Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

O Monte Capitólio

 
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio), Roma, com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.
 
A Piazza del Campidoglio (Praça do Capitólio), Roma,
com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.
 
 

O Monte Capitólio (em italiano: Campidoglio), ou monte Capitolino, é uma das famosas sete colinas de Roma. Trata-se da colina mais baixa, com dois picos separados por uma depressão. Era local facilmente defensável, com alta escarpa excepto no lado que se vira para o Quirinal. Segundo a lenda, os Sabinos puderam tomar a colina apenas pela traição de Tarpéia. A rocha Tarpéia, de onde os criminosos eram atirados, guardaria o seu nome. Quando os Gauleses invadiram Roma, em 390 a.C., o monte Capitolino foi a única zona da cidade que não foi capturada pelos bárbaros.
 
No lado do pico do sul, ou Capitolium, entre o Fórum Romano e o Campus Martius (Campo Marzio), erguia-se o templo da Tríade Capitolina — os deuses Júpiter, a sua companheira Juno e a filha de ambos, Minerva — iniciado pelo último rei de Roma Lucius Tarquinius Superbus (Tarquínio, o Soberbo), e considerado um dos maiores e mais belos templos da cidade. No lado do pico do norte, ou Arx, a partir do século IV a.C., levantava-se o templo de Juno Moneta, no actual local da igreja de Santa Maria in Aracoeli. No pequeno vale entre ambos, hoje ocupado pela Praça do Campidoglio, ficava o Asylum, santuário que a lenda faz recuar aos tempos de Rómulo que oferecia refúgios aos perseguidos. Do lado leste, o Tabularium, arquivo estatal romano. No sopé da colina, no local da actual igreja de Giuseppe del Falegnami, a prisão Mamertina, onde provavelmente estiveram detidos os apóstolos Pedro e Paulo.
 
O monte Capitolino é referido inúmeras vezes durante a História de Roma: nele Brutus e os assassinos refugiaram-se, dentro do Templo de Júpiter, após o assassinato de César; foi aqui que Gracchi morreu; aqui, os triunfantes generais podiam contemplar a cidade pela qual lutavam; foi aqui que os Sabinos, perante a Cidadela, perpetraram dentro da cidade, com a ajuda da infame Virgem Vestal, Tarpeia, filha de Spurius Tarpeius, que foi mais tarde o primeiro a morrer nas rochas. Aqui foram assassinados criminosos políticos, atirados pela encosta da colina, para caírem nas afiadas Rochas Tarpeianas, mais abaixo. Quando Júlio César sofreu um acidente durante o seu Triunfo (segundo as crenças da época, indicando claramente a sua ira e o castigo a César pelas suas acções durante as Guerras Civis), aproximou-se da colina em direcção ao templo de Júpiter em joelhos, na tentativa de subverter as infelizes premonições (César seria assassinado seis meses depois).
 
De 1536 a 1546, o papa Paulo III encarregou Michelangelo de redesenhar a praça e transformar o Campidoglio — como os Romanos o tornaram conhecido — com os seus três palácios que preenchem o espaço trapezoidal, aproximados de uma escadaria famosa, a Cordonata, encabeçada pelas duas grandes estátuas dos Dioscuri (os míticos Castor e Polux). A ideia de redesenhar a praça nasceu quando se preparava a visita do imperador Carlos V em 1536. Miguel Angelo incluiu nos seus planos o palácio dos senadores, construído no século XII, e os alicerces do Tabularium e do edifício do lado sul, que datava do século XIV, hoje Palácio dos Conservadores (palazzo dei conservatori). A ideia do grande artista foi transformar o monumento equestre ao imperador Marco Aurélio, transferido para o Capitólio em 1538, na principal atracção.
 
Contrapondo a orientação clássica do monte Capitolino, que se virava para o Fórum, o artista rodou as atenções para a Roma Papal. A construção da praça progrediu muito lentamente e outros arquitectos terminariam as ideias de Miguel Ângelo, pois a praça só seria terminada no século XVII. A impressionante fachada com pilastras coríntias do Palácio dos Conservadores, por exemplo, se deve a Giacomo della Porta (executada de 1564 a 1568). Os três palácios compõem actualmente os importantes Museus Capitolinos: estes edifícios do Palazzo Nuovo e do Palazzo dei Conservatori mostram, nas suas estupendas galerias, o núcleo da colecção do papa Sisto IV iniciada em 1471.
 
A piazza del Campidoglio continua a ser importante, pois nela foi assinado o Tratado de Roma em 1957 e o Palácio dos Senadores (palazzo del Senatori) é a sede oficial do prefeito da cidade. A igreja de Santa Maria in Aracoeli está adjacente à praça.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:35
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2 comentários:
De soaresesilva a 18 de Setembro de 2006 às 12:24
És o guia perfeito para uma viagem a Roma. Este é um dos pontos da cidade que não se pode deixar de visitar. Mas Roma é tão grande e tem tanto que ver que se devia lá passar, pelo menos, um ano!


De Maria Papoila a 18 de Setembro de 2006 às 17:08
Recusei um fim de semana em Roma por me parecer impossível conhecê-la em 2 dias.
Roma faz parte dos meus destinos a visitar.
Beijo


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