Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005

A Via Láctea



Via Láctea



A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema Solar da Terra. É uma estrutura constituída por cerca de 200.000.000.000 (Duzentos biliões) de estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em torno de 400.000.000.000) e tem uma massa de cerca de 750 biliões e um trilião de massas solares. A idade da Via Láctea está calculada entre treze e vinte biliões de anos, embora alguns autores afirmem estar na faixa de catorze biliões de anos.


Estrutura

São seis as partes constituintes da Via Láctea:


1ª - Núcleo

O núcleo está localizado no centro do sistema, tem a forma de uma esfera achatada e é igualmente constituído por estrelas, mas de idade mais avançada (chamada de população 2) apresentando por isso, uma cor mais avermelhada do que o disco. Tem um diâmetro calculado em cerca de 100.000 anos-luz e uma altura de 3.000 anos-luz, e é fonte de intensa radiação electromagnética, provavelmente devido à existência de um buraco-negro no seu centro. Este é envolto por um disco de gás a alta temperatura e por partículas de poeira interestelar que o ocultam, absorvendo a luz visível e a radiação ultravioleta. Porém, na faixa de radiofrequência é detectável com certa facilidade. O buraco negro central recebeu o nome de Sagittarius A, a sua massa foi estimada em aproximadamente quatro milhões de vezes a massa do Sol. Em torno do buraco negro Sagitarius A parece haver indicação da presença de nuvens de gás em rápido movimento e ionizadas. Esta é devida a fortes emissões de raios X e radiação infravermelha provenientes núcleo galáctico.


2.ª - Bulbo central

O bulbo central galáctico é em torno do núcleo galáctico, a sua forma é esférica e constituído principalmente por estrelas do tipo população II (estrelas velhas). Esta região da galáxia é rica em elementos pesados. Também estão presentes aglomerados globulares de estrelas semelhantes (de mesma composição), as suas órbitas são aproximadamente radiais ao redor do núcleo.


3.ª - Disco

O disco é a parte mais visível da galáxia, é nesta estrutura sobre a qual repousam os braços da Via Láctea, a sua espessura equivale a um quinto de seu diâmetro. Constituído pela população mais jovem de estrelas (chamada de população 1) de cor azulada, por nuvens de poeira, gás e por aglomerados estelares. As estrelas do disco, têm um movimento de translação em volta do núcleo. Todas as estrelas que observamos no céu nocturno, estão localizadas no disco galáctico.


4.ª - Braços espirais

Até 1953 não se conhecia a existência de braços espirais na Via Láctea. A visualização da estrutura espiral era ocultada pela poeira interestelar e dificultada por ser efectuada do interior da própria galáxia. As estrelas estão concentradas em cinco braços que formam espirais opticamente identificáveis: Perseu, Órion, Sagitário, Norma e Braço 3kpc. Desta forma, a Via-Láctea é classificada como sendo uma galáxia espiral e os seus braços estão em movimento rotatório em torno do núcleo à semelhança de um grande cata-vento. É nesta região galáctica, o braço de Órion, que está localizado o nosso sistema solar. O Sol efectua uma rotação completa a cada 200 milhões de anos e está localizado a cerca de 27.000 anos-luz do centro galáctico.


5.ª - Componente esférico

A forma de disco da Via Láctea não é compacta, o centro e o bulbo central configuram uma região chamada de componente esférico. As estrelas compreendidas nesta, são do tipo 1 e tipo 2, estando distribuídas de forma mais ou menos uniforme. Esta região é envolta pelo Halo e somente identificável de forma indirecta.


6.ª - Halo

O halo tem uma forma esférica e é constituída por partículas ultra excitadas a alta temperatura, anãs vermelhas, anãs brancas e por aglomerados globulares, que estão em órbita em torno do centro de massa galáctico. O halo, como tal, não é observável opticamente. As estrelas que formam os aglomerados globulares (de forma esférica) são as mais antigas da galáxia. Por ser o componente menos conhecido da Via Láctea, supõe-se que a sua estrutura seja gigantesca. O Halo envolve toda a estrutura visível da galáxia. A sua existência é demonstrada pelos efeitos provocados na curva de rotação externa da galáxia. É sabido, porém, que o halo se estende para além de cem mil anos-luz do centro galáctico. A sua massa gira entre cinco ou dez vezes maior do que a massa restante da galáxia. A sua forma, os seus componentes e os seus limites no espaço intergaláctico são desconhecidos até o início do século XXI, e muitas das afirmações acerca do halo são especulações científicas.



Dificuldades à observação

A observação e o estudo da Via Láctea é dificultado pelo facto de o plano galáctico estar obscurecido por nuvens de poeira e gás (atómico - H e molecular - HII) que absorvem a luz visível. Assim, muito do que sabemos da estrutura geral da nossa galáxia é inferido a partir da observação de outras galáxias e por observação através de observatórios capazes de medições em comprimentos de onda não bloqueados pelas poeiras (nomeadamente infravermelho, Raios X e SHF, principalmente).


A rotação Galáctica

A Via Láctea descreve como um movimento de rotação. Os seus componentes não se deslocam à mesma velocidade. As estrelas que estão a uma distância maior do centro, movem-se a velocidades mais baixas do que as mais próximas.

O Sol descreve uma órbita que pode ser considerada circular. A sua velocidade relativa ao Universo, gira em torno de 225km/s, o seu período de revolução é de aproximadamente de 200 milhões de anos.


Envolvente

A Via Láctea está inserida no chamado Grupo Local de Galáxias que é constituído por cerca de trinta outras galáxias. As principais são a Via Láctea (a mais massiva) e a galáxia de Andrómeda (a de maior dimensão) separadas entre si em cerca de 2.600.000 de anos-luz. Estas duas galáxias espirais gigantes estão em órbita de um centro de massa comum. As restantes galáxias do Grupo Local são de pequenas dimensões e forma irregular sendo que algumas são satélites quer da nossa galáxia (como as famosas nuvens de Magalhães) quer da de Andrómeda.

As Nuvens de Magalhães é o nome dado às nuvens estelares visíveis a olho nu. Estes aglomerados estelares podem ser observados junto ao pólo sul. São classificados pelos astrónomos como galáxias irregulares. Foram descobertas em 1519 pelo navegador português Fernão de Magalhães.


Histórico

Historicamente, sempre se considerou que a Via Láctea englobava todo o universo. Mesmo as outras galáxias observadas pelos telescópios de então, estariam incluídas dentro da nossa galáxia.


Harlow Shapley


Até o início do século XX, acreditava-se que a Via Láctea fosse um sistema relativamente pequeno, com o Sol próximo do seu centro. Harlow Shapley em 1917, mediante a análise da distribuição espacial dos aglomerados globulares (esféricos ou elipsóides) na galáxia, realizou o primeiro cálculo seguro das reais dimensões da Via Láctea.

Shapley descobriu por exemplo, que o Sol se situava a trinta mil anos-luz do centro galáctico e que estava mais próximo das bordas. Calculou um diâmetro de cem mil anos-luz para a Via Láctea, e que haviam corpos aparentemente em órbita desta, que em futuro próximo Edwin Hubble provou serem outras galáxias.


Edwin Hubble

Foi a partir do trabalho realizado pelo astrónomo norte-americano Edwin Hubble em 1924 que houve a determinação aproximada da extensão de nosso universo. Hubble provou pela teoria conhecida actualmente como a constante de Hubble que existem outras galáxias e que estas se afastam de nós. Ao medir a razão (velocidade) a que as galáxias se afastavam (indicando assim que se encontravam a uma grande distância), permitiu demonstrar que afinal essas estruturas se encontravam fora da Via Láctea e eram, elas mesmo, "ilhas" constituídas por estrelas.


Walter Baade

O astrónomo Walter Baade observou pela primeira vez na década de 1940, durante as suas pesquisas sobre a galáxia de Andrómeda, a teoria da nucleossíntese, que estabelece que a abundância de elementos pesados em gerações sucessivas de estrelas deve aumentar com o tempo, e que o processo de formação de estrelas terminou no halo há muito tempo, mas continua até os dias actuais no disco de Andrómeda. Através deste estudo, descobriu haver um paralelo também com a formação e evolução da Via Láctea pela análise da correlação existente entre a localização espacial de uma estrela no sistema galáctico e a sua abundância em elementos pesados.

Baade e outros astrónomos concluíram então que as estrelas encontradas no disco da Via Láctea são tipo população I (estrelas jovens e pouco abundantes em elementos pesados), e que as do halo classificam-se principalmente como população II (estrelas velhas e abundantes em elementos pesados), enquanto as do núcleo são uma mistura homogénea dos dois tipos.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por: Praia da Claridade às 00:01
Link do post | comentar
5 comentários:
De Anónimo a 13 de Dezembro de 2005 às 17:55
A cacio simões

De facto em inglês chamam-lhe "milky", deve ser por isso. IOIVô-Zé
</a>
(mailto:martins-ze,@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Dezembro de 2005 às 17:52
Quando conseguimos nos bons céus de verão ver a via láctea é exactamente o núcleo q estamos a ver. Efectivamente está aceite q é espiral e que o n/ sistema solar está no último braço (consederamo-la parecida c a de Andrómeda nossa vizinha no chamado sistema local)mas na verdade nunca ninguém foi lá longe para a ver de fora e dizer como é na realidade IOI. Já agora, se tiver bons olhos consegue ver a mancha difusa da de Andrómeda à vista desarmada Entre Cassiopeia e a constelação de Andrómeda. Com vulgar binóculo é espectacular com telescópio nem se fala.
AbraçoVô-Zé
</a>
(mailto:martins-ze@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Dezembro de 2005 às 00:45
Brigadão amigo pelo voto, se quiser votar amanhã de novo, vou adorar, rs...

BeijokasRosinha
(http://www.deliciasdarosinha.blogger.com.br)
(mailto:rosaramos40@yahoo.com.br)


De Anónimo a 12 de Dezembro de 2005 às 17:58
Boa tarde Filipe, queria te pedir uma coisinha, meu blog está em votação no blog do ALMA GUERREIRA, adoraria se me ajudasse votando no meu cantinho.

Um super beijo.

http://almaguerreira.zip.net/destaqnet.htmlRosinha
(http://www.deliciasdarosinha.blogger.com.br)
(mailto:rosaramos40@yahoo.com.br)


De Anónimo a 12 de Dezembro de 2005 às 08:13
O Outro pensava que a via láctea....dava leite !
Um abraço aqui do coração da bairrada, ó Paulão !!!!cacio simoes
(http://atonito.blogspot.com/)
(mailto:acacio.luis.simoes@iol.pt)


Comentar Artigo

FILIPE FREITAS

Pesquisar neste blog

 

Os 50 Artigos mais Recentes

Batalha da Roliça

Revolução dos Cravos

Massacre de Lisboa de 150...

O Alasca foi vendido

Páscoa: este ano é muito ...

Feliz Dia de São Valentim...

Padre António Vieira

Centenário do Regicídio d...

Descoberta da Vacina

Daguerreótipo

Feliz Ano de 2008 !

Lua Azul

Fossa das Marianas

Flor-do-Natal

Calçada da Fama

Beatriz Costa

Frank Sinatra

Tubarão-touro

Miguel de Vasconcelos

Restauração da Independên...

Egas Moniz

Maiores campos de gelo e ...

Tumba de Herodes

A Bela Adormecida na Figu...

Bola de ténis

Qual a cidade mais fria d...

Tautologia

O maior grupo de lagos de...

Macaronésia

Chuva de estrelas

Erupções vulcânicas

Lenda de São Martinho

Mário Viegas

Muro de Berlim

Libelinha

Castanhas

Falha de Santo André

Quinze anos ao telemóvel

Fotografia Aérea com Papa...

Chuva de animais

Pseudo-fruto

Elevador da Glória

1.º avião do mundo

Maçã

Funicular

Amistad

Turbante

O primeiro satélite artif...

José Hermano Saraiva

Masseiras

Arquivos Mensais

Agosto 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Temas

acidentes

açores

actores

alimentação

ambiente

animais

arquitectura

artes

astrologia

astronáutica

astronomia

aves

aviação

brasil

cantinhos de portugal

cantores

capitais

ciências ocultas

civilizações

crustáceos

culinária

curiosidades

desportos

electrónica

energia

fenómenos

festividades

figueira da foz

filosofia

geografia

guerra

história de portugal

história mundial

humor

informática

insectos

lazer

lisboa

literatura

locais sagrados

madeira

máquinas

mar

medicina

medicina natural

mistérios

monumentos

música

natureza

oceanos

palácios

peixes

pensamentos

pessoas célebres

poemas

poetas

religião

relíquias

rios

saúde

superstições

tecnologias

tradições

transportes

turismo

união europeia

todas as tags