Domingo, 1 de Outubro de 2006

República Popular da China

 
República Popular da China
 
 
Hong Kong - República Popular da China
 
Hong Kong
 
 
 

A República Popular da China é o terceiro maior Estado do mundo em área (ou o quarto, dependendo de como se contabilizem algumas áreas disputadas com outros países) e o mais populoso do planeta. Ocupa uma parte considerável da Ásia oriental. As suas fronteiras ao Norte são com o Quirguistão, com o Kazaquistão, com a Mongólia e com a Rússia, a Leste com a Coreia do Norte, com o Mar Amarelo (do outro lado do qual se encontra a Coreia do Sul), com o Mar da China Oriental e com o Estreito de Taiwan, que a separa de Taiwan (país que reivindica), a Sul com o Mar da China Meridional, com o Vietname, com o Laos, com Myanmar, com a Índia, com o Butão e com o Nepal e a Oeste com o Paquistão, o Afeganistão e o Tadjiquistão.
 
História
 
A República Popular da China foi fundada em 1 de Outubro de 1949, faz hoje 57 anos, por Mao Tsé-Tung. A partir de então iniciaram-se as reformas. Uma das mais importantes foi a reforma agrária tão requisitada pelos camponeses. E também o restabelecimento da economia.
 
Em 1950, a China alia-se à União Soviética, aliança que duraria cerca de dez anos. Com apoio militar e económico soviético, houve desenvolvimento em áreas sociais.
 
A partir de 1956, uma série de políticas foram adoptadas, sem grande sucesso, como a Campanha das Cem Flores em 1956, e o Grande Salto Adiante de 1958, que pretendia tornar a China uma potência económica em poucos anos.
 
Consequência do fracasso dessas políticas foi o afastamento de Mao Tsé-Tung do poder, e pouco depois conflitos com a aliada URSS.
 
Em 1966, Tsé-Tung com o apoio da Guarda Vermelha e do exército chinês, lança a Grande Revolução Cultural Proletária, que derruba os lideres do Partido, e retoma sua influência sobre o mesmo. Tsé-Tung morre em 1976.
 
Em 1978, o desenvolvimento económico foi colocado como prioridade e uma nova política foi adoptada: a das Quatro Modernizações – indústria, defesa, agricultura, ciência e tecnologia.
 
Em 1982, foi estabelecida a nova Constituição e Li Xiannian foi eleito presidente da República no ano seguinte.
 
Subdivisões
 
A República Popular da China é subdividida em 23 províncias, 5 regiões autónomas, 4 cidades administradas directamente pelo governo central e 2 Regiões Administrativas Especiais.
 
Geografia
 
Com uma área de aproximadamente 9.600.000 km2, a República Popular da China é o terceiro maior país do mundo, tendo uma linha fronteiriça de cerca de 22.000 km. O território chinês no seu conjunto forma uma escadaria colossal que em patamares vem descendo desde os pontos mais altos do Tibete até ao oceano Pacífico. Junto à costa há mais de 3.000 ilhas.
 
A extensão total da fronteira da China com as nações vizinhas totaliza 22.117 km, sendo dividido este número com os seguintes países: Afeganistão (76 km), Butão (470 km), Kazaquistão (1533 km), Coreia do Norte (1416 km), Índia (3380 Km), Laos (423 km), Mianmar (2185 km), Mongólia (4677 km), Nepal (1236 km), Paquistão (523 km), Quirguistão (858 km), Rússia (3645 km), Tajiquistão (414 km) e Vietname (1281 km).
 
Economia
 
A República Popular da China autointitula-se um Estado socialista com sistema económico de socialismo de mercado, o que significa uma economia de mercado onde a iniciativa do Estado se sobrepõe à iniciativa privada. Esse peculiar sistema económico, chamado erroneamente de "capitalismo", tem sido uma das principais causas do acelerado crescimento que a economia chinesa conheceu nas últimas décadas. A economia da China já é a 4ª mais poderosa do planeta (atrás apenas dos EUA, Japão e Alemanha), tendo a maior taxa de crescimento anual entre os países com mais de 100 milhões de habitantes (com a incrível marca de 9% ao ano). A China investe maciçamente em tecnologia e já possui um dos maiores e mais poderosos parques industriais do mundo, com uma produção diversificada que vai muito além das "bugigangas" exportadas pelos chineses por todo o mundo.
 
Demografia
 
A China destaca-se como o país de maior população de todo planeta com 1 bilião e 313 milhões de habitantes (estimativa para Julho de 2006).
 
A economia da China equipara-se a países de 1º mundo, como os Estados Unidos, o Japão e a França, e sua qualidade de vida, pelo método do PIB per capita, compara-se a pequenos e pobres países africanos. Enquanto que as grandes metrópoles chinesas não perdem em nada para cidades como Tóquio e Nova Iorque, a população rural - e a maioria absoluta da população concentra-se no campo - vive em condições de miséria totais, em alguns casos vivendo em condições idênticas a centenas de anos.
 
A população dos grandes centros (onde a população das cidades chega às cifras dos milhões) vivem razoavelmente bem. O mesmo não se verifica nas áreas rurais.
 
A China possuí muitas das cidades que se destacam entre as maiores do planeta, sendo possível encontrar cidades do interior do tamanho de São Paulo (a maior cidade da América do Sul com 10.677.019 habitantes em 2000, e que forma junto às suas cidades vizinhas a 4ª maior Região Metropolitana do mundo com 18,3 milhões de habitantes, ficando atrás apenas de Tóquio, Cidade do México e Nova Iorque).
 
Entre elas podemos citar:
 
Xangai  - região metropolitana: 12.887.000 em 2000; cidade: 9.537.000 em 1998;
Pequim (capital) - também chamada de Beijing - região metropolitana: 10.839.000 em 2000; cidade: 7.336.000 em 1998;
Tianjin  - 9.156.000;
Wuhan  - 5.169.000;
Chongqing  - 4.900.000;
Shenyang  - 4.828.000;
Guangzou (Cantão)  - 3.893.000 - (aglomerações urbanas - 2000).

 
O governo da China vem há bastante tempo tomando providências para conter a alta taxa de natalidade do país, sendo que umas das medidas tomadas é a de estimular que os casais tenham apenas 1 filho (excepção ao caso de gémeos), punindo financeiramente aqueles casais que tenham mais filhos, entre outras medidas discriminatórias.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

Província romana

 
A divisão provincial do Império Romano

A divisão provincial do Império Romano
 
 
 

Uma província romana era a maior divisão administrativa das possessões estrangeiras (fora da península itálica) da Roma antiga. As províncias eram atribuídas por períodos de um ano a governadores originários da classe senatorial, normalmente ex-cônsules ou ex-pretores (cargo associado ao cursus honorum  - carreira política em Roma Antiga). No início do ano romano (em Março, até às reformas de Júlio César), as províncias eram atribuídas aos governadores por sorteio, na época da República, ou nomeação, no Império. Normalmente, as províncias onde eram esperadas complicações, quer por rebeliões internas ou invasões de povos bárbaros, eram conferidas a homens mais experientes, de grau consular. A distribuição de legiões romanas pelas províncias era igualmente dependente do perigo em que se encontrava. A Legião Romana era a divisão fundamental do exército romano. Os legiões variavam entre os 4000 e os 8000 homens, dependendo das baixas que eventualmente sofressem nas batalhas.
 
Assim, em 14 d.C., a Lusitânia não detinha nenhuma legião permanente, enquanto que a Germânia Inferior, onde a fronteira do Reno ainda representava um problema, tinha uma guarnição de quatro legiões. As províncias mais problemáticas eram as mais desejadas pelos futuros governadores, pois problemas significavam guerra e na guerra havia a possibilidade de obter despojos, escravos para venda e outras oportunidades de enriquecimento.
 
A primeira província romana foi a Sicília, anexada pela república em 241 a.C., depois do fim da primeira guerra púnica. Hispânia Tarraconensis e Hispânia Ulterior, que englobavam a Península Ibérica (Hispânia para os romanos) foram obtidas em 197 a.C., de novo à custa de Cartago, no fim da segunda guerra púnica. Em 147 a.C., Lucius Aemilius Paullus adquire a Macedónia e a destruição de Cartago em 146 a.C. rende a província do Norte de África. Já no período do Império Romano, a Britânia tornou-se numa província depois da invasão comandada pelo Imperador Cláudio em 43, apesar da pacificação completa ter demorado umas décadas a ser obtida. A província romana da Bretanha (Britannia, em latim) ocupou o território equivalente aos actuais País de Gales, Inglaterra e sul da Escócia, na ilha da Grã-Bretanha, do século I ao início do século IV.
 
O número e dimensão das províncias flutuou ao longo da história, de acordo com as políticas da metrópole. Durante o Império, as maiores e mais bem guarnecidas províncias foram subdivididas em territórios mais pequenos, para evitar que um único governador detivesse demasiado poder nas mãos.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

O Monte Capitólio

 
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio), Roma, com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.
 
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio), Roma,
com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.
 
 

O Monte Capitólio (em italiano: Campidoglio), ou monte Capitolino, é uma das famosas sete colinas de Roma. Trata-se da colina mais baixa, com dois picos separados por uma depressão. Era local facilmente defensável, com alta escarpa excepto no lado que se vira para o Quirinal. Segundo a lenda, os Sabinos puderam tomar a colina apenas pela traição de Tarpéia. A rocha Tarpéia, de onde os criminosos eram atirados, guardaria o seu nome. Quando os Gauleses invadiram Roma, em 390 a.C., o monte Capitolino foi a única zona da cidade que não foi capturada pelos bárbaros.
 
No lado do pico do sul, ou Capitolium, entre o Fórum Romano e o Campus Martius (Campo Marzio), erguia-se o templo da Tríade Capitolina — os deuses Júpiter, a sua companheira Juno e a filha de ambos, Minerva — iniciado pelo último rei de Roma Lucius Tarquinius Superbus (Tarquínio, o Soberbo), e considerado um dos maiores e mais belos templos da cidade. No lado do pico do norte, ou Arx, a partir do século IV a.C., levantava-se o templo de Juno Moneta, no actual local da igreja de Santa Maria in Aracoeli. No pequeno vale entre ambos, hoje ocupado pela Praça do Campidoglio, ficava o Asylum, santuário que a lenda faz recuar aos tempos de Rómulo que oferecia refúgios aos perseguidos. Do lado leste, o Tabularium, arquivo estatal romano. No sopé da colina, no local da actual igreja de Giuseppe del Falegnami, a prisão Mamertina, onde provavelmente estiveram detidos os apóstolos Pedro e Paulo.
 
O monte Capitolino é referido inúmeras vezes durante a História de Roma: nele Brutus e os assassinos refugiaram-se, dentro do Templo de Júpiter, após o assassinato de César; foi aqui que Gracchi morreu; aqui, os triunfantes generais podiam contemplar a cidade pela qual lutavam; foi aqui que os Sabinos, perante a Cidadela, perpetraram dentro da cidade, com a ajuda da infame Virgem Vestal, Tarpeia, filha de Spurius Tarpeius, que foi mais tarde o primeiro a morrer nas rochas. Aqui foram assassinados criminosos políticos, atirados pela encosta da colina, para caírem nas afiadas Rochas Tarpeianas, mais abaixo. Quando Júlio César sofreu um acidente durante o seu Triunfo (segundo as crenças da época, indicando claramente a sua ira e o castigo a César pelas suas acções durante as Guerras Civis), aproximou-se da colina em direcção ao templo de Júpiter em joelhos, na tentativa de subverter as infelizes premonições (César seria assassinado seis meses depois).
 
De 1536 a 1546, o papa Paulo III encarregou Michelangelo de redesenhar a praça e transformar o Campidoglio — como os Romanos o tornaram conhecido — com os seus três palácios que preenchem o espaço trapezoidal, aproximados de uma escadaria famosa, a Cordonata, encabeçada pelas duas grandes estátuas dos Dioscuri (os míticos Castor e Polux). A ideia de redesenhar a praça nasceu quando se preparava a visita do imperador Carlos V em 1536. Miguel Angelo incluiu nos seus planos o palácio dos senadores, construído no século XII, e os alicerces do Tabularium e do edifício do lado sul, que datava do século XIV, hoje Palácio dos Conservadores (palazzo dei conservatori). A ideia do grande artista foi transformar o monumento equestre ao imperador Marco Aurélio, transferido para o Capitólio em 1538, na principal atracção.
 
Contrapondo a orientação clássica do monte Capitolino, que se virava para o Fórum, o artista rodou as atenções para a Roma Papal. A construção da praça progrediu muito lentamente e outros arquitectos terminariam as ideias de Miguel Ângelo, pois a praça só seria terminada no século XVII. A impressionante fachada com pilastras coríntias do Palácio dos Conservadores, por exemplo, se deve a Giacomo della Porta (executada de 1564 a 1568). Os três palácios compõem actualmente os importantes Museus Capitolinos: estes edifícios do Palazzo Nuovo e do Palazzo dei Conservatori mostram, nas suas estupendas galerias, o núcleo da colecção do papa Sisto IV iniciada em 1471.
 
A piazza del Campidoglio continua a ser importante, pois nela foi assinado o Tratado de Roma em 1957 e o Palácio dos Senadores (palazzo del Senatori) é a sede oficial do prefeito da cidade. A igreja de Santa Maria in Aracoeli está adjacente à praça.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

História do Egipto

 
Imagem satélite da região do Delta do Nilo - Egipto
 
Imagem satélite da região do Delta do Nilo - Egipto

  
 

A História do Egipto corresponde a uma das mais longas histórias de um território do mundo.

Pré-História
 
Durante o Paleolítico o clima do Egipto sofreu uma alteração, passando de um clima húmido e equatorial para um clima seco. O processo de desertificação da região que é o hoje o Saara, concentrou no vale do Rio Nilo as populações circundantes.
 
No quinto milénio o Vale do Nilo, já com as características climáticas actuais, conheceu uma série de culturas neolíticas (Faium, Tasa, Merimde...). Os habitantes do Egipto domesticaram animais como o porco, o boi e cabra e cultivaram o trigo e a cevada.
 
O quarto milénio a.C. corresponde àquilo que a historiografia designa como o período pré-dinástico (ou proto-dinástico). Nele surge o cobre e na região do Alto Egipto surgem sucessivamente três civilizações: a badariense, a amratiense e gerzeense. Esta última civilização acabaria por se difundir por todo o território do Egipto.
 
O Egipto otomano (1517-1798)
 
Em 1516 e 1517, o sultão Selim I derrotou os Mamelucos e o Egipto transforma-se numa província do Império Otomano, governada por um paxá nomeado anualmente. A autoridade do Império Otomano era escassa e os paxás tomavam frequentemente decisões à margem dos desejos do sultão, que se contentava em receber o tributo, apenas exigindo que as fronteiras fossem vigiadas para evitar qualquer tipo de intrusão. As antigas elites mamelucas conseguiram penetrar as estruturas administrativas e continuar a governar o Egipto. Embora colaborassem com os otomanos por vezes desafiavam o seu poder. A este período corresponde um declínio económico e cultural.
 
No século XVII desenvolve-se uma elite de mamelucos que usava o título de "bey", ao mesmo tempo que as guerras entre duas facções de mamelucos devastam o país. No século XVIII, Ali Bey e o seu sucessor, Muhammad Bey, conseguiram fazer do Egipto um território independente face ao Império Otomano. Por outro lado, a situação económica do Egipto degradara-se e a população conheceu uma fase de penúria e fome.
 
Neste contexto de um Egipto debilitado, a França e a Inglaterra começaram a alimentar ambições em relação ao território. Em 1798 o general Napoleão Bonaparte invadiu o país para tentar desestabilizar o comércio inglês na região.
 
Mehemet Ali e os seus sucessores
 
Napoleão fugiu do Egipto para França em 1799, deixando atrás um exército de ocupação. Este exército seria expulso pelos otomanos e pelos ingleses em 1801, terminando a breve ocupação francesa. O Egipto conhece um período de desordem que acaba em 1805 quando um soldado albanês de nome Mehemet Ali toma o poder.
 
Depois de repelir a invasão inglesa de 1807, Mehmet Ali dedicou-se a acabar com as revoltas constantes dos Mamelucos que ameaçavam a estabilidade do país. Para atingir tal objectivo reúne-os na cidadela do Cairo em 1811 onde organiza o massacre destes.
 
Mehmet Ali declarou-se senhor do Egipto, dono de todas as terras. Ajudado pelos franceses, organiza um exército moderno e criou uma marinha de guerra. Tomou também uma série de medidas que pretendiam modernizar a economia do país, ordenando a construção de canais e fábricas.
 
Independência
 
Em 1922 a Inglaterra concedeu a independência ao Egipto e Ahmad Fuad tornou-se rei com o título de Fuad I. Esta independência era meramente nominal, uma vez que a Inglaterra reserva-se ao direito de intervir nos assuntos internos do país se os seus interesses fossem postos em causa. Em 1923 foi adoptada a constituição do país, que estabelecia uma monarquia constitucional como sistema político vigente. As primeiras eleições para o parlamento tiveram lugar em 1924 e delas saiu vitorioso o partido Wafd, cujo líder, Saad Zaghlul, se tornou primeiro-ministro.
 
O Wafd tinha surgido como partido do desejo em libertar completamente o Egipto do poder britânico. Em Novembro de 1924 o comandante do exército britânico no Egipto foi assassinado e a polícia descobre, a partir das suas investigações, ligações entre a morte do comandante e terroristas associados ao Wafd. Em consequência, o primeiro-ministro Zaghlul demitiu-se.
 
As eleições que tiveram lugar na sequência desta crise dariam de novo a vitória ao Wafd. O rei Fuad, que temia este partido, ordenou o encerramento do parlamento e em 1930, apoiado em políticos opositores do Wafd, impõe uma nova constituição ao Egipto, que reforçava o poder da monarquia.
 
Com a morte de Fuad em 1936, o seu filho, Faruk I, decide restaurar a constituição de 1923. Novas eleições deram a vitória ao Wafd, que formou um governo. No mesmo ano o Egipto e a Inglaterra assinaram um tratado cujos termos levaram a uma redução do número de militares ingleses no país e cimentaram uma aliança militar entre as duas nações. Este tratado permitiu ao Egipto a entrada na Liga das Nações.
 
A Segunda Guerra Mundial fez com que a Inglaterra aumentasse a sua presença militar no Canal do Suez. Embora o país se tenha declarado neutro, muitos líderes nacionalistas egípcios desejavam uma vitória das potências do Eixo, que acreditavam livraria o país da presença inglesa. Em 1942, perante a ofensiva militar da Alemanha sobre a Líbia, o embaixador britânico no Egipto pressionou o rei Faruk a nomear um governo do partido Wafd, uma vez que esta força política tinha assinado o tratado de 1936, dando uma maior segurança à Inglaterra quanto ao posicionamento do Egipto no conflito. Nahas Paxá tornou-se primeiro-ministro e colaborou com os Aliados até ao fim da guerra. Porém o prestígio do Wafd no movimento nacionalista viu-se afectado e o partido perdeu muitos líderes. Numa tentativa de melhorar a sua imagem junto da opinião pública o partido ordenou reformas na educação e promoveu a formação da Liga Árabe (1945).
 
Em 1948 o Egipto e outros países árabes tentaram impedir, sem sucesso, o estabelecimento do Estado de Israel na região histórica da Palestina.
 
A era de Nasser (1952-1970)
 
Na noite de 22 para 23 de Julho de 1952 deu-se um golpe de estado organizado por uma facção do exército conhecida como os "Oficiais Livres", cujo chefe era o general Gamal Abdel Nasser. O rei Faruk foi obrigado a abdicar e como presidente do Conselho foi escolhido o general Muhammad Naguib, que não sendo membro dos "Oficiais Livres", foi escolhido devido à sua popularidade. Em Dezembro do mesmo ano foi abolida a constituição monárquica e em Janeiro do ano seguinte todos os partidos políticos foram proibidos. Naguib ascende à posição de primeiro presidente da proclamada República do Egipto.
 
As simpatias que Naguib nutria pelos antigos partidos políticos e pela Irmandade Muçulmana fizeram com que crescesse a oposição à sua pessoa por parte dos "Oficiais Livres". Naguib acabaria por ser afastado da presidência e colocado sob prisão domiciliária, sendo substituído na sua função por Nasser, eleito como presidente em 1956.
 
Nasser assegurou a retirada dos soldados britânicos do Canal de Suez. A sua política externa ficou marcada pelo recusa do Pacto de Bagdade, uma tentativa britânica em criar uma frente anticomunista no Médio Oriente, na qual se integravam a Turquia, o Iraque, o Irão e o Paquistão contra a União Soviética. Foi também activo no movimento dos países não-alinhados, tendo participado activamente na Conferência de Bandung.
 
O ataque israelita à Faixa de Gaza (então controlada pelo Egipto) fez com que Nasser procurasse armas junto dos países comunistas, uma vez que as potências ocidentais se recusavam a vender armas ao Egipto. Em Setembro de 1955 o Egipto assina um importante acordo sobre fornecimento de armas com a Checoslováquia.
 
Nasser decidiu também construir a barragem do Assuão, projecto que se inseria num plano de irrigação e de electrificação do país, procurando assegurar os empréstimos para a construção junto do Reino Unido, do Banco Mundial e dos Estados Unidos. Este país, inicialmente favorável, recusou-se a fornecer o empréstimo, ao qual Nasser respondeu com a nacionalização do Canal de Suez, acto que gerou uma intervenção conjunta da França e do Reino Unido. Israel uniu-se a estes dois países no ataque ao Egipto, conseguindo conquistar a Faixa de Gaza e grande parte da Península do Sinai. Uma semana depois, os Estados Unidos e a União Soviética asseguraram nas Nações Unidas um cessar-fogo que obrigou à retirada dos territórios ocupados e a França e o Reino Unido saíram humilhados do episódio. Em 1958 o governou da União Soviética comprometeu-se a financiar a construção da barragem.
 
A crise do Suez fortaleceu a imagem de Nasser não só no Egipto, mas em todo o mundo árabe. A 21 de Fevereiro de 1958 Nasser ratifica através de referendo a união do Egipto e da Síria, formando a República Árabe Unida, à qual se juntou o Iémen em Março do mesmo ano. Esta união foi dissolvida em 1961 devido a uma revolta na Síria.
 
Durante os anos 60, Nasser desenvolveu uma série de políticas socialistas. Em 1962 foi publicada uma Carta Nacional, na qual se previa a extensão do controlo do estado às finanças e à indústria. Segundo esta carta, o Estado egípcio estaria fundamentado na existência de um único partido, a União Árabe Socialista.
 
O período Sadat
 
Com a morte de Nasser em 1970, sucedeu-lhe Anwar Sadat, que exercia o cargo de vice-presidente. Sadat seguiu uma política de reaproximação à Arábia Saudita, sem contudo se afastar da União Soviética. Em 1973 o país liderou a coligação de países árabes na Guerra dos Seis Dias, tendo o país conseguido um relativo sucesso, já que reconquistou a Península do Sinai e conseguiu a reabertura do Canal de Suez. A nível económico, Sadat promoveu uma política que se afastava do socialismo de Nasser, incentivando o investimento privado (esta política recebeu o nome de "Intifah", "porta aberta" em árabe).
 
Devido à crise económica que o Egipto atravessava, Sadat teve que reduzir as despesas militares, orientando o país para uma política de paz. Em 1977 fez uma visita histórica a Israel e em 1978 o presidente assinou os Acordos de Camp David, que levaram à paz com aquela nação. Uma das consequências dos acordos foi uma aproximação do Egipto aos Estados Unidos, tendo o país beneficiado de ajuda financeira americana considerável. Porém, esta política de paz com Israel fez com que Sadat fosse odiado pelos vizinhos árabes; o país foi mesmo expulso da Liga Árabe. A 6 de Agosto de 1981 o presidente Sadat foi assassinado por um extremista muçulmano.
 
De Hosni Mubarak aos nossos dias
 
Sadat foi sucedido pelo general Hosni Mubarak, vice-presidente desde 1975, que continuou a política de paz do seu predecessor. Embora continuasse a aproximação do país aos Estados Unidos, verifica-se também um distanciamento em relação a Israel e uma tentativa de reconciliação com os países árabes. Por volta de 1987 a maioria dos países árabes já tinha restabelecido relações diplomáticas com o Egipto, que em 1989 foi readmitido na Liga Árabe.
 
A partir de 1990 os movimentos fundamentalistas islâmicos iniciaram uma série de ataques terroristas, que tinham como principal alvo os turistas ocidentais, com o objectivo de privar o país de uma das suas principais fontes de divisas. Foram também atingidos intelectuais seculares e a minoria copta (coptas: antigos habitantes do Egipto). Em 1990 o presidente do parlamento egípcio Rafaat Mahgub é assassinado por fundamentalistas. O Estado egípcio responde a estes ataques com detenções maciças, execuções e a declaração do estado de emergência.
 
Na Guerra do Golfo (1990-1991), o Egipto tomou partido da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos que visava expulsar o Iraque do Kuwait. Em 1993 Mubarak foi eleito pela terceira vez presidente do Egipto.
 
Em 1995 Mubarak consegue escapar a um atentado contra a sua vida, na Etiópia. Em 1999 é reeleito como presidente para um novo período de seis anos, mediante eleições na qual é o único candidato. O presidente defende a luta contra o desemprego que em finais de 1999 atinge 1,5 milhões de egípcios.
 
No ano 2000 o Papa João Paulo II visita o Egipto, pedindo desculpas pelo comportamento da Igreja Católica Romana contra os muçulmanos no passado.
 
Nas eleições para a Assembleia do Povo em Outubro e Novembro de 2000, consagra-se como vencedor o partido do governo, o NDP.
 
Em Setembro de 2005 Hosni Mubarak foi reeleito presidente com 88,6% dos votos, numas eleições consideradas históricas pelo facto de terem sido autorizados outros candidatos. A oposição considerou as eleições uma fraude.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:16
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Domingo, 10 de Setembro de 2006

Isabel da Áustria - a "Sissi"

 
Isabel, imperatriz da Áustria
  
Isabel, imperatriz da Áustria - "Sissi"
 

 

" Sentimos-nos transportados ao tempo da Sissi "
... escreveu "Jo, de Ecos do Tempo"

 
 
Isabel da Baviera, depois Isabel da Áustria, (Munique, 24 de Dezembro de 1837 - Genebra, 10 de Setembro de 1898, faleceu faz hoje 108 anos) foi imperatriz da Áustria e rainha da Hungria. Ficou mundialmente conhecida pelo nome que recebeu nos primeiros anos de vida, Sissi.
 
Filha do duque da Baviera, Maximiliano e de Ludovica, irmã da arquiduquesa Sofia (mãe de Francisco José), a jovem imperatriz casou com Francisco José I em Abril de 1854. Sissi tinha então 16 anos e era considerada uma das mais belas princesas do mundo. Do casamento nasceram quatro filhos: Sofia, Gisela, Maria Valéria e o príncipe herdeiro, Rudolfo, que foi assassinado em 1889 causando a Sissi um desgosto de que a imperatriz nunca recuperou.
 
Em 1867, juntamente com o marido, foi coroada rainha da Hungria na sequência da assinatura do compromisso austro-húngaro. A sua dificuldade de adaptação às regras da corte de Viena e a preferência da imperatriz pela Hungria afrontaram a Áustria e isolaram cada vez mais Isabel da vida familiar e dos compromissos oficiais, que procurou abandonar desde o seu casamento, por detestar o protocolo e as obrigações impostas pelo título do marido. Alguns problemas de saúde, agravados pela incapacidade de educar os filhos numa atmosfera de informalidade, que Sissi adorava, contribuíram igualmente para o afastamento em relação aos seus súbditos. Em Setembro de 1898, em Genebra, foi assassinada por um anarquista italiano, Luigi Lucheni.
 
Na década de 1950 os filmes de Ernst Marischka protagonizados por Romy Schneider contribuíram decisivamente para espalhar o mito de Sissi.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Sábado, 2 de Setembro de 2006

Império Asteca

 
Império Asteca
 
Império Asteca
 
 
Escultura mexicana mostrando o momento em que os astecas acham o sinal para a fundação de Tenochtitlan
 
Escultura mexicana mostrando o momento em que os astecas
acham o sinal para a fundação de Tenochtitlan
"seguindo instruções dos seus deuses
para se fixarem onde vissem uma águia pousada num cacto, devorando uma cobra"


 
Os Astecas (1325 até 1521) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao actual México. Os astecas foram derrotados e a sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Hernán Cortez. Entre outras coisas, inventaram o chocolate. O idioma asteca era o Náuatle.
 
O controle político do populoso e fértil vale do México ficou confuso após 1100. Gradualmente, os astecas, uma tribo do norte, assumiram o poder depois de 1200. Eram um povo indígena da América do Norte, antigamente conhecido como méxica (daí México) ou tenochea (daí Tenochtitlán, a sua capital). Como os seus predecessores toltecas, são originários de alguma parte do norte do México. Era uma sociedade que valorizava as habilidades dos guerreiros acima de todas as outras, e essa ênfase deu-lhes uma vantagem em relação às tribos rivais da região. Migraram para o vale do México (ou Anahuac) no princípio do século XIII e assentaram-se posteriormente numa ilha no lago Texcoco (depois todo drenado pelos espanhóis), seguindo instruções dos seus deuses para se fixarem onde vissem uma águia pousada num cacto, devorando uma cobra (ver imagem em cima). A partir dessa base formaram uma aliança com duas outras cidades -- Texcoco e Tlacopán -- contra Atzcapotzalco, derrotaram-no, e continuaram a conquistar outras cidades do vale durante o século XV, quando controlavam todo o centro do México como um império militarista que colectava tributos dos rivais. No princípio do século XVI, eram um império que se estendia de costa a costa, tendo ao norte os desertos e ao sul o reino dos maias de Yucatán.
 
Os astecas, que atingiram alto grau de civilização, cultura e organização política, eram governados por uma monarquia electiva, dividiam-se em clãs e classes (nobres, sacerdotes, povo, comerciantes e escravos), possuíam uma escrita ideográfica e dispunham de dois calendários (astronómico e litúrgico).
 
A sua cultura caracterizava-se por três aspectos: a religião, que pedia sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao deus da guerra, Huitzilopochtli; a utilização eficiente das chinampas (ilhas de jardins artificiais construídas em redes pelo lagos, com canais divisórios) para alimentar a sua população e a vasta rede de comércio e sistema de administração tributária.
 
Os astecas absorveram a experiência dos que vieram antes deles e inventaram pouca coisa que fosse nova. Eles tinham uma agricultura avançada que sustentava uma população muito grande. Construíram edificações enormes de traços maravilhosos e floresceram em muitas artes. Eram adeptos do trabalho com metal, mas não tinham ferro. A roda não tinha função de locomoção pois os astecas careciam de animais de carga apropriados.
 
Uma das características únicas da cultura asteca era a sua predilecção por sacrifícios. Mitos astecas mandavam que sangue humano fosse dado ao Sol como alimento para dar força para que o astro pudesse nascer cada dia. Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala; algumas centenas em um dia só não eram incomuns. As vítimas eram frequentemente decapitadas ou esfoladas, e corações eram arrancados de vítimas vivas. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto do Sol e o sangue escorria pelos degraus. Apesar da economia asteca estar baseada primordialmente no milho, as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios.
 
O crescente pedido por vítimas para serem sacrificadas significa que os astecas mantinham um controle frouxo sobre cidades-satélites pois frequentes revoltas ofereciam a oportunidade para capturar vítimas para os sacrifícios. Durante os tempos de paz, "guerras" eram realizadas como campeonatos de coragem e de habilidades de guerreiros, e com o intuito de capturar mais vítimas. Eles lutavam com clavas de madeira (pau pesado, mais grosso em uma das extremidades, que se usava como arma) para mutilar e atordoar, e não matar. Quando lutavam para matar, colocava-se nas clavas uma lâmina de obsidiana (um tipo de vidro natural, produzido por vulcões quando a lava esfria rapidamente).
 
Apesar da sua grande agricultura e artes, os astecas aparecem nas retrospectivas como uma sociedade sem brilho. Eles não passaram adiante nenhuma tecnologia significativa ou ideias de teorias políticas ou religiosas.
 
A sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI. Tornaram-se aliados de Cortez em 1519. O governante asteca Moctezuma II considerava os espanhóis descendentes do deus-rei Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que o seu reino corria. Ele recebeu Cortez, que posteriormente o tomou como refém. Em 1520 houve uma revolta asteca e Moctezuma II foi assassinado. O seu sucessor, Cuauhtémoc, o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortez capturou Tenochtitlán e subjugou o império.
A crueldade dos astecas contribuiu para a sua queda, pois tornou mais fácil para os espanhóis aliarem-se com os povos não-astecas do México.
Fonte: Wikipédia.

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Domingo, 27 de Agosto de 2006

O Caminho de Ferro Transiberiano

 
Complemento ao meu artigo "A Rota da Seda"
 
 
A Transiberiana em vermelho, e a linha Baikal Amur em verde. Note o Lago Baikal entre as duas.
 
A Transiberiana em vermelho, e a linha Baikal Amur em verde.
Note o Lago Baikal entre as duas.
 
A marca do quilómetro 9288, no final da linha, em Vladivostok.
 
A marca do quilómetro 9288, no final da linha, em Vladivostok
 
 

O Caminho de Ferro Transiberiano ou simplesmente Transiberiana, construída entre 1891 e 1916, é uma rede ferroviária ligando a Rússia europeia com as províncias russas do extremo oriente. Com 9289 km (5772 milhas) e atravessando 8 fusos horários, é a mais longa ferrovia do mundo.
 
A rota principal é a "Linha Transiberiana", que sai de Moscovo para Vladivostok (nas margens do mar do Japão), passando por Nizhny Novgorod no Volga, Perm no rio Kama, Ekaterinenburg nos Urais, Omsk no rio Irtysh, Novosibirsk no rio Ob, Krasnoyarsk no rio Yenisei, Irkutsk perto da extremidade sul do Lago Baikal, Chita e finalmente Khabarovsk. (De 1956 a 2001 o comboio chegava via Yaroslavl em vez de Nizhny Novgorod). Em 2002 a electrificação foi finalizada. Cerca de 30% das exportações russas viajam por esta linha.
 
Uma segunda linha é a Linha Transmanchuriana, que coincide com a Transiberiana até Tarskaya, algumas centenas de quilómetros a leste do lago Baikal (ver imagem). De Tarskaya a Transmanchuriana dirige-se para o sudeste, China adentro, terminando o seu percurso em Pequim.
 
A terceira linha é a Linha Transmongoliana, que coincide com a Transiberiana até Ulan Ude, na margem oriental do Baikal. De Ulan-Ude a Transmongoliana dirige-se para o sul, em direcção de Ulaanbaatar, para depois dirigir-se ao sudeste, em direcção a Pequim.
 
Em 1991, uma quarta rota indo mais longe para o norte foi finalmente terminada, depois de mais de 50 anos de trabalhos esporádicos. Conhecida como a Linha Baikal Amur (em verde no mapa), esta extensão inicia-se da Linha Transiberiana, a várias centenas de quilómetros a oeste do Lago Baikal, e passa pelo lago na sua extremidade norte. Chega ao Pacífico a nordeste de Khabarovsk, em Sovetskaya Gavan (i.e., Porto Soviético, também conhecida como Sovgavan, Sovietgavan e, antigamente, Imperatorskaya Gavan, i.e., Porto Imperial). Apesar desta rota dar acesso à sensacional costa norte do Baikal, ela também passa por algumas zonas de acesso restrito.
Fonte: Wikipédia.

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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

A Rota da Seda

 
Visão geral da Rota da Seda
 
Visão geral da Rota da Seda
 
 

A Rota da Seda  era uma série de rotas interligadas através da Ásia do Sul, usadas no comércio da seda (fibra proteica usada na indústria têxtil), entre o Oriente e a Europa. Eram transpostas por caravanas e embarcações oceânicas que ligavam comercialmente o Extremo Oriente e a Europa, provavelmente estabelecidas a partir do oitavo milénio a.C. – os antigos povos do Saara possuíam animais domésticos provenientes da Ásia – e foram fundamentais para as trocas entre estes continentes até à descoberta do caminho marítimo para a Índia. Ligava Chang'an (actual Xi'an), na China, até Antióquia na Ásia Menor, assim como a outros locais. A sua influência expandiu-se até à Coreia e o Japão. Formava a maior rede comercial do Mundo Antigo.
 
Estas rotas não só foram significativas para o desenvolvimento e florescimento de grandes civilizações, como o Egipto Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia, a Índia e até Roma, mas também ajudaram a fundamentar o início do mundo moderno. Rota da seda  é uma tradução do alemão Seidenstraße, a primeira denominação do caminho feita pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen no século XIX.
 
A rota da seda continental divide-se em rotas do norte e do sul, devido à presença de centros comerciais no norte e no sul da China. A rota norte atravessa o Leste Europeu (os mercadores criaram algumas cidades na Bulgária), a península da Crimeia, o Mar Negro, o Mar de Mármara, chegando aos Balcãs e por fim, a Veneza; a rota sul percorre o Turquemenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Chegando a este ponto, divide-se em rotas que levam à Antióquia (na Anatólia meridional, banhada pelo Mediterrâneo) ou ao Egipto e ao Norte da África.
 
O último caminho-de-ferro ligado à rota da seda contemporânea foi completado em 1992, quando a via Almaty-Urumqi foi aberta.
 
A rota da seda marítima estende-se da China meridional (actualmente Filipinas, Brunei, Sião e Malaca) até destinos como o Ceilão, Índia, Pérsia, Egipto, Itália, Portugal e até a Suécia. Em 7 de Agosto de 2005, foi confirmado que o Departamento do Património Histórico de Hong Kong pretende propor a Rota da Seda Marítima como Património da Humanidade.
 
 
Origens
 
Viagem continental
 
Quando as técnicas da navegação e da domesticação de bestas de carga foram assimiladas pelo Mundo Antigo, a sua capacidade de transporte de grandes cargas por longas distâncias foi muito melhorada, possibilitando o intercâmbio de culturas e uma maior rapidez no comércio. Por exemplo, a navegação no Egipto pré-dinástico só foi estabelecida no século IV a.C., período em que a domesticação do burro e do dromedário começaram a ser instituídas. A domesticação do camelo bactriano 
e o uso do cavalo como meio de transporte foram feitas em seguida.
 
Como as rotas náuticas provêm um meio fácil de transporte entre longas distâncias, largos terrenos do interior como as planícies, que permanecem longe do litoral, não se desenvolveram como as rotas costeiras. Em compensação, dispõem de terreno fértil para pastos e água em abundância para as caravanas. Estes terrenos permitem a passagem de caravanas, mercadores e exércitos sem precisar envolver-se com povos sedentários, além de fornecer terras para a agricultura. Da mesma forma, também os nómadas preferem não ter que atravessar longos descampados.
 
Enquanto isto, cargas, especiarias e ideias religiosas eram propagadas por todos os cantos, contrapondo a ideia antiga da troca que, provavelmente, conduzia-se somente por uma rota pré-determinada. É improvável que a rota da seda fosse transcorrida somente por terra, visto que percorre a África, a Europa, o Cáucaso 
e a China.
 
Transporte antigo
 
Os povos antigos do Saara 
já haviam importado animais domesticados da Ásia entre 7500 a.C. e 4000 a.C.. Artefactos datados do 5º milénio a.C., encontrados em sítios bádaros do Egipto pré-dinástico indicam contacto com lugares distantes, como a Síria. Desde o começo do 4º milénio a.C., egípcios antigos de Maadi importam cerâmica e conceitos de construção dos Cananeus.
 
O comércio de lápis lazúli  
provém da única fonte conhecida no mundo antigo, Badakshan, localizada no noroeste do Afeganistão, localidade distante das grandes culturas, com a Mesopotâmia e o Egipto. A partir do 3º milénio a.C., o comércio do lápis lazúli foi estendido até Harappa e Mohenjo-daro, ambos no Vale do Indo.
 
Pensa-se que tenham sido usadas rotas que acompanhavam a Estrada Real Persa (construída por volta do ano 5000 a.C.) desde 3500 a.C.. Existem evidências de que exploradores do Antigo Egipto podem ter aberto e protegido novas ramificações da rota da seda. Entre 1979 e 1985, amostras de carvão vegetal foram encontradas nas tumbas de Nekhen, onde eram datadas dos períodos Naqada I e II, identificadas como cedro-do-líbano, originário do Líbano.
 
Em 1994, escavadores descobriram fragmentos de cerâmica gravada com o símbolo serekh de Naramer, datando do milénio 3000 a.C.. Estudos mineralógicos revelaram que os fragmentos pertenciam a uma jarra de vinho exportado do Vale do Nilo até Israel.
 
Comércio marítimo egípcio
 
A pedra de Palermo menciona o rei Sneferu da quarta dinastia do Egipto enviando navios para importar cedro de alta qualidade do Líbano. Numa cena no interior da pirâmide do faraó Sahuré, da quinta dinastia, os egípcios surgem retornando com grossos troncos de cedro. O nome de Sahuré é encontrado estampado numa pequena peça de ouro numa cadeira libanesa, e foram encontrados cartuchos da quinta dinastia em recipientes libaneses de pedra; outras cenas no seu templo mostram ursos sírios. A pedra de Palermo também menciona expedições ao Sinai 
assim como minas de diorita ao noroeste de Abu Simbel.
 
A mais antiga expedição de que há registo à Terra de Punt (nome que os antigos Egípcios davam a uma região da África Oriental) foi organizada por Sahuré, aparentemente a procura de mirra, assim como malaquita e electrum. O faraó da décima-segunda Dinastia do Egipto, Senuseret III, fez um "Canal de Suez" antigo, ligando o rio Nilo ao Mar Vermelho, para a troca directa com Punt. Por volta de 1950 a.C., no reino de Mentuhotep III, um oficial chamado Hennu fez algumas viagens a Punt. Foi conduzida uma expedição muito famosa por Nehsi e pela rainha Hatchepsut a Punt, realizada no século XV a.C., com o intuito de obter mirra; um relato da viagem sobrevive num pedido de socorro localizado no templo funerário de Hatshetup, em Deir el-Bahari. Muitos de seus sucessores, incluindo Tutmés III, também organizaram viagens a Punt.
 
Estanho britânico
 
A Grã-Bretanha possui grandes reservas de estanho nas regiões da Cornualha e de Devon, no sudoeste da Inglaterra. Por volta de 1600 a.C., o sudoeste da Bretanha experimentou uma explosão comercial, onde o estanho britânico era comercializado por boa parte da Europa. Quando a Era do Bronze substituiu a Era do Ferro, a navegação baseada em peças de estanho (concentrada no Mediterrâneo) declinou entre 1200 a.C. e 1100 a.C.. No entanto, não foi encontrada nenhuma rota terrestre entre a Bretanha antiga e as civilizações do Mediterrâneo.
 
Contactos de chineses e centro-asiáticos
 
Desde o 2º milénio d.C., nefrita e jade (minerais) são extraídos de minas das regiões de Yarkand e Khotan, ambas na China, para serem comercializadas. Curiosamente, estas minas não estão muito longe das minas de lápis lazúli e espinélio de Badakhshan, e apesar de estarem separadas pelos montes Pamir, muitas estradas cruzam as montanhas, algumas desde tempos muito longínquos.
 
As múmias de Tarin, múmias chinesas de um tipo indo-europeu, foram encontradas em Tarin Basin, como as da área de Loulan, localizada na rota da seda, a 200 km a este de Yingpan, que datam de 1600 a.C. e sugerem uma linha de comunicação muito antiga entre ocidente e oriente. Pode-se supor que estes restos mumificados devem ter sido feitos por ancestrais dos Tocários, cuja língua indo-europeia permaneceu em uso em Tarin Basin (moderna Xinjiang) até o século VIII d.C..
 
Muitas sobras do que parece ser seda chinesa foram encontradas no Egipto, datando de cerca de 1070 a.C.. Ainda que a origem seja suficientemente confiável, a seda degrada-se facilmente e os especialistas não puderam verificar com precisão se a seda era cultivada (muito provavelmente terá vindo da China) ou se era um tipo de seda selvagem, que pensam vir da região mediterrânea ou do Meio-Oeste.
 
Contactos próximos da China metropolitana com nómadas fronteiriços dos territórios oeste e noroeste no século VIII a.C. permitiram a introdução do ouro da Ásia Central no território chinês. Assim sendo, os escultores de jade chineses começaram a imitar as estepes nas suas obras (devido à adopção do estilo artístico cítio para animais das estepes, onde os animais eram retratados em combate). Este estilo reflectiu-se particularmente nos cintos de placas rectangulares, feitos em ouro e bronze, com versões alternadas de jade e pedra-sabão.
 
Estrada Real Persa
 
No tempo de Heródoto, a Estrada Real Persa percorria 2.857 km da cidade de Susa, no baixo Tigre até o porto de Esmirna (moderna Izmir na Turquia) no mar Egeu. Era mantida e protegida pelo império Aquemeu, e possuía estações postais e estalagens a intervalos regulares. Com cavalos descansados e viajantes prontos a cada estalagem, mensageiros reais podiam carregar mensagens em nove dias, ao contrário de mensageiros normais que demoravam cerca de três meses. A Estrada Real era ligada a outras rotas. Muitas delas, como as rotas indianas e centro-asiáticas, também eram protegidas por Aqueménides, que mantinha contacto regular com a Índia, a Mesopotâmia e o Mediterrâneo. Existem registos em Ester de despachos feitos em Susa para províncias indianas e para o Cush durante o reinado de Xerxes.
 
Viagens transatlânticas feitas por Roma e Egipto
 
Em 1975, duas ânforas intactas foram resgatadas no fundo da Baía de Guanabara, próxima ao Rio de Janeiro, Brasil. Em 1981, o arqueólogo Robert Marx descobriu milhares de fragmentos de cerâmica num mesmo local, incluindo duzentos pescoços de ânfora. A princípio acreditava-se que haviam sido fabricadas na Roma Antiga, por volta do século II a.C.. Entretanto, o mergulhador Americo Santarelli afirmou ter ele mesmo enterrado as ânforas, as quais teriam sido fabricadas no século XX. Testes feitos em amostras de tecido biológico de múmias do Egipto Antigo, demonstraram a aparição de traços de substâncias químicas que na época eram encontradas somente nas Américas, como o tabaco e a coca. Já que as amostras foram retiradas de diversas múmias, a possibilidade de contaminação é muito pequena.
Fonte: Wikipédia.

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Domingo, 13 de Agosto de 2006

O Vale de Bamiyan

 
Património Mundial da UNESCO - Paisagem Cultural e Ruínas Arqueológicas do Vale de Bamiyan - Budas de Bamiyan
 
Património Mundial da UNESCO
Paisagem Cultural e Ruínas Arqueológicas do Vale de Bamiyan
Budas de Bamiyan

 
 

O Vale de Bamiyan, no Afeganistão, contém diversos testemunhos culturais do Reino da Báctria, dos séculos I a XIII, nomeadamente da corrente Gandhara da arte budista.
 
Em Março de 2001 foram destruídas as gigantescas estátuas dos Budas de Bamiyan, a maior das quais tinha 53 metros de altura. Tinham sido escavadas em nichos na rocha por volta do século V.
 
Ao destruir os Budas gigantes que, há 1.500 anos, miravam o vale de Bamiyan, os talibans cometeram algo irreparável. Destruíram não só parte da memória afegã como também um testemunho extraordinário do encontro entre várias civilizações e um património pertencente à Humanidade.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 17:58
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006

O Museu Egípcio

 
Entrada principal do Museu Egípcio

Entrada principal do Museu Egípcio
 
 

O Museu Egípcio é o mais importante museu do Egipto. Situado no Cairo, a capital do país, a colecção do museu é composta por um imenso leque de mais de 136.000 antiguidades egípcias, reencontradas nas inúmeras escavações que se fizeram e fazem no Egipto.
 
O museu abriu as portas ao público no ano de 1858, tendo no seu acervo uma colecção doada por Auguste Marriette, um arqueólogo francês. Antes da sua inauguração o governo do Egipto tinha criado em 1835 o "Serviço de Antiguidades do Egipto" com a intenção de tentar evitar a pilhagem de antiguidades de estações arqueológicas. Em 1900 o museu foi mudado para um palácio neoclássico da autoria do arquitecto francês Marcel Dourgnon na Praça Tahrir, onde permanece até aos dias de hoje.
 
Em 1902 foi aberta a biblioteca do museu, que é considerada como uma das melhores do mundo ao nível dos estudos sobre a civilização do Antigo Egipto.
 
O rés-do-chão do edifício possui quarenta e duas salas e o andar superior quarenta e sete.
 
O museu é especialmente conhecido pelo tesouro do faraó Tutankhamon, que se conserva no seu interior.
 
Tutankhamon
foi um monarca do Antigo Egipto que faleceu ainda na adolescência. Era provavelmente filho e genro de Akhenaton (o faraó que instituiu o culto de Aton, o deus Sol) pois casou-se com a sua meio-irmã Ankhsenpaaton que, mais tarde, trocaria o seu nome para Ankhsenamon. Assumiu o trono quando tinha cerca de nove anos, restaurando os antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero (principalmente o do deus Amon de Tebas) e morreu, aos dezanove anos, sem herdeiros.
 
Devido ao facto de ter falecido tão novo, o seu túmulo não foi tão sumptuoso quanto a de outros faraós, mas mesmo assim é a que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontrada quase intacta. Ao ser aberta, em 1922, ela ainda continha peças de ouro, tecidos, mobília, armas e textos sagrados que revelam muito sobre o Egipto de 3400 anos atrás.
 
Faraó Tutankhamon
 
Faraó Tutankhamon
Fonte: Wikipédia.
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