Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Muro de Berlim

 
Muro de Berlim em 1986

Muro de Berlim em 1986



O Muro de Berlim foi uma realidade e um símbolo da divisão da Alemanha em duas entidades estatais, a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA). Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: Berlim Ocidental (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América; e Berlim Oriental (RDA), constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético (ver mapa aqui). Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar.
 
O Muro de Berlim caiu no dia 9 de Novembro de 1989, faz hoje 18 anos, acto inicial da reunificação das duas Alemanhas, que formaram finalmente a República Federal da Alemanha, acabando também a divisão do mundo em dois blocos. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria.
 
O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.
 
 
Queda do Muro
 
O Muro de Berlim caiu na noite de 9 de Novembro de 1989 depois de 28 anos de existência. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago Neusiedler See. O impulso decisivo para a queda do muro foi um mal-entendido entre o governo da RDA. Na tarde do dia 9 de Novembro houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo na televisão alemã-oriental. Günter Schabowski, membro do Politburo do SED, anunciou uma decisão do conselho dos ministros de abolir imediatamente e completamente as restrições de viagens ao Oeste. Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte, para anteriormente informar todas as agências governamentais.
 
Pouco depois deste anúncio houve notícias sobre a abertura do muro na rádio e televisão ocidental. Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controle de passaportes haviam sido instruídas. Por causa da força da multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer, a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Straße, às 23 h, mais tarde em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental. Muitas pessoas viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois deslocaram-se à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira se abriu, na manhã do dia 10 de Novembro havia grandes multidões de pessoas querendo passar pela fronteira.
 
Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca se tinham visto antes, cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram o muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente cantaram a hino nacional da Alemanha.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

Vítima do Muro de Berlim

 
Peter Fechter

Peter Fechter

 
Texto inscrito no monumento a Peter Fechter

Texto inscrito no monumento a Peter Fechter



Peter Fechter (14 de Janeiro de 1944 – 17 de Agosto de 1962) era um pedreiro do Leste de Berlim, que aos 18 anos se tornou numa das primeiras e provavelmente a mais famosa vítima do Muro de Berlim. Faz hoje 45 anos que, ao tentar atravessar a fronteira entre as duas Alemanhas, na rua Zimmertrasse, ele foi alvejado pelas costas e morreu de hemorragias, sem que os guardas de fronteira da parte ocidental pudessem socorrê-lo.

O Muro de Berlim  foi construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Batalha de Diu

 




A batalha naval de Diu ocorreu a 3 de Fevereiro de 1509, perto de Diu, Índia, entre Portugal e uma frota conjunta do Sultanato Burji do Egipto, Império Otomano, Calecut, e o Sultão de Gujarat que assumiu um papel de vingança pessoal de D. Francisco de Almeida, por ter perdido o seu filho D. Lourenço no desastre de Chaul, em 1508.
 
Esta batalha marca o início do domínio europeu no oceano Índico, semelhante à batalha de Lepanto (1571), do Nilo (1798), de Trafalgar (1805) e de Tsushima (1905) em termos de impacto. O poder dos Turcos Otomanos na Índia é seriamente abalado, enquanto os Portugueses depois desta batalha conquistam rapidamente portos/localidades costeiras à volta do Oceano Índico como Mombaça, Socotora, Mascate, Ormuz, Goa, Colombo e Malaca. O monopólio português no Índico dura até a chegada dos Ingleses (Companhia das Índias Orientais inglesa) com a Batalha de Swally perto de Surate em 1612.
 
Ao aproximar-se do inevitável confronto, D. Francisco de Almeida envia uma carta a Meliqueaz, que dizia:
«Eu o visorei digo a ti honrado Meliqueaz, capitão de Diu, e te faço saber que vou com meus cavaleiros a essa tua cidade, lançar a gente que se aí acolheram, depois que em Chaul pelejaram com minha gente, e mataram um homem que se chamava meu filho; e venho com esperança em Deus do Céu tomar deles vingança e de quem os ajudar; e se a eles não achar não me fugirá essa tua cidade, que me tudo pagará, e tu, pela boa ajuda que foste fazer a Chaul; o que tudo te faço saber porque estejas bem apercebido para quando eu chegar, que vou de caminho, e fico nesta ilha de Bombaim, como te dirá este que te esta carta leva».
Sabe-se que um dos feridos foi Fernão de Magalhães.
 
Dos destroços da batalha constavam três bandeiras reais do Sultão Mameluque do Cairo, que foram transladadas para o Convento de Cristo, em Tomar, Portugal, sede espiritual dos Cavaleiros Templários, onde constam até aos dias de hoje.
 
 
Para rever: O Estado Português da Índia
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Sacro Império Romano-Germânico

 
O Sacro Império Romano-Germânico em 1512

O Sacro Império Romano-Germânico em 1512

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O Sacro Império Romano-Germânico, ou o Santo Império Romano da Nação Germânica (em alemão Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation, em Latim Sacrum Romanorum Imperium Nationis Germanicæ) foi um reagrupamento político das terras da Europa ocidental e central na Idade Média, atacado e dissolvido em 1806 por Napoleão Bonaparte. O adjectivo sacro aparece somente no reino de Frederico Barbarossa - atestado em 1157.
 
Foi o herdeiro do Império do Ocidente dos Carolíngios, que desapareceu em 924. Tinha como objectivo restaurar o império romano, o que justifica o termo romano no seu nome. No entanto, Henrique II gravará no seu selo: Renovatio Regni Francorum  (Renovação do «Reino dos Francos»). E o império, em seu todo, é chamado Imperium Teutonicorum (Império Teutónico).
 
O império surge com o coroamento imperial de Otão I da Germânia em 2 de Fevereiro de 962. Em 982, Oto II, seu filho, toma o título de Imperator Romanorum  (Imperador dos Romanos). Henrique II é sagrado Rex Romanorum  (Rei dos Romanos) em 1014. No século XII fala-se do Sacro Império, que se torna em 1254 Sacro-Império Romano, para terminar na sua forma final no final do século XV.
 
 
Componentes geográficos
 
O Sacro Império romano-germânico tem por base territorial a Francia Oriental  (actuais Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Áustria) do tratado de Verdun (logo chamada Germânia ou Regnum Teutonicorum). Em 870, ela ganha o reino de Lotaríngia, em 1014 o reino da Itália e em 1033-1034 o reino da Borgonha.
 
A sua soberania foi reconhecida em diversas ocasiões pelos príncipes e soberanos da Dinamarca, da Hungria e da Polónia. Alcançou o seu primeiro apogeu com Henrique VI: Ricardo Coração de Leão reconheceu a subordinação da Inglaterra, Tunis e Tripoli pagavam tributo, Leão da Arménia transferiu em 1194 a sua subordinação de Bizâncio ao Império Germânico, Amaury ou Amalarico de Lusignan, rei de Chipre, reconheceu-se vassalo em 1195 e, finalmente, Alexus III declarou a sua subordinação. Entretanto, o império sofrerá o poder da erosão do reino de França no seu lento avanço rumo ao Reno, a defecção da Suíça e a independência dos principados italianos.
 
 
Características do Império

O Sacro Império Romano foi uma instituição única na história e por isso complexa de se compreender. Assim, talvez seja mais fácil avaliar primeiramente o que ele não era.
  • Nunca foi um estado nacional. Apesar dos governadores e súbditos, em sua maioria, serem de etnia alemã, era inicialmente composto por diversas etnias. Muitos súbditos, a maioria de famílias nobres e oficiais nomeados, vinham de fora das comunidades alemãs. No apogeu, o império possuía grande parte dos territórios que são hoje a Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, República Checa, Eslovénia, bem como a região leste da França, o norte da Itália e o oeste da Polónia. Os idiomas nele falados compreendiam o idioma alemão e seus diversos dialectos e derivados, línguas eslavas e dialectos franceses e o italiano. Além disso, a sua divisão em territórios regidos por numerosos príncipes seculares e eclesiásticos, prelados, condes, cavaleiros imperiais e cidades livres, fizeram-no, pelo menos no início do período moderno, muito menos coeso do que os estados modernos que emergiam ao redor.
  • Entretanto, durante a maior parte da sua história, o império foi mais uma mera confederação. O conceito de Reich  não incluía apenas o governo de um território específico, mas possuía fortes conotações religiosas cristãs (por esta razão o prefixo sacro).
Até 1508, os reis alemães não eram considerados imperadores (Kaiser) do Reich até que o Papa, Vigário de Cristo na terra, os tivesse formalmente coroado.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

História de Macau

 
Ruínas da antiga Igreja de São Paulo, em Macau

Ruínas da antiga Igreja de São Paulo, em Macau

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A História (Humana) de Macau tem pelo menos 6000 anos. Ela é muito rica e diversificada porque Macau, desde da chegada dos portugueses no séc. XVI, foi sempre uma importante porta de acesso para a entrada da civilização ocidental na China, contactando com a civilização chinesa, e vice-versa. Este pequeno pedaço de terra proporcionou uma importante plataforma para a simbiose e o intercâmbio de culturas ocidentais e orientais. Esta intensa simbiose e intercâmbio moldaram uma identidade única e própria para Macau.
 
Antes da chegada dos portugueses
 
Através de estudos arqueológicos, descobriu-se muitos artefactos que apontam que os chineses já se estabeleceram em Macau à 4000 a 6000 anos atrás e em Coloane à 5000 anos atrás.
 
Segundo certos registos históricos, pelo menos a partir do séc. V, navios mercantes chineses de Cantão que comercializavam com povos do Sudeste Asiático paravam muitas vezes em Macau ou perto dele para se abastecerem de água e de comida.
 
Em 1277, cerca de 50000 apoiantes e alguns membros da Dinastia Song, fugindo dos invasores mongóis, chegaram a Macau e construíram várias povoações, sendo a maior e a mais importante delas localizada na região de Mong-Há (que se localiza no Norte de Macau). Pensa-se que o templo mais antigo de Macau, o Templo de Guanyin (Deusa da Misericórdia), se localizava precisamente em Mong-Há.
 
Durante a Dinastia Ming, muitos pescadores oriundos de Cantão e de Fujian estabeleceram-se em Macau e foram eles que construíram o famoso Templo de A-Má.
 
Os primeiros tempos da colónia portuguesa (séc. XVI)
 
Macau, mesmo naquela altura já povoada por um número considerável de chineses (na sua maioria pescadores), só floresceu com a chegada dos portugueses. Eles estabeleceram-se em Macau entre 1554 e 1557, sob o pretexto de secar a sua carga, durante a Era dos Descobrimentos iniciada pelo Infante D. Henrique (O Navegador). O primeiro português a chegar ao Sudeste da China foi Jorge Álvares, em 1513. A esta visita seguiu-se o estabelecimento na área de inúmeros comerciantes portugueses construindo edifícios de apoio.
 
O Imperador chinês Chi-Tsung, em 1557, autorizou finalmente os portugueses a se estabelecerem em Macau e concedeu também um considerável grau de auto-governação para eles, por estes terem conseguido derrotar os piratas chineses liderados pelo célebre Chang Tse-Lac que actuavam na região do Delta do Rio das Pérolas. Mas, mesmo assim, o Imperador defendia que Macau era uma parte integrante do Império Celestial Chinês, por isso os portugueses foram obrigados a pagar aluguer e certos impostos às autoridades chinesas, desde de 1573. Para supervisionar o estabelecimento português de Macau, nomeadamente no que diz respeito à recolha de impostos lançados pelas autoridades de Cantão sobre todos os produtos chineses e sobre todos os produtos exportados pelos portugueses, e também à emissão de licenças para a construção e reparação dos edifícios do Estabelecimento, as autoridades chinesas enviavam um grupo de funcionários chineses, os mandarins, e estes exerciam uma grande influência na administração de Macau.
 
O estabelecimento comercial português tinha um valor imenso, especialmente quando as autoridades da China proibiram o comércio directo com o Japão por mais de cem anos. Ao mesmo tempo os portugueses ganharam o monopólio do comércio entre a China, o Japão e a Europa. Nestas circunstâncias, Macau tornou-se um porto importante no comércio entre a Europa, a China e o Japão.
 
Assim nasceu Macau, o primeiro entreposto comercial europeu (depois cultural e religioso) entre o Ocidente e o Oriente. O seu nome parece ter origem no nome do templo da deusa A-Má; Amagau (Baía de A-Má), Amacao, Macao e, por fim, Macau. Durante mais de 400 anos de história, Macau foi orgulhosamente o baluarte da presença e cultura portuguesa no longínquo Oriente.
 
Macau tornou-se também um importante ponto de partida de missionários católicos para os diferentes países da Ásia, nomeadamente a China e o Japão. Além da evangelização, estes missionários promoveram também o intercâmbio ético, cultural e científico entre o Ocidente e o Oriente. Foi fundado o Colégio de São Paulo no séc. XVI e o Seminário de São José no séc. XVIII. Estas duas instituições tinham a função de formar missionários e padres. Devido à grande importância de Macau, o Papa Gregório XIII criou a Diocese de Macau em 23 de Janeiro de 1576. Actualmente o Seminário, devido à falta de vocações sacerdotais, encerrou-se e o Colégio foi destruído por um incêndio em 1835.
 
Do séc. XVII ao séc. XVIII
 
Durante a ocupação filipina (espanhola) em Portugal (1580-1640), o Império Português tornou-se muito fraco e desprotegido, visto que o Rei de Espanha (simultaneamente Rei de Portugal) não estava muito interessado em defender e fortificar o Império Português. Estava mais interessado em defender e expandir mais o Império Espanhol, em colonizar e controlar a América do Sul e em travar guerras com as outras potências europeias, nomeadamente a Inglaterra e a Holanda. Utilizou muitos recursos para manter estas guerras, em vez de utilizá-los para defender o Império Português e desenvolver a economia (portuguesa e espanhola) e a marinha. Os inimigos de Espanha tornaram-se automaticamente inimigos de Portugal. As colónias portuguesas sofreram inúmeros ataques dos ingleses, dos holandeses e dos franceses e muitas delas, por falta de soldados e fortificações, caíram nas mãos do inimigo.
 
Macau não era a excepção. No dia 22 de Junho de 1622, 800 soldados holandeses desembarcaram na praia de Cacilhas e começaram a sua tentativa de invasão a Macau. Avançaram com cautela para o centro da cidade, sofrendo pesado bombardeio de canhões da Fortaleza do Monte. Após 2 dias de combate, no dia 24 de Junho, um padre jesuíta disparou um tiro de canhão e acertou com precisão num vagão carregado de pólvora pertencente aos holandesas. Isto desconcertou as forças invasoras. É também neste dia que a pequena guarnição militar de Macau (composta aproximadamente por 200 soldados e por algumas fortalezas, nomeadamente a Fortaleza do Monte e a Fortaleza da Guia) derrotou as forças invasoras. Os holandeses, derrotados, atiraram-se ao mar na tentativa de alcançar os barcos. Muitos se afogaram e um dos barcos, superlotado, afundou-se. Dizem os registos portugueses que morreram algumas dezenas de portugueses e que morreram em combate ou afogados cerca de 350 holandeses. Para Macau, desprevenida, a vitória foi considerada um milagre. Após a vitória, os moradores de Macau passaram a comemorar o dia 24 de Junho, dia da vitória, como o "Dia da Cidade". É também neste dia que comemora o São João Baptista, o Padroeiro da Cidade. Conta a lenda que pelo seu manto, foram desviados os tiros dos inimigos, salvando a cidade dos invasores holandeses. Este dia é feriado público e comemorado todos os anos com grandes festas e alegria até 1999, data da transferência da soberania de Macau para a China. Após a transferência, este dia deixou de ser feriado público e virtualmente esquecido.
 
Após esta tentativa de invasão holandesa, o Governo de Lisboa, a partir de 1623, passou a enviar um Governador português para Macau para ele governar, proteger e melhorar a administração desta cidade. Antes da sua chegada, esta pequena cidade era administrada e governada directamente pelo "Leal Senado", a primeira câmara municipal de Macau. A pequena guarnição militar de Macau foi também reforçada. Estas medidas revelaram a maior preocupação e participação do Governo de Lisboa na administração e protecção desta longínqua e pequena colónia portuguesa.
 
A bandeira portuguesa esteve sempre içada em Macau, desde a sua fundação até 1999, mesmo durante a ocupação filipina em Portugal, por isso D. João IV, Rei de Portugal, recompensou este acto de confiança e lealdade gratificando Macau, em 1654, com o título de "CIDADE DO SANTO NOME DE DEUS DE MACAU, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL".
 
Séc. XIX
 
Macau fez parte do Estado Português da Índia até 1844, quando se tornou uma colónia directamente dependente de Lisboa.
 
Em Macau, foi construído o primeiro farol do mar do Sul da China, o farol da Guia, situado no monte da Guia (a colina mais elevada da península de Macau). Entrou em funcionamento em 1865.
 
A importância do porto de Macau foi reduzida na Primeira Guerra de Ópio em 1841 quando Hong Kong se tornou no porto ocidental mais importante na China. Aproveitando a situação fraca do Governo Chinês de Pequim após a Primeira Guerra de Ópio, Portugal deixou de pagar impostos chineses e aluguer de Macau em 1845. Em 1849, o Governador João Ferreira do Amaral expulsou também os mandarins da cidade, pondo fim à autoridade chinesa de Macau. Antes desta data, existia em Macau 3 autoridades distintas: local (Leal Senado), portuguesa (Governador) e chinesa (os mandarins).
 
Na primeira metade do séc. XIX, os portugueses ocuparam o Norte de Macau (naquela altura ocupada pelos chineses) e estabeleceram como fronteira da cidade o local onde, actualmente, se localiza o posto fronteiriço das "Portas do Cerco" (no extremo-norte da península). A ilha de Taipa foi ocupada pelos portugueses em 1851 e a ilha de Coloane em 1864. Quando os portugueses chegaram à ilha de Coloane, os piratas chineses controlavam grande parte desta ilha pouco povoada. A presença portuguesa passou a ser fortificada com a vitória dos soldados portugueses sobre os piratas chineses, em 1910, causando a expulsão dos últimos.
 
Durante a segunda metade do séc. XIX, as principais potências europeias humilharam o já fraco Governo Imperial Chinês da Dinastia Qing, forçando-o a assinar os chamados "Tratados Desiguais" que defendiam somente os interesses das potências europeias, em detrimento dos interesses do Governo Chinês. Nestes tratados, o Governo Chinês era obrigado a abrir os seus portos comerciais, a aceitar a ocupação europeia em certas terras chinesas e aceitar a divisão da China em "áreas de influência" europeia (enfraquecendo o Governo Chinês). Porventura aproveitando a situação, em 1887, Portugal diligenciou junto do Governo Chinês a assinatura do "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português", o qual reconhece e legitima a ocupação perpétua de Macau e das suas dependências (as ilhas de Taipa e Coloane) pelos portugueses.
 
Séc. XX
 
A pataca, a moeda local de Macau, foi lançada pelo Banco Nacional Ultramarino em 1905. A sua cotação está indexada à cotação do dólar de Hong Kong.
 
Em 1938, as tropas portuguesas começaram a ocupar a ilha de Lapa, Dom João e Montanha. Antes da chegada das tropas portuguesas, estas 3 ilhas, que ficavam a Este de Macau, já tinham sido povoadas por missionários portugueses. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Japonês conseguiu ameaçar as tropas portuguesas a abandonar aquelas ilhas pouco povoadas. Consequentemente, estas ilhas foram ocupadas por japoneses. No final da Segunda Guerra Mundial, a China conseguiu reocupar as 3 ilhas.
 
1939 a 1966
 
A população de Macau aumentou para o dobro na Segunda Guerra Mundial devido à afluência de pessoas que fugiram à ocupação japonesa do sudeste asiático. A principal proveniência dos refugiados era das cidades vizinhas, Guangzhou (Cantão) e Hong Kong. O Japão respeitou a neutralidade de Portugal, cujas posições geográficas estratégicas dos Açores e do continente enquanto extremo ocidental da Europa e respectivo acesso ao continente americano terão motivado esta decisão do Eixo (aliança entre Itália, Alemanha e Japão na Segunda Guerra Mundial). Mesmo que os japoneses não tivessem intenção de ocupar Macau, eles não tardaram em estabelecer uma embaixada na cidade. Esta embaixada, além das suas funções diplomáticas, servia também de centro de espionagem e de detenção de figuras chinesas anti-ocupação japonesa (muitas destas figuras fugiram da China para Macau). A embaixada exerceu também grande influência no Governo Português de Macau. Ainda assim, existia uma forte tensão entre o Governo de Macau e o Exército Japonês. Os portugueses sempre temiam o assalto das tropas japonesas a Macau porque a Guarnição Militar não tinha capacidade de defender esta pequena colónia portuguesa. Apesar da neutralidade de Macau, o porto de hidroaviões existente na altura foi bombardeado, tendo sido alegado erro acidental, e as ilhas de Lapa, Dom João e Montanha foram ocupadas pelo Exército Japonês. Para além disto, as principais consequências da Segunda Guerra Mundial em Macau foram apenas as ligadas à sobrepopulação e à falta de bens de importação, dos quais os alimentos eram os mais prementes. Após a Segunda Grande Guerra, a população de Macau começou a diminuir devido ao regresso de muitos refugiados chineses para as suas respectivas terras natais.
 
Em 1954, a cidade organizou pela primeira vez o Grande Prémio de Macau que consiste numa série de espectaculares corridas de automóveis e motociclos, desde a corrida dos carros clássicos, passando pelos Super-Cars até à Fórmula 3 (a mais esperada). O Grande Prémio, que dura quatro dias, tornou-se numa atracção turística importante de Macau e a cidade continua a organizá-la em todos os meses de Novembro. Desde o ano de 1954, os melhores pilotos do mundo são convidados a participar num dos circuitos mais emocionantes e perigosos do Mundo. Trata-se de um circuito que percorre o meio da cidade, intercalando longas rectas (Porto Exterior) com as sinuosas curvas do monte da Guia. A curva do Hotel e Casino Lisboa de Macau é o local onde mais acidentes são registados.
 
Motim "1-2-3" e as suas consequências
 
Em 1966, os residentes chineses tentaram obter uma licença para a construção de uma escola privada na ilha da Taipa. Os residentes, na impossibilidade de obter uma licença de construção, começaram, ilegalmente, a edificação da escola. No dia 15 de Novembro de 1966, a polícia da cidade utilizou formas violentas de prender os responsáveis da escola, os operários de construção, os residentes chineses aí presentes e os jornalistas. Depois deste acontecimento, no dia 1 de Dezembro, um grupo pró-comunista de professores e estudantes chineses, influenciado pela Revolução Cultural de Mao Tse-tung, fizeram grandes protestos em frente ao Palácio do Governador, e alguns radicais até entraram à força no Palácio e pronunciaram, durante o caminho, frases maoístas e canções revolucionárias. No dia 3 de Dezembro, o Governo deu ordens para prendê-los. Esta ordem gerou uma vaga de descontentamento e protestos por parte da comunidade chinesa. Eles deitaram abaixo a estátua do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, que se localizava no Largo do Senado (o centro da cidade) e incendiaram preciosos documentos dos Arquivos do Leal Senado (Câmara Municipal da cidade) e da Santa Casa de Misericórdia. As leis marciais foram declaradas pelo Governo e os soldados portugueses foram mobilizados para controlar a situação. Nestes protestos, houve 11 mortos e cerca de 200 feridos. O incidente é vulgarmente chamado de Motim de "1-2-3", referindo-se aos 3 dias em que ocorreu o motim popular.
 
Após o motim ser controlado pelos soldados, a comunidade chinesa (grande parte da população de Macau era constituída por chineses), para continuar a pressionar e protestar contra o Governo, adoptou a política dos "3 Não's" - não entregar impostos, não prestar serviços ao Governo, não vender produtos aos portugueses. Com esta política, começou a confusão e o medo em Macau, principalmente dentro da comunidade portuguesa e macaense. Muitas famílias portuguesas, amedrontadas, começaram a preparar-se para abandonar a cidade e emigrarem para Portugal ou para Hong-Kong. O medo era tal e a situação era tão difícil para o Governo Português de Macau que ele propôs a devolução imediata da colónia para a China se a situação não melhorasse.
 
Com o apoio do Governo Central Chinês de Pequim, alguns membros da elite chinesa, nomeadamente o Comendador Ho Yin, preveniram o colapso da administração de Macau, conseguindo convencer os portugueses a não abandonar o território e relativamente acalmar a população chinesa de Macau. O Governo Comunista Chinês, apesar de ter uma ideologia contrária ao do Estado Novo Português, tentou assegurar a presença portuguesa em Macau, impedindo inclusivamente uma invasão dos guardas vermelhos da RPC a Macau, porque, antes da modernização e da abertura da República Popular da China (começada em 1978), este pequeno enclave português, juntamente com Hong-Kong, eram os dois únicos portos de entrada de divisas estrangeiras e de remessas dos emigrantes chineses, de produtos que não podiam entrar directamente na China, de exportação de produtos chineses para o Ocidente e de celebração de contactos informais com as outras potências.
 
O Governo Central Chinês de Pequim, que exercia uma grande influência na comunidade chinesa de Macau e que tinha a intenção de manter a administração portuguesa, e o Governo Português de Macau, após uma série de intensas negociações, nas quais o Comendador Ho Yin participou e contribuiu muito, chegaram finalmente a acordo no dia 29 de Janeiro de 1967. Neste acordo, culminando com o pedido de desculpas feito pelo Governo de Macau para a comunidade chinesa, reconhecia, pela primeira vez, a igualdade entre os portugueses e os chineses, anulou o "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português" (assinado em 1887) e proibiu o Governo de Macau de dar apoio e asilo político aos nacionalistas do Kuomintang. Com este célebre acordo assinado, os chineses começaram a poder participar na administração da colónia e Portugal já não podia garantir definitivamente a posse dela visto que o "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português" (que garantia a ocupação perpétua de Macau pelos portugueses) foi anulado.
 
Esta versão mencionada do incidente é uma das mais aceites, mas, porém, existem outras versões e relatos sobre este célebre motim. Após estas sequências de acontecimentos, os chineses nunca mais levantaram nenhum motim e Macau passou a viver um período de calma e de coexistência entre a comunidade portuguesa, macaense e chinesa.
 
Depois da Revolução dos Cravos até à transferência de soberania da Cidade
 
Depois da Revolução dos Cravos em 1974, Portugal declarou a independência imediata de todos os seus territórios ultramarinos. A China rejeitou esta transferência imediata, tendo apelado para o estabelecimento de negociações que permitissem uma transferência harmoniosa. A diferença entre o sistema capitalista de Macau e o comunista da China continental poderá estar na base desta decisão. Com o decorrer das negociações, o estatuto de Macau redefiniu-se para “território chinês sob administração portuguesa” e a transferência foi agendada para a data de 20 de Dezembro de 1999, através do documento "declaração conjunta", depositada nas Nações Unidas e entretanto publicada no Boletim Oficial de Macau a 7 de Junho de 1988, onde se estabeleciam uma série de compromissos entre os dois países para Macau, entre os quais a garantia de uma grande autonomia futura e a conservação das especificidades de Macau durante 50 anos. A data escolhida permitia entre outras coisas: prolongar a presença portuguesa no Oriente, transformando Portugal na última nação Ocidental a retirar as suas possessões da China; fazer a transferência de Macau pouco depois da de Hong Kong e que foi usada pela China como forma de retaliação ao Reino Unido devido à suavidade com que as negociações e transferência de Macau foram conseguidas, por contraste com a de Hong Kong; e readquirir o controle de todos os territórios chineses que estiveram sob domínio ocidental antes do início do século XXI.
 
Antes da transferência de Macau e Hong Kong, a China fez uma série de alterações económicas no sentido de se aproximar do sistema capitalista e abrir-se ao comércio internacional. Aquando da transferência a China redefinira a sua imagem segundo o slogan "um país, dois sistemas". Este permite que algumas regiões chinesas, incluindo Macau, possuam uma grande autonomia e continuidade do seu modo de vida, estando apenas limitadas no que se refere às suas relações exteriores e à defesa, situação idêntica, de resto, à que tinham aquando da administração portuguesa.
 
Para preparar Macau para a transferência de soberania, Portugal, a par das negociações com a China, incentivou o Governo de Macau a fazer muitas reformas, entre os quais a desmilitarização da cidade, a diminuição do poder do Governador e a promoção da participação da população (quer portuguesa quer chinesa, quer qualquer raça) da cidade na administração de Macau. A Guarnição Militar Portuguesa retirou-se de Macau no ano de 1976. Em 1976, a Assembleia Legislativa de Macau foi criada para exercer a função legislativa da cidade. É responsável de fazer leis e tem o poder de questionar, "travar" e "julgar" o Governador, e após a transferência (1999), o Chefe do Executivo.
 
Em 1981, foi criada a Universidade de Macau e ela, de uma instituição privada, passou a universidade pública em 1991.
 
Após a transferência de soberania (1999)
 
A transferência da soberania de Macau entre Portugal e a China aconteceu no dia 20 de Dezembro de 1999, como estava previsto através da "Declaração Conjunta". Tendo acontecido dois anos após a transferência de soberania de Hong Kong, foi um processo mais suave que o de Hong Kong, não tendo havido confrontos políticos de nota entre os dois governos durante as negociações diplomáticas, nem distúrbios sociais, ao contrário de Hong Kong, cuja população possui uma tradição mais reivindicativa e participativa.
 
Macau tornou-se uma Região Administrativa Especial (RAE) da República Popular da China, actuando sobre o princípio de "um país, dois sistemas" e seguindo os compromissos estabelecidos por Portugal e China durante a ratificação da "Declaração Conjunta". Esta RAE passou a ser governada, chefiada pelo Chefe do Executivo de Macau, substituindo o cargo de "Governador de Macau", que foi abolido em 1999, logo após a transferência de soberania. A Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau, promulgada pelo Congresso Nacional Popular da China no ano de 1993, é o actual texto constitucional do sistema jurídico da RAEM.
 
Após a transferência, Macau foi novamente militarizada, não por tropas portuguesas, mas por tropas do Exército de Libertação Popular da República Popular da China.
 
O novo Governo da RAEM aboliu logo os 2 municípios (Município de Macau - ou "Leal Senado" - e o Município das Ilhas) e retirou as funções administrativas das 7 freguesias de Macau. Em sua substituição, o Governo criou um novo órgão administrativo, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), e que está subordinado à Secretaria da Administração e Justiça. As freguesias de Macau mantiveram-se como divisão simbólica e ainda oficialmente aceite pelo novo Governo.
 
Antigamente, durante a administração portuguesa, a criminalidade não conseguia ser controlada e era um risco sério para o turismo, por isso, logo após a formação do novo Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), ele decidiu combater ferozmente contra o crime, principalmente os crimes organizados pelas seitas (não são organizações religiosas, mas associações secretas e organizadas de crime). O novo Governo conseguiu atingir os seus objectivos no combate ao crime, com o número de crimes a baixar imenso, principalmente a criminalidade violenta que desceu 70% no ano 2000 para 45% no ano 2001. Macau tornou-se muito mais seguro e isto trouxe de novo confiança aos turistas. Esta evolução foi também propiciada pela reanimação da economia.
 
Em 2005/2006, o número de crimes, principalmente crimes não-organizados (roubos, violência doméstica e sexual...), começou novamente a aumentar devido ao crescimento do número de trabalhadores estrangeiros (eles vivem em condições de vida difíceis) e de "visitantes" oriundos das regiões chinesas próximas de Macau (alguns deles, que vivem em condições de pobreza, começaram a deslocar-se para a cidade, não para praticar turismo, mas sim para efectuar crimes, especialmente roubos, numa tentativa de melhorar as condições de vida deles e das suas famílias). O Governo da RAEM começou de novo a implementar medidas para combater o crime, mas combater o crime não-organizado é muito mais difícil de combater e controlar os crimes organizados.
 
Actualmente, a Escola Portuguesa de Macau é a única escola secundária portuguesa existente nesta cidade e a única que oferece um ensino baseado em português.
 
O Governo da RAEM pôs fim ao monopólio de jogos da companhia de casinos de Stanley Ho, em 2002, e isto originou uma grande competição e crescimento no sector dos jogos de Macau, com novas companhias de jogos, principalmente companhias norte-americanas como a Sands Las Vegas e o Wynn, a investirem à força neste sector de grande importância para a economia de Macau. Isto, juntamente com o aumento do número de turistas (na sua maioria oriundos da China) que visitam a cidade, contribuiu bastante para o grande crescimento económico que está a experimentar desde de 2002. Em 2004 as somas envolvidas no jogo de casinos em Macau ultrapassaram pela primeira vez as de Las Vegas (cada uma cerca de 5 mil milhões de dólares), tornando Macau no principal centro mundial da indústria do jogo de casinos.
 
No dia 15 de Julho de 2005, o Centro Histórico de Macau foi, finalmente, inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO e designado como o 31º sítio do Património Mundial da China. Após a inclusão, houve grandes comemorações em Macau.
 
Macau, desde sempre, efectuava e continua a efectuar muitos aterros para reclamar, "ganhar" mais terra à foz do Rio das Pérolas para ter mais espaço de construção; por isso a sua área superficial está em constante aumento. Actualmente possui um área de 28,2 km².
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Nero

 
Nero Cláudio César Augusto Germânico
 
 
 

Nero Cláudio César Augusto Germânico ou Nero Claudius Cæsar Augustus Germanicus (15 de Dezembro 37, fazia hoje 1975 anos, - 9 de Junho 68) foi o quinto Imperador Romano entre 54 e 68.
 
Nascido em Âncio com o nome de Lúcio Domício Aenobarbo, era descendente de uma das principais famílias romanas, pelo pai Gneu Domício Aenobarbo e da família imperial Julio-Claudiana através da mãe Agripina, a Jovem, filha de Germânico e neta de César Augusto.
 
A ascensão política de Nero começa quando Agripina incentiva o marido, o imperador Cláudio, a adoptá-lo e escolhê-lo seu sucessor, após desmoralizar os partidários de Britânico, filho de Cláudio, e seduzir o seu próprio filho a casar-se com Otávia, filha do imperador. Quando Cláudio, sogro e padrasto de Nero, morreu em 54, provavelmente assassinado pela própria Agripina, Nero foi proclamado imperador sem oposição. Segundo a historiografia tradicional, no início foi um bom governante, sob orientação de sua mãe, do seu preceptor o filósofo Sêneca e do prefeito pretoriano Burrus.
 
No entanto, aos poucos, a paranóia que marcara já a personalidade dos seus antecessores Tibério e Calígula, foi se instalando em Nero. Desencadeou uma série de assassinatos, incluindo do próprio Britânico (em 55), da sua mãe Agripina (em 59, após várias tentativas) e de sua esposa (em 62). Afastou-se de Sêneca e foi acusado de ter provocado, em 64, o grande incêndio de Roma, que destruiu dois terços da cidade, na esperança de reconstruí-la com esplendor. A pretexto do desastre, Nero iniciou a primeira e intensa perseguição aos cristãos. Embora se acreditasse que Nero foi o responsável, os estudiosos actuais duvidam da veracidade da acusação. Para Massimo Fini, as calúnias contra Nero foram inventadas por Tácito, Suetônio e historiadores cristãos. Ao contrário do que se afirmava, Nero não promovia as lutas de gladiadores; promovia, isto sim, competições musicais e teatrais.
 
Nero considerava-se um artista e desejava ser tratado como tal. Ficaram famosas as suas festas e banquetes em que obrigava a corte a ouvir os seus poemas e cantigas. É também conhecida a sua entrega à libertinagem e a gabar-se de pretensos dotes artísticos e de cavalaria. Instituiu os jogos chamados Juvenália e Neronis, e exibia-se nos teatros e nos circos como histrião. Dentro do grupo dos seus libertinos amigos de então, contava-se Marco Sálvio Otho, futuro imperador. Nero favoreceu cultos orientais estranhos à tradição romana e recorreu fartamente aos processos por traição para confiscar bens dos ricos e nobres como forma de compensar o tesouro dos seus excessos. A sua crueldade e irresponsabilidade provocaram o descontentamento no meio militar e a oposição da aristocracia e o início da disseminação de revoltas em 65. A sua resposta foi violenta e deu origem a nova onda de assassinatos e execuções da qual foram vítimas, entre outros, Sêneca e o poeta Lucano.
 
Em 68, a sua situação como imperador era insustentável. Sérvio Sulpício Galba, o governador da província romana da Hispânia, decidiu tomar a iniciativa e marchou contra Roma, à frente de um enorme exército. O Senado seguiu o rumo dos acontecimentos e declarou Nero nefas e persona non grata, o que na prática o tornava num inimigo público, e reconheceu Galba como novo imperador. Sem apoio de nenhum dos quadrantes de Roma, Nero foi obrigado a fugir. Perseguido pela guarda pretoriana, acabou por se suicidar, auxiliado pelo seu secretário, a única pessoa que lhe permanecera fiel.
 
Nero foi o último imperador da Dinastia Julio-Claudiana. A sua morte sugeriu um período de paz, mas por pouco tempo. O ano 69 foi dominado pela guerra civil que ficou conhecido como o ano dos quatro imperadores. A paz e estabilidade política chegariam apenas com Vespasiano e com a Dinastia Flaviana.
 
 
Descendência
  • De Octávia, que mandou executar em 62 d.C. e com quem não teve filhos;
  • De Popeia, com quem casou imediatamente, também não teve filhos, terminando, assim a dinastia Julio-Claudiana.
Certa vez apaixonou-se por um escravo romano e mandou os seus guardas cortarem os órgãos genitais do rapaz para ele ficar parecendo uma moça.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O Império Otomano

 
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
 
 
 

O império otomano foi um estado que existiu entre 1281 e 1923 e que no seu auge compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do norte da África e do sudeste europeu. Foi estabelecido por uma tribo de turcos Oghuz no oeste da Anatólia e era governado pela dinastia Osmanlı. Era por vezes referida em círculos diplomáticos como a da "Porta Sublime " ou simplesmente como "a Porta", devido à cerimónia de acolhimento com que o sultão agraciava os embaixadores à entrada do palácio. O império foi fundado por Osman I (em árabe Uthmān, de onde deriva o nome "otomano"). Nos séculos XVI e XVII, o império otomano constava entre as principais potências políticas europeias e em vários países europeus foi sentido o receio dos avanços nos Balcãs. No seu clímax, compreendia uma área de 11.955.000 km². Em 1453, após a captura da cidade, Constantinopla (a actual Istambul) tornou-se a capital. A partir de 1517, o sultão otomano era também o Califa do Islão, e o império otomano era entre 1517 e 1922 (ou 1924) o sinónimo de Califado, o Estado Islâmico. O auge do Império Otomano foi durante o governo de Solimão, o Magnífico, no qual os seus exércitos chegaram às portas de Viena, e Istambul foi transformada em capital cultural. Foi também durante o seu governo que ocorreu a Batalha de Rodes. O declínio do Império Otomano teve início no final do reino de Suleiman I e prosseguiu até ao final da Primeira Guerra Mundial. Uma reacção oficial a este declínio surgiu por fases: a primeira deu-se com a Reforma Tradicional (1566-1807), que procurou restaurar as antigas instituições; a segunda surgiu com a Reforma Moderna (1807-1918) quando se abandonaram os antigos preceitos e foram adoptados novos, importados do Ocidente.
 
No seguimento da Primeira Guerra Mundial, na qual a maioria do seu território foi capturada pelos aliados, o império otomano transformou-se na moderna Turquia durante a guerra da independência turca.
 
Um aglomerado étnico
 
Como o teórico do nacionalismo Ernest Renan afirma, o Império Otomano era, em contraste com outros estados-nações (como a França, Alemanha ou Reino Unido) uma unidade política multiétnica. Em "Qu 'est-ce qu' une nation ?", de 1882, ele afirma que "o turco, o eslavo, o grego, o arménio, o árabe, o sírio, o curdo, são tão distintos hoje como sempre foram desde o primeiro dia da conquista".
 
Bernard Lewis afirma em "The Emergence of Modern Turkey", 1968:
"O império otomano era tolerante com outras religiões... Mas elas eram estritamente segregadas dos muçulmanos, nas suas próprias comunidades. Nunca eles foram permitidos a mesclar-se livremente na sociedade muçulmana como tinham feito anteriormente em Bagdade e Cairo... Se o converso era rapidamente aceite, os não-conversos eram excluídos tão fortemente que mesmo hoje, 500 anos após a conquista de Constantinopla, nem os Gregos nem os Judeus da cidade dominam a língua turca... Podemos falar de árabes cristãos - mas um turco cristão é um absurdo e uma contradição. Mesmo hoje, após 35 anos de uma república secular turca, um não-muçulmano na Turquia pode ser chamado de cidadão turco mas nunca de turco."
 
A Batalha de Rodes ocorrida em 1522, na cidade de Rodes (a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram actualmente o território administrado pela Grécia), opondo as forças do sultão otomano Suleiman e dos Cavaleiros de São João. O pretexto para o conflito foi o constante ataque que os cavaleiros em Rodes faziam contra os navios turcos. Tanto que a cidade era conhecida pelos otomanos como o lar dos demónios. Suleiman enviou uma mensagem ao grão-mestre dos Cavaleiros de São João, Philippe Villiers de L'Isle-Adam, que caso eles se rendessem, poderiam partir levando todos os seus tesouros. Mas a proposta foi recusada. Durante o Verão, em Junho, 300 navios e 100 mil soldados otomanos sitiaram Rodes, que contava com apenas 5 mil homens e 600 cavaleiros. Uma luta desigual. Mas ataque por ataque, os turcos iam sendo massacrados. Numa ofensiva otomana, Suleiman perdeu 15 mil soldados, enquanto os seus inimigos perderam apenas 200. A rendição dos cavaleiros veio em Dezembro, e o sultão aceitou a sua rendição pelas mesmas condições propostas antes, afinal ele já perdera mais de 60 mil homens. Os 180 cavaleiros e os mil e quinhentos soldados de Rodes seguiram com os seus tesouros, em navios turcos, até Creta. Os desastres militares do sultão mudou a sua política, sendo cada vez menos benevolente com os seus inimigos.
 
 

Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Egeu
Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram o território administrado pela Grécia. Famosa devido ao Colosso de Rodes, estátua considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade medieval de Rodes, capital da ilha, é Patrimônio Histórico da Humanidade. A ilha tem cerca de 1398 km2 e uma população de aproximadamente 82 mil habitantes.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006

Novas sete maravilhas do Mundo - rectificação

 
Aqueduto das Águas Livres - Lisboa, Portugal
Aqueduto das Águas Livres - Lisboa, Portugal
 
 
 

Relativamente ao meu post do passado dia 20 sobre "As Sete Maravilhas do Mundo Moderno", cuja votação decorre desde o dia 1 de Janeiro deste ano até 1 de Janeiro de 2007, parece que alguém terá colocado o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa na posição nº 22 na lista que se encontra na Wikipédia onde é lá dito que essa lista "está por ordem alfabética", pelo que achei estranho o Aqueduto, letra  A, estar no fim da mesma...
 
Tendo em consideração alguns comentários, as pesquisas que agora efectuei, para comprovar,  e que deveriam ter sido as primeiras... reparei que, para nossa tristeza, o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa não aparece nos endereços que consultei, salvo melhor opinião.
Pelo que li, ao fim de longas listas publicadas por diversas entidades, os peritos acabaram por considerar  77 locais,  que foram, efectivamente, reduzidos para uma lista de 21 que entrou em votação no início deste ano.
 
As Novas Sete Maravilhas Mundo serão anunciadas durante a Cerimónia Oficial da Declaração de Lisboa, Portugal, no sábado, 7 de Julho 2007  -  07.07.07
 
Alguns sites com interesse sobre este assunto:    
 
 
http://www.new7wonders.com/index.php?id=352&L=3  
 
http://www.new7wonders.com/index.php?id=476
 
http://www.lxjovem.pt/?id_categoria=19&id_item=251265&id_tema=25
 
 
  
Na Cerimónia Oficial da Declaração de Lisboa, Portugal, no sábado, 7 de Julho 2007  -  07.07.07, decorrem em paralelo:
A Declaração das Novas 7 Maravilhas do Mundo,
e a
Eleição das 7 Maravilhas de Portugal.

 
 
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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006

A Civilização Maia

 
Ruínas de construções maias no México
 
Ruínas de construções maias no México
 
 
 

A Civilização Maia habitou a América Central nos actuais Belize e Guatemala, e no Iucatã ao sul do México, com uma rica história de 3 000 anos, tratando-se de uma cultura meso-americana pré-colombiana. Contrariando a crença popular, o povo maia nunca "desapareceu", pois milhões ainda vivem na mesma região e muitos deles ainda falam alguns dialectos da língua original. Este artigo discorre principalmente sobre a civilização maia antes da conquista espanhola.
 
 
Origem
 

Evidências arqueológicas mostram que os maias começaram a edificar a sua arquitectura cerimonial há 3 000 anos. Entre os estudiosos há um certo desacordo entre os limites e diferenças entre a civilização maia e a cultura meso-americana pré-clássica vizinha dos olmecas. Os olmecas e os maias antigos, parecem ter-se influenciado mutuamente.
 
Os monumentos mais antigos consistem em simples montículos onde construíram tumbas funerárias, precursoras das pirâmides
erigidas mais tarde.
 
Eventualmente, a cultura olmeca ter-se-ia desvanecido depois de dispersar a sua influência na península de Iucatã, na Guatemala
e em outras regiões.
 
Os maias construíram as famosas cidades de Tikal, Palenque, Copán, e Calakmul, também Dos Pilas, Uaxactún, Altún Ha, e muitos outros centros habitacionais na área. Desenvolveram um império baseado na agricultura depois de uma longa fase de cidades-estado independentes. Os monumentos mais notáveis são as pirâmides que construíram nos seus centros religiosos, junto aos palácios dos seus governantes. Outros restos arqueológicos muito importantes são as chamadas estelas (os maias chamam-nas de Tetún, ou “tres piedras”), monólitos de proporções consideráveis que descrevem os governantes da época: a sua genealogia, os seus feitos de guerra e outros grandes eventos, gravados em caracteres hieroglíficos
.
 
Os maias participavam activamente no comércio em toda a meso-américa e possivelmente além. Entre os principais produtos do comércio estavam o cacau, o sal e a obsidiana (variedade de rocha vulcânica de aspecto vítreo, que outrora era utilizada para fazer facas, pontas de lança, espelhos, etc.).
 
Arte
 
Muitos consideram a arte maia da Era Clássica (200 a 900 d.C.) como a mais sofisticada e bela do Novo Mundo antigo. Os entalhes e relevos em estuque de Palenque e o estatuário de Copán são especialmente refinados, mostrando uma graça e observação precisa da forma humana, que recordaram aos primeiros arqueólogos da civilização do Velho Mundo, daí o nome dado à Era.
 
Somente existem fragmentos da pintura avançada dos maias clássicos, a maioria sobrevivente em artefactos funerários e outras cerâmicas. Também existe uma construção em Bonampak que tem murais
antigos e que, afortunadamente, sobreviveram a um acidente.
 
Com as decifrações da escrita
maia descobriu-se que essa civilização foi uma das poucas nas quais os artistas escreviam o seu nome nos seus trabalhos.
 
Arquitectura
 
A arquitectura maia abarca vários milénios; ainda assim, mais dramática e facilmente reconhecíveis como maias são as fantásticas pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante. Durante este período da cultura maia, os centros de poder religioso, comercial e burocrático, cresceram para se tornarem incríveis cidades como Chichén Itzá, Tikal e Uxmal. Devido às suas muitas semelhanças assim como diferenças estilísticas, os restos da arquitectura maia são uma chave importante para o entendimento da evolução da sua antiga civilização.
 
Desenho urbano
 
Ainda que as cidades maias estivessem dispersas na diversidade da geografia da meso-américa, o efeito do planeamento parecia ser mínimo; as suas cidades foram construídas de uma maneira um pouco descuidada, como ditava a topografia e declive particular. A arquitectura maia tendia a integrar um alto grau de características naturais. Por exemplo, algumas cidades existentes nas planícies de pedra calcária no norte do Iucatã converteram-se em municipalidades muito extensas enquanto que outras, construídas nas colinas das margens do rio Usumacinta, utilizaram os declives e montes naturais da sua topografia para elevar as suas torres e templos a alturas impressionantes. Ainda assim prevalece algum sentido de ordem, como é requerido por qualquer grande cidade. No começo da construção em grande escala, geralmente estabelecia-se um alinhamento com as direcções cardinais e, dependendo do declive e das disponibilidades de recursos naturais como água fresca (poços ou cenotes), a cidade crescia ligando grandes praças com as numerosas plataformas que formavam os fundamentos de quase todos os edifícios maias, por meio de calçadas ou sacbeob. No coração das cidades maias existiam grandes praças rodeadas por edifícios governamentais e religiosos, como a acrópole real, grandes templos de pirâmides e ocasionalmente campos de jogo de bola. Imediatamente para fora destes centros rituais estavam as estruturas das pessoas menos nobres, templos menores e santuários individuais. Entretanto, quanto menos sagrada e importante era a estrutura, maior era o grau de privacidade. Uma vez estabelecidas, as estruturas não eram desviadas das suas funções nem outras eram construídas, mas as existentes eram frequentemente reconstruídas ou remodeladas. As grandes cidades maias pareciam tomar uma identidade quase aleatória, que contrasta profundamente com outras cidades da meso-américa como Teotihuacán na sua construção rígida e quadriculada. Ainda que a cidade se dispusesse no terreno na forma em que a natureza ditara, punha-se cuidadosa atenção à orientação dos templos e observatórios para que fossem construídos de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas. Afora os centros urbanos constantemente em evolução, havia os lugares menos permanentes e mais modestos do povo comum.
 
O desenho urbano maia pode descrever-se singelamente como a divisão do espaço em grandes monumentos e calçadas. Neste caso, as praças públicas ao ar livre eram os lugares de reunião para as pessoas. Por esta razão, o enfoque no desenho urbano tornava o espaço interior das construções completamente secundário. Somente no período pós-clássico tardio, as grandes cidades maias se converteram em fortalezas
que já não possuíam, na maioria das vezes, as grandes e numerosas praças do período clássico.
 
Materiais de construção
 
Um aspecto surpreendente das grandes estruturas maias é a carência de muitas das tecnologias avançadas que poderiam parecer necessárias a tais construções. Não há notícia do uso de ferramentas de metal, polias ou veículos com rodas. A construção maia requeria um elemento com abundância, muita força humana, embora contasse com abundância dos materiais restantes, facilmente disponíveis. Toda a pedra usada nas construções maias parece ter sido extraída de pedreiras locais; com maior frequência era usada pedra calcária, que ainda que extraída e exposta, permanecia adequada para ser trabalhada e polida com ferramentas de pedra, só endurecendo muito tempo depois. Além do uso estrutural de pedra calcária, esta era usada em argamassas feitas do calcário queimado e moído, que tem propriedades muito semelhantes às do actual cimento, geralmente usada para revestimentos, tetos e acabamentos e para unir as pedras apesar de, com o passar do tempo e da melhoria do acabamento das pedras, reduzirem esta última técnica, já que as pedras passaram a encaixar-se quase perfeitamente. Ainda assim o uso da argamassa permaneceu crucial em alguns tetos de postes e vergas sobre portas e janelas (dintel). Quando se tratava das casas comuns, os materiais mais usados eram as estruturas de madeira, adobos nas paredes e cobertura de palha, embora tenham sido descobertas casas comuns feitas de pedra calcária, senão total, parcialmente. Embora não muito comum, na cidade de Comalcalco, foram encontrados ladrilhos de barro cozido, possivelmente solução encontrada para o acabamento em virtude da falta de depósitos substanciais de boa pedra.
 
Processo de construção
 
Todas as evidências parecem sugerir que a maioria dos edifícios foi construída sobre plataformas aterradas cuja altura variava de menos de um metro, no caso de terraços e estruturas menores, até quarenta e cinco metros no caso de grandes templos e pirâmides. Uma trama inclinada de pedras partia das plataformas em pelo menos um dos lados, contribuindo para a aparência bi-simétrica comum à arquitectura maia. Dependendo das tendências estilísticas que prevaleciam na área e época, estas plataformas eram construídas de um corte e um aterro de entulhos densamente compactado. Como no caso de muitas outras estruturas, os relevos maias que os adornavam, quase sempre se relacionavam com o propósito da estrutura a que se destinavam. Depois de terminadas, as grandes residências e templos eram construídas sobre as plataformas. Em tais construções, sempre erguidas sobre tais plataformas, é evidente o privilégio dado ao aspecto estético exterior em contra-ponto a pouca atenção à utilidade e funcionalidade do interior. Parece haver um certo aspecto repetitivo quanto aos vãos das construções nos quais os arcos (como curvas) são raros, mas frequentemente rectos, angulados ou imbricados, tentando mais reproduzir a aparência de uma cabana maia, do que efectivamente incrementar o espaço interior. Como eram necessárias grossas paredes para sustentar o teto, alguns edifícios das épocas mais posteriores utilizaram arcos repetidos ou uma abóbada arqueada para construir o que os maias denominavam pinbal, ou saunas, como a do Templo da Cruz em Palenque. Ainda que completadas as estruturas, a elas se iam anexando extensos trabalhos de relevo ou pelo menos reboco para aplainar quaisquer imperfeições. Muitas vezes sob tais rebocos foram encontrados outros trabalhos de entalhes e dintéis e até mesmo pedras de fachadas. Comummente a decoração com faixas de relevos era feita em redor de toda a estrutura, provendo uma grande variedade de obras de arte relativas aos habitantes ou ao propósito do edifício. Nos interiores e notadamente em certo período foi comum o uso de revestimentos em reboco primorosamente pintados com cenas do uso quotidiano ou cerimonial.
 
Há sugestão de que as reconstruções e remodelações ocorriam em virtude do encerramento de um ciclo completo do calendário maia de conta larga, de 52 anos. Actualmente, pensa-se que as reconstruções eram mais instigadas por razões políticas do que pelo encerramento do ciclo do calendário, já que teria havido coincidência com a data da assunção de novos governantes. Não obstante, o processo de reconstrução em cima de estruturas velhas é uma prática comum. Notavelmente, a acrópole de Tikal
, parece ser a síntese de um total de 1500 anos de modificações arquitectónicas. Eles fazem a construção em pedras.
 
 
Construções notáveis
 
Plataformas cerimoniais
 
Estas eram comummente plataformas de pedra calcária com muros de menos de quatro metros de altura onde se realizavam cerimónias públicas e ritos religiosos. Construídas nas grandes plataformas, eram ao menos realçadas com figuras talhadas em pedra e às vezes tzompantli ou uma estaca usada para exibir as cabeças das vítimas ou sejam, os oponentes derrotados nos jogos de bola meso-americanos.
 
Palácios
 
Grandes e geralmente muito decorados, os palácios geralmente ficavam próximos do centro das cidades e hospedavam a elite da população. Qualquer palácio real grande ou ao menos que tivesse várias câmaras ou erguido em vários níveis, tem sido chamado de acrópole. Tais construções consistiam de várias pequenas câmaras ou pelo menos um pátio interno, parecendo propositadas a servirem de residência a uma pessoa ou pequeno grupo familiar decorada como tal. Os arqueólogos parecem estar de acordo em que muitos palácios são também o lugar de muitas tumbas mortuárias. Em Copán, debaixo de 400 anos de remodelações posteriores, descobriu-se a tumba de um dos seus antigos governantes e a acrópole de Tikal parece ter sido o lugar de vários sepultamentos do final do período pré-clássico e início do clássico.
 
Grupos E
 
Os estudiosos têm denominado de "Grupo E" à frequentemente encontrada formação de três pequenas construções, sempre situadas a oeste das cidades, tratando-se de um intrigante mistério a sua recorrência. Estas construções sempre incluem pelo menos uma pequena pirâmide-templo a oeste da praça principal que tem sido aceite como observatório devido ao seu preciso posicionamento em relação ao Sol, quando observado da pirâmide principal nos solstícios e equinócios. Outras teses sugerem que a sua localização reproduz ou pelo menos se relaciona com a história da criação do Universo segundo a mitologia maia, visto que vários dos seus adornos a ela, frequentemente, se referem.
 
Pirâmides e templos
 
Com frequência os templos religiosos mais importantes se encontravam em cima das pirâmides maias, supostamente por ser o lugar mais perto do céu. Embora recentes descobertas apontem para o uso extensivo de pirâmides como tumbas, os templos raramente parecem ter contido sepulturas. A falta de câmaras funerárias indica que o propósito de tais pirâmides não é servir como tumbas e se as encerram isto é incidental. Pelas íngremes escadarias, permitia-se aos sacerdotes e oficiantes o acesso ao cume da pirâmide onde havia três pequenas câmaras com propósitos rituais. Os templos sobre as pirâmides, a mais de 60 metros de altura, como El Mirador, de onde se descortinava o horizonte ao longe, constituíram estruturas impressionantes e espectaculares, ricamente decoradas. Comummente possuíam uma crista sobre o teto, ou um grande muro que, teorizam, poderia ter servido para a escrita de sinais rituais para serem vistos por todos. Como eram ocasionalmente as únicas estruturas que excediam a altura da selva, as cristas sobre os templos eram minuciosamente talhadas com representações dos governantes que se podiam ver de grandes distâncias. Debaixo dos orgulhosos templos estavam as pirâmides que eram, em última instância, uma série de plataformas divididas por escadarias empinadas que davam acesso ao templo.
 
Observatórios astronómicos
 
Os maias foram excepcionais astrónomos e mapearam as fases e cursos de diversos corpos celestes, especialmente da Lua e de Vénus. Muitos dos seus templos tinham janelas e miras demarcatórias (e provavelmente outros aparatos) para acompanhar e medir o progresso das rotas dos objectos observados. Templos arredondados, quase sempre relacionados com Kukulcan, são talvez os mais descritos como observatórios pelos mais modernos guias turísticos de ruínas, mas não há evidências que o seu uso tinha exclusivamente esta finalidade, como também, em vários templos sobre pirâmides, foram encontradas marcações de miras que indicam que observações astronómicas também foram feitas dali.
 
Campos de jogo de bola
 
Um aspecto interessante do estilo de vida meso-americano é o seu jogo de bola ritual e os seus campos ou estádios, que foram construídos por todo o império maia em grande escala. Estes estádios situavam-se normalmente nos centros das cidades. Tratava-se de espaços amplos entre duas laterais de plataformas ou rampas escalonadas paralelas, em forma de "I" maiúsculo direccionado uma plataforma cerimonial ou templo menor. Tais campos foram encontrados na maioria das cidades maias, excepto nas mais pequenas.
 
 
Sistema de escrita
 
O sistema de escrita maia (geralmente chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egipto, com o qual não se relaciona) era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. É o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no velho mundo. As decifrações da escrita maia têm sido um longo e trabalhoso processo. Algumas partes foram decifradas no final do século XIX e início do século XX (em sua maioria, partes relacionadas com números, calendário e astronomia), mas os maiores avanços fizeram-se nas décadas de 1960 e 1970 e se aceleraram daí em diante de maneira que actualmente a maioria dos textos maias podem ser lidos quase completamente nos seus idiomas originais. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, na sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os livros maias logo após a conquista. Assim, a maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra e isto porque a grande maioria estava situada em cidades já abandonadas quando os espanhóis chegaram. Os livros maias, tinham normalmente páginas semelhantes a um cartão, feitas de um tecido sobre o qual aplicavam uma película de cal branca, sobre a qual eram pintados os caracteres e desenhadas ilustrações. Os cartões ou páginas eram atadas entre si pelas laterais de maneira a formar uma longa fita que era dobrada em zigue-zague para guardar e desdobrada para a leitura. Actualmente restam apenas três destes livros e algumas outras páginas de um quarto, de todas as grandes bibliotecas então existentes. Frequentemente são encontrados, nas escavações arqueológicas, torrões rectangulares de gesso que parecem ser restos do que fora um livro depois da decomposição do material orgânico.
 
Relativamente aos poucos escritos maias existentes, Michael Cor, um proeminente arqueólogo da Universidade de Yale disse:
“Nosso conhecimento do pensamento maia antigo representa só uma minúscula fracção do panorama completo, pois dos milhares de livros nos quais toda a extensão dos seus rituais e conhecimentos foram registados, só quatro sobreviveram até os tempos modernos (como se toda a posteridade soubesse de nós, baseados apenas em três livros de orações e "El Progreso del Peregrino).” (Michael D. Cor, The Maya, Londres: Thames y Hudson, 4ª ed., 1987, p. 161.)
 
Livros maias
  • Chilam Balam
  • Popol Vuh , (que significa livro da reunião ou comunidade, considerado a Bíblia Maia)
  • Rabinal Achí
  • Anais dos Cakchiqueles

Matemática
 
Os maias (ou os seus predecessores olmecas) desenvolveram independentemente o conceito de zero (de facto, parece que estiveram a usar o conceito muitos séculos antes do velho mundo), e usavam um sistema de numeração de base 20. As inscrições mostram-nos, em certas ocasiões, que trabalhavam com somas até à centena de milhões. Produziram observações astronómicas extremamente precisas; os seus diagramas dos movimentos da Lua e dos planetas se não são iguais, são superiores aos de qualquer outra civilização que tenha trabalhado sem instrumentos ópticos. Ao encontro desta civilização com os conquistadores espanhóis, o sistema de calendários dos maias já era estável e preciso, notavelmente superior ao calendário gregoriano
, muitas vezes reformado depois disto.
 
Decadência da civilização maia
 
Nos séculos VIII e IX a cultura maia clássica entrou em decadência, abandonando a maioria das grandes cidades e as terras baixas centrais. A guerra, o esgotamento das terras agrícolas e a seca, ou ainda a combinação destes factores, são frequentemente sugeridos como os motivos da decadência. Existem evidências de uma era final em que a violência se expandia: cidades amplas e abertas foram então fortemente guarnecidas por muralhas, às vezes visivelmente construídas às pressas. Teoriza-se também com revoltas sociais em que classes campesinas acabaram revoltando-se contra a elite urbana nas terras baixas centrais.
 
Os estados maias pós-clássicos também continuaram prosperando nos planaltos do sul. Um dos reinos maias desta área, Quiché, é o responsável pelo mais amplo e famoso trabalho de historiografia e mitologia maias, o "Popol Vuh".
 
A conquista dos estados maias
 
Os maias foram absorvidos durante o processo de expansão do império asteca por volta do século XV. Por fim, no ano de 1519, Hernán Cortez inicia a conquista das terras astecas, anteriormente parte do território maia. Algumas cidades ofereceram uma grande e feroz resistência; a última cidade estado não foi subjugada pelos espanhóis senão em 1697.
 
Panorama das descobertas
 
Cristóvão Colombo, que tomou posse da ilhota (San Salvador) em nome da Coroa de Castela em 12 de Outubro de 1492 e vagou pelas ilhas do Haiti, Cuba e Jamaica, julgava tratar-se das costas ocidentais de Cipango (Japão) e Catai (China).
 
De retorno, a mercadoria mais interessante que trouxe foram habitantes das terras ocidentais, os índios Caraíbas (vendeu 509 deles em Sevilha em 1495 e o seu irmão vendeu 300 no ano seguinte em Cádis
) que, pela sua nudez e modos, logo denunciaram não pertencerem aos reinos das índias, havendo até quem dissesse que nem mesmo descendentes de Adão eram.
 
Assim, logo se alastrou o preceito de que se chegara apenas nas antilhas ou seja, terra inculta e inóspita a caminho das Índias, razão porque, em 1506, Juan Dias de Solis e Vicente Yanes Pizon, quando chegaram ao México, no extremo norte do Iucatã
, julgaram tratar-se apenas de mais outra ilha.
 
Nem no sôfrego desembarque emergencial de um punhado de sobreviventes de uma expedição de Vasco Nuñes de Balboa, em 1511, nas costas do México, nem a chegada de Ponce de León em 1513, mais ao norte, na Flórida, deram notícia dos Maias, que continuaram ignorados mesmo de Fernando Cortez quando se apoderava do Império Asteca no México Central a partir de 1519
.
 
Primeiro contacto
 
Foi somente em 4 de Março de 1517 que a flotilha comandada por Francisco Hernandes de Córdoba (que estava à procura de índios para os escravizar nas fazendas de Cuba), fugindo a uma tempestade que já durava dois dias, aportou no norte do Iucatã e logo foi assediada por algumas canoas repletas de maias vestidos com túnicas de algodão e (em razão de suas aparências) os espanhóis logo lhes atribuíram mais razão que os habitantes de Cuba.
 
As sólidas e grandiosas construções ("casas de cal y canto") visíveis do mar inspiraram o nome que os espanhóis deram ao lugar: "Gran Cairo" que evocava a cultura islamita da qual os ibéricos eram tradicionais adversários (recorrentemente chamavam as pirâmides de mesquitas
). Tratava-se do primeiro contacto entre as duas civilizações.
 
Entendendo-se por sinais, os espanhóis aceitaram o convite e desembarcaram no dia seguinte e, após duas horas de marcha continente adentro, foram surpreendidos pelo ataque dos maias no qual, já de início, sucumbiram 15 espanhóis. E sucumbiriam todos, se não fora o uso dos mosquetes
que mais pelo barulho que pelo efeito fatal, pôs os atacantes em fuga.
 
Conta-nos Bernal Diaz de Castilho
 na sua obra História da Conquista da Nova Espanha, que ficaram horrorizados pelo grande número de ídolos de argila, uns com cabeças monstruosas, mulheres de grande estatura, todos em cenas e gestos diabólicos e que ...Gonzales, o padre da expedição, passou os cinco dedos em diversos deles e confiscou todo o ouro que encontrou.
 
Apresando dois maias, a expedição fez-se ao mar novamente e navegou a oeste e sul até chegar na actual Campeche
cujas duas grandes torres visíveis ao longe do mar inspiraram o nome Punta de las Mujeres dado ao local.
 
Aí os espanhóis horrorizaram-se, pois o sacerdote local acabara de praticar um sacrifício e as paredes, assim como os cabelos do sacerdote, estavam ensopados de sangue (e era preceito rigoroso que não se podia limpar-los). O mal-estar deve ter ficado explícito e o sacerdote, convocando um grande número de guerreiros, fez os espanhóis entenderem que não eram bem-vindos: acenderam uma pequena fogueira e deram a entender que se eles não se fossem até o fogo se extinguir, iria haver violência.
 
Cautelosa a tripulação retirou-se e rumou mais para o sul até Champoton
onde desembarcaram pois a provisão de água dos navios se tinha acabado e era necessário renová-la. Tentando encher as suas pipas e vasilhas num poço dos maias, estes os hostilizaram e atacaram por dias a fio, flexando-os à distância do fio das espadas e dos tiros de mosquetes que já não os assustavam.
 
Sem outra alternativa, os espanhóis romperam o cerco e fugiram em direcção aos navios, abandonando as vasilhas de água. Na fuga os batéis emborcaram e os espanhóis seguiram meio a nado, meio agarrados aos escombros, e depois foram resgatados.
 
Da centena de homens do início da expedição, neste embate cinquenta foram mortos e os que não tiveram as suas gargantas cortadas com espadas de madeira encravadas de sílex foram capturados para servirem a futuros sacrifícios
, e todos os demais ficaram feridos à excepção de um único soldado que surpreendentemente saiu ileso.
 
O próprio cronista Bernal Diaz de Castilhos, então com 25 anos, havia levado três flechadas, e o chefe da expedição Hernandes de Córdoba veio a falecer das complicações dos ferimentos daqueles combates.
 
Feitos ao mar sem água potável, com pesadas baixas mas com um punhado de ouro, estes primeiros conquistadores foram o estopim para futuras expedições de outros tantos aventureiros. Assim se iniciava a conquista dos estados maias.
 
Redescoberta dos maias
 
As colónias espanholas americanas estavam muito afastadas do mundo exterior, e as ruínas das grandes cidades antigas eram pouco conhecidas excepto pelos locais. Entretanto, em 1839, o explorador americano John Lloyd Stephens, escutando notícias de ruínas perdidas nas selvas, visitou Copán, Palenque e outras localidades acompanhado do arquitecto e desenhista Frederick Catherwood. O seu diário de viagem ilustrado sobre as ruínas incendiaram um forte interesse pela região e a sua gente promovendo a assimilação do vínculo com a cultura maia entre os dirigentes locais. A maioria da população rural contemporânea da Guatemala e Belize é maia por descendência e idioma primário; em áreas rurais do México ainda existe uma cultura maia.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 21 de Outubro de 2006

A Batalha de Trafalgar

 
A Batalha de Trafalgar
 
 
 

A Batalha de Trafalgar foi uma batalha naval que ocorreu entre a França e Espanha contra a Inglaterra, em 21 de Outubro de 1805, faz hoje 201 anos, na era napoleónica. A esquadra franco-espanhola era comandada pelo almirante Villeneuve, enquanto que a inglesa era comandada pelo almirante Nelson, para muitos o maior génio em estratégia naval que já existiu. A França queria invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha, mas antes tinha que se livrar do empecilho que era a marinha inglesa. Nelson tinha que evitar isso.

Local
 
O Cabo de Trafalgar fica ao sul de Cádis, na costa atlântica espanhola.
 

Localização de CÁDIS 

 
Contexto histórico
 
A paz assinada em Amiens em Março de 1802 não passou de uma pequena trégua de um ano, que permitiu ao Almirante Nelson retirar-se para uma quinta que tinha adquirido em Merton, descansando um pouco da intensa vida que levava há mais de uma década. As hostilidades retomaram em 1803 e, pouco tempo depois, Nelson seria nomeado comandante da esquadra do Mediterrâneo. O momento continuava a ser delicado para os ingleses, na medida em que Bonaparte continuava a pensar na invasão da Grã-Bretanha e no ataque a Londres, que poria fim ao que tinha sido a maior resistência aos seus planos imperiais. E é interessante observar aqui uma questão que se prende com a já referida diferença da maneira de pensar a guerra em França e em Inglaterra: vimos como os ingleses se empenharam persistentemente no ataque às esquadras francesas, procurando-as à saída dos próprios portos; as derrotas que infringiram tiveram uma importância fulcral para a sua independência, mas Napoleão nunca as valorizou na sua verdadeira dimensão, porque entendia que tudo isso poderia ter fim nesse assalto e ocupação da velha Albion. Na verdade, para conseguir a almejada invasão, precisava de dominar o espaço marítimo do Canal da Mancha durante o espaço necessário ao movimento das tropas, e isso apresentava-se como impossível face ao Poder Naval britânico. Tentou, contudo, um plano: concentrar momentaneamente o maior número de navios possível no Canal, evitando simultaneamente que os ingleses fizessem o mesmo. Não era fácil, porque a presença dos navios de reconhecimento era constante à frente dos portos, e todos os movimentos seriam detectados. Sobretudo, era muito difícil levar navios do Mediterrâneo para o norte, porque a passagem em Gibraltar 
era visível e levantaria suspeitas. Concebeu, no entanto, uma manobra que poderia ter tido algum êxito: uma imensa esquadra combinada, de navios franceses e espanhóis, sairia do Mediterrâneo, atraindo os ingleses até às Antilhas; daí regressaria rapidamente com os ventos gerais do oeste, unindo-se às esquadras de Brest e Rocheford que avançariam para a Mancha. Nessa altura concretizar-se-ia a invasão. Franceses e espanhóis, constituindo uma imensa armada de cerca de trinta navios (juntava-se a esquadra de Toulon e Cádis), comandada pelo Almirante Villeneuve, saia em direcção a oeste iludindo completamente a vigilância de Nelson que os buscava desesperadamente. Tanto quanto se pode saber, terá sido um oficial da marinha portuguesa a sugerir-lhe que o destino eram as Índias Ocidentais, e os ingleses correram até às Antilhas, mas não encontraram nada e regressaram até à zona de Cádis, onde o comando dos navios foi entregue a Collingwood, enquanto Nelson se deslocava a Portsmouth a bordo da “Victory”. Villeneuve regressou como estava previsto, mas perto de Finisterra defrontou-se com uma armada inglesa comandada pelo Almirante Calder. Na verdade a refrega não tinha tido grande importância, mas estava previsto que a esquadra de Brest viesse ao seu encontro e tal não tinha acontecido, de forma que decidiu regressar a Cádis na convicção de que a invasão tinha sido adiada. Na verdade sabemos hoje que Napoleão tinha abandonado a ideia, resolvendo concentrar esforços para atacar a Áustria, mas não temos referência nenhuma a que essa informação alguma vez tenha chegado a Villeneuve. Entrou em Cádis no final de Agosto de 1805 e, dessa vez, Nelson tinha controlado bem o seu movimento, movendo-lhe um bloqueio largo que não impedia a sua saída, mas que lhe permitiria tomar rapidamente uma formação de batalha e dar-lhe combate, caso isso sucedesse. Os espanhóis aconselharam a que se ficasse no porto e aí se invernasse até à próxima estação: o esforço de bloqueio era dos ingleses que tinham de ficar no mar e suportar todos os incómodos dessa situação, enquanto eles recuperavam forças em terra. No entanto, as pressões sobre Villeneuve para que saísse eram muito grandes, e é provável que a mais forte de todas fosse a ameaça do próprio Imperador. Há mesmo uma altura em que o Almirante francês decide aceitar o conselho dos espanhóis, mas muda de opinião, dois dias depois. Nelson previra o que iria acontecer e preparou o seu plano de batalha com todo o cuidado, dentro das regras que ele próprio considerava adequadas: atacaria os espanhóis a partir de uma posição a barlavento, dividindo a sua força em duas colunas que abordariam o inimigo a meio da sua formação, procurando desfazê-la e parti-la, para que tivesse de se empenhar em combates singulares onde os seus navios da retaguarda já não podiam ser socorridos pelos mais avançados.
 
No dia 9 de Outubro – e como já acontecera antes – escreveu todas as instruções num memorando que divulgou a todos os capitães. A manobra era perigosa porque a aproximação ao inimigo seria feita sem possibilidades de fazer fogo sobre ele (os navios não tinham capacidade de fogo para vante), e expondo-se a toda a extensão das suas baterias, mas era a única forma de os obrigar verdadeiramente a combater. Confiava que a sua exposição não seria muito demorada e, sobretudo, acreditava na resistência dos seus navios e na perícia dos seus homens. Os espanhóis saíram a 19 de Outubro navegando em direcção ao sul (ao estreito) com vento oeste, e de imediato foram avistados pelas fragatas inglesas que deram o alarme. A esquadra inglesa manobrou tal como previra o seu experiente comandante, perseguindo o inimigo até à madrugada do dia 21, quando Villeneuve deu ordem para virar em roda e regressar a norte. Esta manobra tem sido alvo de grandes controvérsias a que a historiografia inglesa responde com uma única justificação: o Almirante inimigo não sabia o seu ofício. Com vento oeste, se a esquadra virou em roda a sul do Cabo Trafalgar e à distância que se supõe do mesmo, ficaria numa situação de vento muito escasso para demandar Cádis. Seria um erro demasiado grosseiro, para quem, apesar de tudo tinha uma grande experiência de mar. A verdade é que com esta manobra a formação aliada desfez-se um pouco e favoreceu o ataque inglês nos moldes em que o determinara Nelson.
 
Estratégia inglesa
 
Como a armada francesa era bem maior que a inglesa (33x27), Nelson tinha que preparar uma excelente estratégia. A ideia foi a de atacar a esquadra inimiga que navegava pela costa surpreendendo-a pelo oceano, atacando em duas colunas em fila indiana. Essa estratégia tinha um ponto fraco que era a exposição por aproximadamente 20 minutos dos navios ingleses aos canhões franco-espanhóis. Nelson tinha confiança que sua esquadra aguentaria o fogo em direcção às proas inglesas e, em seguida, poderia apontar os seus canhões nas popas e proas inimigas. Logo após isso, eles virariam os navios de modo a emparelhá-los com os inimigos. O plano original incluía também uma contenção pelo norte, impedindo a marinha inimiga de fugir e iniciarem uma luta espaçada em alto mar. Mas Nelson não tinha barcos suficientes para essa terceira coluna. O plano pretendia gerar confusão na compacta frota franco-espanhola e permitir um combate navio contra navio, o que favorecia os britânicos.
 
Execução
 
Tudo ocorreu perfeitamente para os ingleses, com vários barcos inimigos afundados ou capturados, graças à perícia dos marujos ingleses no manejo dos canhões. No entanto, Nelson morreu na batalha, atingido por uma bala de mosquete das velas de gávea do francês Redoutable que no momento varria o Victory  de popa à proa. Quem assumiu o comando da frota inglesa foi o vice-almirante Cuthbert Collingwood, da nau capitânia Royal Sovereign. Após a batalha, uma tempestade alcançou a frota inglesa, que acabou perdendo grande parte dos navios recém conquistados, já muito destroçados.
 
Consequências
 
Napoleão perdeu o controle do Atlântico, e não pôde atacar a Inglaterra, na sua tão desejada Campanha da Bolonha. Nelson, por outro lado, tornou-se um dos maiores heróis ingleses de todos os tempos. Villeneuve suicidou-se pela derrota. E foi essa vitória que talvez tenha possibilitado o contra ataque inglês na Península Ibérica. E também a fuga da família real portuguesa dos Braganças para o Brasil.
Fonte: Wikipédia.  
 
 

Interactividade
 
Por achar relevante, em termos de complemento a este artigo, transcrevo o comentário deixado por  marius70, ao qual agradeço. 
    
De marius70  a 21 de Outubro de 2006 às 06:29
 
[ Duzentos anos após a famosa batalha naval de Trafalgar, britânicos, franceses e espanhóis prestaram homenagem aos milhares de marinheiros mortos no confronto ao largo de Cádis - em especial ao herói da batalha, o almirante Horatio Nelson. "21 de Outubro de 1805, sete mil mortos com valor, heroísmo, coragem e compromisso. 21 de Outubro de 2005, três nações e um projecto comum, memória conjunta com que prestamos tributo à História, não à guerra, mas aos que morreram na batalha", disse em Cádis o chefe do estado-maior da marinha espanhola, almirante Sebastián Soto.
 
No Reino Unido, as comemorações começaram com o içar das 31 bandeiras no mastro principal do HMS Victory que formaram a frase "Inglaterra espera que cada um cumpra o seu dever" que deu início à batalha de cinco horas.
 
Em Espanha, o neto de Villeneuve - o almirante considerado o responsável pela derrota franco-espanhola que se suicidou seis meses depois da batalha - referiu que "ele sabia que seria uma catástrofe, mas decidiu mesmo assim confrontar Nelson". André de Villeneuve disse ainda que em França simplesmente "não se fala" de Trafalgar.
 
Ao largo de Trafalgar, cada um dos quatro navios que participaram na homenagem lançou uma coroa de flores para homenagear os marinheiros mortos em 1805.
 
«Fonte: DN OnLine»
 
Curioso é que o facto de todas as potências envolvidas homenagearem a Batalha e como bem disse José Bono Ministro da Defesa espanhol:
 
"As guerras são sempre perdidas e todos os países as perdem. É bom lembrar o que aconteceu, para afastar o que poderia acontecer de novo" ].
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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