Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

05
Mar06

O Sonho

Praia da Claridade
O sonho é uma experiência de imaginação do inconsciente durante o nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebés no útero têm sono REM (movimentos rápidos do olhos) e sonham, não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e na Bíblia Sagrada, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios. José, o sonhador, é a figura que dá maior destaque ao sonho na Bíblia.

Mas foi em 1900, com a publicação de Interpretação de Sonhos, que Sigmund Freud (1856-1939) deu um carácter científico à matéria. Naquele polémico livro, Freud aproveita o que já havia sido publicado anteriormente e faz investidas completamente novas, definindo o conteúdo do sonho como “realização dos desejos”. Para o pai da psicanálise, no enredo onírico há o sentido manifesto (a fachada) e o sentido latente (o significado), este último realmente importante. A fachada seria um despiste do super-ego (o sensor da psique, que escolhe o que se torna consciente ou não dos conteúdos inconscientes), enquanto o sentido latente, por meio da interpretação simbólica, revelaria o desejo do sonhador por trás dos aparentes absurdos da narrativa.

Carl Jung (1875-1961), que leu a Interpretação dos Sonhos e ficou bastante entusiasmado com o assunto, tornou mais abrangente o papel dos sonhos, que não seriam apenas reveladores de desejos ocultos, mas, sim, uma ferramenta da psique que busca o equilíbrio por meio da compensação. Ou seja, alguém masculinizado pode sonhar com figuras femininas que tentam demonstrar ao sonhador a necessidade de uma mudança de atitude. Na busca pelo equilíbrio, personagens arquetípicas interagem nos sonhos num conflito que buscam levar ao consciente conteúdos do inconsciente. Entre essas personagens, estão a anima (força feminina na psique dos homens), o animus (força masculina na psique das mulheres) e a sombra (força que se alimenta dos aspectos não aceites de nossa personalidade). Esta última, nos sonhos, são os vilões. Um aspecto muito importante em se atentar nos sonhos, segundo a linha junguiana, é saber como o sonhador, o protagonista no sonho (que representa o ego) lida com as forças malignas (a sombra), para se averiguar como, na vida desperta, a pessoa lida com as adversidades, a autoridade e a oposição de ideias. Jung aponta os sonhos como forças naturais que auxiliam o ser humano no processo de individuação (acto ou efeito de individuar).

Ao contrário de Freud, as situações absurdas dos sonhos, para Jung, não seriam uma fachada, mas a forma própria do inconsciente de se expressar. Para o mestre suíço, há os sonhos comuns e os arquetípicos, revestidos de grande poder revelador para quem sonha. A interpretação de sonhos é uma ferramenta crucial para a psicologia analítica, desenvolvida por Jung.

Há, claro, outras correntes, que vêem o sonho de modo diverso. Os neuro-cientistas, de modo geral, afirmam que o sonho é apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem. Essa teoria só não explica como esses enredos supostamente desconexos são responsáveis por grandes insigths, como em Thomas Edson, por exemplo. Edson, que estava a desenvolver o fonógrafo e dormia muito pouco. Certa vez sonhou com a manivela, finalizando o seu projecto em 1877. O beatle Paul McCartney sonhou com uma melodia, acordou, foi para o piano e compôs “Yesterday”, um dos maiores clássicos de todos os tempos. Há muitos outros casos de sonhos reveladores em várias áreas da ciência e da arte. O que não impede que os sonhos sirvam também para recuperar a saúde do organismo e do cérebro.

Já sobre os polémicos sonhos premonitórios, Jung observa que o inconsciente, bem mais antigo que a consciência, tem os seus próprios meios de interpretar a realidade e, muitas vezes, algo que ainda se vai tornar consciente já existe inconscientemente. Os sonhos, portanto, às vezes “vazam” a informação para a consciência, o que dá a impressão de ter havido uma antevisão. A ciência discute cada vez mais seriamente a questão do espaço-tempo e o rompimento das dimensões. Não se sabe se, através do sonho, é possível ter acesso a conteúdos de um outro espaço temporário.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 

9 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2005
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D