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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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18
Abr06

Antero de Quental

Praia da Claridade

 
Antero de Quental



Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - 11 de Setembro de 1891) foi um escritor, político e poeta português. Conferencista no Casino Lisbonense, também chamadas de Conferências do Casino, com a palestra Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. Pertenceu ao grupo da geração de 70.
 
As Conferências do Casino foram uma série de conferências realizadas na Primavera de 1871 em Lisboa. Foram impulsionadas pelo poeta Antero de Quental, que insuflou no chamado Grupo do Cenáculo o entusiasmo para as realizar. Este poeta estava sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon. Este grupo também passou a ser conhecido como Geração de 70. Tratava-se de um grupo de escritores e intelectuais jovens e de vanguarda. As Conferências do Casino, ou Conferências Democráticas do Casino, são uma réplica da anterior Questão Coimbrã (1).
 
 
Notas biográficas
 
Antero de Quental herdou em 1873 uma quantia considerável de dinheiro, o que lhe permitiu viver desafogadamente, dos rendimentos dessa fortuna. Em Julho de 1855 foi estudar em Coimbra. Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1858 e concluiu o curso em Julho de 1864. Em 1865, foi um dos principais envolvidos na polémica conhecida por Questão Coimbrã (1), em que humilhou António Feliciano de Castilho, seu antigo professor e renomeado crítico literário que se tinha por cânone para os escritores nacionais: ao livro "Odes Modernas" de Antero, Castilho respondeu com críticas duras sobre o aventureirismo de um jovem tolo que escrevia de forma assaz estranha e de gosto muito duvidoso. Antero respondeu com o opúsculo "Bom Senso e Bom Gosto", a que definia a sua literatura por oposição à instituída. Ao Ultra-Romantismo decadente, torpe, beato, estupidificante e moralmente degradado, Antero opunha o Realismo, a exposição da vida tal como ela era, das chagas da sociedade, da pobreza, da exploração. Estas preocupações sociais levaram-no a co-fundar o Partido Socialista Português: Antero defendia a poesia como "Voz da Revolução", como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.
 
Em 1866 foi viver em Lisboa, onde trabalhou como tipógrafo. Uma profissão que exerceu também em Paris, em Janeiro e Fevereiro de 1867. Em 1868 regressou a Lisboa, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, entre outros, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Em 1874 adoeceu de psicose maníaco-depressiva, que desde então o afligiu, acabando por suicidar-se.
 
 
Obra
 
>  Sonetos de Antero, 1861
>  Raios de Extinta Luz
>  Primaveras Românticas, 1872
>  Odes Modernas, 1865 (na origem da polémica Questão Coimbrã)
>  Sonetos, 1886
>  Prosas
 
 
(1) - Questão Coimbrã foi o primeiro sinal de renovação ideológica do século XIX entre os defensores do status quo, desactualizados em relação à cultura europeia, e um grupo de jovens escritores estudantes em Coimbra, que tinham assimilado as ideias novas.
 
Castilho tornara-se um padrinho oficial dos escritores mais novos, tais como Ernesto Biester, Tomás Ribeiro ou Pinheiro Chagas. Dispunha de influência e relações que lhe permitiam facilitar a vida literária a muitos estreantes, serviço que estes lhe pagavam em elogios.
 
Em redor de Castilho formou-se assim um grupo em que o academismo e o formalismo vazio das produções literárias correspondia à hipocrisia das relações humanas, e em que todo o realismo desaparecia, grupo que Antero de Quental chamaria de «escola de elogio mútuo». Em 1865, solicitado a apadrinhar com um posfácio o "Poema da Mocidade" de Pinheiro Chagas, Castilho aproveitou a ocasião para, sob a forma de uma "Carta ao Editor António Maria Pereira", censurar um grupo de jovens de Coimbra, que acusava de exibicionismo, de obscuridade propositada e de tratarem temas que nada tinham a ver com a poesia. Os escritores mencionados eram Teófilo Braga, autor dos poemas "Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras", Antero de Quental, que então publicara as "Odes Modernas", e um escritor em prosa, Vieira de Castro, o único que Castilho distinguia.
 
Antero de Quental respondeu numa "Carta" a Castilho, que saiu em folheto. Nela defendia a independência dos jovens escritores; apontava a gravidade da missão dos poetas da época de grandes transformações em curso e a necessidade de eles serem os arautos dos grandes problemas ideológicos da actualidade, e metia a ridículo a futilidade e insignificância da poesia de Castilho.
 
Ao mesmo tempo, Teófilo Braga solidarizava-se com Antero no folheto "Teocracias Literárias", onde afirmava que Castilho devia a celebridade à circunstância de ser cego. Pouco depois Antero desenvolvia as ideias já expostas na Carta a Castilho no folheto "A Dignidade das Letras e Literaturas Oficiais", evidenciando a necessidade de criar, unia literatura que estivesse à altura de tratar os temas mais importantes da actualidade. Seguiram-se intervenções de uma parte e de outra, em que o problema levantado por Antero ficou esquecido. Provocou grande celeuma o tom irreverente com que Antero se dirigiu aos cabelos brancos do velho escritor, e a referência de Teófilo à cegueira dele.
 
Foi isto o que mais impressionou Ramalho Ortigão, que num opúsculo intitulado "A Literatura de Hoje", 1866, censurava aos rapazes as suas inconveniências, ao mesmo tempo que afirmava não saber o que realmente estava em discussão. Este opúsculo deu lugar a um duelo do autor com Antero. Mas outro escrito, este de Camilo Castelo Branco, favorável a Castilho "Vaidades Irritadas e Irritantes" não suscitou reacções. Na realidade nada foi acrescentado aos dois folhetos de Antero durante os longos meses que a polémica durou ainda.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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