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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

18
Nov05

Curiosidades

Praia da Claridade

Hammerfest_Noruega_SOL_da_Meia_Noite.jpg

 Hammerfest Noruega: SOL da Meia Noite

Hammerfest é uma cidade-porto da Noruega, com 847 km² de área e 9.157 habitantes (censo de 2004).
Fica situada na ilha de Kvalo
,
a 480 km do circulo polar Árctico.

Nesta cidade, o Sol
não se põe de Maio a Setembro
e não aparece de 18 de Novembro a 1 de Fevereiro.

17
Nov05

D. Leonor de Portugal

Praia da Claridade

D. Leonor de Portugal, Rainha de Portugal (ou Leonor de Viseu; 2 de Maio de 1458 - 17 de Novembro de 1525) foi uma princesa portuguesa da casa de Avis e Rainha de Portugal desde 1481 até 1495, pelo seu casamento com João II de Portugal.

Leonor era filha do príncipe D. Fernando, Duque de Viseu e Condestável do Reino (filho do rei Duarte I de Portugal) e de Beatriz, também ela uma princesa de Avis. Entre os seus irmãos contavam-se Manuel, Duque de Beja, e Diogo, Duque de Viseu.

Em 1481, casou-se com o rei D. João II, o qual era seu primo pelo lado paterno e materno. Mesmo após a morte do rei, em 1495, a rainha mãe continuou a ser conhecida como Rainha D. Leonor até à sua morte, sendo bastante respeitada na corte.

Teve dois filhos de João, um morto à nascença, e outro (D. Afonso de Portugal), presumível herdeiro do trono, morto num suspeito acidente de cavalo na valada de Santarém, em 1491. O rei teve um bastardo de uma outra senhora da corte (Ana de Mendonça) antes do seu casamento com a rainha D. Leonor, o duque de Aveiro e Coimbra, Jorge de Lencastre. Tentou então por todos os meios legitimar o filho, no que foi impedido pela esposa, que terá obrigado o rei a perfilhar como filho e a designar como herdeiro do trono português o seu irmão D. Manuel - o varão legítimo mais próximo do rei, que subiria ao trono em 1495 após a sua morte, como D. Manuel I, O Venturoso.

Esteve na origem da fundação do Hospital Termal das Caldas da Rainha; a própria cidade foi fundada por si, e recebeu o nome em sua honra; o escudo de armas reflecte ainda o brasão de João II e de Leonor.

Faleceu no Paço de Xabregas. Quis ficar sepultada no Convento da Madre de Deus (1), em campa rasa, num lugar de passagem, para que todos a pisassem, gesto de humildade que comoveu a nação.

(1) - O Convento da Madre de Deus situado na zona oriental de Lisboa; o Museu Nacional do Azulejo encontra-se sedeado no antigo Convento da Madre de Deus, outrora pertença da Ordem de Santa Clara. Mandado construir em 1509 pela Rainha D. Leonor de Lencastre, mulher do Rei D. João II, só em cerca de 1550 é construída a actual igreja da Madre de Deus, por ordem de El Rei D. João III, sendo posteriormente decorada já nos reinados de D. Pedro II, D. João V e D. José entre finais do séc. XVII e meados do séc. XVIII. Neste templo, a talha e os azulejos constituem um dos melhores exemplos do Barroco em Portugal. Actualmente, a igreja da Madre de Deus é parte integrante do Museu Nacional do Azulejo, importante guardador de memórias da Cultura Portuguesa.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
16
Nov05

José Saramago

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José Saramago é um escritor português, galardoado em 1998 com o Prémio Nobel da Literatura. Nasceu na aldeia de Azinhaga na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.
Saramago é membro do Partido Comunista Português e é conhecido por seu ateísmo. Foi director do Diário de Notícias, tendo então ganho uma reputação de parcialidade para promoção dos seus ideais políticos.
Actualmente vive na ilha de Lanzarote, na Espanha.


Obra

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorrecta aos olhos da maioria). Os diálogos dos seus personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas "sentenças" ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Entretanto, o seu estilo não torna a leitura mais difícil: os seus leitores acostumam-se facilmente com o seu ritmo.

Estas características tornam o estilo de Saramago único na Literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, no seu livro Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds ("Génio: Um Mosaico de Cem Exemplares Mentes Criativas"), considerou José Saramago "o mais talentoso romancista vivo no mundo actual" (tradução livre de the most gifted novelist alive in the world today), referindo-se a ele como "o mestre". Declarou ainda que Saramago é "um dos últimos titãs de um género literário que está suspirando".


Obras publicadas

Poesia

Os Poemas Possíveis, 1966
Provavelmente Alegria, 1970
O Ano de 1993, 1975

Crónica

Deste Mundo e do Outro, 1971
A Bagagem do Viajante, 1973
As Opiniões que o DL teve, 1974
Os Apontamentos, 1976

Viagens

Viagem a Portugal, 1981

Teatro

A Noite, 1979
Que Farei Com Este Livro?, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos

Objecto Quase, 1978
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979

Romance

Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995
Terra do pecado
Todos os nomes
, 1997
A caverna, 2001
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
Intermitências da morte, 2005


Acusações de Anti-Semitismo

Comentando o conflito Israelo-palestiniano, Saramago afirmou em 13 de Outubro de 2003, em visita a São Paulo, numa entrevista ao jornal Globo que os Judeus não merecem mais a "simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto... Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós". A Anti-Defamation League (ADL) (Liga Anti-Difamação), um grupo judaico de defesa dos direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas. Significando, nas palavras de Abraham Foxman, director da ADL, que "os comentários de José Saramago são incendiários, profundamente ofensivos e mostram uma ignorância destes assuntos, o que sugere um preconceito contra os Judeus.

Citações

Sobre o prémio de 950.000 dólares que ele ganhou recentemente:

"Este prémio é para todos aqueles que falam português, mas já que mencionamos o assunto, eu tenciono ficar com o dinheiro".


Cronologia da atribuição do prémio Nobel



  • Setembro de 1997 - A agência publicitária sueca, Jerry Bergström AB, de Estocolmo, contratada pelo ICEP - (órgão estatal português para a promoção do comércio e turismo nacional), organizou uma visita de José Saramago a Estocolmo, incluindo:

       -  Um seminário na Hedengrens, a principal cadeia de livrarias
               sueca 
       -  Discurso na Universidade de Estocolmo 
       -  Várias entrevistas a jornais, revistas e rádios suecas 
       -  Nesses mesmos dias, a televisão estatal sueca produziu um
               programa especial dedicado a Saramago



  • Outubro de 1997 - A Feira Internacional do Livro de Frankfurt tem neste ano Portugal como país em destaque.
  • 10 de Dezembro de 1998 - Saramago recebe o Prémio Nobel em Estocolmo.


Segundo o "Diário de Notícias", o director da empresa sueca Jerry Bergström AB afirmou: "Portugal nunca tinha tido um Prémio Nobel e uma parte de nossa missão consistia em mudar essa situação".
Comentando esta atribuição, Sture Allén, então secretário da Academia Sueca, negou que a decisão tenha sido afectada por "campanhas publicitárias, comentários de académicos ou escritores, ou qualquer outro tipo de pressão".
Contradizendo Allén, Knut Ahnlund e Lars Gyllensten, membros da academia afirmaram que seria ridículo afirmar que os membros da academia sejam "imunes a agências publicitárias".
Segundo o Dagens Nyheter haveria provas de que uma campanha semelhante foi organizada pela Alemanha.



Destacando três romances:


Memorial do Convento é um dos mais populares romances de José Saramago. Publicado em 1982 a acção decorre no início do século do século XVIII, mais propriamente durante o reinado de D. João V. Este rei absolutista gozou da enorme quantidade de ouro e diamantes vindo do Brasil e mandou construir um célebre convento na localidade de Mafra, em resultado de uma promessa que fez para garantir a existência de herdeiro. Nesta obra, Saramago retrata a personalidade do rei D. João V e também de um operário que participou naquela quixotesca construção, de seu nome Baltasar, e do seu grande amor por Blimunda, mulher dotada do estranho poder de ver o interior dos homens. Também o padre Bartolomeu de Gusmão (a quem se deve a invenção da passarola) é personagem deste livro. Um excelente retrato desta época em que a Inquisição estava sempre presente e no qual Saramago não deixa passar em claro a sua crítica às instituições políticas e religiosas.

O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991) é uma romance de José Saramago que conta a historia da vida de Jesus duma maneira moderna e não-religiosa. O seu conteúdo, que humaniza a vida de Jesus e alude de forma sub-reptícia a uma sua eventual relação matrimonial - ou no mínimo marital - com Maria Madalena, fez com que muitos considerassem o livro blasfemo, entre eles o então Ministro da Cultura, que o vetou duma lista de romances portugueses candidatos a um prémio literário europeu. Em reacção a este acto censório, Saramago abandonou Portugal, passando a residir até hoje na ilha de Lanzarote, Canárias.

Levantado do Chão, publicado em 1980, é considerado, pela generalidade dos críticos, como um dos romances fundamentais de José Saramago. A obra percorre uma zona do Alentejo caracterizada pelo latifúndio, desde o final do século XIX ao período pós 25 de Abril. Nesta obra Saramago retrata a luta de um povo face às forças opressoras (os latifundiários, mas também as forças da ordem e a Igreja). Luta obstinada e de muitos sacrifícios, feita sobre um ambiente de miséria rural. É uma fotografia do movimento antifascista no Alentejo, no qual Saramago revela bem as suas opções políticas.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
15
Nov05

A Estrela-do-mar

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A estrela-do-mar é um animal do filo dos equinodermos, classe Asteroidea. Têm simetria radiada.

Como todos os equinodermes, as estrelas–do–mar são animais marinhos. Têm o corpo achatado e coberto de espinhos bem evidentes, apresentando cinco pontas ocas, chamadas braços. O corpo é duro e rígido e pode ser quebrado em partes se tratado rudemente. Apesar disso, o animal consegue dobrar-se e girar os braços quando passeia ou quando o seu corpo se encontra em espaços irregulares entre rochas ou outros abrigos. O corpo das estrelas-do-mar tem simetria pentarradiada.

As estrelas–do–mar podem ter entre alguns centímetros e um metro de diâmetro. Estes animais movem-se usando a retracção e a distensão dos seus pés ambulacrários. A respiração do animal é branquial e a sua reprodução é feita sobretudo através da regeneração, ou seja, se um dos braços desse animal for cortado pode desenvolver uma estrela do mar nova. Se a reprodução for sexuada, a estrela do mar tem um estado larvar. As estrelas do mar não possuem Lanterna de Aristótles (uma espécie de mandíbula ) e por isso não podem mastigar os alimentos. Para se alimentar lança o estômago pela boca, localizada na sua face ventral.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
14
Nov05

O Oceano Pacífico

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Oceano_Pacifico_e_a_Fossa_Marianas.jpg
 

 
 
O Oceano Pacífico é a maior massa marítima do globo, situada entre a América, a Leste, a Ásia e a Austrália, a Oeste, e a Antártida, ao Sul. Com 180 milhões de km², o Pacífico cobre quase um terço da superfície do planeta e corresponde a quase metade da superfície e do volume do oceano [tem 707,5 km de fossas, e 87,8% da sua área apresenta profundidades superiores a 3.000 m; é o oceano com maior profundidade média (-4.282 m) e onde se localizam as maiores fossas submarinas (Fossa das Marianas (1), com -10,912 m)]. A sua forma grosseiramente circular é delimitada por margens continentais activas (que correspondem ao Circulo de Fogo do Pacífico) sob as quais se afunda uma crosta oceânica em rápida expansão. Descoberto pelos europeus em 1513 (Balboa) e transposto pela primeira vez em 1520 (Fernão de Magalhães), o Pacífico tem assistido a um crescimento de sua importância como via de ligação entre algumas das regiões de maior dinamismo económico da actualidade (Extremo Oriente e costa ocidental da América do Norte).

O Círculo de Fogo do Pacífico é a área circundante da placa tectónica do Pacífico e que corresponde grosso modo às fronteiras do Oceano Pacífico. A placa do Pacífico é limitada por zonas de subducção (área de convergência de placas tectónicas, onde uma das placas desliza debaixo da outra) em quase toda a sua extensão, sendo as mais importantes ao largo da costa oeste da América do Sul e ao largo do Japão. Dadas as suas características geológicas, que correspondem a zonas de convergência de placas muito activas, cerca de 90 % da sismicidade e vulcanismo da Terra localiza-se no Círculo de Fogo do Pacífico.

 
Morfoestrutura do fundo oceânico

Flanqueado por cadeias montanhosas recentes, com intensa actividade vulcânica, o Pacífico é percorrido por um vasto sistema de dorsais. A dorsal Sudeste-Pacífica constitui um prolongamento, através da dorsal Pacífico-Antárctica, das dorsais do oceano Índico (dorsal Antárctico-Australiana). Na sua porção setentrional atinge as latitudes do litoral mexicano, desaparecendo ao penetrar no golfo da Califórnia. Trata-se de uma dorsal em rápida expansão (entre 8,8 e 16,1cm por ano), sem fossa axial. As zonas de fracturas que a segmentam são numerosas, com deslocamento pronunciado. Essa dorsal emerge na latitude da ilha de Páscoa, unindo-se à dorsal do Chile, que se liga à costa meridional da América, e na latitude das ilhas Galápagos, unindo-se à dorsal de Cocos ou das Galápagos. Essas dorsais dividem o Pacífico em três conjuntos. Os fundos oceânicos situados a Leste da dorsal Sudeste-Pacífica pertencem a placa litosférica da Antártida (que corresponde à bacia Pacífico-Antárctica e à planície abissal de Bellingshausen), à placa de Nazca (bacias Peruana e Chilena, separadas pela dorsal de Nazca) e à placa de Cocos (limitada pela dorsal de Cocos). Todo o imenso conjunto de fundos oceânicos situados a Oeste da dorsal Sudeste-Pacífica é sustentado pela placa litosférica Pacífica, que a Oeste América do Norte apresenta grandes zonas de fracturas, com relevos monumentais, alinhados por milhares de quilómetros ao longo de antigas falhas de transformação. Mais a Oeste, o centro do oceano Pacífico é entrecortado por cadeias submarinas e grandes edifícios vulcânicos, ora emergindo em forma de ilhas (Havaí, Marquesas, Marshall, Carolinas), frequentemente coroadas por formações coralíneas (atóis). As bacias oceânicas que as rodeiam (Médio-Pacífica, Melanésia, Nordeste, Noroeste) apresentam uma delgada cobertura sedimentar sobre a crosta basáltica. A presença das fossas oceânicas periféricas, ao longo dos arcos insulares (Aleutas, Kurilas, Japão, Marianas, Filipinas, Salomão, Tonga, Kermadec) e da costa ocidental da América (Chile, Peru, América Central) explica-se por corresponderem a zonas de subducção da crosta oceânica, em que esta mergulha sob as placas litosféricas Americana, a Leste, e Eurasiática e Indo-Australiana, a Oeste. São áreas de intensa actividade sísmica e vulcânica, sujeitas à ocorrência de maremotos.


As Águas

A conformação das bacias do Pacífico explica a relativa simplicidade das correntes marinhas que aí incidem. As correntes norte-equatorial e sul-equatorial movem-se de leste para oeste, determinando a existência de correntes quentes ao longo das fachadas orientais dos continentes, compensadas por correntes frias que descem para o equador ao longo das fachadas ocidentais (locais privilegiados para a pesca em grande escala). Nas latitudes médias, as correntes quentes em pauta encontram-se com as águas frias provenientes das regiões polares. Tal fenómeno é particularmente claro no hemisfério Norte, onde a Kuroshio, quente, se encontra com a Oyashio, fria, ao largo do Japão. De modo geral, a salinidade das águas é pouco elevada, pois os valores máximos jamais ultrapassaram 365 por mil. As temperaturas das águas de superfície dispõem-se em zonas, aumentando dos pólos para os trópicos. O calor das águas da zona intertropical permite a proliferação dos corais, que formam ilhas (atóis) ou barreiras (recifes) nas orlas continentais. Já as águas mais viscosas situam-se nas latitudes temperadas, onde o revolver das correntes garante excelente oxigenação.


(1) - A Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos, atingindo 11,034 metros de profundidade. Localiza-se no Oceano Pacífico, a Este das Ilhas Marianas, na fronteira convergente entre as placas tectónicas do Pacífico e das Filipinas (ver na imagem). Geologicamente, a Fossa das Marianas, é o efeito geomorfologico de uma zona de subducção.
O fundo da Fossa das Marianas foi atingido em 1960 por um batiscafo da marinha americana tripulado pelo tenente Don Walsh e o cientista francês Jacques Piccard. O Batiscafo é um aparelho destinado à medição das profundezas dos oceanos.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
12
Nov05

O Urso polar

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O urso polar  (Ursus maritimos)  é um membro da família Ursidae, típico do Árctico e actualmente o maior carnívoro terrestre conhecido. Os machos desta espécie pesam cerca de 600kg, mas podem atingir 800kg e medem até 2,6m. As fêmeas são em média bastante mais pequenas, com 200 a 300kg de peso e 210cm de comprimento. A população actual de ursos polares é estimada entre 16.000 a 35.000 indivíduos, 60% dos quais vivendo no Norte do Canadá.

Os ursos polares têm uma cauda curta e orelhas pequenas e arredondadas. As patas dianteiras são largas para facilitar o nado e o mergulho e as patas posteriores têm 5 dedos. O seu corpo tem um formato mais alongado que os outros ursos, que lhes proporciona um maior hidrodinamismo que facilita a natação. A pelagem dos ursos polares é branca e cobre todo o corpo, inclusive a planta das patas, como isolamento do frio. No Verão a pelagem torna-se amarelada, talvez devido à oxidação produzida pelo sol.

O urso polar habita as regiões do círculo polar Árctico, a ilha de Baffin e as baías de Hudson e de James no Canadá, como também a costa oeste da Gronelândia. Esta espécie concentra-se junto à costa uma vez que depende das águas para encontrar as suas presas. Os ursos polares são excelentes nadadores e podem percorrer até 80 km sem descanso. Alguns animais migram desta forma do Norte para o Sul seguindo as margens das geleiras mas podem deslocar-se também por terra firme. O urso polar é um animal de hábitos diurnos e carácter solitário, que não forma outros laços familiares que não entre fêmeas e suas crias.

A principal presa do urso polar é a foca, mas também se pode alimentar de plantas, moluscos, algas marinhas e cadáveres de diversos mamíferos marinhos que chegam até a costa. Esta espécie é extremamente perigosa para o Homem que encara como presa, especialmente se não houver abundância dos seus alimentos habituais. Na Ilha de Baffin, por exemplo, os geólogos fazem trabalho de campo armados de caçadeiras como medida de protecção contra os ursos polares.

Os ursos polares acasalam entre os meses de Março e Junho, com implantação diferida dos óvulos fecundados, de modo que o período de gestação se torna muito longo, entre 200 a 265 dias, variando de acordo com as condições ambientais. As crias, em média duas, nascem entre Novembro e Janeiro, no abrigo invernal construído pela fêmea, e não se separam da mãe até completarem dois anos de idade. Atingem a maturidade sexual entre os 5 e 6 anos e em condições naturais, vivem em média de 20 a 25 anos.

Esta espécie encontra-se ameaçada de extinção devido ao efeito de estufa que vem aquecendo cada vez mais o Árctico, diminuindo a área disponível para os ursos polares e suas presas.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
11
Nov05

René Descartes

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René Descartes (31 de Março de 1596, † 11 de Fevereiro de 1650), também conhecido como Cartesius, foi um filósofo, um físico e um matemático francês. Notabilizou-se sobretudo pelo seu trabalho revolucionário da Filosofia, tendo também sido famoso por ser o inventor do sistema de coordenadas cartesiano, que influenciou o desenvolvimento do Cálculo moderno.

Descartes, por vezes chamado o fundador da filosofia moderna e o pai da matemática moderna, é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da história humana. Ele inspirou os seus contemporâneos e gerações de filósofos. Na opinião de alguns comentadores, ele iniciou a formação daquilo a que hoje se chama de
Racionalismo continental (supostamente em oposição à escola que predominava nas ilhas britânicas, o Empirismo), posição filosófica dos séculos XVII e XVIII na Europa.

Outros autores, entre os quais
Ernest Gellner, não vêem então uma grande oposição entre o "Racionalismo continental" do século XVIII e o empirismo. O grande cisma teria início com Hegel, que partiu da posição de Kant onde havia já alguns sinais de Idealismo, mas ainda uma base racional que não se desviava muito da tradição empírica Inglesa. A leitura de Hume foi um ponto fulcral na obra de Kant, até então sem qualquer texto relevante publicado. Kant disse mesmo que Hume o despertou de um "sono dogmático".

A sua Vida

Descartes nasceu em
La Haye, Indre-et-Loire, França. Com oito anos, ingressou no Colégio Jesuíta Royal Henry-Le-Grand em La Flèche. Tinha bastante liberdade e era apreciado pelos professores, mas declarou no Discurso Sobre o Método decepção com o ensino escolástico. Depois, seguiu os seus estudos na Universidade de Poitiers, graduando com Baccalauréat e Licença em Direito em 1616.

Contanto, Descartes nunca exerceu o direito, e em
1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau, com a intenção de seguir carreira militar. Mas declarava-se menos um actor do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Conheceu então Isaac Beeckman, e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae. É nessa época também que escreve Larvatus prodeo (Eu caminho mascarado). Em 1619, viajou até a Alemanha e no dia 10 de Novembro teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Em 1622, ele retornou a França e passou os anos seguintes em Paris e algumas outras partes da Europa.

Em
1628, ele compôs as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direcção do Espírito), e partiu para os Países Baixos, onde viveu até 1649, mas mudando de endereço frequentemente. Em 1629 começou a trabalhar em Tratado do Mundo, uma obra de física, que deveria defender a tese do heliocentrismo, mas em 1633, quando Galileu foi condenado, Descartes abandonou os seus planos de publicá-lo. Em 1635, a filha ilegítima de Descartes, Francine, nasceu. Ela foi baptizada no dia 7 de Agosto de 1635.  A sua morte em 1640 foi um grande choque para Descartes.

Em
1637, ele publicou três pequenos resumos de sua obra científica: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria mas é o prefácio dessas obras que continua a ser lido até hoje: o Discurso Sobre o Método. Em 1641, aparece a sua obra mais conhecida: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de Objecções e Respostas. Os autores das objecções são: do primeiro conjunto, o teólogo holandês Johan de Kater; do segundo, Mersene; do terceiro, Thomas Hobbes; do quarto, Arnauld; do quinto, Gassendi; e do sexto conjunto, Mersene. Em 1642, a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objecção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet. Em 1643, a filosofia Cartesiana foi condenada pela Universidade de Utrecht, e Descartes começou a sua longa correspondência com a Princesa Elizabeth de Bohemia. Descartes publicou Os Princípios de Filosofia, uma espécie de manual cartesiano, e faz uma visita rápida a França em 1644, onde encontra o embaixador da França junto à corte sueca, Chanut, que o põe em contacto com a rainha Cristina. Em 1647 ele foi premiado com uma pensão pelo Rei da França e começou a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Ele entrevistou Frans Burman em Egmond-Binnen em 1648, resultando na Conversa com Burman. Em 1649 ele foi à Suécia a convite da Rainha Christina, e o seu Tratado das Paixões, que ele dedicou a Princesa Elizabete, foi publicado.

René Descartes morreu de pneumonia no dia
11 de Fevereiro, 1650 em Estocolmo, Suécia, onde ele estava a trabalhar como professor, a convite da Rainha. Acostumado a trabalhar na cama até ao meio-dia, por ter sofrido com as demandas da Rainha Christina - começava os seus estudos às 5 da manhã. Como um católico num país protestante, ele foi enterrado num cemitério de crianças não baptizadas, em Adolf Fredrikskyrkan em Estocolmo. Depois, os seus restos mortais foram levados para a França e enterrados na Igreja de São Genevieve-du-Mont, em Paris. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca.

Durante a
Revolução Francesa os seus restos mortais foram desenterrados para irem para o Panthéon, ao lado de outros grandes pensadores franceses. A vila no Vale Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye - Descartes.
Em
1667, depois da sua morte, a Igreja Católica Romana colocou as suas obras no Índice de Livros Proibidos.

A Cultura é inimiga da Razão

O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade
feudalista em que ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento". Para a sociedade feudal, o conhecimento estava nas mãos da Igreja. Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar.

Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre
Protestantes e Católicos na Europa. Ele viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é achado como ridículo, disparatado, mentira, nos outros lugares.

Descartes viu que os "costumes", a história de um povo, a sua tradição "cultural", influenciam a forma como as pessoas pensam, aquilo em que acreditam.

Descartes quer acabar com a influência desses "costumes" no pensamento. Ele quer ser o mais objectivo possível, imparcial. Ele quer fundamentar o seu pensamento em verdades claras e cristalinas. Para isso, de acordo com o seu método, devem ser eliminadas quaisquer influências de ideias que muitas vezes nos são "dados adquiridos" mas que são pura e simplesmente alguma estupidez que alguém nos contou (talvez mesmo na nossa infância) sem que nunca nos tenhamos dado conta. Só nos devemos basear em enunciados claros e evidentes.

O primeiro pensador "moderno"

Descartes é considerado o primeiro filósofo "moderno".  A sua contribuição à
epistemologia (a) é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou o seu desenvolvimento. Descartes criou, nas suas obras Discurso sobre o método e Meditações - ambas escritas no vernáculo, ao invés do latim tradicional dos trabalhos de filosofia - as bases da ciência contemporânea.

(a) - Ver definição de "epistemologia" no artigo sobre "Enfermagem"
              publicado no dia 4 de Novembro.


O método cartesiano consiste no
Cepticismo Metodológico - duvida-se de cada ideia que pode ser duvidada. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, etc., Descartes institui a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado. O próprio Descartes consegue provar a existência do próprio eu (quem duvida, portanto, é sujeito de algo - cogito ergo sum, penso logo existo)  e de Deus. O acto de duvidar como indubitável.

Também consiste o método na realização de quatro tarefas básicas: verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenómeno ou coisa estudada; analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, nas suas unidades de composição, fundamentais, e estudar essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas num todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Em relação a
Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser passada pela metodologia de Newton. Ele mantinha, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. Descartes acreditava que a matéria não possuía qualidades inerentes, mas era simplesmente o material bruto que ocupava o espaço. Ele divide a realidade em res cognitas (consciência, mente) e res extensa (matéria). Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vortical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.

Matemáticos consideram Descartes muito importante pela sua descoberta da geometria analítica. Até Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.

A Teoria de Descartes providenciou a base para o
Cálculo de Newton e Leibniz, e então, para muito da matemática moderna. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
10
Nov05

Orca, a baleia assassina...

Praia da Claridade

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A orca ou baleia assassina (Orcinus orca) é o membro de maior porte da família Delphinidae (ordem dos cetáceos) e um predador versátil, podendo comer peixes, moluscos, aves, tartarugas, ainda que, caçando em grupo, consigam capturar presas de maior tamanho, incluindo morsas e outras "baleias". Apesar da designação baleia assassina, não é, na verdade, uma baleia. O nome provém da alteração da expressão "assassina de baleias" já que caçam outros cetáceos jovens. Está, portanto, no topo da cadeia alimentar oceânica. Pode chegar a pesar nove toneladas. É o segundo animal de maior área de distribuição geográfica (logo a seguir ao homem), podendo encontrar-se em qualquer um dos oceanos.

Têm uma vida social complexa, baseada na formação e manutenção de grupos familiares extensos. Comunicam através de sons e costumam viajar em formações que assomam ocasionalmente à superfície. A primeira descrição da espécie foi feita por Plínio, o Velho, que já a descrevia como um monstro marítimo feroz. Contudo, não se tem conhecimento de ataques a seres humanos no ambiente selvagem, ainda que se saiba de alguns casos de agressões aos seus treinadores em parques temáticos. Tanto vivem no mar alto como junto ao litoral.

Denominação

O nome orca foi dado a estes animais pelos antigos romanos, em princípio, derivado de palavra grega, que, entre outros significados, se referia a uma espécie de baleia.

"Baleia Assassina" é outro dos nomes mais vulgares. Contudo, desde a década de 1960, a comunidade científica (principalmente a anglófona) passou, de novo, a utilizar mais frequentemente "orca", que apesar de ter origem "erudita" foi rapidamente aceite pela população em geral que foi adoptando cada vez mais o termo. A razão para esta mudança de nomenclatura popular também está ligada ao facto de os leigos terem começado a interessar-se mais pela espécie, aprendendo, por exemplo, que este animal não é, de facto, uma baleia, mas sim um golfinho. A palavra orca era já comum noutras línguas europeias; o aumento de pesquisas científicas sobre a espécie ajudou também a criar uma certa convergência na forma de nomear este cetáceo. Outra razão relaciona-se com o adjectivo "assassina" que parece ter implícita a ideia errónea de que seria letal para os seres humanos. Orca é, quanto a isso, uma opção vocabular mais neutral.

Um grupo de orcas pode, de facto, matar uma grande baleia. Pensa-se que os marinheiros espanhóis do século XVIII designaram estes animais de asesina de balenas por esta razão. O termo foi, depois, mal traduzido para inglês como "killer whale" - designação imprópria, mas que se tornou tão frequente que os próprios espanhóis (e portugueses) adoptaram a "retradução".

Há quem continue a preferir este nome, argumentando que descreve bem um animal predador de outros, incluindo outros cetáceos. Além do mais, esta designação não provém, provavelmente, apenas do termo utilizado pelos marinheiros espanhóis. O nome do seu género biológico,"Orcinus" significa "do Inferno"  e, ainda que o termo "orca" (usado desde a antiguidade) não esteja, provavelmente relacionado etimologicamente, a assonância poderá ter levado as pessoas a pensar que significaria "baleia que traz a morte" ou "demónio do Inferno".

É interessante verificar que línguas não-europeias continuam a designar este animal com termos igualmente intimidantes. Para o povo Haida das Ilhas da Rainha Carlota ao longo da costa da Colômbia Britânica, a orca é conhecida como skana ou "demónio assassino". Os japoneses chamam-na de shachi, cujos caracteres kanji combinam os radicais para peixe e tigre.

Evolução e taxionomia (classificação científica)

A orca é a única espécie do género Orcinus.
É uma das trinta e cinco espécies da família dos golfinhos.
Tal como o género Physeter, também com apenas uma espécie (o cachalote), o género Orcinus caracteriza-se por uma população abundante sem parentes imediatos do ponto de vista da cladística. Os paleontólogos acreditam que a orca pode ter tido, provavelmente, um passado evolucionário anagenético; isto é, uma evolução de ancestral para descendente sem se verificar qualquer ramificação da linha genética (formação de espécies aparentadas, coexistindo no tempo). Se assim fosse, a orca passaria a ser uma das mais antigas espécies de golfinhos, ainda que seja pouco provável que seja tão antiga quanto a própria família, cujo início é datado em cerca de cinco milhões de anos.

Características físicas

Estes animais caracterizam-se por terem o dorso negro e a zona ventral branca. Têm ainda manchas brancas na parte lateral posterior do corpo, bem como acima e detrás dos olhos. Com um corpo pesado e entroncado, têm a maior barbatana dorsal do Reino Animal, que pode medir até 1,8 metros de altura (maior e mais erecta nos machos que nas fêmeas). Os machos podem medir até 9,5 metros de comprimento e pesar até 6 toneladas; as fêmeas são menores, chegando aos 8,5 metros e 5 toneladas, respectivamente. As crias nascem com cerca de 180 Kg e medem cerca de 2,4 metros de comprimento.

As orcas macho de maiores dimensões têm um aspecto distinto que não dá margem para confusões ao serem identificados. Contudo, vistas à distância em águas temperadas, as fêmeas e as crias podem confundir-se com outras espécies, como a Falsa-orca ou o Golfinho-de-Risso.

A maior parte dos dados sobre a vida das orcas foi obtida em pesquisas de longa duração com populações da costa da Colômbia Britânica e de Washington, bem como pela observação de animais em cativeiro. A informação disponível sobre esta espécie é avultada e está devidamente sistematizada pelos naturalistas, o que se deve também à natureza altamente estruturada dos grupos sociais destes animais. Contudo, grupos transitórios ou residentes noutras áreas geográficas podem ter características ligeiramente diferentes. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos 15 anos de idade. A partir dessa altura, têm períodos de ciclo poliestral (cio regular e contínuo) com períodos sem o ciclo estral que podem durar de três a dezasseis meses. As fêmeas podem dar à luz uma só cria, uma vez cada cinco anos. Nos grupos sociais analisados, os nascimentos podem ocorrer em qualquer época do ano, havendo uma certa preferência pelo Inverno. A mortalidade dos recém-nascidos é elevada - os resultados de uma investigação sugerem que cerca de metade das crias morrem antes de atingir os seis meses. Os filhotes são amamentados até aos dois anos de idade, mas com doze meses já se alimentam de comida sólida. As fêmeas são férteis até aos 40 anos, o que, em média, significa que podem ter até cinco crias. A esperança de vida das fêmeas é, geralmente, de cinquenta anos, ainda que em casos excepcionais possam viver até aos noventa anos. Os machos tornam-se sexualmente activos com 15 anos de idade e chegam a viver até aos 30 anos (ou até aos 50, em casos excepcionais).

Distribuição geográfica

A orca é o segundo mamífero com maior área de distribuição geográfica no planeta, logo a seguir ao ser Humano. Encontram-se em todos os oceanos e na maior parte dos mares, incluindo (o que é raro, para os cetáceos) o mar Mediterrâneo e o mar da Arábia. As águas mais frias das regiões temperadas e das regiões polares são, contudo, preferidas. Ainda que se encontrem por vezes em águas profundas, as áreas costeiras são geralmente preferidas aos ambientes pelágicos.

Zona pelágica:  é a região de água em mar alto, fora da plataforma continental, desde a superfície até 200 metros de profundidade. Nessa zona, também chamada de DISTRITO PELÁGICO, encontra-se a maior diversidade de seres vivos.

Existem populações de orcas particularmente concentradas na zona nordeste da Bacia do Pacífico, onde o Canadá faz curva com o Alasca, ao longo da costa da Islândia e na costa setentrional da Noruega. São frequentemente avistadas nas águas antárcticas, acima do limite das calotas polares. De facto, crê-se que se aventuram abaixo da calota de gelo, sobrevivendo apenas com o ar presente em bolsas de ar situadas abaixo do gelo, tal como faz a beluga. No Árctico, contudo, a espécie é raramente avistada no Inverno, não se aproximando da calota polar, visitando estas águas apenas no Verão.

A baleia branca ou beluga (Delphinapterus leucas) é um mamífero cetáceo da família Monodontidae. O seu parente mais próximo no grupo dos cetáceos é o narval. A baleia branca habita as águas frias em torno do círculo polar árctico. A baleia branca é um animal gregário que mede até 5 metros de comprimento e pesa até 1,5 toneladas. Tem entre 8 a 10 dentes em cada maxila.

A informação sobre outras regiões é escassa. Não existe uma estimativa para a população global total. Estimativas locais indicam cerca de 70 a 80.000 na Antárctica; 8.000 no Pacífico tropical (ainda que as águas tropicais não sejam o ambiente preferido destes animais, a grande dimensão desta área oceânica - 19 milhões de quilómetros quadrados - significa que poderão aí viver milhares de orcas); cerca de 2.000 junto ao Japão; 1.500 nas águas mais frias do nordeste do Pacífico e 1.500 junto à Noruega. Se juntarmos os dados de estimativas menos precisas sobre áreas menos investigadas, a população total poderá ascender aos 100.000.

Interacção social

As orcas têm um sistema social de agrupamento bastante complexo. A unidade básica é a linha matriarcal que consiste numa única fêmea, mais velha, e os seus descendentes. Os filhos e filhas da matriarca fazem parte desta linha, tal como os filhos e filhas destas últimas filhas - contudo, os filhos e filhas de qualquer um dos filhos passarão a viver com a linha matriarcal das suas companheiras de acasalamento) - e assim sucessivamente, ao longo da árvore genealógica destes animais. Como as fêmeas podem viver até cerca de noventa anos, não é raro encontrar quatro ou mesmo cinco gerações de orcas a viver na mesma linha. Estes grupos matrilineares são muito estáveis e mantêm-se durante anos. Os seus elementos apenas os abandonam nunca mais de algumas horas, com o fim de procurar alimento ou acasalar. Não há registo de nenhuma expulsão de um indivíduo destes grupos. O tamanho médio de uma linha matriarcal é de cerca de nove animais, segundo as estatísticas efectuadas junto às orcas do Pacífico nordeste.

As linhas matriarcais têm alguma tendência a juntarem-se a outras, de forma a constituírem grupos (em inglês utiliza-se o substantivo colectivo "pod" que não tem correspondente em português, para conjunto de "baleias", a não ser a palavra "baleal", proposta pelo dicionário Houaiss, que, na falta de outro termo - já que cardume, ou mesmo manada, apesar de também serem usados, parecem ainda mais impróprios - será usado neste artigo, tendo em conta, contudo, que as orcas não são baleias) que têm, em média, cerca de 18 indivíduos. Os membros de um "baleal" partilham do mesmo dialecto (os sons distintivos da espécie), havendo indícios de que são todos aparentados pelo lado materno. Ao contrário das linhas matriarcais, os baleais podem separar-se nas linhas que os constituem por vários dias ou semanas, em busca de comida, até voltarem a juntar-se. O maior baleal registado tinha 49 membros.

O próximo nível de organização dos grupos de orcas é o "clã", que consiste na reunião dos vários baleais com dialectos semelhantes. Novamente, verifica-se que as relações entre os vários baleais têm um fundamento genealógico, por linha materna. Vários clãs podem partilhar a mesma área geográfica. Há registo de baleais de clãs diferentes viajando em conjunto. Quando baleais residentes se juntam para viajarem como um clã, há um ritual de reconhecimento, com saudações que consistem em colocarem-se em linhas paralelas semelhantes, antes de se misturarem por completo.

O último nível de associação é a comunidade que pode ser definida, vagamente, como o conjunto de clãs que se unem regularmente. As comunidades não partilham, contudo, quaisquer padrões familiares vocais discerníveis.

No nordeste do Pacífico conseguiu-se identificar três comunidades:

  • A comunidade meridional  (1 clã, 3 baleais e 83 orcas em 2000)
  • A comunidade setentrional  (3 clãs, 16 baleais e 214 orcas em 2000)
  • A comunidade do Sul do Alasca  (2 clãs, 11 baleais e 211 orcas em 2000)
Deve-se enfatizar que estas hierarquias são apenas válidas para grupos sedentários ou residentes. Grupos nómadas, caçadores de mamíferos, são, na generalidade, menores, porque, ainda que se baseiem em linhas matriarcais, nota-se uma maior tendência dos machos para levarem uma vida isolada. Contudo, grupos nómadas mantém uma vaga coesão definida pelos seus dialectos.

O comportamento quotidiano das orcas é, geralmente, dividido em quatro actividades básicas: busca de alimento, viagem, descanso e socialização. Esta última costuma ser acompanhada de comportamentos entusiásticos, exibindo vários tipos de saltos e arremessos do corpo, espreitadelas sobre a água, além de baterem com as barbatanas na água e erguerem a cabeça. Grupos constituídos apenas por machos interagem, frequentemente, com os pénis erectos. Não se sabe se este género de interacção é um comportamento apenas lúdico ou se comporta manifestações de afirmação de papéis de dominação.

Alimentação

As orcas utilizam na sua alimentação uma grande diversidade de presas diferentes. Populações específicas têm tendência a especializar-se em presas específicas, mesmo com o prejuízo de ignorarem outras presas em potência. Por exemplo, algumas populações do mar da Noruega e da Gronelândia são especializadas no arenque, seguindo as rotas migratórias deste peixe até à costa norueguesa, em cada Outono. Outras populações preferem caçar focas.

A orca é o único cetáceo que caça regularmente outros cetáceos. Há registos de vinte e duas espécies de cetáceos caçadas por orcas, seja pelo exame do conteúdo do estômago, seja pela observação das cicatrizes no corpo de outros cetáceos ou, simplesmente, pela observação do seu comportamento alimentar. Baleais de orcas chegaram mesmo a atacar baleias comuns, baleias-de-minke, baleias-cinzentas, ou mesmo jovens baleias-azuis. Neste último caso, os grupos de orcas perseguem a cria de baleia azul, em conjunto com a sua mãe, até ao esgotamento de ambas. Por vezes conseguem separar o par. De seguida, rodeiam a jovem baleia, impedindo-a de subir à superfície onde esta precisa de tomar ar para respirar. Assim que a cria morre afogada, as orcas podem alimentar-se sem problemas.

Há também um caso registado de provável canibalismo. Um estudo levado a cabo por V. I. Shevchenko nas áreas temperadas do Sul do Pacífico em 1975 registou a existência de restos de outras orcas no estômago de dois machos. Das 30 orcas capturadas e examinadas nesta pesquisa, 11 tinham o estômago completamente vazio. Uma percentagem invulgarmente alta que indicia que o canibalismo foi forçado, devido à falta extrema de alimento.

Mais frequentemente, contudo, as orcas predam cerca de 30 espécies diferentes de peixes, nomeadamente o salmão (incluindo salmão-real e salmão-prateado), arenques e atum. O tubarão-frade, o tubarão-galha-branca-oceânico e, muito ocasionalmente, o tubarão-branco, são também caçados pelos seus fígados altamente nutritivos, acreditando-se também que são caçados no sentido de eliminar ao máximo a competição. Outros mamíferos marinhos, incluindo várias espécies de focas e leões marinhos são também procurados pelas populações que vivem nas regiões polares. Morsas ou lontras marinhas são também caçadas, mas menos frequentemente. A sua dieta inclui ainda sete espécies de aves, incluindo todas as espécies de pinguins ou aves marinhas, como os corvos-marinhos. Alimentam-se também de cefalópodes, como o polvo ou lulas.

As orcas são muito inventivas, e de uma crueldade brincalhona impressionante nas suas matanças. Por vezes, atiram focas umas contra as outras, pelo ar, de modo a atordoá-las e matá-las. Enquanto que os salmões são, geralmente, caçados por uma orca isolada ou por pequenos grupos, os arenque são muitas vezes apanhados pela técnica da captura em carrossel: as orcas forçam os arenques a concentrarem-se numa bola apertada, cercando-os e assustando-os soltando bolhas de ar ou encandeando-os com o seu ventre branco. As orcas batem, então, com os lobos da cauda sobre o grupo arrebanhado, atordoando ou matando cerca de 10 a 15 arenques com cada pancada. A captura em carrossel só foi documentada na população masculina de baleias assassinas de Tysfjord (Noruega) e no caso de algumas espécies oceânicas de golfinhos. Os leões marinhos são mortos por golpes de cabeça ou pancadas com os lobos da cauda.

Outras técnicas mais especializadas são utilizadas por várias populações no mundo. Na Patagónia, as orcas alimentam-se de leões marinhos do sul e crias de elefantes marinhos, forçando as presas a dar à costa, mesmo correndo o risco de elas mesmas ficarem, temporariamente, em terra. As orcas observam o que se passa à superfície, através de um comportamento designado de spyhopping, que lhes permite localizar focas a descansar sobre massas de gelo flutuante. A técnica consiste em criar uma onda que obrigue o animal a cair à água, onde outra orca o espera, para o matar.

Julga-se que uma orca come cerca de 60 kg de comida por dia. Com uma tal variedade de presas e sem outros predadores que não o homem, é um animal bem no topo na cadeia alimentar.

Sons

Tal como os outros golfinhos, as orcas são animais com um comportamento vocal complexo. Produzem uma grande variedade de estalidos e assobios usados em comunicação e ecolocalização. Os tipos de vocalização variam com o tipo de actividade. Naturalmente que, enquanto descansam, emitem menos sons, ainda que façam ocasionalmente um chamamento bem distinto daqueles que usam num comportamento mais activo.

Os baleais sedentários têm uma maior tendência para a vocalização que os grupos nómadas. Os cientistas indicam duas razões principais para este facto. Em primeiro lugar, as orcas residentes mantêm-se no mesmo grupo social por muito mais tempo, desenvolvendo, assim, relações sociais mais complexas - o que implica também um maior desenvolvimento local e uma maior partilha de sons próprios do grupo. Os grupos nómadas, como ficam juntos por períodos mais passageiros (algumas horas ou dias), comunicam também menos. Em segundo lugar, as orcas nómadas têm maior tendência para se alimentarem de mamíferos, ao contrário das orcas residentes, que preferem peixes. As orcas predadoras de mamíferos necessitam, naturalmente, de passar despercebidas pelos animais que pretendem apanhar de surpresa. Usam por isso, apenas estalidos isolados (o chamado "estalido críptico") para ecolocalização, em vez da longa série de estalidos observada noutras espécies.

Os grupos residentes apresentam dialectos regionais. Cada baleal tem as suas próprias "canções" ou conjuntos de assobios e estalidos que são constantemente repetidos. Cada membro do baleal parece conhecer todo o repertório do grupo, de forma que não é possível identificar especificamente um animal apenas pela sua voz - é apenas possível identificar o grupo dialectal. Uma canção pode ser específica de um grupo ou partilhada por vários. O grau de semelhança nas vocalizações de dois grupos distintos parece estar mais relacionada com a proximidade genealógica dos dois grupos que com a proximidade geográfica. Dois grupos que partilhem um conjunto de ancestrais comuns mas que vivam em locais distantes continuarão a ter um repertório de canções muito semelhante. Isto sugere que as canções passem de mãe para filho durante o período de amamentação.

As orcas na história

Ainda que só tenham sido classificadas como espécie em 1758, a orca já era conhecida pelo ser humano desde tempos pré-históricos. A cultura desértica de Nazca foi responsável pela representação de um orca, desenhada pelas famosas linhas de Nazca, numa data indeterminada entre 200 a.C. de 600 d. C.

A primeira descrição escrita de uma orca foi da autoria de Plínio, o Velho, na sua História Natural, escrita cerca de 50 a.C.. A aura de invencibilidade, ligada a uma imagem voraz da orca, estava já bem estabelecida por esta altura. Ao assistir à matança pública de uma baleia encalhada no porto de Roma, Plínio escreveu: "As orcas (cuja aparência não há imagem que consiga expressar, não era mais quem uma enorme massa de carne selvagem com dentes) são inimigas das outras baleias... Atacam-nas e rasgam-lhes a carne como navios de guerra em golpes bélicos."

Tribos aborígenes do Noroeste do Pacífico da América do Norte, como a Tlingit, Haida, e Tsimshian destacam com frequência a orca na sua religião e artesanato.


As orcas e o homem moderno

Caça

As orcas tornaram-se alvo da caça à baleia comercial a partir de meados do século XX devido ao esgotamento das reservas de espécies de maior porte. Esta actividade teve um final abrupto em 1981 com a implementação de uma moratória internacional sobre a caça à baleia. Ainda que de um ponto de vista taxonómico a orca seja mais um golfinho que uma baleia, o seu tamanho justifica a sua inclusão entre as espécies protegidas pela Comissão internacional para a caça da baleia.

O país que mais orcas caçava era a Noruega que capturou, em média, 56 animais por ano, de 1938 a 1981. O Japão capturou, também em média, 43 baleias assassinas por ano, de 1946 a 1981. (Não há dados fiáveis sobre os anos de guerra, mas supõe-se que tenham sido caçados menos exemplares). A União Soviética caçava uma pequena quantidade de animais todos os anos no Antárctico, à excepção de uma época extraordinária de caça, ocorrida em 1980, durante a qual se capturaram 916 orcas.

Hoje em dia, não é realizada caça substancial à espécie. O Japão captura alguns indivíduos quase todos os anos, no âmbito de um programa de "pesquisa científica" controverso. É prosseguido um nível de captura igualmente baixo pela Indonésia e Gronelândia. Além de caçadas para servirem de alimento humano, as orcas são também mortas porque alguns defendem que entram em competição com os pescadores. Na década de 1950, a Força Aérea dos Estados Unidos da América, a pedido do Governo da Islândia, usou bombas e armas de fogo na chacina de grupos de orcas nas águas da Islândia, sob esse mesmo pretexto. A operação foi considerada um êxito pelos pescadores e pelo governo islandês. Opositores desta medida, contudo, afirmaram que a queda nas reservas de peixe se deve à pesca excessiva por parte do ser humano. Este debate continua sem que cada parte aceite ceder terreno à outra.

As orcas são ainda, ocasionalmente, mortas devido ao medo que a sua reputação provoca. Ainda que nenhum ser humano tenha sido atacado por uma orca em liberdade, os marinheiros do Alasca matam-nas com o intuito de se protegerem. Este medo tem vindo a ser dissipado nos últimos anos devido a uma melhor informação das populações em relação à espécie, além da popularidade que estes animais têm em aquários e outras atracções turísticas afins.

Cativeiro

A inteligência das orcas, a facilidade em treiná-las, a sua aparência impressionante, o seu comportamento brincalhão em cativeiro e o seu tamanho anormalmente grande torna-as um animal bastante popular como exibição em aquários e em espectáculos aquáticos, como em parques temáticos. A primeira captura e exibição de uma orca teve lugar em Vancouver, em 1964. Nos 15 anos seguintes, cerca de sessenta ou setenta orcas foram retiradas das águas do Pacífico com este fim. No final dos anos 70, e na primeira metade da década de 1980, as águas da Islândia eram a origem de muitos dos animais capturados - nos cinco anos antes de 1985, capturaram-se aí 50 orcas. Desde essa altura que as orcas são criadas desde nascença em cativeiro, sendo raras os espécimes selvagens nestas condições. O cativeiro pode, contudo, levar ao desenvolvimento de determinadas patologias como o colapso da barbatana dorsal, verificada em 60 a 90% dos machos cativos.

Já ocorreram alguns ataques ou acidentes com orcas em cativeiro, envolvendo seres humanos. Em 1991, um grupo de orcas foi responsável pela morte de uma treinadora, Keltie Byrne, em Sealand, Victoria, na Colômbia Britânica (onde os empregados não estavam autorizados a permanecer na água com as orcas). Crê-se que esta morte tenha sido provocada pelo facto das orcas não se aperceberem que o ser humano não é capaz de sobreviver debaixo de água, pelo que se julga que se trata apenas de um comportamento brincalhão, mas trágico. O mesmo se acredita que tenha acontecido em 1999, no parque SeaWorld em Orlando, Florida, onde uma orca terá alegadamente matado um turista que entrou de forma sub-reptícia na piscina, durante a noite. Há quem acredite que o mesmo possa ter morrido de hipotermia. No final de Julho de 2004, durante um espectáculo no parque SeaWorld, em San Antonio, Texas, uma orca empurrou o seu instrutor (depois de dez anos de convívio entre os dois) para debaixo de água, impedindo-o de atingir a borda da piscina. Só depois alguns minutos de angústia é que os seus colegas o conseguiram salvar.

Outro incidente trágico envolvendo orcas ocorreu em Agosto de 1989, quando uma fêmea dominante, Kandu V, se atirou a uma orca recém-chegada, Corky II, mordendo-a durante um espectáculo aquático. Corky II tinha sido trazida da Marineworld, na Califórnia apenas alguns meses antes do acidente. De acordo com testemunhos, ouviu-se uma dentada sonora ao longo do estádio. Ainda que os treinadores tenham tentado continuar o espectáculo, a dentada provocou a fragmentação do maxilar da orca atacante, provocando o corte de uma artéria que começou a jorrar sangue. Depois de evacuada a multidão de espectadores e depois de uma hemorragia de cerca de 45 minutos, Kandu V morreu. Os opositores deste género de espectáculo referem frequentemente estes incidentes nas suas críticas e argumentos para a sua abolição.

A SeaWorld continuou implicada em várias práticas criticadas por movimentos a favor dos direitos dos animais, como a manutenção de orcas capturadas no meio selvagem. A associação Born Free Foundation criticou este empreendimento por manter em cativeiro, após vários anos, a orca Corky II, que queriam devolver à sua família no grupo (baleal) A5 Pod — na Colômbia Britânica, no Canadá.

Cultura popular

Até ao final da década de 1970 as orcas eram apresentadas de forma negativa na ficção, como predadores ferozes que os heróis da história tinham de enfrentar para salvar as presas. O exemplo mais extremo talvez seja um filme que teve, aliás, pouca aceitação do público: "Orca" onde se descreve a história de uma orca que decide vingar-se dos seres humanos responsáveis pela morte do seu companheiro (a história remete de imediato para o argumento de Jaws - Tubarão, de Steven Spielberg).

Contudo, a pesquisa sobre a vida destes animais e a sua popularidade nos espectáculos aquáticos reabilitou quase por completo a imagem pública da espécie. De facto, o público rapidamente concedeu a este animal o estatuto de um respeitável e nobre predador, o que não aconteceu, por exemplo, com outros predadores, como o lobo, que continua a ter uma posição menos favorecida no imaginário popular.

O filme Free Willy (Libertem Willy, em Portugal)  - de 1993 -  focou, com algum sucesso, a luta pela libertação de uma orca cativa. A baleia assassina (um macho) usada nas filmagens, Keiko, era originária de águas islandesas. Depois da sua reabilitação no Oregon Coast Aquarium em Newport, Oregon, voltou para os países nórdicos, no seu habitat natural, ainda que se mantivesse dependente dos seres humanos, até à sua morte, em Dezembro de 2003.

Ameaças ambientais

O derramamento de crude do petroleiro Exxon Valdez teve um efeito particularmente adverso na população de orcas do Alasca. Um dos grupos de orcas foi apanhado pelo derrame. Ainda que tenha consigo nadar para águas limpas, onze membros do baleal (cerca de metade) morreram nos dias e semanas seguintes. O derramamento teve outros efeitos a longo prazo, ao reduzir a quantidade disponível de presas necessárias para a alimentação. Em Dezembro de 2004, cientistas da North Gulf Oceanic Society comprovou que o grupo AT1, agora apenas com sete membros, estava afectado por alguma forma de esterilidade, já que falhou, desde então, qualquer tentativa de reprodução. Espera-se que a sua população decresça até à sua extinção.

Tal como outros animais de níveis tróficos mais elevados da cadeia alimentar, a orca é particularmente susceptível ao envenenamento pela acumulação de bifenil policlorado (ou PCBs) no corpo.
Bifenil policlorado: antigo óleo de transformadores eléctricos em fase de substituição e eliminação mundial.
Uma pesquisa efectuada sobre orcas residentes ao longo da costa de Washington demonstra que os níveis de PCB são mais elevados nestes animais que os níveis encontrados em espécimes de foca comum na Europa, envenenados e com a sua saúde gravemente afectada por este produto químico. Contudo, não há qualquer evidência de doença nas orcas, ainda que se suponha que tenha efeitos, por exemplo, na taxa de reprodução que poderá decrescer no futuro.

As orcas são obrigadas a enfrentar outras ameaças ambientais, como a indústria turística que, através da organização extensiva de actividades de observação de baleias, parece ter efeito em algumas mudanças comportamentais destes animais. Foi também provado que ruídos de elevada intensidade em navios têm modificado a frequência dos cantos e chamamentos específicos da espécie.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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