Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006

Vulcão dos Capelinhos - Açores

 
Vulcão dos Capelinhos - situa-se na Ponta dos Capelinhos, freguesia do Capelo, na Ilha do Faial, Região Autónoma dos Açores - Portugal
 
 
 

O Vulcão dos Capelinhos, situa-se na Ponta dos Capelinhos, freguesia do Capelo, na Ilha do Faial, Região Autónoma dos Açores. O nome Capelinhos deve-se a existência a 2 ilhéus chamados de "Ilhéus dos Capelinhos". O vulcão manteve-se em actividade entre Setembro de 1957 a Outubro de 1958. A crise sísmica associada à erupção vulcânica e a queda de cinzas e materiais de projecção provocaram a destruição generalizada das habitações e campos das freguesias do Capelo e da Praia do Norte.
 
Hoje em dia, o Vulcão dos Capelinhos encontra-se inactivo. Toda esta área foi constituída como área de paisagem protegida de elevado interesse geológico e faz parte da Rede Natura 2000. O Farol dos Capelinhos será transformado num miradouro, e junto deste, ficará instalado o Centro Interpretativo do Vulcão. Próximo situa-se o Museu Geológico do Vulcão, inaugurado em 1964, que documenta toda a sua actividade eruptiva.
 
Crise sismo-vulcânica e Erupção
Setembro a Dezembro e 1957
 
De 16 a 27 de Setembro de 1957, sentiu-se uma crise sísmica na ilha com mais de 200 sismos, de intensidade não superior a 5º da Escala de Mercalli. No dia 21 de Setembro de 1957, a água do mar começou a fervilhar. Três dias depois, a actividade aumentou intensamente havendo emissão de jactos negros de cinzas vulcânicas de cerca de 1 000 metros de altura (atingindo a altitude máxima de 1 400 metros) e uma nuvem de vapor de água que subia por vezes a mais de 4 000 metros.
 
A 27 de Setembro, iniciou-se uma erupção submarina a 300 metros da Ponta dos Capelinhos. A partir de 3 de Outubro, as explosões de piroclastos, ainda que violentas passaram a ser menos frequentes. A erupção evoluiu formando primeiro uma ilha a 10 de Outubro, chamada de "Ilha Nova" (e ainda, por "Ilha do Espírito Santo" ou "Ilha dos Capelinhos"), com 800 metros de diâmetro e 99 metros de altura, ficando com a cratera aberta ao mar. Com o aparecimento de um istmo, ao fim de poucos meses, a ilha liga-se à Ilha do Faial.
 
Carlos Tudela, repórter da RTP munido da sua câmara de filmar, desembarca na ilha recém-nascida (na vertente do vulcão activo), acompanhando o jornalista Urbano Carrasco, do Diário Popular, arriscando as suas vidas num pequeno barco remado por Carlos Peixoto, para colocar a Bandeira Nacional nas cinzas basálticas da "Ilha Nova".
 
Em Novembro de 1957, aumentou progressivamente a actividade atingindo o seu máximo na primeira quinzena de Dezembro, surgindo um segundo cone vulcânico. A 16 de Dezembro, depois de uma noite de chuvas torrenciais e abundante queda de cinza, cessou a actividade explosiva tendo começado a efusão de lava.
 
Em resultado da erupção, a área da ilha aumentou em 2,40 km². Actualmente, essa área ficou reduzida em cerca de metade devido à natureza pouco consolidada das rochas e à acção das ondas. No Cabeço Norte, existe uma pequena fenda que é um respiradouro do vulcão.
Hoje em dia, o vulcão dos Capelinhos encontra-se inactivo.
Fonte: Wikipédia.
 
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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2006

Ilha de São Miguel - Açores

 
Lagoa das Sete Cidades - Açores - Portugal
 
Lagoa das Sete Cidades - Açores - Portugal
 
 

São Miguel, a maior das ilhas dos Açores, é também a mais importante. Com uma superfície de 746,82 km², mede 90 km de comprimento e 8-15 km de largura e conta com uma população de 131.609 habitantes (2001), mais 4,5% que uma década antes. É composta pelos concelhos de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo.
 
São Miguel é também conhecida como Ilha Verde, devido às suas pastagens infinitas.
 
Os pontos de interesse turístico são variados. O Vale das Furnas, o verdadeiro ex-libris da ilha tem uma visão paradisíaca com o vapor das caldeiras, a água a ferver que se mistura e envolve com a beleza da lagoa. É um cenário difícil de descrever.
 
Outro dos pontos de interesse da ilha é a Lagoa do Fogo, que se situa na Serra de Água de Pau.
A Lagoa das Sete Cidades é a outra das três grandes lagoas da ilha. Com uma cratera enorme, está divida em duas partes, chamadas respectivamente de azul e verde.
 
Na zona Este da ilha, fica o Pico da Vara - a maior elevação da ilha - com 1.103 m de altitude. Na zona central, a serra de Água de Pau com 940 m de altura e na zona Oeste situa-se a Caldeira das Sete Cidades com 850 m de altitude.
 
Nas suas férteis terras são produzidos cereais, chá, fruta e vinho e alimentam o gado bovino.
 
A primeira capital da ilha foi Vila Franca do Campo, que veio a ser arrasada por um sismo em 1522, altura em que foi transferida para Ponta Delgada. Ponta Delgada é uma cidade em constante desenvolvimento, onde se mantém ainda as suas igrejas e palácios do século XVI e XIX.
 
A maior festa religiosa dos Açores é nesta ilha realizada, mais propriamente na cidade de Ponta Delgada, onde acorrem todos os anos milhares de pessoas. São as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres que são realizadas todos os anos no quinto Domingo depois da Páscoa.
 
Outra manifestação religiosa desta ilha são os Romeiros. Por altura da Semana Santa, grupos de algumas dezenas de homens percorrem a ilha a pé, durante oito dias, rezando e cantando em todas as Igrejas e Ermidas que se deparam pelo caminho.
Fonte: wikipedia
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:35
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Sábado, 20 de Maio de 2006

As fumarolas

 
Fumarolas das Furnas, Açores
  
Fumarolas das Furnas, Açores 
 
 

Fumarola  (do latim fumus, fumo)  é uma abertura na superfície da crosta (do Lat. crusta) da Terra (ou de outro qualquer corpo celeste), em geral situada nas proximidades de um vulcão, que emite vapor de água e gases tais como dióxido de carbono, dióxido de enxofre, ácido hidroclórico, e sulfureto de hidrogénio. A designação sulfatara, do italiano solfo, enxofre (via o dialecto siciliano), é dada às fumarolas que emitem gases sulfurosos.
 
As fumarolas podem ocorrer ao longo de pequenas fissuras ou de zonas de fracturação das rochas, formando alinhamentos, ou em zonas de fractura, tais como caixas de falha, formando por vezes extensos campos de fumarolas.
 
Os campos de fumarolas, como o das Furnas, na ilha de São Miguel, Açores, são áreas de concentração de nascentes termais e outras manifestações geotérmicas, em geral associadas a zonas onde rochas ígneas quentes se encontram a pequena profundidade e interagem com os aquíferos. Outras correspondem a zonas de desgasificação das formações, onde o magma subjacente está a perder gases que chegam à superfície com temperaturas e concentrações suficientemente elevadas para poderem ser facilmente notados.
 
Um bom exemplo de actividade fumarólica extrema é o famoso Valley of Ten Thousand Smokes, que se formou durante a erupção de 1912 do vulcão Novarupta no Alaska. Inicialmente existiam milhares de fumarolas nas cinzas em arrefecimento, mas ao longo do tempo a maioria foi-se extinguindo com o arrefecimento dos materiais. As fumarolas podem persistir durante décadas ou séculos se estiverem localizadas sobre uma fonte de aquecimento de longa duração, ou desaparecer rapidamente se estiverem associadas a materiais vulcânicos que percam rapidamente calor.
 
Em todas as regiões vulcânicas são comuns as fumarolas, muitas vezes associadas a géisers e a outras manifestações de termalismo.
 
A intensidade dos gases libertados, e a sua visibilidade, variam muito em função do estado de recarga dos aquíferos, da humidade relativa do ar (que pode tornar o vapor emitido bem mais espesso) e da maré terrestre, entre muitos outros factores. Assim, é comum notarem-se grandes variações diárias e sazonais no funcionamento das fumarolas sem que tal indicie qualquer alteração nas condições do vulcanismo local.
 
 
Fumarolas dos Açores
 
As fumarolas são muito comuns nos Açores, formando por vezes extensos campos. Eis algumas das mais conhecidas:
 
Fumarolas das Furnas, na ilha de São Miguel, associadas a géisers e a nascentes termais;
 
Fumarolas da Lagoa das Furnas
, muito conhecidas por serem utilizadas como local de confecção de refeições (o cozido das Furnas);

 
Fumarolas do Fogo da Ribeira Quente
, sitas na zona urbana da freguesia da Ribeira Quente, sendo comuns ao longo das sarjetas da rua do Fogo;

 
Fumarolas da Caldeira Velha
, na Ribeira Grande;

 
Fumarolas da Ribeira Seca
, na zona urbana da freguesia da Ribeira Seca, já obrigaram ao abandono de várias habitações por introduzirem gases tóxicos nas condutas de esgoto;

 
Furnas do Enxofre
, na parte central da Terceira;

 
Furna do Enxofre
, Graciosa. Situada no interior da grande gruta da Furna do Enxofre, mantém uma cavidade repleta de lama em ebulição e libertam monóxido de carbono que já causou a morte a alguns visitantes;
 
Fumarolas das Velas
, fumarolas submarinas no interior da baía de Velas (junto ao Cais da Queimada), ilha de São Jorge, por vezes visíveis pelo borbulhamento à superfície;

 
Fumarolas do Piquinho
, fumarolas sitas no topo do Pico da ilha do Pico, a cerca de 2350 m de altitude acima do mar. Por vezes vê-se desde a cidade da Horta o ténue vapor que libertam.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

Ilha Terceira - Açores


Angra do Heroismo AÇORES
A zona central de Angra do Heroísmo, com a Sé Catedral; em segundo plano, as muralhas do Castelo de São João Baptista e a encosta do Monte Brasil

Como indica o seu nome, foi a terceira  ilha do Arquipélago dos Açores a ser descoberta, depois de Santa Maria e de São Miguel.
 
A ilha Terceira tem aproximadamente 29 km de comprimento e 18 km de largura, medindo o seu perímetro 90 km e tem uma área de 396,75 Km2. A sua população é de 59.000 habitantes. O ponto mais alto da ilha é de 1.022 m e situa-se na Serra de Santa Bárbara, no lado Oeste.
 
A Serra de Santa Bárbara é um grande estratovulcão, com 1022 m de altitude máxima (sendo também o ponto culminante da ilha) que ocupa todo o terço oeste da ilha
Terceira, nos Açores. O cone principal é encimado por uma caldeira com cerca de 5 km de perímetro.
 
A Terceira é atravessada pelo Rifte da Terceira, uma estrutura geológica tectónica com cerca de 550 km de comprimento, associada à junção tripla entre as placas tectónicas Euro-asiática, Africana e Americana.
 
Esta ilha desempenhou um papel de grande importância por altura dos Descobrimentos, devido à sua boa localização geográfica.
 
As paisagens da ilha são de grande beleza, com aspectos bastante característicos, como a vista da Serra do Cume, na zona Este, e com vista sobre a Praia da Vitória e as Lajes. A zona Oeste da ilha está coberta por vegetação exuberante existindo muitas criptomérias. Na costa norte, pode-se observar a ponta dos "mistérios", e a zona balnear dos Biscoitos, com os seus vestígios de erupções vulcânicas. No interior é de assinalar a gruta do Algar do Carvão e as fumarolas das Furnas do Enxofre.
 
A economia da Terceira assenta sobretudo na agro-pecuária e nas indústrias associadas de transformação de lacticínios. Possui dois portos nas suas duas cidades, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, onde se situa o aeroporto internacional e a Base Aérea das Lajes. A cidade de Angra do Heroísmo é a mais antiga cidade açoriana (1534) e ao mesmo tempo sede da diocese de Angra, estabelecida em 21 de Agosto de 1534.
 
Não se pode falar da Terceira sem falar da festa do Divino Espírito Santo. Este culto está ligado à Rainha Santa Isabel, entroncando nas raízes joaquimitas trazidas para os Açores pelos franciscanos espituais. Este milagre é recordado todos os anos nas vilas e aldeias da Terceira na cerimónia da distribuição de pão e carne (o "bodo") pela população, celebrada junto aos "impérios", construções coloridas erigidas como capelas em honra do Espírito Santo. Este é um ritual que remonta à Idade Média que se repete ao longo dos séculos com um sentimento profundamente religioso.
 
A outra grande festa e com grandes tradições na ilha é a "tourada à corda". Um touro preso com uma corda e controlado por dois grupos de quatro pastores investe contra os populares que se espalham pelas ruas das povoações.

 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:12
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

Os Vulcões

 
Vulcão
é uma estrutura geológica criada quando
Todas estas actividades podem ser um perigo potencial para o Homem. Para além disso a actividade vulcânica é muitas vezes acompanhada por
magma, gases e partículas quentes (como cinzas) escapam para a superfície terrestre. Injecta altas quantidades de poeira, gás e aerossóis na atmosfera, podendo causar arrefecimento climático temporário.
São frequentemente considerados causadores de
poluição natural.

Magma é
rocha fundida, localizado normalmente dentro de uma câmara de magma, debaixo da superfície da Terra. Essa complexa solução de silicatos a alta temperatura, entre 650 e 1200 graus Celsius, é ancestral de todas as rochas ígneas, sejam elas intrusivas ou extrusivas. O magma permanece sob alta pressão e, algumas vezes, emerge através das fendas vulcânicas, na forma de lava fluente e fluxos piroclásticos (os fluxos piroplásticos são os resultados devastadores de algumas erupções vulcânicas. Eles são rápidos, movidos de corpos fluidos de gás quente, cinza e pedra que pode viajar até 160 km por hora. O gás está normalmente numa temperatura de 100-800 graus Celsius. Os fluxos normalmente acompanham o chão da terra). Os produtos de uma erupção vulcânica geralmente contêm gases dissolvidos que podem nunca ter alcançado a superfície do planeta. O magma acumula-se em várias câmaras de magma, situadas no interior da crosta terrestre, cuja localização resulta em leves alterações na sua composição.

Tipicamente, os vulcões apresentam formato cónico e montanhoso.

A erupção de um vulcão é considerada um grave desastre natural, por vezes de consequências planetárias. Como outros desastres dessa natureza, são imprevisíveis e causam danos indiscriminados. Assim, tendem a desvalorizar os imóveis localizados em suas vizinhanças. No nosso planeta os vulcões tendem a ocorrer junto das margens das placas continentais. No entanto existem excepções quando os vulcões ocorrem em zonas chamadas de hot spots (pontos quentes). Por outro lado, os arredores de vulcões, formados de lava arrefecida, tendem a ser compostos de solos bastante férteis para a agricultura.

A palavra "Vulcão" deriva do nome do deus do fogo na mitologia romana Vulcano. A ciência que estuda os vulcões designa-se por Vulcanologia.


Tipos de Vulcões

Uma das formas de classificação dos vulcões é através do tipo de material que é eruptido, o que afecta a forma do vulcão. Se o magma eruptido contém uma elevada percentagem em sílica (>65%) a lava é chamada de félsica ou "ácida" e tem a tendência de ser muito viscosa (pouco fluida) e por isso solidifica rapidamente. Os vulcões com este tipo de lava têm tendência a explodir devido ao facto da lava facilmente obstruir a chaminé vulcânica. O Monte Pelé na Martinica é um exemplo de um vulcão deste tipo.

Se por outro lado, o magma é relativamente pobre em sílica (<52%) é chamado de máfico ou "básico" e causa erupções de lavas muito fluidas capazes de escorrer por longas distâncias. Um bom exemplo de uma escoada lávica máfica é a do Grande Þjórsárhraun (Thjórsárhraun) originada por uma fissura eruptiva quase no centro geográfico da Islândia há cerca de 8.000 anos. Esta escoada percorreu cerca de 130 quilómetros até ao mar e cobriu uma área com 800 Km².
  • Vulcão-escudo: O Havai e a Islândia são exemplos de locais onde podemos encontrar vulcões que expelem enormes quantidades de lava que gradualmente constroem uma montanha larga com o perfil de um escudo. As escoadas lávicas destes vulcões são geralmente muito quentes e fluidas, o que contribui para ocorrerem escoadas longas. O maior vulcão deste tipo na Terra é o Mauna Loa no Havai com 9.000 m de altura (assenta no fundo do mar) e 120 Km de diâmetro. O Monte Olimpus em Marte é um vulcão-escudo e também a maior montanha do sistema solar.
    ["O vulcanismo também deixou as suas marcas no planeta, sendo uma delas o Monte Olimpo que, com 27 km de altitude e 600 km de diâmetro, é o maior vulcão do Sistema Solar."]
  • Cones de escórias: São os tipos mais simples e mais comuns de vulcões. Esses vulcões são relativamente pequenos, com alturas geralmente menores que 300 metros. Formam-se pela erupção de magmas de baixa viscosidade, com composições basálticas ou intermediárias.
  • Estratovulcões: Também designados de "compostos", são grandes edifícios vulcânicos com longa actividade, forma geral cónica, normalmente com uma pequena cratera no cume e flancos íngremes, construídos pela intercalação de fluxos de lava e produtos Piroclasto, emitidos por uma ou mais condutas, e que podem ser pontuados ao longo do tempo por episódios de colapsos parciais do cone, reconstrução e mudanças da localização das condutas. Alguns dos exemplos de vulcões deste tipo são o Monte Fuji no Japão, o Monte Cotopaxi no Equador, o Vulcão Mayon nas Filipinas e o Monte Rainier nos E.U.A. Por outro lado, esses edifícios vulcânicos são os mais mortíferos do nosso planeta, envolvendo a perda da vida de aproximadamente 264.000 pessoas desde o ano de 1.500 DC.
    : São as maiores estruturas vulcânicas da Terra, possuem diâmetros que variam entre 15 e 100 km². Aparte de seu grande tamanho, Caldeiras Ressurgentes são amplas depressões topográficas com uma massa elevada central. Exemplos dessas estruturas são a Valles (E.U.A.), Yellowstone (E.U.A.) e Cerro Galan (Argentina).
    : São bastante comuns em certos fundos oceânicos nomeadamente na Crista-médio-Atlântica. São responsáveis pela formação de novo fundo oceânico em diversas zonas do globo. Um exemplo deste tipo de vulcão é o vulcão da Serreta no Arquipélago dos Açores. freáticas (vapor)
  • Caldeiras ressurgentes
  • Vulcões submarinos

Comportamento dos vulcões
  • Erupções
  • Erupções explosivas de lava rica em sílica (e.g.riolíto)
  • Erupções efusivas de lava pobre em sílica (e.g.Basalto)
  • Escoadas piroclasto (a pedra-pomes é o piroclasto dominante das rochas traquíticas)
  • Lahars (fluxos torrenciais de detritos vulcânicos saturados com água)
  • Emissões de dióxido de carbono. sismos, águas termais, fumarolas e géisers, entre outros fenómenos. As erupções vulcânicas são frequentemente precedidas por sismos de magnitude pouco elevada.


    Activos, dormentes ou extintos?


    Não existe um consenso entre os vulcanólogos para definir o que é um vulcão activo. O tempo de vida de um vulcão pode ir de alguns meses até alguns milhões de anos. Por exemplo, em vários vulcões na Terra ocorreram várias erupções nos últimos milhares de anos mas actualmente não dão sinais actividade.

    Alguns cientistas consideram um vulcão activo quando está em erupção ou mostra sinais de instabilidade, nomeadamente a ocorrência pouco usual de pequenos sismos ou novas emissões gasosas significativas. Outros consideram um vulcão activo aquele que teve erupções históricas. É de salientar que o tempo histórico varia de região para região. Enquanto que no Mediterrâneo este pode ir até 3.000 anos atrás, no Pacífico Noroeste dos Estados Unidos vai apenas a 300 anos atrás.

    Vulcões dormentes são considerados aqueles que não se encontram actualmente em actividade (como foi definido acima) mas que poderão mostrar sinais de perturbação e entrar de novo em erupção.

    Os vulcões extintos são aqueles que os vulcanólogos consideram pouco provável que entrem em erupção de novo, mas não é fácil afirmar com certeza que um vulcão está realmente extinto. As caldeiras têm tempo de vida que pode chegar aos milhões de anos, logo é difícil determinar se um irá voltar ou não a entrar em erupção, pois estas podem estar dormentes por vários milhares de anos. Por exemplo a caldeira de Yellowstone nos Estados Unidos tem pelo menos 2 milhões de anos e não entrou em erupção nos últimos 640.000 anos, apesar de ter havido alguma actividade há cerca de 70.000 anos atrás. Por esta razão os cientistas não consideram a caldeira de Yellowstone um vulcão extinto. Pelo contrário, esta caldeira é considerada um vulcão bastante activo devido à actividade sísmica, geotermal e à elevada velocidade do levantamento do solo na zona.


    Vulcões na Terra
    • Monte Baker  (Washington, EUA)
    • Vulcão de Cold Bay  (Alaska, EUA)
    • El Chichon  (Chiapas, México)
    • Pico de Orizaba  (Veracruz/Puebla, México)
    • Cotopaxi  (Equador)
    • Monte Fuji  (Honshu, Japão)
    • Monte Hood  (Oregon, EUA)
    • Monte Erebus  (Ilha de Ross, Antárctica)
    • Etna  (Sicília, Itália)
    • Krafla  (Islândia)
    • Hekla  (Islândia)
    • Kick-'em-Jenny  (Granada)
    • Kilauea  (Havai, EUA)
    • Vulcão das Furnas  (Ilha de São Miguel, Açores, Portugal)
    • Kluchevskaya  (Kamchatka, Rússia)
    • Krakatoa  (Rakata, Indonésia)
    • Mauna Kea  (Havai, EUA)
    • Mauna Loa  (Havai, EUA)
    • El Misti  (Arequipa, Perú)
    • Novarupta  (Alaska, EUA)
    • Pico  (Ilha do Pico, Açores, Portugal)
    • Paricutín  (Michoacán, México)
    • Monte Pinatubo  (Flilipinas)
    • Popocatépetl  (Mexico-Puebla, México)
    • Santorini  (Santorini, Grécia)
    • Vulcão de Soufriere  (Montserrat)
    • Monte Rainier  (Washington, EUA)
    • Vulcão do Fogo  (Ilha de São Miguel, Açores, Portugal)
    • Monte Shasta  (California, EUA)
    • Monte Santa Helena  (Washington, EUA)
    • Surtsey  (Islândia)
    • Tambora  (Sumbawa, Indonésia)
    • Teide  (Tenerife, Ilhas Canárias, Espanha)
    • White Island  (Baía de Plenty, Nova Zelândia)
    • Monte Vesúvio  (Baía de Nápoles, Itália)
       
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Terça-feira, 26 de Julho de 2005

Energia geotérmica

 
O que é


Podemos definir a energia geotérmica como o calor proveniente da Terra, mais precisamente do seu interior.
Devido à necessidade de se obter energia eléctrica de uma maneira mais limpa e em quantidades cada vez maiores, foi desenvolvido um modo de aproveitar esse calor para a geração de electricidade, tão importante no mundo em que vivemos actualmente. Hoje a grande parte da energia eléctrica provém da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, métodos esses muito poluentes.

Para que possamos entender como é aproveitada a energia do calor da Terra devemos primeiramente entender como o  nosso planeta é constituído. Como já é sabido por todos, a Terra é formada por grandes placas, que nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas.

Histórico

A primeira tentativa para gerar electricidade de fontes geotérmicas ocorreu em 1904 em Larderello na região da Toscana, Itália. Contudo, esforços para produzir uma Central para aproveitar tais fontes foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas sofreram destruição devido à presença de substâncias químicas contidas no vapor. Porém, em 1913 uma estação de 250 kW foi construída com sucesso e por volta da Segunda Guerra Mundial 100 MW estavam sendo produzidos, mas a Central acabou por ser destruída na guerra.

O campo de géiseres na Califórnia estava a produzir 500 MW de electricidade em 1970. A exploração desse campo foi dramática, pois em 1960 somente 12 MW eram produzidos e em 1963 somente 25 MW. México, Japão, Filipinas, Kenia e Islândia também tem expandido a produção de electricidade por meio geotérmico.

Na Nova Zelândia o campo de gases de Wairakei, nas ilhas do Norte, foram desenvolvidos por volta de 1950. Em 1964, 192 MW estavam a ser produzidos, mas hoje em dia este campo está a acabar.

Formas de Energia Geotérmica

Pedra seca quente

Quando não existem géiseres e as condições são favoráveis, é possível "estimular" o aquecimento da água usando o calor do interior da Terra. Uma experiência realizada em Los Alamos, Califórnia, provou a possibilidade de execução deste tipo de Centrais.

Em terreno propício foram perfurados dois poços vizinhos, distantes 35 metros lateralmente e 360 metros verticalmente, de modo que eles alcancem uma camada de rocha quente. Num dos poços é injectada água, ela aquece-se na rocha e é expelida pelo outro poço, onde há uma estação geotérmica instalada. A experiência de Los Alamos é apenas um projecto piloto e não gera energia para uso comercial. A previsão de duração desse campo geotérmico é de dez anos.

Também é possível perfurar um poço para que ele alcance uma "caldeira" naturalmente formada por um depósito de água aquecido pelo calor terrestre. A partir daí, a energia eléctrica é gerada como em todos os outros casos.

Vapor seco

Em casos raríssimos pode ser encontrada aquilo a que os cientistas chamam de fonte de "vapor seco", em que a pressão é alta, o suficiente para movimentar as turbinas da Central com excepcional força, sendo assim uma fonte eficiente de geração de electricidade. São encontradas fontes de vapor seco em Larderello, na Itália e em Cerro Prieto, no México.

Vapor húmido misto

Algumas vezes podemos conferir o afloramento de verdadeiras fontes de água quente, vindas de zonas profundas e muito quentes da Terra. Essas fontes são chamadas géiseres. Quando o géiser apresenta alta pressão e alta temperatura, pode-se aproveitá-lo para a geração de electricidade praticamente do mesmo modo que numa Central Termoeléctrica.

Nela, a água é aquecida de forma a transformar-se  em vapor e movimentar uma turbina, que por sua vez, converte o movimento (energia mecânica),  em energia eléctrica. Só que no caso de uma central geotérmica que aproveita o géiser, o aquecimento da água é feito naturalmente.

A forma de energia geotérmica presente nos géiseres é chamada tecnicamente de "vapor húmido misto", pois junto com o vapor de água encontram-se vários minerais e metais, que acabam por tornar a geração de electricidade nessas fontes um tanto caras, já que os metais e minerais acabam por corroer as turbinas, e, se não ocorrer um tratamento adequado, os metais podem contaminar fontes de água utilizadas pelo homem. Esse tipo de fonte é também desinteressante pois a pressão não é alta o suficiente para gerar grandes quantidades de energia eléctrica.

Em Portugal, nos Açores, a natureza, com impetuosas manifestações das forças do interior da terra, gera fumarolas, géiseres, lamas ferventes e fontes termais.

No Brasil são encontradas apenas fontes de água pouco aquecidas, como em Poços de Caldas e Araxá, Minas Gerais. Lá e em outras localidades são encontradas fontes termais que atingem uma temperatura máxima de  50ºC  e não se prestam à geração de energia, mas as suas propriedades medicinais são aproveitadas.

O Meio Ambiente

Aproximadamente todos os fluxos de água geotérmicos contém gases dissolvidos, sendo que estes gases são enviados à central de geração de energia junto com o vapor de água. De um jeito ou de outro estes gases acabam por subir para a atmosfera. A descarga de ambos, vapor de água e CO2,  não são significantes na escala apropriada das centrais geotérmicas.

Por outro lado, o odor desagradável, a natureza corrosiva, e as propriedades nocivas do H2S são causas que preocupam. Nos casos onde a concentração de H2S é relativamente baixa, o cheiro de ovo podre do gás causa náuseas. Em concentrações mais altas pode causar sérios problemas de saúde e até a morte por paralisia respiratória.

É igualmente importante que haja tratamento adequado da água vinda do interior da Terra, que invariavelmente contém minérios prejudiciais à saúde. Não deve ocorrer simplesmente o seu despejo em rios locais, para que isso não prejudique a fauna local.

Quando uma grande quantidade de fluido aquoso é retirada da terra, há sempre a oportunidade de ocorrer um "deslizamento". O mais drástico exemplo de um problema desse tipo numa central geotérmica está em Wairakei, Nova Zelândia. A fenda está em 7,6 metros e está crescendo a uma taxa de 0,4 metros por ano. Acredita-se que o problema pode ser atenuado com re-injecção de água no local.

Há ainda o inconveniente da poluição sonora que afligiria toda a população vizinha ao local de instalação da Central.  Afinal, para a perfuração do poço é necessário o uso de maquinaria semelhante à usada na perfuração de poços de petróleo, que são conhecidamente barulhentos.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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Domingo, 20 de Fevereiro de 2005

Vitorino Nemésio

 
Nasceu em 19 de Dezembro de 1901
Faleceu em 20 de Fevereiro de 1978
 

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Cronologia

 
1901
 - A 19 de Dezembro, nasce Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores.

1912 -  Inicia os estudos secundários no liceu de Angra do Heroísmo.

1916 - Colabora no «Eco Académico». Semanário dos Alunos do Liceu de Angra, desde o n.º 2 (13 de Fevereiro). Funda e dirige «Estrela d'Alva». Revista Literária Ilustrada e Noticiosa, também em Angra do Heroísmo.

1918 - Conclui na Horta (Faial) o 5.º ano do liceu.

1919 -  Inicia o serviço militar, como voluntário, em Infantaria, o que lhe proporciona a primeira viagem a Lisboa.

1921 -  Em Lisboa, é redactor dos jornais «A Pátria» e «A Imprensa de Lisboa» e do «Última Hora».

1922 -  Conclui o liceu em Coimbra e inscreve-se na Faculdade de Direito. Trabalha como revisor na Imprensa da Universidade.

1923 -  Ingressa na Maçonaria, na loja Revolta, de Coimbra. Morte do pai, a 7 de Abril. Colaboração na revista «Bizâncio», de Coimbra. Primeira viagem a Espanha, com o Orfeão Académico: em Salamanca conhece Unamuno.

1924 -  Abandona o curso de Direito e matricula-se na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Geográficas. Com Afonso Duarte, António de Sousa, Branquinho da Fonseca, Gaspar Simões e outros, funda a revista «Tríptico».

1925 -  Opta definitivamente pelo curso de Filologia Românica. Surge o jornal «Humanidade». Quinzenário de Estudantes de Coimbra, de que é redactor principal Vitorino Nemésio. Colaboram, entre outros, José Régio, João Gaspar Simões e António de Sousa.

1926 -  A 12 de Fevereiro, casa com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, de quem terá quatro filhos, a primeira das quais, Georgina, nasce em Novembro.

1927 -  Funda e dirige, com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, «Gente Nova». Jornal Republicano Académico.

1928 -  Passa a colaborar na revista «Seara Nova».

1929 -  Início de correspondência com Miguel de Unamuno.

1930 -  Nemésio colabora na «presença» (n.º 27, Junho-Julho, e 29, Novembro-Dezembro), com textos poéticos. Em Outubro transfere-se para a Faculdade de Letras de Lisboa. Começa a pesquisa sobre Herculano que o ocupará ao longo da vida.

1931 -  Licencia-se na Faculdade de Letras de Lisboa, após o que inicia ali o magistério, lecionando Literatura Italiana.

1933 -  Começa a leccionar Literatura Espanhola (a par da Italiana) em Lisboa, na Faculdade de Letras.

1934 -  Passa por Salamanca para se encontrar pessoalmente com Unamuno. Início de correspondência com Valery Larbaud. Inicia o desempenho das funções de chargé de cours na Universidade de Montpellier. Larbaud lerá os poemas franceses de Nemésio e proporcionar-lhe-á a chancela de um editor parisiense (Corrêa). Doutoramento em Letras, em Outubro, com A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

1935 -  Colabora no jornal «O Diabo» com vários poemas.

1936 -  Concorre a Professor Auxiliar da Faculdade de Letras.

1937 -  Funda e dirige, em Coimbra, a «Revista de Portugal» (n.º 1, Outubro), em cujo editorial, não assinado, se afirma: "Não vamos traçar nenhum programa. O nosso melhor programa seriam vinte ou trinta anos de vida e de realizações de cultura universal e portuguesa." Radica-se na Bélgica e na Universidade Livre de Bruxelas lecciona, durante dois anos.

1939 -  O n.º 7 (Abril) da «Revista de Portugal» publica o primeiro fragmento do romance que virá a ter o título Mau Tempo no Canal ("Um ciclone nas Ilhas"). Regressa a Portugal, para ensinar na Faculdade de Letras de Lisboa.

1940 -  Concorre ao lugar de Professor Catedrático da Universidade de Lisboa.

1941 -  Colabora com um poema nos «Cadernos de Poesia».

1942 -  Colabora na revista de António Pedro, «Variante», e na de Ruy Cinatti, «Aventura».

1944 -  É editada a primeira edição de Mau Tempo no Canal. Colabora na revista de Carlos Queiroz, «Litoral» (n.º 1, Junho).

1945 -  O Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências é atribuído a Mau Tempo no Canal.

1946 - É colaborador regular no «Diário Popular», com uma secção intitulada "Leitura Semanal".

1947 - Colabora na revista «Vértice» ("Arquipélago dos Picapaus", vol. IV, n.º 52, Novembro-Dezembro).

1952 -  Primeira viagem ao Brasil, que se tornará um destino frequente para Nemésio. Dela resultam os primeiros estudos, crónicas e poemas brasileiros.

1955 -  Viagem aos Açores, em Maio.

1956 -  É Director, até 1958, da Faculdade de Letras de Lisboa, onde fora secretário de 1944 a 47.

1958 -  Lecciona no Brasil (Baía, Ceará, Rio de Janeiro, etc.).

1960 -  Intervém na reforma dos planos de estudos das Faculdades de Letras então projectada. Viagem a África, relacionada com os cursos de extensão universitária em Luanda e Lourenço Marques.

1963 -  Efectua uma viagem à Holanda. É eleito sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa.

1965 -  Preside à Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente, redigindo parte do programa das comemorações. Nova viagem ao Brasil. A Universidade Paul Valery, de Montpellier, doutora honoris causa o seu antigo leitor. Recebe o Prémio Nacional de Literatura pelo conjunto da obra.

1966 -  A Biblioteca e Arquivo Distrital de Angra comemora os "50 Anos da Vida Literária de Vitorino Nemésio" com uma exposição bibliográfica e a realização de conferências.

1969 -  Inicia uma colaboração regular na RTP, com o programa "Se bem me lembro", que o imporá como figura ímpar em matéria de comunicação audio-visual.

1970 -  Inaugura as comemorações do centenário da Geração de 70 no Centro Cultural Português de Paris, da Fundação Calouste Gulbenkian.

1971 -  A partir de Fevereiro, colabora regularmente na revista «Observador». A 12 de Dezembo, profere a sua "Última lição" na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quarente anos.

1974 -  Recebe o Prémio Montagine, da Fundação Freiherr von Stein/Friedrich von Schiller, de Hamburgo. A Bertrand lança a primeira colectânea de estudos sobre a obra de Nemésio.

1975 -  Colabora na Homenagem ao Prof. Aurélio Quintanilha, a quem dedicará Limite de Idade. A 11 de Dezembro, assume a direcção do jornal «O Dia».

1977 -  Coordenador nacional do centenário de Herculano.

1978A 20 de Fevereiro, morre em Lisboa, no Hospital da CUF, e será sepultado em Coimbra, no cemitério de Santo António dos Olivais. 
Pouco antes de morrer, Nemésio pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.
Publica-se o primeiro estudo em livro que lhe é exclusivamente consagrado: Vitorino Nemésio, a Obra e o Homem, de José Martins Garcia.
 
António Valdemar
Diário de Notícias, 16 de Dezembro de 2001


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Um poema:

 
A concha
 
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
 
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
 
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
 
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
 
                   Vitorino Nemésio
 

Publicado por: Praia da Claridade às 01:04
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005

Recordando ALMEIDA GARRETT


Almeida_Garrett.jpg

Almeida Garrett

- João Baptista da Silva Leitão -


 

Cronologia:

 

1799 - João Baptista da Silva Leitão, nasce a 4 de Fevereiro no Porto.

1804-08 - Infância repartida pela Quinta do Castelo e a do Sardão, em Vila Nova de Gaia.

1809-16 - Partida da família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Primeiras incursões literárias, sob o pseudónimo de Josino Duriense.

1818-20 - Matricula-se na Universidade de Coimbra, em Leis. Lê os escritores das Luzes e os primeiros românticos. Funda, em 1817, uma loja maçónica. Em 1818, primeira versão de "O Retrato de Vénus", que será acusada como sendo "materialista, ateu e imoral". Participa na Revolução vintista. Vem para Lisboa.

1822 - Dirige, com Luís Francisco Midosi, "'O Toucador', periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas". Casa com Luísa Midosi: Garrett tem 23 anos, ela 14...

1823-27 - Com a Vilafrancada, é preso no Limoeiro. Vai para o primeiro exílio em Inglaterra, Birmingham. Vive numa precária subsistência. Em 1824, está em França, no Havre. Escreve "Camões" e "Dona Branca". Em Dezembro, fica desempregado. Com a morte de D. João VI, em 1826, é amnistiado mas só regressa a Portugal depois da outorga régia da Carta Constitucional por D. Pedro.

1828 - D. Miguel regressa a Portugal. Garrett, que vê morrer uma sua filha recém-nascida, parte para o segundo exílio, em Inglaterra, Plymouth. Começa a escrever a "Lírica de João Mínimo".

1829 - Em Londres, é secretário de Palmela no governo exilado.

1830-31 - Edita o violento panfleto "Carta de Múcio Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal em português", numa época marcada por duas crises de saúde graves.

1832 - Um ano de fogo: ao lado de Herculano e Joaquim António de Aguiar, parte em Janeiro, com a expedição de D. Pedro, integrando o corpo académico de voluntários. É o praça nº 72. Em Maio, é chamado para a secretaria do Reino junto de Mouzinho da Silveira, ministro da regência em S. Miguel. Integra em Junho a expedição que desembarca nas praias do Mindelo a 8 de Julho e, a 9, entra no Porto. Começa "O Arco de Santana". É reintegrado por Palmela e é nomeado por Mouzinho da Silveira para coordenar o Código Criminal e Comercial. É encarregue de várias missões diplomáticas, dissolvidas em 1993. Desabafa: "Se não sou exilado ou proscrito, não sei o que sou."

1833 - Regresso a Lisboa, depois de saber da entrada das tropas liberais. Secretário da comissão de reforma geral dos estudos cujo projecto de lei inteiramente redige.

1834 - Cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica. Lê os grandes românticos alemães: Herder, Schiller e Goethe.

1835-40 - Separa-se da mulher por comum acordo. As nomeações, demissões e rejeição de cargos continua. Em 1836, colabora com o governo setembrista. Apresenta o projecto de criação do Teatro D. Maria II. Em 1837, é deputado por Braga, para as Cortes Constituintes. Em Novembro, nasce o primeiro filho de Adelaide Pastor - com quem começara a viver -, Nuno, que morre com pouco mais de um ano. 1838: enquanto continua a redigir leis, escreve "Um Auto de Gil Vicente". É nomeado cronista-mor do reino. Nasce o segundo filho de Adelaide, que também morrerá. Em 1840, é eleito por Lisboa e Angra na nova legislatura

1841-42 - Nascimento da sua filha Maria e morte de Adelaide Pastor com apenas 22 anos. Com a assinatura de Joaquim António de Aguiar (!), é demitido dos cargos de inspector dos teatros, de presidente do conservatório e de cronista-mor.

Em 1842, é eleito deputado e entra nas Cortes. Publica "O Alfageme de Santarém".

1843 - 17 de Julho: inicia a celebérrima viagem ao vale de Santarém que na está na origem de "As Viagens da Minha Terra". Escreve a sua outra obra-prima: "Frei Luís de Sousa".

1844 - Publica anonimamente uma autobiografia na revista "Universo Pitoresco". No Parlamento, reclama a reforma da Carta Constitucional e revela-se contra a pena de morte. Por ocasião dos acontecimentos de Torres Novas e das posições que defende, a sua própria casa é por três vezes assaltada e devassada pela polícia. Salvo de prisão certa e deportação, graças à imunidade diplomática que lhe concede o acolhimento do embaixador brasileiro. Morre nos Açores a única irmã, Maria Amália.

1845 - Aparece em capítulos, em Junho, na "Revista Universal Lisbonense", "Viagens na Minha Terra". É representada "Falar Verdade a Mentir", enquanto outra, "As Profecias do Bandarra" se estreia. Envolve-se na campanha eleitoral da oposição ao cabralismo. Morre outro irmão, Joaquim António.

1846 - Publica "Viagens na Minha Terra". Conhece Rosa Montufar, com quem tem uma ligação amorosa que se prolongará até ao ano da sua morte.

1847-50 - Anda escondido no auge dos episódios da Patuleia. Com o regresso de Costa Cabral ao executivo, é remetido ao ostracismo político. No ano seguinte, é representado "A Comédia do Marquês". Em 1849, desgostoso de amores, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, à Ajuda. A política passa-lhe ao lado e cultiva a vida dos salões lisboetas. Protesta contra o projecto de lei de imprensa, a designada "lei das rolhas". Dedica-se com regularidade à compilação final do seu "Romanceiro".

1851-53 - Volta, intensamente, à vida política com o advento da Regeneração. Visconde - que pretende aceitar em duas vidas -, chegou a ministro, por cinco meses. Está na reforma da Academia Real das Ciências, redige o primeiro Acto Adicional à Carta, que discute na própria casa com os ministros. Em 1953, é criado um conselho dramático no D. Maria II, por decreto de 22 de Setembro, foi seu presidente, demitindo-se a pedido dos actores e dramaturgos. Começa a escrever o testamento.

1854 - Numa casa na Rua de Santa Isabel, morre, vítima de cancro de origem hepática. O seu biógrafo Francisco Gomes de Amorim escreve: "Eram seis horas e vinte e cinco minutos da tarde de sábado nove de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e quatro."

Fonte:

 
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GARRETT
também tem o seu nome na toponímia figueirense,
próximo do famoso Palácio Sotto Mayor,
mandado edificar por Joaquim Sotto-Mayor, no início do século XX. Constitui uma luxuosa vivenda de estilo francês, com fachada sumptuosa, integrando-se em amplo espaço verde.
Localização: Rua Joaquim Sotto Mayor.
Figueira da Foz
 

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Por BÁRBARA REISCOM AIDA LIMA, Joana Gorjão Henriques, Pedro Quedas e Sofia Gonçalves
Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2004 in JornalPúblico

 
Garrett, o homem que inventou o português moderno e muito mais...

Tem ruas, praças e avenidas com o seu nome por todo o país, e ainda faz parte das leituras obrigatórias do ensino secundário. Todos, aliás, lhe conhecemos o retrato "oficial": cabelo ondulado, barba oval e estreita que mal cobre o rosto, e todo muito composto - é sabido que era vaidoso e passava horas a arranjar-se, tantas as pequenas almofadas que distribuía pelo corpo para ficar mais elegante.

Mas o que resta, hoje, de Almeida Garrett, 150 anos depois da sua morte?

Garrett só viveu 54 anos mas fez centenas de coisas: foi escritor, deputado, ministro, tribuno, Cronista-Mor do Reino e actor; fundou vários jornais, o Teatro Nacional D. Maria II e co-fundou o Grémio Literário; escreveu peças de teatro, poesia, romances e leis nacionais (da Constituição Setembrista de 1838, à chamada reforma do ensino de Passos Manuel ou a lei da propriedade literária); foi um quase-etnólogo que registou séculos de literatura popular oral; escreveu o que alguns estudiosos consideram ser "a primeira descrição do acto sexual" na literatura portuguesa (em "O Arco de Sant'Ana", quando Ester sonha que é violada pelo futuro bispo); desembarcou em 1832 nas praias do Mindelo, ao pé do Porto, com farda e arma, ao lado do exército liberal de D. Pedro IV para lutar contra as tropas miguelistas; escreveu folhetos políticos incendiários, viveu a "utopia das soluções populares", e morreu visconde.
 

Obras de
Almeida Garrett
 
Viagens na Minha Terra
Frei Luís de Sousa
Folhas Caídas
Falar Verdade a Mentir
Flores sem Fruto
Dona Branca
Camões
Tio Simplício
Lírica de João Mínimo
O Arco de Sant'Ana
O Alfageme de Santarém
Mérope
Helena
Memórias Biográficas
Um Auto de Gil Vicente
Adosinda
Fábulas e Contos
Romanceiro
Catão
D. Filipa de Vilhena

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