Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005

Doação de medula óssea

Complemento ao meu artigo de 23 de Outubro (ver aqui)


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DÚVIDAS E QUESTÕES FREQUENTES

1. O que é a medula óssea e como está ligada à leucemia?

A medula óssea é um tecido esponjoso que preenche o interior dos ossos longos, como os da bacia, e onde se produzem os três tipos de células sanguíneas:

Os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas.
Os doentes com leucemia sofrem de uma alteração ao nível da produção destes tipos de células.

2. A leucemia é hereditária?

Não, a leucemia não é hereditária. No caso de irmãos gémeos poderem contrair a doença deve-se ao facto de estarem expostos às mesmas condições ambientais.

3. A leucemia é contagiosa?

Não, a leucemia não é contagiosa.

Todas as precauções que se costumam tomar são necessárias para evitar que o doente seja infectado dado que todos os seus mecanismos de defesa ficam muito reduzidos.

4. O que é compatibilidade?

Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre dador e receptor. Há milhões de combinações possíveis de antigénios dos glóbulos brancos (HLA) -  responsáveis pela compatibilidade. Caso contrário, a medula será rejeitada.

Em 2004 houve 83 doentes que consultaram a base de dados nacional e 136 buscas em registos internacionais de onde resultaram 20 transplantes, sendo três graças a dadores nacionais.

5. Qual a probabilidade de encontrar dador compatível?

Actualmente a transplantação de medula óssea é uma prática corrente mas só cerca de 25% dos doentes têm um dador familiar compatível.

Os restantes 75% que têm de recorrer a dadores não aparentados. A transplantação de medula óssea com dadores não aparentados aumentou grandemente a taxa de sobrevivência. Hoje em dia, aproximadamente 80% de todos os doentes têm, pelo menos, um potencial dador compatível. Esta percentagem subiu significativamente (em 1991 era 41%) depois do esforço que foi feito mundialmente no recrutamento de dadores.

6. O que é preciso para ser um dador de medula óssea?

Os laboratórios responsáveis pelo processo de análises para averiguar a futura compatibilidade entre dadores - tipagem - e estudo imunológico, são os centros de Histocompatibilidade do Sul, do Norte e do Centro, sendo que o do Sul é o organismo do Ministério da Saúde que articula os três centros (Lisboa, Porto e Coimbra), que no seu conjunto formam a Lusotransplante.

Se tem entre os 18 e 45 anos pode inscrever-se num dos 3 Centros de Histocompatibilidade do País. Não poderá ter historial clínico de coração, doença cancerosa ou sida.

Ser-lhe-à retirada uma amostra de sangue, para análise virulógica e de ADN, de forma a tipar o material genético. Simultaneamente terá de preencher um questionário com informação adicional. Esta informação vai para a base de dados e, caso surja um doente compatível, nacional ou estrangeiro, o dador é contactado.

7. Em que consiste o processo de doação de medula óssea?

Comprovada a compatibilidade genética do dador, existem duas formas de doação, ao critério do voluntário.

a. Inicialmente, o dador faz um tratamento com injecções subcutâneas de uma substância chamada factor de crescimento para aumentar a produção de células progenitoras de medula. Depois, num processo semelhante à doação de sangue, as células são colhidas por uma técnica chamada citaférese, na qual é possível colher as células a partir de veias periféricas no braço, num processo rápido e simples. Neste caso, o sangue retirado da veia do dador passa através de um aparelho que remove apenas as células necessárias para o transplante, devolvendo novamente as restantes células e plasma ao dador.

b. É feita uma colheita das células a partir dos ossos pélvicos, com anestesia geral. Os dadores passam por uma pequena cirurgia de aproximadamente 90 minutos. É retirada uma pequena quantidade de medula (menos de 10%), através de uma punção na região pélvica posterior (bacia) para aspirar a medula (vulgarmente conhecida como tutano).

Dentro de poucas semanas, a medula óssea do dador estará inteiramente recuperada. Os riscos são praticamente inexistentes; os dadores costumam relatar um pouco de dor no local da punção.

8. Quem suporta os custos do processo de doação?

Todos os actos médicos que envolvem a doação são cobertos pelo subsistema de saúde do doente, bem como viagens e outros custos.

9. Como se pode aceder aos registos de medula internacionais?

A nível mundial existe o registo internacional alargado, "Bone Marrow Donors Worldwide", que contém os registos de 40 países, contabilizando um total 9.555.229 em Janeiro de 2005. A consulta às bases de dadores nacionais e estrangeiros é sempre gratuita. Em Portugal é da responsabilidade do CEDACE.

10. Só se pode doar a medula uma vez?

Não. A medula regenera-se completamente num prazo de duas semanas, logo pode-se repetir o processo."


Fonte: http://www.apcl.pt/PresentationLayer/ctexto_01.aspx?ctextoid=92&ctlocalid=10
 
 
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Publicado por: Praia da Claridade às 00:15
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