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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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09
Jul06

Barco Moliceiro, Moliço e Ovos Moles

Praia da Claridade

 

Barcos Moliceiros atracados na Ria de  Aveiro - Portugal
 
Barcos Moliceiros atracados na Ria de  Aveiro - Portugal
 
 

Moliceiro é o nome dado aos barcos que circulam na Ria de Aveiro, originalmente para a apanha do moliço, mas actualmente mais usados para fins turísticos. É um dos "ex-libris" de Aveiro, em conjunto com os Ovos Moles e a Universidade de Aveiro. De entre os barcos típicos da região, o moliceiro é considerado o mais elegante; apesar da decoração colorida e humorística, é um barco de trabalho.
 
A Ria de Aveiro estende-se, pelo interior, paralelamente ao mar, numa distância de 45 km e com uma largura máxima de 11 km, no sentido Este-Oeste, desde Ovar até Mira. A Ria é o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais que, a partir do século XVI, formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa. Abarca 11.000 hectares, dos quais 6.000 estão permanentemente alagados, desdobra-se em quatro importantes canais ramificados em esteiros que circundam um sem número de ilhas e ilhotes. Nela desaguam o Rio Vouga, o Antuã, o Boco e o Fontão, tendo como única comunicação com o mar um canal que corta o cordão litoral entre a Barra e S. Jacinto, permitindo o acesso ao Porto de Aveiro, de embarcações de grande calado. Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de água, locais de eleição para a prática de todos os desportos náuticos. Ainda que tenha vindo a perder, de ano para ano, a importância que já teve na economia aveirense, a produção de sal, utilizando técnicas milenares, é, ainda, uma das actividades tradicionais mais características de Aveiro.
 
Moliço é o nome dado às plantas aquáticas que são colhidas para serem usadas na agricultura. Esta palavra provém do Latim "mollis", que expressa a qualidade de mole. A designação de moliço é geralmente usada para as plantas vasculares que crescem submersas em água salgada, que em Inglês são designadas por "seagrass", mas pode também ser aplicada às algas que crescem no meio dessas plantas. Um caso diferente é o de outras algas, incluindo algas do género "Sargassus", designadas por sargaço, que eram colhidas na zona de rebentação das praias do norte de Portugal, também para utilização na agricultura. O moliço era particularmente importante na laguna costeira da Ria de Aveiro, situada na costa do norte de Portugal. Ali o moliço era colhido em grandes quantidades, por ancinhos arrastados a partir de um barco moliceiro. As plantas mais abundantes no moliço pertenciam ao género "Zostera", com destaque para "Z.noltii" (cirgo), mas também incluía outras plantas aquáticas tolerantes de água salgada, como são a "Ruppia" e o "Potamogeton". Nos séculos XIX e XX, a colheita de moliço teve um papel importante ao remover nutrientes de plantas da Ria de Aveiro, ajudando a estabilizar esta laguna eutrófica. O barco moliceiro pertence à família de barcos pequenos de origem mediterrânica designados por bateiras. O aspecto mais fascinante deste barco são as pinturas ornamentais, que seguem uma tradição popular bem estabelecida.
 
Ovos Moles é um doce típico da cidade de Aveiro. Doce Regional, tradicional da pastelaria aveirense, cuja fórmula e método de produção original se deve às freiras dos vários conventos aqui existentes até ao século XIX - dominicanas, franciscanas a carmelitas. Extintos os conventos, o fabrico dos ovos moles manteve-se, graças a senhoras educadas pelas referidas freiras. Desde o início da linha de caminho de ferro Porto-Lisboa que é tradicional a sua venda na paragem dos comboios da estação de Aveiro, feita por mulheres usando trajes regionais.
 
A «massa de doce de ovos» é comercializada em barricas de madeira pintadas exteriormente com barcos moliceiros e outros motivos da Ria de Aveiro. Também se apresenta em tacinhas de cerâmica e ainda envolvida em hóstia (massa especial de farinha de trigo), moldada nas mais diversas formas de elementos marinhos, como amêijoas, peixes, bateiras, conchas e búzios, que são passados por uma calda de açúcar para os tornar opacos a dar mais consistência.
 
A massa do doce de ovos usada, embora consistente, é muito cremosa e obtida exclusivamente através de açúcar em ponto e gemas de ovos muito frescos, na sua confecção, não deve ser mexida em círculo (para não ficar estriada), mas aproximando e afastando a colher do operador.
 
Às gemas de ovos, depois de cuidadosamente separadas das claras e misturadas, junta-se cerca de metade do peso de açúcar em ponto, de «estrada» a «bola rija», já frio. Mexendo sempre para o mesmo lado com a colher de pau, evitando os círculos, leva-se ao lume até se ver o fundo da caçarola de cobre.
 

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