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PRAIA DA CLARIDADE

Figueira da Foz - Portugal

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13
Jun05

Fernando Pessoa

Praia da Claridade
TEUS OLHOS

Teus olhos de mulher,
Tão imensos como a noite,
Infinitos como o tempo,
Que, um dia, descuidado,
Descobriu-se enciumado,
Pelo sorriso escancarado
Desses lindos olhos teus.

Teus olhos de mulher.
Tão intensos como o dia,
Têm a vastidão do vento,
Que ao soprar, desavisado,
Confundiu-te com a flor,
Que um dia te ofertaram,
Pelo amor dos olhos teus.


1 - Biografia Sucinta:

Fernando António Nogueira Pessoa,
nasceu aos 13 de Junho de 1888 em Lisboa.
Em seguida à morte do pai, em 1893, sua mãe  casou-se, em 1895, por procuração com João Miguel Rosa, cônsul interino de Portugal em Durban, África do Sul, para onde vai a família no ano de 1896. Ali, Fernando Pessoa, fez os seus primeiros estudos. Devido a esse facto, o inglês converteu-se na sua segunda língua, que utilizou para escrever diversos poemas.
Em 1905 Fernando Pessoa retornou a Lisboa, para se matricular no Curso Superior de Letras, que abandonou um ano depois, motivado por uma greve de estudantes. Em 1907, fundou uma tipografia, que teve vida curta e, em 1908, iniciou a sua actividade como "correspondente estrangeiro".

Em 1913 escreveu a poesia "Pauis" e, em 1914, os primeiros poemas de seus heterónimos (vide comentário abaixo), Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Em 1915 são publicados dois números da revista "Orpheu" e, em 1917, o único número da revista "Portugal Futurista".

Em 1920 conheceu Ofélia, a quem destinou as suas "Cartas de Amor".

Em 1921 Fernando Pessoa publicou os seus "English Poems", e teve início a publicação da revista "Contemporânea", onde Fernando Pessoa colaborou. Entre 1924 e 1925 foram publicados os cinco números da revista "Athena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz. Em 1927, em Coimbra, iniciou-se a publicação da revista "Presença", na qual Fernando Pessoa colaborou.
Em 1932 requereu, em concurso de títulos, o cargo de conservador-bibliotecário do Museu-Biblioteca do Conde de Castro e Guimarães, em Cascais, mas sem sucesso. Em 1934 aparece a "Mensagem", que recebe um prémio do Secretariado de Propaganda Nacional.

Em 30 de Novembro de 1935, faleceu no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, no Bairro Alto, devido a complicações hepáticas.


Depois da morte de Fernando Pessoa foram publicadas suas "Obras Completas", com diferentes nomes:


-Poesias, em 1942, de Fernando Pessoa;
-Poesias, em 1944, de Álvaro de Campos;
-Poemas, em 1946 , de Alberto Caeiro;
-Odes, 1946, de Ricardo Reis;
-Mensagens, 1945
-Poemas Dramáticos
-Poesias Inéditas
-Livro do Desassossego, em 1982, de Bernardo Soares, constituído de aforismos, divagações e fragmentos de seu diário.


2 - Heterónimos


Heterónimo é uma palavra de origem grega que indica "outros nomes". Conceitualmente é diferente de "pseudónimo", visto que este é apenas um "disfarce" do nome de uma pessoa, enquanto aquele, indica diversas personalidades de uma mesma pessoa.
Fernando Pessoa utilizou-se de diversos heterónimos, como Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Alexander Search (que só escrevia em inglês) e outros, cada um com uma tendência distinta, reflectindo a descrença, de Fernando Pessoa numa personalidade integrada, de tal forma que chegou a criar biografias distintas para seus heterónimos.


Ao Volante


Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
me parece, ou me forço um pouco para que pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão parar mas seguir?


Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegado a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,
Sempre , sempre, sempre
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...


Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo!
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestavam, ai de mim, eu próprio sou!


À esquerda o casebre - sim, o casebre - à beira da estrada.
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado,
Que só posso conduzir se nele estiver fechado
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.


À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.

Fernando Pessoa Álvaro Campos

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