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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

11
Nov06

D. Sancho I de Portugal

Praia da Claridade

 
D. Sancho I de Portugal
  

 

D. Sancho I (nasceu faz hoje 852 anos, 11 de Novembro 1154 - faleceu em 26 de Março 1212), cognominado o Povoador (pelo estímulo com que apadrinhou o povoamento dos territórios do país - destacando-se nesse propósito a fundação da cidade da Guarda, em 1199, ou, numa perspectiva mais popular e sarcástica, pela quantidade de bastardos que espalhou pelo reino), foi o segundo rei de Portugal, filho de Afonso Henriques.
 
Em 1170, Sancho foi armado cavaleiro pelo seu pai logo após o acidente de D. Afonso Henriques em Badajoz e tornou-se seu braço direito, quer do ponto de vista militar, quer do ponto de vista administrativo. Nestes primeiros tempos de Portugal enquanto país independente, muitos eram os inimigos da coroa, a começar pelo reino de Castela e Leão que havia controlado Portugal até então. Para além do mais, a Igreja Católica demorava em consagrar a independência de Portugal com a sua bênção. Para compensar estas falhas, Portugal procurou aliados dentro da Península Ibérica, em particular o reino de Aragão, um inimigo tradicional de Castela, que se tornou no primeiro país a reconhecer Portugal. O acordo foi firmado 1174 pelo casamento de Sancho, então príncipe herdeiro, com a infanta Dulce Berenguer, irmã mais nova do rei Afonso II de Aragão.
 
Com a morte de Afonso Henriques em 1185, Sancho I torna-se no segundo rei de Portugal. Tendo Coimbra como centro do seu reino, Sancho deu por finda as guerras fronteiriças pela posse da Galiza e dedicou-se a guerrear os Mouros localizados a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na Primavera de 1189, para conquistar Silves, um importante centro administrativo e económico do Sul, com população estimada em 20.000 pessoas. Sancho ordenou a fortificação da cidade e a construção do castelo que ainda hoje pode ser admirado. A posse de Silves foi efémera já que em 1190 Iacub Almançor cercou a cidade de Silves com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante 10 dias, devido ao rei de Leão e Castela ameaçar de novo o Norte.
 
Sancho I dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um tesouro real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores. Sancho I concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc., criando assim novas cidades, e povoando áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha. O rei é também lembrado pelo seu gosto pelas artes e literatura, tendo deixado ele próprio vários volumes com poemas. Neste reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na Escola de Bolonha. Em 1192 concedeu ao Mosteiro de Santa Cruz, 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.
 
O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.
 
Descendência
  • Por sua mulher, Dulce de Barcelona, infanta de Aragão (1152-1198)

    • Teresa, infanta de Portugal (1176-1250), casou com o rei Afonso IX de Leão
    • Sancha, infanta de Portugal (ca.1180-1229), abadessa do Lorvão
    • Raimundo de Portugal (ca.1180-1189)
    • Constança de Portugal (1182-1202)
    • Afonso II de Portugal (1185-1233)
    • Pedro, infante de Portugal (1187-1258), conde de Urgel pelo casamento com Aurembiaix Armengel; foi também Senhor de Maiorca
    • Fernando, infante de Portugal (1188-1223), viveu no estrangeiro, casou com Joana da Flandres
    • Henrique de Portugal (1189-?)
    • Branca, infanta de Portugal (1192-1240), senhora de Guadalajara
    • Berengária, infanta de Portugal (1194-1221), casada com o rei Valdemar II da Dinamarca
    • Mafalda, infanta de Portugal (ca.1200-1257), casada com o rei Henrique I de Castela, depois fundadora do mosteiro cisterciense de Arouca e sua primeira abadessa
       
  • Filhos naturais:

    • Havidos de Maria Aires de Fornelos
      • Martim Sanches de Portugal, conde de Trastâmara
      • Urraca Sanches
    • Havidos de Maria Pais Ribeiro, dita a Ribeirinha
      • Rodrigo Sanches (1200-1246)
      • Gil Sanches (1200-1236)
      • Nuno Sanches
      • Maior Sanches
      • Teresa Sanches (1205-1230)
      • Constança Sanches (1210-1269)
Fonte: Wikipédia. 
 

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10
Nov06

Ecografia ou Ultra-sonografia

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Ecografia ou Ultra-sonografia 3D
 
 

A ecografia, ou ultra-sonografia, é um método diagnóstico que aproveita o eco produzido pelo som para ver em tempo real as sombras produzidas pelas estruturas e órgãos do organismo. Os aparelhos de ultra-som (frequência superior àquela que o ouvido do ser humano pode perceber, aproximadamente 20.000 Hz) utilizam, em geral, uma frequência próxima de 1 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal piezo-eléctrico que fica em contacto com a pele e recebendo os ecos gerados, que são interpretados através da computação gráfica. Conforme a densidade e composição das estruturas a atenuação e mudança de fase dos sinais emitidos varia, sendo possível a tradução numa escala de cinza, que formará a imagem dos órgãos internos.
 
A ultra-sonografia permite também, através do efeito doppler, conhecer-se o sentido e a velocidade de fluxos sanguíneos. Por não utilizar radiação ionizante, como na radiografia e na tomografia computorizada
, é um método inócuo, barato e ideal para avaliar gestantes e mulheres em idade procriativa.
 
A ultra-sonografia é um dos métodos de diagnóstico por imagem mais versáteis e ubíquos, de aplicação relativamente simples e com baixo custo operacional. A partir dos últimos vinte anos do século XX, o desenvolvimento tecnológico transformou esse método num instrumento poderoso de investigação médica dirigida, exigindo treino constante e uma conduta participativa do usuário.
 
Características
 
Esta modalidade de diagnóstico por imagem apresenta características próprias:
  • É um método não invasivo (não agressivo) ou minimamente invasivo.
  • Apresenta a anatomia em imagens seccionadas, que podem ser adquiridas em qualquer orientação espacial.
  • Não possui efeitos nocivos significativos dentro das especificações de uso diagnóstico na medicina.
  • Não utiliza radiação ionizante.
  • Possibilita o estudo não invasivo da hemodinâmica corporal através do efeito Doppler (1).
  • Permite a aquisição de imagens dinâmicas, praticamente em tempo real, possibilitando estudos do movimento das estruturas corporais.
O método ultra-sonográfico baseia-se no fenómeno de interacção de som e tecidos, ou seja, a partir da transmissão de onda sonora pelo meio, observamos as propriedades mecânicas dos tecidos. Assim, torna-se necessário o conhecimentos dos fundamentos físicos e tecnológicos envolvidos na formação das imagens do modo pelo qual os sinais obtidos por essa técnica são detectados, caracterizados e analisados correctamente, propiciando uma interpretação diagnóstica correcta.
 
Além disso, o desenvolvimento contínuo de novas técnicas, a saber: o mapeamento Doppler, os meios de contraste, os sistemas de processamento de imagens em 3D, as imagens de harmónicas e a elastometria exigem um conhecimento ainda mais amplo dos fenómenos físicos.
 
A ultra-sonografia pode contribuir como auxílio no diagnóstico médico e veterinário, sendo a sua aplicação mais ampla actualmente em seres humanos. Pode acompanhar durante a gravidez o bebé desde seus primórdios ao nascimento, avaliando aspectos morfo-funcionais. Permite ainda a orientação de processos invasivos mesmo antes do nascimento.
 
Interage e auxilia a todas as demais especialidades médicas e cada vez mais se firma como um dos pilares do diagnóstico médico na actualidade.
 
(1) - O efeito Doppler  é uma característica observada nas ondas quando emitidas ou reflectidas por um objecto que está em movimento com relação ao observador. Uma onda, em física, é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo.
Fonte: Wikipédia. 
 

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09
Nov06

A Genealogia

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Árvore genealógica de Adolf Hitler

Exemplo:  Árvore genealógica de Adolf Hitler
 
 
 

A genealogia é uma ciência de raiz histórica, que estuda a evolução e disseminação das famílias e respectivos apelidos.
 
A definição mais abrangente é "estudo do parentesco". Como ciência, desenvolve-se no âmbito da "história de família", onde é a peça fundamental subsidiada por outras ciências, como a sociologia, economia, biografia, história da arte ou direito.
 
É também conhecida como "ciência da história da família" pois tem como objectivo desvendar as origens das pessoas e famílias por intermédio do levantamento sistemático de seus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos interfamiliares. Tal levantamento pode ser estendido aos descendentes de uma determinada figura histórica o que também se engloba no âmbito do estudo dessa ciência.
 
Uma árvore genealógica é um histórico de certa parte dos ancestrais de uma pessoa ou família. Mais especificamente, trata-se de uma representação gráfica genealógica para mostrar as conexões familiares entre indivíduos, trazendo seus nomes e, algumas vezes, datas e lugares de nascimento, casamento e morte.
 
Uma árvore genealógica também pode representar o sentido inverso, ou seja, de um ancestral comum sendo a raiz da árvore até todos seus descendentes colocados nas suas inúmeras ramificações.
 
Ancestral ou antepassado, em genealogia, é o nome que normalmente se atribui a um ascendente já morto ou que se localiza a várias gerações anteriores na representação gráfica da árvore genealógica.
 
A descendência de um indivíduo é constituída por todos os seus filhos, netos, bisnetos, etc. No sentido oposto existe a ascendência, ou seja, todos os ancestrais de uma determinada pessoa: pais, avós, bisavós, etc.
Fonte: Wikipédia.  
 
 
   
Observações:
 
Por achar relevante para complementar este artigo, com o devido respeito e agradecendo a colaboração, transcrevo para este corpo principal um comentário inserido no mesmo:
 
 
"De Maria Papoila 
Olá Filipe:
Hoje por aqui deixo a minha marca...

  
Em Medicina Geral e Familiar, o genograma é um instrumento muito importante de avaliação do risco de doenças com factores genéticos. Para ter valor devemos incluir pelo menos três gerações e registar todas as doenças conhecidas e causas de morte
."
 
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Por também achar interessante para complemento deste artigo, com o devido respeito e agradecendo a colaboração, transcrevo para este corpo principal uma frase deixada em "comentário", por  Jofre Alves:
  
 
 
"... Para imaginar a grandeza e a monumentalidade da questão, basta relembrar que um indivíduo em 15 gerações ascendentes tem 16.384 antepassados. E em 15 gerações chegámos, mais ao menos, aos finais do século XVI, início da centúria de Seiscentos...."
  
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08
Nov06

Olivença

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Olivença (em castelhano Olivenza) é um cidade e sede de município, que sendo parte do território português se encontra, desde 1801, ocupada pelo Reino de Espanha e integrada na província da Extremadura. O território de Olivença tem uma área total aproximada de 750km² e faz parte do Distrito e Arquidiocese de Évora.
 
Geografia
 
Olivença está situada na margem esquerda do Rio Guadiana, frente ao concelho de Elvas, distando desta cidade 20 Km e 24 Km de Badajoz. O território é triangular, com dois dos seus vértices no rio Guadiana e o terceiro indo para sudoeste para Espanha. Além da cidade, o território de Olivença incluiu sete aldeias: S. Francisco, S. Rafael, Vila Real ou Villareal, São Domingos de Gusmão ou Santo Domingo de Guzmán, S. Bento da Contenda ou San Benito de la Contienda, São Jorge da Lor e Táliga. A área total ronda os 471 km².
 
Em 1801 o concelho de Olivença era constituído pelas seguintes freguesias:
  • Santa Maria do Castelo (Olivença)
  • Santa Maria Madalena (Olivença)
  • São Jorge da Lor
  • São Domingos de Gusmão
  • Táliga, actualmente com a categoria de município.
A aldeia de Vila Real fazia parte da freguesia e concelho de Juromenha, actualmente no município de Alandroal.
 
Oficialmente, o governo português não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença e considera o território português de jure.
 
Táliga (município da Espanha na província de Badajoz)
 
Sob administração espanhola, foi destacada de Olivença e constituída em «ayuntamiento» próprio. Tem cerca de 800 habitantes. Também fundada pelos templários e sempre pertencente ao concelho de Olivença, foi ocupada por Espanha em 1801. A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços bem portugueses que, como todo o território, a distinguem da Extremadura. O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho português. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.
 
S. Jorge da Lor
 
A 5 km em direcção a SE, a aldeia de S. Jorge da Lor constitui um núcleo urbano de muito interesse pela personalidade que lhe conferem as suas monumentais chaminés. Depois de Táliga, é a maior das aldeias de Olivença. Assentada no sopé da Serra de Alôr, a 5 km. da Vila, constitui um conjunto marcadamente rural, com a fisionomia tradicional pouco alterada, destacando-se a sua arquitectura popular portuguesa. O centro do povoado e sua construção mais destacada é a igreja paroquial de S. Jorge, obra do século XVIII. De pequenas proporções e endossada a outros edifícios, é em alvenaria caiada. O seu singelo portal é de desenho claramente popular, com triplo campanário. Interiormente, compõe-se de átrio de acesso, nave de três corpos, cruzeiro com abobado de aresta, cabeceira quadrangular e três grandes capelas anexas. Como sempre, a sua arquitectura espelha as formas populares portuguesas. A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.
 
S. Domingos De Gusmão
 
Localiza-se a pouca distância de S. Jorge, também nas vertentes da Serra de Alôr. Com cerca de meia centena de casas e 130 habitantes, constitui a menor das aldeias oliventinas. Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento totalmente português.
 
S. Bento da Contenda
 
Próxima das anteriores, ao sul de Olivença, com perto de 500 habitantes. Segundo várias versões o seu nome deriva das permanentes disputas em que se envolvia com povoados castelhanos vizinhos. Outra interpretação liga o nome ao topónimo que designa os campos em que assenta. Como nas restantes aldeias, o património mais significativo é a igreja paroquial, dedicada a S. Bento, também de acusada influência portuguesa, mais parecendo uma ermida, dadas as suas reduzidas proporções e os traços populares da sua arquitectura. Na fachada frontal um atraente pórtico, sob o qual chama a atenção a preciosa porta trilobada. O interior é uma nave única, abobadada, e cabeceia quadrangular. Sobre a porta figura a data de 1788. Constitui um conjunto de arquitectura popular de notável valor etnográfico.
 
Vila Real
 
Situada sobre o Guadiana, frente às povoações fortificadas de Juromenha e Alandroal. Historicamente pertencia não a Olivença, mas sim a Juromenha. Com a usurpação de Olivença, até à margem do grande rio, a povoação foi igualmente anexada por Espanha. A paróquia é dedicada Nossa Sra. da Assunção. O templo é uma construção caiada de reduzidas proporções e arquitectura simples, semelhante igualmente a uma ermida. Planta rectangular, abobadada, cabeceira rectangular e cupulada, sacristia e capela baptismal anexa. Na estrada de acesso localiza-se a ermida de Sant’Ana, de modesta fábrica, rural.
 
 
Questão e Litígio de Olivença
 
Fundamentos dos direitos Portugueses
 
Inexistência de fronteira
 
Na delimitação da fronteira entre Portugal e Espanha faltam colocar 100 marcos, desde o Nº 801 ao Nº 900. Os dois acordos de definição fronteiriça de 1864 e 1926 deixaram por delimitar uma faixa do Alentejo coincidente com o Território de Olivença, em resultado de Portugal não reconhecer a soberania espanhola sobre a região e em virtude da Espanha continuar a adiar a reentrega daquela parcela portuguesa. O Projecto do Centro de Estudos de Arquitecturas Transfronteiriças, criado em Olivença em 1995, contém a seguinte afirmação, bem esclarecedora sobre este problema:
Desde una perspectiva diplomática, Olivenza resulta ser una materia pendiente entre ambos países, hasta el punto que la comisión interministerial encarregada de revisar los límites fronterizos entre ambos países, dejan permanentemente sobre la mesa la delimitación de los marcos fronterizos que se correspondem con el término municipal oliventino.
Para que o silêncio português não fosse entendido como reconhecimento tácito da ocupação espanhola, a diplomacia de Portugal tem lembrado à Espanha, periodicamente, os direitos que nos assistem a reavermos Olivença.
 
Nulidade do Tratado de Badajoz
 
Desde o término da Campanha do Rossilhão (1793–95) que a França e a Espanha planeavam invadir Portugal e reparti-lo entre si. Dos acordos celebrados entre estes dois países resultou a invasão de Portugal por tropas espanholas, auxiliadas por forças francesas. Consumada a investida sobre o Alentejo, a 20 de Maio de 1801 o governador da Praça de Olivença entrega-se ao exército ocupante, sem esboçar resistência, o mesmo fazendo o governador de Juromenha. Em situação de fraqueza diplomática e sob ameaça de força, o governo português teve de ceder à exigência de Napoleão Bonaparte e de Carlos IV de Espanha, assinando o duplo Tratado de Badajoz de 6 de Junho e de Madrid de 29 de Setembro de 1801. Para além de se submeter às gravosas pretensões francesas, Portugal viu-se sujeito a reconhecer à Espanha a posse da «Praça de Olivença, seu território e povos desde o Guadiana», passando este rio a constituir fronteira entre os dois países, na referida região. Se a Espanha possuísse algum argumento válido para justificar a sua ocupação do Território de Olivença fundamentá-lo-ia no Tratado de Badajoz de 1801. Acontece que este tratado, juntamente com o Tratado de Madrid do mesmo ano, perdeu o seu valor jurídico, considerando-se nulo e de nenhum efeito. O Tratado de Badajoz foi negociado entre as duas partes no conflito: Portugal, na condição de estado invadido; a França e a Espanha, conjuntamente, como estados invasores.
 
Pondo fim às negociações, foi redigido um duplo tratado de paz que seria assinado alternadamente entre Portugal e a Espanha e entre Portugal e a França, valendo ambos como um só tratado como textos diplomáticos conexos. Tal se afirma no Preâmbulo do tratado onde se diz:
Havendo-se concordado entre si os Plenipotenciários das três Potências beligerantes, convieram em formar dois Tratados, sem que na parte essencial seja mais do que um, pois que a garantia é recíproca, e não haverá validade em algum dos dois quando venha a verificar-se a infracção em qualquer dos Artigos que neles se expressam.
Reforçando o princípio da unicidade dos Tratados de Badajoz e fundamentando as reivindicações portuguesas sobre a sua nulidade está o Artigo IV, onde se estipula o seguinte:
Se neste ou outro Artigo houver infracção, se dará por nulo o Tratado que agora se estabelece entre as três Potências, compreendida a mútua garantia, segundo se expressa nos Artigos do presente.
A reciprocidade da validade ou da invalidade dos dois tratados é claramente expressa no Artigo VIII do texto francês, ao afirmar-se que «toute infraction à ce Traité será regardée par le Premier Consul comme une infraction au Traité actuel» o que significa que qualquer infracção ao tratado luso-francês constituía infracção ao tratado luso-espanhol, já que ambos constituíam um único tratado.
 
São várias as razões da nulidade do Tratado de Badajoz. Para além do incumprimento do prazo de ratificação por parte da França, conforme se estipulava no Artigo IX, o que levou à assinatura do Tratado de Madrid de 29 de Setembro de 1801, são as seguintes as causas da nulidade do Tratado de Badajoz:

Falta de manifestação da livre vontade de Portugal
 
As circunstâncias em que Portugal assinou o Tratado de Badajoz, com os exércitos franceses e espanhóis a ameaçarem incrementar as acções de força contra o nosso território que tinham parcialmente ocupado, violam o princípio segundo o qual os negócios jurídicos só são válidos verificando-se a livre manifestação da vontade das partes. Portugal assinou o Tratado de Badajoz, não no exercício da sua plena liberdade, mas coagido a fazê-lo sob ameaça de força.
 
Tratado de Fontainbleau e a violação da Paz
 
O Tratado de Badajoz de 1801 era um «Tratado de Paz», o que expressamente ficou definido no seu preâmbulo. No Artigo I estipulava-se:
Haverá paz, amizade e boa correspondência entre Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal e dos Algarves, e Sua Magestade Catholica El Rei de Hespanha, assim por mar como por terra, em toda a extensão dos seus Reinos e Domínios.
Apesar de ter sido agredido e invadido pelas forças franco-espanholas, sem qualquer motivo que não fosse a sua decisão de se recusar a abandonar a sua aliança com a Grã-Bretanha, Portugal teve de aceitar a Paz em circunstâncias desonrosas e humilhantes. Em troca da aceitação da Paz, que se verificou sob ameaça de maiores represálias, Portugal anuiu às exigências da Espanha e da França, entre as quais se encontrava o reconhecimento da posse espanhola de Olivença. Conforme se estipulava no seu Artigo IV, a violação da Paz implicava a nulidade do Tratado de Badajoz. E, com efeito, tal veio a suceder em 1807, quando a Espanha e a França assinaram o Tratado de Fontainbleau, pelo qual previam a divisão de Portugal em três partes, ocupando o nosso país poucos meses depois, para dar execução a esse projecto. Se a Espanha pudesse afirmar algum direito à posse do Território de Olivença, perdia-o irrevogavelmente, ao anular, por sua responsabilidade, o único documento de valor jurídico em que poderia fundamentar a sua soberania sobre aquela nesga de terra alentejana. Em resultado da invasão de Portugal por forças franco-espanholas, o que levou a Família Real a transferir a sede da Monarquia Portuguesa para o Brasil, o Príncipe Regente, D. João, fez publicar um Manifesto, com data de 1 de Maio de 1808, considerando «nullos e de nenhum vigor» os Tratados de Badajoz e de Madrid de 1801.
 
Tratado de Paris de 1814
 
A 31 de Março de 1814 as forças aliadas entravam em Paris, obrigando à abdicação de Napoleão. As hostilidades resultantes das guerras napoleónicas foram suspensas por uma convenção assinada a 23 de Abril, à qual aderiu o Príncipe D. João em 8 de Maio do mesmo ano. A 30 de Maio de 1814 é assinado o Tratado de Paris, pelo qual foram anulados os Tratados de Badajoz e de Madrid de 1801. O Artigo Adicional Nº 3 determinava:
Conquanto os tratados, convenções e actos concluídos entre as duas potências anteriormente à guerra estejam anulados de facto pelo estado de guerra, as altas partes contratantes julgaram não obstante conveniente declarar outra vez expressamente que os ditos tratados em Badajoz e Madrid em 1801, e a convenção assinada em Lisboa em 1804, ficam nulos e de nenhum efeito pelo que dizem respeito a Portugal e à França, e que as duas coroas renunciam mutuamente a todo o direito e se desligam de qualquer obrigação que deles pudesse resultar.
Ainda que o Tratado de Paris apenas anule directamente os referidos tratados no que diz respeito à França, o mesmo se aplica no que concerne à Espanha, em virtude de os dois tratados de Badajoz constituírem um só, conforme neles ficou indelevelmente expresso.Deste Artigo Adicional se depreende, igualmente, a doutrina jurídica segundo a qual o estado de guerra que se sucedeu ao Tratado de Fontainbleau, anulava, só por si, os Tratados de Badajoz e Madrid de 1801, confirmando a inexistência de qualquer fundamento que garanta à Espanha o domínio sobre Olivença.
 
Determinação do Congresso de Viena
 
Derrotado Napoleão, em Abril de 1814, procuraram as potências europeias restabelecer, na medida do possível, a ordem e as fronteiras vigentes em 1792. Se o Tratado de Paris de 30 de Maio de 1814 deu início ao processo de paz, só o Congresso de Viena, cujos trabalhos começaram a 27 de Setembro do mesmo ano, veio tentar resolver os muitos problemas pendentes.Entre as questões de maior interesse para Portugal encontrava-se o problema da fronteira da Guiana Francesa e a restituição de Olivença. A Espanha tentou demover a diplomacia portuguesa de apresentar a Questão de Olivença ao Congresso de Viena, com promessas pouco consistentes de restituição do território. Portugal, suspeitando das intenções espanholas, optou por tentar resolver o problema envolvendo os diversos países presentes em Viena. Confiando na possibilidade de Olivença nos ser restituída, a diplomacia portuguesa procurou a anulação do tratado de aliança anglo-luso de 1810, pelo qual Portugal cedia Bissau e Cacheu à Grã-Bretanha, por um período de 50 anos, em troca do apoio deste país à retrocessão do território oliventino. Para além de alcançar este desiderato, os nossos representantes no Congresso de Viena — D. Pedro de Sousa Holstein, D. António Saldanha da Gama e D. Joaquim Lobo da Silveira — conseguiram que fosse estatuído o nosso direito à reincorporação de Olivença, o que ficou definido no Artigo 105 do tratado:
As Potências, reconhecendo a justiça das reclamações formuladas por Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, sobre a vila de Olivença e os outros territórios cedidos à Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801, e considerando a restituição destes objectos como uma das medidas adequadas a assegurar entre os dois Reinos da Península aquela boa harmonia, completa e estável, cuja conservação em todas as partes da Europa tem sido o fim constante das suas negociações, formalmente se obrigam a empregar por meios conciliatórios os seus mais eficazes esforços a fim de que se efectue a retrocessão dos ditos territórios a favor de Portugal. E as Potências reconhecem, tanto quanto depende de cada uma delas, que este ajuste deve ter lugar o mais brevemente possível.
O Plenipotenciário espanhol, D. Pedro Gomes Labrador, recusou-se a assinar o Tratado de Viena de 9 de Junho de 1815, lavrando um protesto contra várias deliberações do Congresso, entre as quais se encontrava a restituição de Olivença. A Espanha acabou por aceitar aquele tratado a 7 de Maio de 1817, data em que o Conde de Fernan Nuñez o assinou, reconhecendo os direitos portugueses sobre Olivença e comprometendo-se à sua restituição, o que até hoje não cumpriu.
 
Posição do Estado Português
 
Mesmo escasseando as afirmações dos responsáveis pela nossa diplomacia, é inequívoco o princípio de que Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença. Nos últimos sete anos apenas se conhecem três testemunhos públicos da nossa diplomacia relativamente à titularidade dos direitos de soberania sobre a região de Olivença, mas que são suficientemente claros para se compreender a posição oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em 1988 o Embaixador português Carlos Empis Wemans, nosso representante na Comissão Internacional de Limites Luso-Espanhola afirmou ao Diário de Lisboa:
Portugal nunca reconheceu oficialmente a situação. Olivença, do ponto de vista legal, continua a ser nossa. Daí que correspondendo a contactos pontuais da Espanha sobre problemas da região respondemos sempre que "de Jure" é portuguesa.
Mais próximo de nós, esta posição foi reafirmada a propósito da Ponte da Ajuda, uma obra manuelina, destruída nos inícios do século XVIII durante a Guerra da Sucessão e que permaneceu intransitável até aos nossos dias, dificultando a ligação entre Elvas e Olivença sobre o Rio Guadiana, hoje a fronteira "de facto", mas não a fronteira juridicamente aceite por Portugal.
 
Em 1990, o Primeiro Ministro Cavaco Silva acordou na Cimeira Ibérica a reconstrução da Ponte da Ajuda, como obra transfronteiriça, conforme fora negociado pela Secretária de Estado do Planeamento Regional, Drª. Isabel Mota, e pelo seu homólogo José Borrell. Quatro anos depois, no início do mês de Março, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, presidido por Durão Barroso, inviabilizou o acordo, impedindo a execução do projecto. O Embaixador português Pinto Soares, nosso representante na Comissão de Limites recusou-se a discutir o dossier da ponte, afirmando que «o Estado português não se pode envolver em nenhum projecto que envolva o reconhecimento do traçado da fronteira num local em que não há consenso quanto a ela». «Participar neste empreendimento, explicou ao PÚBLICO uma fonte das Necessidades, equivaleria a reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença.»
 
A forma astuciosa como a Espanha pretendia alcançar o reconhecimento da sua ilegal ocupação sobre Olivença acabou por se transformar numa afirmação inequívoca dos nossos direitos sobre o território. Considerando o estado português que o território de Olivença se inclui no seu espaço de soberania, o Ministério dos Negócios Estrangeiros conseguiu impor à Espanha a realização da obra exclusivamente por Portugal e não como um empreendimento conjunto de carácter transfronteiriço. A forma silenciosa como os estados peninsulares gostam de tratar a questão oliventina conduziu a que o acordo final fosse tratado na Cimeira Ibérica do Porto em Novembro de 1994, sem que à comunicação social chegassem grandes ecos dos atritos e melindres que o problema levantou.
 
A mais recente afirmação oficial de que Olivença e o seu termo fazem parte integrante do território nacional ocorreu em 1995. Na sua origem está o projecto da Barragem do Alqueva
, cuja albufeira inundará cerca de 2.400 hectares de superfície nos municípios espanhóis de Badajoz, Cheles, Alconchel e Villanueva del Fresno, a que acrescem aproximadamente 1.000 hectares em Olivença. No âmbito das negociações sobre este assunto realizadas entre os dois estados peninsulares, as autoridades portuguesas, entre as quais se incluem o Ministério do Ambiente e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, remeteram para Madrid, em Março de 1995, um estudo detalhado das afectações que aquele empreendimento terá em território espanhol. Como o nosso país não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença, dos 13 volumes do estudo enviado para as autoridades espanholas não constavam as informações relativas a esta superfície juridicamente portuguesa. Só uma semana depois, por deferência para com os espanhóis e para simplificar aspectos técnicos, a nossa administração enviou para Espanha informação em que se incluíam dados sobre Olivença. Mas, para vincar bem a nossa posição, o estudo intitulava-se «Território de Espanha e de Olivença», em demonstração clara de que o nosso governo não considera Olivença como parte integrante da Espanha. 
Fonte: Wikipédia.  
  


 
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Grupo dos Amigos de Olivença
 
07
Nov06

Rio Guadiana

Praia da Claridade

 
Localização do Rio Guadiana
 
 
 

O Guadiana é um rio internacional que nasce a uma altitude de cerca de 1700 m, nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Ciudad Real. Renasce no Ojos del Guadiana e desagua no Oceano Atlântico, através de um grande estuário entre a cidade portuguesa de Vila Real de Santo António e a espanhola Ayamonte no golfo de Cádis, um braço do Oceano Atlântico. Os romanos chamavam-lhe Anas ao que os Mouros juntaram Uádi, a palavra árabe para rio, sendo então o Uádi Ana; a forma vernácula Odiana perdurou até ao século XVIII, altura em que foi substituída pelo termo de origem castelhana Guadiana.
 
O Guadiana faz por duas vezes fronteira entre Portugal e Espanha. Primeiro entre o rio Caia e a ribeira de Cucos, e depois desde o rio Chança até à foz. É navegável até Mértola. O primeiro sector da fronteira não está demarcado entre a ribeira de Olivença e a ribeira de Táliga, devido ao litígio fronteiriço de Olivença. No seu curso total, de 829 km, o rio é navegável até uma distância de 68 km da sua foz.
 
No rio Guadiana,  no Alentejo interior, perto da fronteira espanhola, está situada a Barragem do Alqueva, a maior barragem portuguesa. Foi construída com o objectivo de regadio para toda a zona do Alentejo e produção de energia eléctrica para além de outras actividades complementares. Encontram-se já diversas infra-estruturas do Sistema Global construídas (Barragem do Pedrógão, infra-estrutura 12, Aldeia da Luz) e muitas em fase avançada de projecto.
 
Grande parte do território da freguesia de Luz (Mourão), a tão falada  Aldeia da Luz, foi submerso pelas águas da albufeira da Barragem de Alqueva, a partir de 2002. Foi construída uma nova aldeia, para onde se mudaram todos os habitantes da Luz.
 

Panorâmica da Barragem do Alqueva
 
 
Pormenor da Barragem do Alqueva
Fonte: Wikipédia. 
 
 
06
Nov06

D. João IV de Portugal

Praia da Claridade

 
D. João IV de Portugal
 
 
 

D. João IV de Portugal e II de Bragança (Vila Viçosa, 19 de Março 1604 - 6 de Novembro 1656, faleceu faz hoje 350 anos) foi o vigésimo primeiro Rei de Portugal, e o primeiro da quarta dinastia. João era filho de Teodósio II, 7.º Duque de Bragança e herdou o ducado 1630 como D. João II. Por via paterna era trineto do rei Manuel I de Portugal, através da duquesa D. Catarina. Ficou para a história como O Restaurador  (por haver sido restaurada a independência nacional) ou O Afortunado  (por aparentemente, uma vez caída a coroa da sua cabeça, não ter querido reinar, e só se ter decidido após a intervenção da esposa). Um dos acontecimentos mais nobres da sua vida foi a declaração de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal.
 
Reuniões Secretas
 
Depois da conversa definitiva com o Duque de Bragança, os conspiradores reuniram-se várias vezes em Lisboa para combinarem como e quando haviam de fazer a revolução. Essas reuniões tinham de ser feitas às escondidas para que não chegasse aos ouvidos da duquesa de Mântua (prima de Filipe IV de Espanha) e de Miguel de Vasconcelos (Secretário de Estado da duquesa de Mântua). Se a notícia se espalhasse, seriam acusados de traição e condenados à morte. Mas, mesmo que não conseguissem provas para os incriminar, qualquer rumor acerca do que se preparava teria efeitos desastrosos porque os soldados ficariam em estado de alerta e ia por água abaixo o efeito surpresa. Todo o cuidado era pouco. As reuniões realizavam-se em 3 sítios: no palácio Jorge de Melo, em Xabregas, no palácio que o duque de Bragança tinha em Lisboa, perto do Bairro Alto, e no Palácio de D. António Vaz de Almada, no Rossio. Para não levantar muitas suspeitas os conspiradores nunca iam juntos e cada um seguia no seu coche com as cortinas corridas. A conspiração ia-se assim realizando...
 
Restauração da Independência
 
Em 1640, quando a classe média e aristocracia, descontentes com o domínio espanhol e com o reinado de Filipe IV de Espanha (III de Portugal), quiseram restaurar a independência, foi ele o escolhido para encabeçar a causa. João aceitou a responsabilidade com relutância, diz a lenda que incentivado sobretudo pela sua mulher Luísa de Gusmão (veio a ser a primeira rainha de Portugal da quarta dinastia). A 1 de Dezembro deu-se o golpe e, em 15 de Dezembro, João IV é coroado rei de Portugal na restauração do trono contra o domínio espanhol.
 
Aclamação de D. João IV como Rei de Portugal
 
Naquele tempo as notícias viajavam por mensageiros e portanto demoravam o seu tempo a chegar ao destino. O duque de Bragança aguardava no Palácio de Vila Viçosa  o resultado da conspiração e, segundo os documentos da época, só soube a boa-nova no dia 3. Muitos mensageiros espalharam-se por todo o país, levando consigo cartas para as autoridades de cada terra se encarregarem de aclamar o novo rei. Por todo o lado as populações explodiam de felicidade. D. João IV veio então para Lisboa, onde chegou na noite de 6 de Dezembro. Nos dias seguintes houve festejos. Enquanto se preparava a cerimonia da coroação, o rei ocupava-se a nomear embaixadores, que deveriam partir a fim de que os países estrangeiros reconhecessem a independência de Portugal, e generais, que deviam encarregar-se da defesa das fronteiras e dos portos. Isto porque ninguém tinha dúvidas que Filipe IV não ia cruzar os braços! Decerto trataria de preparar exércitos para invadir Portugal. A notícia chegou a Madrid no dia 7 de Dezembro, levada por um estafeta ao serviço do governador de Badajoz. Como era de prever, os espanhóis ficaram em fúria e acusaram de traição não só o duque de Bragança mas todos os que tinham participado. As tropas não vieram logo porque estavam demasiado ocupadas com a revolta da Catalunha, o que deu tempo aos portugueses para se organizarem.
 
O irmão do rei
 
D. João IV tinha um irmão mais novo, chamado Duarte, que partira para a Alemanha quatro anos antes da Restauração. Era um militar corajoso e competente que decidira participar na Guerra dos Trinta Anos (uma série de conflitos religiosos e políticos ocorridos especialmente na Alemanha, nos quais rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados em uma luta europeia). Em 1638 visitou Portugal e, como o duque de Bragança nessa altura estava renitente em aceitar a coroa e encabeçar uma rebelião, os conspiradores pensaram escolher D. Duarte para esse efeito (atenção não é o 2º rei da 2ª dinastia). O projecto não se concretizou e assim aquele que poderia ter sido rei de Portugal acabou preso na Alemanha, porque o imperador era aliado de Filipe IV. Logo que soube da revolução, encarcerou-o. D. João IV ordenou aos embaixadores que usassem todos os meios possíveis para libertarem o irmão. Chegou a pedir ajuda ao Papa, sem qualquer êxito. D. Duarte, que não tinha culpa nenhuma, que não interviera na conjura, foi afinal quem sofreu as consequências da Restauração. Morreu após oito anos de cativeiro. A corte cobriu-se de luto rigoroso, e embora na época aquela figura tenha suscitado muita simpatia entre os portugueses, a história foi esquecida.
 
A Guerra da Restauração
 
Após a Restauração, seguiu-se uma guerra com Espanha na Península Ibérica e nas colónias, onde Portugal foi assistido pela Inglaterra, França e Suécia (adversários dos espanhóis na Guerra dos Trinta Anos). Pese embora a conjura de 1641 contra o novo rei, da qual resultou uma severa punição para os seus responsáveis, D. João IV teve o apoio da grande maioria da sociedade portuguesa, o que lhe permitiu criar novos impostos, desvalorizar a moeda e recrutar voluntários para fazer face às necessidades monetárias e humanas de um confronto militar que se adivinhava próximo com a vizinha Espanha.
 
D. João IV enviou também diplomatas às principais cortes europeias com o objectivo de conseguir o reconhecimento da independência e de obter apoios financeiros e militares. Sendo necessário justificar que D. João IV não era um rebelde mas sim o legítimo herdeiro do trono, que havia sido usurpado por Filipe II de Espanha. D. João IV assume-se como o herdeiro de Catarina de Bragança, candidata ao trono e afastada por Filipe II em 1580.
 
Das Cortes de 1641, saiu uma nova doutrina que defendia que o poder provinha de Deus através do povo, que, por sua vez, o transferia para o rei. Em caso de usurpação ou tirania, o povo tinha o poder de destituir o rei, precisamente o que aconteceu com Filipe IV.
 
Em 1641 verificaram-se também os primeiros confrontos, saldando-se por uma vitória do exército português na Batalha do Montijo e uma tentativa fracassada dos espanhóis no Cerco de Elvas. A Espanha estava fortemente mergulhada na Guerra dos Trinta Anos, pelo que foi preciso esperar pelo fim da guerra entre franceses e espanhóis, que só se verificou em 1659, para que os espanhóis pudessem concentrar todas as suas atenções na anulação da Restauração Portuguesa.
  
Cerco de Elvas (1644)
 
Um exército espanhol, sob o comando do marquês de Torrecusa, atravessou o Rio Guadiana, com 12000 homens de infantaria, 2600 de cavalaria, 20 peças de artilharia e 2 morteiros, marchando no sentido de Campo Maior. Mandou fazer um reconhecimento à Praça de Olivença, mas desistiu de a atacar, por considerá-la de pouco interesse. O exército espanhol chegou a Elvas estabelecendo o cerco. O marquês de Alegrete reforça a guarnição e consegue vencer os ataques dos espanhóis que acabaram por retirar oito dias depois.
 
D. João IV jaz no Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.
 
Descendência
 
Pela sua mulher, Luísa de Gusmão:
  • Teodósio, Duque de Bragança (1634-1653)
  • Ana de Bragança (1635)
  • Joana de Bragança (1636-1653)
  • Catarina de Bragança (1638-1705), casou com o rei Carlos II de Inglaterra
  • Manuel de Bragança (1640)
  • Afonso VI, Rei de Portugal (1643-1675)
  • Pedro II, Rei de Portugal (1646-1709)
De outra senhora, incógnita, teve D. João outra filha:
  • Maria de Bragança (1644-1693)
Fonte: Wikipédia. 
 
 
05
Nov06

O Rim

Praia da Claridade

 
Os dois rins vistos através de uma secção dorsal
 
Os dois rins vistos através de uma secção dorsal
 
 
 

Rim é cada um dos dois órgãos excretores, em forma de feijão (tendo, no ser humano, aproximadamente 11 cm de comprimento, 5 cm de largura e 3 cm de espessura). É o principal órgão do Sistema Excretor e osmo-regulador dos vertebrados. Os rins filtram dejectos (especialmente ureia) do sangue, e excretam-os, com água, na urina; a urina sai dos rins através dos ureteres, para a bexiga.
 
Anatomia
 
Localização
 
Nos humanos, os rins estão localizados na região posterior do abdómen, atrás do peritónio, motivo pelo qual são chamados de órgãos retroperitoneais. Existe um rim em cada lado da coluna; o direito encontra-se logo abaixo do fígado e o esquerdo abaixo do baço. Em cima de cada rim encontramos a glândula adrenal
.
 
Os rins estão, aproximadamente, no mesmo nível que as vértebras T12 a L3, sendo que o rim direito se localiza um pouco mais inferiormente que o esquerdo. O pólo superior de cada rim está encostado na décima primeira e décima segunda costelas
e ambos se encontram envoltos por uma almofada de gordura, com finalidade de protecção mecânica.
 
Anatomia macroscópica
 
No adulto o rim tem cerca de 11 a 13 cm de comprimento, 5 a 7,5 cm de largura, 2,5 a 3 cm de espessura, com aproximadamente 125 a 170 gramas no homem e 115 a 155 gramas na mulher.
 
Cada rim possui a forma de um grão de feijão com duas faces (anterior e posterior), duas bordas (medial e lateral) e dois pólos ou extremidades (superior e inferior). Na borda medial encontra-se o hilo (fissura ou depressão), por onde passam o uréter, artéria e veia renal, linfáticos e nervos. Os rins estão envolvidos em toda a sua superfície por um tecido fibroso fino chamado cápsula renal. Ao redor do rim existe um acúmulo de tecido adiposo
chamado gordura perirrenal, que por sua vez está envolvida por uma condensação de tecido conjuntivo, representando a fáscia de Gerota ou fáscia renal.
 
Ao corte frontal, que divide o rim em duas partes, é possível reconhecer o córtex renal, uma camada mais externa e pálida, e a medula renal
, uma camada mais interna e escura. O córtex emite projecções para a medula denominadas colunas renais, que separam porções cónicas da medula chamadas pirâmides.
 
As pirâmides têm bases voltadas para o córtex e ápices voltados para a medula, sendo que os seus ápices são denominados papilas renais. É na papila que desembocam os ductos colectores pelos quais a urina
escoa atingindo a pelve renal e o uréter. A pelve é a extremidade dilatada do uréter e está dividida em dois ou três tubos chamados cálices maiores, os quais se subdividem num número variado de cálices menores. Cada cálice menor apresenta um encaixe em forma de taça com a papila renal.
 
Vascularização
 
Os rins são supridos pela artéria renal, que se origina da aorta. A artéria renal dividi-se no hilo num ramo anterior e num ramo posterior. Estes, dividem-se em várias artérias segmentares que irão irrigar vários segmentos do rim. Essas artérias, por sua vez, dão origem às artérias interlobares, que na junção cortiço-medular se dividem para formar as artérias arqueadas e posteriormente as artérias interlobulares. Dessas artérias surgem as arteríolas aferentes, as quais sofrem divisão formando os capilares dos glomérulos, que em seguida, se confluem para formar a arteríola eferente
. A arteríola eferente dá origem aos capilares peritubulares a às arteríolas rectas, responsáveis pelo suprimento arterial da medula renal.
 
A drenagem venosa
costuma seguir paralelamente o trajecto do sistema arterial. O sangue do córtex drena para as veias arqueadas e destas para as veias interlobares, segmentares, veia renal e finalmente veia cava inferior.
 
No córtex há numerosos linfáticos que drenam para a cápsula ou junção córtico-medular. Na medula, os linfáticos correm do ápice das pirâmides para a junção córtico-medular, onde formam linfáticos arqueados que acompanham os vasos sanguíneos até o hilo para drenar em linfonodos
para-aórticos.
 
Acção dos elementos nervosos
 
As fibras simpáticas alcançam o rim através do plexo celíaco. Essas fibras envolvem e seguem os vasos arteriais através do córtex e medula. As fibras para a sensibilidade dolorosa alcançam a medula espinhal pelos nervos esplâncnicos ou pelas raízes dorsais
dos nervos espinhais de T12 a L2.
 
Anatomia microscópica
 
Cada rim é formado por cerca de 1 milhão de pequenas estruturas chamadas néfron
. Cada néfron é capaz de eliminar resíduos do metabolismo do sangue, manter o equilíbrio hidroelectrolítico e ácido-básico do corpo humano, controlar a quantidade de líquidos no organismo, regular a pressão arterial e segregar hormonas, além de produzir a urina. Por esse motivo dizemos que o néfron é a unidade funcional do rim, pois apenas um néfron é capaz de realizar todas as funções renais.
 
O néfron é formado pela Cápsula de Bowman, pelo glomérulo, túbulo contorcido proximal, alça de Henle, túbulo contorcido distal e túbulo colector
.
 
Funções dos rins
 
Além de excretar substâncias tóxicas, os rins também desempenham muitas outras funções. Abaixo estão listadas as principais funções renais:
  • Eliminar substâncias tóxicas oriundas do metabolismo, como por exemplo, a ureia e creatinina;
  • Manter o equilíbrio de electrólitos no corpo humano, tais como: sódio, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, bicarbonato, hidrogénio, cloro e outras;
  • Regular o equilíbrio ácido-básico, mantendo constante o pH sanguíneo;
  • Regular a osmolaridade e volume de líquido corporal eliminando o excesso de água do organismo;
  • Excreção de substâncias exógenas como por exemplo medicações e antibióticos;
  • Produção de hormonas: eritropoietina (estimula a produção de hemácias), renina (eleva a pressão arterial), vitamina D (actua no metabolismo ósseo e regula a concentração de cálcio e fósforo no organismo), cininas e prostaglandinas.
  • Produção de urina para exercer as suas funções excretórias.
 
Fisiologia
 
Inicialmente o sangue vem por um vaso chamado Arteríola aferente passa pelo glomérulo e sai pela Arteríola eferente. O sangue é filtrado ao passar pelo glomérulo num processo chamado filtração glomerular. A quantidade de líquido
que passa do glomérulo para a Cápsula de Bowman (conhecido como filtrado glomerular) é muito grande, cerca de 170 litros por dia, sendo 99% desse total reabsorvidos pelos túbulos renais, resultando em aproximadamente 1,5 a 2 litros de urina por dia.
 
O mecanismo de passagem do líquido e a sua composição é devido ao equilíbrio entre as forças que tendem a manter o líquido no vasos e as que tendem a expulsá-lo (Forças de Starling). Os dois principais factores são a Pressão hidrostática que favorece a passagem de líquido do sangue para a Cápsula de Bowman e a Pressão oncótica
, que impede a saída de líquidos do sangue.
 
Após ser produzido pelo glomérulo, o filtrado glomerular segue para os túbulos renais onde será processado para dar origem à urina. Em cada segmento dos túbulos renais ocorrem movimentos activos (com gasto de energia) e passivos (sem gasto de energia) para a reabsorção de água e electrólitos. Algumas substâncias, como electrólitos e medicamentos, são segregadas do sangue para o filtrado glomerular pelos túbulos renais. O líquido final resultante do processamento tubular é a urina
, num volume de aproximadamente 1,5 a 2,0 litros por dia.
 
Os rins actuam na manutenção de ácido-básico, regulam a concentração de bicarbonato (HCO3), o qual possui a função de tamponamento, excretando iões de hidrogénio e regulam a produção de heritrócitos, através da secreção de heritropoetina, uma hormona que estimula a síntese de heritrócito.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
04
Nov06

Universidade de Coimbra

Praia da Claridade

 
Universidade de Coimbra - PORTUGAL
 
 
 

Completando a série dos 2 post's anteriores relacionados com estudantes - Traje e Praxe académicas - hoje é a vez da Universidade de Coimbra que está localizada na cidade de Coimbra, é a mais antiga de Portugal, e a 3ª  mais antiga de toda a Europa, 17ª a nível mundial.  A 1ª é a Universidade de Karueein, cidade de Fez, Marrocos, fundada no ano de 859.
 
 
História
 
A história desta universidade remonta ao século seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que a Universidade foi criada no século XIII, em 1290, mais especificamente a 1 de Março de 1290, quando foi assinado em Leiria, por D. Dinis, o documento “Scientiae thesaurus mirabilis”, que institui a própria Universidade e pede ao Papa a confirmação.
 
A bula do Papa Nicolau IV, datada de 9 de Agosto de 1290, reconheceu o Estudo Geral, com as faculdades de Artes, Direito Canónico, Direito Civil e Medicina. Teologia foi reservada aos conventos dominicanos e franciscanos.
 
A Universidade foi instalada em Coimbra, no Paço Real da Alcáçova, em 1308.
 
Em 1338 voltou para Lisboa, onde permaneceu até 1354, ano em que regressou para Coimbra. Ficou nesta cidade até 1377 e voltou de novo para Lisboa neste ano.
 
Até 1537 permaneceu em Lisboa, data em que foi transferida definitivamente para Coimbra, por ordem de D. João III. A Universidade recebeu os seus primeiros estatutos em 1309, com o nome “Charta magna privilegiorum”.
 
Os segundos estatutos foram outorgados no ano de 1431 (reinado de D. João I), com disposições sobre a frequência, exames, graus, propinas e ainda sobre o traje académico.
 
Já no reinado de D. Manuel I, em 1503, a Universidade recebeu os seus terceiros estatutos, desta vez com considerações sobre o reitor, disciplinas, salários dos mestres, provas académicas e cerimónia do acto solene de doutoramento.
 
Desde o reinado de D. Manuel I que todos os reis de Portugal passaram a ter o título de “Protectores” da Universidade, podendo nomear os professores e emitir estatutos.
 
O poder real (bastante mais centralizado a partir de D. João II) criava uma dependência da universidade em relação ao Estado e à Política, pelo que a preponderância dos Estudos Jurídicos se estabeleceu em Portugal. A 27 de Dezembro de 1559 (reinado de D. Sebastião), Baltazar de Faria fez a entrega dos Quartos Estatutos, nos quais se determinou que o reitor fosse eleito pelo Claustro, disposição essa nem sempre cumprida pelo poder régio. Nesse mesmo ano, a 1 de Novembro, tinha sido solenemente aberta a Universidade de Évora, entregue aos Jesuítas.
 
Em 1591, de Madrid, vieram os Sextos Estatutos (os quintos foram deixados de lado, nunca tendo entrado em vigor) e foram apresentados em Claustro no ano seguinte. Determinava-se que a Universidade indicasse três nomes para o cargo reitoral, escolhendo o rei um deles. No reinado de D. José I, a Universidade sofreu uma profunda alteração. Em 28 de Junho de 1772 o rei ratifica os novos estatutos (Estatutos Pombalinos), que marcam o início da Reforma. Esta manifestava, sobretudo, um grande interesse pelas ciências da natureza e pelas ciências do rigor, que tão afastadas se encontravam do ensino universitário.
 
Em 1836 dá-se a fusão da Faculdade de Cânones e de Leis na Faculdade de Direito, e que veio a contribuir fortemente para a construção do novo aparelho legal liberalista. Em 1911, a Universidade recebe novos estatutos com o objectivo de criar uma certa autonomia administrativa e financeira e criava também um sistema de bolsas para fazer aumentar o número de alunos no ensino superior.
 
Foi criada a Faculdade de Letras, que herdou as instalações da extinta Faculdade de Teologia, enquanto as Faculdades de Matemática e de Filosofia (criadas na Reforma Pombalina) eram convertidas na Faculdade de Ciências.
 
Com o 25 de Abril de 1974 inicia-se um novo período da vida portuguesa e universitária, que foi alvo de várias reformas para acompanhar a nova dinâmica política. Em 1989 são publicados os estatutos que estão actualmente em vigor.
 
Durante os seus mais de sete séculos de existência, a Universidade foi crescendo, primeiro por toda a Alta de Coimbra e depois um pouco por toda a cidade, encontrando-se actualmente ligada à gestação da ciência e da tecnologia e difusão da cultura portuguesa no mundo.
 
Continuando a manter o renome de outros tempos, é indiscutível a qualidade do ensino em Coimbra. No que toca, por exemplo à faculdade de direito, é de notar o relatório de avaliação externa das faculdades de Direito Portuguesas, tendo Coimbra ficado no mais alto lugar do pódium no que toca ao ensino das leis.
 
Faculdades
 
Hoje, a Universidade de Coimbra, conta com oito Faculdades (Letras, Direito, Medicina, Ciências e Tecnologia, Farmácia, Economia, Psicologia e Ciências da Educação, Ciências do Desporto e Educação Física), e cerca de 22.000 alunos.
 
Actualmente, a Universidade espalha-se por três grandes pólos:
 
- A Alta Universitária, onde se situam a reitoria e os serviços administrativos, partilhando o edifício histórico da Universidade com a Faculdade de Direito. Ainda na Alta Universitária, situam-se as Faculdades de Letras e de Psicologia, bem como os Departamentos de Ciências da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Completam o conjunto o edifício da Biblioteca Geral e Arquivo e a Direcção da FCTUC.
  • O Pólo II, ou Pólo de Engenharia, onde se situam os departamentos de engenharia da FCTUC.

    • Departamentos:
      • Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores
      • Departamento de Engenharia Informática
      • Departamento de Engenharia Civil
      • Departamento de Engenharia Química
      • Departamento de Engenharia Mecânica

  • O Pólo III, ou Pólo de Ciências da Saúde, onde se situam os cursos da área médica, assim como alguns laboratórios de investigação associados.
Por fim, a Faculdade de Economia situa-se num palacete, afastado dos outros 3 pólos, situado na Av. Dias da Silva.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
03
Nov06

Praxe académica

Praia da Claridade

 
Queima das Fitas - Universidade Internacional da Figueira da Foz - Portugal
 
 
 

A Praxe académica, ou simplesmente Praxe, consiste no conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica.
 
No que consiste
 
A Praxe Académica é um conjunto amplo de tradições usos e costumes académicos que se praticam e repetem ao longo dos anos. Fortemente ligada ao conceito de Praxe Académica, está a tradição de integrar os caloiros na sua nova escola e na própria Praxe, pelo que a praxe pode ser considerada um ritual iniciático fortemente hierarquizado. Esta ligação é forte de tal modo que por muitas vezes se confunde o conceito de Praxe como conjunto de tradições e rituais com os meros rituais de integração dos novos alunos (talvez semelhante ao Trote estudantil do Brasil), porém tal não deve ser feito. Actualmente, as actividades que os compõem incluem, a título de exemplo, comer sem recorrer a talheres, pinturas no corpo ou banhar-se em fontes públicas. Embora estas actividades sejam aparentemente pacíficas, os excessos e os efeitos que causam nos alunos que as praticam, são mais controversos.
 
Associado à praxe académica, está o mote Dura Praxis, Sed Praxis - a praxe é dura, mas é a praxe! - baseada no mote latino Dura Lex, Sed Lex .
 
Origens
 
A actual praxe académica surge na Universidade de Coimbra. Tem como base uma jurisdição especial, que (o "foro académico"), a qual era aplicada pela Polícia Académica. A organização desta polícia era constituída por alunos, e a hierarquia definida pela antiguidade dos mesmos na universidade. O seu papel era o de zelar pela ordem no campus, e fazer cumprir as horas de estudo e recolher obrigatório por alunos e professores, sob pena de prisão, sobrepondo-se às autoridades oficiais. Também tinha a incumbência de evitar a entrada na faculdade dos habitantes da cidade que não fossem estudantes ou professores. Com estas responsabilidades, misturavam-se rituais de iniciação (ou "investidas"), para os novos alunos, recém-chegados - os caloiros - à universidade, geralmente envolvendo actos de violência.
 
Campus é uma palavra latina que se refere a um local, numa universidade ou faculdade
, onde fisicamente se concentram as salas de aula e laboratórios de várias disciplinas.
 
Pouco mais é conhecido destes rituais, até que em 1727, devido à morte de um aluno, D. João V proíbe-a: "Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos."
 
No século XIX, o termo "investida" dá lugar aos termos "caçoada" e "troça". Os episódios de violência sucedem-se, com os novos alunos a serem rapados ou obrigados a cantar e a dançar e chega mesmo a haver confrontos físicos com os mais velhos.
 
Com o fim da polícia universitária em 1834, os estudantes decidem criar uma adaptação desta tradição e recuperar os rituais de iniciação. Assim, após o toque da "cabra" - o sino da torre da Universidade - patrulham as ruas da cidade, em busca de infractores, organizados em "trupes". No final do século XIX, surgem novamente relatos de violência entre estudantes, relacionados com os rituais de iniciação, onde os novos alunos eram obrigados a cantar e dançar, e em que era também frequente cortar-lhes o cabelo. Num destes episódios, um dos praxistas é morto por um caloiro.
 
                                 "Cabra" - o sino da torre da Universidade
                              "Cabra" - o sino da torre da Universidade


A praxe foi entretanto interrompida durante alguns períodos. Durante a Implantação da República a praxe é abolida devido à oposição dos estudantes republicanos, sendo reposta em 1919.
 
Do século XX à actualidade
 
Durante o século XX, a praxe académica desempenhou um papel de luta contra o salazarismo, e a Guerra Colonial. As consequentes represálias, culminaram no Luto Académico em 1961, que levou à suspensão de todas as actividades. Com o fim do regime a 25 de Abril de 1974, no final da década de 70, a praxe regressou a Coimbra e espalhou-lhe pelas restantes universidades de Portugal, na década seguinte (anos 80). A Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto são exemplos de instituições que nunca voltaram a re-implantar a tradição. No entanto, alguns dos seus alunos, são por vontade própria praxados por outros alunos das faculdades de Medicina, Ciências e Letras. Na cidade de Lisboa a adesão à praxe aumentou mas lentamente, devido também em parte à dimensão da própria cidade e ao facto de não ser uma cidade académica, como Coimbra ou Évora. Um caso de sucesso é o da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, regendo-se por um código de praxe próprio e tentando respeitar e reavivar a tradição. No entanto, devido à volatilidade própria do meio estudantil, é difícil precisar actualmente qual é a adesão à praxe em cada Universidade. Têm sido frequentes os relatos de violência física e psicológica cometidos sobre os 'caloiros', tanto nas grandes universidades como nos estabelecimentos de menor dimensão. Os movimentos anti-praxe que entretanto surgiram opõem-se às tradições da Praxe, remetendo para aspectos obscuros e desonrosos destas tradições. Afirmam que o número de relatos é inferior ao número de incidentes que realmente acontecem, enquanto que aqueles vinculados à Praxe negam vigorosamente. Assim a sociedade vê-se também dividida entre as duas versões, mantendo-se o actual status quo.
 
Traje académico
 
O traje académico actual, também apelidado de "capa e batina", é composto por um casaco longo (a batina), colete, camisa branca, calças simples, sapatos simples, e por uma capa, que deverá tocar no chão, quando colocada sobre os ombros, sem dobras. Esta é a indumentária reservada aos homens, que podem também usar um gorro simples. As senhoras, em vez da batina, usam um casaco pela cinta, mas não cintado, uma camisa branca, uma saia travada e abaixo do joelho, meias compridas, pretas e não opacas, sapatos simples, e uma capa igual à dos homens. Todas as peças, à excepção da camisa, são pretas, a cor que simboliza a igualdade entre os estudantes e a solenidade. O preto também é utilizado porque era útil quando um estudante se queria esconder ao longo da noite, e é a cor menos vulnerável à sujidade. Contudo, o traje académico não é igual em todo lado: na Universidade do Minho, por exemplo, as calças do traje masculino não são compridas, mas sim pelo joelho, enquanto que, em vez de um gorro, se usa o "tricórnio", um chapéu de três bicos, ostentado por ambos os sexos; na Universidade do Porto, algumas mulheres usam meias compridas transparentes e não pretas, como são os casos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) que as usam, pois mantém a cor original das meias usadas inicialmente pela Universidade a que pertencem - UP, e o caso das Orfeonistas, que as usam para se destacar, pela honrosa instituição à qual pertencem; na Universidade do Algarve, o traje académico adoptou a cor azul escuro, o chapéu "Infante" de largas abas (homenagem ao Infante D. Henrique), as senhoras, uma saia rodada comprida, e os senhores, umas plainas vincadas, com quatro botões na canela e quatro botões na braguilha.
 
As origens do traje académico masculino remontam ao século XVI, e sua principal função era esbater as diferentes origens sócio-económicas de cada aluno, sendo assim uma forma de promover a igualdade entre todos. Aliás, e apesar de hoje ter atingido um significado mais simbólico, ainda é esse o seu principal objectivo, se bem que nem sempre é assim entendido. Supõe-se que o traje feminino tenha surgido, na Universidade do Porto, em 1920.
 
Ao final dos estudos está geralmente associado o "rasganço" de toda a indumentária académica, com excepção da capa e da pasta académica, que assim acompanham o resto da vida do antigo estudante. Hoje em dia, são raros os estudantes que fazem, de facto, o "rasganço", devido ao peso sentimental atribuído ao traje, no final do curso. Dá-se, então, um "rasganço" simbólico através da "proibição" de se voltar a vestir o traje, usando-se apenas a capa - esta é a indumentária mais característica dos Veteranos, os alunos mais experientes.
 
Fitas
 
O uso da pasta académica só é permitido a partir do momento em que se deixa de ser caloiro. Contudo, o aspecto que a ela está mais associado são as Fitas. Estas são impostas ao estudante antes de este iniciar o último ano do seu curso. São oito fitas ao todo, da cor da faculdade/instituto/escola superior de cada estudante, identificando-o como um Finalista. Esta tradição remonta a meados do século XIX, quando as pastas eram compostas por duas partes independentes, e que eram mantidas unas com recurso a estas fitas.
 
A "Queima das Fitas" tem as suas origens nas celebrações que se faziam aquando o final dos cursos, onde os Finalistas queimavam as suas fitas dentro de um penico. Tal como o "rasganço", aplicado ao traje académico, a "Queima das Fitas" é também um momento de despedida da vida de estudante. Terá sido iniciada em Coimbra, e é actualmente um dos maiores acontecimentos do calendário académico, em todas as cidades universitárias do país.
 
Hierarquia
 
A praxe estrutura-se, segundo o seu código, numa hierarquia complexa. No topo da hierarquia, encontramos o Dux Veteranorum, que será em princípio o estudante com mais inscrições, sendo eleito pelo Conselho de Veteranos. Os Veteranos são todos os estudantes que têm mais inscrições que as necessárias para acabar o curso. Em termos gerais, pode-se dizer que a praxe divide os estudantes em dois grupos: os "caloiros" (alunos do primeiro ano) e os "doutores". Dentro desta última categoria, cabem vários graus hierárquicos, dependendo do número de inscrições.
 
Contestação
 
É difícil precisar quando surgiu pela primeira vez a contestação à praxe. Teófilo Braga, que viria a ser Presidente da República, relatava como no seu tempo os estudantes faltavam às aulas para fugir à praxe. Segundo ele, "Enquanto o estudante vivia em Coimbra, envolvido ou exposto às sangrentas investidas, tinha de andar armado até aos dentes". Em 1902, um grupo de anti-praxistas liderados por José de Arruela consegue acabar com o canelão, praxe na qual os novos alunos eram arrastados ao pontapé pelos praxistas na ponte de Coimbra. Em 1903, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão assinam, em conjunto com outros estudantes, um "Manifesto anti-praxe". Apenas na década de 90 surgem movimentos organizados de combate à praxe, o MATA e o Antípodas. Estes movimentos juntam estudantes na contestação às tradições académicas e têm conseguido criar um clima de debate em torno da praxe, que até aí era assunto tabu. Em 2000 estreia o filme "Rasganço", de Raquel Freire. Apesar de não conter uma mensagem anti-praxe, o filme é por vezes crítico em relação ao fechamento da Universidade de Coimbra. O Conselho de Veteranos emite um comunicado contra a película. Em 2003, o MATA e o Antípodas juntam-se para criar um manifesto anti-praxe. O manifesto foi assinado por dezenas de personalidades, tais como Eduardo Prado Coelho, Baptista Bastos, Pedro Abrunhosa, Pacman, Rosa Mota, Vitorino, José Luís Peixoto, Manuel Cruz, Miguel Guedes e Sérgio Godinho.
Fonte: Wikipédia. 

 
 
Observação:
 
Apesar de não ter endereço de e-mail nem url, com o devido respeito e agradecendo a colaboração, transcrevo para este corpo principal um comentário feito a este artigo, alterando um pouco a minha "fonte":
 
 

"De Duarte Portela a 5 de Novembro de 2006 às 21:42
 
«na Universidade do Porto, algumas mulheres usam meias compridas transparentes e não pretas, como são os casos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) que as usam, pois mantém a cor original das meias usadas inicialmente pela Universidade a que pertencem - UP, e o caso das Orfeonistas, que as usam para se destacar, pela honrosa instituição à qual pertencem»
 
Permita-me que o corrija, mas as estudantes da Universidade do Porto pertencentes ao Orfeão Universitário do Porto, de facto e tal como as do ICBAS, usam meias "cor de pele" exactamente pelas mesmas razões: não para se destacar, como refere, mas porque quem criou o primeiro traje universitário feminino em Portugal foi o Orfeão Universitário do Porto, mesmo antes de Coimbra. Só posteriormente, a cor original foi transformada e adoptada pela Universidade de Coimbra no preto, “tradição” mais tarde adaptada à grande maioria das Faculdades do Porto, no renascimento da Praxe na cidade Invicta. O Orfeão e o ICBAS, na verdade, apenas se mantiveram fiéis ao traje inicial."
 
 
02
Nov06

Traje académico

Praia da Claridade

 
Traje académico
 
 
Traje académico
 
 
 

O traje académico em Portugal é considerado o uniforme do estudante universitário. Deriva das vestes eclesiásticas e, desde sempre, é composto pela capa e batina. Este facto realça o efeito da Igreja no Ensino. De facto, foi o clero que, até ao século XVIII, deteve o monopólio do ensino, nomeadamente a Companhia de Jesus. Hoje em dia o seu uso é regulamentado pela Praxe académica, ou simplesmente Praxe, e consiste no conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica.
 
O traje terá surgido como uma medida de indistinção entre o pobre e o rico, concentrando o esforço da distinção académica única e exclusivamente nas capacidades do estudante. Existem, portanto, um conjunto de regras de elaboração e utilização do traje que descrevem especificamente as características da calça ou saia, camisa, laço ou gravata, colete, batina, capa, sapatos.
 
História
 
Apesar de hoje em dia se apresentar uniformizado, o traje académico nem sempre foi como se conhece actualmente. Os antigos estatutos da Universidade de Coimbra não obrigavam o uso do traje, mas proibiam, porém, o uso de certas cores e condicionavam alguns traços do corte.
 
Dos estatutos de D. Manuel I:
«Não poderão os sobreditos nem outros alguns estudantes trazer barras nem debruns de pano em vestido algum; nem isso mesmo poderão trazer vestido algum de pano frisado; nem poderão trazer barretes de outra feição senão redondos; e assim hei por bem que os pelotes e aljubetes que houverem de trazer sejam de comprido três dedos abaixo do joelho ao menos; e assim não poderão trazer capas algumas de capelo, somente poderão trazer lobas abertas ou cerradas ou mantéus sem capelo; não trarão golpes nem entretalhos nas calças nem trarão lavor branco nem de cor alguma em camisas nem lenços.»
Na obra de Luís Cyrne de Castro, Tempos Idos, refere-se que seria em 1645 que D. João IV  iria confirmar os estatutos da Universidade, que vigoraram até 1772, sendo reformulados na sequência da reforma Pombalina.
 
Porém, é no século XIX que o traje académico sofre maiores alterações, instaurando uma polémica, ao ponto do reitor se impor e decretar medidas extremas. Com base em relatos da época por Antão de Vasconcelos nota-se que a batina evoluiu do tornozelo ao joelho. Porém, nos finais do século as transformações seriam ainda maiores. Como Ramalho Ortigão salienta, a calça vestia-se agora comprida.
 
É, em 1957, com a publicação do primeiro Código de Praxe Académica, que o traje passar a ser uniformizado.
 
Na Universidade do Minho, no entanto, após 1989, a Associação Académica constatou que o traje académico actual não reflectia as velhas tradições da cidade. Assim sendo decidiram criar um novo traje académico exclusivo desta academia. Com tal acto, abriram caminho para outras Universidades e Institutos mais recentes não quererem adoptar o modelo de traje tradicional e, actualmente, o traje académico reflecte um pouco da tradição de cada instituição.
Fonte: Wikipédia. 
 
 

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