Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2006

O Estado Português da Índia


O Estado da Índia, também conhecido por Índia Portuguesa, designa o grupo de territórios ocupados por Portugal na Índia, à época do Império Português. Quando se deu a independência da Índia em 1947, Portugal detinha os direitos sobre vários enclaves na costa indiana, cuja posse datava da época dos Descobrimentos, logo após a ligação marítima ter sido estabelecida por Vasco da Gama. Entre estes territórios, incluíam-se:

  • Goa
  • Damão
  • Diu
  • Dadrá e Nagar Haveli, um exclave de Damão bem no coração do Gujarat.

Muitas vezes a Índia Portuguesa é referida como apenas Goa, já que esta foi, durante anos, a principal praça comercial.

História

O primeiro contacto português com a Índia deu-se a 20 de Maio de 1498, quando Vasco da Gama aportou em Calecute (actual Kozhikode). Após alguns conflitos com os mercadores árabes (que detinham o monopólio das especiarias, através de rotas terrestres, Vasco da Gama conseguiu assegurar uma carta de concessão para as trocas comerciais com o Samorim, o governador de Calecute. Aí deixou alguns portugueses para estabelecerem um porto comercial.

Em 1510, o almirante Afonso de Albuquerque derrotou os sultões de Bijapur, numa disputa entre a soberania do território de Timayya, o que levaria ao estabelecimento dos portugueses na Velha Goa. Goa tornava-se, assim, o centro do governo da Índia, e o local de residência para o vice-rei da Índia.

Entretanto, os portugueses conquistavam vários territórios ao sultões de Gujarat: Damão (ocupado em 1531, formalmente cedido em 1539), Salsette, Bombaim e Baçaim (ocupado a 1534) e Diu (cedido em 1535). Estas possessões tornaram-se na província do Norte do Estado da Índia, estendendo-se por 100km de costa desde Damão a Chaul. A província era governada a partir da fortaleza de Chaul. Bombaim seria cedida ao Reino Unido em 1661 como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. A maioria da província foi, entretanto, perdida para os Maratha até 1739 e Portugal apoderava-se de Dadrá e Nagar-Haveli em 1779.

Após a independência dos britânicos, em 1947, Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir das possessões. No entanto, a atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que entretanto se pronunciou a favor da Índia.

Em 1954, Portugal perdia os primeiros territórios ultramarinos: Dadrá e Nagar-Haveli. A Índia proibiu Portugal de deslocar militares para a sua defesa, e anexou os enclaves em Agosto de 1961. Em Dezembro de 1961, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. No entanto, Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios, mantendo-os representados na Assembleia da República até 1974, altura em que se deu a Revolução dos Cravos. A partir de então, Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia, começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado Português da Índia. No entanto, foi dado a escolher a cidadania portuguesa aos seus habitantes.


Goa é uma cidade e estado da Índia, situado na sua costa ocidental. É um dos mais pequenos estados em território e população, e mais rico em PIB por pessoa da Índia. Goa a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido tomada pela União Indiana em 1961.

A primeira referência a Goa data de cerca de 2200 a.C., em escrita cuneiforme da Suméria, onde é chamada Gubio. Formada por povos de diferentes etnias da Índia, a influência dos sumérios aparece no primeiro sistema de medidas da região.

Por volta de 1775 a.C. os fenícios estabeleceram-se em Goa.

No período védico tardio (1000-500 a.C.) é chamada, em sânscrito, Gomantak, que significa "terra semelhante ao paraíso, fértil e com águas boas". O Mahabharata conta que os primeiros arianos que chegaram a Goa eram fugitivos da extinção, pela seca, do rio Saraswati, noventa e seis famílias que chegaram por volta de 1000 a.C. A eles se uniram os Kundbis vindos do Sul, para, durante 250 anos, resgatar solo do mar, aumentando o espaço fértil entre este e as montanhas.

Cerca de 200 a.C. Goa tornou-se a fronteira sul do império de Ashoka: os dravidianos tinham sido empurrados para o sul pelos arianos, como refere a Geografia  de Strabo. Por volta de 530-550, Goa é citada como um dos melhores portos do Industão, sendo chamada de Sindabur (Chandrapur) ou Buvah-Sindabur pelos árabes e turcos. Depois do império Maurya (321-185 a.C.) Goa foi disputada por vários impérios em batalhas sangrentas. Por volta do século X Goa, então concentrada em torno do rio Zuari, prosperou pelo comércio com os árabes.

Em 1347 caiu sob domínio islâmico, e muitos templos a deuses hindus foram destruídos.

Em 1510 Afonso de Albuquerque, ajudado por um chefe hindu, tomou Goa dos árabes, que se renderam sem combate, por o sultão se achar em guerra com o Decão. Goa foi cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. Os muçulmanos da região foram rechaçados, e em 1453 um quinto da região estava sob domínio português, recebendo o nome de Velhas Conquistas.

A decadência do porto de Goa no século XVII foi consequência das derrotas militares dos portugueses para os holandeses, no oriente, que tornam o Brasil o centro económico de Portugal. Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-8 e 1802-13) e poucas outras ameaças externas após este período.

Durante o domínio britânico na Índia, muitos habitantes de Goa emigraram para Mumbai, Calcutá, Puna, Karachi e outras cidades. O isolamento de Goa diminuiu com as vias férreas a partir de 1881, mas a emigração em busca de melhores oportunidades económicas aumentou.

Em 1900 Goa teve seu primeiro jornal bilingue gujarati-português.

Os ingleses deixaram a Índia em 1947, os franceses deixaram Pondicherri em 1954, mas o governo de Salazar recusou-se a negociar com a Índia. Em 1961 o exército indiano invadiu Goa, encontrando pouca resistência.


Damão é uma ex-colónia portuguesa, cidade e sede dos distrito do antigo Estado Português da Índia. Foi ocupado pela Índia em 1961.

Situada na costa do golfo de Cambaia, era um dos três concelhos que constituíam o distrito. Nagar-Aveli e Dradá (enclaves no território indiano) eram os outros dois concelhos de Damão.

O primeiro contacto dos Portugueses com Damão deu-se em 1523, quando chegaram ali os navios de Diogo de Melo. Em 1534, o vice-Rei D. Nuno da Cunha enviou António Silveira arrasar os baluartes mouriscos de Damão, por saber que se situavam ali os estaleiros e as demais instalações necessárias ao apetrechamento das frotas maometanas que vinham dar combate às armadas portuguesas. Também seria enviado a Damão o capitão-mor Martim Afonso de Sousa, para bombardear e destruir as fortificações mouriscas. Mas só em 1559 viria a ser definitivamente tomada a cidade de Damão, pelo vice-Rei D. Constantino de Bragança. Sucessos e insucessos das guerras locais, em que se destacam as lutas contra os sidis  (mercenários abissínios) e com os maratas, levaram à perda de territórios de Baçaim, no antigo reino de Cambaia. Nas mãos dos portugueses, desde as lutas do rei de Cambaia com os mogores, Baçaim passará para a posse dos maratas em 1739. E, no ano seguinte, será a vez de Chaúl cair em poder dos mesmos maratas. Entretanto, muitas vilas e aldeias serão perdidas pelos Portugueses, até que, pelo auxílio militar que estes deram a Madeva Pradan, detentor do trono, contra o príncipe Ragobá que, aliado aos ingleses, pretendia derrubar o peshwá  e ocupar o seu lugar, Portugal receberia, pelo Tratado de 1780, como restituição, 72 aldeias correspondentes a territórios outrora perdidos. E com essas aldeias se formaram os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli.

Em 18 de Dezembro de 1961, o distrito português de Damão foi invadido e ocupado pelas tropas da União Indiana e incorporado no actual território de Damão e Diu.


Diu (antigamente também se escrevia Dio), cidade e sede de Distrito do antigo Estado Português da Índia, foi uma ex-colónia portuguesa. Foi ocupada pela Índia em 1961.

Distribuía-se pelas penínsulas de Guzerate e de Gogolá e pela Ilha de Diu (separada da península por um estreito rio denominado Chassis e que mais propriamente pode ser considerado um estreito braço de mar). Diu era uma cidade de grande movimento comercial quando os portugueses chegaram à Índia. Em 1513, tentaram os portugueses estabelecer ali uma feitoria, mas as negociações não tiveram êxito.

Em 1531 não foi bem sucedida a tentativa de conquista levada a efeito por D. Nuno da Cunha. E, afinal, Diu veio a ser oferecida aos portugueses em 1535 como recompensa pela ajuda militar que estes deram ao sultão do Gujarat, Bahadur Shá, contra o Grão-Mogol de Deli. Assim, cobiçada desde os tempos de Tristão da Cunha e de Afonso de Albuquerque, e depois das tentativas fracassadas de Diogo Lopes Sequeira, em 1521, de Nuno da Cunha em 1523, Diu foi oferecida aos portugueses, que logo transformaram a velha fortaleza em castelo português.

Arrependido da sua generosidade, Bahadur Shá pretendeu reaver Diu, mas foi vencido e morto pelos portugueses, seguindo-se um período de guerra entre estes e a gente do Gujarat que, em 1538, veio pôr cerco a Diu. Coja Sofar, senhor da Cambaia, aliado aos turcos de Sulimão Paxá, tendo, então, deparado com a heróica resistência de António Silveira. Um segundo cerco será depois imposto a Diu, pelo mesmo Coja Sofar, em 1546, saindo vencedores os portugueses, comandados em terra por D. João da Silveira e, no mar, por D. João de Castro. Pereceram nesta luta o próprio Coja Sofar e D. Fernando de Castro (filho do vice-Rei português).

Depois deste segundo cerco, Diu foi de tal modo fortificada que pôde resistir, mais tarde, aos ataques dos árabes de Mascate e dos Holandeses (nos finais do século XVII). A partir do século XVIII, declinou a importância estratégica de Diu, que veio a ficar reduzida a museu ou marco histórico da sua grandeza comercial e estratégica de antigo baluarte nas lutas entre as forças islâmicas do Oriente e as cristãs do Ocidente.

Diu permaneceu na posse dos portugueses desde 1535 até 1961, vindo a cair na posso das tropas da União Indiana, que invadiram todo o antigo Estado Português da Índia, no tempo do pacifista Nehru.


Dadrá e Nagar-Aveli (em inglês, Dadra and Nagar Haveli) são territórios da Índia. Pertenceu, até 1954 ao Império Português, tendo sido a primeira colónia a desmembrar-se do Império pela ocupação da União Indiana.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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1 comentário:
De Anónimo a 17 de Fevereiro de 2006 às 12:52
Não podia ser mais completo este artigo sobre as nossas antigas possessões na Índia. Sempre tive um carinho especial por estas nossas "colónias" porque conheci muita gente de lá, ligada por casamento a parentes meus. E todos eles se sentiam bem portugueses! Quando em 1961 se quebrou o último laço da India com Portugal, tive ainda o desgosto de perder naquela batalha o meu primo e amigo de infância de Alenquer, Jorge Manuel de Oliveira e Carmo, de quem vocês, a geração mais nova, já não deve ter lembrança.
Por tudo isto gostei muito do teu artigo.Luisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


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