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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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25
Ago06

A Rota da Seda

Praia da Claridade

 
Visão geral da Rota da Seda
 
Visão geral da Rota da Seda
 
 

A Rota da Seda  era uma série de rotas interligadas através da Ásia do Sul, usadas no comércio da seda (fibra proteica usada na indústria têxtil), entre o Oriente e a Europa. Eram transpostas por caravanas e embarcações oceânicas que ligavam comercialmente o Extremo Oriente e a Europa, provavelmente estabelecidas a partir do oitavo milénio a.C. – os antigos povos do Saara possuíam animais domésticos provenientes da Ásia – e foram fundamentais para as trocas entre estes continentes até à descoberta do caminho marítimo para a Índia. Ligava Chang'an (actual Xi'an), na China, até Antióquia na Ásia Menor, assim como a outros locais. A sua influência expandiu-se até à Coreia e o Japão. Formava a maior rede comercial do Mundo Antigo.
 
Estas rotas não só foram significativas para o desenvolvimento e florescimento de grandes civilizações, como o Egipto Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia, a Índia e até Roma, mas também ajudaram a fundamentar o início do mundo moderno. Rota da seda  é uma tradução do alemão Seidenstraße, a primeira denominação do caminho feita pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen no século XIX.
 
A rota da seda continental divide-se em rotas do norte e do sul, devido à presença de centros comerciais no norte e no sul da China. A rota norte atravessa o Leste Europeu (os mercadores criaram algumas cidades na Bulgária), a península da Crimeia, o Mar Negro, o Mar de Mármara, chegando aos Balcãs e por fim, a Veneza; a rota sul percorre o Turquemenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Chegando a este ponto, divide-se em rotas que levam à Antióquia (na Anatólia meridional, banhada pelo Mediterrâneo) ou ao Egipto e ao Norte da África.
 
O último caminho-de-ferro ligado à rota da seda contemporânea foi completado em 1992, quando a via Almaty-Urumqi foi aberta.
 
A rota da seda marítima estende-se da China meridional (actualmente Filipinas, Brunei, Sião e Malaca) até destinos como o Ceilão, Índia, Pérsia, Egipto, Itália, Portugal e até a Suécia. Em 7 de Agosto de 2005, foi confirmado que o Departamento do Património Histórico de Hong Kong pretende propor a Rota da Seda Marítima como Património da Humanidade.
 
 
Origens
 
Viagem continental
 
Quando as técnicas da navegação e da domesticação de bestas de carga foram assimiladas pelo Mundo Antigo, a sua capacidade de transporte de grandes cargas por longas distâncias foi muito melhorada, possibilitando o intercâmbio de culturas e uma maior rapidez no comércio. Por exemplo, a navegação no Egipto pré-dinástico só foi estabelecida no século IV a.C., período em que a domesticação do burro e do dromedário começaram a ser instituídas. A domesticação do camelo bactriano 
e o uso do cavalo como meio de transporte foram feitas em seguida.
 
Como as rotas náuticas provêm um meio fácil de transporte entre longas distâncias, largos terrenos do interior como as planícies, que permanecem longe do litoral, não se desenvolveram como as rotas costeiras. Em compensação, dispõem de terreno fértil para pastos e água em abundância para as caravanas. Estes terrenos permitem a passagem de caravanas, mercadores e exércitos sem precisar envolver-se com povos sedentários, além de fornecer terras para a agricultura. Da mesma forma, também os nómadas preferem não ter que atravessar longos descampados.
 
Enquanto isto, cargas, especiarias e ideias religiosas eram propagadas por todos os cantos, contrapondo a ideia antiga da troca que, provavelmente, conduzia-se somente por uma rota pré-determinada. É improvável que a rota da seda fosse transcorrida somente por terra, visto que percorre a África, a Europa, o Cáucaso 
e a China.
 
Transporte antigo
 
Os povos antigos do Saara 
já haviam importado animais domesticados da Ásia entre 7500 a.C. e 4000 a.C.. Artefactos datados do 5º milénio a.C., encontrados em sítios bádaros do Egipto pré-dinástico indicam contacto com lugares distantes, como a Síria. Desde o começo do 4º milénio a.C., egípcios antigos de Maadi importam cerâmica e conceitos de construção dos Cananeus.
 
O comércio de lápis lazúli  
provém da única fonte conhecida no mundo antigo, Badakshan, localizada no noroeste do Afeganistão, localidade distante das grandes culturas, com a Mesopotâmia e o Egipto. A partir do 3º milénio a.C., o comércio do lápis lazúli foi estendido até Harappa e Mohenjo-daro, ambos no Vale do Indo.
 
Pensa-se que tenham sido usadas rotas que acompanhavam a Estrada Real Persa (construída por volta do ano 5000 a.C.) desde 3500 a.C.. Existem evidências de que exploradores do Antigo Egipto podem ter aberto e protegido novas ramificações da rota da seda. Entre 1979 e 1985, amostras de carvão vegetal foram encontradas nas tumbas de Nekhen, onde eram datadas dos períodos Naqada I e II, identificadas como cedro-do-líbano, originário do Líbano.
 
Em 1994, escavadores descobriram fragmentos de cerâmica gravada com o símbolo serekh de Naramer, datando do milénio 3000 a.C.. Estudos mineralógicos revelaram que os fragmentos pertenciam a uma jarra de vinho exportado do Vale do Nilo até Israel.
 
Comércio marítimo egípcio
 
A pedra de Palermo menciona o rei Sneferu da quarta dinastia do Egipto enviando navios para importar cedro de alta qualidade do Líbano. Numa cena no interior da pirâmide do faraó Sahuré, da quinta dinastia, os egípcios surgem retornando com grossos troncos de cedro. O nome de Sahuré é encontrado estampado numa pequena peça de ouro numa cadeira libanesa, e foram encontrados cartuchos da quinta dinastia em recipientes libaneses de pedra; outras cenas no seu templo mostram ursos sírios. A pedra de Palermo também menciona expedições ao Sinai 
assim como minas de diorita ao noroeste de Abu Simbel.
 
A mais antiga expedição de que há registo à Terra de Punt (nome que os antigos Egípcios davam a uma região da África Oriental) foi organizada por Sahuré, aparentemente a procura de mirra, assim como malaquita e electrum. O faraó da décima-segunda Dinastia do Egipto, Senuseret III, fez um "Canal de Suez" antigo, ligando o rio Nilo ao Mar Vermelho, para a troca directa com Punt. Por volta de 1950 a.C., no reino de Mentuhotep III, um oficial chamado Hennu fez algumas viagens a Punt. Foi conduzida uma expedição muito famosa por Nehsi e pela rainha Hatchepsut a Punt, realizada no século XV a.C., com o intuito de obter mirra; um relato da viagem sobrevive num pedido de socorro localizado no templo funerário de Hatshetup, em Deir el-Bahari. Muitos de seus sucessores, incluindo Tutmés III, também organizaram viagens a Punt.
 
Estanho britânico
 
A Grã-Bretanha possui grandes reservas de estanho nas regiões da Cornualha e de Devon, no sudoeste da Inglaterra. Por volta de 1600 a.C., o sudoeste da Bretanha experimentou uma explosão comercial, onde o estanho britânico era comercializado por boa parte da Europa. Quando a Era do Bronze substituiu a Era do Ferro, a navegação baseada em peças de estanho (concentrada no Mediterrâneo) declinou entre 1200 a.C. e 1100 a.C.. No entanto, não foi encontrada nenhuma rota terrestre entre a Bretanha antiga e as civilizações do Mediterrâneo.
 
Contactos de chineses e centro-asiáticos
 
Desde o 2º milénio d.C., nefrita e jade (minerais) são extraídos de minas das regiões de Yarkand e Khotan, ambas na China, para serem comercializadas. Curiosamente, estas minas não estão muito longe das minas de lápis lazúli e espinélio de Badakhshan, e apesar de estarem separadas pelos montes Pamir, muitas estradas cruzam as montanhas, algumas desde tempos muito longínquos.
 
As múmias de Tarin, múmias chinesas de um tipo indo-europeu, foram encontradas em Tarin Basin, como as da área de Loulan, localizada na rota da seda, a 200 km a este de Yingpan, que datam de 1600 a.C. e sugerem uma linha de comunicação muito antiga entre ocidente e oriente. Pode-se supor que estes restos mumificados devem ter sido feitos por ancestrais dos Tocários, cuja língua indo-europeia permaneceu em uso em Tarin Basin (moderna Xinjiang) até o século VIII d.C..
 
Muitas sobras do que parece ser seda chinesa foram encontradas no Egipto, datando de cerca de 1070 a.C.. Ainda que a origem seja suficientemente confiável, a seda degrada-se facilmente e os especialistas não puderam verificar com precisão se a seda era cultivada (muito provavelmente terá vindo da China) ou se era um tipo de seda selvagem, que pensam vir da região mediterrânea ou do Meio-Oeste.
 
Contactos próximos da China metropolitana com nómadas fronteiriços dos territórios oeste e noroeste no século VIII a.C. permitiram a introdução do ouro da Ásia Central no território chinês. Assim sendo, os escultores de jade chineses começaram a imitar as estepes nas suas obras (devido à adopção do estilo artístico cítio para animais das estepes, onde os animais eram retratados em combate). Este estilo reflectiu-se particularmente nos cintos de placas rectangulares, feitos em ouro e bronze, com versões alternadas de jade e pedra-sabão.
 
Estrada Real Persa
 
No tempo de Heródoto, a Estrada Real Persa percorria 2.857 km da cidade de Susa, no baixo Tigre até o porto de Esmirna (moderna Izmir na Turquia) no mar Egeu. Era mantida e protegida pelo império Aquemeu, e possuía estações postais e estalagens a intervalos regulares. Com cavalos descansados e viajantes prontos a cada estalagem, mensageiros reais podiam carregar mensagens em nove dias, ao contrário de mensageiros normais que demoravam cerca de três meses. A Estrada Real era ligada a outras rotas. Muitas delas, como as rotas indianas e centro-asiáticas, também eram protegidas por Aqueménides, que mantinha contacto regular com a Índia, a Mesopotâmia e o Mediterrâneo. Existem registos em Ester de despachos feitos em Susa para províncias indianas e para o Cush durante o reinado de Xerxes.
 
Viagens transatlânticas feitas por Roma e Egipto
 
Em 1975, duas ânforas intactas foram resgatadas no fundo da Baía de Guanabara, próxima ao Rio de Janeiro, Brasil. Em 1981, o arqueólogo Robert Marx descobriu milhares de fragmentos de cerâmica num mesmo local, incluindo duzentos pescoços de ânfora. A princípio acreditava-se que haviam sido fabricadas na Roma Antiga, por volta do século II a.C.. Entretanto, o mergulhador Americo Santarelli afirmou ter ele mesmo enterrado as ânforas, as quais teriam sido fabricadas no século XX. Testes feitos em amostras de tecido biológico de múmias do Egipto Antigo, demonstraram a aparição de traços de substâncias químicas que na época eram encontradas somente nas Américas, como o tabaco e a coca. Já que as amostras foram retiradas de diversas múmias, a possibilidade de contaminação é muito pequena.
Fonte: Wikipédia.

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