Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Mindelo (Vila do Conde)

 
Localização do Concelho de Vila do Conde e Brasão de Mindelo

Localização do Concelho de Vila do Conde e Brasão de Mindelo




O Mindelo é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila do Conde, com 5,44 km² de área e 3 402 habitantes (2001). Densidade: 625,4 hab/km². Está inserida na Área Metropolitana do Porto, na zona costeira Noroeste de Portugal. Dista cerca de 5 km da sede do Concelho, 10 km do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, 15 km do Porto de Mar da Póvoa de Varzim e 20 km da cidade do Porto. Tem como freguesias confrontantes: Árvore pelo norte, Fajozes e Gião pelo nascente, Modivas e Vila Chã pelo sul e o Oceano Atlântico pelo poente. Acessos pela EN13 ou A28, ou pela linha B do Metro do Porto.
 
Economia
 
A agro-pecuária, a indústria tradicional e de ponta, os serviços e o turismo, constituem as principais actividades económicas da freguesia.
 
Sociedade e Educação
 
A freguesia tem um movimento associativo forte e empenhado em contribuir para o desenvolvimento social da população. A Associação dos Amigos de Mindelo para a Defesa do Ambiente, a Associação Cultural e Desportiva de Mindelo (ACDM), a Associação Recreativa Rancho Regional de Mindelo (ARRRM), o Centro Social de Mindelo – IPSS e o Corpo Nacional de Escutas – Agrup. 572, têm tido um papel notável, pelas acções que têm desenvolvido em prol do Ambiente, da Cultura, do Desporto, do Recreio, da Solidariedade e da Formação.
 
A Educação é assegurada pelos Jardins de Infância e Escolas do 1º ciclo do Carvalhal e da Areia e pela Escola do 2º e 3º ciclos D. Pedro IV.
 
Mindelo é a primeira freguesia do País com um processo de Agenda 21 local, forma de envolvimento da comunidade na identificação de problemas e na definição de prioridades, rumo ao Desenvolvimento Sustentável e à Qualidade de Vida.
 
Património e História
 
O documento mais antigo com referências a Mindelo data de 1068 e refere-se a um trespasse aqui efectuado. Outros documentos anteriores ao ano de 1100 citam a vila de Amidjelus, que viria a dar o nome a Mindelo. Integra desde 1836 o município de Vila do Conde. Como nota histórica relevante, de referir o desembarque do exército liberal, comandado por D. Pedro IV, nas praias entre Mindelo e Pampolide, em 8 Julho de 1832, cujos soldados ficaram conhecidos por Bravos do Mindelo.
 
Bravos do Mindelo foi a designação dada durante o processo de glorificação dos vencedores das guerras liberais portuguesas aos membros das forças liberais que participaram no desembarque do Mindelo.
 
Desembarque do Mindelo é a designação dada ao desembarque das tropas liberais a norte do Porto em 8 de Julho de 1832, durante as Guerras Liberais, nome pela qual ficou conhecida a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). O desembarque, que envolveu cerca de 7.500 homens, entre os quais se contavam Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António Aguiar, transportados por 60 navios, permitiu às forças liberais tomar a cidade do Porto no dia 9 de Julho, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cerco do Porto. D. Miguel acabaria por capitular em 1834, em Évora-Monte, abrindo caminho à implantação definitiva do Liberalismo em Portugal. Apesar do nome pelo qual ficou conhecido, o desembarque não ocorreu na vila de Mindelo, mas antes praia da Arenosa de Pampelido, actual Praia da Memória, na freguesia da Lavra, concelho de Matosinhos.
 
Do património arquitectónico religioso de Mindelo constam a igreja paroquial de S. João Evangelista (séc. XVIII) e a capela de S. Pedro dos Mareantes (séc. XX).
 
De referir ainda outros edifícios com interesse arquitectónico associados à actividade agrícola, nomeadamente na rua do Covelo e na rua de Paredes, bem como o edifício da “Vila Corina” (séc. XIX), onde já funcionou o liceu.
 
 
Principais Eventos
  • Festival de concertinas e cantares ao desafio (Primavera)
  • Festa de São Pedro (finais de Junho)
  • Festa do Padroeiro, São João Evangelista (primeiro Domingo de Agosto)
  • Festival Folclórico (segundo Domingo de Agosto)
  • Festas do Menino, cortejos de Natal
 
A Reserva Ornitológica de Mindelo (ROM) é a única área costeira na Área Metropolitana do Porto que mantém as suas características naturais. Com uma área de cerca de 600 ha é formada por um conjunto de praias e dunas embrionárias e interiores, campos agrícolas e manchas florestais, sendo atravessada pela Ribeira de Silvares. Por essa razão é alvo de diversos estudos científicos, nomeadamente, o estudo das aves (ornitologia). Por aqui passam mais de 150 espécies de aves, existindo também mamíferos e uma grande variedade de espécies de anfíbios. Foi, em 1957, a primeira área protegida criada em Portugal.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Fafe (Portugal)

 
Praça 25 de Abril, em Fafe

Praça 25 de Abril, em Fafe




Fafe é uma cidade portuguesa no Distrito de Braga, Região Norte e sub-região do Ave, com cerca de 15 300 habitantes. É sede de um município com 218,87 km² de área e 52 757 habitantes (2001), subdividido em 36 freguesias. Até 1840 o concelho tinha a designação de Montelongo ou Monte Longo. O município é limitado a norte pelos municípios de Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho, a leste por Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, a sul por Felgueiras e a oeste por Guimarães. É banhado pelo Rio Vizela.
 
O rio Vizela nasce na Serra da Cabreira, no concelho de Fafe, e é afluente do rio Ave. Tem um comprimento aproximado de 45 km. No seu percurso, na direcção nordeste-sudoeste, banha sucessivamente os concelhos de Fafe, Felgueiras, Guimarães, Vizela e Santo Tirso. É neste rio que se encontra a barragem de Queimadela.
 
 
As freguesias de Fafe são as seguintes:
 
Aboim, Agrela, Antime, Ardegão, Armil, Arnozela, Cepães, Estorãos, Fafe, Fareja, Felgueiras, Fornelos, Freitas, Golães, Gontim, Medelo, Monte, Moreira do Rei, Passos, Pedraído, Queimadela, Quinchães, Regadas, Revelhe, Ribeiros, Santa Cristina de Arões, São Clemente de Silvares, São Gens, São Martinho de Silvares, São Romão de Arões, Seidões, Serafão, Travassós, Várzea Cova, Vila Cova. e Vinhós.
  
 
A Igreja de São Romão de Arões situa-se na freguesia de São Romão de Arões, concelho de Fafe. A igreja foi fundada por D. Gomes de Freitas, no século XI e é constituída por uma só nave rectangular, como quase todas as outras igrejas românicas construídas nas zonas rurais de Portugal, coberta por telhado de madeira com caixotões.
 
O monumento tem uma bonita capela-mor, de dois tramos, coberta por abóbada quadrada. A esta acede-se por um arco triunfal de arquivoltas quebradas que, tal como o arco divisório da cabeceira, assenta em capitéis decorados com motivos vegetalistas, os da capela-mor – onde correm frisos com enxaquetados, palmetas e lanceolados – e temáticos, os de arco triunfal – castigo e redenção, animais devorando os pecadores e aves bebendo da mesma taça. Dos portais destaque para o axial, situado na fachada ocidental – eixo Nascente/Poente, uma vez que reforça o percurso, entrada altar, é um portal simples, pouco profundo, sem colunas, tem escrito no tímpano da porta o símbolo cristão «Agnus Dei», que de acordo com elementos descobertos teria uma decoração mais rica nas arquivoltas, ostentando a exterior, uma teoria de cabeças de animais mordendo o toro da moldura. Transposto o portal principal penetramos num espaço que se estrutura em função de uma só nave, relativamente mais alta em comparação com a capela-mor, explicando-se talvez pelo período tardio da sua construção. A igreja tem somente uma porta lateral, virada a Sul, com um tímpano preenchido por inscrições.
 
Este templo é composto por dois blocos rectangulares separando funções por volumes. Tem um bloco acrescentado ao corpo da nave que hoje desempenha a função de sacristia, ao mesmo tempo que serve de suporte à torre sineira, ambos de construção posterior.
 
Transposto o portão principal penetramos num espaço que se estrutura em função de uma só nave, relativamente mais alta em comparação com a capela-mor, explicando-se talvez pelo período tardio da sua construção.
 
A cobertura deste templo, como quase todos os templos românicos destas dimensões, é de madeira, mas posteriormente forrada com caixotões decorativos.
 
Elemento típico do edifício românico, o coro, localizado no fundo da igreja, tem aqui, na igreja de S. Romão de Arões, uma função mais para albergar os fiéis do que por afirmação de uma cultura arquitectónica. É um coro pouco desenvolvido.
 
A transição entre o corpo da nave e o corpo da capela-mor faz-se transpondo o arco triunfal. A cabeceira, com pavimento mais elevado e a parte mais nobre da igreja, é onde se encontram lavores decorativos. Esta encontra-se dividida por dois tramos com capitéis semelhantes ao arco triunfal e com decoração tipicamente românica.
 
A cobertura é executada por uma abóbada de canhão, que tal como o arco triunfal é bastante quebrada. A luminosidade interior é pequena, pormenor tipicamente românico. A luz do dia entra unicamente por algumas frestas, todas à mesma altura, bastante estreitas, tipo vigias.
 
Os contrafortes são utilizados como solução construtiva, sendo importantes na estrutura do edifício, pois são utilizados onde se exerce maior peso – na capela-mor que é abobadada. As abóbadas pesadas das igrejas românicas exerciam grandes pressões. Para garantir a solidez do edifício, eram necessárias colunas maciças e paredes muito espessas, em que apenas se podiam fazer coberturas estreitas, situadas obrigatoriamente acima dos pontos de apoio, que deviam ser reforçados também a partir do exterior, por poderosos contrafortes.
 
Lateralmente, as arcadas cegas, pelo seu aspecto pesado e profundo, desempenham também a função de contrafortes.
 
No corpo da nave a segunda linha de contrafortes fica-se pelo arranque, precisamente no mesmo ponto onde há uma diferença no aparelho da pedra.
 
Esta igreja sofreu, ao longo dos tempos, obras diversas que lhe foram alterando as suas características originais de obra românica, as quais levaram a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais a incluí-la nas suas obras de salvamento.
 
Foi restaurada, tendo-lhe sido retirado tudo o que de algum modo poderia amesquinhar ou descaracterizar a construção primitiva, e reaberta ao culto em 1935.
 
Esta igreja insere-se num conjunto de pequenas igrejas e capelas rurais com soluções arquitectónicas bastante simples e de modesta decoração que se desenvolveram em Portugal no período românico, adaptando-se às condições económicas, sociais e às características dos lugares onde foram edificadas.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 27 de Janeiro de 2007

Lagos (Portugal)

 
Lagos com a Meia Praia ao fundo

Lagos com a Meia Praia ao fundo

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Lagos é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com cerca de 17 500 habitantes. É sede de um município com 213,92 km² de área e 25 397 habitantes (2001), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Monchique, a leste por Portimão, a oeste por Vila do Bispo, a noroeste por Aljezur e a sul tem litoral no Oceano Atlântico.
 
A cidade de Lagos é servida pelas Estradas Nacionais 120 e 125 e pela auto-estrada Via do Infante. Lagos possui ligação ferroviária, sendo uma estação terminal da Linha do Algarve.
 
 
História de Lagos
 
Lagos é uma povoação marítima com mais de 2000 anos. A sua importância aumentou imenso durante o período das grandes navegações marítimas Portuguesas do século XV. O Infante Dom Henrique, conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador, viveu em Lagos, comandando muitas expedições que partiram desta cidade em direcção às conquistas em Marrocos e à descoberta das costas ocidentais africanas. Lagos foi elevada a cidade por el-rei D. Sebastião em 1573, aquando da sua deslocação ao Reino do Algarve; contudo, a carta de confirmação do título apenas foi passada pela chancelaria régia no reinado do seu sucessor, o tio-avô Cardeal D. Henrique, em 1579. Lagos antiga era uma cidade lindíssima com muitos monumentos, até ao momento do grande Terramoto de 1755  e pelo subsequente tsunami, tendo no entanto sobrevivido entre outros, algumas muralhas do século XVI, o palácio do governador e o mercado de escravos, que se crê ter sido o primeiro na Europa de escravos negros.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

Viseu (Portugal)

 
A Sé de Viseu, vista posterior

A Sé de Viseu, vista posterior

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Igreja da Misericórdia de Viseu

Igreja da Misericórdia de Viseu

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Viseu é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Viseu, na região Centro e sub-região de Dão-Lafões, com cerca de 21 600 habitantes no centro histórico e 70 000 no novo perímetro urbano.
 
É sede de um município com 507,20 km² de área e 96 810 habitantes (2004), subdividido em 34 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Castro Daire, a nordeste por Vila Nova de Paiva, a leste por Sátão e Penalva do Castelo, a sueste por Mangualde e Nelas, a sul por Carregal do Sal, a sudoeste por Tondela, a oeste por Vouzela e a noroeste por São Pedro do Sul. Era ainda sede da antiga província da Beira Alta.
 
Símbolos e etimologia
 
Segundo a lenda da cidade, em pleno processo de Reconquista, um membro de um grupo de guerreiros chegado à cidade pelo lado oriental, onde se intersectam os rios Pavia e Dão, perguntou: «Que viso (vejo) eu?», e seria desta pergunta que nasceria o nome da cidade.
 
No entanto, entre os anos 712 e 1057, intervalo da ocupação árabe, Viseu era conhecida por Castro VesenseVesi  significada "visigodo".
 
Outra lenda, mais verosímil e referida no brasão da cidade, sugere que aqui terá vivido um rei de nome D. Ramiro II (provavelmente Ramiro II de Leão) que, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, por quem se apaixonou. Tal foi a paixão que se apoderou do rei, que este raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro terá escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, mandado executar, pede como último desejo morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria às mãos dos soldados do rei Ramiro.
 
História
 
As origens de Viseu remontam à época castreja e, com a Romanização, ganhou grande importância, quiçá devido ao entroncamento de estradas romanas de cuja prova restam apenas os miliários (passíveis de validação pelas inscrições) que se encontram: dois em Reigoso (Oliveira de Frades), outros dois em Benfeitas (Oliveira de Frades), um em Vouzela, dois em Moselos (Campo), um na cidade (na Rua do Arco), outro em Alcafache (Mangualde) e mais dois em Abrunhosa (Mangualde); mais existem, mas devido à ausência de inscrições, a origem é duvidosa. Estes miliários (marcos) alinham-se num eixo que parece corresponder à estrada de Mérida (Espanha) que se intersectaria com a ligação Olissipo-Cale-Bracara, outros dois pólos bastante influentes. Talvez por esse motivo se possa justificar a edificação da estrutura defensiva octogonal, de dois quilómetros de perímetro - as Cavas de Viriato  -, provavelmente para protecção da estrada e de quem por ela passava.
 
Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região. Depois da ocupação romana na península, seguiu-se a elevação da cidade a sede de diocese, já em domínio visigótico, no século VI. No século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, como a maioria das povoações ibéricas e, durante a Reconquista da península, foi alvo de ataques e contra-ataques alternados entre cristãos e muçulmanos. A reconquista definitiva caberia a Fernando Magno, rei de Leão e Castela.
 
Mesmo antes da formação do Condado Portucalense, Viseu foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique que, em 1123 lhe concedem um foral. O segundo foral foi-lhe concedido pelo filho dos condes, D. Afonso Henriques, em 1187, e confirmado por D. Afonso II, em 1217.
 
Já no século XIV, durante a crise de 1383-1385, Viseu foi atacada, saqueada, e incendiada pelas tropas de Castela e D. João I mandou erigir um cerco amuralhado defensivo — do qual resta pouco mais que a Porta dos Cavaleiros e a Porta do Soar, para além de escassos troços de muralha — que seria concluído apenas no reinado de D. Afonso V — motivo pelo qual a estrutura é conhecida pelo nome de muralha afonsina — já com a cidade a crescer para além do perímetro da estrutura defensiva.
 
No século XV, Viseu é doada ao Infante D. Henrique, na sequência da concessão do título de Duque de Viseu, cuja estátua, construída em 1960, se encontra na rotunda que dá acesso à rua do mesmo nome.
 
No século XVI, em 1513, D. Manuel I  renova o foral de Viseu, e assiste-se a uma expansão para actual zona central, o Rossio  que, em pouco tempo, se tornaria o ponto de encontro da sociedade, e cuja primeira referência data de 1534. É neste século que vive Vasco Fernandes, um importante pintor português cuja obra se encontra espalhada por várias igrejas da região e no Museu Grão Vasco, perto da Sé.
 
No século XIX é construído o edifício da Câmara Municipal, no Rossio, transladando consigo o centro da cidade, anteriormente na parte alta. Daí ao cume da colina, segue a Rua Direita, onde se encontra uma grande parte de comércio e construções medievais.
 
Geografia
 
A cidade de Viseu tem uma posição quase central em relação ao Distrito e ao Município, localizando-se no designado "Planalto de Viseu". É envolvida por um sistema montanhoso constituído a norte pelas Serras de Leomil, Montemuro e Lapa, a noroeste a Serra do Arado, a sul e sudoeste as Serras da Estrela e Lousã, e a oeste a Serra que mais directamente influencia esta área, a do Caramulo. O Município caracteriza-se por uma superfície irregular com altitudes compreendidas entre os 400 e os 700 metros.
 
Com um relevo acidentado apresenta numerosos cursos e linhas de água. De um modo geral, estes organizam-se em três bacias: a do Vouga, a do Dão e a do Paiva. Outros existem, de menor caudal mas com certa importância, rio Pavia e rio de Mel.
 
Situado numa zona de transição, o Concelho apresenta um conjunto de micro-climas. A Serra do Caramulo, localizada a oeste do Concelho, assume um papel de relevo em termos climáticos ao atenuar as influências das massas de ar de oeste (embora o vale do Mondego facilite a sua penetração). Assim, o clima de Viseu caracteriza-se pela existência de elevadas amplitudes térmicas, com Invernos rigorosos e húmidos e Verões quentes e secos. A maior extensão do Município é composta por granitos, sendo esta rocha a principal responsável na formação dos solos existentes. Em menor percentagem ocorrem formações quartezitas e gneisses do pré-câmbrico e arcaico.
 
Cultura
 
Já desde o século XVIII, Viseu passou a dispor de duas feiras: a de todas as primeiras terças-feiras de cada mês, que actualmente se realiza às terças-feiras, todas as semanas; e a Feira Franca, anual, cuja referência se tem durante um inquérito realizado para o Dicionário Geográfico de Luís Cardoso, em 1758, em que um cura da cidade diz que as produções agrícolas da cidade «não só fazem a terra abundante mas sustentam por mais de doze dias, quatro ou cinco mil pessoas que efectivamente habitam nesta cidade pelo tempo da Feira Franca». Alguns autores atribuem a criação da feira a D. Sancho I  (1188) e a sua legalização por D. João I, mas foi D. Duarte que a transferiu para a Ribeira, mais tarde denominado Campo de Viriato, e para o dia 21 de Setembro, dia de São Mateus. A feira seria suspendida até ao restabelecimento por D. Afonso V, agora de duração de 15 dias, e com início a 20 de Outubro, a decorrer novamente dentro da Cava. Já no reinado de D. Manuel I, a feira é deslocada para o Rossio de Santo António, actual Praça da República e, mais tarde, retransladada para o Campo de Viriato, desta vez a decorrer entre 5 de Outubro e 8 de Setembro. Nos dias de hoje, a feira tornou-se também conhecida por Feira de São Mateus.
 
Ensino
 
Viseu dispõe de uma universidade (a Católica) e dois Institutos politécnicos, um privado, o Piaget e um público, o Instituto Politécnico que integra a Escola Superior de Educação, a Escola Superior de Tecnologia, a Escola Superior de Enfermagem e outros pólos na região, como o de Lamego. Ao nível do ensino secundário existem três escolas: Alves Martins, Viriato e a Escola Secundária Emídio Navarro.
  
 
Do vasto Património, destaca-se aqui a Catedral de Viseu 
 
A  Catedral de Viseu começou a ganhar forma no século XII, em pleno reinado de D. Afonso Henriques, impulsionada pelo bispo D. Odório. Inicia-se então a construção de uma catedral no estilo românico. Apesar de restar muito pouco desta edificação, alguns autores classificaram um capitel, vegetalista, datável dos finais do século XII, bem como um portal lateral (a Sul) do século seguinte — que dá hoje acesso ao claustro — como sendo elementos prováveis do edifício original.
 
O local onde foi implantada a Sé de Viseu, na Baixa Idade Média, foi alvo de escavações conduzidas por Inês Vaz, junto ao Paço episcopal, que revelariam um primitivo templo, aparentemente de tripla abside, datável da época suevo-visigótica. No processo da Reconquista, terão existido neste lugar dois edifícios episcopais, destacando-se o do século X, altura em que Viseu era considerada a capital do vasto território entre Mondego-e-Douro.
 
No reinado de D. Dinis, tendo a cidade atingido um período áureo, procede-se a uma renovação profunda do edifício, ainda no século XIII, sob a alçada do bispo D. Egas. No entanto, a Crise de 1383-1385 foi nefasta para as obras, tendo estas estarrecido até depois da crise. Então, sob a alçada do novo bispo D. João Vicente, as obras durariam ainda por muitos anos.
 
O gótico da Sé viseense seguiu as linhas originais, com um corpo de três naves e três tramos, aproximando-se assim de um estilo românico, mais do que gótico, tipicamente espaçoso. Outra peculiaridade inerente será o facto de que a monumentalidade desta catedral tenha sido obtida pela robustez das suas paredes-muralhas.
 
No período manuelino, a Sé viseense viria a absorver intervenções de grande qualidade estética, como as típicas abóbadas das naves. Esta campanha foi obra do bispo D. Diogo Ortiz de Vilhena e durou uma década apenas, sob a alçada do arquitecto João de Castilho.
 
Também a acção de D. Miguel da Silva, protector do célebre Grão Vasco e introdutor do Renascimento em Portugal, seria determinante: deve-se a este prelado o claustro renascentista.
 
Já em plena Idade Moderna, sucederam-se novas obras na Sé, concluídas rapidamente. Em 1635 ruiu uma das torres medievais, arrastando consigo o portal manuelino. A reconstrução da fachada foi bastante limitada, influenciada por uma considerável contenção de despesas.
 
O barroco trouxe a este edifício ricas obras de talha, azulejo e pintura. O órgão, retábulo-mor (de concepção atribuída a Santos Pacheco), os painéis em azulejo do claustro e a casa do cabido são exemplos perfeitos, que revelam como esta Sé de Viseu se conseguiu manter actualizada durante as correntes estéticas dominantes do século XVIII.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

Ilha do Pico - Açores

 
Localização da Ilha do Pico no Arquipélago dos Açores
Localização da Ilha do Pico no Arquipélago dos Açores
 
 
A Montanha do Pico vista da ilha do Faial

A Montanha do Pico vista da ilha do Faial


 
 
 

A Ilha do Pico é a segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores, e dista da Ilha do Faial 8,3 km e da Ilha de São Jorge dista 15 km. Tem uma superfície de 447 km² e conta com uma população residente de 14 806 habitantes (em 2001). Mede 50 km de comprimento e 20 km de largura. Deve o seu nome à majestosa montanha vulcânica, a Ponta do Pico ou Montanha do Pico(1), que termina num pico pronunciado cujo topónimo é Pico Pequeno ou Piquinho. É a mais alta montanha de Portugal e a terceira maior montanha que emerge do Atlântico, atingindo 2 351 metros de altitude.
 
Administrativamente, a ilha é constituída por três concelhos: concelhos das Lajes do Pico com seis freguesias, Madalena e São Roque do Pico, ambas com cinco freguesias.
 
Dispõe, em Santa Luzia, de um moderno Aeroporto Regional com ligações aéreas directas com Lisboa (TAP/SATA Internacional), Terceira (Lajes) e Ponta Delgada (SATA - Air Açores). Tem ligações marítimas diárias (Transmaçor) com a cidade da Horta e vilas das Velas e Calheta. Durante os meses de Verão usufrui de ligações marítimas com as restantes ilhas do arquipélago.
 
Geologia
 
A ilha emergiu de uma fractura tectónica de orientação ONO-ESSE – a mesma que deu origem à Ilha do Faial, denominada Fractura Faial-Pico, que se desenvolve ao longo de 350 km, desde a Crista Médio Atlântica (sigla CMA) até uma área a Sul da Fossa do Hirondelle.
  • Complexo Vulcânico da São Roque
  • Complexo Vulcânico da Lajes
  • Complexo Vulcânico da Madalena

História
 
A designação henriquina da ilha era Ilha de São Dinis. Na cartografia do século XIV, a ilha foi chamada de "Ilha dos Pombos". O seu povoamento foi iniciado em 1460, na fajã lávica das Lajes, mas tornou-se definitivo em 1483, quando Joss van Hurtere mandou fundar São Mateus. Em 29 de Dezembro de 1482, faz hoje 524 anos, a ilha é integrada na Capitania do Faial pela Infanta D. Beatriz, em virtude de Álvaro de Orlenas não ter tomado posse da ilha.
 
Em 1501, Lajes do Pico é elevada a Vila e sede de concelho pelo Rei D. Manuel I. Em 1542 é a vez de São Roque do Pico e, em 1712, a de Madalena.
 
Cultura e Património
 
Em Julho de 2004, o comité da UNESCO considerou a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património da Humanidade. A área engloba os lajidos das freguesias da Criação Velha e de Santa Luzia. A cultura da vinha domina a parte ocidental da ilha, sendo o famoso "Verdelho do Pico" cultivado em pequenas quadrículas de terreno onde crescem as vinhas, separados por muros de basalto negro feitos de pedra solta, chamados localmente de "currais".
 
Presentemente, pretende-se constituir um Parque Nacional na Ilha do Pico, englobando a área da Montanha do Pico e o Planalto Central. Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.
 
Outro património inclui: a Gruta das Torres, na Criação Velha; as Furnas de Frei Matias; na Madalena, Museu do Vinho, instalado no antigo Convento das Carmelitas; o Museu da Indústria Baleeira, em São Roque do Pico; o Museu Regional dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.
 
Tradições, festas e curiosidades
 
Festa e Procissão do Senhor Bom Jesus (São Mateus, Madalena), Semana dos Baleeiros (N. Sra. de Lurdes), Cais Agosto (Cais do Pico - S.Roque), Festa de São Roque, Festas de Santa Maria Madalena, Semana das Vindimas, Festas do Espírito Santo.
 
Economia
 
Os habitantes da ilha do Pico dedicam-se à agricultura, à pesca e à criação de bovinos. A vinha, outrora uma das grandes riquezas da ilha que produzia o afamado vinho do Pico, exportado para a Inglaterra e para a América do Norte e que chegou a ser servido à mesa do próprio czar do Império Russo, foi gradualmente afectada pela praga do oídio na segunda metade do século XIX.
 
Actualmente, a produção é reduzida e as principais fontes de rendimento no campo da agricultura são os produtos hortícolas, a fruta e os cereais. A pecuária está muito desenvolvida, em especial no concelho de São Roque do Pico. A pesca é outra actividade importante. As indústrias da ilha estão, na sua quase totalidade, ligadas ao ramo alimentar: lacticínios, destilarias e moagens. No artesanato destaca-se a escultura em basalto e em osso de baleia, bem como rendas e bordados.
 
(1) - A Montanha do Pico (Ponta do Pico ou Serra do Pico) é o ponto mais alto do vulcão do mesmo nome na ilha do Pico, arquipélago dos Açores. O cume da montanha está a 2.351 m acima do nível médio do mar, sendo o ponto mais alto da Região Autónoma dos Açores e o mais alto sob soberania portuguesa. Medido a partir da zona abissal contígua, o edifício vulcânico tem quase 5 000 m de altura, quase metade submersa sob as águas do Atlântico.
 
O Vulcão do Pico é muito "recente" (aproximadamente 750 000 anos de idade), entrando em actividade pela última vez no seu flanco sueste (São João) no século XVIII. É escalável por trilhos marcados em cerca de quatro horas, sendo a ascensão muito cansativa devido ao forte declive em todo o percurso.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Ponta Delgada - Açores

 
Arquipélago dos Açores - localização de Ponta Delgada na Ilha de São Miguel 
Arquipélago dos Açores - localização de Ponta Delgada na Ilha de São Miguel

   
Ponta Delgada - Açores
 
Ponta Delgada - Açores


 
 
 

Ponta Delgada é uma cidade portuguesa na ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, com cerca de 65.836 habitantes. É a capital administrativa deste Arquipélago desde que os distritos foram extintos no Arquipélago, por volta de 1976 (conjuntamente com Angra do Heroísmo e Horta, onde se sedia o Parlamento regional). É sede de um município com 231,90 km² de área e 65 853 habitantes (2001), subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a leste pelos municípios da Ribeira Grande e da Lagoa e tem costa no Oceano Atlântico a norte, sul e oeste.
 
"Esta cidade de Ponta Delgada é assim chamada por estar situada junto de uma ponta de pedra de biscouto, delgada e não grossa como outras da ilha, quasi rasa com o mar, que depois, por se edificar mui perto d'ela uma ermida de Santa Clara, se chamou ponta de Santa Clara..." Gaspar Frutuoso (cronista micaelense do século XVI).
 
História
 
Ponta Delgada foi elevada a cidade por carta régia de 2 de Abril de 1546, no reinado de D. João III, sendo a segunda cidade a ser criada em todo o arquipélago dos Açores. Localizada na ilha de São Miguel, esta cidade inicialmente não passava de um povoado de pescadores, mas desde cedo cresce suplantando a antiga rival Vila Franca do Campo, que na era de quatrocentos, seria a maior e mais importante urbe açoriana, embora tristemente subvertida por um enorme cataclismo em 1522. Ponta Delgada foi crescendo, tornou-se vila e posteriormente cidade. A cidade cresce a uma força avassaladora, ocultando a sua antiga linha de costa, que abrigava o antigo cais de embarque, inúmeros fortes e fortins, o aterro municipal, a antiga alfândega, entre outros... Com mais de 5 séculos de existência, Ponta Delgada é hoje uma referência singular no panorama regional. Sendo o maior concelho que reúne a maior diversidade de equipamentos, a sua linha de costa será novamente ampliada com a construção do projecto "Portas do Mar", composto por inúmeros parques subterrâneos, casinos, novos centros comerciais, anfiteatros, cinemas e variados locais para diversão nocturna.
 
Fotografias de Ponta Delgada
Fonte: Wikipédia. 
 

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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Campo Maior (Portugal)

 
Localização do concelho de Campo Maior
Localização do concelho de Campo Maior

 
 
 

... Mais um passeio aos cantinhos de Portugal, desta vez ao local onde se realiza uma das festas populares mais interessantes do país -  a  Festa das Flores.

 
Festa das Flores


E uma zona muito activa na História de Portugal.

 
 
 
Campo Maior é uma vila portuguesa no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, com cerca de 7 900 habitantes.
 
É sede de um município com 247,26 km² de área e 8 387 habitantes (2001), subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte e leste pela Espanha, a sueste pelo município de Elvas e a oeste por Arronches.

As freguesias de Campo Maior são as seguintes:
  • Nossa Senhora da Expectação (Campo Maior)
  • Nossa Senhora da Graça dos Degolados
  • São João Baptista (Campo Maior)

História

Certamente foi uma Povoação Romana, dominada por Mouros durante meio milénio e conquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia pertencente ao concelho de Badajoz à Igreja de Santa Maria do Castelo.
 
Em 31 de Maio de 1255, D. Afonso X, rei de Leão, eleva-a a Vila.
 
O Senhor da Vila, o Bispo D. Frei Pedro Pérez concede, em 1260, o primeiro foral aos seus moradores assim como o seguinte brasão de armas: N. Sr.ª com um cordeiro, e a legenda “Sigillum Capituli Pacensis”.
 
Em 31 de Maio de 1297, através do Tratado de Alcanizes assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.
 
Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312; e novamente ao rei D. Dinis em 1318.
 
O seu castelo que se ergue a leste da vila foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça forte de Portugal.
 
Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei D. João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se desloquem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio e ocuparem pela força, em fins de 1388. D. João II deu-lhe novo brasão: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.
 
Em 1512, o rei D. Manuel I concede foral à vila de Campo Maior.
 
Desde os fins do Século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiam-se em Portugal. A população de Campo Maior vai aumentar substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
 
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no Século XVI que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
 
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações. A necessidade de fortificar a vila que durante os três últimos séculos se desenvolvera acentuadamente para fora da cerca medieval, a urgência em construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos moradores da vila nova dos ataques dos exércitos castelhanos, vai obrigar o rei a enviar quantias avultadas em dinheiro, engenheiros militares, operários especializados e empregar um numeroso contingente de pessoal não qualificado. Os contingentes militares são então numerosos. Calcula-se que na segunda metade do Século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias holandesas destacadas para o Alentejo. A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.
 
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofre pesadas baixas que o obrigam a levantar o cerco.
 
No dia 16 de Setembro de 1732, pelas três da manhã, desencadeia-se uma violenta trovoada, o paiol, contendo 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, situado na torre grande do castelo é atingido por um raio, desencadeando de imediato uma violenta explosão e um incêndio que arrastou consigo cerca de dois terços da população.
 
D. João V determina a rápida reconstrução do castelo. A vila vai erguer-se lentamente das ruínas e aos poucos refazer-se para voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra e de local de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha, nos tempos de paz.
 
No Século XVIII termina a construção das actuais Igrejas da Misericórdia e da Matriz, e lança-se a primeira pedra para a fundação da Igreja de S. João. A vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas actuais, Nossa Senhora da Expectação e São João Baptista, em 1766.
 
Os primeiros anos do Século XIX são em Campo Maior de grande agitação. Um cerco, em 1801, pelos espanhóis e uma revolução local, em 1808, contra os franceses que então invadiram Portugal o comprovam.
 
A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos.
 
Em 1811 surge uma nova invasão francesa que fez um cerco cerrado durante um mês à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência foi tal que deu tempo a que chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que põe os franceses em debandada, tendo então a vila ganho o título de Vila Leal e Valorosa, título este presente no actual brasão da vila.
 
As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior são também acontecimentos assinaláveis.
 
Em 1836, foi extinto o vizinho concelho de Ouguela, tendo esta vila sido agregada à de Campo Maior.
 
A «cólera morbis» mata, em 1865, durante cerca de dois meses e meio, uma média de duas pessoas por dia.
 
Em 1867, tentam extinguir Campo Maior como sede de concelho, anexando-o ao concelho de Elvas. Tal decisão provoca um levantamento colectivo da povoação, que em 13 de Dezembro, entra numa verdadeira greve geral.
 
O concelho é definitivamente acrescido da sua única freguesia rural, em 1926 – Nossa Senhora da Graça dos Degolados.
 
Só em 1941, porém, o concelho adquire a sua actual divisão em três freguesias, com a anexação da freguesia de Ouguela à de São João Baptista, dado o grande declínio populacional da primeira.
 
 
Lendas
  • "AQUI SERÁ O NOSSO CAMPO MAIOR"
Uma estória (grafia antiga de “história”) lendária, muito divulgada entre os amigos, refere-se ao facto desta região ser vítima de muitos assaltos, pela parte dos Mouros, mesmo depois de conquistada pelos Cristãos. Deste modo, as famílias existentes na região passavam terríveis provações de terror e, muitas vezes, sofriam sérios, dolorosos e fatais ataques. Resolveram, por isso mesmo, reunirem-se num local amplo, onde todos se pudessem albergar, segundo o velho ditado de que "a união faz a força". E, de todos que se lançaram na aventura de escolher o sítio desejado, um delas foi mais feliz, ao descobrir um terreno magnífico, pela grandeza e pelo aspecto natural e paisagístico. Logo, chamou pelos outros: "Companheiros! Aqui será o nosso Campo Maior! Nele poderemos caber à vontade e dele faremos um reduto contra os nossos inimigos!"
 
Foi unânime a aceitação das restantes famílias. E nasceu, pois, para o terreno encontrado e povoado (que depressa se começou a desenvolver) o próprio nome de Campo Maior.
  • LENDA DE NOSSA SENHORA DA ENXARA
Diz a tradição que estava uma mulher da vila a lavar a roupa no rio, acompanhada por uma filha pequena. A dado passo, a criança afastou-se para brincar, e, pouco tempo depois, regressou trazendo um brinco em ouro que disse ter sido ofertado, para brincar, por uma senhora muito bonita. A mãe acompanhou a criança ao local onde esta disse estar a Senhora, e lá se deparou com a imagem de Nossa Senhora sobre uma pedra redonda que ainda hoje se encontra na capela. Espalhada a notícia do achado, a população acorreu em massa e devotamente transporta para a vila a imagem, decidindo erigir uma capela na margem direita do rio, a meio caminho entre a citada pedra e a vila. Porém, todas as manhãs a imagem desaparecia e voltava a surgir sobre a pedra em que originalmente havia sido vista. Concluíram então ser esse o local escolhido para nele erguerem a Capela.
 
Essa capela, o Santuário de Nossa Senhora da Enxara, localiza-se em Ouguela.
 
Ouguela é uma povoação da freguesia de São João Baptista, no concelho de Campo Maior, distrito de Portalegre, a 10 km da sede de concelho. Conta com cerca de 60 habitantes.
 
Teve foral dado por D. Dinis a 5 de Janeiro de 1298, renovado por D. Manuel em 1 de Junho de 1512, retendo até à reforma administrativa de 1836 o estatuto de vila sede de concelho independente, altura em que foi integrada no vizinho concelho de Campo Maior. Entretanto, dado o seu declínio, cerca de um século depois, em 1941, foi anexada, como mero lugar, à freguesia de São João Baptista.
 
O seu castelo foi uma das praças-fortes que defendia periodicamente o Alto Alentejo das invasões castelhanas. Foi mandado edificar por volta de 1300, e cercado durante a crise de 1383-85, a Guerra da Restauração (1642 e 1662, tendo desta feita sido ocupado), a Guerra da Sucessão de Espanha (1709) e a Guerra das Laranjas (1801, ano em que foi de novo ocupado).
Fonte: Wikipédia. 
 

 
Santuário de Nossa Senhora da Enxara
Santuário de Nossa Senhora da Enxara

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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Terena (São Pedro)

 
Terena (São Pedro) - Alandroal
 
 
 

Conhecendo um cantinho de Portugal, com muita História...
 
 
Terena é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, distrito e arquidiocese de Évora, com 82,95 km² de área e 859 habitantes (2001). Densidade: 10,4 hab/km². A freguesia inclui esta localidade e Hortinhas. Tem o nome alternativo de São Pedro, sendo por vezes também conhecida como São Pedro de Terena.
 
Localizada no centro do concelho, a freguesia de Terena (São Pedro) tem por vizinhos as freguesias de Nossa Senhora da Conceição a nordeste, Capelins a sueste e Santiago Maior a sudoeste, e os concelhos do Redondo a oeste e de Vila Viçosa a norte.
 
É a 4ª freguesia do concelho em área, mas a 3ª em população e em densidade demográfica.
 
As origens da vila de Terena são muito antigas. O seu primeiro foral foi concedido no século XIII, sendo elaborado pelo Cavaleiro D. Gil Martins e sua mulher D. Maria João. Já no século XVI, em 10 de Outubro de 1514, o Rei D. Manuel I concedeu-lhe o Foral da leitura nova. A vila de Terena desempenhou um importante papel de defesa fronteiriça, através do seu castelo, que integrava a linha de defesa do Guadiana. No seu território desenvolveu-se desde tempos remotos o culto à Virgem Maria (possível fruto da cristianização de cultos pagãos), sendo o seu Santuário, hoje chamado da Boa Nova, já celebrado por Afonso X de Castela nas suas Cantigas de Santa Maria.
 
O concelho de Terena, que abrangia as freguesias de Terena, Capelins e Santiago Maior, foi extinto em 1836, estando desde então integrado no concelho de Alandroal. O concelho tinha, de acordo com o recenseamento de 1801, 1 757 habitantes. Nos finais da década de 1970, foi construída nesta freguesia a Barragem do Lucefécit, que permitiu o desenvolvimento da agricultura de regadio nesta região. Nesta vila decorre anualmente, no Domingo e Segunda-Feira de Pascoela, a afamada e concorrida romaria de Nossa Senhora da Boa Nova.
 

 
A Romaria de Nossa Senhora da Boa Nova ocorre na vila de Terena, sendo organizada pela Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova. A romaria é de origem bastante antiga, tendo como centro o Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, que já existia, com nome de Santa Maria de Terena, no século XIII. No século XVI teve o nome de Nossa Senhora dos Prazeres, sendo que a invocação actual (Senhora da Boa Nova), já aparece documentada no século XVIII. O culto mariano neste local é bastante antigo (talvez o mais antigo do país a sul do Tejo), exprime a exaltação de Maria aquando da Ressurreição de seu Filho, Jesus, daí que a romaria ocorra oito dias após a Páscoa (Domingo e Segunda-Feira de Pascoela). A romaria tem como pontos altos a procissão de velas do Domingo de Pascoela, quando a imagem da Virgem é conduzida para a Igreja Matriz de São Pedro de Terena, nela ocorrendo o chamado Encontro (entre as imagens de São Pedro, padroeiro da freguesia, e da Senhora da Boa Nova). O dia maior da festa é Segunda-Feira de Pascoela (feriado municipal no concelho de Alandroal), quando ocorre a Procissão solene de regresso ao Santuário, percorrendo as ruas do centro histórico de Terena. Paralelamente às festividades religiosas (que são o coração da romaria), a confraria organiza ainda uma série de acontecimentos (bailes, garraiadas, leilão das oferendas, etc.) que decorrem nos dias da festa, no recinto do Santuário e no centro da vila.
  
 
A Capela da Boa Nova, também conhecido por Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, trata-se de um santuário mariano bastante antigo, julgando-se que possa resultar da cristianização de cultos pagãos, visto que nas imediações da vila de Terena subsistem as ruínas do templo do deus Endonvélico. As referências históricas a este santuário remontam ao século XIII, uma vez que nas Cantigas de Santa Maria, do Rei Afonso X de Castela, existem algumas composições dedicadas a Santa Maria de Terena. O templo é obra do século XIV, possuindo a característica de ser um raro exemplar português de igreja-fortaleza que chegou praticamente intacto aos nossos dias. A origem da invocação Senhora da Boa Nova parece estar ligada à lenda da Fermosíssima Maria (Dona Maria, Rainha de Castela), a filha do Rei D. Afonso IV de Portugal que se deslocou à corte portuguesa para solicitar a seu pai que auxiliasse o marido na
Batalha do Salado. Reza a lenda que a Rainha se encontrava neste local, nas imediações de Terena, quando recebeu a boa notícia, daí tendo nascido a invocação Boa Nova. O culto mantém-se bastante vivo, sendo este santuário palco de uma grande romaria que se celebra no primeiro fim-de-semana posterior à Páscoa. A importância desta romaria na região é de tal importância que a Segunda-Feira de Pascoela (dia principal da festa) é o feriado municipal do concelho do Alandroal. O Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova foi classificado Monumento Nacional em 1910.
 
 
Património
 
Arquitectura civil
  • Antigos Paços do Concelho
  • Pelourinho de Terena
  • Povoado fortificado e Santuário de Endovélico
  • Torre do Relógio
  • Ponte do Lucefécit
Arquitectura militar
  • Castelo de Terena
  • Castro de Castelo Velho
Arquitectura religiosa
  • Igreja Matriz de São Pedro
  • Igreja da Misericórdia
  • Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova ou Capela da Boa Nova
  • Capela de Santo António
  • Ermida de São Sebastião
  • Ermida de Santa Clara (ruínas)
  • Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Fonte Santa
Associações culturais, recreativas e religiosas da Freguesia de Terena
  • Associação de Protecção aos Idosos da Freguesia de Terena (APIT)
  • Centro de Cultura e Desporto de Terena
  • Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova
  • Confraria do Pão (Monte das Galegas)
  • Santa Casa da Misericórdia de Terena (actualmente sem actividade)
Fonte: Wikipédia. 
 
 
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