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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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10
Out06

O fígado

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Fígado posterior
Fígado posterior
 
 
 

O fígado é a segunda maior glândula do corpo humano, localiza-se no canto superior direito do abdómen, sob o diafragma, o seu peso aproximado é cerca de 1,5 kg no homem adulto, e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito. Funciona como glândula exócrina, isto é, liberta secreções em sistema de canais que se abrem numa superfície externa ou interna. Actua também como glândula endócrina, uma vez que também liberta substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.
 
As funções do fígado
 
Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a actividade máxima logo depois da alimentação; isto diminui-lhes  a capacidade de reacção a estímulos externos. Noutras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reacção. A diferença é determinada pelo fígado e pela sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.
 
Entre algumas das funções do fígado, podemos citar:
  • destruição das hemácias
  • emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile, ou bílis
  • armazenamento e libertação de glicose
  • síntese de proteínas do plasma
  • produção de precursores das plaquetas
  • conversão de amónia em ureia
  • purificação quanto a diversas toxinas
Uma fábrica de processamento
 
Além das funções citadas acima, este órgão efectua aproximadamente 220 funções diferentes todas interligadas e correlacionadas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais actividades é a formação e excreção da bile, ou bílis; as células hepáticas produzem em torno de 1,5 litros por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogénio, este conhecido como amido animal, e o seu armazenamento, dá-se nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o sub-produto resulta em ureia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente, existe a elaboração da seroalbumina, da seroglobulina e do fibrinogénio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.
 
O fígado, além de produzir nos seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B. Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem acção antitóxica importante, processando e eliminado os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos.
 
Morfologia
 
Nos humanos, o fígado tem formato de prisma, com ângulos arredondados, dando-lhe aparência ovalizada, a sua coloração é vermelho-escuro, tendendo ao marrom arroxeado, os tecidos que o compõem são de natureza muito frágil. A sua aparência e consistência seguem o padrão de outros animais. A sua localização é na parte mais alta da cavidade abdominal, abaixo do diafragma no hipocôndrio direito. É formado por três superfícies: superior ou diafragmática, inferior ou visceral e posterior.
 
Alguns anatomistas dividem o órgão em dois lobos,ou lóbulos (designação das grandes porções que constituem certos órgãos, tais como os lobos do fígado, do cérebro, etc.): o direito é bem maior que o esquerdo, tendo ainda mais dois lobos bem menores situados entre o direito e o esquerdo. A superfície superior fica imediatamente abaixo do diafragma e o ligamento falciforme divide-a em dois lobos: o direito e o esquerdo. A superfície inferior é plana, dividida por três sulcos, dando uma forma de H. Na parte anterior do sulco direito, encontra-se a vesícula biliar, que é uma bolsa membranosa que armazena bílis; na parte frontal do sulco esquerdo, está situado o ligamento redondo que é uma extensão da veia umbilical.
 
Existe ainda um sulco transverso determinado pelo hilo, que é por onde entram e saem todos os vasos sanguíneos, exceptuando-se as veias hepáticas. Os sulcos dividem a superfície inferior do fígado em quatro lobos: o direito ou quadrilátero; o esquerdo ou triangular; o quadrado, situado na parte da frente do hilo e, por último, o alongado ou na parte posterior também chamado de Spiegel.
 
O fígado tem grande parte da superfície externa revestida pelo peritónio, que forma os ligamentos que o ligam ao abdómen e às vísceras vizinhas. Envolvendo-o, há um invólucro especial, formado pela chamada cápsula de Glisson; esta reveste todo o órgão, sem interrupção, como uma capa, que na parte mais próxima do hilo envolve a artéria hepática, a veia porta, o condutor hepático e os nervos.
 
Embora o tecido hepático seja macio, a cápsula que o recobre é extremamente resistente e diminui a possibilidade de lesões traumáticas. Em caso de ruptura, as consequências são gravíssimas, pois o tecido interno se dilacera, rasga, com grande facilidade.
 
O órgão é constituído por aproximadamente cem mil lóbulos, que são minúsculos agregados celulares formados pelas células hepáticas que se organizam em cordões dispostos em volta da veia chamada de centrolobular. A veia porta contém muitas pequenas ramificações, ligadas às sinusóides, que são espaços compreendidos entre as diversas camadas de células hepáticas.
 
Hematologia e irrigação
 
O fígado é irrigado pela artéria hepática, cuja função é levar sangue arterial oxigenado necessário ao seu metabolismo. O sangue procedente do baço e do intestino vem da veia porta; este é rico em substâncias nutritivas, absorvidas durante a digestão. O sangue é recolhido pela veia centrolobular e conduzido para veias cada vez mais grossas, até chegar à veia supra-hepática.
 
Processamento químico e sub produtos
 
As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lípidos, glicídios, proteínas, vitaminas, etc., vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos sub-produtos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogénio, e novamente convertida em açúcar que é libertado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupfer, que se encontram nos sinusóides, agem sobre as células sanguíneas que já não tem vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina (pigmento biliar de cor amarelo-avermelhado), que é absorvida pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai-se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até ao duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis se vai misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e as suas moléculas penetram na corrente sanguínea. A veia porta conduz estas ao fígado que as combina e recombina, remetendo-as para o resto do organismo.
 
A importância do fígado e seu poder de regeneração
 
Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são importantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sanguíneos que compõem o órgão. Se, em caso de acidente grave e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.
 
Enfermidades
 
Entre as principais enfermidades que acometem ao fígado estão, as Hepatites agudas de etiologia desconhecida, chamadas de hepatites criptogénicas, as hepatites B, C, D e E, as doenças alcoólicas do fígado, as doenças hepáticas tóxicas, as insuficiências hepáticas, as fibroses e cirroses hepáticas, entre outras.
Fonte: Wikipédia. 
 
 

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