Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

D. Manuel II, último rei de Portugal

 
D. Manuel II, último rei de Portugal
 
 
D. Manuel, infante, aos doze anos de idade. Recorde-se que foi aclamado rei aos 18 anos.
D. Manuel, infante, aos doze anos de idade.
Recorde-se que foi aclamado rei aos 18 anos.
 
 

D. Manuel II, nasceu em 15 de Novembro de 1889 (faz hoje 117 anos), faleceu em 2 de Julho de 1932, de seu nome completo Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança, foi o trigésimo-sexto e último Rei de Portugal. D. Manuel II sucedeu ao seu pai, o rei D. Carlos I, depois do assassinato brutal deste e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908. Antes da sua ascensão ao trono, D. Manuel foi Duque de Beja e Infante de Portugal.
 
Infância e educação
 
D.Manuel II nasceu no Palácio de Belém, em Lisboa, cerca de dois meses depois da subida de seu pai ao trono de Portugal. Baptizado alguns dias depois, no mesmo Paço de Belém, teve por padrinho o imperador do Brasil, D. Pedro II, deposto do seu trono exactamente no mesmo dia do seu nascimento. D. Manuel recebeu à nascença os títulos reais de Infante de Portugal e de Duque de Beja. Teve o tratamento e a educação tradicionais dos filhos dos monarcas da sua época, embora sem preocupações políticas, dado ser o segundo filho do rei e, como tal, não esperar um dia vir a ser rei. Estudou línguas, história e música (tendo como professor Alexandre Rey Colaço). Viajou com a mãe e o irmão ao Egipto, no iate real Amélia, aprofundando assim os seus conhecimentos das civilizações antigas. Em 1907 iniciou os seus estudos de preparação para ingresso na Escola Naval, preparando-se para seguir carreira na marinha.
 
Reinado
 
A sua futura carreira naval foi inesperadamente interrompida em 1 de Fevereiro de 1908, com o Regicídio de 1908. O infante havia regressado a Lisboa (depois de ter estado alguns dias em Vila Viçosa, com toda a família) para se preparar para os exames da escola naval, tendo ido esperar os pais e o irmão ao Terreiro do Paço. Minutos depois deu-se o cruel atentado que vitimou o Rei, sendo D. Manuel atingido no braço (ainda não se sabe se o alvo do atentado era o Rei D. Carlos, ou se seria o chefe do Governo de então, João Franco, que, após demitir o Parlamento devido aos contínuos distúrbios que os republicanos causavam e marcar novas eleições, ficou com a imerecida fama de ditador, que ainda hoje perdura).
 
Tornou-se assim, D. Manuel, Rei de Portugal. A sua primeira decisão consistiu em reunir o Conselho de Estado, demitindo em seguida o Primeiro-Ministro João Franco. Nomeou então um governo de acalmação, de tranquilidade, presidido pelo Almirante Francisco Ferreira do Amaral. Foi solenemente aclamado Rei na Assembleia de Cortes em 6 de Maio de 1908, perante os deputados da Nação, jurando cumprir a Carta Constitucional. O Rei auferiu, no início, de uma certa simpatia generalizada devido à sua tenra idade (18 anos) e à forma trágica e sangrenta como alcançou o trono. Foi então fortemente protegido pela sua mãe, a Rainha D. Amélia, tendo procurado o apoio do experiente José Luciano de Castro. Durante o seu reinado visitou várias localidades do norte do país e visitou oficialmente a Espanha, a França e a Inglaterra, onde foi nomeado cavaleiro da prestigiada Ordem da Jarreteira, em Novembro de 1909. Recebeu as visitas de Afonso XIII, Rei de Espanha, em 1909, e de Hermes da Fonseca, Presidente eleito do Brasil, em 1910.
 
Entretanto a situação política degradou-se progressivamente, tendo-se sucedido sete governos em cerca de 24 meses. As eleições legislativas, de 28 de Agosto de 1910, fizeram aumentar substancialmente os deputados republicanos no parlamento, o que motivou bastante a causa revolucionária. Na verdade, a 4 de Outubro de 1910, começou uma revolução e no dia seguinte, 5 de Outubro deu-se a Implantação da República em Portugal. O Palácio das Necessidades, sua residência oficial, foi bombardeado, pelo que o monarca foi aconselhado a dirigir-se para o Palácio Nacional de Mafra, onde se lhe viriam a juntar a mãe, a Rainha D. Amélia de Orleães e a avó, a Rainha-mãe D. Maria Pia de Sabóia. No dia seguinte, consumada a vitória republicana em Lisboa e a adesão do resto do país ao novo regime, D. Manuel II decidiu-se pelo exílio, embarcando na Ericeira no iate real Amélia. O rei ainda tencionou seguir para o Porto, mas os oficiais a bordo demoveram-no dessa intenção. Desembarcou em Gibraltar, de onde seguiu para o Reino Unido, onde foi recebido pelo rei Jorge V.
  
Exílio
 
Fixou residência em Fulwell Park, Twickenham, nos arredores de Londres, local para onde seguiram os seus bens particulares. Aí procurou recriar um ambiente português, à medida que fracassavam as tentativas de restauração monárquica (em 1911, 1912 e 1919).
 
Em 4 de Setembro de 1913 D. Manuel casou com D. Augusta Vitória, princesa de Hohenzollern-Sigmaringen (1890-1966), que era ainda sua prima (por ser neta da Infanta D. Antónia de Bragança), mas não teve descendência. D. Manuel dedicou-se então aos estudos e escreveu um tratado sobre literatura medieval e renascentista em Portugal. Continuou a seguir de perto a política portuguesa, gozando de alguma influência junto de alguns círculos políticos. Admirador do espírito britânico, foi ele um dos que defendeu a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, participando activamente na Cruz Vermelha Britânica. Uma prova de reconhecimento dos ingleses para D. Manuel e para com Portugal foi o facto de Jorge V o ter convidado a ocupar um lugar a seu lado na tribuna de honra do desfile da vitória, em 1919.
 
O rei, apesar de deposto e exilado, teve sempre um elevado grau de patriotismo, o que o levou, em 1915, a declarar no seu testamento a intenção de legar os seus bens pessoais (os da Casa de Bragança), ao Estado Português, manifestando também a sua vontade de ser sepultado em Portugal.
 
Faleceu inesperadamente na sua residência, em 2 de Julho de 1932, vítima de um edema da glote (zona mediana da laringe). O Governo Português, chefiado por Salazar, autorizou a sua sepultura em Lisboa, organizando funerais de estado. Os seus restos mortais chegaram a Portugal, em 2 de Agosto, sendo sepultados no Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.
 
Passou à história com o cognome de O Patriota  (pela preocupação que os assuntos pátrios sempre lhe causaram), sendo também chamado de O Desventurado (em virtude da Revolução que lhe retirou a coroa), O Estudioso (devido ao seu amor pelos livros antigos e pela literatura portuguesa); os monárquicos de hoje, chamam-lhe O Rei-Saudade (pela saudade que lhes deixou, após a abolição da monarquia).
 
Depois da sua morte em 1932, a chefia da casa real portuguesa passou para D. Duarte Nuno de Bragança, seu primo, neto do rei D. Miguel I, uma vez que o falecido monarca tinha procurado aproximar os dois ramos desavindos da família, através do Pacto de Dover (pacto estabelecido entre D. Manuel II e seu primo Duarte Nuno de Bragança, pai de Duarte Pio, Duque de Bragança, o herdeiro presumível ao trono de Portugal, sendo, como tal, Príncipe Real, casado com Isabel de Herédia em 13 de Maio de 1995, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, pacto esse que visava transferir o direito ao trono português no caso de não existir descendência de Dom Manuel II ou do seu tio, irmão do seu pai D. Carlos, Afonso de Bragança, Duque do Porto).
 
Após a sua morte, e dando cumprimento às suas disposições testamentárias, o governo português constituiu com os seus bens a Fundação da Casa de Bragança.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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De major a 15 de Novembro de 2006 às 23:18
Ó amigo Filipe, não sou monárquico mas já cheguei à conclusão de que para Portugal seria melhor termos um rei. E isto por uma questão de economia, o que se enquadrava bem devido à débil situação económica de Portugal... Um rei não tem de estar a ser mudado com frequência. Pode aguentar-se no trono dezenas de anos e só aí, poupava-se muito dinheiro... as eleições são muito dispendiosas. Depois os reis nem precisam ser remunerados, possuem fortunas das quais podem viver à grande. E até pagam impostos como qualquer cidadão - veja-se o caso da Rainha de Inglaterra. Os Presidentes da República saem muito caros ao País... Não só porque são remunerados enquanto exercem mas porque depois, continuam a ser muito bem remunerados. E, agora, veja-se a quantos Presidentes da República já o País está a pagar neste momento. Por fim sabe-se que um rei é pouco mais do que um elemento decorativo, mas os Presidentes da República também pouco mais poderes têm. Em Portugal, O poder mais significativo do Presidente é o de poder dissolver o parlamento e convocar eleições. Porém isso só pode ser utilizado em situações extremas e mesmo assim, é sempre motivo de fortes contestações que por vezes se arrastam no tempo. Veja-se o caso do Santana Lopes, agora até publicou um livro...
Eu não continuo... Daqui a pouco o meu amigo vai pensar que estou tentando fazer-lhe concorrência, publicando artigos, - e ainda por cima de baixo nível - aqui no seu tão bem elaborado blog.
Para terminar... Será que D. Manuel terá chegado a decorar todo o nome dele?... É caso para dizer que é maior a arreata do que o burro... Desculpe lá esta brincadeira. Nós precisamos é de muito boa disposição para ver se aguentamos com a crise!
Um abraço.


De Praia da Claridade a 16 de Novembro de 2006 às 01:00
Caro Amigo Jerónimo Major: não tem nada que pedir desculpa por este seu comentário, muito bem feito e que reflete a opinião de muitos portugueses. Não faz nenhuma concorrência e gostei de ler tudo o que escreveu. Assim vai a vida deste país com tando político a "comer" dinheiro de todas as maneiras !... Mesmo sem Rei não se podia poupar muito mais ?... O seu texto reflete muito bem essa situação.
Sobre D.Manuel II: a sua morte foi "recente", a minha mãe tinha 7 anos... mas o meu avó, como muitas pessoas desse tempo, ainda o conheceu, chegou a falar-me dele...
Os nomes compridos ainda continuam... veja o caso de D.Duarte Pio, D.Isabel de Herédia e os seus descendentes. E quando na escola lhe perguntam os nomes, e no dia-a-dia nesta complicada burocratização ?
Diz muito bem, meu Caro Amigo: o que é preciso é boa disposição, saúde e alegria, para aproveitarmos os anos enquanto cá estamos !....
Com mais ou menos crise, convém acordar sempre de manhã, durante muitos dias e muitos, muitos anos com os dedos dos pés a mexerem... porque se eles não mexerem é mau sinal !...
Um Abraço,
Filipe, com o da minha Praia.


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