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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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10
Out05

Tritão - a maior lua de Neptuno

Praia da Claridade

TRITAO.jpg



Tritão é a maior lua (satélite) de Neptuno, sendo maior que o planeta Plutão. Tritão é um dos objectos mais frios do sistema solar, possuindo vulcões gelados, uma espécie de géisers, que lançam materiais gelados verticalmente.

Tritão percorre a sua órbita no sentido oposto à órbita de Neptuno, presumindo-se que seja um objecto capturado da Cintura de Kuiper. Dentro de 1400 a 3600 milhões de anos, cálculos indicam que a órbita de Tritão diminuirá em tamanho progressivamente, o que poderá resultar que Tritão se quebre numa grande aproximação a Neptuno, formando um anel à volta do planeta ou, num choque colossal, atingir Neptuno.

Mitologia

Tritão (do grego Τρίτων) provém do nome do deus do mar, filho de Poséidon (Neptuno), na mitologia grega. Este nome foi proposto por Camille Flammarion em 1880. O nome Tritão também foi proposto por outros, mas mesmo em 1939, o nome não era genericamente utilizado. Na literatura científica era apenas referido como "o satélite de Neptuno". Estranhamente, as referências a Tritão no final do século XIX e princípios do século XX são para o nome de um suposto canal em Marte.

Talvez seja estranho que Lassell, o descobridor, não tenha dado o nome à lua que descobriu, já que ele deu o nome às suas outras descobertas feitas uns anos mais tarde, Hipérion em Saturno, e a terceira e quarta luas do planeta Urano, Ariel e Umbriel.

Só à volta de 1949 é que o nome Tritão começa a ser usado oficialmente, isto na altura em que um pequeno satélite - Nereida - é descoberto em Neptuno.

História de observação e exploração

Tritão foi descoberto por William Lassell a 10 de Outubro de 1846, apenas 17 dias depois do planeta Neptuno (planeta que Tritão orbita) ter sido descoberto. Lassell também acreditou que tinha visto um anel à volta de Neptuno.

Pouco se sabia sobre o que teria Tritão para desvendar e na primeira fotografia que foi tirada, aparecia com uma cor rosa-amarelada.

Com a aproximação da Voyager 2 a Neptuno em 25 de Agosto de 1989, decidiu-se que a sonda iria sobrevoar Tritão de perto, mesmo que isso afectasse a sua trajectória. E a maioria do que sabemos hoje deve-se a esta sonda, já que foi a única que explorou este mundo recôndito e gelado.

Na década de 1990, foram feitas diferentes observações a partir da Terra ao limbo de Tritão com recurso a ocultações de estrelas por Tritão. Estas observações mostraram uma atmosfera mais densa que na altura da passagem da Voyager 2.

Geologia planetária

Tritão tem tamanho e composição semelhantes a Plutão, e ao verificar a órbita excêntrica de Plutão que atravessa a de Neptuno, podemos ver pistas da possível origem de Tritão como um planeta semelhante a este e capturado por Neptuno.

O efeito gravitacional de Tritão na trajectória da Voyager 2 sugere que o gelo brilhante ou outro manto deve cobrir um núcleo substancial de rocha (com probabilidade de conter metal). O núcleo corresponde a dois terços da massa total de Tritão (65% a 75%), o que é mais do que qualquer outra lua do sistema solar, com excepção de Io e Europa. A diferenciação pode ter sido eficiente devido ao efeito gravitacional de Neptuno durante a captura de Tritão. Tritão tem uma densidade média de 2,05 g/cm³, e é composto por cerca de 25% de gelo de água, essencialmente localizado no manto.

A superfície é composta principalmente por gelo de azoto, mas também gelo seco (dióxido de carbono gelado), gelo de água, gelo de monóxido de carbono e metano. Pensa-se que poderão existir gelos ricos em amónia à superfície, mas não foram detectados.

Topografia geral

A área total da superfície corresponde a 15,5% da área emersa da Terra, ou 4,5% da área total). A dimensão de Tritão sugere que deverão existir regiões de densidades diferentes, variando entre 2,07 a 2,3 gramas por centímetro cúbico. Existem áreas que têm exposições rochosas, e são áreas escorregadias, devido às substâncias geladas, nomeadamente o metano gelado que cobre parte da superfície.

A região do pólo Sul de Tritão é coberta por uma capa de azoto e metano gelados salpicado por crateras de impacto e aberturas de géisers. A capa gelada é altamente reflectora, porque absorve a pouca energia solar. Desconhece-se como será o pólo Norte já que este se encontrava na penumbra quando a Voyager 2 visitou Tritão. No entanto, pensa-se que, tal como o pólo Sul, deverá ter uma calota polar.

Na região equatorial longas falhas com cordilheiras paralelas de gelo expelido do interior cortam terrenos complexos com vales imperfeitos. Yasu Sulci, Ho Sulci e Lo Sulci são alguns destes sistemas conhecidos como "Sulci", termo que significa 'sulcos'. A leste destes sulcos encontram-se as planícies Ryugu e Cipagu e o planalto Cipango.

As zonas planas de Sipagu Planitia e Abatus Planum no hemisfério Sul encontram-se rodeadas por pontos negros - as "maculae". Dois grupos de maculae, Acupara Maculae e Zin Maculae destacam-se a leste do Abatus Planum. Estas marcas parecem ser depósitos na superfície deixados por gelos que evaporaram, mas não se sabe ao certo do que serão compostos e a sua origem.

Perto de Sipagu e Abatus Planum encontra-se ainda uma grande cratera fresca, com 27 km de diâmetro, chamada Mozamba. Seguindo para noroeste, outras duas crateras mais pequenas (Kurma e Llomba) seguem a cratera Mozamba quase em linha recta. A maioria dos poços e terreno agreste são causados por derretimento e colapso de gelo, ao contrário do que acontece em outras luas, onde as crateras de impacto dominam a superfície. No entanto, a Voyager fotografou uma cratera de impacto com 500 km de diâmetro, que foi extensivamente modificada por inundação repetida, derretimento, falhas e colapsos.

Terreno casca-de-meloa

Tano Sulci é uma das longas falhas que percorrem a estranha região de Bubembe em Tritão, uma região também conhecida por terreno casca-de-meloa, por causa do seu aspecto de casca de meloa, uma das regiões mais estranhas do sistema solar. Desconhece-se a origem deste terreno, mas pode ter sido causado pela subida e queda de gelo de azoto, pelo colapso e inundação causados por criovulcanismo. Apesar de ser um terreno com poucas crateras, acredita-se que poderá ser a superfície mais antiga em Tritão. Este terreno deverá cobrir a maioria do hemisfério Norte.

Estes terrenos casca-de-meloa são únicos e só existem em Tritão e compreendem depressões com 30 a 50 km de diâmetro, provavelmente não relacionadas com impacto de meteoritos por serem demasiado regulares, com espaçamento regular e separadas por escarpas curvadas. Estes cumes poderão ter origem em erupções de gelo viscoso por entre as fracturas em anel, e podem ter até 1 km de altura.

Vulcões gelados

Surpreendentemente, Tritão é geologicamente activo; a sua superfície é recente e com poucas crateras. Existem vales e cristas num padrão complexo por toda a superfície, provavelmente resultantes dos ciclos do congelamento e aquecimento e dos vulcões. A sonda Voyager 2 observou vulcões gelados (as Plume) que cuspiam verticalmente azoto líquido, pó ou compostos de metano, proveniente de baixo da superfície, em plumas que atingiam 8 km de altura. Provavelmente, esta actividade vulcânica é devida ao aquecimento sazonal causado pelo Sol, e não como o aquecimento dos vulcões registados em Io.


IO_satelite_natural_de_Jupiter.jpg


Io é um dos satélites, descobertos por Galileu Galilei nas suas observações de Júpiter, com o recém criado telescópio.
Trata-se de um dos quatro maiores satélites de Júpiter, os quais também são chamados de galileanos, em homenagem ao seu descobridor. Os outros são Ganimedes, Europa e Calixto. Io tem vulcões.

Hili e Mahilani são os criovulcões tritanianos observados, ambos com nomes de espíritos da água de mitologias africanas. Tritão é assim com a Terra, Io e talvez Vénus e Titã, um dos poucos planetas do sistema solar a possuir actividade vulcânica no momento presente.

Atmosfera e clima

Tritão possui uma atmosfera ténue composta por azoto (99,9%) com pequenas quantidades de metano (0,01%). A pressão atmosférica tritoniana é de apenas 14 microbars.

A sonda Voyager 2 conseguiu observar uma camada fina de nuvens numa imagem que tirou do limbo desta lua. Estas nuvens formam-se nos pólos e são compostas por gelo de azoto, existe também nevoeiro fotoquímico até uma altura de 30 km que é composto por vários hidrocarbonetos, semelhante ao que foi encontrado em Titã, no entanto nenhum destes hidrocarbonetos foi detectado. Pensa-se que os hidrocarbonetos contribuem para o aspecto cor-de-rosa da superfície.

A temperatura à superfície é de cerca de -235 graus Célcius, ainda mais baixa que a temperatura média de Plutão (cerca de -229° C), logo é a mais baixa temperatura jamais medida no sistema solar. A 800 km da superfície, a temperatura é de -180° C.

As estações do ano

O eixo de rotação de Tritão é invulgar, inclinado 157° em relação ao eixo de Neptuno, e 130° em respeito à órbita de Neptuno, expondo um pólo ao Sol de cada vez. Como Neptuno orbita o Sol, as regiões polares de Tritão trocam de posição num intervalo de 82 anos, o que provavelmente resulta em mudanças de estações do ano radicais cada vez que um pólo se move para a luz do Sol. Dada a sua órbita e inclinação axial, Tritão apresenta um ciclo de estações amenas e extremas. As estações mais extremas ocorrem em intervalos de cerca de 700 anos, e o próximo grande Verão em Tritão será em 2007.

Durante o encontro com a Voyager 2, o pólo sul de Tritão estava virado para o Sol, o que acontece desde que Tritão foi descoberto. E quase todo o hemisfério sul estava coberto de uma calota de azoto e metano gelado. Possivelmente esse metano evapora lentamente.

A mudança do estado sólido para o estado gasoso e de volta ao estado sólido da capa polar produz uma variação súbita da atmosfera. Observações mais recentes à atmosfera de Tritão, a partir de ocultação de estrelas, mostraram que, de 1989 (data do encontro com a Voyager 2) para 1998, a pressão atmosférica em Tritão tinha dobrado. A maioria dos modelos predizem que os gelos voláteis evaporam e ampliam a pressão da atmosfera. No entanto, outros modelos prevêem que o gelo volátil que se encontra no pólo sul possa migrar para o equador e, assim, não desaparecem para a atmosfera, mas mudam de localização, deixando dúvidas do que poderá causar o aumento de pressão sazonal.

Vida em Tritão

Tritão é um do locais mais frios do sistema solar. Esta lua tem uma órbita pouco convencional, é retrógrada, o que é um comportamento orbital estranho. Em especial, a interacção com as outras luas de Neptuno poderá causar aquecimento interno em Tritão. Com a passagem da Voyager 2 em 1989, descobriu-se que tinha actividade vulcânica, mas de um tipo de vulcanismo gelado que consiste no derretimento de gelos de água e azoto e talvez metano e amónia.

A atmosfera é composta de azoto e metano, e estes são os mesmos compostos que existem na grande lua de Saturno, Titã. O azoto é também o composto principal da atmosfera terrestre, e o metano na Terra está normalmente associado à vida, sendo um produto secundário da actividade desta. Mas tal como Titã, Tritão é extremamente frio, se não fosse esse o caso, estes dois componentes da atmosfera seriam sinais de vida.

No entanto e devido à actividade geológica e ao possível aquecimento interno tem sido sugerido que Tritão poderia albergar formas de vida primitiva em água líquida por debaixo da superfície, muito semelhante ao que tem sido sugerido para a lua Europa de Júpiter. Tritão e Titã são assim mundos que apesar de fisicamente extremos são capazes de suportar formas exóticas de vida desconhecidas na Terra.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.























































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