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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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03
Abr06

Aristides de Sousa Mendes

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Aristides de Sousa Mendes


Aristides de Sousa Mendes, de seu nome completo Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches (19 de Julho de 1885 - 3 de Abril de 1954) foi um diplomata português. Ele recusou seguir as ordens do seu governo (o regime de Salazar) e concedeu vistos a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940, ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Aristides salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto.
 
Antes de 1940
 
Aristides nasceu em Cabanas de Viriato, pequena vila do distrito de Viseu. Pertenceu a uma família aristocrática com terras, católica, conservadora e monárquica. O seu pai era membro do Supremo Tribunal.
 
Aristides instala-se em Lisboa em 1907 após a Licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra, tal como o seu irmão gémeo. Ambos enveredaram pela carreira diplomática; Aristides ocupará deste modo diversas delegações consulares portuguesas pelo mundo fora: Zanzibar, Brasil, Estados Unidos da América. Em 1929 é nomeado Cônsul-geral em Antuérpia, cargo que ocupa até 1938. O seu empenho na promoção da imagem de Portugal não passa despercebido. É condecorado por duas vezes por Leopoldo III, rei da Bélgica, tendo-o feito oficial da Ordem de Leopoldo e comendador da Ordem da Coroa, a mais alta condecoração belga. Depois de quase 10 anos de serviço na Bélgica, Salazar, presidente do Conselho e ministro dos negócios estrangeiros, nomeia Sousa Mendes cônsul em Bordéus, França.
 
Em 1940, com 55 anos, ele aproxima-se do fim da sua carreira e é pai de 14 filhos. Politicamente nunca se fez notar.
 
A Segunda Guerra Mundial
 
Aristides de Sousa Mendes permanece ainda cônsul de Bordéus quando tem início a Segunda Guerra Mundial, e as tropas de Adolf Hitler avançam rapidamente sobre a França. Salazar manteve a neutralidade de Portugal.
 
Pela Circular 14, Salazar ordena aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusem conferir vistos às seguintes categorias de pessoas: "estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; os apátridas; os Judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos".
 
[ Em Novembro de 1939, o Ministério emitiu a circular 14, que autorizava só aos diplomatas de carreira a concessão de vistos e que os obrigava a consultar a PVDE e o MNE antes de visarem os passaportes de apátridas e russos, dos judeus expulsos dos seus países e de pessoas sem visto dos países de destino e sem garantia de embarque para sair de Portugal. As ordens recebidas do seu próprio Governo impediam Aristides de Sousa Mendes de passar vistos à maior parte dos refugiados, nomeadamente judeus, exilados políticos e cidadãos provenientes de países do Leste Europeu, sob pena de vir a ser castigado.]
 
Entretanto, em 1940, o governo francês refugiou-se temporariamente na cidade, fugindo de Paris antes da chegada das tropas alemãs. Dezenas de milhar de refugiados que fogem do avanço Nazi dirigiram-se a Bordéus. Muitos deles afluem ao consulado português desejando obter um visto de entrada para Portugal ou para os Estados Unidos, onde Sousa Mendes, o cônsul, caso seguisse as instruções do seu governo distribuiria vistos com parcimónia.
 
Já no final de 1939, Sousa Mendes tinha desobedecido às instruções do seu governo e emitido alguns vistos. Entre as pessoas que ele tinha então decidido ajudar encontra-se o Rabino de Antuérpia Jacob Kruger, que lhe faz compreender que há que salvar os refugiados judeus.
 
A 16 de Junho de 1940, Aristides decide entregar um visto a todos os refugiados que o pedirem: "A partir de agora, eu darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião". Com a ajuda das suas crianças e sobrinhos e do rabino Kruger, ele carimba passaportes, assina vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis.
 
Confrontado com os primeiros avisos de Lisboa, ele terá dito: "se há que desobedecer, prefiro que o seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus".
 
Uma vez que Salazar tomara medidas contra o cônsul, Aristides continuou a sua actividade de 20 a 23 de Junho em Bayonne, no escritório de um vice-cônsul estupefacto, e mesmo na presença de dois outros funcionários de Salazar. A 22 de Junho de 1940, a França pediu um armistício à Alemanha Nazi. Mesmo a caminho de Hendaye, Aristides continua a emitir vistos para os refugiados que cruzam com ele a caminho da fronteira, uma vez que a 23 de Junho, Salazar o demitira das suas funções de cônsul.
 
Apesar se terem sido enviado funcionários para trazer Aristides, este lidera com a sua viatura uma coluna de veículos de refugiados e guia-os em direcção à fronteira, onde do lado espanhol não existe qualquer telefone. Por isso mesmo, os guardas fronteiriços não tinham sido ainda avisados da decisão de Madrid de fechar as fronteiras com a França. Sousa Mendes impressiona os guardas aduaneiros, que acabariam por deixar passar todos os refugiados, que com os seus vistos puderam continuar viagem até Portugal.
 
O seu castigo no Portugal de Salazar
 
A 8 de Julho de 1940, Aristides encontra-se regressado a Portugal. Será punido pelo governo de Salazar: ele priva Sousa Mendes, pai de uma família numerosa, do seu emprego diplomático por um ano, diminui em metade o seu salário, antes de o enviar para a reforma. Para além disso, Sousa Mendes perde o direito de exercer a profissão de advogado. A sua licença de condução, emitida no estrangeiro, é-lhe retirada.
 
O cônsul demitido e sua família sobrevivem graças à solidariedade da comunidade judaica de Lisboa, que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos Estados Unidos. Dois dos seus filhos participaram no Desembarque da Normandia.
 
Ele frequentou, juntamente com os seus familiares a cantina da assistência judaica internacional, onde fez impressão pelas suas ricas vestimentas e sua presença. Certo dia, teve de confirmar: "Nós também, nós somos refugiados".
 
Em 1945, Salazar felicitou-se por Portugal ter ajudados os refugiados, recusou-se no entanto a reintegrar Sousa Mendes no corpo diplomático.
 
A sua miséria será ainda maior: venda dos bens, morte de sua esposa em 1948, emigração dos seus filhos, com uma excepção.
 
Aristides de Sousa Mendes faleceu muito pobre a 3 de Abril de 1954 no hospital dos franciscanos em Lisboa. Não possuindo um fato próprio, foi enterrado numa túnica de franciscanos.
 
As pessoas salvas por Aristides
 
Cerca de 30.000 vistos foram emitidos pelo cônsul Sousa Mendes, dos quais 10.000 a refugiados de confissão judaica.
 
Entre aqueles que obtiveram um visto do cônsul português contam-se:
 
Políticos:
 
> Otto de Habsburgo, filho de Carlos, o último imperador da Áustria-Hungria; o príncipe Otto era detestado por Adolf Hitler. Ele escapou com a sua família desde o exílio belga e dirigiu-se aos Estados Unidos onde participou numa campanha para alertar a opinião pública.
 
> Vários ministros do governo belga no exílio.
 
 
Artistas:
 
> Norbert Gingold, pianista.
 
> Charles Oulmont, escritor francês e professor na Universidade de Sorbonne.
 
 
Reconhecimento
 
Em 1966, o Memorial de Yad Vashem (Memorial do Holocausto situado em Jerusalém) em Israel, presta-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de "Justo entre as nações".
 
Em 1987, a República de Portugal inicia o processo de reabilitação de Aristides de Sousa Mendes: ele é condecorado com a Ordem da Liberdade e a sua família recebe as desculpas públicas.
 
Em 1994, o presidente português Mário Soares descerra um busto homenageando o cônsul em Bordéus, bem como uma placa comemorativa na Rua 14 quai Louis-XVIII, o endereço do consulado de Portugal em Bordéus em 1940.
 
Em 1998, 23 anos após a morte de Salazar a República Portuguesa reabilitou oficialmente a memória de Aristides de Sousa Mendes, e condecora-o com a Cruz de Mérito a título póstumo pelas suas acções em Bordéus.
 
Aristides de Sousa Mendes não foi o único funcionário a quem o seu país não perdoou a desobediência apesar dos seus actos de justiça e humanidade na Segunda Guerra Mundial.
 
Entre outros casos conhecidos de figuras que se destacaram pela coragem e humanismo incluem-se o cônsul japonês em Kaunas (Lituânia) Chiune Sugihara e Paul Grüninger, chefe da polícia do cantão suíço de Sankt-Gallen.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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