Sábado, 6 de Agosto de 2005

A Bomba de Hiroshima

BombaAtomicaNagasaki_06_08_1945.jpg

O cogumelo atómico de Hiroshima
A nuvem, em forma de cogumelo, deixada pela Bomba Atómica que explodiu em Nagasaki, Japão, em 6 de Agosto de 1945,
atingiu 18 quilómetros de altura.
 
 
Hiroshima ... é a sétima maior cidade do Japão, com 343 mil habitantes e uma guarnição militar de 150 mil soldados. Hiroshima fica junto ao delta do rio Ota, que desagua no mar Interior.

A bomba de Hiroshima ocasionou a morte de milhares de pessoas e devastou completamente 9 km2. Devido aos efeitos nocivos das radiações, os habitantes de Hiroshima e Nagasaki foram vítimas de vários problemas de saúde. Houve inúmeros casos de crianças que nasceram defeituosas em consequência de alterações genéticas e muitos casos de leucemia, só para citar alguns exemplos.

Todos os anos, o dia 6 de Agosto é lembrado com muita tristeza, fazendo votos para que nunca mais o mundo tenha de assistir a uma tragédia como a desse dia.

No dia 6 de Agosto de 1945, uma ordem é dada para lançar a bomba atómica sobre a cidade de Hiroshima. Dois minutos e dezassete segundos depois, a bomba explodia, matando e ferindo mais de cem mil pessoas.

Três dias depois, 9 de Agosto, outra bomba, chamada Fatman, é lançada sobre Nagasaki. Mata quarenta mil e fere outros quarenta mil japoneses. O Japão rende-se e termina a guerra. A arma atómica, com poder equivalente a vinte mil toneladas de TNT (Tri-Nitro-Tolueno), é mil vezes mais potente que qualquer das bombas conhecidas naquela época.
A carnificina não foi maior porque o terreno montanhoso protegeu o centro da cidade. Quatro meses depois, porém, as mortes na cidade chegavam a 80 mil. Nagasaki, na verdade, era o objectivo secundário. Foi atingida porque as condições meteorológicas de Kokura, o alvo principal, impediam que os efeitos destrutivos da bomba fossem os planeados.

Equipas médicas desdobram-se na tentativa de salvar os mais de trinta e cinco mil feridos. Mas, por semanas, meses e anos, os feridos continuam a morrer, vítimas das terríveis lesões provocadas pela explosão atómica. Mesmo seis meses depois da explosão, centenas de pessoas ainda exibiam queimaduras não cicatrizadas, provocadas pela exposição à radiação. Há milhões de homens e mulheres com problemas causados pela radiação, até então desconhecidos, mas directamente relacionados com o bombardeio, continuam a surgir, mesmo muitos anos mais tarde. Em 1950, um recenseamento nacional do Japão indicou que havia no país 280 mil pessoas contaminadas pela radiação das bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Assim como as pessoas e as estruturas físicas das duas cidades sofreram consequências graves com a radiação das bombas atómicas, o meio ambiente também foi inteiramente destruído.

Os americanos consumiram seis anos e dois biliões de dólares para produzir a arma mais destrutiva de toda a história da Humanidade.
Cinco meses depois de Hiroshima e Nagasaki, um combóio especial transporta o tenente norte-americano Sussan através do território japonês, para registar em filme os efeitos da explosão. O filme permaneceu secreto durante 13 anos.
Quando afinal foi divulgado, os americanos ficaram chocados com o que viram e com as proporções da destruição que a bomba provocou. Admitiram, então, que não imaginavam que o resultado pudesse ser aquele. Mas era impossível voltar a trás...
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"Uma  bomba atómica  é uma arma explosiva cuja energia deriva de uma reacção nuclear e tem um poder destrutivo imenso - uma única bomba é capaz de destruir uma cidade inteira. Bombas atómicas só foram usadas duas vezes em guerra, pelos Estados Unidos contra o Japão nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, elas já foram usadas centenas de vezes em testes nucleares por vários países.

As potências nucleares declaradas são os EUA, a Rússia, o Reino Unido, a França, a República Popular da China, a Índia e o Paquistão. Por sua vez, considera-se que Israel já tenha bombas atómicas, embora este Estado se negue a divulgar se as possui ou não.

Tipos de armas nucleares

As bombas atómicas são normalmente descritas como sendo apenas de fissão ou de fusão com base na forma predominante de libertação da sua energia. Esta classificação, porém, esconde o facto de que, na realidade, ambas são uma combinação de bombas: no interior das bombas de hidrogénio, uma bomba de fissão em tamanho menor é usada para fornecer as condições de temperatura e pressão elevadas que a de fusão requer para se iniciar. Por outro lado, uma bomba de fissão é mais eficiente quando um dispositivo de fusão impulsiona a energia da bomba. Assim, os dois tipos de bomba são genericamente chamados bombas nucleares.

Bombas de fissão nuclear

São as que utilizam a chamada fissão nuclear, onde os pesados núcleos atómicos do urânio ou plutónio são desintegrados em elementos mais leves quando são bombardeados por neutrões. Ao bombardear-se um núcleo produzem-se mais neutrões, que bombardeiam outros neutrões, gerando uma reacção em cadeia. Estas são as historicamente chamadas "Bombas-A", apesar de este nome não ser preciso pelo facto de que a chamada fusão nuclear também é tão atómica quanto a fissão.

Bombas de fusão nuclear

Baseiam-se na chamada fusão nuclear, onde núcleos leves de hidrogénio e hélio se combinam formando elementos mais pesados e libertam neste processo enormes quantidades de energia. As bombas que utilizam a fusão são também chamadas "Bombas-H", bombas de hidrogénio ou bombas termo-nucleares, pois a fusão requer uma altíssima temperatura para que a sua reacção ocorra em cadeia.

Bombas "sujas"

Bomba suja é um termo hoje empregado para uma arma radioactiva, uma bomba não-nuclear que dispersa material radioactivo que fica armazenado no seu interior. Quando explode, a dispersão de material radioactivo causa contaminação nuclear, e doenças semelhantes às que ocorrem quando uma pessoa é contaminada pela radiação de uma bomba atómica. As bombas sujas podem deixar uma área inabitável por décadas.

Um exemplo prático do que pode acontecer no caso de um lançamento de uma bomba suja, foi o acidente radioactivo de Goiânia, Goiás, Brasil, onde foi desmontado um equipamento médico contendo 19,26 gr de Cloreto de Césio-137 (CsCl). Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)  "112.800 pessoas foram contaminadas externamente; destas 129 apresentaram contaminação corporal interna e externa vindo a desenvolver sintomas; destas 49 foram internadas, sendo que 21, em estado grave, precisaram fazer tratamento intensivo; destas quatro não resistiram e acabaram por morrer."

Ainda, segundo o comunicado, "As 19,26 gramas de Césio-137 produziram treze mil e quatrocentos quilogramas de lixo atómico". Este material necessitou de ser acondicionado em 14 contentores fechados hermeticamente, dentro destes, estão 1.200 caixas, e 2.900 tambores, que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos.

Daí se vê o perigo de uma bomba suja, que pode conter toneladas de material radioactivo.

Bombas de neutrões

Uma última variante da bomba atómica é a chamada bomba de neutrões, em geral um dispositivo termonuclear pequeno, com corpo de níquel ou cromo, onde os neutrões gerados na reacção de fusão intencional não são absorvidos pelo interior da bomba, mas permite-se que escapem. As emanações de raios-X e de neutrões de alta energia são o seu principal mecanismo destrutivo. Os neutrões são mais penetrantes que outros tipos de radiação, de tal forma que muitos materiais de protecção que bloqueiam raios gama são pouco eficientes contra eles.

Efeitos

Os efeitos predominantes de uma bomba atómica (a explosão e a radiação térmica) são os mesmos dos explosivos convencionais. A grande diferença é a capacidade de libertar uma quantidade imensamente maior de energia de uma só vez. A maior parte do dano causado por uma arma nuclear não se relaciona directamente com o processo de libertação de energia da reacção nuclear, porém estaria presente em qualquer explosão convencional de idêntica magnitude.

O dano produzido pelas três formas iniciais de energia libertada difere de acordo com o tamanho da arma.

Os Estados Unidos são a única nação que alguma vez usou armas nucleares, tanto em guerra como contra populações civis, tendo lançado, como se disse no início deste texto, duas bombas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945."
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


A Rosa de Hiroxima - Vinícius De Moraes
(Poesia Moderna – séc.XX)

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rosas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:25
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

Holocausto

Nunca mais será esquecido !...

A palavra  Holocausto,  que em grego significa uma oferenda sacrificial completamente (holos) queimada (kaustos), foi cunhada no fim do século XX para designar a tentativa de extermínio de grupos de pessoas consideradas "inconvenientes e indesejadas" pelos Nazistas alemães.

Quando escrito na forma capitalizada, o termo Holocausto refere-se ao extermínio sistemático pelos Nazis, de vários grupos que eles consideraram indesejáveis, durante a Segunda Guerra Mundial: principalmente os Judeus, mas também comunistas, homossexuais, ciganos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros grupos eslavos, activistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e protestantes, sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum. Todos eles pereceram lado a lado nos campos de concentração e de extermínio, de acordo com extensa documentação deixada pelos próprios Nazis (textos e fotografias), testemunhos de sobreviventes, perpetradores e de espectadores, e com registos estatísticos de vários países sob ocupação.
O número exacto de mortes durante o Holocausto é desconhecido (ver Extensão do Holocausto mais abaixo). Estima-se que o número de Judeus assassinados no Holocausto atingiu cerca de 6 Milhões.

Hoje em dia, o termo aparece por vezes utilizado para descrever outras tentativas de genocídio, quer antes quer depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto é usada para qualquer perda de vida preponderantemente massiva e deliberada, como na que resultaria de uma guerra nuclear, falando-se por vezes de "holocausto nuclear".

Shoa, também escrito da forma Shoah, Sho'ah e Shoá, Língua Hebraica para "Calamidade", é o termo hebraico para o Holocausto.
É usado por muitos Judeus e por um número crescente de Cristãos devido ao desconforto teológico com o significado literal da palavra Holocausto; estes grupos acreditam que é teologicamente ofensivo sugerir que os Judeus da Europa foram um sacrifício a Deus. É no entanto reconhecido que a maioria das pessoas que usam o termo Holocausto, não o fazem com essa intenção.

Similarmente, muitas pessoas ciganas usam a palavra Porajmos, significando "Devorar", para descrever a tentativa Nazi do extermínio do grupo.

Perspectiva geral

Um aspecto do Holocausto Nazi que o distingue de outros assassínios colectivos foi o método eficiente e sistemático com que a matança massiva foi conduzida. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e futuramente potenciais, encontraram-se registos meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente, foi feito um esforço considerável ao longo do Holocausto para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas, por exemplo ao mudar do envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz, na chamada Aktion Reinhard.

Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em cada centímetro do território ocupado pelos Nazis, tendo os Judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações Europeias, tendo sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.

Para além das matanças maciças, os Nazis levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um Nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de "Anjo da Morte" pelos prisioneiros de Auschwitz pelas suas experiências cruéis e bizarras.

Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da Guerra. No entanto, numerosos rumores e relatos e testemunhas de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os Judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que levou figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de Judeus na Alemanha.

Campos de concentração e de extermínio

Campos de concentração para "indesejados" espalharam-se por toda a Europa, com novos campos sendo criados perto de centros de densa população "indesejada", frequentemente focando especialmente os Judeus, a elite intelectual polaca, comunistas, ou ciganos.
A maior parte dos campos situava-se na área de Governo Geral.

Campos de concentração para Judeus e outros "indesejados" também existiram na própria Alemanha e apesar de os campos de concentração alemães não terem sido desenhados para o extermínio sistemático - os campos de extermínio situavam-se todos no leste europeu, a maioria na Polónia - muitos prisioneiros dos campos de concentração morreram por causa das más condições ou por execução.

Alguns campos, tais como o de Auschwitz-Birkenau, combinavam trabalho escravo com o extermínio sistemático.

À chegada a estes campos, os prisioneiros eram divididos em dois grupos:  aqueles que eram demasiado fracos para trabalhar eram imediatamente assassinados em câmaras de gás (que por vezes eram disfarçadas de chuveiros) e os seus corpos eram queimados, enquanto que os outros eram primeiro usados como escravos em fábricas e empresas industriais localizadas nas proximidades do campo.

Os Nazis também forçaram alguns prisioneiros a trabalhar na remoção dos cadáveres e na colheita de certos elementos. Dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e cabelos de mulher (raspado das cabeças das vítimas antes de entrarem nas câmaras de gás)  eram reciclados para uso em produtos como tapetes e meias.

Cinco campos ( Belzec, Chelmno, Maly Trostenets, Sobibor, e Treblinka II ) foram usados exclusivamente para o extermínio. Nestes campos, apenas um pequeno número de prisioneiros foi mantido vivo para assegurar a tarefa de desfazer-se dos cadáveres de pessoas assassinadas nas câmaras de gás.

O transporte foi frequentemente levado a cabo em condições horríveis, usando vagões ferroviários de carga, abarrotados e sem quaisquer condições sanitárias.

A organização logística envolvida no transporte ferroviário de milhões de pessoas com registos cuidadosamente catalogados e arquivados foi uma tarefa de um considerável grupo de pessoas pertencentes ao aparelho do partido Nazi.

Judeus

O Anti-Semitismo era comum na Europa dos anos 20 e dos anos 30 do século XX (apesar da história do Anti-Semitismo se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.

A 1 de Abril de 1933, os Nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a Judeus na Alemanha. Esta política ajudou a criar um ambiente de repetidos actos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a Judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.

Em muitas cidades da Europa, os Judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os Nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos Guetos aos quais os Judeus ficavam confinados. Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos Judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos Nazis e seus colaboradores.
Campos de concentração para Judeus existiram na própria Alemanha.
Durante a invasão da União Soviética, mais de 3.000 unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.

Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os Judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da "Solução final da questão judia" (Endlösung der Judenfrage).

O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de Judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou Campo de extermínio: Auschwitz, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.

Eslavos

Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no discurso que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.

A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustashe, na Croácia.

Durante a Operação Barbarrossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de Prisioneiros de Guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extracção eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.

Ciganos

A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial Nazi.

Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os Ciganos serem descendentes dos invasores Arianos (Aryan), que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos (Aryan) que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo Professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:

"Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de descendência indiana, centro-asiática e Europeia."

Como resultado, no entanto, e apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os Judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). Na Europa de Leste, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pelas SS Einsatzgruppen nas suas vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.

Outros

Homosexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. No entanto, o partido Nazi não fez qualquer tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais; de acordo com a lei Nazi, ser homossexual em si não era uma razão de prisão. Alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi eram conhecidos (segundo outros líderes nazis) por serem homossexuais, o que pode explicar o facto de a liderança ter mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros queriam que os deixassem em paz, enquanto que outros queriam a aplicação de leis que proibissem actos homossexuais, mas de resto permitindo aos homossexuais viver tal como os outros cidadãos.

Estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito.
A maioria das estimativas situa-se por volta dos 10.000.

Números mais elevados incluem também aqueles que eram Judeus e homossexuais, ou mesmo Judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registos sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas.

Cerca de 2000 Testemunhas de Jeová pereceram em campos de concentração, para onde foram enviados por razões políticas e ideológicas. Eles recusaram o envolvimento na política, não diziam "Heil Hitler", e não serviam no exército alemão.
A 18 de Agosto de 1941, Adolf Hitler ordenou o fim da eutanásia sistemática dos doentes mentais e deficientes, devido a protestos na Alemanha.

Extensão do Holocausto

O número exacto de pessoas mortas pelo regime Nazi continua a ser objecto de pesquisa. Documentos libertados recentemente do segredo no Reino Unido e na União Soviética indicam que o total pode ser algo superior ao que se acreditava. No entanto, as seguintes estimativas são consideradas muito fiáveis.
  • 5.6 - 6.1 milhões de Judeus
    • dos quais 3.0 - 3.5 milhões de Judeus Polacos
  • 2.5 - 3.5 milhões de Polacos não-Judeus
  • 3.5 - 6 milhões de outros civis eslavos
  • 2.5 - 4 milhões de prisioneiros de Guerra (POW) Soviéticos
  • 1 - 1.5 milhões de dissidentes políticos
  • 200 000 - 800 000 Roma & Sinti
  • 200 000 - 300 000 deficientes
  • 10 000 - 25 000 homossexuais
  • 2 000 Testemunhas de Jeová

 

Os triângulos

Para identificar prisioneiros nos campos de acordo com a sua "ofensa", eles eram requeridos a usar triângulos coloridos nas suas vestes. Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:

 

  • Amarelo: Judeus  -  dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de David, com a palavra "Jude" (Judeu) inscrita; mischlings, i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente Judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
  • Vermelho: Dissidente político, incluindo Comunistas.
  • Verde: Criminoso comum. Criminosos de descendência ariana recebiam frequentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
  • Cor Púrpura: Fundamentalistas religiosos (definidos como as pessoas pertencentes a seitas cristãs cujas doutrinas proíbem a tomada de parte em guerras), entre as quais se destacam as Testemunhas de Jeová
  • Azul: Imigrantes.
  • Castanho: Roma e Sinti (Ciganos)
  • Preto: Lésbicas e "anti-sociais" (alcoólicos e indolentes)
  • Cor-de-rosa: Homossexuais

 

 

  • quantas pessoas foram assassinadas no Holocausto ?
  • quem esteve directamente envolvido na matança ?
  • quem autorizou a matança ?
  • quem sabia sobre a matança ?
  • por que as pessoas participaram directamente, autorizaram ou tacitamente aceitaram a matança?

 

 

Funcionalismo versus Intencionalismo

Um tema frequente nos estudos contemporâneos sobre o Holocausto é a questão de funcionalismo versus intencionalismo. Os intencionalistas acham que o Holocausto foi planeado por Hitler desde o início. Funcionalistas defendem que o Holocausto foi iniciado em 1942 como resultado do falhanço da política Nazi de deportação e das iminentes perdas militares na Rússia. Eles dizem que as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outra literatura Nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos (curiosamente esta foi também a estratégia da argumentação da defesa dos Nazis perante os
Julgamentos de Nuremberga).

Outra controvérsia relacionada foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os Alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que ele acha que teve as suas raízes num Anti-semitismo Alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse Anti-semitismo. No seu livro "A igreja católica e o Holocausto - uma análise sobre culpa e expiação", Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão:  se em vez de frases como "pelos seus pecados os Judeus têm de ser punidos", ou "os Judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os Homens" São Paulo tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista ? Outros afirmam que sendo o Anti-Semitismo inegável na Alemanha, o extermínio foi desconhecido a muitos e teve de ser posto em prática pelo aparelho ditatorial Nazi.

Goldhagen explora também o facto de milhões de Alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.

No entanto, houve alguns casos de Alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos Nazis.  Alemães casados com Judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judaicas sobreviveram.

Revisionistas e negadores

Alguns grupos, referidos normalmente como os negadores do Holocausto, negam que o Holocausto tenha acontecido.
Muitos dos negadores do Holocausto são Neo-Nazis ou Anti-Semitas.

A causa dos negadores beneficiou do facto de muitos Alemães não terem falado sobre os seus feitos na Guerra, por medos de castigo.

O Revisionismo do Holocausto afirma que muito menos que 5-6 milhões de Judeus foram assassinados e que as matanças não foram o resultado da política deliberada dos Nazis. Apesar de revisionistas do Holocausto dizem que apresentam provas documentadas que apoiam as suas teses, críticos afirmam que essas provas são defeituosas, a pesquisa é ilusória e as conclusões pré-determinadas. Muitos afirmam que tal revisionismo é uma forma de Anti-Semitismo e equivalente a negação. Muitos revisionistas afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente "contar a história como deve ser". Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretassem os dados revisionistas como boas notícias.

Teologia do Holocausto

À vista da magnitude do que vimos no Holocausto, muitas pessoas reexaminaram as visões da teologia clássica sobre a bondade de Deus e acções no mundo. Como é que é possível às pessoas continuar a ter fé depois do Holocausto ?

Origem e utilização do termo

A palavra 'Holocausto', da palavra grega holokauston significando "o sacrifício pelo fogo oferecido a Deus", originalmente referindo-se a um sacrifício a que os Judeus eram requeridos pela Torah, e que mais tarde assumiu o significado de catástrofes ou massacres em larga escala. Devido ao significado teológico que a palavra tem, muitos Judeus acham o uso desta palavra problemático, uma vez que poderia implicar que os Judeus foram um sacrifício.

Em vez de Holocausto, muitos Judeus preferem a palavra hebraica Shoah, significando "desolação" ou "calamidade".

Enquanto que hoje em dia o termo 'Holocausto' refere-se normalmente ao mencionado assassínio de Judeus em larga escala, também é usado por vezes para se referir a outras ocorrências de genocídios ou limpezas étnicas.

Ramificações políticas

O Holocausto teve várias ramificações políticas e sociais que se estendem até ao presente.
A necessidade de encontrar um território para muitos refugiados Judeus levou a uma grande imigração para o Mandato Britânico da Palestina, que na sua maior parte se tornou naquilo que é hoje o moderno Estado de Israel. Esta imigração teve um efeito directo nos Árabes da região, algo que é discutido nos artigos sobre o Conflito Israelo-Árabe, o Conflito Israelo-Palestiniano e nos outros artigos ligados a estes.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Interpretações históricas

Como em qualquer acontecimento histórico, os académicos continuam a discutir sobre o que aconteceu exactamente e porquê.

Entre as grandes questões que historiadores tentam responder encontram-se:
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FILIPE FREITAS

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