contradição final para uma biografia marcada por elas.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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Sábado, 23 de Julho de 2005

Carlos Paredes

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Carlos Paredes  
(16 de Fevereiro de 1925  -  23 de Julho de 2004)
Foi um guitarrista e compositor português nascido em Coimbra e filho do também famoso guitarrista Artur Paredes.
É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.

Há quem lhe chame “O homem dos mil dedos”.

Vida

Carlos Paredes começou a tocar com a idade de 4 anos, e começou a sua carreira aos 11.  Tocou com muitos outros artistas, incluindo Charlie Haden e escreveu fados para Amália Rodrigues. Escreveu muitas músicas para filmes, tendo recebido especial reconhecimento por “Verdes anos” de 1971.

Durante os anos 50 e 60 esteve preso por fazer oposição ao regime ditatorial que vigorava em Portugal. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco, (de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça).

Quando voltou para o local onde trabalhava,  [funcionário do Ministério da Saúde, como administrativo - arquivista de películas - no Hospital de São José, em Lisboa],  uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo:

"Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do Hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!"

Quando os presos políticos foram libertados, eram vistos como heróis, ele sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar, dizia "Que haviam pessoas, que sofreram mais do que ele!".

Uma doença dos nervos  (mielopatia),  impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida.  (a)
Morreu em 23 de Julho de 2004  devido a uma falha renal  -  faz hoje precisamente um ano.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(a)
Em 1993, foi-lhe diagnosticada uma mielopatia, doença que ataca a estrutura óssea (hérnias na medula) e que o impediu de tocar guitarra desde então. Foi internado na Fundação-Lar Nossa Senhora da Saúde, em Campo de Ourique, Lisboa, onde faleceu às seis de manhã.

Carlos Paredes e os ritmos:
"Os ritmos são ditados pela vida. É evidente que o ritmo do homem urbano é o trânsito, as formas da vida, às vezes a imposição de certa música ou filme. É um ritmo em grande parte ditado por uma máquina e, muito justamente, a música ligeira assimila esse ritmo, não pode é ter a pretensão de dar-nos os ritmos africanos, pois esses são ditados pelas necessidades do homem e não da máquina".

Carlos Paredes e a falta de condições de trabalho:
"Durante anos fiz muitos espectáculos, sem receber remuneração, em circunstâncias técnicas bastante difíceis: más aparelhagens, salas sem condições acústicas, e, muitas vezes, ao ar livre, que me deixavam uma sensação desagradável, pouco estimulante para quem quer fazer um disco nas melhores condições de sonoridade".

Carlos Paredes e a profissionalização:
"Não há condições para ser executante de guitarra portuguesa a tempo inteiro, a não ser em casas de fado. Ser um guitarrista de fado exige uma grande especialização, a minha aprendizagem com as guitarra refere-se a outro tipo de especialização. Não existem condições para a profissionalização de um guitarrista do meu género".

"O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele. Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer, morrerá comigo a minha guitarra."

O compositor e músico Carlos Paredes legou duas das suas guitarras à cidade de Coimbra.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:07
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2005

Carlos Paredes

Ontem, dia 16, Carlos Paredes
completaria 80 anos se estivesse entre nós...
Um grande nome da música portuguesa, nasceu em 16 de Fevereiro de 1925 e faleceu em 23 de Julho de 2004, aos 79 anos de idade, após uma doença prolongada, nos ossos e de diabete.
Paredes, que nasceu em Coimbra, começou a tocar a guitarra portuguesa de 12 cordas quando tinha apenas quatro anos. Ele gravou o primeiro álbum em 1957 e lançou vários trabalhos e trilhas sonoras até 1987.
"Ele era um perfeccionista e tocava até os dedos sangrarem" , disse o cineasta Paulo Rocha.
"Ele era um gênio, um grande artista que deu uma dimensão mundial para a guitarra portuguesa, e, através de seu trabalho, expressou a alma portuguesa", disse o político e poeta Manuel Alegre.
“Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso tímido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança, exprimindo por sons tanta coisa que nós não tínhamos palavras para dizer” - José Carlos de Vasconcelos.
«Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco… E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas». - Carlos Paredes

Carlos_Paredes.jpg

Publicado por: Praia da Claridade às 18:45
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