Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Mosteiro da Batalha

 
Mosteiro da Batalha

Mosteiro da Batalha

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Mosteiro da Batalha - Capelas imperfeitas

Mosteiro da Batalha - Capelas imperfeitas

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Mosteiro da Batalha - Claustro Real

Mosteiro da Batalha - Claustro Real

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O Convento de Santa Maria da Vitória (também conhecido como Mosteiro da Batalha) situa-se na Batalha, Portugal, e foi mandado edificar por D. João I como agradecimento do auxílio divino e celebração da vitória na Batalha de Aljubarrota. Em 1388 já ali viviam os primeiros dominicanos.
 
 
História
 
No arranque das obras do Mosteiro da Batalha foi construído um pequeno templo, cujos vestígios eram ainda visíveis no princípio do século XIX. Era nesta edificação, Santa Maria-a-Velha, também conhecida por Igreja Velha, que se celebrava missa, dando apoio aos operários do estaleiro. Tratava-se de uma obra pobre, feita com escassos recursos.
 
Em traços esquemáticos conhece-se a evolução do estaleiro propriamente dito e o grau de avanço das obras. Sabe-se que ao projecto inicial corresponde a igreja, o claustro e as dependências monásticas inerentes, como a Sala do Capítulo, sacristia, refeitório e anexos. É um modelo que se assemelha ao adoptado, em termos de orgânica interna, pelo grande mosteiro alcobacense.
 
A capela do Fundador, capela funerária, foi acrescentada a este projecto inicial pelo próprio rei D. João I, o mesmo acontecendo com a rotunda funerária conhecida por Capelas Imperfeitas, da iniciativa do rei D. Duarte.
 
O claustro menor e dependências adjacentes, ficaria a dever-se à iniciativa de D. Afonso V, sendo de notar o desinteresse de D. João II pela edificação. Voltaria a receber os favores reais com D. Manuel, mas somente até 1516-1517, ou seja, até à sua decisão em favorecer decididamente a fábrica do Mosteiro dos Jerónimos.
 
O Mosteiro foi restaurado no Século XIX, sob a direcção de Luís Mouzinho de Albuquerque, de acordo com a traça de Thomas Pitt, viajante inglês que estivera em Portugal nos fins do Século XVIII, e que dera a conhecer por toda a Europa o mosteiro através das suas gravuras. Neste restauro, o Mosteiro sofreu transformações mais ou menos profundas, designadamente pela destruição de dois claustros, junto das Capelas Imperfeitas e, num quadro de extinção das ordens religiosas em Portugal, pela remoção total dos símbolos religiosos, procurando tornar o Mosteiro num símbolo glorioso da Dinastia de Avis e, sobretudo, da sua primeira geração (a dita Ínclita Geração  de Camões). Data dessa altura a actual configuração da Capela do Fundador  e a vulgarização do termo Mosteiro da Batalha (celebrando Aljubarrota) em detrimento de Santa Maria da Vitória, numa tentativa de erradicar definitivamente as designações que lembrassem o passado religioso do edifício.
 
 
Caracterização arquitectónica
 
Planta
 
Em planta de cruz latina, a igreja revela o apego à tradição do gótico mendicante português. Trata-se de um templo de 3 naves, com transepto pronunciado e cinco capelas na cabeceira, sendo as laterais de igual profundidade (as mais interiores no enfiamento das colaterais; as exteriores deitando para o braço final do transepto), todas elas precedidas de um tramo recto (ligeiramente prolongado na capela-mor).
 
Dimensões
 
A igreja, que possui 80 m de comprimento 22 m de largura e um vão máximo na flecha de 32,5 m, denuncia um sistema proporcional relativamente simples. A diferença de altura entre as naves laterais e a nave central é baseada numa «razão» proporcional de 3:2 ou razão sesquitércia, aliás corrente no gótico. A mesma «razão» foi adoptada para determinar a relação entre a largura do templo e o seu comprimento, da porta axial até ao arco triunfal, e, mais tarde, para determinar a dimensão da Capela do Fundador que, assim, se constitui num quadrado que «preenche» três vezes o corpo da igreja (cabeceira excluída).
 
Cobertura
 
O templo só difere dos seus congéneres mais antigos pelo facto de ser completamente abobadado e de muito maior comprimento. Com oito tramos, marcados por arcada longitudinal este traçado remete todo o projecto inicial para uma condição de continuidade relativamente à tradição portuguesa, havendo apenas que solucionar os trâmites relativos ao abobadamento. A experiência do deambulatório da Sé de Lisboa deve ter sido importante para o facto, sabendo-se para mais que o mestre Afonso Domingues, morador em Lisboa na freguesia da Madalena, sendo natural desta cidade, poderá ter ali tirocinado.
 
Os pilares das naves são polistilos e de grande espessura, sendo cada coluna adossada, ininterrupta da base até ao capitel, sem qualquer marcação de gola ou cornija, sendo isto válido também para as meias colunas que sustentam os arcos torais da nave central. A cobertura das três naves é estruturalmente idêntica, com arcos torais simples, duas nervuras cruzadas e cadeia unindo as chaves longitudinalmente. O mesmo acontece no transepto, onde se registam cinco tramos de abóbada, de oito panos cada, e com o mesmo sistema de ogivas cruzadas (sendo obviamente maiores os tramos do cruzeiro). O uso de abóbadas na nave central, elevada a muito maior altura que as colaterais, obrigou à utilização de arcobotantes, que descarregam o seu peso nos estribos do flanco exterior do templo, ao nível da cobertura das laterais. As abóbadas das capelas da cabeceira, com topo poligonal de cinco tramos cada, são cobertas por abóbada de ogivas, com nervuras nascentes de arcos adossados às paredes, dotadas de dois tramos rectos solidários com o topo poligonal, formado por nervuras radiantes com as chaves também ligadas por cadeias. Este sistema dispensou qualquer reforço exterior, cingindo-se o respectivo apoio a contrafortes radiais.
 
O mestre Afonso Domingues não terá finalizado a obra, deixando, no entanto, configurado quase todo o templo, com excepção talvez das partes mais elevadas e boa parte da zona claustral. Assim, no interior é fácil perceber a intervenção do mestre português nas abóbadas das naves, dotadas de grandes chaves de decoração naturalista, enquanto a abóbada do transepto, com chaves de menores dimensões, parece ser já obra da empreitada seguinte. O mesmo acontece com os capiteis devidos à empreitada de Domingues, com decoração vegetalista e antropomórfica (cabeças e anjos) desenvolvendo-se em «dois andares» com a cesta visível, em contraste com os capiteis mais avançados da empreitada de Huguet, com decoração quase exclusivamente vegetalista muito desenvolvida e cobrindo a cesta até quase a mascarar.
 
Alçado
 
Em termos de alçado, as diferenças existentes são consequência do abobadamento geral das naves da igreja. A iluminação é feita por janelões apontados a partir dos flancos colaterais e por um clerestório que corre ao longo da parede superior da nave central, onde se rasgam janelões apontados ao eixo dos arcos. Convém relembrar ainda que o facto de a capela-mor da cabeceira do Mosteiro da Batalha possuir fenestração em dois andares (em vez de uma só janela por pano) é, segundo Mário T. Chicó, resultante da influência directa da capela-mor afonsina da Sé de Lisboa, então já edificada. Tudo isto aponta para a importância da primeira empreitada de obras devida a Domingues.
 
 
Áreas
 
Capela-Mor
 
A Capela-Mor parece ser de acabamento posterior, com o seu arco triunfal acairelado, podendo igualmente considerar-se duas as fases de trabalho das capelas colaterais. Na zona das dependências claustrais é possível que os trabalhos tivessem avançado mais rapidamente do que no corpo do templo. As galerias norte e ocidental estariam já levantadas, mas foi Huguet quem terá dado acabamento às do lado sul e nascente (todas elas com sete tramos), respeitando porém o traçado anterior, com abóbadas de cruzaria de grandes chaves unidas por cadeia longitudinal, sem mísulas, descansando em finos colunelos de um e de outro lado das paredes.
 
Sala do Capítulo
 
Coube ao mestre Huguet finalizar a célebre Sala do Capítulo (Túmulo do Soldado Desconhecido), de planta quadrada, coberta por uma abóbada de estrela de um só voo. Esta abóbada é, efectivamente, uma obra de notável técnica construtiva gótica, sendo formada por dezasseis nervuras radiais, oito lançadas das paredes, as restantes lançadas das chaves secundárias exteriores, convergindo para uma grande chave central de decoração vegetalista, desenvolvida em duas coroas. A face exterior desta sala, deitando para a galeria do claustro, é formada por um portal central de rasgamento profundo, com cinco arquivoltas de fora e quatro do lado de dentro, o vão ornado por cogulhos radiantes. De cada lado abrem-se dois grandes vãos quebrados, preenchidos cada um deles por duas janelas geminadas com uma bandeira recortada e rendilhada segundo preceitos do gótico flamejante. São sobrepujadas por um óculo.
 
A sala capitular possui ornamentação figurativa digna de registo: o programa dominante é mariológico, assinalando-se na janela sul virada para a crasta em dois capitéis, a representação de uma Anunciação, com a virgem à direita e o anjo à esquerda. Nossa Senhora segura uma vasilha com o seu braço direito, tendo o colo ornado por um colar de pendentes em forma de mão (signos apotropaicos), e o anjo a típica filcatéria enrolada em torno do corpo.
 
Outro elemento iconográfico bastante conhecido, é a representação, numa das mísulas, do que se supõe ser, com bastante razão, o mestre pedreiro, em fórmula de retrato (é notoriamente individualizada a expressão do rosto). Vestido com traje de inícios do século XV, uma túnica cintada por faixa, chapéu de turbante traçado e pendente, segura na mão esquerda uma régua tendo a outra mão pousada no joelho direito.
 
Capela do Fundador
 
Um dos mais importantes edifícios adjacentes ao mosteiro e que marca indelevelmente o seu carácter «real», sendo bem esclarecedor quanto aos intentos envolvidos é, precisamente, a chamada Capela do Fundador. Trata-se de uma construção situada à direita do templo, encostada ao flanco exterior da nave sul, por onde se faz a entrada. Possui planta quadrada, na qual se inscreve ao centro um octógono, que se desenvolve em volume para cima, ao nível do seu segundo andar, um octógono que funciona, também, como lanterna. Esta capela foi traçada por mestre Huguet e encontrava-se ainda em obras em 1426, sendo terminada pouco depois do falecimento do monarca, que para ali foi trasladado, juntamente com o corpo da rainha, um ano depois (1434).
 
Pelo exterior, impõe-se como uma massa homogénea acentuando a horizontalidade do frontispício do templo. Oferece três faces livres, cada uma das quais ritmada por dois contrafortes, e onde se rasgam três janelões, com o que fica a eixo mais largo do que os restantes. Em cima, salienta-se o exterior do octógono central de onde partem oito arcobotantes acailerados apoiados nos contrafortes exteriores, que se prolongam em pegões pinaculados além do terraço. O conjunto é rematado por um friso de grilhagens flamejantes. Originalmente, o octógono era coroado por um grande coruchéu em agulha, que caiu com o terramoto de 1755.
 
No interior, a luz irrompe dos janelões da fachada e das frestas de dois lumes existentes em cada face do octógono central. É uma luz diáfana, que incide particularmente no centro do monumento, onde se ergue o mausoléu do rei e da rainha. A abóbada é complexa, formada por arcos cruzeiros que, partindo de baquetas embebidas nas paredes, entroncam em chaves centrais, a partir das quais as nervuras despejam o seu peso sobre as baquetas da face exterior do octógono central, compondo, desta forma, uma espécie de nave ou deambulatório.
 
O octógono propriamente dito, no centro do edifício, é formado por oito pilares compósitos, de colunas enfeixadas e abre-se através de oito arcos apontados com o intradorso ornado de cairéis trilobados. O seu interior é de «dois andares»: o inferior corresponde aos pilares e arcos, enquanto no andar superior se rasgam as janelas lanternárias. Também a abóbada deste corpo central é estrelada, com oito braços principais, oito terceletes e dezasseis nervuras secundárias, apoiadas em oito chaves radiais e uma chave central de grande diâmetro, mostrando o rendilhado, no meio da qual se inscrevem, em relevo, as armas reais. Nas paredes rasgam-se arcos sólidos que albergam os túmulos dos príncipes de Avis: D. Pedro, sua mulher e D. Fernando. Os túmulos dentro do nicho de volta quebrada com arquivolta exterior em contracurva, possuem frontais em relevo decorados com os brasões dos príncipes, enquadrados por ornamentação floral, sendo na sua totalidade um dos primeiros e mais profusos conjuntos de heráldica familiar de grande porte existente em Portugal, de acordo, aliás, com esquemas certamente importados de Inglaterra. Outros arcos sólidos vazios previam mais deposições tumulares, mas foram desaproveitados atendendo à decisão de D. Duarte em construir novo panteão, vindo a ser preenchidos somente em 1901.
 
Panteão de D. Duarte
 
O Panteão de D. Duarte, também conhecido por Capelas Imperfeitas, foi planeado tendo em conta uma leitura rigorosa do testamento de D. João I, optando aquele monarca por criar o seu próprio espaço funerário. Assim, D. Duarte deu inicio à edificação de uma rotunda atrás da cabeceira. De qualquer modo, as obras, também conduzidas por Huguet, não foram terminadas, uma vez que a sua edificação terá começado sensivelmente em 1434, tendo o monarca falecido quatro anos depois, deixando-as incompletas. Mas o traçado estava certamente delineado e as obras dos reinados seguintes foram lentamente tentando rematar o edifício, tendo porém ficado por fazer o principal: o lançamento da grande abóbada central. Ao contrário do que se possa julgar, esta operação não levantaria grandes problemas técnicos visto que o vão a cobrir pouco maior era do que o existente na Sala do Capítulo.
 
Tratava-se, efectivamente, de um edifício com um corpo central octogonal e entrada a eixo (articulada com a cabeceira por um átrio abobadado), à volta do qual se dispunham sete capelas radiantes. Nascendo dos grandes maciços polistilos que conformam a estrutura, levantar-se-ia um corpo octogonal provido de grandes janelões, abobadado e devidamente escorado em arcobotantes, previsto para configurar um amplo espaço de planta centrada completamente unificado. As capelas existentes abrem-se para o recinto através de grandes arcos quebrados acairelados, possuindo cada uma delas um coro recto e um topo prismático de três faces, com um só janelão de dois lumes em cada face e cobertura de abóbada nervurada. Entre as capelas, servindo de reforço, abrem-se seis pequenas áreas de planta triangular, sem acesso, mais baixas que as capelas e decoradas exteriormente com um janelão.
 
Nas capelas foi dado um acabamento posterior e mais cuidado à que se destinava a receber o mausoléu de D. João II e D. Leonor, tendo as obras sido patrocinadas pela rainha. A data desta intervenção é difícil de determinar, podendo ser bastante tardia. De qualquer modo, a decoração deste trecho atinge proporções verdadeiramente assombrosas, sendo um exemplo único no gótico português. As nervuras são acaireladas, com nervos secundários de função apenas escultórica, mas com pequenas chaves em cúspide invertida, decoradas com motivos vegetalistas trepanados, sendo as chaves maiores rendilhadas, apresentando, por sua vez, as armas reais e o «corpo de empresa» de D. João II (o pelicano) e da Rainha D. Leonor (o camaroeiro).
 
Refeitório
 
O Refeitório é coberto por abóbadas de berço quebrado de quatro tramos marcados por arcos torais e apoiada em mísulas sobre friso circundante.
 
Claustro Real
 
O Claustro Real é de um só piso com sete tramos por ala, constituídos por arcos quebrados, de vãos dissemelhantes, com bandeiras rendilhadas apoiadas em colunelos esculpidos, entre contrafortes com ressaltos, rematados por pináculos piramidais. Tem galerias cobertas por abóbadas de cruzaria de ogivas com cadeia longitudinal, assentes em meias-colunas fasciculadas com capitéis vegetalistas em dois andares, e remate em platibanda rendilhada com flores-de-liz. No cunhal, foi edificado um torreão octogonal de remate piramidal. No interior, encontra-se uma fonte com bacia lobulada e duas taças polilobadas escalonadas, a primeira com máscaras semi-vegetalistas. Tem uma cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas com cadeia, apoiada em pilares fasciculados.
 
Claustro D. Afonso V
 
O Claustro D. Afonso V tem dois pisos, o primeiro de sete tramos por ala marcados por contrafortes entre arcos duplos quebrados assentes em colunas facetadas grupadas transversalmente sobre murete. Tem galerias abobadadas de cruzaria de ogivas com arcos torais robustos, apoiadas em mísulas cónicas lisas. O segundo piso tem um alpendre assente em colunas prismáticas sobre parapeito e contrafortes diagonais que sobem até ao beiral.
 
A importância do estaleiro da Batalha deu origem a outros estaleiros que reflectem as aportações do gótico tardio, quase sempre fruto do recrutamento de oficiais ou mestres secundários que fizeram ali o seu tirocínio.
 
 
Gótico de Avis
 
Pelo exterior, o Mosteiro denuncia, igualmente, a intervenção de duas empreitadas. O portal sul do templo, claramente desenhado ainda por Afonso Domingues, denuncia esta simplicidade de processos. Este portal, aliás, é importante pelo que revela de apego aos traçados «portugueses»: dois contrafortes esguios (as proporções lembram o pequeno e singelo portal lateral da Igreja Matriz de Santiago do Cacém), enquadram um vão de quatro arquivoltas decoradas por relevos repetitivos em séries de arquinhos cegos. Os colunelos são providos de capiteis com decoração vegetalista em «dois andares». O espelho da porta é trilobado, com filetes que se entrecruzam. Quase certamente de acabamento posterior é o gablete triangular, muito agudo, decorado no extradorso por cogulhos e, à face, pela heráldica real (os escudos de D. Filipa e de D. João I, encimados pelo escudo do reino, todos com baldaquinos como coroamento).
 
Mas à empreitada de Huguet coube, também, desenhar a generalidade dos frontispícios transportando consigo uma nova linguagem arquitectónica, um outro gótico.
 
De facto não restam dúvidas que o Mosteiro da Batalha se passará a assumir como um depoimento de poder real e da autonomia de um reino. Sabe-se como foi necessário impor através do trato legal e diplomático o direito de D. João I ao trono. Sabe-se igualmente da oposição dos meios-irmãos de D. João e de sua sobrinha D. Beatriz às suas pretensões; e sabe-se até que ponto as relações com o reino vizinho eram problemáticas. O facto de D. João I mandar erguer um panteão para si e para a sua família é sinal desta mística dinástica sem precedentes. O Mosteiro da Batalha foi um projecto de legitimação de uma nova dinastia, a dinastia de Avis: daí a dimensão da obra, sinal de capacidade financeira e de poder de realização.
 
Efectivamente, o Mosteiro da Batalha difere da restante arquitectura portuguesa e destaca-se na paisagem artística nacional com o seu sinal de mudança. A decoração, o remate e o acabamento, para além da opção final das empreitadas, já segundo esquemas daquilo a que se convencionou chamar gótico final, são os seus principais elementos distintivos. Alguns aspectos que distinguem este modo novo do gótico português da primeira dinastia são fáceis de enunciar, uma vez que, globalmente, o tratamento plástico e ornamental do exterior do edifício possui indicações valiosas quanto ao que viria a ser, a partir daqui, a orientação da arquitectura quatrocentista da fase pós-batalhina.
 
É dada imediatamente uma grande atenção à decoração das superfícies. Vale a pena anotar, a marcação «horizontal» das fachadas por pautas feitas de ressaltos (cornijas ou lacrimais), percorrendo todo o edifício; o preenchimento de todos os vãos, janelas, frestas, por rendilhados de recorte flamejante, como no grande janelão de fachada que assim substitui a habitual rosácea. Vale a pena realçar a forma como as paredes (ou até os contrafortes) se animam através do jogo de claro-escuro de frisos de redes flamejantes, por exemplo, os estiletes em relevo do alfiz ou da parede do janelão, as grilhagens dos terraços e os proporcionados pináculos floreados. Percebem-se, também, outros novos factores: a simplificação estrutural dos alçados; a complexidade dos suportes, dos pilares aos colunelos, que se tornam cada vez mais finos e desmultiplicados, aparecendo as colunas finas e as baquetas; a desmultiplicação das molduras em alçado mostrando agora perfis variadíssimos no que se refere ao respectivo recorte e ao seu entrecruzamento; nestas, o aparecimento do arco contracurvado; o achatamento das abóbadas e o aparecimento de sistemas complexos de nervuras, desdobrando-se o número de chaves e terceletes (como nas abóbadas estreladas); o alastramento da decoração vegetalista mas só em pontos concentrados (como os capiteis); o retorno à figuração alegórica e narrativa (também em zonas concentradas); a exibição da arquitectura enquanto arquitectura, ou a sua abstracção, sendo casa suporte ou tema estrutural tratado como se fosse uma realidade em si, uma espécie de forma cristalina e mineral, e, sobretudo, a acentuação dramática do uso da heráldica.
 
A isto chama-se gótico final, querendo com isto designar um período em que os diversos modos de construção se regionalizam, independentemente dos arquitectos em causa serem de origens alógenas. Estes obedecem a encomendas determinadas por vontades políticas locais, exploram novos meios no estaleiro onde são chamados a trabalhar e libertam-se dos cânones mais correntes do gótico internacional, habitualmente dito «clássico».
 
Quanto à importância da heráldica, sabe-se que o disciplinamento do armorial português é certamente fruto da acção do rei D. João I, por motivos que igualmente se prendem com o exercício do poder, com a sua centralização e a chamada a si (e à Casa de Avis) de um esboço de poder concentrado, o que ia ao encontro das necessidades de legitimação. A importância concedida à heráldica no Mosteiro da Batalha (uma heráldica extremamente regrada, quer dizer, executada a preceito e sem concessões a qualquer tipo de incoerência de códigos) é, portanto, o ponto de arranque para um protagonismo simbólico do brasonário em obras posteriores, sendo isto visível no exterior do edifício (portal sul e portal axial) ou outras zonas de acabamento posterior.
 
 
Fotografias do Mosteiro da Batalha
 
Fonte: Wikipédia. 

  

O Mosteiro da Batalha é um dos 21 monumentos finalistas  às 7 Maravilhas de Portugal.
 
 
Sábado, 7 de Julho 2007:
 
- Cerimónia Oficial da Declaração de Lisboa, Portugal -
 
Declaração das Novas 7 Maravilhas do Mundo,
  
e a Eleição das 7 Maravilhas de Portugal.
 
 
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

A ponte mais extensa do mundo

 
A Ponte Causeway no Lago Pontchartrain

A Ponte Causeway no Lago Pontchartrain

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A Ponte Causeway e o Lago Pontchartrain vistos por satélite

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A Ponte Causeway na direcção sul para Nova Orleães

A Ponte Causeway na direcção sul para Nova Orleães

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A Causeway do lago Pontchartrain (em inglês Lake Pontchartrain Causeway), é uma ponte constituída por duas vias paralelas que atravessam o lago Pontchartrain numa extensão de 38.422 metros, constituindo a ponte mais extensa do mundo.
 
O Lago Pontchartrain é um lago localizado no sudeste do Estado americano de Louisiana. É o segundo maior lago de água salgada do país, atrás somente do Grande Lago Salgado, e é o maior lago da Louisiana. Possui uma área de 630 quilómetros quadrados e uma profundidade média de apenas 3,5 metros. Na margem sul do lago localiza-se a cidade de New Orleães, a maior cidade do Estado, protegida por diques que se romperam em 2005, com a passagem do furacão Katrina. Sendo área de polderes com as menores altitudes da Louisiana o estrago foi enorme.
 
 
Localização e características
 
Situadas na zona sul do estado da Luisiana, as pontes ligam a localidade de Madeville, a norte, através do lago Pontchartrain, até Metairie, a sul, um subúrbio de Nova Orleães.
 
A suportá-las contam com mais de 6.000 pilares de betão assentes no fundo do lago que tem uma profundidade média de apenas 4 metros, excepto no canal de navegação onde atinge 45 metros.
 
As pontes estão a uma altitude de cerca de 5 metros sobre as águas subindo a 7,5 metros em três locais para passagem de pequenas embarcações e a 15 metros em dois outros locais para passagem de embarcações de maior porte. Para a passagem de barcos de grande altura foi criada uma secção basculante situada num canal de navegação existente a cerca de 8 kms da margem norte.
 
As duas vias distam cerca de 25 metros uma da outra, sendo que a mais recente é ligeiramente mais extensa, medindo 38.422 metros.
 
Depois de entrar na ponte não há possibilidade de inversão de marcha pelo que é necessário estar preparado para fazer todo o percurso, podendo parar, em caso de avaria, num dos sete locais existentes para o efeito onde existe uma ligação de emergência entre as pontes.
 
 
História
 
A ideia de atravessar o lago remonta ao século XIX e ao fundador da cidade de Mandeville. Na altura ele iniciou um serviço de ferry que operou até meados dos anos 30.
 
Em 1920 houve um primeiro plano, entretanto abandonado, de conseguir a travessia através da criação de pequenas ilhas artificiais ligadas por pontes sucessivas durante toda a extensão do lago. O projecto seria financiado pela venda de habitações nessas ilhas.
 
A ideia da ponte como se conhece começou a ser concebida nos anos 50 com a criação, pelo poder legislativo da Louisiana, da chamada Comissão Causeway.
 
A utilização de betão pré-esforçado na construção veio a permitir a concretização da ideia, levando à criação em 1954 da Louisiana Bridge Company, responsável pela construção da ponte que seria iniciada em 1955 e concluída logo no ano seguinte, sendo aberta ao público em 30 de Agosto de 1956.
 
Com o tráfego a aumentar todos os anos em breve se tornou clara a necessidade de uma nova via. Em Setembro de 1967 inicia-se então a construção de uma segunda ponte integrando já as inovações de construção entretanto aparecidas, sendo aberta ao tráfego em 10 de Maio de 1969. Esta nova ponte, paralela à original, viria a ter mais 65 metros do que a antiga, custando cerca de 26 milhões de dólares. Quando desta construção foram também criadas sete ligações entre as pontes para situações de emergência.
 
A Causeway  do Lago Pontchartrain sempre foi uma ponte portajada. Até 1999 a portagem era cobrada em ambos os sentidos, todavia, a partir dessa data, e de forma a facilitar o tráfego, a portagem passou a ser cobrada apenas a Norte à entrada da ponte, e o valor passou de $1,50 para $3,00.
 
A abertura da Causeway  melhorou de forma significativa o nível de vida das pequenas comunidades ao norte do Lago pois encurtou em cerca de 50 minutos o tempo de deslocação até Nova Orleães, antes percorrido circundando o lago.
 
Na sequência do Furacão Katrina, a 29 de Agosto de 2005, foi feita uma verificação geral à ponte mas, apesar de alguns pequenos danos, as fundações mantiveram-se intactas, pelo que esta foi uma das vias importantes de socorro a Nova Orleães face aos estragos ocorridos noutras importantes auto-estradas de acesso à cidade. Na altura a Causeway começou por ser aberta apenas ao trânsito de emergência e só depois ao público em geral, com as portagens suspensas em 19 de Setembro de 2005. Em meados do mês seguinte viriam a ser reintroduzidas.
 
 
Futuro
 
Com volumes de tráfego diário de cerca de 30.000 veículos, iniciaram-se as discussões sobre a eventual construção de uma terceira via, na expectativa de que, até 2018, as pontes atingirão o seu limite. Estuda-se assim a possibilidade de construir uma terceira via, mais larga que as anteriores, possuindo para além das duas vias de trânsito, uma faixa direita de emergência. Ao mesmo tempo seria também criada uma faixa de emergência na ponte mais antiga (a que se dirige para sul) e a ponte construída em 1969 viria a ter uma via reversível (com o sentido determinado em função do fluxos do trânsito às diferentes horas do dia), também com uma faixa de emergência.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Angra do Heroísmo (Açores)

 
Localização da cidade de Angra do Heroísmo - ilha Terceira, Açores

Localização da cidade de Angra do Heroísmo - ilha Terceira, Açores

 
A zona central de Angra do Heroísmo, com a Sé Catedral; em segundo plano, as muralhas do Castelo de São João Baptista e a encosta do Monte Brasil

A zona central de Angra do Heroísmo, com a Sé Catedral
Em segundo plano, as muralhas do Castelo de São João Baptista
e a encosta do Monte Brasil

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Angra do Heroísmo é uma pequena cidade portuguesa na ilha Terceira, Região Autónoma dos Açores, com cerca de 12 300 habitantes.
 
É sede de um município com 237,52 km² de área e 35 581 habitantes (2001), subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município da Praia da Vitória, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as outras direcções.
 
Angra situa-se na costa sul da Terceira. É sede de um destacamento militar, e residência de um bispo da Igreja Católica. Os edifícios principais são a catedral, a academia militar, o arsenal e o observatório. O porto, agora de reduzida importância comercial ou estratégica, foi já um importante posto naval de visita obrigatória nas viagens pelo Oceano Atlântico. Angra tem a sul e sudoeste o promontório do Monte Brasil, resto de uma antiga caldeira vulcânica.
 
Angra do Heroísmo foi a primeira localidade dos Açores a ser elevada a cidade em 1534, sendo no mesmo ano escolhida pelo Papa Paulo III para sede do Bispado. Só no Século XIX se passou a denominar “do Heroísmo” devido ao seu Contributo nas lutas liberais. Foi em 1983 declarada Património Mundial pela UNESCO atestando assim o seu grande valor arquitectónico e histórico.
 
O passado de riqueza e desta cidade reflectiu-se no traçado rectilíneo das ruas, obedecendo a regras de urbanização do Renascimento. Para atestá-lo estão os belos exemplos dos palácios, como é o caso do Solar da Madre de Deus, ou o Palácio Bettencourt, os conventos, em que surge como expoente máximo o Convento de São Gonçalo, Capelas, Ermidas e igrejas em que se destaca a Igreja da Sé, sede da diocese de Angra do Heroísmo e simultaneamente Sede do Bispado dos Açores. O património artístico dos edifícios é de grande qualidade formando no seu todo um aspecto único que dão a Angra do Heroísmo o carácter de cidade monumento.
 
Pelo porto de Angra, actualmente desactivado e transferido para a Praia da Vitória, para dar lugar à marina de Angra, passaram ao longo dos vários séculos naus e caravelas, barcos de sonhos e fortunas que ao longo do tempo contribuíram para o passado glorioso desta cidade e das suas gentes como atestam também as grandes casas senhoriais e os nomes sonantes das famílias do mundo de antanho como são o caso dos Corte Reais, os Noronhas, os Ávilas, os Silveiras, os Barcelos, os Britos do Rio, os Bettencourts, os Cantos, os Homem, os Ormondes, os Pamplonas, os Baldaias, os Brugues, etc..
 
Angra do Heroísmo, encontra-se protegida a Norte pela Serra do Cume ou da Nasce Água e a Sul pelo Monte Brasil. A Nascente eleva-se a Serra da Ribeirinha que alberga a freguesia do mesmo nome. A Poente estende-se uma paisagem costeira que desce suavemente desde a Serra de Santa Bárbara, esta sempre presente na paisagem, formando pequenas baías e enseadas.
 
A economia da região assenta na pecuária (indústria de carne e lacticínios) e agricultura.
 
Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante as guerras napoleónicas, e a rainha D. Maria II entre 1830 e 1833, durante as chamadas lutas liberais.
 
O Centro Histórico de Angra do Heroísmo está, desde 1983, classificado como local de Património Mundial pela UNESCO.
 
 
As freguesias do concelho de Angra do Heroísmo são as seguintes:
  • Altares
  • Cinco Ribeiras
  • Doze Ribeiras
  • Feteira
  • Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo)
  • Porto Judeu
  • Posto Santo
  • Raminho
  • Ribeirinha
  • Santa Bárbara
  • Santa Luzia (Angra do Heroísmo)
  • São Bartolomeu de Regatos
  • São Bento
  • São Mateus da Calheta
  • São Pedro (Angra do Heroísmo)
  • Sé (Angra do Heroísmo)
  • Serreta
  • Terra Chã
  • Vila de São Sebastião
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Castelo do Alandroal

 
Castelo do Alandroal, Portugal: vista do adarve; em segundo plano, a Igreja de N. Sra. da Graça, e, ao fundo, a Torre de Menagem

Castelo do Alandroal, Portugal:
vista do adarve; em segundo plano, a Igreja de N. Sra. da Graça,
ao fundo, a Torre de Menagem

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O Castelo do Alandroal, no Alentejo, ergue-se na vila do Alandroal, Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, Distrito de Évora, em Portugal.
 
A freguesia de Nossa Senhora da Conceição tem 156,60 km² de área e 1 938 habitantes (2001). Densidade: 12,4 hab/km². Tem o nome alternativo de Alandroal e inclui esta vila e a aldeia do Rosário. Localizada no centro do concelho, a freguesia de Alandroal (Nossa Senhora da Conceição) tem por vizinhos as freguesias de São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) a nordeste, Capelins (Santo António) a sul e Terena (São Pedro) a sudoeste, o concelho de Vila Viçosa a norte e a Espanha a leste. É a maior freguesia do concelho em área mas apenas a segunda em população e em densidade demográfica.
 
 
O castelo medieval

Erguido sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), de acordo com a inscrição epigráfica sobre uma das portas, a sua primeira pedra foi lançada em 6 de Fevereiro de 1294, faz hoje 713 anos, por D. Lourenço Afonso, Mestre da Ordem de Avis. Uma segunda inscrição, no alçado Oeste da Torre de Menagem (hoje integrado na Sala do Tesouro da Igreja Matriz), informa a conclusão da sua edificação, em 24 de Fevereiro de 1298, sendo Mestre da Ordem, D. Lourenço Afonso. Uma terceira inscrição, no torreão à direita do portão principal, datada criticamente entre 1294 e 1298, refere o nome do seu construtor, que se identificou apenas como "Eu, Mouro Galvo".
 
O Alandroal foi elevado à condição de vila por Carta de Foral de 1486, outorgada por D. João II (1481-1495). Nessa qualidade, no reinado de seu filho e sucessor, D. Manuel I  (1495-1521), a vila e o seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509).
 
 
Do século XVII aos nossos dias
 
Em 1606, a maior parte das construções no interior da cerca encontravam-se arruinadas. No século XVIII, o conjunto perdeu a sua barbacã, demolida para dar lugar, no interior dos muros, às edificações dos novos Paços do Concelho e da Cadeia da Comarca.
 
(A barbacã, do latim medieval barbacana, constituía-se num muro anteposto às muralhas, de menor altura do que estas, com a função de defesa do fosso de uma fortificação, onde era oferecida a primeira resistência ao agressor. Também denomina uma fresta na muralha, aberta para possibilitar o tiro sobre o inimigo.)
 
O Castelo do Alandroal, considerado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Junho de 1910, apenas na década de 1940 se procederam a obras de consolidação e restauro, principalmente a reconstrução de alguns troços de muralhas e a desobstrução da estrutura de numerosas casas que, ao longo dos séculos, se haviam adossado às muralhas.
 
 
Características
 
Em estilo gótico, o castelo apresenta planta oval (na qual se inscreve um pequeno bairro intra-muros), reforçada por três torres de planta quadrangular, nos ângulos, e uma sólida Torre de Menagem adossada à cerca. O portão principal (Porta Legal) é ladeado por duas torres quadrangulares, ligeiramente avançadas (para permitir o tiro vertical sobre a entrada), ligados por uma cortina e encimadas por ameias de remate piramidal.
 
A Torre de Menagem, de planta quadrangular, divide-se internamente em três pavimentos. O acesso ao seu interior encontra-se, actualmente, entaipado. A esta sólida torre, adossou-se, ainda no século XIII, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, que alterada posteriormente, hoje apresenta traços renascentistas, patentes particularmente na abóbada artesoada. Em 1744, o terraço da igreja foi aproveitado para edificar a Torre do Relógio.
 
Ao castelo, em posição dominante, associava-se à cerca da vila, de urbanismo muito simples, com uma única via (rua do Castelo) no sentido leste-oeste, flanqueada por duas portas. A principal, denominada Porta Legal, a leste, através da qual se acede ao adro da igreja, é constituída por um arco gótico com corredor, flanqueada por dois torreões quadrangulares ligados por cortina e encimados por ameias de remate piramidal. Parte daqui a única rua que atravessa a vila e que termina na chamada Porta do Arrabalde, a oeste, com seteiras em mármore e também flanqueada por uma torre, onde no seu pé-direito, no exterior, foi gravada a “vara”, medida padrão à época, para a aferição das medidas utilizadas no comércio local.
 
Os estudiosos apontam ainda, como marcas identificativas da formação cultural islâmica do seu construtor, além da epigrafia anteriormente citada, uma janela em forma de ferradura numa das torres e semelhanças entre o sistema de torres deste castelo e as muralhas almóadas de Sevilha.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

Alenquer (Portugal)

 
Alenquer (Portugal)

Alenquer (Portugal)

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Castelo de Alenquer, Portugal: vista do adarve

Castelo de Alenquer, Portugal: vista do adarve

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Alenquer é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Lisboa, região Centro e sub-região do Oeste, com cerca de 8 900 habitantes.
 
É sede de um município com 302,18 km² de área e 39 180 habitantes (2001), subdividido em 16 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Cadaval, a leste pela Azambuja, a sul por Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos, a sudoeste por Sobral de Monte Agraço e a oeste por Torres Vedras.
 
Alenquer que ganhou o epíteto de "Vila Presépio" depois de, em 1968, ter iniciado a tradição de montar um gigantesco presépio elaborado pelo pintor Álvaro Duarte de Almeida numa das colinas da cidade.
 
 
História
 
Alenquer de "Alen Ker" significa "Templos dos Alanos". O cão alano, uma raça conhecida pelas suas qualidades na caça e combate, continua a proteger a vila de Alenquer no seu brasão. Alenquer foi fundada por Ataces, rei lendário dos Alanos. Recebeu foral em 1212 da infanta D. Sancha, filha de Sancho I de Portugal.
 
 
Freguesias
 
As freguesias de Alenquer são as seguintes:
  • Abrigada
  • Aldeia Galega da Merceana
  • Aldeia Gavinha
  • Cabanas de Torres
  • Cadafais
  • Carnota
  • Carregado
  • Meca
  • Olhalvo
  • Ota
  • Pereiro de Palhacana
  • Ribafria
  • Santo Estêvão (Alenquer)
  • Triana (Alenquer)
  • Ventosa
  • Vila Verde dos Francos
"Filhos da vila"
  
 
O Castelo de Alenquer localiza-se na vila de mesmo nome, Freguesia de Triana, Concelho de Alenquer
.
 
Antecedentes
 
A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história, conforme os testemunhos arqueológicos que atestam ter sido sucessivamente visitada e ocupada, ao longo dos séculos, por povos Gregos, Fenícios, Cartagineses, Romanos, Alanos, Godos e Muçulmanos
, estes últimos responsáveis pela fortificação.
 
O castelo medieval
 
No contexto da
Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação e o seu castelo foram conquistados pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1148
, que determinou o seu repovoamento e reconstrução das suas defesas.
 
O seu filho e sucessor,
D. Sancho I  (1185-1211), fez erguer o Paço Real, posteriormente doado à Infanta D. Sancha, sua segunda filha. Sob o reinado de D. Afonso II (1211-1223), esta senhora concedeu o primeiro foral à vila (1212
).
 
Posteriormente, Alenquer veio a receber Carta de Foral  passada por
D. Dinis (1279-1325) em 1302, e o Foral Novo de D. Manuel I (1495-1521), em 1510
.
 
 
Da Dinastia Filipina
aos nossos dias
 
No contexto da crise de sucessão de 1580, a vila apoiou as pretensões de D. António, Prior do Crato
, ao trono, vindo a sua defesa a cair no ostracismo desde então.
 
O castelo encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 20 de Outubro de 1955
.
 
Os seus remanescentes encontram-se actualmente bem conservados, destacando-se alguns troços de muralha, a Porta da Conceição e a Torre da Couraça, de planta quadrada.
 
Características
 
O castelo encontra-se em posição estratégica no terreno, o que dificultou a sua conquista em meados do século XII. Os seus muros, ameados(1), percorridos por adarve
(2), são em aparelho de pedra regular.
 
(1) - A ameia (do latim mina[s]) é a abertura, no parapeito das muralhas de um castelo ou fortaleza
, por onde os defensores visavam o inimigo.
 
(2) - O termo adarve deriva do árabe ad-darb (segundo outras fontes, adz-dzir-we: muro da fortaleza). Originalmente constituía-se num caminho estreito acompanhando o alto dos muros dos castelos, com a função de ronda dos sentinelas e de distribuição dos defensores. Elemento típico das fortificações medievais, ficava coberto externamente por um parapeito de alvenaria com ameias onde se rasgavam as seteiras, visando a protecção dos defensores. Estes corredores internos eram acessados por escadas pelo interior das muralhas ou das torres. Num processo de ampliação de sentido, posteriormente passou a designar também os muros construídos com ameias nas fortalezas.
  

Fotografias de ALENQUER
Fonte: Wikipédia. 
 

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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

Almeida Garrett

 
Almeida Garrett, pelo escultor A. Pinheiro

Almeida Garrett, pelo escultor A. Pinheiro

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João Baptista da Silva Leitão e mais tarde visconde Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
 
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D.Maria II   
e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
 
 
Biografia
 
Primeiros anos
 
João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto a 4 de Fevereiro, faz hoje 208 anos. Na adolescência foi viver para os Açores, em Angra do Heroísmo, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra. Em 1816 seguiu para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Em 1821
publicou O Retrato de Vénus, trabalho que lhe custou um processo por ser considerado materialista, ateu e imoral. É neste mesmo ano que ele e a sua família passam a usar o apelido de Almeida Garrett.
 
Presença nas lutas liberais
 
Participou da revolução liberal de 1820, seguindo para o exílio na Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Antes havia casado com Luísa Midosi, de apenas 14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores, e visitando castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior. Em 1824, seguiu para França, onde escreveu Camões (1825) e Dona Branca (1826), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Em 1826 foi amnistiado e regressou à pátria com os últimos emigrados dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário O Português (1826-1827) e o semanário O Cronista (1827). Teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Rei absolutista D. Miguel. Ainda nesse ano perdeu a filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828) e Catão (1828
).
 
Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833
.
 
Vida política
 
A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde lê Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional  e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D.Maria II, em Lisboa
). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro.
 
Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett afasta-se da vida política até 1852. Contudo, em 1850 subscreveu, com mais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa
, mais conhecida por “lei das rolhas”.
 
Garrett sedutor
 
A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dandy, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal. Separado da esposa, passa a viver em mancebia com D. Adelaide Pastor até à morte desta, em 1841. A partir de 1846, a sua musa é a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, inspiradora dos arroubos românticos das Folhas caídas. Em 1851, Garrett é feito visconde de Almeida Garrett em duas vidas, e em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta dos Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque de Saldanha
.
 
Falece em 1854, vítima de cancro, em Lisboa, na sua casa situada na actual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique
.
 
 
Obra
 
Teatro
 
Dá inicio ao seu projecto de regeneração do teatro português, levando à cena em 1838 Um Auto de Gil Vicente, pouco depois Filipa de Vilhena  e, em 1842, O Alfageme de Santarém, todas sobre temas da história de Portugal. Em 1844 é publicada a sua obra-prima, Frei Luís de Sousa, que um crítico alemão, Otto Antscherl, considerou a "obra mais brilhante que o teatro romântico produziu". Estas peças marcam uma viragem na literatura portuguesa não só na selecção dos temas, que privilegiam a história nacional em vez da antiguidade clássica, como sobretudo na liberdade da acção e na naturalidade dos diálogos
.
 
Prosa
 
Em 1843, Garrett publica o Romanceiro  e o Cancioneiro Geral, colectâneas de poesias populares portuguesas, e em 1845 o primeiro volume d'O Arco de Santana  (o segundo apareceria em 1850), romance histórico inspirado por Notre Dame de Paris de Victor Hugo. Esta obra seduz não só pela recriação do ambiente medieval do Porto, mas sobretudo pela qualidade da prosa
, desespartilhada das convenções anteriores e muito mais próxima da linguagem falada.
 
A obra que se lhe seguiu deu expressão ainda mais vigorosa a estas tendências: Viagens na minha terra, livro híbrido em que impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes se entrelaçam com uma novela romântica sobre factos contemporâneos do autor e ocorridos na proximidade dos lugares descritos (outra inovação para a época, em que predominava o romance histórico). A naturalidade da narrativa disfarça a complexidade da estrutura desta obra, em que alternam e se entrecruzam situações discursivas, estilos, narradores e temas muito diversos.
 
Poesia
 
Na poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas colectâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior. Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais. A liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação carregados de subjectividade
são as principais marcas destas obras.
 
 
Cronologia das obras (primeiras edições ou representações)
  • 1819 Lucrécia
  • 1821 O Retrato de Vénus; Catão (representação); Mérope (representação)
  • 1822 O Toucador
  • 1825 Camões
  • 1826 Dona Branca
  • 1828 Adozinda
  • 1829 Lírica de João Mínimo; Da Educação (ensaio)
  • 1830 Portugal na Balança da Europa (ensaio)
  • 1838 Um Auto de Gil Vicente
  • 1841 O Alfageme de Santarém (1842 segundo algumas fontes)
  • 1843 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomo 1; Frei Luís de Sousa (representação)
  • 1845 O Arco de Sant'Ana - tomo 1; Flores sem fruto
  • 1846 Viagens na minha terra; D. Filipa de Vilhena (inclui Falar Verdade a Mentir e Tio Simplício)
  • 1848 As profecias do Bandarra; Um Noivado no Dafundo; A sobrinha do Marquês
  • 1849 Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira
  • 1850 O Arco de Sant'Ana - tomo 2;
  • 1851 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomos 2 e 3
  • 1853 Folhas Caídas
  • 1871 Discursos Parlamentares e Memórias Biográficas (antologia póstuma)
 
Publicações periódicas 
     1827 O cronista

Relevância na literatura portuguesa
 
No
século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett era geralmente tida como uma das mais geniais da língua, inferior apenas à de Camões. A crítica do século XX (notavelmente João Gaspar Simões) veio questionar esta apreciação, assinalando os aspectos mais fracos da produção garrettiana. No entanto, a sua obra conservará para sempre o seu lugar na história da literatura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novos rumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett, até pelo acentuado individualismo que atravessa toda a sua obra, merece ser considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Batalha de Diu

 




A batalha naval de Diu ocorreu a 3 de Fevereiro de 1509, perto de Diu, Índia, entre Portugal e uma frota conjunta do Sultanato Burji do Egipto, Império Otomano, Calecut, e o Sultão de Gujarat que assumiu um papel de vingança pessoal de D. Francisco de Almeida, por ter perdido o seu filho D. Lourenço no desastre de Chaul, em 1508.
 
Esta batalha marca o início do domínio europeu no oceano Índico, semelhante à batalha de Lepanto (1571), do Nilo (1798), de Trafalgar (1805) e de Tsushima (1905) em termos de impacto. O poder dos Turcos Otomanos na Índia é seriamente abalado, enquanto os Portugueses depois desta batalha conquistam rapidamente portos/localidades costeiras à volta do Oceano Índico como Mombaça, Socotora, Mascate, Ormuz, Goa, Colombo e Malaca. O monopólio português no Índico dura até a chegada dos Ingleses (Companhia das Índias Orientais inglesa) com a Batalha de Swally perto de Surate em 1612.
 
Ao aproximar-se do inevitável confronto, D. Francisco de Almeida envia uma carta a Meliqueaz, que dizia:
«Eu o visorei digo a ti honrado Meliqueaz, capitão de Diu, e te faço saber que vou com meus cavaleiros a essa tua cidade, lançar a gente que se aí acolheram, depois que em Chaul pelejaram com minha gente, e mataram um homem que se chamava meu filho; e venho com esperança em Deus do Céu tomar deles vingança e de quem os ajudar; e se a eles não achar não me fugirá essa tua cidade, que me tudo pagará, e tu, pela boa ajuda que foste fazer a Chaul; o que tudo te faço saber porque estejas bem apercebido para quando eu chegar, que vou de caminho, e fico nesta ilha de Bombaim, como te dirá este que te esta carta leva».
Sabe-se que um dos feridos foi Fernão de Magalhães.
 
Dos destroços da batalha constavam três bandeiras reais do Sultão Mameluque do Cairo, que foram transladadas para o Convento de Cristo, em Tomar, Portugal, sede espiritual dos Cavaleiros Templários, onde constam até aos dias de hoje.
 
 
Para rever: O Estado Português da Índia
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Sacro Império Romano-Germânico

 
O Sacro Império Romano-Germânico em 1512

O Sacro Império Romano-Germânico em 1512

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O Sacro Império Romano-Germânico, ou o Santo Império Romano da Nação Germânica (em alemão Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation, em Latim Sacrum Romanorum Imperium Nationis Germanicæ) foi um reagrupamento político das terras da Europa ocidental e central na Idade Média, atacado e dissolvido em 1806 por Napoleão Bonaparte. O adjectivo sacro aparece somente no reino de Frederico Barbarossa - atestado em 1157.
 
Foi o herdeiro do Império do Ocidente dos Carolíngios, que desapareceu em 924. Tinha como objectivo restaurar o império romano, o que justifica o termo romano no seu nome. No entanto, Henrique II gravará no seu selo: Renovatio Regni Francorum  (Renovação do «Reino dos Francos»). E o império, em seu todo, é chamado Imperium Teutonicorum (Império Teutónico).
 
O império surge com o coroamento imperial de Otão I da Germânia em 2 de Fevereiro de 962. Em 982, Oto II, seu filho, toma o título de Imperator Romanorum  (Imperador dos Romanos). Henrique II é sagrado Rex Romanorum  (Rei dos Romanos) em 1014. No século XII fala-se do Sacro Império, que se torna em 1254 Sacro-Império Romano, para terminar na sua forma final no final do século XV.
 
 
Componentes geográficos
 
O Sacro Império romano-germânico tem por base territorial a Francia Oriental  (actuais Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Áustria) do tratado de Verdun (logo chamada Germânia ou Regnum Teutonicorum). Em 870, ela ganha o reino de Lotaríngia, em 1014 o reino da Itália e em 1033-1034 o reino da Borgonha.
 
A sua soberania foi reconhecida em diversas ocasiões pelos príncipes e soberanos da Dinamarca, da Hungria e da Polónia. Alcançou o seu primeiro apogeu com Henrique VI: Ricardo Coração de Leão reconheceu a subordinação da Inglaterra, Tunis e Tripoli pagavam tributo, Leão da Arménia transferiu em 1194 a sua subordinação de Bizâncio ao Império Germânico, Amaury ou Amalarico de Lusignan, rei de Chipre, reconheceu-se vassalo em 1195 e, finalmente, Alexus III declarou a sua subordinação. Entretanto, o império sofrerá o poder da erosão do reino de França no seu lento avanço rumo ao Reno, a defecção da Suíça e a independência dos principados italianos.
 
 
Características do Império

O Sacro Império Romano foi uma instituição única na história e por isso complexa de se compreender. Assim, talvez seja mais fácil avaliar primeiramente o que ele não era.
  • Nunca foi um estado nacional. Apesar dos governadores e súbditos, em sua maioria, serem de etnia alemã, era inicialmente composto por diversas etnias. Muitos súbditos, a maioria de famílias nobres e oficiais nomeados, vinham de fora das comunidades alemãs. No apogeu, o império possuía grande parte dos territórios que são hoje a Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, República Checa, Eslovénia, bem como a região leste da França, o norte da Itália e o oeste da Polónia. Os idiomas nele falados compreendiam o idioma alemão e seus diversos dialectos e derivados, línguas eslavas e dialectos franceses e o italiano. Além disso, a sua divisão em territórios regidos por numerosos príncipes seculares e eclesiásticos, prelados, condes, cavaleiros imperiais e cidades livres, fizeram-no, pelo menos no início do período moderno, muito menos coeso do que os estados modernos que emergiam ao redor.
  • Entretanto, durante a maior parte da sua história, o império foi mais uma mera confederação. O conceito de Reich  não incluía apenas o governo de um território específico, mas possuía fortes conotações religiosas cristãs (por esta razão o prefixo sacro).
Até 1508, os reis alemães não eram considerados imperadores (Kaiser) do Reich até que o Papa, Vigário de Cristo na terra, os tivesse formalmente coroado.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Damião de Góis

 
Damião de Góis



Nasceu em 2 de Fevereiro de 1502 em Alenquer, Portugal.
 
Consulte
aqui o artigo já publicado.
 
 
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Regicídio de 1908

 
Praça do Comércio e Arco Triunfal da Rua Augusta - Lisboa

Praça do Comércio e Arco Triunfal da Rua Augusta - Lisboa

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O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio (mais conhecida por Terreiro do Paço), em Lisboa, faz hoje 99 anos, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do Rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe.
 
O atentado ficou a dever-se ao progressivo desgaste do sistema político português, vigente desde a Regeneração (designação dada ao período da Monarquia Constitucional portuguesa que se seguiu à insurreição militar de 1 de Maio de 1851 que levou à queda de Costa Cabral e dos governos de inspiração setembrista), em parte devido à erosão política originada pela alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador. O Rei, como árbitro do sistema político, papel que lhe era atribuído pela constituição, havia designado João Franco para o lugar de Presidente do Conselho de Ministros (chefe do Governo). Este, dissidente do Partido Regenerador, solicitou ao Rei o encerramento do Parlamento para poder implementar uma série de medidas com vista à moralização da vida política. Com esta medida acirrou-se toda a oposição, não só a republicana (bastante activa em Lisboa), mas também a monárquica, liderada pelos políticos rivais de Franco. O Rei tornou-se então no alvo de todas as críticas, que acusavam Franco de governar em ditadura. A questão dos Adiantamentos à Casa Real (regularização das dívidas régias ao Estado, sendo que a Lista Civil da Casa Real não era revista há mais de cinquenta anos), e a assinatura do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, que previa a expulsão sumária para as colónias dos envolvidos numa intentona republicana ocorrida dois dias antes, precipitaram os acontecimentos. O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em
Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no Inverno. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor D. Luís, com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 17 horas da tarde. Apesar do clima de grande tensão, o Rei optou por seguir em carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar normalidade. Enquanto saudavam a multidão presente na Praça, a carruagem foi atacada por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Seguiram-se vários disparos; o Príncipe Real conseguiu ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na face por um outro disparo. A rainha, de pé, defende-se com o ramo de flores que lhe fora oferecido, fustigando um dos atacantes, que subira o estribo da carruagem. O infante D. Manuel é também atingido num braço. Dois dos regicidas, Manuel Buíça, professor primário expulso do Exército e Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, são mortos no local. Outros fogem. A carruagem entra no Arsenal da Marinha, onde se verifica o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono, não se tendo praticado autópsias.
 
O infante sobrevivente,
D. Manuel II, reinaria até 1910. Após o atentado, pediu a demissão de João Franco do Governo, que não impedira a morte do Rei. O Governo de "Acalmação" lançou um rigoroso inquérito, primeiro presidido pelos juízes Alves Ferreira e depois por José da Silva Monteiro e Dr. Almeida e Azevedo que ao longo dos dois anos seguintes veio a apurar que o atentado fora cometido por membros da Carbonária, que pretendia liquidar a Monarquia. O processo de investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro. Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos do assassinato como Alberto Costa (Pad Zé), Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes e outros. Alguns dos elementos estavam refugiados no Brasil e em França, e dois, pelo menos, foram mortos pela Carbonária (sociedade secreta e revolucionária). O regicídio de 1908 acabou por abreviar a monarquia ao colocar no trono o jovem D.Manuel II e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros, com gáudio dos republicanos. A Europa ficou revoltada com este atentado, uma vez que D. Carlos era estimado pelos restantes Chefes de Estado europeus. Logo a seguir à Proclamação da República, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório que o levou a Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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