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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

05
Dez06

Minas a céu aberto

Praia da Claridade

 
Mina de diamante a céu aberto em Sakha, Rússia
                            Mina de diamante a céu aberto em Sakha, Rússia
 
 
 
A Mina El Chino localizada próximo de Silver City, Novo México é uma mina de cobre a céu-aberto
                         A Mina El Chino localizada próximo de Silver City, Novo México,
                                              é uma mina de cobre a céu-aberto
 
 
 

Mina, ou mineração, a céu aberto refere-se ao método de extracção de rocha ou minerais da terra pela sua remoção de um poço aberto ou borrow. O termo é usado para diferenciar esta forma de mineração dos métodos extractivos que requerem perfuração de túneis na terra. A mineração a céu aberto é usada quando depósitos de mineral ou rocha comercialmente úteis são encontradas perto da superfície; isto é, onde o overburden (material de superfície que cobre o depósito valioso) é relativamente fino ou o material do interesse é estrutural inapropriado para perfurar túneis (como seja a caixa para a areia, a cinza, e o cascalho). Onde os minerais ocorrem profundamente abaixo da superfície - aí onde o overburden é grosso ou o mineral ocorre como os veios em rock - pode ser necessário tunnels duros (mineração com eixos) para extrair o material avaliado. As minas a céu aberto são ampliadas tipicamente até que o recurso mineral (ou o lote de terra possuído pela companhia de mineração) se esgote.
 
As minas a céu aberto de onde se extrai material de construção são muitas vezes chamadas  pedreiras. Mesmo que às vezes esquecidas, há diferenças entre as minas a céu aberto, as pedreiras, as borrows, os aluviões.
 
Quando os minas já não são mais produtivas para a extracção do material, as minas a céu aberto podem ser transformadas em aterros sanitários. Mesmo assim, é muitas vezes necessário drenar a água para a mina não se tornar uma lago.
 
Materiais extraídos de minas a céu aberto incluem:
  • Argila
  • Carvão
  • Coquina (constituído principalmente de conchas e seus fragmentos)
  • Granito
  • Gravilha
  • Gesso
  • Calcário
  • Mármore
  • Metais: cobre, ferro, por exemplo
  • Areia e cascalho
  • Arenito
Fonte: Wikipédia. 
 

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04
Dez06

O Império Otomano

Praia da Claridade

 
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
 
 
 

O império otomano foi um estado que existiu entre 1281 e 1923 e que no seu auge compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do norte da África e do sudeste europeu. Foi estabelecido por uma tribo de turcos Oghuz no oeste da Anatólia e era governado pela dinastia Osmanlı. Era por vezes referida em círculos diplomáticos como a da "Porta Sublime " ou simplesmente como "a Porta", devido à cerimónia de acolhimento com que o sultão agraciava os embaixadores à entrada do palácio. O império foi fundado por Osman I (em árabe Uthmān, de onde deriva o nome "otomano"). Nos séculos XVI e XVII, o império otomano constava entre as principais potências políticas europeias e em vários países europeus foi sentido o receio dos avanços nos Balcãs. No seu clímax, compreendia uma área de 11.955.000 km². Em 1453, após a captura da cidade, Constantinopla (a actual Istambul) tornou-se a capital. A partir de 1517, o sultão otomano era também o Califa do Islão, e o império otomano era entre 1517 e 1922 (ou 1924) o sinónimo de Califado, o Estado Islâmico. O auge do Império Otomano foi durante o governo de Solimão, o Magnífico, no qual os seus exércitos chegaram às portas de Viena, e Istambul foi transformada em capital cultural. Foi também durante o seu governo que ocorreu a Batalha de Rodes. O declínio do Império Otomano teve início no final do reino de Suleiman I e prosseguiu até ao final da Primeira Guerra Mundial. Uma reacção oficial a este declínio surgiu por fases: a primeira deu-se com a Reforma Tradicional (1566-1807), que procurou restaurar as antigas instituições; a segunda surgiu com a Reforma Moderna (1807-1918) quando se abandonaram os antigos preceitos e foram adoptados novos, importados do Ocidente.
 
No seguimento da Primeira Guerra Mundial, na qual a maioria do seu território foi capturada pelos aliados, o império otomano transformou-se na moderna Turquia durante a guerra da independência turca.
 
Um aglomerado étnico
 
Como o teórico do nacionalismo Ernest Renan afirma, o Império Otomano era, em contraste com outros estados-nações (como a França, Alemanha ou Reino Unido) uma unidade política multiétnica. Em "Qu 'est-ce qu' une nation ?", de 1882, ele afirma que "o turco, o eslavo, o grego, o arménio, o árabe, o sírio, o curdo, são tão distintos hoje como sempre foram desde o primeiro dia da conquista".
 
Bernard Lewis afirma em "The Emergence of Modern Turkey", 1968:
"O império otomano era tolerante com outras religiões... Mas elas eram estritamente segregadas dos muçulmanos, nas suas próprias comunidades. Nunca eles foram permitidos a mesclar-se livremente na sociedade muçulmana como tinham feito anteriormente em Bagdade e Cairo... Se o converso era rapidamente aceite, os não-conversos eram excluídos tão fortemente que mesmo hoje, 500 anos após a conquista de Constantinopla, nem os Gregos nem os Judeus da cidade dominam a língua turca... Podemos falar de árabes cristãos - mas um turco cristão é um absurdo e uma contradição. Mesmo hoje, após 35 anos de uma república secular turca, um não-muçulmano na Turquia pode ser chamado de cidadão turco mas nunca de turco."
 
A Batalha de Rodes ocorrida em 1522, na cidade de Rodes (a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram actualmente o território administrado pela Grécia), opondo as forças do sultão otomano Suleiman e dos Cavaleiros de São João. O pretexto para o conflito foi o constante ataque que os cavaleiros em Rodes faziam contra os navios turcos. Tanto que a cidade era conhecida pelos otomanos como o lar dos demónios. Suleiman enviou uma mensagem ao grão-mestre dos Cavaleiros de São João, Philippe Villiers de L'Isle-Adam, que caso eles se rendessem, poderiam partir levando todos os seus tesouros. Mas a proposta foi recusada. Durante o Verão, em Junho, 300 navios e 100 mil soldados otomanos sitiaram Rodes, que contava com apenas 5 mil homens e 600 cavaleiros. Uma luta desigual. Mas ataque por ataque, os turcos iam sendo massacrados. Numa ofensiva otomana, Suleiman perdeu 15 mil soldados, enquanto os seus inimigos perderam apenas 200. A rendição dos cavaleiros veio em Dezembro, e o sultão aceitou a sua rendição pelas mesmas condições propostas antes, afinal ele já perdera mais de 60 mil homens. Os 180 cavaleiros e os mil e quinhentos soldados de Rodes seguiram com os seus tesouros, em navios turcos, até Creta. Os desastres militares do sultão mudou a sua política, sendo cada vez menos benevolente com os seus inimigos.
 
 

Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Egeu
Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram o território administrado pela Grécia. Famosa devido ao Colosso de Rodes, estátua considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade medieval de Rodes, capital da ilha, é Patrimônio Histórico da Humanidade. A ilha tem cerca de 1398 km2 e uma população de aproximadamente 82 mil habitantes.
Fonte: Wikipédia. 
 

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03
Dez06

Mosteiro de Santa Cruz

Praia da Claridade

 
Mosteiro de Santa Cruz - Coimbra - Portugal
 
 
 

O Mosteiro de Santa Cruz é um mosteiro da ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho localizado em Coimbra, Portugal. Fundado em 1131, nele se encontram enterrados os dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I. A qualidade das intervenções artísticas no Mosteiro de Santa Cruz, particularmente na época manuelina, fazem deste um dos principais monumentos históricos e artísticos de Portugal.
 
História
 
O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra foi fundado em 1131 por D. Telo (São Teotónio) e 11 outros religiosos, que adoptaram a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. O novo mosteiro recebeu muitos privilégios papais e doações dos primeiros reis de Portugal, tornando-se a mais importante casa monástica do reino. A sua escola foi uma das melhores instituições de ensino do Portugal medieval, tendo uma grande biblioteca (agora na Biblioteca Pública Municipal do Porto) e um activo scriptorium. Nos tempos de D. Afonso Henriques, primeiro monarca português, o scriptorium de Santa Cruz foi usado como máquina de consolidação o poder real. A importância do mosteiro é evidenciada pelo facto de que D. Afonso Henriques e seu sucessor, D. Sancho I, foram sepultados lá.
 
Na Idade Média, o mais famoso estudante do mosteiro de Santa Cruz foi Fernando Martins de Bulhões, o futuro Santo António de Lisboa (ou Santo António de Pádua). Em 1220, o religioso assiste à chegada ao mosteiro dos restos de cinco frades franciscanos martirizados em Marrocos (os Mártires de Marrocos), e decide fazer-se missionário e partir de Portugal.
 
No início do século XVI, o rei D. Manuel I ordena uma grande reforma, reconstruindo e redecorando a igreja e o mosteiro. Nessa época são transladados os restos de Afonso Henriques e Sancho I dos seus sarcófagos originais para novos túmulos decorados em estilo manuelino.
 
Entre 1530 e 1577 funcionou uma imprensa no claustro. É possível que o poeta Luís de Camões tenha estudado em Santa Cruz, uma vez que um parente seu (D. Bento de Camões) era prior do mosteiro na época, e há evidências na sua poesia de uma estadia em Coimbra.
 
Arquitectura e arte
 
O primitivo edifício da igreja e mosteiro de Santa Cruz foi construído entre 1132 e 1223, mas quase nada resta desta fase românica da obra. A fachada da igreja era parecida à da Sé Velha de Coimbra, com uma torre central avançada dotada de um portal e encimado por um janelão. Esses aspectos da fachada românica ainda são visíveis hoje, detrás da decoração posterior.
 
A partir de 1507, o rei D. Manuel I ordenou a modificação total da arquitectura e decoração interior do mosteiro, seguindo o estilo mesclado de gótico e renascimento que depois seria chamado manuelino. Entre 1507 e 1513 a fachada ganhou duas torres laterais com pináculos e uma platibanda decorativa. Mais tarde, entre 1522 e 1526, foi criado o portal cenográfico manuelino, hoje infelizmente muito danificado, por Diogo de Castilho e o francês Nicolau de Chanterenne.
 
No interior, a nave única e a capela-mor foram cobertas por uma abóbada manuelina de grande qualidade, em obras dirigidas por Diogo Boitaca e o coimbrão Marcos Pires. Cerca de 1530 foi adicionado junto à entrada um coro-alto por Diogo de Castilho, no qual se instalou um magnífico cadeiral de madeira esculpida e dourada. Este cadeiral é um dos pouquíssimos da época manuelina ainda existentes em Portugal, e deve-se ao entalhador flamengo Machim, que o havia esculpido para a capela-mor cerca de 1512.
 
A nave contém ainda um belo púlpito renascentista, obra de Nicolau de Chanterenne e datado de 1521. No século XVIII instalou-se um novo órgão, em estilo barroco, obra do espanhol Gómez Herrera, e as paredes da nave receberam um grupo de azulejos brancos-azuis lisboetas que narram histórias bíblicas.
 
Na capela-mor encontram-se os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e D. Sancho I. Os túmulos originais estavam no nartex (zona de entrada) da igreja, junto à torre central da fachada românica, mas D. Manuel I não achou condignas as antigas arcas tumulares e ordenou a realização de novos túmulos. Estes, terminados por volta de 1520, são das mais belas realizações da tumularia portuguesa. Nicolau Chanterene realizou as esculturas jacentes representando os reis, enquanto outras esculturas e elementos decorativos se devem a vários outros ajudantes (Diogo Francisco, Pêro Anes, Diogo Fernandes, João Fernandes e outros). Ambos os túmulos estão decorados com muitas estátuas e elementos gótico-renascentistas, além dos símbolos do rei D. Manuel I, a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo.
 
A sacristia da igreja é uma boa obra em estilo maneirista, construída entre 1622 a 1624 por Pedro Nunes Tinoco. A sacristia está decorada com azulejos seiscentistas e possui quadros notáveis de dois dos melhores pintores quinhentistas portugueses: Grão Vasco e Cristóvão de Figueiredo (outras pinturas originalmente feitas para o mosteiro podem ser vistas no Museu Machado de Castro em Coimbra).
 
A sala do capítulo, manuelina, possui a bela capela renascentista de São Teotónio, datada de cerca de 1588 e de autoria de Tomé Velho. Nessa capela encontram-se os restos do fundador do mosteiro (São Teotónio), canonizado já no século XII. Junto ao capítulo está o Claustro do Silêncio, obra de Marcos Pires construída entre 1517 e 1522, tendo abundante decoração manuelina. A fonte no centro é do século XVII.
 
Fora do mosteiro está o Claustro da Manga, que um dia foi parte do complexo mas hoje encontra-se isolado. Desse claustro só se preservou a fonte renascentista no centro, que consiste de um pequeno templo central ligado a quatro pequenas capelas com água ao redor. O acesso ao templo central faz-se por quatro pequenas escadarias. Todo o conjunto, construído na década de 1530 pelo francês João de Ruão, é de grande valor simbólico e artístico.
Fonte: Wikipédia. 
 

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02
Dez06

Acrópole

Praia da Claridade

 
O Partenon na acrópole de Atenas
O Partenon na acrópole de Atenas
 
 
 

Acrópole (do grego acro: alto, elevado - polis: cidade) é a parte da cidade construída nas partes mais altas do relevo da região. A posição tem tanto valor simbólico, elevar e enobrecer os valores humanos, como estratégico, pois dali podia ser melhor defendida.
 
Era na acrópole das diversas cidades que se construíam as estruturas mais nobres, como os templos e os palácios dos governantes.
 
A acrópole grega original de Atenas ficou famosa pela construção do Partenon, sumptuoso templo em honra à deusa Atena, ricamente construído em mármores raros e ornado com esculturas de Fídias por ordem de Péricles e com recursos originalmente destinados a patrocinar a guerra contra os Persas.
 
A acrópole de Atenas é a mais conhecida e famosa das acrópoles (cidade alta) da Grécia. O seu significado é tal na arte e cultura do ocidente que muitas vezes é referida simplesmente como a acrópole. É uma colina rochosa de topo plano com 150 metros de altura do nível do mar, que abriga algumas das mais famosas edificações do mundo antigo, como o Partenon e o Erecteion.
 
A palavra acrópole tem sido usada em arqueologia e história para designar os centros das cidades antigas ou sítios arqueológicos onde se situam as principais estruturas arquitectónicas.
 
Nas cidades maias é comum e recorrente a acrópole com pirâmides-templos, grandes praças públicas, estádios e palácios e não poucos historiadores as compararam com as formações arquitectónicas da acrópole original.
Fonte: Wikipédia. 
 

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02
Dez06

Salvatore Adamo

Praia da Claridade

 


 
 


Salvatore Adamo é um cantor franco-italiano. Nasceu em Cosimo em 1 de Novembro de 1943, no seio de uma família pobre com 8 filhos. Estudou numa escola religiosa de educação rígida. O sonho dos seus pais era oferecer-lhe um futuro glorioso. Aluno consciencioso e solitário, Adamo revelou um grande dom para o canto. Adolescente, participou num concurso radiofónico em que ganhou o 1º prémio. Ao mesmo tempo gravou o 1º disco, sem sucesso. Desanimado pensou retomar os estudos. Seguindo o conselho do pai, António, um velho mineiro, Adamo tomou o caminho da capital para tentar a sua sorte. Sustentado pelo pai bateu sem cessar às portas das editoras e assinou por fim um contrato.
 
Em 1963, lançou «Sans toi, ma mie », o seu primeiro sucesso, seguido de «Vous permettez, Monsieur», «Les filles du bord de mer», «Mes mains sur tes hanches» e «Tombe la neige». Cantor popular por excelência, Adamo seduziu o público em França e no estrangeiro. Ele foi idolatrado no Japão e os seus concertos tinham milhares de espectadores em todos os países do mundo. Artista emérito e trabalhador esforçado, Adamo não poupou esforços, e passou o essencial do seu tempo nas estradas, entre dois concertos. Restabelecido de um grave enfarte que teve em 1984, Adamo publicou, em 1992, «Rêveur de fonds», um novo álbum que foi objecto de críticas elogiosas. Confortado por esta popularidade reencontrada, lançou em 1994, «C’est ma vie», um disco ao vivo, recordação de uma série de concertos no Casino de Paris e título do seu disco de 1975. Em 1995, editou «La vie comme elle passe», um álbum introspectivo, muito intimista, seguido, em 1998, de «Regards».
 
Artista apaixonado, Adamo seguiu a carreira sem se preocupar com modas e tendências. Ele provou que, apesar disso, a sua popularidade se mantém intocável. Ao fim de quarenta anos de carreira ele publicou «Les mots de l’âme», em 2002, um cd com os seus grandes sucessos. Em 2004 foi a vez de «Zanzibar», o seu último álbum.
Fonte: Wikipédia. 
 

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01
Dez06

A Batalha de Alvalade

Praia da Claridade

 
Hoje, 366 anos passados após o dia  1º de Dezembro de 1640, data em que se comemora a Restauração da Independência  de Portugal em relação a Espanha,  e que João, Duque de Bragança, se tornou rei como João IV de Portugal após sessenta anos de domínio espanhol, tema já divulgado neste blog, dedico este dia à História de Portugal, a uma batalha que não chegou a ser...
 
  

A Batalha de Alvalade esteve prestes a travar-se entre as tropas de D. Dinis e as de D. Afonso IV, em 1323, mas a luta entre pai e filho foi impedida pela intervenção da Rainha Santa Isabel.
 
Precedentes
 
Muito doente em Leiria, D. Dinis recebeu aí a visita de dois dos seus filhos, o príncipe herdeiro D. Afonso e o bastardo (legitimado) D. Afonso Sanches, o único bastardo do rei que até então fizera causa comum com D. Afonso.
 
Contava, por então, mais de sessenta anos o rei de Portugal, e os cuidados do governo, a par dos desgostos que lhe haviam sido causados pelo seu herdeiro, tinham-lhe abalado profundamente a saúde. Pouco tempo depois dessa visita, sentindo-se pior, D. Dinis regressou a Lisboa, recolhendo-se ao leito. O seu estado aparentava tal gravidade que a rainha (a companheira de todos os instantes da sua doença) receou o pior. O próprio doente julgou chegados ao termo os seus trabalhos, pelo que, em Junho de 1322, quis fazer novo testamento, instituindo como principais testamenteiros, em primeiro lugar, a rainha D. Isabel e, em segundo lugar, o bastardo D. Afonso Sanches; mas a morte ainda dessa vez o poupou.
 
Nos princípios de 1323, as melhoras do seu estado acentuaram-se, o que lhe permitiu providenciar para que fossem presos e submetidos a julgamento todos os autores de roubos, crimes de estupro e assassínios praticados durante as guerras civis. Era a ralé indigna que D. Afonso trouxera ao seu serviço e que a justiça real varria definitivamente do reino.
 
Nesse mesmo ano chegou de Castela um pedido de auxílio a favor do neto de D. Maria de Molina - que morrera em Junho de 1322 -, contra o qual D. Filipe, filho da mesma rainha, recorrera às armas, ameaçando Badajoz. D. Dinis deu satisfação ao pedido, entregando ao príncipe herdeiro, D. Afonso, o comando da expedição e enviando-lhe de Lisboa importantes forças. D. Afonso, que se encontrava em Viseu, reforçou a hoste real com todos os combatentes que pôde recrutar nos seus domínios e mandou convite a D. Filipe para que levantasse o cerco de Badajoz, ao que o infante espanhol não acedeu. Então, sem mais perdas de tempo, o orgulhoso e impetuoso D. Afonso marchou para a fronteira, e D. Filipe, a fim de evitar o combate, abandonou Badajoz e retirou-se para Sevilha.
 
Este facto, demonstrando claramente que D. Filipe temera o confronto com as hostes de D. Afonso, reacendeu no príncipe português as ambições mal extintas. E como os seus partidários, sedentos de guerra e de rapinas, não deixavam de o excitar, pôs-se a caminho de Santarém, onde então se encontrava D. Dinis, disposto a exigir novos benefícios. El-rei não concordou com os exagerados desejos do filho, e este, furioso, ao encontrar junto de seu pai o odiado bastardo Afonso Sanches, reclamou a convocação de Cortes, a que assistiria e com as quais contava para lhe aumentarem a dotação. D. Dinis aceitou o recurso proposto pelo seu filho e deu ordens para que os três estados - Clero, Nobreza e Povo - se reunissem em Lisboa, no mês de Outubro desse ano de 1323. No entanto, essa convocação de Cortes, que deveriam pronunciar-se sobre as exigências do príncipe herdeiro, teria como objecto outros assuntos bem mais importantes, o que decerto havia contribuído para a pronta aquiescência do rei.
 
A assembleia tratou, sucessivamente dos seguintes assuntos de interesse público:

  • Sabia D. Dinis que aos pobres não era ministrada a justiça devida e correcta, pois continuavam a ser impedidos de apelar para o rei, tendo de recorrer aos mestres das Ordens, prelados e donatários. Assim, foram tomadas as necessárias medidas contra as prepotências destes;
  • Para evitar as excessivas demoras nos litígios, foi decretado que os advogados só poderiam receber os seus honorários depois de concluídos os pleitos. As principais acções em juízo seriam movidas por escrito, oferecendo o autor desde logo todo o assunto da demanda e todas as respectivas provas, e o réu, logo que fosse citado, exporia todas as suas razões e tudo o que pudesse demonstrar serem válidas. Os recursos interpostos de despachos anteriores não teriam efeitos suspensivos. Além disso, a lei recomendava aos juízes brevidade e imparcialidade dos julgamentos;
  • Determinou-se qual a forma e processo das heranças entre pessoas do povo, estatuindo-se também sobre o casamento e certos requisitos necessários para a sua celebração. Legislou-se sobre população, propriedade, agricultura e comércio;
  • Foram regulados os sistemas de prevenção e castigo dos crimes. O assassínio, o atentado contra o pudor, a burla, a falsificação dos selos reais, os juramentos e testemunhos falsos, o encobrimento de malfeitores e outros delitos ficaram sujeitos a penas mais de acordo com a moral social.
Só depois vieram à discussão os interesses pessoais do príncipe D. Afonso. Tal era o conhecimento das razões alegadas que o filho de D. Dinis não teve coragem para ir defendê-las. Expostas pelo rei as circunstâncias em que eram formuladas as exigências do príncipe, as cortes recusaram deferi-las, e os representantes nacionais, num gesto de patriotismo, puseram à disposição de el-rei tudo quanto fosse necessário, incluindo vidas e haveres, para castigo dos que ousassem perturbar a ordem geral. Logo que soube do que se passava, partiu D. Afonso furibundo, de Lisboa para Santarém, onde convocou todos os elementos que lhe eram afectos para marchar sobre a capital e assenhorear-se do trono.
 
O confronto
 
Depois de uma última tentativa, ter enviado emissários ao filho a fim de impedir uma renovação de hostilidades - o que não conseguiu -, o monarca viu-se forçado a recorrer às armas. Auxiliados pelos filhos bastardos D. Afonso Sanches e João Afonso, reuniu as suas hostes e foi tomar posições no campo de Alvalade - que hoje é um bairro de Lisboa. D. Afonso alojou-se no Paço do Lumiar. El-rei quis ainda apelar para uma conciliação, mas o seu emissário, D. Álvaro de Azevedo, foi mal recebido pelo príncipe, que, ante a atitude corajosa do fidalgo, avançou sobre ele, de espada em punho. No entanto, graças à intervenção de outros fidalgos, a cena não teve consequências.
 
Sem mais demoras puseram-se a caminho as hostes do príncipe, e ao aproximarem-se das tropas reais logo se travou luta por uma troca de setas e dardos. As lanças da cavalaria e os montantes, rijamente empunhados, esperavam apenas o sinal para entrarem em acção. Mas de súbito, como movidos por uma força invencível, lanças, montantes e pendões se abateram, de um e de outro lado, e toda a peonagem ajoelhou no terreno. Acontecera que, montada na sua pequena mula, surgira entre as duas fracções prestes a digladiarem-se a figura veneranda e majestosa da rainha D. Isabel. Ninguém se atreveu a avançar, ninguém pensou sequer em embargar o passo da rainha. Todos se sentiam profundamente emocionados, e de muitos olhos corriam lágrimas.
 
Mãe dolorosa, esposa desolada, ídolo de plebeus e de nobres, a sua passagem erguia uma barreira luminosa entre as duas hostes. D. Isabel, a rainha tão querida de todos, acudira a tempo ao esposo amargurado e ao filho ambicioso, levando consigo a sua dor e a sua bondade, e a batalha não chegou a acontecer.
Fonte: Wikipédia. 
 

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