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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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14
Nov06

A Fortaleza de Sagres

Praia da Claridade

 
Panorâmica da entrada principal da Fortaleza de Sagres
Panorâmica da entrada principal da Fortaleza de Sagres
 
 
Fortaleza de Sagres e a Rosa dos Ventos
Fortaleza de Sagres e a Rosa dos Ventos


Igreja de Nossa Senhora da Graça na Fortaleza de Sagres
Igreja de Nossa Senhora da Graça na Fortaleza de Sagres


Cabo de Sagres (cortesia IPPAR)
Cabo de Sagres (cortesia IPPAR)
 
 
 

 
A Fortaleza de Sagres, também designada como Castelo de Sagres ou Forte de Sagres, situa-se no sudoeste do Algarve (Portugal), em posição dominante, coroando o promontório (ponta ou cabo) de Sagres. Da sua falésia escarpada, constantemente batida pelo vento, o visitante usufrui uma deslumbrante panorâmica ao longo da costa, com destaque para as enseadas de Sagres, o Cabo de São Vicente (extremo sudoeste do continente europeu) e da imensidão do Oceano Atlântico.
 
A própria fortaleza e as suas imediações oferecem a possibilidade de um olhar próximo ao património natural da costa, especialmente no que se refere à flora, abrigando algumas das espécies mais representativas da região (como por exemplo: Alquitura-do-Algarve, Pampilho-marítimo, Zimbreiro, Pólio vicentino, Erva-divina, Esparto, Narciso-das-areias, Salgadeira, Chorão, Porro-bravo, Malvas, Perrexil-do-mar).
 
História
 
Promontorium Sacrum
 
Não existe a certeza sobre qual seria a localização exacta deste promontório sagrado que em muito impregnou de história o local da fortaleza, mas é possível identificar aproximadamente uma área que se prolongaria da ponta da Piedade à Arrifana, passando assim pelo Cabo de São Vicente e o Cabo de Sagres. Este espaço, por muitos designado como o fim do mundo conhecido, onde se iniciavam as tormentas, até hoje integra uma das maiores áreas de menires e construções megalíticas da Europa. Visitado por navegadores oriundos do Mediterrâneo desde cerca de 4 mil anos a.C., é citado desde a antiguidade clássica por Avieno, Estrabão e Plínio, como uma área cultual dedicada a Saturno ou Hércules, divindades de forte conotação com o mundo marítimo. Posteriormente, durante a ocupação islâmica da Península Ibérica acentuou-se o seu carácter de local de peregrinação, denominando-se então Chakrach, muito tendo contribuído para tal a lenda das relíquias do mártir cristão São Vicente de Saragoça.
 
A Vila do Infante
 
O promontório de Sagres, bem como as vilas adjacentes de São Vicente e Sagres, foram doadas em 27 de Outubro de 1443, pelo regente D. Pedro ao seu irmão, o Infante D. Henrique (1394-1460). A vila de Sagres, então abandonada e em ruínas em razão das razias dos piratas de Marrocos, foi, a partir de então, reconstruída e repovoada, inclusive no tocante à sua defesa. Essa reedificação, por parte do Infante, obedeceu a alguns ditames essenciais:
  • a necessidade que as embarcações da época tinham de se refugiar dos ventos nas enseadas vizinhas, aguardando por ventos favoráveis à navegação.
  • os imperativos da logística (embarcações, mantimentos, marinheiros) da primeira fase dos Descobrimentos.
  • a comodidade do controle do tráfego marítimo, por ser ponto de passagem obrigatório das embarcações que cruzavam do Mediterrâneo ao Atlântico, e vice-versa.
  • a segurança e o isolamento necessários ao processamento das informações recolhidas no início do projecto de expansão português que se estendia pelo norte de África, ali fronteiro.
A fortificação da ponta do promontório foi determinada pela sua localização e forma, usufruindo da falésia como defesa natural em três dos seus quatro lados, intimamente ligada às suas excelentes possibilidades estratégicas que se integram aos ditames anteriormente citados.
 
Dessa forma, a Fortaleza de Sagres da primeira metade do século XIV tornou-se o núcleo da expansão marítima portuguesa, recebendo estudiosos e navegantes de todas as nacionalidades, reunidos em torno do Infante: a chamada Escola de Sagres.
 
Após a morte do Infante (1460), deslocando-se o eixo da expansão para Lisboa, a povoação e sua fortificação perderam importância. Como resultado da distância entre a Vila do Infante e a Aldeia do Bispo, onde se celebravam os serviços religiosos, D. Manuel (1495-1521) determinou a criação da freguesia de Sagres e a edificação da igreja matriz (1512). Mais tarde, em 1573, D. Sebastião (1568-78) adossou dois baluartes nos extremos da muralha já existente, elementos cruciais na arquitectura militar após o advento da artilharia, colocados estrategicamente em locais que optimizavam o tiro cruzado.
 
Sir Francis Drake, a Dinastia Filipina e a Restauração
 
Dando prosseguimento às reformas iniciadas no reinado de D. Sebastião, sob Filipe I (1580-98), determinou-se a edificação de uma torre (ou Torreão central) no interior da fortificação, permitindo a ligação com a porta de entrada através de um túnel e apresentando, no topo, uma plataforma para artilharia, aumentando a capacidade defensiva da estrutura.
 
No contexto dos atritos entre as Coroas da Espanha e da Grã-Bretanha, no cenário internacional do final do século XVI, a armada do corsário Sir Francis Drake atacou a região de Sagres (1587), que foi violentamente saqueada e incendiada. Na ocasião, sofreram severos danos as fortificações da Baleeira, de Belixe e de São Vicente. Um desenho do ataque inglês, actualmente na Biblioteca do British Museum, retrata as fortificações da região à época (1587), evidenciando o seu carácter de transição da Idade Média para a arquitectura militar moderna. No tocante à Fortaleza de Sagres, reconhece-se, a partir do exterior:
  • um pequeno bastião quadrangular de faxina, com a função de assegurar a primeira linha de defesa;
  • uma muralha de alvenaria de pedra, com o formato dos dentes de uma serra e uma extensão aproximada de 180 m, encimada por ameias, fechava o istmo de lado a lado;
  • dois baluartes baixos, com ameias, posicionavam-se em cada extremidade da muralha;
  • a meio da cortina abria-se uma pequena porta, dando acesso a dois pequenos pátios amuralhados e ameados, com portas alternadas, à maneira dos castelos medievais;
  • no interior dispunha-se a Praça de Armas, um conjunto de habitações ligado por uma cortina às muralhas laterais, conjunto esse dominado por um cubelo na extremidade oposta, e a antiga Igreja de Santa Maria.
Após o assalto de Drake, cogitou-se a modernização da fortificação manuelina. Em 1621, Alexandre Massai, um engenheiro militar napolitano, apresentou um projecto para a construção de novos baluartes com maior capacidade defensiva, mas não foi concretizado. Só em 1631 é que reparos nas muralhas arruinadas foram determinados por Filipe III (1621-40). As obras foram iniciadas no ano seguinte, aproveitando-se trechos das antigas muralhas e levantando-se baterias renascentistas, obras que prosseguiram após a Restauração da Independência, no reinado de D. João IV (1640-56). Entretanto, as novas muralhas exteriores permaneceram incompletas, coexistindo com as muralhas henriquinas.
 
O século XVIII e o terramoto de 1755
 
A fortaleza foi seriamente danificada pelo tsunami imediatamente subsequente ao terramoto de 1755, quando a gigantesca onda galgou a altura do penhasco. O estado de ruína, provocado pelo tempo e pelos elementos, prolongou-se até ao reinado de D. Maria I (1777-1816), quando esta soberana ordenou a reconstrução da estrutura. Para tanto, foram demolidas as antigas muralhas medievais e, entre 1793-94, terminadas as obras do novo traçado de muralhas. Adequadas às necessidades de defesa da época, eram mais baixas e compactas empregando argamassa de reboco para melhor absorver o impacto dos projécteis da artilharia da época. Nas extremidades ergueram-se dois meio-baluartes, artilhados. No interior do terrapleno, um torreão central substituiu o antigo cubelo filipino.
 
Os continuados conflitos no século seguinte fizeram com que a fortificação de Sagres assumisse um importante papel de coordenação em toda a linha defensiva no oeste do litoral algarvio.
 
As restaurações do século XX
 
Classificada como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Junho de 1910, os trabalhos de restauração promovidos nas décadas de 1950 e 1960 descaracterizaram a estrutura ao procurar devolvê-la à configuração quinhentista original. As edificações do lado esquerdo foram reconstruídas conforme aquelas desenhadas na iconografia do ataque de Drake, com um piso térreo e uma chaminé por divisão. Foi colocada a descoberto, nesta fase, a Rosa dos Ventos.
 
Na década de 1980, face à degradação do conjunto e visando adequar a utilização do sítio aos pressupostos da Carta de Veneza (possibilitando o acolhimento turístico), foi lançado um concurso para a recuperação da Fortaleza de Sagres. O projecto vencedor, do arquitecto João Carreira, apesar de uma década de polémica suscitada pela natureza da nova intervenção, introduziu em Portugal a discussão da reutilização dos monumentos, face à compatibilidade das novas estruturas com a memória do passado.
 
Actualmente, a Fortaleza de Sagres encontra-se aberta diariamente ao público. Além de se poder apreciar as estruturas anteriores ao século XVIII, recuperadas, modernas intervenções permitem visitar as diversas áreas do promontório, podendo usufruir ainda de um centro de exposições, um centro de multimédia, lojas de artigos culturais e de uma cafetaria.

 
Características
 
Muralha
 
De traçado poligonal abaluartado, compõe-se de uma cortina fechando o lado de terra e de um muro que se estende pelo flanco esquerdo. Nas duas extremidades da cortina, erguem-se os meio-baluartes de 1793, um sob a invocação de Santa Bárbara (padroeira da artilharia) e outro de Santo António (patrono do exército português).
 
Portão monumental
 
A meio da cortina abre-se o Portão Monumental da praça, em estilo neoclássico, encimado por um escudo de armas no frontão com uma inscrição lapidar referindo o então governador do Algarve, D. Nuno José Fulgêncio João Nepomuceno de Mendonça e Moura (1793).
 
Pelo lado interno do portão pode ser vista uma lápide em memória do Infante D. Henrique, colocada por volta de 1840.
 
Terrapleno
 
Estrategicamente distribuídos pelo terrapleno encontram-se seis baterias orientadas para o mar e guaritas. Isolado dos demais edifícios, ergue-se o Paiol da Pólvora provavelmente edificado em meados do século XVIII. Inserido no conjunto das edificações, encontra-se uma réplica de um Padrão de Descobrimento quinhentista, no qual se pode observar um escudo de armas do Infante D. Henrique. Destaca-se, entretanto, a Rosa dos Ventos, também denominada como Rosa dos Ventos do Infante D. Henrique, uma ampla estrutura que se considera remontar ao século XVI. Revelada casualmente em 1921, representa uma estrela com 32 raios, simbolizando os rumos, inscrita num círculo, traçada no solo por seixos irregulares e que alguns autores crêem tratar-se de um Gnomon solar. Gnomon é o nome grego do relógio de sol.
 
Edifícios
 
Várias edificações históricas podem ser observadas no terrapleno da fortaleza, como o torreão central, diversos quartéis e edificações como a torre cisterna  - provavelmente fruto de projecto henriquino, presente em grande parte das representações da fortaleza após a incursão de Drake em 1587 -, as antigas casas da "correnteza" e a Casa do Governador, estruturas alvo de reaproveitamento turístico no projecto dos anos de 1990.
 
Igreja de Nossa Senhora da Graça
 
A edificação do actual templo veio substituir, possivelmente em 1570, à época de D. Sebastião, a antiga ermida de Santa Maria mandada erigir em 1459 pelo Infante D. Henrique. Após o terramoto de 1755, em que ficou danificada, foram acrescentados a sacristia e o campanário.
 
Apresenta uma planta simples quadrangular de nave única, com pequenas janelas isoladas nas paredes e remate em abóbada de canhão. A cabeceira, com sacristia anexada, também apresenta planta quadrangular e é encimada por uma cúpula semi-esférica. A fachada principal é demarcada pela porta de entrada com lintel e telhado de duas águas. Ao campanário, erguido na localização do antigo ossário do cemitério, acede-se através de uma escada do lado Este. Aqui se encontra inserido, desde 1997, o retábulo em estilo barroco da Capela de Santa Catarina do Forte de Belixe.
 
 
A Fortaleza de Belixe localiza-se em posição dominante da praia de Belixe Velho, no Cabo de São Vicente. A estrutura original, remontando à necessidade quinhentista de defesa contra a pirataria da costa, foi arruinada pelo ataque do corsário britânico Francis Drake, em 1587. O monumento actual remonta ao século XVII, quando a estrutura foi reconstruída, a partir de 1632, por ordem de Filipe III (1621-1640). Actualmente podem ser observados os panos de muralha remanescentes, baterias e casamatas restaurados, bem como a Capela de Santa Catarina, cujas origens remontam a uma doação do Infante D. Henrique (1394-1460) pouco antes de sua morte.
 
O Cabo de São Vicente é um cabo situado no extremo sudoeste de Portugal continental, na freguesia de Sagres, concelho de Vila do Bispo. É o antigo "Promontorium Sacrum" romano, dedicado ao deus Saturno. No cabo situa-se uma antiga fortaleza visitável (Fortaleza de Sagres). Em Lagos, a 25 km do cabo para leste, o Infante D. Henrique estabeleceu a sua escola de navegação no século XV, que impulsionou os Descobrimentos portugueses. Do cabo é possível apreciar a passagem dos navios que transitam entre o Mar Mediterrâneo e o norte da Europa.
Fonte: Wikipédia. 
 

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2 comentários

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    Praia da Claridade 15.11.2006

    Cuidado com as falésias do Cabo de Sagres... porque com mais os 2 "pesos pesados" ( 257 kgs ) ainda podem todos ir parar ao Atlântico... As pedras podem soltar-se... LOL....
    Não convém chegar muito ao perto. Eu já lá estive e aquilo mete respeito, quando faz muito vento !
    Filipe, com o da minha Praia.
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