Terça-feira, 26 de Julho de 2005

Energia geotérmica

 
O que é


Podemos definir a energia geotérmica como o calor proveniente da Terra, mais precisamente do seu interior.
Devido à necessidade de se obter energia eléctrica de uma maneira mais limpa e em quantidades cada vez maiores, foi desenvolvido um modo de aproveitar esse calor para a geração de electricidade, tão importante no mundo em que vivemos actualmente. Hoje a grande parte da energia eléctrica provém da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, métodos esses muito poluentes.

Para que possamos entender como é aproveitada a energia do calor da Terra devemos primeiramente entender como o  nosso planeta é constituído. Como já é sabido por todos, a Terra é formada por grandes placas, que nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas.

Histórico

A primeira tentativa para gerar electricidade de fontes geotérmicas ocorreu em 1904 em Larderello na região da Toscana, Itália. Contudo, esforços para produzir uma Central para aproveitar tais fontes foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas sofreram destruição devido à presença de substâncias químicas contidas no vapor. Porém, em 1913 uma estação de 250 kW foi construída com sucesso e por volta da Segunda Guerra Mundial 100 MW estavam sendo produzidos, mas a Central acabou por ser destruída na guerra.

O campo de géiseres na Califórnia estava a produzir 500 MW de electricidade em 1970. A exploração desse campo foi dramática, pois em 1960 somente 12 MW eram produzidos e em 1963 somente 25 MW. México, Japão, Filipinas, Kenia e Islândia também tem expandido a produção de electricidade por meio geotérmico.

Na Nova Zelândia o campo de gases de Wairakei, nas ilhas do Norte, foram desenvolvidos por volta de 1950. Em 1964, 192 MW estavam a ser produzidos, mas hoje em dia este campo está a acabar.

Formas de Energia Geotérmica

Pedra seca quente

Quando não existem géiseres e as condições são favoráveis, é possível "estimular" o aquecimento da água usando o calor do interior da Terra. Uma experiência realizada em Los Alamos, Califórnia, provou a possibilidade de execução deste tipo de Centrais.

Em terreno propício foram perfurados dois poços vizinhos, distantes 35 metros lateralmente e 360 metros verticalmente, de modo que eles alcancem uma camada de rocha quente. Num dos poços é injectada água, ela aquece-se na rocha e é expelida pelo outro poço, onde há uma estação geotérmica instalada. A experiência de Los Alamos é apenas um projecto piloto e não gera energia para uso comercial. A previsão de duração desse campo geotérmico é de dez anos.

Também é possível perfurar um poço para que ele alcance uma "caldeira" naturalmente formada por um depósito de água aquecido pelo calor terrestre. A partir daí, a energia eléctrica é gerada como em todos os outros casos.

Vapor seco

Em casos raríssimos pode ser encontrada aquilo a que os cientistas chamam de fonte de "vapor seco", em que a pressão é alta, o suficiente para movimentar as turbinas da Central com excepcional força, sendo assim uma fonte eficiente de geração de electricidade. São encontradas fontes de vapor seco em Larderello, na Itália e em Cerro Prieto, no México.

Vapor húmido misto

Algumas vezes podemos conferir o afloramento de verdadeiras fontes de água quente, vindas de zonas profundas e muito quentes da Terra. Essas fontes são chamadas géiseres. Quando o géiser apresenta alta pressão e alta temperatura, pode-se aproveitá-lo para a geração de electricidade praticamente do mesmo modo que numa Central Termoeléctrica.

Nela, a água é aquecida de forma a transformar-se  em vapor e movimentar uma turbina, que por sua vez, converte o movimento (energia mecânica),  em energia eléctrica. Só que no caso de uma central geotérmica que aproveita o géiser, o aquecimento da água é feito naturalmente.

A forma de energia geotérmica presente nos géiseres é chamada tecnicamente de "vapor húmido misto", pois junto com o vapor de água encontram-se vários minerais e metais, que acabam por tornar a geração de electricidade nessas fontes um tanto caras, já que os metais e minerais acabam por corroer as turbinas, e, se não ocorrer um tratamento adequado, os metais podem contaminar fontes de água utilizadas pelo homem. Esse tipo de fonte é também desinteressante pois a pressão não é alta o suficiente para gerar grandes quantidades de energia eléctrica.

Em Portugal, nos Açores, a natureza, com impetuosas manifestações das forças do interior da terra, gera fumarolas, géiseres, lamas ferventes e fontes termais.

No Brasil são encontradas apenas fontes de água pouco aquecidas, como em Poços de Caldas e Araxá, Minas Gerais. Lá e em outras localidades são encontradas fontes termais que atingem uma temperatura máxima de  50ºC  e não se prestam à geração de energia, mas as suas propriedades medicinais são aproveitadas.

O Meio Ambiente

Aproximadamente todos os fluxos de água geotérmicos contém gases dissolvidos, sendo que estes gases são enviados à central de geração de energia junto com o vapor de água. De um jeito ou de outro estes gases acabam por subir para a atmosfera. A descarga de ambos, vapor de água e CO2,  não são significantes na escala apropriada das centrais geotérmicas.

Por outro lado, o odor desagradável, a natureza corrosiva, e as propriedades nocivas do H2S são causas que preocupam. Nos casos onde a concentração de H2S é relativamente baixa, o cheiro de ovo podre do gás causa náuseas. Em concentrações mais altas pode causar sérios problemas de saúde e até a morte por paralisia respiratória.

É igualmente importante que haja tratamento adequado da água vinda do interior da Terra, que invariavelmente contém minérios prejudiciais à saúde. Não deve ocorrer simplesmente o seu despejo em rios locais, para que isso não prejudique a fauna local.

Quando uma grande quantidade de fluido aquoso é retirada da terra, há sempre a oportunidade de ocorrer um "deslizamento". O mais drástico exemplo de um problema desse tipo numa central geotérmica está em Wairakei, Nova Zelândia. A fenda está em 7,6 metros e está crescendo a uma taxa de 0,4 metros por ano. Acredita-se que o problema pode ser atenuado com re-injecção de água no local.

Há ainda o inconveniente da poluição sonora que afligiria toda a população vizinha ao local de instalação da Central.  Afinal, para a perfuração do poço é necessário o uso de maquinaria semelhante à usada na perfuração de poços de petróleo, que são conhecidamente barulhentos.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2005

Pensamentos...

CONSIDERA ISTO !

Quando a tua mãe for ficando mais velha,
quando os seus lindos queridos fieis olhos
não estiverem a ver mais vida como outrora faziam,
quando os seus pés, forem ficando cansados,
não mais querendo carregá-la enquanto caminha,
então empresta-lhe o teu braço como suporte,
escolta-a com feliz prazer,
a hora virá quando, em lágrimas, tu
terás de acompanhá-la no seu passeio final.
E se ela te perguntar algo,
então dá-lhe uma resposta.
E se ela te perguntar outra vês, então fala!
E se ela te voltar a perguntar, responde-lhe,
não impacientemente, mas com gentil calma.
E se ela não te conseguir entender devidamente,
explica-lhe, tudo com felicidade.
A hora virá, a hora amarga.
Quando a sua boca nada mais perguntar. "

Adolf Hitler
Maio,1923
Publicado por: Praia da Claridade às 00:19
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Pesca


Pesca  é a extracção de organismos aquáticos do meio onde se desenvolveram para diversos fins, tais como a alimentação, a recreação (pesca recreativa ou pesca desportiva), a ornamentação (captura de espécies ornamentais), ou para fins industriais, incluindo o fabrico de rações para o alimento de animais em criação e a produção de substâncias com interesse para a saúde - como o "famoso" óleo de fígado de peixe (especialmente o óleo de fígado de bacalhau).

Esta definição engloba o conceito de
aquacultura
em que as espécies capturadas são primeiro criadas em instalações apropriadas, como tanques, gaiolas ou viveiros.

As principais espécies exploradas pelas pescas no mundo pertencem aos grupos dos
peixes, dos crustáceos e dos moluscos. No entanto, são também cultivados e capturados pelo homem várias espécies de crocodilos, batráquios (principalmente rãs),  mamíferos marinhos (principalmente baleias)  e algas
.

De acordo com "O Estado das Pescarias e da Aquacultura no Mundo", uma publicação da FAO (
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a produção de pescado no mundo em 2002 foi superior a 94 milhões de toneladas pela actividade extractiva e mais 50 milhões pela aquacultura.
Estima-se que o pescado supra actualmente cerca de 16% da
proteína
consumida pelo Homem. As pescas são igualmente um enorme fornecedor de emprego, contribuindo enormemente para a economia mundial.

Pesca e pescarias

Embora sejam muitas vezes usadas como sinónimos, para os cientistas e administradores pesqueiros estas duas palavras têm diferentes significados. Enquanto que a pesca é o próprio acto de capturar animais aquáticos ou de os criar, uma pescaria é o conjunto do ecossistema e de todos os meios que nele actuam – barcos e artes de pesca – para capturar uma espécie ou um grupo de espécies afins. Por exemplo, a pescaria de
arenque do Mar do Norte, a pescaria de anchoveta do Peru e do Chile, a pescaria recreativa de achigã (black bass) no lago Ontário. No entanto, referimos-nos às pescarias de camarão de Madagáscar porque incluem uma componente industrial e outra artesanal ou as pescarias de atum porque têm diferentes espécies-alvo e são capturadas em diferentes oceanos
.

As Pescas na História

Desde que há memória que a pesca sempre fez parte das culturas humanas, não só como fonte de alimento, mas também como modo de vida, fornecendo identidade a inúmeras comunidades, e como objecto artístico. A
Bíblia
tem várias referências à pesca e o peixe tornou-se um símbolo dos cristãos desde os primeiros tempos.

Uma das actividades com uma história mais longa é o comércio de bacalhau seco entre o norte e o sul da
Europa, que começou no tempo dos vikings
há mais de 1000 anos.

Métodos de Pesca

A forma mais simples da pesca é um indivíduo isolado com uma cana ou uma rede de pesca. Não só como actividade recreativa, proporcionando um enorme comércio em muitos países desenvolvidos,  mas também como pesca de subsistência nos países menos desenvolvidos, esta forma de pesca continua a ser muito importante em todo o mundo.

Mas a forma mais usual de pescar é com o auxílio de embarcações, começando com a jangada de papiros do
Egipto
ou a piroga ou canoa de tronco escavado, ainda hoje a principal plataforma de pesca em muitos países menos desenvolvidos, passando pelos barcos à vela, até aos enormes barcos-fábrica responsáveis pela produção de atum e equipados com a mais moderna tecnologia, desde helicópteros para a detecção dos cardumes, até receptores de informação de satélites, que lhes indicam a posição exacta, a temperatura da água do mar, etc.

Pesca à linha

A pesca com linha e anzol, parecendo simples, continua a ser uma das principais formas de capturar peixe. Pelo facto do material ser de fácil aquisição, é o principal método de pesca de subsistência em rios, lagos ou junto à costa. No entanto, várias pescarias industrializadas usam este método, quer com a chamada linha-de-mão, em que cada pescador segura na mão uma linha na extremidade da qual se colocam várias linhas secundárias cada uma com o seu anzol, até aos palangres de vários quilómetros de comprimento com que se pescam os atuns de profundidade.

Pesca de emalhe

Outra forma de pescar relativamente simples é a rede de emalhar - na sua forma mais simples, um rectângulo de rede com flutuadores numa extremidade e pesos na oposta, que é lançada à água num local onde se saiba haver cardumes de peixe a nadar, os quais ficam "emalhados" ou seja presos nas malhas da rede, normalmente pelos espinhos ou opérculos. No entanto, este método tem muitas variantes, a mais perigosa das quais - para a fauna marinha e para a própria navegação - é a rede-derivante, que também pode ter vários quilómetros de extensão e pode perder-se, continuando a matar peixes que depois não são aproveitados e até mamíferos marinhos; para além disso, estas redes são praticamente invisíveis e um navio que passe por uma destas redes perdidas pode ficar com a hélice imobilizada. Por estas razões, este método de pesca foi banido em vários países do mundo.

Pesca de cerco

Algumas variantes da rede de emalhar deram origem às redes-de-cerco:  a rede é colocada em volta de um cardume e o cabo profundo poder ser puxado até formar um saco onde todo o peixe fica aprisionado. Esta forma de pescar é utilizada tanto a nível artesanal - na região norte de
Moçambique
estas redes são fechadas por 4-5 mergulhadores, em águas baixas - como a nível industrial, por exemplo, para algumas espécies de atum que formam cardumes à superfície do mar.

Pesca com armadilhas

As armadilhas de diversos tipos são também métodos de pesca muito populares desde tempos imemoriais. Na região Indo-Pacífica, quer dizer nas zonas tropicais e subtropicais dos Oceanos Índico e Pacífico, os pescadores locais constroem gaiolas em forma de V com ripas de bambu ou de folhas de palmeira, colocam-nas perto de rochas ou recifes de coral e conseguem capturar peixes de grande valor comercial. Em
Portugal
existe uma pesca tradicional para cefalópodes (principalmente polvo)  com "alcatruzes" que são recipientes de barro, normalmente presos em número variável a linhas suspensas na água. Estas artes de pesca, como se designam os instrumentos utilizados directamente na captura de peixe e outros animais aquáticos, pertencem ao grupo das chamadas artes passivas, uma vez que é o próprio animal que as procura, normalmente como refúgio, ficando nelas aprisionado.

Ao nível industrial, há pescarias que utilizam gaiolas, construídas em plástico ou rede segura numa armação metálica, que podem ser colocadas em grandes números e em qualquer profundidade, presas a um cabo. Estas gaiolas provocam um problema semelhante ao das redes de emalhar derivantes, pois podem perder-se e continuar a matar peixes ou outros organismos, sem nenhum benefício, nem para o Homem, nem para os próprios recursos pesqueiros.

Pesca de arrasto

Finalmente, em termos de tipo de arte, uma vez que há numerosas variantes dos tipos descritos atrás, o método de pesca actualmente mais popular - e mais controverso! - é o arrasto, constituído basicamente por uma rede construída em forma de saco, com flutuadores na parte superior da abertura e pesos na parte do fundo, e cabos seguros às extremidades dessa "boca" com os quais a rede é arrastada normalmente no fundo do mar (embora haja também redes de arrasto de meia-água). Existem formas artesanais desta arte em praticamente todo o mundo  [ exemplo: a "Arte Xávega, em Portugal - ver artigo no Blog publicado no dia 12 de Março ], em que a rede é puxada por pescadores a pé ou com o auxílio duma pequena embarcação, mas a indústria pesqueira usa redes de arrasto de grandes dimensões - por vezes mais de uma ao mesmo tempo - que são de construção mais sofisticada e puxadas por instrumentos mecânicos a partir duma embarcação que pode ser um barco-fábrica.

Os aspectos controversos deste método de pesca são vários, desde a noção - normalmente errada - de que estas redes "destroem" o fundo do mar, até outros problemas mais válidos e que têm sido estudados e parcialmente resolvidos pelas
ciências pesqueiras
, como o facto destas redes serem muito pouco selectivas, quer dizer, capturam animais de praticamente todas as dimensões, até os muito pequenos de uma espécie que ainda não atingiram a maturidade sexual, pondo assim em perigo a continuidade da população, e de todas as espécies, mesmo aquelas que não são o objecto da pescaria e que são muitas vezes lançadas ao mar, contribuindo para a diminuição da diversidade biológica no mundo.

Métodos de pesca proibidos

Existem alguns métodos de pesca muito nocivos e que são banidos em praticamente todo o mundo mas que ainda se praticam.
Um deles é o uso de dinamite ou outros explosivos - quando se detona uma carga explosiva na água, a enorme pressão atordoa os peixes maiores e pode destruir completamente os mais pequenos; ainda por causa do aumento de pressão, estes peixes ficam a flutuar e são facilmente capturados. Claro que os peixes que ficam destruídos não servem nem sequer para alimentação e podem ser os juvenis de espécies que atingem tamanhos maiores, causando assim um desperdício para o recurso. Pior é o efeito que os explosivos têm nos corais, que levam muitas dezenas de anos a desenvolverem-se e que, com este método, são destruídos.

Outro método de pesca banido é com o uso de substâncias tóxicas para os peixes ou outros organismos aquáticos, mas não para o Homem.
Tal como nos métodos anteriores, o problema principal é a ausência de selectividade do método, matando não só os organismos dos tamanhos que se pretendem utilizar, mas também muitos outros. No entanto, este método é aceite, embora com restrições em relação à quantidade e à forma da sua utilização, para estudar os organismos existentes em áreas onde não é fácil capturá-los por outros métodos, tais como caves ou rápidos de rios.

A Importância das Pescas no Mundo

Em todos os oceanos, rios e lagos - e até nas águas que ficam permanentemente cobertas de gelo - se encontra a actividade da pesca. O homem explora um grande número de espécies de peixes, crustáceos, moluscos e até muitas outras espécies aquáticas, como algumas algas, mamíferos marinhos (embora a sua captura seja banida em quase todo o mundo)  e outros seres. No entanto, o número de espécies que compõem a grande maioria das capturas pesqueiras do mundo é relativamente pequeno. As principais são a anchoveta do
Peru de que, em 2002, se capturaram cerca de 10 milhões de toneladas, o bacalhau
e espécies da mesma família, que ultrapassaram os 8 milhões, os atuns que alcançaram 6 milhões, e os cefalópodes (chocos, lulas e polvos) e os camarões que atingiram cada um cerca de 3 milhões. Portanto, estes 5 grupos de espécies (se juntarmos a anchoveta com as sardinhas, temos um total de 22 milhões de toneladas) correspondem a quase 50% das capturas mundiais da pesca.

Os principais países pesqueiros em 2002 foram a
China
com um total de quase 17 milhões de toneladas de capturas, 19 milhões provenientes da aquacultura marinha e 17 milhões da aquacultura de água doce - cerca de 30% da produção mundial de produtos pesqueiros -, o Peru com cerca de 9 milhões, os Estados Unidos da América do Norte com cerca de 5 milhões e o Japão com 4,5 milhões. O segundo produtor mundial de produtos aquícolas foi a Índia, com 2 milhões de toneladas.

Problemas ambientais ligados às pescas

Uma vez que as pescas dependem de recursos naturais renováveis, é de esperar que haja uma série de aspectos ambientais e não só que as afectam. O principal diz respeito à própria disponibilidade do recurso que se pretende pescar – a pesca pretende ser uma actividade económica sustentável e portanto ela deve ser regulada de modo que se assegure a renovabilidade dos recursos, ou seja, se evite a sobrepesca. Este é o objectivo da
gestão das pescarias
.

No entanto, uma vez que os recursos pesqueiros – as
espécies aquáticas – vivem num determinado ecossistema, a sua renovabilidade também depende da integridade do ecossistema, ou seja, dum conjunto de relações equilibradas entre as várias espécies presentes e entre estas e o seu habitat. Por isso, todos os factores que prejudicam a “saúde” do ecossistema, como a poluição e as alterações da biodiversidade
, põem em causa a sustentabilidade das pescarias que aí se desenvolvem.

Alguns destes factores têm causas externas às próprias pescarias, como a poluição causada pela descarga de esgotos urbanos ou industriais ou dos navios que circulam próximo da zona de pesca. As alterações na orla costeira, tais como a desflorestação que pode causar
erosão, promovendo o assoreamento dos fundos marinhos (ou dos rios ou lagos) ou a exploração de areias ou rochas para fins de construção, também prejudicam os ecossistemas aquáticos. Por essa razão, hoje fala-se muito da necessidade duma gestão integrada da zona costeira
, em que se evitem todas as acções que prejudiquem, não só a costa, as praias, a navegação, mas também os ecossistemas aquáticos e as pescas que dele dependem.

Outra importante acção que deve ser promovida é a recuperação da saúde dum ecossistema que tenha sido afectado, não só anulando as fontes de poluição ou controlando a exploração das florestas ribeirinhas – ou mesmo promovendo a reflorestação – mas inclusivamente introduzindo no sistema espécies que tenham desaparecido ou outras que não entrem em competição com aquelas lá existentes, mas contribuam para o seu nível óptimo, por exemplo, servindo para seu alimento.

Mas a pesca também pode provocar alterações deletérias no próprio ecossistema do qual depende. Referimos acima a destruição que pode provocar o uso de explosivos ou substâncias tóxicas; foi também referida a destruição dos fundos pelo arrasto, que realmente pode acontecer em pescarias que se desenvolvem em planícies de ervas marinhas, quando o arrasto é feito a níveis que não permitem a renovação daquelas plantas. Mas a própria pesca excessiva ou descontrolada, para além de pôr em perigo a renovação das espécies-alvo, pode também causar a modificação da biocenose, através da substituição de espécies ou mesmo causando a diminuição da biodiversidade.

Por estas razões, para além do esforço que deve ser feito na gestão das pescarias e na gestão integrada da zona costeira, existe neste momento a tendência de multiplicar as
reservas marinhas
, zonas onde é proibido pescar – ou onde a própria comunidade humana controla a pesca que lhe permite a subsistência. Estas reservas ou parques permitem o refúgio de populações de organismos marinhos que podem ajudar a repovoar zonas próximas onde algumas espécies tenham sido sobre-exploradas.

Código de Conduta para Pescarias Responsáveis

A adopção generalizada nos anos 70 das zonas económicas exclusivas (ZEE’s)  e da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em 1982, criaram condições para uma melhor gestão dos recursos pesqueiros, uma vez que deu a um grande número de países o direito de os utilizar para seu proveito (em vez de continuarem a ser pescados por frotas estrangeiras)  e a responsabilidade de fiscalizar as pescarias que aí se exercem. No entanto, este movimento associado aos avanços tecnológicos nesta indústria e à crescente procura de produtos pesqueiros levaram ao seu crescimento exagerado.
Nos anos 80 tornou-se claro que os recursos existentes não poderiam suster este crescimento. Para além disso, continuaram a existir pescarias não reguladas no alto mar, muitas vezes envolvendo espécies de peixes que fazem grandes migrações e que passam pelas águas de vários países.

Em 1992, realizou-se em Cancun (
México
) uma Conferência Internacional sobre Pesca Responsável em que se pediu à FAO para preparar um Código de Conduta para tentar resolver aquelas questões.
A Declaração de Cancun foi uma importante contribuição para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – Rio de Janeiro.
Em 1993, a Conferência da FAO adoptou um Acordo na Promoção do Respeito pelas Medidas Internacionais de Conservação e Gestão por Barcos de Pesca no Alto Mar. Finalmente, em 1995, a Conferência da FAO adoptou unanimemente este Código que, apesar de não ser mandatório, estabelece princípios e padrões para a conservação, gestão e desenvolvimento de todas as pescarias do mundo.


São os seguintes os objectivos do Código:



  • Estabelecer princípios que estejam de acordo com os artigos relevantes da lei internacional para a promoção de pescas responsáveis, considerando todos os aspectos de interesse, dos pontos de vista biológico, tecnológico, económico, social, ambiental e comercial;
  • Estabelecer princípios e critérios para a elaboração e implementação de políticas nacionais para a conservação responsável dos recursos pesqueiros e para a gestão e o desenvolvimento das pescas;
  • Servir como referência para ajudar os estados a promulgar ou melhorar a sua legislação e os mecanismos institucionais necessários para o exercício de pescas responsáveis;
  • Fornecer linhas de orientação que possam ser usadas, onde apropriado, na formulação e implementação de acordos internacionais e outros instrumentos legais, tanto mandatórios como voluntários;
  • Promover a cooperação técnica, financeira e outra na conservação dos recursos pesqueiros e na gestão e desenvolvimento das pescas;
  • Promover o aumento da contribuição das pescas para a segurança alimentar e para o melhoramento da dieta alimentar dos povos, com prioridade para as comunidades locais;
  • Promover a protecção dos recursos aquáticos vivos e do seu ambiente e zonas costeiras;
  • Promover o comércio do peixe e de outros produtos pesqueiros em conformidade com as regras internacionais relevantes e a eliminação de barreiras a esse comércio;
  • Promover a investigação das pescarias, incluindo os aspectos ecológicos dos ecossistemas que as sustentam;
  • Fornecer regras de conduta para todas as pessoas envolvidas nas pescas.
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:10
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Domingo, 24 de Julho de 2005

Telemóveis


TELEMÓVEL  é um aparelho de comunicação por ondas electromagnéticas que permite a transmissão bidireccional de voz e de dados utilizável numa área geográfica que se encontra dividida em células, cada uma delas servida por um transmissor/receptor.

Em Portugal, estes aparelhos passaram a ser designados como "telemóvel" (plural telemóveis), uma simplificação de "telefone móvel". No entanto, a designação 'Telefone Celular' permanece como designação técnica.

Aparelhos análogos baseados no rádio já eram utilizados por policias de Chicago na década de trinta.

Os dez mandamentos da utilização dos telemóveis

1 - Não utilize o seu telefone celular para apontar algo ou, pior, alguém. Lembre-se da sua mãezinha: "não se aponta que é feio".

2 - Não leve o seu telemóvel para entrevistas ou, pelo menos, certifique-se de que ele não está em condições de tocar. Em qualquer caso, não lhe passe pela cabeça "exibi-lo" face ao entrevistador.

3 - O telemóvel como instrumento de sedução é um logro. A menos que goste do género sopeirinha facilmente impressionável invista antes em perfume e flores. Há matérias em que os métodos antigos ainda são os mais eficazes.
Se não se conseguir resignar a exibir a antena lembre-se que, contrariamente a alguma ideia feita que tenha, segundo um estudo inglês recente, são os telemóveis pequenos que mais seduzem.

4 - Não fale ao telefone em funerais e celebrações eucarísticas. Lembre-se do morto e veja nele uma linha directa para o céu. Deve ser-lhe suficiente...

5 - Da mesma forma, respeite os avisos nas salas de espectáculo: não converse ao telefone no meio de um concerto ou de uma peça de teatro.

6 - Não fique a escrever mensagens SMS, de cara virada para baixo, acabrunhado, quando está a conversar com alguém. É uma falta de respeito.

7 - Não se arme em néscio, e exiba ruidosamente os seus "tons" novos em espaços públicos.

8 - Não berre ao telefone. Provavelmente não sabe, mas o GSM já inclui um algoritmo de redução do ruído de fundo. Falar mais alto pouco lhe adianta se a qualidade da ligação for má.

9 - Não seja sovina. Se usa frequentemente o telemóvel enquanto conduz compre um kit mãos livres. Se duvida da utilidade, recorde-se das estatísticas de mortalidade nas estradas: 56 000 mortos em 25 anos.

10 - Se está a conversar com alguém e tem mesmo de atender o eu telefone, no mínimo peça licença.

Em Portugal, segundo estatísticas recentes, existem mais telemóveis que habitantes !


Humor - um telefonema, um caso real !

"Tinha consulta no ginecologista marcada para essa semana mas tinham ficado de me avisar o dia e a hora.
De manhã cedo, recebo um telefonema da empregada do consultório informando que a minha consulta tinha passado para esse mesmo dia de manhã às 09h30.
Tinha acabado de tratar dos pequenos almoços do meu marido e crianças e ia no momento começar a despachar-me, eram precisamente 08h45 - fiquei em pânico, não tinha um minuto a perder.
Tenho a certeza que sou igual a todas as mulheres e que temos todas muito cuidado e uma particular atenção com a nossa higiene pessoal, principalmente quando vamos ao ginecologista mas, desta vez, eu nem sequer tinha tempo de tomar um duche. Subi as escadas a correr, tirei o pijama, agarrei um toalhete lavado e dobrado que estava em cima da borda da banheira, desdobrei-o e molhei-o passando-o depois, com todo o cuidado, pelas "partes intimas" para ter a certeza que ficavam o mais fresco e lavado possível. Joguei o toalhete no saco da roupa suja, vesti-me e "voei" para o consultório.
Estava na sala de espera havia uns escassos minutos quando me chamaram para fazer o exame. Como já sei o procedimento, deitei-me sem ajuda na marquesa e tentei, como sempre faço, imaginar-me muito longe dali, num lugar assim como nas Caraíbas, ou em qualquer outro lugar lindo e pelo menos a 10.000 Kms daquela marquesa.
Fiquei muito surpreendida quando o meu médico me disse:
"Oh, lá lá, hoje de manhã fez um esforço suplementar mas ficou toda bonita!"
Não percebi muito bem o cumprimento, mas não respondi.
Fui para casa nas calmas e o resto do dia desenrolou-se normalmente, limpei a casa, cozinhei, tive tempo de ler uma revista, etc. Depois da escola, já acabados os seus deveres, a minha filha, de 6 anos, estava preparada para ir brincar quando gritou da casa de banho:
"Mamã! Onde é que está o meu toalhete?"
Gritei de volta que tirasse um toalhete do armário.
Quando me respondeu, juro que o que me passou pela cabeça, foi desaparecer da face da terra, o comentário do médico, martelava na minha cabeça sem descanso. A minha filhinha disse-me só isto:

"Não mamã, eu não quero um toalhete do armário, tenho falta é daquele que estava dobrado na borda da banheira, foi nesse que eu deixei todos os meus brilhantes e as estrelinhas prateadas e douradas!..."
Publicado por: Praia da Claridade às 00:12
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Provérbios portugueses

HOJE  temos  a  LETRA  -A-
  • A ambição cerra o coração.
  • A apressada pergunta, vagarosa resposta.
  • A ave de rapina não canta.
  • A barriga não tem fiador.
  • A boa mão, do Rocim faz cavalo; e a ruim, do Cavalo faz Rocim.
  • A boca do ambicioso só se fecha com terra da sepultura.
  • À boda e a baptizado, não vás sem ser convidado.
  • A cada Bacorinho, vem seu S. Martinho.
  • A cada boca uma sopa.
  • A cadela, com pressa, pariu os cachorros cegos.
  • A campo fraco, Lavrador forte.
  • A caridade começa por nós próprios.
  • A casamento e baptizado, não vás sem ser convidado.
  • A cavalo dado não se olha o dente.
  • A chuva de S. João, bebe o Vinho e come o Pão.
  • A chuva e o frio, metem a Lebre a caminho.
  • A conselho amigo, não feches o postigo.
  • A culpa morreu solteira.
  • A desgraça não marca encontro.
  • A encomenda é igual ao cabaz.
  • A espada e o anel, segundo a mão em que estiverem.
  • A esperança é a última a morrer.
  • A falta do amigo há-de-se conhecer mas não aborrecer.
  • A fama longe soa. E mais depressa a má que a boa.
  • A felicidade é algo que se multiplica quando se divide.
  • A fome é a melhor cozinheira.
  • A fome é boa mostarda.
  • A fome é o melhor tempero.
  • A fome faz sair o lobo do mato.
  • A função faz o órgão.
  • A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha.
  • A galinha que canta como galo corta-se-lhe o gargalo.
  • A gosto danado, o doce é amargo.
  • A ignorância e o vento são do maior atrevimento.
  • A justiça tarda mas não falha.
  • A lã nunca pesou ao carneiro.
  • A Laranja, de manhã é Ouro, de tarde é Prata, e à noite mata.
  • A lei é dura, mas é para se cumprir.
  • A melhor Cozinheira, é a azeiteira.
  • A merda é a mesma, as moscas é que mudam.
  • A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros.
  • A Morte abre a porta da Fama e fecha a da Inveja.
  • A mulher e a pescada, querem-se da mais grada.
  • A mulher e a sardinha, querem-se da mais pequenina.
  • A necessidade aguça o engenho.
  • A necessidade não tem lei.
  • A noite é boa conselheira.
  • A nuvem passa, mas a chuva fica.
  • A ocasião faz o ladrão.
  • A ociosidade é mãe de todos os vícios.
  • A palavra é de prata e o silêncio é de ouro.
  • A pedra e a palavra, não se recolhe depois de deitada.
  • A Pescada de Janeiro, vale um carneiro.
  • A pintura e a peleja, de longe se veja.
  • A pobreza não é vileza, nem a riqueza nobreza.
  • A preguiça é a mãe de todos os vícios.
  • A preguiça morre à sede, andando a boiar.
  • A pressa é inimiga da perfeição.
  • À primeira, qualquer cai. À segunda cai quem quer.
  • A quem do seu foi mau despenseiro, não fies o teu dinheiro.
  • A quem tudo quer saber, nada se lhe diz.
  • A razão e a verdade fogem quando ouvem disputas.
  • A rico não devas e a pobre não prometas.
  • A rir se corrigem os costumes.
  • A roupa suja lava-se em casa.
  • A união faz a força.
  • A uns morrem as vacas, a outros parem os bois.
  • A vaidade é o espelho dos tolos.
  • A valentia com os fracos, só cobardia revela.
  • A ventre farto o mel amarga.
  • A verdade é como o azeite: Vem sempre ao de cima.
  • A vozes loucas, orelhas moucas.
  • Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
  • Abril, Abril, está cheio o covil.
  • Agora é tarde e Inês é morta.
  • Agora, já a gaivota caga na bóia [Já vem tarde].
  • Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta.
  • Água de Fevereiro, mata o Onzeneiro.
  • Água de Julho, no rio não faz barulho.
  • Água detida é má para a bebida.
  • Água do rio corre para o mar.
  • Água e vento são meio sustento.
  • Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
  • Águas da Ascensão, das palhas fazem Grão.
  • Águas passadas não movem moinhos.
  • Águas verdadeiras, por S. Mateus as primeiras.
  • Aí por Sant'ana, limpa a pragana.
  • Ainda que mude a pele a Raposa, seu natural desponja.
  • Ainda que sejas prudente e velho, não desprezes o conselho.
  • Albarda-se o burro à vontade do dono.
  • Alentejanos, algarvios e cães de caça, é tudo da mesma raça.
  • Almoço cedo, faz carne e sebo.
  • Alto mar e não de vento, não promete seguro o tempo.
  • Amarra-se o cavalo, é vontade do dono.
  • Amigo diligente, é melhor que parente.
  • Amigo disfarçado, inimigo dobrado.
  • Amigo não empata amigo.
  • Amigo que não presta e faca que não corta: que se percam, pouco importa.
  • Amigo verdadeiro vale mais do que dinheiro.
  • Amigo, vinho e azeite o mais antigo.
  • Amigos dos meus amigos, meus amigos são.
  • Amigos, amigos, negócios à parte.
  • Amor com amor se paga.
  • Amor de pais não há jamais.
  • Amor e fé nas obras se vê.
  • Amor querido, amor batido.
  • Amores arrufados, amores dobrados.
  • Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar.
  • Ande por onde andar o Verão, há-de vir no S. João.
  • Ano de nevão, ano de pão.
  • Ano de neve, paga o que deve.
  • Antes caia do cu do que do alforge.
  • Antes cegues que mal vejas.
  • Antes martelo que bigorna.
  • Antes mau ano que mau vizinho.
  • Antes minha face com fome amarela, que vergonha nela.
  • Antes que o mal cresça, corta-se-lhe a cabeça.
  • Antes que te cases, vê o que fazes.
  • Antes quebrar que torcer.
  • Antes quero Asno que me leve, que Cavalo que me derrube.
  • Antes só que mal acompanhado.
  • Ao arrendar cantar e ao pagar chorar.
  • Ao bêbado e ao tolo, dá-se o caminho todo.
  • Ao bom amigo, com teu pão e teu vinho.
  • Ao bom pagador não dói o penhor.
  • Ao Diabo e à mulher nunca falta que fazer.
  • Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.
  • Ao homem de esforço a fortuna lhe põe ombro.
  • Ao homem ousado a fortuna dá a mão.
  • Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.
  • Ao pé do pano é que se talha a obra.
  • Ao quinto dia verás que mês terás.
  • Ao rico mil amigos se deparam, ao pobre seus irmãos o desamparam.
  • Ao rico não devas e ao pobre não peças.
  • Aos olhos da inveja todo o sucesso é crime.
  • Apanha com o cajado quem se mete onde não é chamado.
  • Apanham-se mais moscas com mel do que com fel.
  • Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.
  • Aproveite Fevereiro quem folgou em Janeiro.
  • Aquele que me tira do perigo, é meu amigo.
  • Aquilo que sabe bem, ou faz mal ou é pecado.
  • Arco de teixo duro de armar e fraco para disparar.
  • Arco sempre armado, ou frouxo ou quebrado.
  • Arrenda a vinha e o pomar se os queres desgraçar.
  • As aparências iludem.
  • As boas contas fazem os bons amigos.
  • As cadelas apressadas parem cães tortos.
  • As favas, Maio as dá, Maio as leva.
  • As obras falam, as palavras calam.
  • As palavras são como as cerejas, vêm umas atrás das outras.
  • As palavras voam, a escrita fica.
  • As paredes têm ouvidos.
  • As sopas e os amores, os primeiros são os melhores.
  • Até ao lavar dos cestos é vindima.
  • Até ao Natal um saltinho de pardal.
  • Até S. Pedro abre rego e fecha rego.
  • Até S. Pedro o vinho tem medo.
  • Até S. Pedro tem a vinha medo.
  • Atirei no que vi e acertei no que não vi.
  • Atrás de mim virá quem bom de mim fará.
  • Ave que canta demais não sabe fazer o ninho.
  • Ave só não faz ninho.
  • Azeite de cima, mel do meio e vinho do fundo, não enganam o mundo.

    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
     
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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Sábado, 23 de Julho de 2005

Greenwich

Greenwich_e_Cutty Sark.jpg
Greenwich
- Onde o mundo se divide e todos os povos se unem -  'Cutty Sark', a hora da recuperação...
Projecto de conservação aprazado para 2006


Exposto desde a década de 50 em Greenwich, o Cutty Sark, que tem hoje a venerável idade de 136 anos, rapidamente se transformou num objecto turístico de culto, visitado, desde então, por mais de 15 milhões de pessoas. Ao longo dos anos 90, porém, a crescente fragilidade do seu estado tornou evidente que só uma intervenção de fundo poderia impedir o pior desfecho. A hipótese de encerramento em 2007, e inclusive do seu abate, chegou a ser equacionada pelo Cutty Sark Trust, caso não surgissem verbas, necessariamente avultadas, para levar por diante um projecto de recuperação. Uma candidatura a financiamentos do Heritage Lottery Fund (HLF) - que o Reino Unido instituiu em 1994, canalizando parte das verbas do jogo para projectos de conservação de património - acabaria por revelar-se fundamental em Janeiro último, o HLF garantiu o seu apoio ao projecto, com metade dos 25 milhões de libras necessários para o concretizar.

Os pedidos de ajuda mantêm-se, mas, se tudo correr bem, a intervenção será iniciada em Setembro de 2006 e desenvolvida de modo a que o público possa acompanhá-la. No final, o veleiro permanecerá em doca seca, mas num arranjo museográfico radicalmente diferente suspenso, para que o seu casco seja observável e o espaço entretanto liberto utilizado para projectos educativos e zonas de apoio e de lazer.
No global, o projecto de conservação foi gizado para que, num horizonte de 50 anos, o Cutty Sark apenas tenha de submeter-se a pequenas intervenções regulares de manutenção.

-Diário de Notícias-26/06/2005-

Veja as imagens de Greenwich em: http://www.law.missouri.edu/whitman/England/Greenwich/
 

Um simples passeio ao bairro histórico de Greenwich faz o visitante pensar não apenas nas aulas de história, mas nos ponteiros que regem o desenvolvimento do mundo. Nas nações divididas entre oriente e ocidente. Nas conquistas que se deram ao longo dos séculos, nos oceanos, no poder que a natureza exerce sobre os homens. Greenwich é onde o mundo se divide, mas onde os povos se unem para contemplar a natureza e a genialidade dos homens.

Embora ainda existam controvérsias a respeito de quem pensou primeiro nessa história de fuso-horário, foi a Inglaterra o primeiro país a normalizar a hora. No início, as companhias ferroviárias de cidades vizinhas não admitiam que Londres interferisse em suas vidas.
O culpado de tudo foi o canadense Sanford Fleming, um dos engenheiros mais conhecidos do século XIX. Ele decidiu dividir o planeta em 24 fusos horários, cada um correspondendo a 15 graus de longitude e o intervalo de tempo de uma hora começando pelo Meridiano de Greenwich.

É em Londres, no alto de uma montanha, que se costuma dizer que as horas começam. A linha, que antes fazia parte apenas da imaginação de muitos, aqui é concretizada, dando-nos  a noção de divisão entre oriente e ocidente. Visitar Greenwich e não fazer a tradicional foto com um pé em cada lado do globo chega a ser pecado. Um casal de brasileiros, que se deixou fotografar pela coluna, fez questão de seguir a tradição. Na frente do globo, Célia Cristina e Adolfo Nunes. Ocidente e Oriente unidos pelo amor...

Mas para chegar ao Observatório de Londres, quase no fim da peregrinação, é preciso muitas horas livres, disposição e paciência para conhecer os mistérios que envolvem os estudos dos astrónomos. Para chegar a Greenwich de metropolitano, bastam apenas 20 minutos. De autocarro, são 50 minutos e de barco, um passeio inesquecível ao longo do Rio Tamisa que dura cerca de uma hora.

Ao chegar, a primeira vista é do Mercado de Greenwich, assim como em todos os cantos de Londres, um "mix" de produtos de todos os países, com lojas vendendo produtos de segunda-mão, cafés e restaurantes. Então, você atravessa o vilarejo e surpreende-se  com o Cutty Sark, um veleiro que servia para o transporte de chá entre a Inglaterra e a China (diz-se que chegou a pertencer a Portugal),  foi também a última das maiores embarcações construídas na Escócia (1869). Com ele, já se tem ideia do que vem pela frente  -  está transformado num museu. O Centro de Informações ao Turista é um capítulo à parte com mapas, guias, dvd's informativos e exposições. É lá onde britânicos e estrangeiros decidem por onde começar o passeio, que inclui museus e edifícios históricos. Jerry Lee, chinesa de 30 anos, decidiu, antes da lua-de-mel registar alguns momentos deste dia tão feliz no Parque de Greenwich. Saiu da igreja e foi passear, vestida de noiva, com o seu amado e o fotógrafo a "tira-colo".

Cada grama ou traço arquitectónico faz-nos  pensar na importância desse património mundial. Greenwich é o mais antigo parque real de Londres, oferecendo uma vista panorâmica da cidade do topo da montanha, onde fica o Observatório. Entre jardins, árvores, rampas e playgrounds estão diversas atracções que fizeram do lugar um paraíso de importância internacional.

The Old Naval College, por exemplo, permaneceu com a função de escola naval durante 125 anos. Hoje, abriga o salão de artes e uma capela. Ao lado, a Universidade de Greenwich e a Trinity College of Music. No The National Maritime Museum , uma herança das conquistas marinhas da Inglaterra, recriada em galerias que abrigam tesouros e artefactos. No museu, o visitante tem acesso a informações sobre as batalhas navais, famosos brasileiros e exploradores do oceano. The Queen's House, a primeira construção clássica renascentista de Londres, onde a Rainha Anne da Dinamarca tinha seus momentos de prazer ao lado de James I.  A Rainha faleceu antes mesmo da conclusão da obra, que foi concluída em homenagem a Henrietta Maria. É no The Royal Observatory onde está marcada a linha do Meridiano e o zero grau de longitude.

Sem dúvida, um lugar fascinante, onde o visitante chega a pensar que tem todo o tempo do mundo para se entregar às belezas da região. Ninguém se lembra de consultar o seu relógio de pulso. Mas isso não quer dizer que todo o trabalho dos pesquisadores de renome foi em vão.
Por Danielle Rêgo

Publicado por: Praia da Claridade às 00:20
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Carlos Paredes

CarlosParedes02.jpg

Carlos Paredes  
(16 de Fevereiro de 1925  -  23 de Julho de 2004)
Foi um guitarrista e compositor português nascido em Coimbra e filho do também famoso guitarrista Artur Paredes.
É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa.

Há quem lhe chame “O homem dos mil dedos”.

Vida

Carlos Paredes começou a tocar com a idade de 4 anos, e começou a sua carreira aos 11.  Tocou com muitos outros artistas, incluindo Charlie Haden e escreveu fados para Amália Rodrigues. Escreveu muitas músicas para filmes, tendo recebido especial reconhecimento por “Verdes anos” de 1971.

Durante os anos 50 e 60 esteve preso por fazer oposição ao regime ditatorial que vigorava em Portugal. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco, (de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça).

Quando voltou para o local onde trabalhava,  [funcionário do Ministério da Saúde, como administrativo - arquivista de películas - no Hospital de São José, em Lisboa],  uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo:

"Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do Hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!"

Quando os presos políticos foram libertados, eram vistos como heróis, ele sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar, dizia "Que haviam pessoas, que sofreram mais do que ele!".

Uma doença dos nervos  (mielopatia),  impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida.  (a)
Morreu em 23 de Julho de 2004  devido a uma falha renal  -  faz hoje precisamente um ano.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(a)
Em 1993, foi-lhe diagnosticada uma mielopatia, doença que ataca a estrutura óssea (hérnias na medula) e que o impediu de tocar guitarra desde então. Foi internado na Fundação-Lar Nossa Senhora da Saúde, em Campo de Ourique, Lisboa, onde faleceu às seis de manhã.

Carlos Paredes e os ritmos:
"Os ritmos são ditados pela vida. É evidente que o ritmo do homem urbano é o trânsito, as formas da vida, às vezes a imposição de certa música ou filme. É um ritmo em grande parte ditado por uma máquina e, muito justamente, a música ligeira assimila esse ritmo, não pode é ter a pretensão de dar-nos os ritmos africanos, pois esses são ditados pelas necessidades do homem e não da máquina".

Carlos Paredes e a falta de condições de trabalho:
"Durante anos fiz muitos espectáculos, sem receber remuneração, em circunstâncias técnicas bastante difíceis: más aparelhagens, salas sem condições acústicas, e, muitas vezes, ao ar livre, que me deixavam uma sensação desagradável, pouco estimulante para quem quer fazer um disco nas melhores condições de sonoridade".

Carlos Paredes e a profissionalização:
"Não há condições para ser executante de guitarra portuguesa a tempo inteiro, a não ser em casas de fado. Ser um guitarrista de fado exige uma grande especialização, a minha aprendizagem com as guitarra refere-se a outro tipo de especialização. Não existem condições para a profissionalização de um guitarrista do meu género".

"O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele. Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer, morrerá comigo a minha guitarra."

O compositor e músico Carlos Paredes legou duas das suas guitarras à cidade de Coimbra.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:07
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

Holocausto

Nunca mais será esquecido !...

A palavra  Holocausto,  que em grego significa uma oferenda sacrificial completamente (holos) queimada (kaustos), foi cunhada no fim do século XX para designar a tentativa de extermínio de grupos de pessoas consideradas "inconvenientes e indesejadas" pelos Nazistas alemães.

Quando escrito na forma capitalizada, o termo Holocausto refere-se ao extermínio sistemático pelos Nazis, de vários grupos que eles consideraram indesejáveis, durante a Segunda Guerra Mundial: principalmente os Judeus, mas também comunistas, homossexuais, ciganos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros grupos eslavos, activistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e protestantes, sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum. Todos eles pereceram lado a lado nos campos de concentração e de extermínio, de acordo com extensa documentação deixada pelos próprios Nazis (textos e fotografias), testemunhos de sobreviventes, perpetradores e de espectadores, e com registos estatísticos de vários países sob ocupação.
O número exacto de mortes durante o Holocausto é desconhecido (ver Extensão do Holocausto mais abaixo). Estima-se que o número de Judeus assassinados no Holocausto atingiu cerca de 6 Milhões.

Hoje em dia, o termo aparece por vezes utilizado para descrever outras tentativas de genocídio, quer antes quer depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto é usada para qualquer perda de vida preponderantemente massiva e deliberada, como na que resultaria de uma guerra nuclear, falando-se por vezes de "holocausto nuclear".

Shoa, também escrito da forma Shoah, Sho'ah e Shoá, Língua Hebraica para "Calamidade", é o termo hebraico para o Holocausto.
É usado por muitos Judeus e por um número crescente de Cristãos devido ao desconforto teológico com o significado literal da palavra Holocausto; estes grupos acreditam que é teologicamente ofensivo sugerir que os Judeus da Europa foram um sacrifício a Deus. É no entanto reconhecido que a maioria das pessoas que usam o termo Holocausto, não o fazem com essa intenção.

Similarmente, muitas pessoas ciganas usam a palavra Porajmos, significando "Devorar", para descrever a tentativa Nazi do extermínio do grupo.

Perspectiva geral

Um aspecto do Holocausto Nazi que o distingue de outros assassínios colectivos foi o método eficiente e sistemático com que a matança massiva foi conduzida. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e futuramente potenciais, encontraram-se registos meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente, foi feito um esforço considerável ao longo do Holocausto para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas, por exemplo ao mudar do envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz, na chamada Aktion Reinhard.

Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em cada centímetro do território ocupado pelos Nazis, tendo os Judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações Europeias, tendo sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.

Para além das matanças maciças, os Nazis levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um Nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de "Anjo da Morte" pelos prisioneiros de Auschwitz pelas suas experiências cruéis e bizarras.

Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da Guerra. No entanto, numerosos rumores e relatos e testemunhas de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os Judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que levou figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de Judeus na Alemanha.

Campos de concentração e de extermínio

Campos de concentração para "indesejados" espalharam-se por toda a Europa, com novos campos sendo criados perto de centros de densa população "indesejada", frequentemente focando especialmente os Judeus, a elite intelectual polaca, comunistas, ou ciganos.
A maior parte dos campos situava-se na área de Governo Geral.

Campos de concentração para Judeus e outros "indesejados" também existiram na própria Alemanha e apesar de os campos de concentração alemães não terem sido desenhados para o extermínio sistemático - os campos de extermínio situavam-se todos no leste europeu, a maioria na Polónia - muitos prisioneiros dos campos de concentração morreram por causa das más condições ou por execução.

Alguns campos, tais como o de Auschwitz-Birkenau, combinavam trabalho escravo com o extermínio sistemático.

À chegada a estes campos, os prisioneiros eram divididos em dois grupos:  aqueles que eram demasiado fracos para trabalhar eram imediatamente assassinados em câmaras de gás (que por vezes eram disfarçadas de chuveiros) e os seus corpos eram queimados, enquanto que os outros eram primeiro usados como escravos em fábricas e empresas industriais localizadas nas proximidades do campo.

Os Nazis também forçaram alguns prisioneiros a trabalhar na remoção dos cadáveres e na colheita de certos elementos. Dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e cabelos de mulher (raspado das cabeças das vítimas antes de entrarem nas câmaras de gás)  eram reciclados para uso em produtos como tapetes e meias.

Cinco campos ( Belzec, Chelmno, Maly Trostenets, Sobibor, e Treblinka II ) foram usados exclusivamente para o extermínio. Nestes campos, apenas um pequeno número de prisioneiros foi mantido vivo para assegurar a tarefa de desfazer-se dos cadáveres de pessoas assassinadas nas câmaras de gás.

O transporte foi frequentemente levado a cabo em condições horríveis, usando vagões ferroviários de carga, abarrotados e sem quaisquer condições sanitárias.

A organização logística envolvida no transporte ferroviário de milhões de pessoas com registos cuidadosamente catalogados e arquivados foi uma tarefa de um considerável grupo de pessoas pertencentes ao aparelho do partido Nazi.

Judeus

O Anti-Semitismo era comum na Europa dos anos 20 e dos anos 30 do século XX (apesar da história do Anti-Semitismo se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.

A 1 de Abril de 1933, os Nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a Judeus na Alemanha. Esta política ajudou a criar um ambiente de repetidos actos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a Judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.

Em muitas cidades da Europa, os Judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os Nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos Guetos aos quais os Judeus ficavam confinados. Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos Judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos Nazis e seus colaboradores.
Campos de concentração para Judeus existiram na própria Alemanha.
Durante a invasão da União Soviética, mais de 3.000 unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.

Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os Judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da "Solução final da questão judia" (Endlösung der Judenfrage).

O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de Judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou Campo de extermínio: Auschwitz, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.

Eslavos

Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no discurso que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.

A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustashe, na Croácia.

Durante a Operação Barbarrossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de Prisioneiros de Guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extracção eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.

Ciganos

A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial Nazi.

Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os Ciganos serem descendentes dos invasores Arianos (Aryan), que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos (Aryan) que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo Professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:

"Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de descendência indiana, centro-asiática e Europeia."

Como resultado, no entanto, e apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os Judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). Na Europa de Leste, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pelas SS Einsatzgruppen nas suas vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.

Outros

Homosexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. No entanto, o partido Nazi não fez qualquer tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais; de acordo com a lei Nazi, ser homossexual em si não era uma razão de prisão. Alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi eram conhecidos (segundo outros líderes nazis) por serem homossexuais, o que pode explicar o facto de a liderança ter mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros queriam que os deixassem em paz, enquanto que outros queriam a aplicação de leis que proibissem actos homossexuais, mas de resto permitindo aos homossexuais viver tal como os outros cidadãos.

Estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito.
A maioria das estimativas situa-se por volta dos 10.000.

Números mais elevados incluem também aqueles que eram Judeus e homossexuais, ou mesmo Judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registos sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas.

Cerca de 2000 Testemunhas de Jeová pereceram em campos de concentração, para onde foram enviados por razões políticas e ideológicas. Eles recusaram o envolvimento na política, não diziam "Heil Hitler", e não serviam no exército alemão.
A 18 de Agosto de 1941, Adolf Hitler ordenou o fim da eutanásia sistemática dos doentes mentais e deficientes, devido a protestos na Alemanha.

Extensão do Holocausto

O número exacto de pessoas mortas pelo regime Nazi continua a ser objecto de pesquisa. Documentos libertados recentemente do segredo no Reino Unido e na União Soviética indicam que o total pode ser algo superior ao que se acreditava. No entanto, as seguintes estimativas são consideradas muito fiáveis.
  • 5.6 - 6.1 milhões de Judeus
    • dos quais 3.0 - 3.5 milhões de Judeus Polacos
  • 2.5 - 3.5 milhões de Polacos não-Judeus
  • 3.5 - 6 milhões de outros civis eslavos
  • 2.5 - 4 milhões de prisioneiros de Guerra (POW) Soviéticos
  • 1 - 1.5 milhões de dissidentes políticos
  • 200 000 - 800 000 Roma & Sinti
  • 200 000 - 300 000 deficientes
  • 10 000 - 25 000 homossexuais
  • 2 000 Testemunhas de Jeová

 

Os triângulos

Para identificar prisioneiros nos campos de acordo com a sua "ofensa", eles eram requeridos a usar triângulos coloridos nas suas vestes. Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:

 

  • Amarelo: Judeus  -  dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de David, com a palavra "Jude" (Judeu) inscrita; mischlings, i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente Judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
  • Vermelho: Dissidente político, incluindo Comunistas.
  • Verde: Criminoso comum. Criminosos de descendência ariana recebiam frequentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
  • Cor Púrpura: Fundamentalistas religiosos (definidos como as pessoas pertencentes a seitas cristãs cujas doutrinas proíbem a tomada de parte em guerras), entre as quais se destacam as Testemunhas de Jeová
  • Azul: Imigrantes.
  • Castanho: Roma e Sinti (Ciganos)
  • Preto: Lésbicas e "anti-sociais" (alcoólicos e indolentes)
  • Cor-de-rosa: Homossexuais

 

 

  • quantas pessoas foram assassinadas no Holocausto ?
  • quem esteve directamente envolvido na matança ?
  • quem autorizou a matança ?
  • quem sabia sobre a matança ?
  • por que as pessoas participaram directamente, autorizaram ou tacitamente aceitaram a matança?

 

 

Funcionalismo versus Intencionalismo

Um tema frequente nos estudos contemporâneos sobre o Holocausto é a questão de funcionalismo versus intencionalismo. Os intencionalistas acham que o Holocausto foi planeado por Hitler desde o início. Funcionalistas defendem que o Holocausto foi iniciado em 1942 como resultado do falhanço da política Nazi de deportação e das iminentes perdas militares na Rússia. Eles dizem que as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outra literatura Nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos (curiosamente esta foi também a estratégia da argumentação da defesa dos Nazis perante os
Julgamentos de Nuremberga).

Outra controvérsia relacionada foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os Alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que ele acha que teve as suas raízes num Anti-semitismo Alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse Anti-semitismo. No seu livro "A igreja católica e o Holocausto - uma análise sobre culpa e expiação", Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão:  se em vez de frases como "pelos seus pecados os Judeus têm de ser punidos", ou "os Judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os Homens" São Paulo tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista ? Outros afirmam que sendo o Anti-Semitismo inegável na Alemanha, o extermínio foi desconhecido a muitos e teve de ser posto em prática pelo aparelho ditatorial Nazi.

Goldhagen explora também o facto de milhões de Alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.

No entanto, houve alguns casos de Alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos Nazis.  Alemães casados com Judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judaicas sobreviveram.

Revisionistas e negadores

Alguns grupos, referidos normalmente como os negadores do Holocausto, negam que o Holocausto tenha acontecido.
Muitos dos negadores do Holocausto são Neo-Nazis ou Anti-Semitas.

A causa dos negadores beneficiou do facto de muitos Alemães não terem falado sobre os seus feitos na Guerra, por medos de castigo.

O Revisionismo do Holocausto afirma que muito menos que 5-6 milhões de Judeus foram assassinados e que as matanças não foram o resultado da política deliberada dos Nazis. Apesar de revisionistas do Holocausto dizem que apresentam provas documentadas que apoiam as suas teses, críticos afirmam que essas provas são defeituosas, a pesquisa é ilusória e as conclusões pré-determinadas. Muitos afirmam que tal revisionismo é uma forma de Anti-Semitismo e equivalente a negação. Muitos revisionistas afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente "contar a história como deve ser". Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretassem os dados revisionistas como boas notícias.

Teologia do Holocausto

À vista da magnitude do que vimos no Holocausto, muitas pessoas reexaminaram as visões da teologia clássica sobre a bondade de Deus e acções no mundo. Como é que é possível às pessoas continuar a ter fé depois do Holocausto ?

Origem e utilização do termo

A palavra 'Holocausto', da palavra grega holokauston significando "o sacrifício pelo fogo oferecido a Deus", originalmente referindo-se a um sacrifício a que os Judeus eram requeridos pela Torah, e que mais tarde assumiu o significado de catástrofes ou massacres em larga escala. Devido ao significado teológico que a palavra tem, muitos Judeus acham o uso desta palavra problemático, uma vez que poderia implicar que os Judeus foram um sacrifício.

Em vez de Holocausto, muitos Judeus preferem a palavra hebraica Shoah, significando "desolação" ou "calamidade".

Enquanto que hoje em dia o termo 'Holocausto' refere-se normalmente ao mencionado assassínio de Judeus em larga escala, também é usado por vezes para se referir a outras ocorrências de genocídios ou limpezas étnicas.

Ramificações políticas

O Holocausto teve várias ramificações políticas e sociais que se estendem até ao presente.
A necessidade de encontrar um território para muitos refugiados Judeus levou a uma grande imigração para o Mandato Britânico da Palestina, que na sua maior parte se tornou naquilo que é hoje o moderno Estado de Israel. Esta imigração teve um efeito directo nos Árabes da região, algo que é discutido nos artigos sobre o Conflito Israelo-Árabe, o Conflito Israelo-Palestiniano e nos outros artigos ligados a estes.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Interpretações históricas

Como em qualquer acontecimento histórico, os académicos continuam a discutir sobre o que aconteceu exactamente e porquê.

Entre as grandes questões que historiadores tentam responder encontram-se:
Temas:
Publicado por: Praia da Claridade às 00:25
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Humor...

António:

- A minha mulher tem muito medo que lhe roubem os vestidos e os casacos ...

Joaquim:
- Porque é que ela não os põe no seguro?

António:

-  Ela teve uma ideia melhor!... Contratou um tipo para lhos guardar pessoalmente!  Ontem, quando cheguei a casa, encontrei-o de serviço dentro do roupeiro!

"Fernando Bento"
Publicado por: Praia da Claridade às 00:12
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Curiosidades...

Sabia que:

-  Os ouvidos dos gafanhotos se situam por trás dos joelhos dianteiros?

-  O camelo e o orangotango são os únicos mamíferos que não sabem nadar?

-  As aranhas do mar correm sobre o mar como os outros animais sobre a terra?

-  A velocidade de uma bala de uma espingarda é de 800 mts. por segundo?

-  O leite condensado foi inventado pelo americano Gail Borden?

-  A maior flor do mundo é a "raflésia arnoldi" que se cria em Samatra e que o seu diâmetro é como uma roda de um carro?

-  Que as formigas chegam a viver 5 anos, o que é demais para nos arreliarem?

"Fernando Bento"
Publicado por: Praia da Claridade às 00:10
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