Quarta-feira, 12 de Outubro de 2005

Convento de Cristo

TOMAR_IGREJA_ConventoCristo.jpg

Igreja do Convento



O Convento de Cristo, em Tomar, pertenceu à Ordem dos Templários.
Fundado em
1162 pelo Grão-Mestre dos Templários, dom Gualdim Pais, o Convento de Cristo ainda conserva recordações desses monges cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede. Sob Infante D. Henrique o Navegador, Mestre da Ordem desde 1418, foram construídos claustros entre a Charola e a fortaleza dos Templários, mas as maiores modificações verificam-se no reinado de D. João III (1521-1557). Arquitectos como João de Castilho e Diogo de Arruda procuraram exprimir o poder da Ordem construindo a igreja e os claustros com ricos floreados manuelinos que atingiram o máximo esplendor na janela da fachada ocidental
.

Trata-se de uma construção peri-urbana, implantada no alto de uma elevação sobranceira à planície onde se estende a cidade. Está circundado pelas muralhas do
Castelo de Tomar
e pela mata da cerca.
Actualmente é um espaço cultural,
turístico e ainda devocional. A arquitectura partilha traços românicos, góticos, manuelinos, maneiristas e barrocos
.

Caracterização arquitectónica

Claustros

TOMAR_ConventoCristo_GrandeClaustro.jpg


Os claustros são góticos, com estrutura de arcadas quebradas sobre colunas agrupadas. Já a nave manuelina, de espaço unificado, está coberta com uma abóbada rebaixada. As janelas, frisos e platibandas (dispositivo, utilizado em arquitectura, que tem a função de esconder o telhado) têm corpo manuelino com decoração vegetalista, enquanto a planta do conjunto monacal quinhentista parece inspirar-se na do Ospedale Maggiore, em Milão.

Iniciado nos
anos 50 do século XVI, provavelmente por Diogo de Torralva, o Grande Claustro reflecte a paixão de D. João III pela arte italiana. Escadas em espiral
ocultas nos cantos conduzem ao Terraço da Cera.

O Claustro da Lavagem é quadrangular de dois pisos; o Claustro do Cemitério é quadrangular, com um piso com cinco tramos por ala. O Claustro da Micha é quadrangular com quatro alas, enquanto o dos Corvos é também quadrangular, mas com duas galerias de dupla arcada separadas por contrafortes. Por último, o Claustro de D. João III é ainda quadrado, com chanfres nos ângulos. O Refeitório é rectangular, com
abóbada de berço
com nervuras formando caixotões quadrados. O Dormitório está disposto em cruz, com dois grandes corredores. Existem ainda o Claustro da Hospedaria e o Claustro de Santa Bárbara, quadrado, com quatro arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso.

TOMAR_Janela_Capítulo_Convento.jpg


A Janela do Capítulo do Convento, mais tarde imitada para o Palácio da Pena em Sintra, foi encomendada por D. Manuel I e desenhada por Diogo de Arruda. É o mais conhecido exemplo de arquitectura manuelina, ilustrativo do naturalismo exótico e do uso de pormenores marítimos.


A Charola

Charola é uma passagem que circunda uma área central e que pode ser encontrada em diversas aplicações, todas elas, no entanto, inerentes a edifícios religiosos.

O núcleo do
mosteiro é a Charola do século XII, o Oratório dos Templários. Tal como em muitos dos seus templos, baseia-se na Rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém, adaptada pelo Infante D. Henrique. Em 1356, Tomar passou a ser a sede da Ordem de Cristo em Portugal, e a decoração da Charola reflecte a riqueza da Ordem. As pinturas e frescos ( quase só cenas bíblicas do século XVI) e a estatuária dourada sob a cúpula bizantina
, foram cuidadosamente restauradas. Quando foi construída a igreja manuelina, esta ficou ligada à Charola por uma arcada.

A Charola,
poligonal
, é o centro do conjunto de edificações, cominando-as visualmente. A norte e a este estão a Sacristia, os claustros do Cemitério e da Lavagem, as ruínas dos Paços, as Enfermarias e ainda a Sala dos Cavaleiros e a Farmácia.

A oeste, a igreja, os claustros e as dependências conventuais. A norte pontifica a Portaria Real, entre o corpo das Enfermarias e Hospedaria. A fachada sul está realçada pela arcaria do Aqueduto dos Pegões
, apoiada numa plataforma rústica, que corresponde ao corpo do Claustro dos Corvos, Dormitórios e Claustro de D. João III.

TOMAR_Aqueduto_dos_Pegões.jpg


O Aqueduto dos Pegões, foi construído com a finalidade de abastecer de água o Convento de Cristo em Tomar, e tem cerca 6 km de extensão.
A sua construção foi iniciada em
1593, no reinado de Filipe I de Portugal, sob a direcção de Filipe Terzio, (arquitecto-mor do reino) e foi concluída em 1614 por Pedro Fernando de Torres
.
O aqueduto tem 58 arcos de volta inteira, na sua parte mais elevada, sobre 16 arcos ogivais apoiados em pilares. A sua altura máxima é de 30 metros. Nos extremos apresenta casas abobadadas, que têm no centro, uma larga pia destinada à
decantação
da água.

No que diz respeito à planta da igreja, é composta por dois corpos diferentes: a Charola, actual capela-mor, e o corpo da nave, que se adapta ao desnível do terreno para oeste, onde possui três registos assentes num forte embasamento e marcados por frisos decorativos envolventes, com decoração naturalista emblemática manuelina.
No interior, a nave é coberta por uma
abóbada
polinervada de combados.

A abóbada caracteriza-se por um tecto curvo, usualmente constituído de
pedras e que se prolonga adquirindo uma forma rectangular. O seu peso distribui-se ao longo do pé-direito. Não confundir com cúpula (é uma abóbada hemisférica ou esferóide
).
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
Publicado por: Praia da Claridade às 00:07
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1 comentário:
De Anónimo a 12 de Outubro de 2005 às 22:25
...e sabe que tendo feito a 4ª. classe em Ourém e depois disso passar lá muitas férias até aos meus 17 anos,e ir muitas vezes a Tomar, até a pé com boleia à mistura, nunca tinha visto este maravilhoso e espectacular aqueduto que só vim a conhecer hà cerca de 3 anos.Vô-Zé
</a>
(mailto:martins-zé@sapo.pt)


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