Domingo, 24 de Setembro de 2006

O Cromeleque dos Almendres

 
Cromeleque dos Almendres - Évora, Portugal
 
Cromeleque dos Almendres - Évora, Portugal
 
 
 

O Cromeleque dos Almendres é um monumento megalítico que está situado numa encosta voltada a nascente, em Nossa Senhora de Guadalupe, uma freguesia portuguesa do concelho de Évora, com 68,66 km² de área e 495 habitantes (2001). Densidade: 7,2 h/km². Esta freguesia foi criada em 1985, desmembrando-se da freguesia vizinha de Nossa Senhora da Graça do Divor no território que havia constituído a antiga freguesia de São Matias.
 
O Cromeleque dos Almendres é o maior conjunto de menires estruturados da Península Ibérica (não só devido à sua dimensão, mas também, devido ao seu estado de conservação) e um dos mais importantes da Europa. Encontra-se a cerca de 13 quilómetros da cidade de Évora, no Alentejo, a Sul de Portugal continental. Este recinto só foi assinalado em 1964 pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina, no decorrer dos trabalhos da carta cartográfica de Portugal. Este monumento data dos finais do VI milénio a.C. ou início do V milénio a.C. e é constituído por 95 menires, sendo que, no seu apogeu, teria cerca de cem. Este cromeleque já teve três campanhas de estudo e escavação.
 
Cromeleque ou Cromlechs, é o conjunto de diversos menires (ou menhires), [monumentos pré-históricos em pedras, cravadas verticalmente no solo (ortóstatos)], agrupados num ou vários círculos, em elipses, em rectângulos, em semicírculo ou por vezes sem ordem aparente. Trata-se de monumentos pré-históricos que parecem ter tido uma função religiosa. A grande maioria dos Cromeleques existentes em Portugal, encontram-se em encostas expostas a nascente-sul.
 
Para erigir os seus monumentos, os homens da época pré-histórica provavelmente começaram por levantar uma coluna, em honra de um deus ou de um acontecimento importante, embora a maioria dos historiadores relacionem o seu aparecimento com:
  • Culto da fecundidade  (menir isolado)
  • Marcos territoriais  (menir isolado)
  • Orientadores de locais  (menires isolados e em linha)
  • Santuários religiosos  (menires em círculo)
Esses monumentos pré-históricos eram pedras, cravadas verticalmente no solo, às vezes bastante grandes (megalito denominado menir ou menhir). Pelo peso dessas pedras, algumas com mais de três toneladas, acredita-se que não poderiam ter sido transportadas sem o conhecimento da alavanca.
 
Estas pedras (os menires) deram origem às colunas. Mais tarde percebeu-se que, usando três elementos, era possível construir. Assim nasceu o dólmen (Bretão dol = mesa, men = pedra), em forma de mesa, ou o trilito (três pedras), formado por duas colunas que apoiavam uma arquitrave. Uma série de trilitos fez a colunata.
 
Cronologia
 
A formação do Cromeleque dos Almendres, foi iniciada no final do Sexto milénio a.C. e terminada no Terceiro milénio a.C..
  • No Neolítico Antigo Médio foi erigido um conjunto de monólitos, agrupados em três círculos concêntricos.
  • No Neolítico Médio foi erigido um novo recinto com a forma de duas elipses concêntricas, mas irregulares.
  • No Neolítico Final foram acrescentados aos dois recintos existentes, alguns monólitos com gravuras com marcada influência religiosa.
Estrutura
 
Os monólitos, alguns com três metros de altura, foram colocados sobre alvéolos ou cavidades, previamente preparados. Actualmente existe planta da disposição de todos estes monólitos, estando todos eles numerados de forma a ser possível identificar as características individuais de cada.
Os dois recintos contíguos apresentam uma orientação nascente-poente.
  • O recinto mais a Oeste, em forma de círculo é o mais antigo e foi edificado no Neolítico Antigo Médio.
É constituído por três círculos concêntricos, apresentando no total vinte e quatro monólitos. O círculo exterior tem de diâmetro, aproximadamente 18,8 metros e o círculo interior cerca de 11,4 metros.
  • O recinto mais a Leste, em forma de elipse, é o recinto edificado no Neolítico Médio e era constituído na sua origem por 56 menires.
Este recinto é formado por duas elipses concêntricas, em que a maior apresenta as seguintes dimensões: eixo maior 43,6 metros e o menor 32 metros.
 
No interior do recinto em forma de elipse, foram colocados, já no Neolítico Final, alguns novos menires, e em alguns dos já existentes, foram gravadas algumas figuras em relevo.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Com os meus agradecimentos a A PAPOILA que comentou há dias:
"Para quando um trabalho sobre o nosso Cromeleque dos Almendres?"
Como gosto da inter-actividade de quem me visita, sempre que me é possível,  transmito as ideias colocadas nos comentários. 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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11 comentários:
De Monica Freitas a 24 de Setembro de 2006 às 01:33
Oi Filipe!

Preferia estar aí em Portugal pois adoro as estações mais frias... aqui no Brasil o inverno quase não deu as caras, não fez o frio com o qual estamos acostumados no sul do país. Uma pena...
Como na cidade onde moro não tem praia (a mais próxima fica a 100 quilômetros) e faz muito calor, sofremos muito no verão. Já você deve sentir muita falta do verão morando em uma praia tão linda!
Obrigada pelo elogio à minha sobrinha. Sou uma tia totalmente coruja, tudo o que ela faz eu acho lindo, inclusive quando ela apronta.

Bjs, tenha um lindo domingo.


De Quico, Ventor e Pilantras a 24 de Setembro de 2006 às 01:40
Aqueles menires (menhires?) eram bons para eu dar uns saltinhos de pedra em pedra. Mas eu vou perguntar ao Ventor se, realmente ele andava por cá nessas alturas pré-históricas ou se também andava por outras galáticas. É que ele sabe quase tudo, e quando não sabe desculpa-se. Nessa altura eu estava em ...
Mas olha, para mim que sou gato acho que tens aí um bom trabalho, feito com toda a claridade, como a da tua praia, que ajuda a abrir a cuca às pessoas e interessarem-se pelos nossos avós e muito para além deles. Boa ideia essa de tornar os blogs úteis. Um abraço,


De Praia da Claridade a 24 de Setembro de 2006 às 17:33
Agradeço o comentário e pelas palavras de encorajamento ao meu trabalho. Dão-me ânimo para seguir em frente !
Sobre "menires (menhires?) ", segundo o "Priberam Dicionário de Língua Portuguesa On-line", pode-se escrever das duas formas:
"Menir" ou "menhir": monumento megalítico constituído por uma grande pedra erguida ao alto e fixada no chão.
Na semana passada estive dois dias na Amadora...
Perece-me que vi o Quico numa janela tentando apanhar um passarinho... seu maroto !........
Uma boa semana.
Um Abraço.


De Maria Papoila a 24 de Setembro de 2006 às 10:11
Amigo Filipe:
Foi com prazer que li este artigo sobre o Cromeleque dos Almendres que para mim constitui um local de culto pessoal. Sempre que esta "tripeira" ferrenha tem de viajar até ao seu mais profundo inconsciente fá-lo sentada no Cromeleque dos Almendres depois de ter visitado uma por uma esses monolitos, alguns com figuras humanas. Para mim estas pedras têm alma e dão-me paz... (aquela que não senti em Stonehenge...apesar da sua beleza...)
Obrigada!
Beijo


De Maria Elisa a 24 de Setembro de 2006 às 16:49
Olá meu amigo! Neste dia de muita chuva,por menos por aqui,espero muita saúde só ela será a razão principal da nossa vida,tudo o resto vem por acréscimo,sobre,os "Cromeleque das Almendras"eu não conheço?Mas todas estes monomentos ´Pré Históricos tem muito valor para todos os povos do Mundo,sejam eles Portugueses,ou não para mim como Portuguêsa que sou,tenho muito orgulho no meu País, seja ele pequeno ou não,pobre,sim talvês,mas que demos ao mundo grande sabedoria ao longo dos Anos pena é que não tivese-mos aproveitado,seriamos um País muito grande monetáriamente sem precisar de ningem,mas devia-mos de ter mais alto estima do nosso País,mais "Carolas"passo a expresão.
Abraço meu amigo do coração.
Elisa


De soaresesilva a 24 de Setembro de 2006 às 17:27
Sempre que visito um destes locais, sinto qualquer coisa de misterioso, de belo e de encantamento. Que sentimentos, que angústias levaram povos tão antigos a exprimir-se assim? É o mesmo que se sente quando se visita uma catredal: uma necessidade de comunicação com Alguém acima de todos nós.


De Chicailheu a 24 de Setembro de 2006 às 21:46
Estas pedras são parecidas com as que existem na Ilha da Páscoa!
Algo haverá de semelhante?
beijos
Chicailheu


De ACACIO SIMOES a 24 de Setembro de 2006 às 22:00
O que para aí há mais são cromos !
No entanto devo confessar que não conhecia o cromeleque.
Um abração ó Filipão !


De aldoramira a 26 de Setembro de 2006 às 15:44
Olá sabia atraves de meu pai; que me contava no distrito de Évora haver muitas Antas e de encontrar feramentas pré-históricas, mas desconhecia totalmente o Cromeleque dos Almendres. Aqui sempre aprendendo.
Beijinho
Arodla


De Ana Custódio a 6 de Janeiro de 2008 às 08:31
Gostei imenso do artigo disponibilizado sobre o Cromeleque de Almendres, quer pela precisão, quer pela clareza de linguagem, acessível a todo o tipo de pessoas. Bom trabalho!


De Praia da Claridade a 25 de Janeiro de 2008 às 22:35
Agradeço a visita e as palavras deixadas neste comentário.


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