Domingo, 5 de Fevereiro de 2006

Cinérea: a luz cinzenta da Lua

Cinérea: a luz cinzenta da Lua
Figura 1 - Cinérea: a luz cinzenta da Lua



Você já percebeu como a parte nocturna da superfície lunar apresenta às vezes uma tonalidade cinza (figura 1), em vez de totalmente escura como se poderia esperar que sempre fosse? Como a luz solar não atinge directamente aquela região da Lua, qual seria a origem do brilho estranho e belo ocasionalmente emitido por ela?

Note que o fenómeno da luz cinzenta é percebido melhor nas datas próximas da Lua Nova, quando a maior parte do hemisfério lunar nocturno está voltado para a Terra. Quanto mais o solo lunar diurno aparecer para nós, menor será a intensidade da luz cinzenta do solo lunar nocturno. Isso pode sugerir um ofuscamento de visão, ou seja, o brilho excessivo da Lua poderia fechar as nossas pupilas e não nos deixar ver bem uma luz cinzenta constante. Porém, ao observar através de um telescópio, é possível deixar somente a superfície nocturna da Lua dentro do campo da lente e acabar com o ofuscamento. Neste caso, nota-se facilmente que a luz cinzenta diminui de facto quando a fase da Lua aumenta, o que descarta a possibilidade de ofuscamento.

Para compreender a razão desse fenómeno basta lembrar que nem sempre as nossas noites são escuras. Quando temos a Lua acima do horizonte, à noite, o seu brilho é percebido no solo e, no caso da Lua Cheia, a sua intensidade chega ao ponto de permitir que caminhemos com facilidade e segurança em locais desprovidos de iluminação artificial. Então, imagine o efeito de uma "Terra Cheia" vista por um astronauta que estivesse na superfície nocturna da Lua. Devido ao maior tamanho da Terra, o brilho da "Terra Cheia" visto da Lua é muito superior ao da Lua Cheia que vemos daqui.

Pela ausência de outro corpo celeste próximo para lançar luz sobre a noite lunar, fica evidente que é o reflexo da luz do Sol pela Terra que ilumina um pouco a face escura da Lua. Mas qual a razão da diminuição da luz cinzenta com o aumento da fase lunar?

A resposta é simples: a fase lunar vista da Terra é complementar à fase da Terra vista da Lua e, por isso, quando temos uma Lua Nova, a Terra vista da Lua está cheia, mais brilhante e faz a luz cinzenta ficar mais forte. Conforme a Lua apresenta a nós cada vez mais da sua parte iluminada pelo Sol, a Terra vai minguando para o astronauta e diminuindo o seu brilho. A partir de certo ponto, o brilho que a Terra causa na Lua já não se faz notar facilmente por nós, mas somente pelo astronauta que lá estivesse.

É interessante notar que a luz solar faz três percursos (figura 2) até que seja vista por nós como a luz cinzenta, também chamada de cinérea ou secundária. No primeiro percurso, ela sai do Sol e vem iluminar a Terra. No segundo, ela parte da Terra, reflectida, e vai iluminar a face nocturna da Lua. No terceiro, ela parte da Lua, também por reflexão, e vem até os olhos do observador terrestre nocturno.

A luz solar faz três percursos
Figura 2 - A luz solar faz três percursos


Algumas pessoas percebem a luz cinérea com naturalidade, sem estranhar nem ter a sua curiosidade despertada. Outras ficam curiosas, mas não conseguem descobrir a sua causa. Mas há aquelas que chegam a compreender o fenómeno e explicá-lo com perfeição, como fez o génio Leonardo da Vinci.
Roberto F. Silvestre
Publicado por: Praia da Claridade às 00:14
Link do post | comentar
6 comentários:
De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 21:44
Eu não conseguiria estar muito tempo sem ver a Lua ou o Sol, são para mim muito importantes.Me faz lembrar um bocadinho de um poema de Cecília Meirelles,
beijinho
Aldora

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
aldora
(http://gatinhosvoadores.blogspot.com)
(mailto:aldoramira@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 19:57
Quando me sinto insegura,
procuro o meu silêncio.
Mergulho fundo
dentro de mim mesma,
sentindo uma Luz branca
apossando-se
de todo o meu interior,
trazendo-me
uma Paz indescritível!

É uma comunhão total:
Mente e Coração.
Um renascer maravilhoso!

Deixo-me levar sem pressa,
apenas sentindo o milagre
desse momento único!

Alguns chamam essa prática
de meditação;
outros,
de uma espécie de loucura
e eu chamo de
ORAÇÃO!

Nao se esqueça de passar pelo meu blog e deixar seu lindo perfume!marta
(http://perfumedemulher.blogs.sapo.pt)
(mailto:marta_ribeiro89@hotmail.com)


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 19:53
É um tema muito interessante e o saber não ocupa lugar. Muito obrigado pela visita ao meu blog!Bom domingo.segundavida
(http://segundavida.blogs.sapo.pt/)
(mailto:melo887@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 19:11
Olá Gestor deste Blog. Precisava que me contactasse para o meu endereço de mail; foi o Sr António Cruz (www.figueira.net) quem me recomendou pedir a sua ajuda.
Tenho algumas dúvidas na gestão de um Blog do SAPO e disse-me ser a pessoa indicada para me ajudar.
Aguardo o contacto.
Muito Obrigado.
Henrique Salgado
henrisal@gmail.comHenrique Salgado
</a>
(mailto:henrisal@gmail.com)


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 17:13
NUnca me tinha debruçado sobre este fenómeno! Hoje aprendi mais qualquer coisa...Luisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2006 às 11:54
...é isso mesmo.O que se aprende consigo LOL
Um abraçoVô-Zé
</a>
(mailto:martinsze@oniduo.pt)


Comentar Artigo

FILIPE FREITAS

Pesquisar neste blog

 

Os 50 Artigos mais Recentes

Batalha da Roliça

Revolução dos Cravos

Massacre de Lisboa de 150...

O Alasca foi vendido

Páscoa: este ano é muito ...

Feliz Dia de São Valentim...

Padre António Vieira

Centenário do Regicídio d...

Descoberta da Vacina

Daguerreótipo

Feliz Ano de 2008 !

Lua Azul

Fossa das Marianas

Flor-do-Natal

Calçada da Fama

Beatriz Costa

Frank Sinatra

Tubarão-touro

Miguel de Vasconcelos

Restauração da Independên...

Egas Moniz

Maiores campos de gelo e ...

Tumba de Herodes

A Bela Adormecida na Figu...

Bola de ténis

Qual a cidade mais fria d...

Tautologia

O maior grupo de lagos de...

Macaronésia

Chuva de estrelas

Erupções vulcânicas

Lenda de São Martinho

Mário Viegas

Muro de Berlim

Libelinha

Castanhas

Falha de Santo André

Quinze anos ao telemóvel

Fotografia Aérea com Papa...

Chuva de animais

Pseudo-fruto

Elevador da Glória

1.º avião do mundo

Maçã

Funicular

Amistad

Turbante

O primeiro satélite artif...

José Hermano Saraiva

Masseiras

Arquivos Mensais

Agosto 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Temas

acidentes

açores

actores

alimentação

ambiente

animais

arquitectura

artes

astrologia

astronáutica

astronomia

aves

aviação

brasil

cantinhos de portugal

cantores

capitais

ciências ocultas

civilizações

crustáceos

culinária

curiosidades

desportos

electrónica

energia

fenómenos

festividades

figueira da foz

filosofia

geografia

guerra

história de portugal

história mundial

humor

informática

insectos

lazer

lisboa

literatura

locais sagrados

madeira

máquinas

mar

medicina

medicina natural

mistérios

monumentos

música

natureza

oceanos

palácios

peixes

pensamentos

pessoas célebres

poemas

poetas

religião

relíquias

rios

saúde

superstições

tecnologias

tradições

transportes

turismo

união europeia

todas as tags