Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Egas Moniz

 
António Egas Moniz por volta dos quarenta anos de idade

António Egas Moniz
por volta dos quarenta anos de idade


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António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (Avanca, 29 de Novembro de 1874 — Lisboa, 13 de Dezembro de 1955), foi um notável médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor português. Foi galardoado com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1949, partilhado com Walter Rudolf Hess (1881-1973).
 
Nascido António Caetano de Abreu Freire, faz hoje 133 anos, no seio de uma família aristocrata rural, seu tio e padrinho, o padre Caetano de Pina Resende Abreu Sá Freire, insistiria para que ao apelido fosse adicionado Egas Moniz, em virtude da família descender em linha directa de Egas Moniz, o aio de Dom Afonso Henriques.
 
 
Vida

Formação e actividade académica
 
Completou a instrução primária na Escola do Padre José Ramos e o Curso Liceal no Colégio de S. Fiel, dos Jesuítas. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, onde começou por ser lente substituto, leccionando anatomia e fisiologia. Em 1911 foi transferido para a recém-criada Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa onde foi ocupar a cátedra de neurologia como professor catedrático. Jubilou-se em Fevereiro de 1944.
 
Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. A Angiografia Cerebral, que descobriu após longas experiências com raios X, tornou possível localizar neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras mal-formações no cérebro humano e abriu novos caminhos para a cirurgia cerebral.
 
As suas descobertas clínicas foram reconhecidas pelos grandes neurologistas da época, que admiravam a acuidade das suas análises e observações.
 
 
Actividade política
 
Egas Moniz teve também papel activo na vida política. Foi fundador do Partido Republicano Centrista, dissidência do Partido Evolucionista; apoiou o breve regime de Sidónio Pais, durante o qual exerceu as funções de Embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918); viu entretanto o seu partido fundir-se com o Partido Sidonista. Foi ainda um notável escritor e autor de uma notável obra literária, de onde se destacam as obras "A nossa casa" e "Confidências de um investigador científico".
 
 
Obra
 
Actividade científica
 
Como investigador, Egas Moniz, contando com a preciosa colaboração de Pedro Almeida Lima, gizou duas técnicas: a leucotomia pré-frontal e a angiografia cerebral.
 
 
Prémio Nobel
 
Egas Moniz foi proposto cinco vezes (1928, 1933, 1937, 1944 e 1949) ao Prémio Nobel de Medicina ou Fisiologia, quatro delas sem êxito. A primeira delas acontece alguns meses depois de ter publicado o primeiro artigo sobre a encefalografia arterial e, subsequentemente, ter feito, no Hospital de Necker, em Paris, uma demonstração da técnica encefalográfica. Este imediatismo não era uma coisa absolutamente ridícula pois, na verdade, «a vontade de Alfred Nobel era precisamente a de galardoar trabalhos desenvolvidos no ano anterior ao da atribuição do Prémio» (Cf. Manuel Correia, 2006).
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Doença de Crohn

 
A Doença de Crohn é uma doença crónica inflamatória intestinal, que atinge geralmente o íleo e o cólon (mas pode afectar qualquer parte do tracto gastrointestinal). Muitos danos são causados por células imunológicas que atacam uma ou mais partes dos tecidos do tubo digestivo, mas não há certeza de etiologia autoimune. Os sintomas e tratamentos dependem do doente, mas é comum haver dor abdominal, diarreia, perda de peso e febre. Actualmente não há cura para esta doença, no entanto os tratamentos permitem alívio dos sintomas e melhoria de qualidade de vida.
 
A Doença de Crohn é uma das principais doenças inflamatórias intestinais. A outra é a colite ulcerosa, que difere em vários detalhes. Muitos acreditam que a Doença de Crohn e a colite ulcerosa são duas manifestações extremas de um mesma patologia intestinal subjacente.
 
Epidemiologia
 
A doença atinge particularmente jovens (mais mulheres que homens) com idades entre 10 e 30 anos em países industrializados. A incidência é de 1 caso em 1000 pessoas.
 
Etiologia
 
A etiologia é ainda oficialmente desconhecida. No entanto supõe-se que seja resultado de hiperactividade intestinal do sistema imunitário digestivo por acção de factores ambientais com tendência genética.
 
Julga-se que esse factor ambiental será provavelmente um vírus ou bactéria que desencadeia uma reacção inflamatória descontrolada e inapropriada nas paredes do intestino, que se torna depois independente do agente inicial. A doença cursa com formação de granulomas, uma forma de defesa especifica do sistema imunitário contra algumas bactérias intracelulares ou fungos. Uma teoria que tem sido suportada em alguns estudos ultimamente é a de que o agente desencadeador seja o Mycobacterium avium-complexo. Contudo é importante frisar que apesar de possivelmente desencadeada por um agente infeccioso, a doença é devida a uma desregulação das defesas do próprio indivíduo devido a factores genéticos (alguns genes do MHC) e não será causada pelo micróbio. Em indivíduos sem essa susceptibilidade, esse microorganismo nunca causa a doença.
 
Recentemente (ainda não publicado, há apenas resumo publicado on-line na revista Science em Outubro de 2006), uma equipe de médicos do Canadá e E.U.A. descreveu que mutações no gene IL23R, do cromossoma 1p31 (que codifica uma subunidade do receptor para a interleucina 23) estariam associadas a risco aumentado ou reduzido de desenvolver uma doença inflamatória intestinal. O achado suporta a hipótese de que a DII teria uma base genética para a sua etiologia e indica novas linhas de pesquisa em busca de tratamentos mais eficazes.
 
Sintomas
 
A doença afecta qualquer porção do tracto gastrointestinal, mas é mais comum no íleo terminal (última porção do intestino delgado) e cólon. Aí ocorre formação de granulomas e inflamação em sectores distintos, intercalados de forma bem delimitada por outros completamente saudáveis (ao contrário das lesões difusas na colite ulcerosa-CI).
 
A doença progride com alguns períodos sintomáticos interrompidos por outros sem sintomas. Pode progredir continuamente com deterioração das lesões, ou ser não progressiva, com regeneração das regiões atingidas entre as crises. Metade dos doentes apresenta lesões em ambos ileo e cólon, enquanto 25% apresentam-nas limitadas ao cólon.
 
Os sintomas mais comuns são diarreia e dor abdominal, geralmente à volta do umbigo na região mais baixa à direita (muitas vezes confundida com a apendicite), acompanhada de náuseas e vómitos acompanhados de febre moderada, sensação de distensão abdominal piorada com as refeições, perda de apetite e peso (podem provocar atraso de desenvolvimento e problemas de crescimento em adolescentes), mal-estar geral e cansaço. Nas fezes pode haver eliminação de sangue, muco ou pus.
 
Em alguns casos pode haver aftas, artralgias, eritema nodoso, inflamação nos olhos (conjuntivite secundária), problemas nos vasos sanguíneos (tromboses ou embolias) e deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico.
 
As complicações são possíveis com a repetição das crises: artralgias ou artrite, em alguns casos, abcessos e fístulas (comunicações anormais que facilitam infecções), obstruções intestinais (devido à inflamação ou aderências de partes inflamadas dos intestinos e à fibrosação durante as cicatrizações), cálculos vesiculares (devido a má reabsorção intestinal dos sais biliares). São ainda comuns as fissuras e abcessos anais.
 
Menos frequentemente, pode ocorrer sangramento, perfuração intestinal com peritonite. O cancro do cólon é raro ao contrário do que ocorre na colite ulcerosa.
 
Diagnóstico
 
Radiografias contrastadas do intestino delgado (trânsito intestinal) podem ajudar a apurar o diagnóstico com achados de úlceras, fístulas e obstruções intestinais. O intestino grosso costuma ser examinado por clister baritado ou por colonoscopia.
 
Dois exames de sangue, ASCA e p-ANCA, podem ser usados no diagnóstico da doença, mas não são confirmatórios e são limitados devido ao seu custo elevado. Análises ao sangue permitem ainda verificar se há anemia (que pode indicar sangramento no intestino), e se há uma alta taxa de glóbulos brancos (sinal de infecções algures no corpo). A
TAC é também útil, assim como as biópsias.
 
A distinção com a colite ulcerosa e a eliminação de possíveis diagnósticos alternativos como gastroenterites bacterianas ou parasitárias são importantes na escolha de tratamentos.
 
Tratamento e dieta
 
O tratamento depende da localização, severidade da doença, complicações e resposta aos tratamentos anteriores. Pretende-se reduzir a inflamação, corrigir deficiências nutricionais e aliviar os sintomas. O tratamento pode incluir medicação, complementos nutricionais, cirurgia ou a combinação das três. Os fármacos mais usados são imunodepressores como aminosalicilatos, corticosteróides. A cirurgia com excisão das regiões mais afectadas melhora o prognóstico dos casos mais graves.
 
Não é possível predizer quando ocorrem os sintomas e regressões; um doente necessita de consultas regulares e vigilância médica.
 
Algumas pessoas sofrem de intolerância alimentar, muitas vezes à lactose, comida picante, chocolate, álcool, café, leguminosas e especiarias; assim, o regime alimentar deve ser individualizado. Através de Dietoterapia, pretende-se manter ou aumentar o peso através dos hidratos de carbono de absorção lenta, mas também de gorduras numa quantidade bem tolerada.
 
Os fármacos do grupo dos aminosalicilatos são usados com algum sucesso no seu controlo, mas menos que com a colite ulcerosa.
 
Prognóstico
 
A maioria dos casos é moderado e controlado pela medicação e a vida normal é possível. A taxa de mortalidade é de 15% em 30 anos com a doença. No entanto pode ser muito debilitante para alguns outros, sem provocar a morte.
 
História
 
A primeira descrição cientifica da doença ocorreu em 1913, pelo escocês Dazliel; no entanto só foi largamente reconhecida quando Burrill Crohn e dois colegas descreveram vários casos em 1932.
Fonte: Wikipédia. 
 

  
 
Nota:
Este post não pretende afligir ninguém nem alterar indicações de médicos assistentes. Foi simplesmente para dar a conhecer um pouco desta doença, a partir de elementos disponíveis na Internet. Por isso desejo a quem ler este artigo que seja portador da Doença de Crohn, ou tenha amigos ou familiares com a mesma, os meus sinceros votos de muitas melhoras e de esperança para uma melhor qualidade de vida.
 
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Ecografia ou Ultra-sonografia

 
Ecografia ou Ultra-sonografia 3D
 
 

A ecografia, ou ultra-sonografia, é um método diagnóstico que aproveita o eco produzido pelo som para ver em tempo real as sombras produzidas pelas estruturas e órgãos do organismo. Os aparelhos de ultra-som (frequência superior àquela que o ouvido do ser humano pode perceber, aproximadamente 20.000 Hz) utilizam, em geral, uma frequência próxima de 1 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal piezo-eléctrico que fica em contacto com a pele e recebendo os ecos gerados, que são interpretados através da computação gráfica. Conforme a densidade e composição das estruturas a atenuação e mudança de fase dos sinais emitidos varia, sendo possível a tradução numa escala de cinza, que formará a imagem dos órgãos internos.
 
A ultra-sonografia permite também, através do efeito doppler, conhecer-se o sentido e a velocidade de fluxos sanguíneos. Por não utilizar radiação ionizante, como na radiografia e na tomografia computorizada
, é um método inócuo, barato e ideal para avaliar gestantes e mulheres em idade procriativa.
 
A ultra-sonografia é um dos métodos de diagnóstico por imagem mais versáteis e ubíquos, de aplicação relativamente simples e com baixo custo operacional. A partir dos últimos vinte anos do século XX, o desenvolvimento tecnológico transformou esse método num instrumento poderoso de investigação médica dirigida, exigindo treino constante e uma conduta participativa do usuário.
 
Características
 
Esta modalidade de diagnóstico por imagem apresenta características próprias:
  • É um método não invasivo (não agressivo) ou minimamente invasivo.
  • Apresenta a anatomia em imagens seccionadas, que podem ser adquiridas em qualquer orientação espacial.
  • Não possui efeitos nocivos significativos dentro das especificações de uso diagnóstico na medicina.
  • Não utiliza radiação ionizante.
  • Possibilita o estudo não invasivo da hemodinâmica corporal através do efeito Doppler (1).
  • Permite a aquisição de imagens dinâmicas, praticamente em tempo real, possibilitando estudos do movimento das estruturas corporais.
O método ultra-sonográfico baseia-se no fenómeno de interacção de som e tecidos, ou seja, a partir da transmissão de onda sonora pelo meio, observamos as propriedades mecânicas dos tecidos. Assim, torna-se necessário o conhecimentos dos fundamentos físicos e tecnológicos envolvidos na formação das imagens do modo pelo qual os sinais obtidos por essa técnica são detectados, caracterizados e analisados correctamente, propiciando uma interpretação diagnóstica correcta.
 
Além disso, o desenvolvimento contínuo de novas técnicas, a saber: o mapeamento Doppler, os meios de contraste, os sistemas de processamento de imagens em 3D, as imagens de harmónicas e a elastometria exigem um conhecimento ainda mais amplo dos fenómenos físicos.
 
A ultra-sonografia pode contribuir como auxílio no diagnóstico médico e veterinário, sendo a sua aplicação mais ampla actualmente em seres humanos. Pode acompanhar durante a gravidez o bebé desde seus primórdios ao nascimento, avaliando aspectos morfo-funcionais. Permite ainda a orientação de processos invasivos mesmo antes do nascimento.
 
Interage e auxilia a todas as demais especialidades médicas e cada vez mais se firma como um dos pilares do diagnóstico médico na actualidade.
 
(1) - O efeito Doppler  é uma característica observada nas ondas quando emitidas ou reflectidas por um objecto que está em movimento com relação ao observador. Uma onda, em física, é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

O fígado

 
Fígado posterior
Fígado posterior
 
 
 

O fígado é a segunda maior glândula do corpo humano, localiza-se no canto superior direito do abdómen, sob o diafragma, o seu peso aproximado é cerca de 1,5 kg no homem adulto, e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito. Funciona como glândula exócrina, isto é, liberta secreções em sistema de canais que se abrem numa superfície externa ou interna. Actua também como glândula endócrina, uma vez que também liberta substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.
 
As funções do fígado
 
Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a actividade máxima logo depois da alimentação; isto diminui-lhes  a capacidade de reacção a estímulos externos. Noutras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reacção. A diferença é determinada pelo fígado e pela sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.
 
Entre algumas das funções do fígado, podemos citar:
  • destruição das hemácias
  • emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile, ou bílis
  • armazenamento e libertação de glicose
  • síntese de proteínas do plasma
  • produção de precursores das plaquetas
  • conversão de amónia em ureia
  • purificação quanto a diversas toxinas
Uma fábrica de processamento
 
Além das funções citadas acima, este órgão efectua aproximadamente 220 funções diferentes todas interligadas e correlacionadas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais actividades é a formação e excreção da bile, ou bílis; as células hepáticas produzem em torno de 1,5 litros por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogénio, este conhecido como amido animal, e o seu armazenamento, dá-se nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o sub-produto resulta em ureia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente, existe a elaboração da seroalbumina, da seroglobulina e do fibrinogénio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.
 
O fígado, além de produzir nos seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B. Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem acção antitóxica importante, processando e eliminado os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos.
 
Morfologia
 
Nos humanos, o fígado tem formato de prisma, com ângulos arredondados, dando-lhe aparência ovalizada, a sua coloração é vermelho-escuro, tendendo ao marrom arroxeado, os tecidos que o compõem são de natureza muito frágil. A sua aparência e consistência seguem o padrão de outros animais. A sua localização é na parte mais alta da cavidade abdominal, abaixo do diafragma no hipocôndrio direito. É formado por três superfícies: superior ou diafragmática, inferior ou visceral e posterior.
 
Alguns anatomistas dividem o órgão em dois lobos,ou lóbulos (designação das grandes porções que constituem certos órgãos, tais como os lobos do fígado, do cérebro, etc.): o direito é bem maior que o esquerdo, tendo ainda mais dois lobos bem menores situados entre o direito e o esquerdo. A superfície superior fica imediatamente abaixo do diafragma e o ligamento falciforme divide-a em dois lobos: o direito e o esquerdo. A superfície inferior é plana, dividida por três sulcos, dando uma forma de H. Na parte anterior do sulco direito, encontra-se a vesícula biliar, que é uma bolsa membranosa que armazena bílis; na parte frontal do sulco esquerdo, está situado o ligamento redondo que é uma extensão da veia umbilical.
 
Existe ainda um sulco transverso determinado pelo hilo, que é por onde entram e saem todos os vasos sanguíneos, exceptuando-se as veias hepáticas. Os sulcos dividem a superfície inferior do fígado em quatro lobos: o direito ou quadrilátero; o esquerdo ou triangular; o quadrado, situado na parte da frente do hilo e, por último, o alongado ou na parte posterior também chamado de Spiegel.
 
O fígado tem grande parte da superfície externa revestida pelo peritónio, que forma os ligamentos que o ligam ao abdómen e às vísceras vizinhas. Envolvendo-o, há um invólucro especial, formado pela chamada cápsula de Glisson; esta reveste todo o órgão, sem interrupção, como uma capa, que na parte mais próxima do hilo envolve a artéria hepática, a veia porta, o condutor hepático e os nervos.
 
Embora o tecido hepático seja macio, a cápsula que o recobre é extremamente resistente e diminui a possibilidade de lesões traumáticas. Em caso de ruptura, as consequências são gravíssimas, pois o tecido interno se dilacera, rasga, com grande facilidade.
 
O órgão é constituído por aproximadamente cem mil lóbulos, que são minúsculos agregados celulares formados pelas células hepáticas que se organizam em cordões dispostos em volta da veia chamada de centrolobular. A veia porta contém muitas pequenas ramificações, ligadas às sinusóides, que são espaços compreendidos entre as diversas camadas de células hepáticas.
 
Hematologia e irrigação
 
O fígado é irrigado pela artéria hepática, cuja função é levar sangue arterial oxigenado necessário ao seu metabolismo. O sangue procedente do baço e do intestino vem da veia porta; este é rico em substâncias nutritivas, absorvidas durante a digestão. O sangue é recolhido pela veia centrolobular e conduzido para veias cada vez mais grossas, até chegar à veia supra-hepática.
 
Processamento químico e sub produtos
 
As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lípidos, glicídios, proteínas, vitaminas, etc., vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos sub-produtos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogénio, e novamente convertida em açúcar que é libertado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupfer, que se encontram nos sinusóides, agem sobre as células sanguíneas que já não tem vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina (pigmento biliar de cor amarelo-avermelhado), que é absorvida pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai-se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até ao duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis se vai misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e as suas moléculas penetram na corrente sanguínea. A veia porta conduz estas ao fígado que as combina e recombina, remetendo-as para o resto do organismo.
 
A importância do fígado e seu poder de regeneração
 
Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são importantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sanguíneos que compõem o órgão. Se, em caso de acidente grave e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.
 
Enfermidades
 
Entre as principais enfermidades que acometem ao fígado estão, as Hepatites agudas de etiologia desconhecida, chamadas de hepatites criptogénicas, as hepatites B, C, D e E, as doenças alcoólicas do fígado, as doenças hepáticas tóxicas, as insuficiências hepáticas, as fibroses e cirroses hepáticas, entre outras.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006

O ADN

 
Uma cadeia de ADN
   
Uma cadeia de ADN
 
 

ADN (ou à inglesa, DNA) é o acrónimo ácido desoxirribonucléico (desoxirribonucleico, na ortografia africana e europeia). O acrónimo em inglês DNA significa deoxyribonucleic acid.
 
O ADN é a molécula orgânica que quando transcrita em RNA, tem a capacidade de codificar proteínas. Tem a forma parecida com uma escada espiral cuja disposição dos "degraus"  se dá em quatro partes moleculares diferentes. Esta disposição constitui as chamadas "quatro letras do código genético".
 
 
Origem
 
Presume-se que a Terra ao formar-se de poeira e gases interestelares há mais ou menos 4,6 biliões de anos, no turbilhão que se formava, já continha os elementos que posteriormente seriam a base da vida.
 
Através dos registos fósseis estudados, alguns cientistas afirmam que a vida se desenvolveu em torno de 4 biliões de anos atrás nos oceanos primitivos do planeta. Segundo alguns, a complexidade das primeiras formas vivas era muito menor que qualquer organismo unicelular, que pode ser considerado um ser vivo altamente sofisticado em relação àquelas.
 
Presume-se que em reacções das mais diversas, influenciadas pela luz ultravioleta do Sol, relâmpagos, etc., iniciaram as composições de moléculas bastante simples. Estas eram ricas em hidrogénio procedente da atmosfera primitiva.
 
Com o avançar do tempo, iniciou-se um processo que levou aqueles fragmentos primitivos a combinarem-se e recombinarem, o que gerou moléculas cada vez mais complexas.
 
Os oceanos da Terra assemelhavam-se a um caldo orgânico porém, ainda não eram vivos. À medida em que a complexidade das moléculas aumentava, começaram a surgir algumas que iniciaram um processo grosseiro de se copiarem a si mesmas.
 
Estas eram provavelmente as primeiras ancestrais do ácido desoxirribonucleico, ou ADN (DNA), molécula principal da vida na Terra.
 
 
Vida
 
Cada ser vivo que habita a Terra possui uma codificação diferente de instruções "escritas"  na mesma linguagem no seu ADN. Estas diferenças geram as diferenças orgânicas entre os organismos vivos. O ADN encontra-se no núcleo celular, as quatro partes que formam a figura parecida com uma escada espiral, contém uma estrutura muito parecida a degraus. Estes são chamados nucleotídeos e decifram as instruções hereditárias para a formação dos organismos vivos e compõem os cromossomas, juntamente com proteínas. Mais precisamente, eles formam os genes, pois no longo código genético de cada ADN, registado na sequência das bases nitrogenadas, está implícita a programação de um ou mais caracteres hereditários como a cor dos olhos, da pele, dos cabelos e etc...
 
 
Mutações
 
Uma alteração no código sequencial, gerará uma mutação, e esta dá-se no nucleotídeo, que uma vez copiada para a geração seguinte, causará uma mudança nas características dos seres que descendem daquele que sofreu a mutação.
 
Dependendo da profundidade da alteração, e uma vez que esta é casual, poderá ser letal ao ser vivo primitivo, pois poderá codificar para a existência daquele uma enzima não-funcional, por exemplo.
 
Logo, de mutação em mutação, ao longo de muito tempo, começaram a aparecer algumas modificações que ao invés de serem letais, passaram algumas a ser benéficas, o que facilitou a sobrevivência de alguns organismos ao invés de outros.
 
Uma vez que a possibilidade de uma mutação benéfica é muito pequena, esta foi provavelmente o desencadeante da evolução.
 
 
Evolução
 
Há cerca de quatro biliões de anos, alguns cientistas afirmam que o Planeta Terra era um Jardim do Éden molecular. Ocorriam reproduções de algumas moléculas de forma ineficiente, estas deixavam cópias grosseiras de si mesmas. Desta forma ocorreram as primeiras reproduções, mutações, e eliminações de forma selectiva e casual. As variedades menos eficientes eram eliminadas, as mais eficientes tendiam a aumentar a sua eficiência a cada geração (se é que se pode dizer neste momento o termo "geração"). Portanto, a evolução no início da existência da "vida"  (não se pode afirmar vida ou organismo vivo no momento descrito, mas processo de desenvolvimento que chegará a um organismo) processou-se a nível molecular.
 
Avançando-se no tempo, as moléculas orgânicas foram adquirindo mais e mais funções especializadas, foram-se juntando aos poucos e de forma casual. A princípio, pode dizer-se que estas "colectividades" moleculares formaram algo parecido com o primeiro "ser-vivo"  composto a partir de algum momento por um ADN funcional.
 
 
Composição do ADN
 
O ADN é composto de uma pentose, radicais fosfatos e bases nitrogenadas.
 
As bases em ADN são:

Adenina
-  Guanina
-  Citosina
-  Timina
 
Sendo que Adenina se liga por meio de pontes de hidrogénio à Timina, e a Citosina se liga à Guanina.
 
A Cadeia de ADN apresenta-se enrolada numa estrutura em dupla-hélice que uma vez no núcleo recebe a acção de histonas e se enovela para formar a cromatina.
 
O ADN é encontrado em todos os seres vivos, incluindo os vírus, que ora possuem ADN, ora possuem RNA, porém, rara e recentemente, foi encontrado um vírus que possuía tanto ADN como RNA, ao mesmo tempo.
 
ARN (em inglês, RNA), é a sigla que designa o ácido ribonucleico. A composição do RNA é muito semelhante ao do ADN, contudo apresenta algumas diferenças. O RNA é um polímero de nucleótidos, geralmente em cadeia simples, formado por moléculas de dimensões muito inferiores às do ADN.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Quarta-feira, 29 de Março de 2006

Transplantação de órgãos



Coração


A transplantação de órgãos, não é mais do que o colher de um órgão, ou parte dele, de um ser humano (doador), e na implantação do mesmo noutro indivíduo (receptor).
 
O primeiro dos transplantes que se assume como tal, está imortalizado num quadro de Fra Angélico, onde se observa a intervenção dos santos Cosmo e Damião, ao transplantarem a perna de um etíope negro morto, no diácono Justiniano, enquanto ele dormia.
 
De acordo com os subtipos de transplantações podemos ter:
 
>  Transplantação autoplástica, que ocorre quando se transplantam tecidos do mesmo organismo, de um lugar para outro;
 
>  Transplantação heteroplástica, que é a transplantação de órgãos de um organismo para outro. E por sua vez, esta pode ser homóloga, se a transplantação ocorre entre indivíduos da mesma espécie;
 
>  Transplantação heteróloga ou xenotransplantação, se ocorre entre indivíduos de espécie diferente.
 
 
Princípios éticos
 
Os transplantes reflectem questões éticas relativas à experimentação no corpo humano, às decisões políticas relacionadas com a saúde, e, em sentido mais amplo, questionam os limites do conceito da dignidade humana.
 
Deste modo, existe pois um conjunto de três princípios gerais, nos quais, se incorporam intrinsecamente as questões dos transplantes.
 
O princípio da intangibilidade corporal, que reflecte a pertença do corpo à identidade pessoal, e como tal, merecedor da dignidade e da indisponibilidade inerente à pessoa humana. Desta forma, qualquer intervenção na integridade corporal é simultaneamente uma intervenção na integridade pessoal.
 
O princípio da solidariedade, que defende que sendo o homem um ser eminentemente social e portador da possibilidade de fazer um conjunto de sacrifícios em função do bem da comunidade, que dentro de estes sacrifícios devem incluir-se as dádivas de órgãos. Desde que estas não impliquem comprometimento da integridade vital.
 
O princípio da totalidade, acredita que sendo o corpo um todo, cada parte do mesmo deve ser avaliada de acordo com o todo. E por isso, cada parte (membro, órgão ou função), pode ser sacrificado em função do corpo, desde que isso seja útil para o bem-estar de todo o organismo.
 
Dentro de estes três princípios gerais, insere-se um conjunto de princípios específicos, que se prendem com a medicina das transplantações.
 
Assim, de acordo com o princípio da autonomia, a colheita de tecidos ou órgãos tem de passar pelo consentimento do doador e do receptor. Em ambos os casos, este apresenta-se como um consentimento informado.
 
O indivíduo tem a capacidade de decidir qual a informação sua, que quer manter em anonimato, regendo-se por o princípio da confidencialidade.
 
Através do princípio da gratuidade, o órgão ou tecido apenas poderá ser dado e nunca vendido. Uma vez que este não é um objecto manipulável, mas é antes algo dotado de individualidade própria.
 
Inerente ao conceito de dignidade da pessoa humana, não existe transplantação do encéfalo (embora exista de tecidos cerebrais), bem como dos órgãos sexuais. Isto porque, estas duas situações parecem pisar a fronteira da identidade. Sobretudo, no que diz respeito ao cérebro, em que se preserva a memória da vida, e por isso mesmo se assegura em última instância a individualidade.
 
Por fim, tem de se atender ao princípio da não descriminação, em que a selecção dos receptores só pode ser feita mediante critérios médicos.
 
Relativamente à avaliação moral das transplantações, no que diz respeito às transplantações autoplásticas, estas não oferecem qualquer problema moral desde que seja respeitado o princípio da totalidade. Da mesma forma as transplantações heterólogas são lícitas desde que não impliquem alterações da personalidade.
 
Nas transplantações homoplásticas, não se levantam problemas éticos, quando apenas se trata de uma parte do corpo que não afecta substancialmente o organismo nas suas funções. Porém, quando se trata de doações de órgãos inteiros, o problema assume maior complexidade. Assim, deve assegurar-se que o doador o faça em plena liberdade e devidamente informado dos possíveis riscos, e que as funções essenciais não sofram graves danos.
 
Finalmente, nas transplantações heteroplásticas, deve-se ter em conta os riscos de alteração da personalidade que pode ocorrer no receptor. Pelo que a identidade da pessoa prevalece sobre qualquer utilidade que possa ter a transplantação.
 
 
Perspectiva jurídica
 
Em Portugal
 
Em todas as culturas do mundo, pode assistir-se à existência de problemas éticos relacionados com a prática da Medicina. Porém, os limites éticos e jurídicos decorrentes das intervenções no corpo humano assumem maior relevância, quando se fala de transplantes de órgãos e tecidos de origem humana.
 
Numa perspectiva jurídica, deve atender-se ao direito a um consentimento informado e ao sigilo médico; ao direito do homem sobre o poder do seu próprio corpo; ao direito do receptor recusar o tratamento, mesmo que isso implique a sua morte. Nos casos, em que a colheita é feita em cadáveres, discute-se ainda o direito da família recusar-se à colheita.
 
Em Portugal, a 22 de Abril de 1993, foi publicada a Lei 12/93, lei que regulamenta a Colheita e Transplante de Órgãos e Tecidos de Origem Humana. Esta, legisla em relação à colheita em vida, a admissibilidade, a informação, o consentimento e o direito a assistência e a indemnização. No que diz respeito, à colheita em cadáveres, a lei pronuncia-se relativamente a potenciais dadores, ao registo nacional (RENNDA), à certificação da morte, a formalidades de certificação e aos cuidados a observar na execução da colheita. Em ambas vigora, a confidencialidade e gratuidade da doação.
 
A presente lei confere o anonimato do doador e do receptor, proibindo a revelação da identidade de ambos. Para além disso, a dádiva de órgãos ou tecidos é assumida como gratuita, não devendo nunca ser remunerada e inviabilizando o seu comércio. Relativamente a este ponto, a Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e da Dignidade do Ser Humano face às Aplicações da Biologia e da Medicina, realizada em Oviedo em 1997 e entrando em vigor em Portugal em 2001, refere no seu Capítulo VII (sobre a proibição de obtenção de lucros e utilização de partes do corpo humano), artigo 21º: “O corpo humano e as suas partes não devem ser, enquanto tal, fonte de quaisquer lucros”.
 
A legislação Portuguesa, e à semelhança de qualquer outra, apenas autoriza a colheita em vida de substâncias regeneráveis (art. 6º). Porém, embora esta proibição seja absoluta para menores e outros incapazes, a titulo excepcional é permitida a dádiva de órgãos e substâncias não regeneráveis, sempre que exista uma relação de parentesco até ao terceiro grau. Este tipo de norma restritiva pretende, de algum modo, prevenir a comercialização de órgãos. Que mais tarde é reforçada em 2001, com a Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e da Dignidade do Ser Humano face às Aplicações da Biologia e da Medicina, com o seu capitulo VII, artigo 22º, onde é referido: “Sempre que uma parte do corpo humano tenha sido colhida no decurso de uma intervenção, não poderá ser conservada e utilizada para outro fim que não aquele para que foi colhida e apenas em conformidade com os procedimentos de informação e consentimento adequados”. No entanto, o artigo 6º para além de inviabilizar a solidariedade dúbia, elimina os verdadeiros actos de solidariedade que existem entre cônjuges e amigos.
 
Em relação aos dadores incapazes, está presente a distinção entre menores e incapazes por anomalia psíquica.
 
No que diz respeito, às doações de substâncias regeneráveis nos maiores incapazes por anomalia psíquica, só pode ser feita mediante autorização judicial (art. 8º/5). Para os menores, é suficiente a autorização dos pais ou do tribunal em caso de ausência de poder paternal (art. 8º/3), sem ser necessária uma autorização judicial. Nos menores que apresentam capacidade de discernimento, exige-se somente o seu consentimento expresso, sendo a idade necessária para este tipo de consentimento, os catorze anos de acordo com o Código Penal (art.38º/3). Contudo, este valor não é estático, sendo adaptável ao acto médico em causa.
 
Por fim, os dadores têm o direito de ter um seguro obrigatório (art.9º/2), com o intuito de serem indemnizados por qualquer dano sofrido.
 
Em relação, à colheita de órgãos ou tecidos em cadáveres, a legislação opta por considerar como potenciais dadores quem não tenha manifestado ao Ministério da Saúde a sua qualidade de não dador. Surge assim, a criação do RENNDA (Registo Nacional de Não Dadores). Este é um sistema informatizado, onde se encontram todos os que manifestaram junto do Ministério a sua total ou parcial indisponibilidade em doar post mortem, certos órgãos ou tecidos. O RENNDA está patente na publicação do decreto-lei 244/94, de 26 de Setembro.
 
Esta lei opta deste modo pela oposição ou o contracting/out, ao considerar que têm de ser os não dadores a manifestarem a sua vontade, pelo que alguns autores defendem que assim pode não estar a ser feita a vontade real do cadáver, mas antes a sua vontade presumida.
 
De tudo o que foi referido até então, deve salvaguardar-se que: a transfusão de sangue, a dádiva de óvulos e esperma, a transferência e manipulação de embriões, bem como a colheita de órgãos para fins de investigação científica, são dotados de legislação especial.
 
Em Portugal, a colheita de órgãos ou tecidos está organizada da seguinte forma: ao Governo compete regular a organização e funcionamento do RENNDA. A Lusotransplante é responsável pela monitorização dos resultados, ou seja o “cross-mat” entre dadores/receptores e terapêutica imunológica. E os Gabinetes de Coordenação de Colheitas e Transplantes têm também paralelamente à Lusotransplante toda a coordenação dos diferentes dados.
 
Finalizando, na nossa opinião a Lei 12/93 de 22 de Abril, apresenta duas grandes lacunas: em primeiro lugar, o não fazer qualquer referência à família, como passível de desempenhar um papel na expressão de vontade do falecido. Em segundo lugar, também a ausência de parecer, relativamente às xenotransplantações.
 
Dadores vivos
 
Um dos argumentos mais sólidos contra a doação por parte de estranhos assenta no facto de que a primeira responsabilidade de um médico é não fazer mal, e remover um órgão de uma pessoa saudável coloca-a sempre em risco (Ross, 2002). O argumento falha porque o princípio de não maleficência não é absoluto, ou seja, existem práticas médicas que podem causar um determinado mal ao doente apesar de serem para o seu benefício.
 
Se os benefícios para o dador (psicológicos e morais) ultrapassarem os riscos para o mesmo (físicos e morais) então a doação é moralmente aceitável. O argumento de não maleficência também falha porque tem uma noção de mal muito limitada, ou seja, apenas considera o mal físico. As pessoas também podem sofrer psicologicamente se forem impedidas de doar um órgão.
 
O principal argumento moral que apoia a doação de órgãos por parte de estranhos é baseado no princípio de respeito pela autonomia “Se um adulto competente procura agir de forma altruísta e se oferece para doar um órgão sólido incondicionalmente, e compreende os riscos e benefícios do procedimento, então o seu desejo deve ser respeitado” (Ross, 2002).
 
Apesar de não existirem benefícios físicos para o dador, alguns estudos demonstraram um aumento da auto-estima e sentimentos de bem-estar entre os dadores.
 
Os dadores não aparentados devem ser sujeitos a critérios mais rigorosos. Os dadores familiares devem poder correr mais riscos já que têm mais a ganhar com a doação do que dadores estranhos.
 
A doação por parte de dadores vivos, inicialmente, era limitada aos dadores familiares para reduzir o risco de imuno-rejeição, porém, a terapia imunossupressora permitiu que não só os familiares fossem dadores mas também outras pessoas significativas.
 
Um dos argumentos que apoiam a doação por parte de estranhos é o facto de a procura de órgãos ser muito maior do que a oferta.
 
No entanto, alguns problemas se levantam. Será que o doador compreende os riscos para a sua saúde, conforto e qualidade de vida que podem decorrer da doação? O problema do consentimento informado é que apesar da informação ser dada ao dador, nada nos garante que ele realmente a compreenda na sua totalidade. Ou seja, pode ser difícil para a pessoa transformar dados estatísticos no seu caso particular, e quem nunca se submeteu a uma cirurgia abdominal, por exemplo, pode ter dificuldades em imaginar o pós-operatório ou possíveis consequências na cirurgia na sua qualidade de vida.
 
Deve fornecer-se ao doador toda a informação necessária, ajustada ao seu contexto social, económico, afectivo, etc. Não se deve cingir apenas a informação técnica mas personalizar o conteúdo para aquela situação específica. É então importante que haja a certificação de que a informação foi compreendida pelo dador, que ele está ciente dos riscos que corre. Contudo, deve enfatizar-se o lado positivo da questão, ou seja, o gesto altruísta que ela significa.
 
Se existirem circunstâncias extenuantes, ou seja, possibilidades de predisposição genética para futuras doenças que aumentem o risco da doação, então o doador deve declinar devido ao risco excessivo para a sua saúde. Levinsky (2003) pergunta ”haverá um nível em que o risco do procedimento é tão grande que não devemos submeter voluntários ao mesmo, ainda que estes se movam pelos motivos mais altruístas?”. Kahn (2002) diz que o consentimento não é suficiente, e que existem limites para o risco que qualquer dador deve correr, aparentado ou não. Ou seja, para o autor o aumento do risco faz a balança fugir da aceitabilidade ética e que com determinados níveis de risco nenhum dador devia ser autorizado a doar apesar do seu consentimento.
 
Nos últimos anos tem surgido vários casos de tráfico de órgãos retirados a indivíduos pobres. Estas vendas são obviamente ilegais. Os argumentos contra a venda de órgãos têm a ver com a diluição do altruísmo e a “comercialização” do corpo humano que representa, sendo que estas razões ultrapassam largamente as objecções lógicas e económicas. Não são comuns, porém são inesquecíveis as histórias que nos lembram que a doação de órgãos não é apenas altruísta. (Johnstone, 1994).
 
A declaração da Associação Médica Mundial sobre doação e transplantação de órgãos e tecidos, feita na 52ª Assembleia-Geral em Edimburgo em Outubro de 2000 diz: “O pagamento de órgãos e tecidos para doação e transplantação deve ser proibido. Um incentivo financeiro compromete o voluntariado da escolha e a base altruísta para a doação de órgãos e tecidos. Além disso, o acesso a tratamentos médicos com base na possibilidade de pagamento é inconsistente com os princípios de justiça. Órgãos que se suspeitem ter sido obtidos através de transacções comerciais não devem ser aceites para transplante. A publicidade a órgãos deve ser proibida. Todavia, o reembolso dos custos de procura, transporte, preservação e implantação são permitidos”.
 
Pedro Arroja (1994) assume uma posição diferente, defendendo o princípio de propriedade privada “(...) qualquer pessoa em vida pode oferecer post-mortem os seus órgãos para venda. (...) no princípio da propriedade privada, segundo a qual os órgãos de uma pessoa (como quaisquer outros bens) pertencem post-mortem aos seus herdeiros – e não ao estado, como prevê a lei dos transplantes”. A decisão de doar um órgão deve ser livre de coerção ou manipulação, seja social ou financeira. Segundo a posição do Comité de Ética da Rede Unida para a Partilha de Órgãos (UNOS), os dadores devem doar os órgãos incondicionalmente, sem especificar idade, raça ou género.
 
Dadores mortos
 
Os dadores mais adequados são aqueles cuja causa de morte é a cerebral, em unidades de cuidados intensivos, com menos de 35 anos, ou 40 no caso das mulheres e sem história de doença cardíaca. Os avanços na terapia imunossupressora e nas técnicas de preservação e transporte de órgãos enfatizam o contributo que os mortos podem dar aos vivos. Porém, a procura é maior do que a oferta.
 
As directivas da maior parte dos centros de transplantes sublinham que devem manter-se todos os esforços para salvar a vida do potencial dador, incluindo tratamento de emergência, manutenção da T.A., transfusões de sangue, tentativas de ressuscitação, etc. A declaração de morte cerebral marca uma mudança nas prioridades. Agora, ao invés de tentar salvar aquela vida, tenta preservar-se o melhor possível o corpo para retirar os órgãos. No entanto, apesar da pessoa estar morta ainda há a questão do respeito pelo cadáver. Por exemplo, “É justo usar um cadáver como fonte de “partes suplentes?”  (Johnstone, 1994). É justo subordinar crenças culturais e tradições enraizadas para benefício científico?
 
Os potenciais dadores que se encontram em morte cerebral não são meras “coisas” para serem descartados, mas são seres humanos que ainda são reconhecidos como parte integrante do grupo humano. Apenas porque estão em morte cerebral não deixam de ser a mãe ou o filho de alguém. Como mostra a cultura, as relações não terminam com a morte. Além disso, será que podemos subordinar os interesses do dador aos do receptor? (Evans, 1995). Pode argumentar-se que não temos uma noção clara do que são os interesses de um morto, contudo, existe sempre a noção de respeito.
 
Receptores
 
Os receptores devem receber acompanhamento psicológico no sentido de lhes dar segurança, esclarecer dúvidas acerca da cirurgia, complicações, etc., Só se deve considerar o transplante se houver hipóteses de sucesso clínico. Mas o que se deve considerar “esperança razoável de sucesso clínico”? (Johnstone, 1994). Quais os critérios que definem o sucesso clínico razoável e para quem é que estes são aceitáveis?
 
Ter que viver com um órgão que não nos pertence pode suscitar uma grande variedade de sentimentos. É importante que se faça um ajustamento psíquico para assimilar esta realidade. Segundo Bernardo(1995) “O viver serenamente com, um órgão alheio exige preparação e adaptação psíquica de modo a que não haja conflito a nível do “eu” do sujeito”.
 
Família
 
É frequente surgirem fenómenos de transferência nas famílias, essencialmente, de dadores mortos. Assim é importante salvaguardar a identidade do receptor, uma vez que estes fenómenos da transferência de afectividade e emoções podem ter consequências imprevisíveis e nefastas.
 
Da mesma forma, também o receptor não deve ter acesso à identidade do dador. Pode discutir-se que o facto da família do dador conhecer o receptor e ver que os efeitos do transplante podia ser benéfico para esta, porém os riscos de transferência afectiva sobrepõem-se às vantagens que isto poderia oferecer. O facto de o receptor conhecer dados biológicos do dador poderá também ter efeitos negativos. A família do dador atravessa uma situação afectiva bastante intensa que poderá variar consoante o quadro do dador.
 
Em caso de morte eminente há uma mistura de sentimentos que podem inclusive chegar a ser contraditórios.
 
A lei portuguesa não atribui poder de decisão à família em relação à doação de órgãos, apenas em casos de menores e incapazes. Nestes casos, para a família tomar uma decisão, é absolutamente necessário que esteja na posse de informação acessível no sentido desta poder ponderar com maior clareza.
 
Técnicos
 
A equipe de transplantes tem a obrigação moral de providenciar órgãos nas melhores condições possíveis (Evans, 1995).
 
Os técnicos devem recusar retirar um órgão se esse procedimento constituir um risco de morbilidade ou mortalidade para o doador, como por exemplo retirar os dois rins ou o coração.
 
A equipe de transplantes deve impor limites mais rígidos à doação por parte de estranhos, já que esta, partilha responsabilidades morais na decisão. (Ross, 2002).
 
A profissão de enfermagem tem a obrigação moral de confrontar e lidar com as questões ético-legais de transplante que podem representar uma ameaça séria à integridade da prática holística da enfermagem (Johnstone, 1994).
 
Conceito de morte cerebral
 
Ao realizar-se a recolha de órgãos e tecidos é necessário ter em consideração, o consentimento / dissentimento, o Princípio da Confidencialidade do dador e receptor e o reconhecimento que a morte se define como morte do tronco cerebral.
 
Desde o século XVII que a paragem cárdio-respiratória e cerebral eram sinónimo de morte, entendia-se que a inactividade do coração levava à disfunção dos outros dois órgãos. Nos anos 50 desenvolveram-se técnicas que permitiram o suporte artificial das funções vitais. Assim, em 1957, o Papa Pio XII sugere que se incrementem debates éticos relativamente a esta situação.
 
Deste modo a medicina definiu morte sustentada em critérios cerebrais, já que a ausência de batimentos cardíacos e da respiração se encontram camuflados pela tecnologia de suporte avançado de vida.
 
O conceito de morte cerebral suscita alguma discussão. Alguns defendem que esta definição surge em resposta à necessidade de aumentar o número de dadores, sendo considerada, unicamente, como um objectivo utilitarista. Outros defendem que os objectivos são de carácter humanitário e equitativo. Perante esta conflitualidade, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida elaborou o parecer 10/CNEVC/95, referindo que o diagnóstico clínico de morte implica uma avaliação científica e ética que comprove a irreversibilidade das funções do tronco cerebral. As razões que justificam a adopção deste critério são as seguintes:
 
só as funções do tronco cerebral permitem o funcionamento do corpo como um todo;
>  a avaliação da irreversibilidade nos utentes inconscientes é rápida e segura;
>  o tronco cerebral não pode ser submetido a prótese ou transplantes;
 
 
O parecer acrescenta ainda que os critérios para declarar a morte de dadores são iguais aos não dadores, de modo a manter a consistência e o respeito pelos mortos e familiares.
 
A declaração da Ordem dos Médicos prevista no artigo 12º da Lei nº12/93 de 22 de Abril, institui as considerações prévias, para definir o diagnóstico:
 
>  conhecimento da causa e irreversibilidade da situação clínica;
>  estado de coma com ausência de resposta motora à estimulação dolorosa na área dos pares cranianos;
>  ausência de respiração espontânea;
>  constatação de estabilidade hemodinâmica e da ausência de hipotermia, alterações endocrino-metabólicas que possam levar ao estado de coma.
 
 
Para a confirmação do diagnóstico o utente deverá apresentar atonia muscular e ausência de toda a actividade reflexa a nível cerebral.
 
A verificação é realizada, no mínimo, por dois conjuntos de provas com intervalo adequado à situação clínica e à idade, executadas por dois médicos especialistas que não pertencem à equipa de transplantação e pelo menos um não pertence à unidade em que o doente está internado, isto para impedir que os médicos sejam sujeitos a conflitos éticos. Sempre que necessário são realizados exames complementares.
 
Esta metodologia permite “que alguém considerado morto como pessoa, permaneça com actividade biológica e sejam os órgãos vitais mantidos em condições favoráveis para serem transplantados.” (Nunes, M., Luz, P., 1998).
 
Intervenções de Enfermagem
 
Para o envolvimento de qualquer profissional de enfermagem quer com o dador ou o receptor é necessário conhecimentos sobre os direitos humanos, ética e legislação sobre a morte cerebral e doação de órgãos. As dimensões culturais, psicológicas e religiosas envolvidas neste processo não podem ser subestimadas. As actividades realizadas pelos profissionais de enfermagem são carregadas de emoções e sentimentos como insegurança, angústia, pena, medo e raiva (Albertina Coimbra et. al., 19--). Os profissionais percebem a importância de realizar as actividades que são da sua competência e não querem “fugir” às suas responsabilidades, mas também necessitam de apoio e de arranjar estratégias para lidar com os seus conflitos internos (Albertina Coimbra et. al., 19--).
 
Começaremos por referir o papel do enfermeiro na equipa de doação de órgãos e seus sentimentos perante a morte cerebral, visto o enfermeiro ser o profissional de saúde mais próximo do dador e respectiva família. A família é um elemento importante neste processo, mentir-lhe ou transmitir-lhe falsas esperanças não é solução, visto o enfermeiro ter investido no doente e família enquanto vivo, e por isso, perceber a dinâmica, cultura e o seu contexto, é o profissional mais apto para envolver a família neste processo adequando a informação às necessidades da família, bem como apoiá-la emocionalmente, trabalhar o luto e o processo seguinte.
 
Um dos factores referidos que puderam contribuir para a desmotivação e angústia da equipa de enfermagem é o facto de a equipa de saúde que cuida do dador não ter qualquer informação sobre o destino do órgão e do receptor – se a transplantação teve sucesso. Estes profissionais acabam por lidar apenas com a morte, desconhecendo as repercussões a curto prazo da mesma, o seu “fim nobre”, a “magnanimidade do acto” (Albertina Coimbra et. al., 19--).
 
Uma solução para este problema seria a possibilidade da equipa de enfermagem poder entrar em contacto com a pessoa que irá receber o transplante e ter conhecimento do sucesso do mesmo, bem como do seu contributo para a qualidade de vida do receptor (Albertina Coimbra et. al., 19--).
 
Outra das causas geradora dos sentimentos negativos acima referidos é a ambiguidade como é declarada a morte cerebral, tendo sido referido que “nem sempre há consenso entre as especialidades”, além das dúvidas suscitadas pela forma como é escolhido o dador e a própria declaração de morte cerebral. Neste caso a formação e esclarecimento da equipa envolvente era uma mais valia, bem como reuniões periódicas multidisciplinares em que os profissionais pudessem verbalizar os seus sentimentos e partilhar experiências (Albertina Coimbra et. al., 1995).
 
Para perceber a dualidade de sentimentos dos enfermeiros é importante perceber as suas funções e actividades que envolvem o cuidar da pessoa antes de ser dador, começa por tratar de um ser vivo com quem estabelece uma relação e as suas funções visam a sua sobrevivência, em que numa fase seguinte tem de “parar de tratar um vivo para começar a preparar um morto para doação” (Albertina Coimbra et. al., 1995).
 
O enfermeiro na equipa de transplantes, apesar de a decisão, a indicação e a execução de transplantes não serem competências de enfermagem, o seu papel não é menos importante pois o transplante de órgãos exige não só conhecimento técnico (teórico-prático) como também da cultura e religião das pessoas envolvidas de forma a adequar as suas intervenções para que todos sejam beneficiados.
 
Ao longo de todo este processo tanto para o dador como para o receptor é essencial perceber e tomar em consideração os factores culturais para a elaboração de programas educativos eficazes sobre as particularidades da morte cerebral, doação de órgãos e transplantes. Existem mitos e crenças sobre estes temas que com a respectiva informação e desmistificação poderão ser esclarecidas, havendo uma adesão consciente e informada a este processo, ou o contrário, – é essencial a pessoa estar informada para optar (A. S. Daare e P. Marshall, 19--).
 
Perspectiva religiosa e cultural
 
Começaremos pela questão da morte. A morte cerebral bem como a doação de órgãos é aceite pelo hinduísmo, cristianismo e islamismo. Os japoneses são resistentes à ideia de morte cerebral, sendo uma das causas respeitante ao destino da pessoa após a morte, está relacionada com a mutilação do corpo e a impureza associada ao corpo morto. O hinduísmo, apesar da sua posição na matéria utilizando como argumento a ajuda ao outro e a teoria do Karma, as suas tradições como a cremação do corpo completo e a ideia de que o corpo é intocável poderiam ser utilizadas como argumentos contra a colheita de órgãos. O budismo que considera a vida como uma ilusão e a morte com um fim provisório, dando pouca importância ao corpo depois da morte, não apresentando argumentos contra o transplante e recolha de órgãos (A.S. Daare, P. Marshall, 19--).
 
Em relação à religião judaica, mesmo os ortodoxos apoiam estes actos médicos, tendo apenas com exigência que na colheita feita em cadáver, a morte tenha sido determinada de acordo com a Halachá – e que o órgão seja utilizado de imediato, não é permitido a doação para o banco de órgãos.
 
No islamismo, a importância do corpo leva certas correntes a recusar as colheitas de cadáveres por a integridade corporal ser conditio sine qua non para o acesso à vida eterna (Luís Archer, Jorge Biscaia, Walter Osswald, 1996).
 
Apesar de serem contra a transfusão de sangue, a testemunha de Jeová não é contra o transplante de órgãos. A igreja Anglicana “apoia tudo que preserve a vida que foi criada por Deus” (Reverendo Abmael), se na Bíblia nada indica que Deus é contra o transplante de órgãos, então a igreja não é contra.
 
A transplantação de órgãos, nomeadamente a sua aceitação, o consentimento de doação, a organização do programa de transplantação, o tipo de transplantes realizados e o resultado, dependem em parte de considerações culturais. O sentido simbólico de certos órgãos, especificamente o coração, pode ser obstáculo ao transplante (A.S. Daare, P. Marshall, 19--).
 
O mesmo acontece com o comércio de órgãos, existe uma “zona cinzenta” na fronteira que separa a doação da venda, é importante perceber as circunstâncias em que se realizam as transacções. Na república islâmica do Irão existe um vasto programa que define as formas de compensação financeiras julgadas culturalmente aceites quando uma pessoa viva faz a doação de um dos seus rins a uma pessoa que não seja um familiar, os argumentos que defendem esta via são, entre eles o facto de não haver intermediários, os dadores terão de se submeter a um teste psicológico, as remunerações são fixas, os dadores são aconselhados sobre a forma de investirem o dinheiro recebido e são cobertos por um seguro de doença durante os três anos seguidos da doação (A.S. Daare, P. Marshall, 19--).
 
Nos Estados Unidos foi proposto a criação de um mercado a termo fixo de órgãos colhidos em cadáveres, o que foi aceite pelas associações médicas. Na Filadélfia é oferecido um prémio pela doação de órgãos às famílias de pessoas recentemente mortas.
 
Na Índia, apenas recentemente foi adoptada uma lei sobre o transplante de órgãos humanos que visa abolir o comércio de órgãos e facilitar a colheita em cadáveres, instituindo o princípio da morte cerebral (A.S. Daare, P. Marshall, 19--).
 
Em relação à posição de diversos líderes religiosos, o islamismo autoriza a remuneração em circunstâncias bem definidas e eruditos da religião judaica afirmam não encontrarem obstáculos à concessão de uma compensação (A.S. Daare, P. Marshall, 19--).
 
Esta é uma questão complexa que deve ser analisada tendo em conta os parâmetros culturais, políticos e económicos.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

A osteoporose

Osteoporose02.jpg

O Dia Mundial da Osteoporose
é celebrado em todo o mundo no dia 20 de Outubro.


O QUE É

É uma doença que atinge os ossos. Ocorre quando a quantidade de massa óssea diminui substancialmente e desenvolve ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fracturas. Faz parte do processo normal de envelhecimento e é mais comum em mulheres que em homens. A doença progride lentamente e raramente apresenta sintomas.
Se não forem feitos exames...
Aconselhe-se com o seu médico.
 
 
Coluna
 
As pessoas idosas podem fracturar as vértebras da coluna com frequência. A chamada corcunda de viúva é uma deformação comum e pode até levar à diminuição de tamanho do doente.
 
Pulso
 
Por ser um ponto de apoio, é uma área na qual as fracturas acontecem normalmente. Os ossos sensíveis têm pouca estrutura para sustentar o peso do corpo quando cai.

Quadril

Outro ponto fraco entre os que têm a doença. As fracturas de bacia são difíceis de cicatrizar e podem levar à invalidez. Estudos mostram que em torno de 50% dos que fracturam o quadril não conseguem mais andar sozinhos.
 
Fémur
 
Também muito comum entre os que desenvolvem a doença. É frequente tanto em homens quanto em mulheres, principalmente depois dos 65 anos. A recuperação costuma ser lenta.
 
 
A MASSA ÓSSEA
 
O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis hormonais do organismo. O estrogénio - hormonas femininas, também presente nos homens, mas em menor quantidade - ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea.
 
As mulheres
 
São as mais atingidas pela doença. Na menopausa, os níveis de estrogénio caem bruscamente. Com isso, os ossos passam a incorporar menos cálcio (fundamental na formação do osso), tornando-se mais frágeis. Para cada quatro mulheres, um homem desenvolve o mal.
 
 
SINTOMAS
 
A doença progride lentamente e raramente apresenta sintomas. Se não forem feitos exames sanguíneos e de massa óssea, é percebida apenas quando surgem as primeiras fracturas, acompanhadas de dores agudas. A osteoporose pode, também, provocar deformidades e reduzir a estatura do doente.
 
 
QUEM TEM MAIS RISCO DE DESENVOLVER A DOENÇA

-  Mulheres.
-  Pessoas de raça branca.
-  Fumadores.
-  Os que consomem álcool ou café em excesso.
-  Diabéticos.
-  Os que se exercitam em excesso.
 
 
OSSO NORMAL

Embora pareçam estruturas inactivas, os ossos modificam-se ao longo da vida. O organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos.
Esse processo depende de vários factores como: genética, boa nutrição, manutenção de bons níveis de hormonas e prática regular de exercícios.
 
As células ósseas
 
Os osteócitos são células responsáveis pela formação do colagénio, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.
 
 
O OSSO COM OSTEOPOROSE
 
A densidade mineral (de cálcio) é reduzida de 65% para 35% quando a doença se instala. O canal medular central do osso torna-se mais largo. Com a progressão da osteoporose, os ossos podem ficar esburacados e quebradiços.
 
As células ósseas doentes
 
Com a osteoporose, o colagénio e os depósitos minerais são desfeitos muito rapidamente e a formação do osso torna-se mais lenta. Com menos colagénio, surgem espaços vazios que enfraquecem o osso.
 
 
PREVENÇÃO
 
Fazer exercícios físicos regularmente. Actividades desportivas aeróbias são as mais recomendadas.
 
Dieta com alimentos ricos em cálcio - como leite e derivados; verduras, como brócolos e repolho, camarão, salmão e ostra.
 
A reposição hormonal do estrogénio em mulheres na menopausa consegue evitar a osteoporose.
 
 
TRATAMENTO
 
Reposição hormonal
 
Importante tanto durante a prevenção quanto durante o tratamento.
O estrogénio reduz o risco de fracturas em mulheres com osteoporose.
 
Administração de cálcio
 
Para quem já tem a doença, o cálcio pode ser dado em dosagens de 1 mil miligrama a 1,5 mil miligramas por dia, com recomendação médica.
 
Calcitina
 
É uma hormona que tem a função de evitar que o cálcio saia dos ossos. Decresce assim o processo de corrosão que a doença provoca no osso.
 
Para estar ciente do que deve fazer, consulte o seu médico.
 
A densitometria óssea é avaliação do grau da osteoporose.

Fonte: Wikipédia.
 

Publicado por: Praia da Claridade às 00:13
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2005

Dia Mundial da Doença de Parkinson

  
A Doença de Parkinson
  
Recortes de publicações e ...
... uma homenagem ao Papa João Paulo II,
falecido no último dia 2, e que sofria imenso com este problema.
 
 
"Recorde-se que neste mesmo dia, 11 de Abril do ano de 1755, nasceu James Parkinson, o médico inglês que em 1817, pela primeira vez, identificou e descreveu os sintomas da doença, a qual, por esse motivo, recebeu o seu nome."
 
"A doença de Parkinson é do foro neurológico, sendo crónica, de evolução lenta e progressiva, na qual se perdem os mensageiros químicos produzidos pelo cérebro, responsáveis pelo controlo dos movimentos. Daí ser classificada entre as chamadas «doenças do movimento»."
 
"A doença de Parkinson pode ser considerada uma das mais complexas desordens neurológicas, atinge aproximadamente 1% da população acima dos 60 anos. É uma doença do sistema nervoso central, que afecta as zonas do cérebro encarregadas do controle e da coordenação do movimento, do tónus muscular e da postura. A lentidão de movimentos e a falta de expressão facial são algumas das características iniciais."
 
"Quando os tremores começam, eles ficam mais evidentes em posição de descanso e em repouso. Levantar-se ou sentar-se numa cadeira ou na cama começa a ser feito com dificuldade e lentidão. Durante a marcha, os passos ficam curtos e arrastados e a cabeça tende a se abaixar, o que provoca a curvatura acentuada dos ombros e um desequilíbrio geral que pode causar quedas frequentes e perigosas."
 
"Em 1817, o médico inglês James Parkinson foi o primeiro a descrever a enfermidade, como uma doença que causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio e alterações na fala e na escrita, tendo escrito um livro que se tornou um clássico com o nome de 'Tratado sobre a paralisia agitante'."
 
"O mal de Parkinson pode aparecer em qualquer idade, mas é mais frequente a partir dos 60 anos, com uma incidência um pouco maior entre os homens."
 
"É importante que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível para que o paciente possa receber, e quando antes, os remédios que conseguem atrasar as primeiras manifestações do mal de Parkinson e, por isso, a ciência médica procura indicadores biológicos eficazes para identificar a doença antes dos primeiros sintomas."
 
"Um dos exemplos de luta contra o mal de Parkinson, além do papa João Paulo II, é o ex-campeão mundial de boxe Muhammad Ali, que sofre da doença há mais de vinte anos e tem uma família que entendeu perfeitamente a importância do apoio afectivo e social."
 
"A filha do lendário boxeador, Rasheda Ali, tornou-se uma activista na luta contra o mal de Parkinson, e escreveu um livro dedicado a seu pai que será distribuído no mundo todo."
 
"O livro "I'll Hold Your Hand So You Won't Fall" (Eu segurarei sua mão para você não cair) é um guia do mal de Parkinson para crianças, em que Rasheda conta a experiência dos seus filhos com seu pai e de como aprenderam a comunicar com o seu avô e entender as suas dificuldades."
 
"A melhoria na vida de quem tem o mal de Parkinson inclui uma boa educação sobre como conviver melhor com as incapacidades e uma rede social formada pela família e amigos que evitem o isolamento e que o doente se sinta perfeitamente bem e descontraído com aquilo que o rodeia, para evitar o mais possível a alteração do seu sistema nervoso, pois ficará seriamente prejudicado e com consequências imprevisíveis."
 
"Os critérios de selecção para uma cirurgia são muito rigorosos - por exemplo, não é indicada em idosos -, calculando-se que possa apenas beneficiar cerca de 1500 dos perto de 20 mil doentes existentes em Portugal. Por outro lado, esta intervenção implica grandes custos financeiros - cada neuroestimulador poderá custar mais de 20 mil euros. São necessários dois..."
 
"A cirurgia de Parkinson é uma das mais recentes esperanças para doentes de Parkinson. Trata-se de uma cirurgia complicada e demorada, durante a qual são introduzidos na base do cérebro dois eléctrodos que serão depois estimulados exteriormente. A cirurgia é feita com o doente acordado, de forma a que os especialistas possam ver como reage à estimulação. Depois é implantado um neuroestimulador (tipo pace-maker) na região subclavicular, que irá estar ligado aos eléctrodos, aos quais envia estímulos que vão alterar situações de tremores ou rigidez características destes doentes, que os impedem de ser auto-suficientes na sua vida diária."
 
"A doença Parkinson é caracterizada pela morte de neurónios que produzem a dopamina necessária para o funcionamento do circuito motor e execução dos movimentos. Quando a dopamina não é produzida naturalmente, há que ministrá-la sob a forma de comprimidos, mas estes, após um período mais ou menos longo de administração, podem revelar efeitos secundários."
 
"A doença de Parkinson, uma patologia que afectou o
Papa João Paulo II, afecta entre 15 a 20 mil pessoas em Portugal. Segundo a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson
(APDP), a faixa etária mais atingida situa-se entre os 50 e 70 anos, com o pico aos 60 anos, e a incidência da doença é ligeiramente maior nos homens do que nas mulheres. A doença de Parkinson - um desequilíbrio do sistema nervoso central que afecta milhares de pessoas - foi descrita pela primeira vez em 1817, por James Parkinson, e está associada aos idosos, mas os actuais meios de diagnóstico permitem detectar a doença cada vez mais cedo. A doença, crónica, surge mais a partir dos 55 anos, mas o crescimento da esperança de vida faz prever o aumento do número de casos. Alguns dos seus sintomas são os distúrbios de movimento, o tremor, a rigidez muscular, alterações da marcha e do equilíbrio."
 
..........................

Publicado por: Praia da Claridade às 17:29
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