Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Muro de Berlim

 
Muro de Berlim em 1986

Muro de Berlim em 1986



O Muro de Berlim foi uma realidade e um símbolo da divisão da Alemanha em duas entidades estatais, a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA). Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: Berlim Ocidental (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América; e Berlim Oriental (RDA), constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético (ver mapa aqui). Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de o atravessar.
 
O Muro de Berlim caiu no dia 9 de Novembro de 1989, faz hoje 18 anos, acto inicial da reunificação das duas Alemanhas, que formaram finalmente a República Federal da Alemanha, acabando também a divisão do mundo em dois blocos. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria.
 
O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.
 
 
Queda do Muro
 
O Muro de Berlim caiu na noite de 9 de Novembro de 1989 depois de 28 anos de existência. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago Neusiedler See. O impulso decisivo para a queda do muro foi um mal-entendido entre o governo da RDA. Na tarde do dia 9 de Novembro houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo na televisão alemã-oriental. Günter Schabowski, membro do Politburo do SED, anunciou uma decisão do conselho dos ministros de abolir imediatamente e completamente as restrições de viagens ao Oeste. Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte, para anteriormente informar todas as agências governamentais.
 
Pouco depois deste anúncio houve notícias sobre a abertura do muro na rádio e televisão ocidental. Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controle de passaportes haviam sido instruídas. Por causa da força da multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer, a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Straße, às 23 h, mais tarde em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental. Muitas pessoas viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois deslocaram-se à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira se abriu, na manhã do dia 10 de Novembro havia grandes multidões de pessoas querendo passar pela fronteira.
 
Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca se tinham visto antes, cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram o muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente cantaram a hino nacional da Alemanha.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Fotografia Aérea com Papagaio

 
Fotografia Aérea com Papagaio em Bergkirchen, Lippe, Alemanha

Fotografia Aérea com Papagaio em Bergkirchen, Lippe, Alemanha

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Fotografia Aérea com Papagaio, ou Kite Aerial Photography (KAP)  é um método de obtenção de fotos aéreas.
 
KAP é uma técnica de fotografia que usa um papagaio para elevar a máquina fotográfica a uma determinada altura. A máquina fotográfica normalmente fica presa a um suporte que é ligado à linha do papagaio ou mesmo ao papagaio (vulgarmente conhecido como um brinquedo que voa baseado na oposição entre a força do vento e a da corda segurada pelo operador).
 
Esta técnica é maioritariamente usada para fins recreativos e artísticos, sendo também usada para fins de cartografia. Neste caso, podem ser usadas duas câmaras simultaneamente e criar uma imagem estereoscópica de uma paisagem, podendo ser analisado o seu relevo.
 
O registo mais antigo de uma fotografia aérea remonta aos finais de 1880, tirada por Arthur Batut sobre Labruguière (França).
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das técnicas usadas para espiar o terreno inimigo. Haviam algumas equipas de fotógrafos que iam para as linhas de combate e que fotografavam as posições das frentes inimigas. Este tipo de espionagem requeria que os fotógrafos levassem consigo equipamento necessário para realizar a revelação.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Balão barragem

 
Navios de desembarque descarregam numa das praias na Normandia durante o Dia D. É possível ver os balões barragem que protegem os navios de ataques aéreos

Navios de desembarque descarregam numa das praias na Normandia
durante o Dia D. É possível ver os balões barragem que protegem
os navios de ataques aéreos

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Um balão barragem é um balão enorme, baseado no desenho de Caquot do balão de observação, utilizado como defesa contra aviões. O balão possuía um cabo que o ligava ao solo ou a edifícios e que servia como obstáculo aos aviões, nomeadamente às hélices. Algumas versões carregavam pequenas cargas explosivas que eram puxadas contra o avião para garantir a destruição do aparelho. Os balões barragem apenas eram realmente bem-sucedidos para aviões de baixo voo, pois o peso de um cabo mais longo impedia a sua utilização em maiores altitudes.
 
Em 1938 o Comando Britânico de Balões foi estabelecido para proteger cidades e pontos importantes como áreas industriais e portos. Com a intenção de servirem de defesa contra bombardeiros-de-mergulho, voando em altitudes até aos 5 mil pés, forçando o avião a voar mais alto e a entrar no alcance de fogo anti-aéreo concentrado. A meio de 1940 existiam 1400 balões, um terço dos quais sob a zona de Londres, onde se provaram de grande utilização contra os bombardeiros alemães que voavam mesmo sob eles. Contudo a construção de mais balões continuou, e por volta de 1944 existiam já 3 mil balões. Provaram-se particularmente eficazes contra mísseis V-1, que voavam abaixo dos 2 mil pés, sendo-lhe atribuída a destruição de pelo menos 100 mísseis.
 
Muitos bombardeiros alemães foram equipados com aparelhos para cortarem os cabos destes balões. Durante a Segunda Guerra Mundial estes balões foram também utilizados presos a navios de guerra e de transporte, nomeadamente durante o Dia D.
 
No vocabulário militar, o Dia D é um termo usado frequentemente para denotar o dia em que um ataque ou uma operação de combate devem ser iniciados. Um dos Dias D mais famosos da história militar foi 6 de Junho de 1944 - o dia em que a Batalha da Normandia começou - iniciando a libertação do continente Europeu da ocupação Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Guerra Colonial Portuguesa

 
Teve e seu início há 46 anos...

Colónias portuguesas em África no período da Guerra Colonial

Colónias portuguesas em África no período da Guerra Colonial

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Embarque de tropas portuguesas

Embarque de tropas portuguesas

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Soldados portugueses nas matas de Angola

Soldados portugueses nas matas de Angola

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Monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar, em Lisboa

Monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar, em Lisboa

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Designa-se por Guerra Colonial, ou Guerra do Ultramar, o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique, entre 1961 e 1974. A expressão guerra colonial  está tecnicamente incorrecta já que os territórios ultramarinos portugueses tinham o estatuto de províncias e não de colónias.
 
O início deste episódio da história militar portuguesa ocorreu em Angola, a 4 de Fevereiro de 1961, na zona que viria a designar-se por Zona Sublevada do Norte (ZSN), que corresponde aos distritos do Zaire, Uíje e Quanza-Norte. A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim. Com a mudança do rumo político do país, o empenhamento militar das forças armadas portuguesas deixou de fazer sentido. Os novos dirigentes anunciavam a democratização do país e predispunham-se a aceitar as reivindicações de Independência das colónias — pelo que se passaram a negociar as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.
 
Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multiracial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de auto-determinação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta.
 
Contexto político-social
 
Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistência à presença das potências coloniais. Porém, ao longo do século XX, o sentimento nacionalista — fortemente impulsionado pelas primeira e segunda guerras mundiais — era patente em todas as movimentações europeias, pelo que não será surpreendente notar o seu alastramento às colónias, já que também muitos dos seus nativos nelas participaram, expondo o paradoxo da celebração da vitória na luta pela libertação, em território colonial, ainda submetido e dependente.
 
Por outro lado, também as grandes potências emergentes da II Guerra Mundial, os Estados Unidos da América e a União Soviética, alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. É neste contexto que a Conferência de Bandung, em 1955, irá conceder voz própria às colónias, que enfrentavam os mesmos problemas e procuravam uma alternativa ao simples alinhamento no conflito bipolar que confrontava as duas grandes potências. Estas, eram, assim, chamadas a considerar com outra legitimidade as reivindicações do chamado Terceiro Mundo, quer para manter o equilíbrio nas relações internacionais da Guerra Fria, quer para canalizar os sentimentos autonomistas para seu benefício, como zona de influência. A influência externa nas colónias perdia a orientação meramente separatista e desestabilizadora, e caminhava para um efectivo apoio - ou entrave - nas relações com os países colonizadores.
 
No final da década de 1950, as Forças Armadas Portuguesas viam-se confrontadas com o paradoxo da situação política gerada pelo Estado Novo, que haviam implantado e sustentado desde 1926: por um lado, a política de neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial colocava as Forças Armadas Portuguesas afastadas de um eventual confronto Leste-Oeste, por outro, aumentava, na perspectiva do regime, a responsabilidade na manutenção da soberania sobre os vastos territórios ultramarinos, onde a tensão do pós-guerra avizinhava lutas independentistas nas colónias da Europa Imperial. Contudo, os mesmos dirigentes que afastaram Portugal da luta pela libertação europeia, optaram por integrar o país na estrutura militar da NATO, num subtil desejo de se aliar aos vencedores, em detrimento da preparação para as ameaças nos espaços coloniais, que o próprio regime considerava imprescindíveis para a sobrevivência nacional.
 
Esta integração de Portugal na Aliança Atlântica iria formar uma elite de militares que se tornaria indispensável para o planeamento e condução das operações durante a Guerra do Ultramar. Esta "geração NATO" ascenderia rapidamente aos mais altos cargos políticos e de comando, sem necessidade de dar provas de fidelidade para com o regime. A Guerra Colonial estabelecia, assim, incompatibilidades entre a estrutura militar — fortemente influenciada pelas potências ocidentais, de regime democrático — e o poder político. Alguns analistas consideram que o chamado «golpe Botelho Moniz» marcou o início desta ruptura, bem como a origem de uma certa desconfiança do regime em relação à manutenção de um único centro de comando, perante a ameaça do confronto com a força armada. Esta situação provocaria, como se verificaria mais tarde, a descoordenação entre os três estados-maiores (Exército, Força Aérea e Marinha).
 
Oposição
 
Contrariando o que o Estado pretendia transmitir como sendo de consenso geral, isto é, que as colónias faziam parte da unidade nacional, os comunistas foram os primeiros a opor-se aos confrontos. Na verdade, a primeira organização a manifestar-se publicamente foi o PCP, em 1957, durante o seu V Congresso, pedindo a independência imediata, completa e indolor. Porém, a censura do regime obrigava o partido a representar dois papéis: o de partido político e o de força de coesão entre os sectores oposicionistas, com os quais acordava programas que não reflectiam as suas posições anticoloniais; seguindo a mesma linha de orientação, já assim se tinham manifestado, durante as eleições presidenciais celebradas durante o Estado Novo, onde era defendida essa unidade: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951), Humberto Delgado (1958), e mesmo os candidatos apoiados pelo PCP: Rui Luís Gomes e Arlindo Vicente.
 
Depois da fraude eleitoral de 1958, Humberto Delgado formou o Movimento Nacional Independente (MNI) que, em Outubro de 1960, defendia a necessidade de preparar o povo das colónias, antes de lhe ser concedido o direito à autodeterminação. No entanto, nenhuma data ou metodologia foi sugerida.
 
Assim, a oposição ia-se assumindo lentamente, começando pelo estalar da luta armada, até se aperceber que o conflito estava a durar tempo demais. Em 1961, o nº 8 da Tribuna Militar  tinha como título, "Ponhamos fim à guerra de Angola". Os seus autores estavam ligados às Juntas de Acção Patriótica (JAP), apoiantes de Humberto Delgado, responsáveis pelo ataque ao quartel de Beja. A Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), criada em Dezembro de 1962, contrapunha as posições conciliadoras. O sentimento oficial do estado português, contudo, mantinha-se: Portugal possuía direitos inalienáveis e legítimos sobre as colónias e era isso que era transmitido pelos meios de comunicação e pela propaganda estatal.
 
Em Abril de 1964, o Directório de Acção Democrata-Social reivindicava uma resolução política e não militar. Em sintonia com esta iniciativa, em 1966, Mário Soares sugeria a preparação de um referendo sobre a política ultramarina a seguir por Portugal, e que deveria ser precedido por um debate nacional a realizar durante seis meses.
 
Nem a morte de Salazar fez com que o panorama político se alterasse. Só com as eleições legislativas de 1969 se viria a verificar uma radicalização da atitude política, nomeadamente entre as camadas mais jovens, que mais se sentiam vitimizadas pela continuação da guerra. As universidades desempenharam um papel fundamental na difusão deste posicionamento. Surgem, assim, as publicações Cadernos Circunstância, Cadernos Necessários, Tempo e Modo, e Polémica. É neste ambiente que a Acção Revolucionária Armada (ARA) e as Brigadas Revolucionárias (BR) se revelam como uma importante forma de resistência contra o sistema colonial português, dirigindo os seus ataques, principalmente, contra o Exército.
 
A ARA, vinculada ao PCP, iniciou as suas acções militares em Outubro de 1970, mantendo-as até Agosto de 1972. Destacam-se o ataque à Base Aérea de Tancos contra equipamento da Força Aérea, a 8 de Março de 1971, e o atentado contra as instalações do quartel-general do Comiberlant, em Oeiras, em Outubro do mesmo ano. As BR, por sua vez, iniciaram as acções armadas a 7 de Novembro de 1971, com a sabotagem da base da NATO de Pinhal de Ameiro, verificando-se a última a 9 de Abril de 1974, contra o navio Niassa que se preparava para zarpar de Lisboa transportando tropas para a Guiné. As BR chegaram, inclusive, a agir nas colónias, colocando uma bomba no Comando Militar de Bissau, a 22 de Fevereiro de 1974.
 
Também o alinhamento dos sectores da finança e negócios, classes médias e movimentos operários constituiu um importante ponto de inflexão na contestação à política do regime, em 1973. Apresentavam-se, agora, concordantes quanto à independência das colónias, poucos meses antes do 25 de Abril.
 
 
Foi em Angola o início do conflito armado
 
Em Angola, a sublevação da ZSN foi efectuada pela União das Populações de Angola (UPA) — que passou a designar-se como Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em 1962. A 4 de Fevereiro de 1961, o Movimento Popular de Libertação de Angola reivindicou o ataque à cadeia de Luanda, onde foram mortos sete polícias. A 15 de Março de 1961, a UPA, num ataque tribal, deu origem a um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta região seria reocupada mediante operações militares de grande envergadura que, porém, não conseguiram conter o alastramento das acções de guerrilha a outras regiões de Angola, como Cabinda, o Leste, o Sudeste e planalto central. Ao MPLA, que desempenhou um papel fundamental, há a acrescentar, a partir de 1966, a acção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
 
Com motivações essencialmente tribais, e dirigidos de forma autocrática por Holden Roberto, a actividade da UPA caracterizou-se pela guerrilha rural, realizada por pequenos grupos armados, e pelo massacre de populações, como já se previa na sua primeira acção. Com catanas e algumas espingardas, os canhangulos, procuravam apoderar-se das armas das fazendas e postos administrativos atacados. Não manifestaram interesse em consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem foi apresentado qualquer programa político.
 
Em Angola, os efectivos militares contavam, no início de 1961, com 5000 mililitares africanos e 1500 metropolitanos, organizados em dois regimentos de infantaria — um em Luanda e outro em Nova Lisboa — cada um com dois batalhões de instrução e outro de atiradores, e um grupo de cavalaria, sediado em Silva Porto. A densidade média era, portanto, de um soldado para cada 30 km2. Imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada estavam apenas mil soldados europeus e 1200 africanos.
 
 
O fim da guerra
 
O golpe de estado de 25 de Abril de 1974, planeado e executado por militares dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas, uma nova geração de oficiais de baixa e média patente, formada e criada na guerra, que aprendera a agir com autonomia, levantaria, sob a direcção do MFA, um período revolucionário que transformaria radicalmente o Estado e a sociedade. Embora inúmeros factores tenham contribuído para a Revolução, a Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.
 
O Programa do MFA, da responsabilidade da sua Comissão Coordenadora apresentava, de forma inequívoca, a vontade de possibilitar a independência das colónias. Porém, a remoção desta alínea, negociada durante a noite de 25 para 26 de Abril, levantaria ainda alguns equívocos a respeito, que só seriam esclarecidos pela Lei 7/74 de 27 de Julho. Esta medida levantaria grande parte da cortina que separava o Estado Português de conseguir negociações com os movimentos de libertação. Dava-se assim início ao processo de descolonização.
 
Porém, a ambiguidade das primeiras posições relativas à nova política colonial gerou situações duvidosas que não puderam ser ultrapassadas sem graves desentendimentos. Cada redefinição do processo representava uma dura luta entre António de Spínola e a Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Os dois projectos apresentados para essa nova política diferiam, sobretudo, nas questões ligadas com as futuras relações de Portugal com as colónias; mesmo os pontos concordantes seriam rapidamente submetidos perante a prova prática da realidade, o que exigiu, na maioria das vezes, a sua revisão. Assim, com o esclarecimento pela Lei 7/74, e posterior comunicado conjunto Portugal-ONU, publicado a 4 de Agosto, eram levantadas as últimas dúvidas, dando início à fase definitiva da descolonização.
 
Iniciaram-se as negociações com o PAIGC e com a Frelimo, que levaram à assinatura de protocolos de acordo. Em Argel, a 26 de Agosto ficava concluído o processo entre Portugal e o PAIGC, em que a ex-colónia era reconhecida como Estado soberano, sob o nome de «República da Guiné-Bissau». O último contingente militar regressou da Guiné em 15 de Outubro.
 
Relativamente a Moçambique, seria assinado a 7 de Setembro, em Lusaka, um acordo conducente à independência moçambicana. Contudo, grupos organizados, num movimento contrário ao acordo, assaltaram as instalações da Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques e outras cidades, e seus emissores regionais, sugerindo a intervenção da África do Sul. Esta tentativa destabilizadora do processo de paz viria a fracassar, sob a acção das Forças Armadas Portuguesas.
 
Relativamente a São Tomé e Príncipe e Guiné Portuguesa, foi assinado o Acordo de Argel em 26 de Novembro de 1974.
 
Quanto a Cabo Verde, o acordo entre Portugal e o PAIGC já estabelecia o princípio do acesso deste arquipélago à autodeterminação e independência. Em 17 de Dezembro seria publicado o Estatuto Constitucional de Cabo Verde, prevendo eleições por sufrágio directo e universal, a 30 de Junho de 1975. A assembleia instituída a partir daí proclamou a independência do território a 5 de Julho de 1975.
 
Quanto a Angola, a aproximação dos três movimentos de libertação constituía uma dificuldade para o governo português. Com efeito, pairava a possibilidade do alargamento de um confronto entre os países ocidentais, a África do Sul e a União Soviética. Spínola reunir-se-ia ainda com Mobutu, com alguma continuidade, mas viria a demitir-se do cargo a 30 de Setembro. Com Costa Gomes na Presidência da República Portuguesa, desenvolveram-se conversações dirigidas especificamente a cada um dos movimentos. Inicialmente, com a FNLA, posteriormente com o MPLA. Porém, as várias tentativas de restabelecer a paz em Angola e minimizar o impacto da descolonização seriam deitadas por terra rapidamente. A guerra civil arruinou a serenidade deste processo, agravando a situação interna, com milhares de vítimas e a fuga dos portugueses.
 
Também em Timor-Leste se verificou um período dramático, já que as autoridades portuguesas não tinham como dispor de capacidade para normalizar os conflitos, acabando a Indonésia por invadir a ilha.
 
Em suma, as condições oferecidas pelo novo regime para a descolonização, reconfigurou a situação no continente africano, com a criação de novos países independentes em busca dos seus próprios rumos e afirmação nacional, o que iria contribuir para o desmantelamento do Apartheid na África do Sul.
 
 
Os veteranos de guerra

Foram também vítimas da guerra os soldados que nela participaram, tornando-se uma das faces mais visíveis das consequências do conflito. Não obstante, os hospitais militares tornaram-se simultaneamente, para estes, um refúgio e um depósito onde a sociedade mantinha longe da vista os corpos amputados. Nem o Código de Inválidos de 1929, que visava dar um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial, evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.
 
É também neste contexto que o 25 de Abril de 1974 mostra uma luz de esperança, ao ser instituída a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) que teve como primeiro acto a apresentação à Junta de Salvação Nacional de um conjunto de princípios reivindicativos, que possibilitavam a prestação de serviços de apoio aos associados, desde os processos burocráticos e administrativos, aos cuidados de saúde, reabilitação física e integração social. Esta associação conta com mais de 13 500 associados, ilustrando perfeitamente as necessidades sentidas pelos feridos de guerra. No entanto, alguns levantamentos estatísticos efectuados pela ADFA apontam a marca para os 25 milhares, durante todos os 13 anos de guerra. Em relação ao stress de guerra, a ADFA estima números bastante superiores aos apontados pelas fontes oficiais (560).
Fonte: Wikipédia. 
 


Um testemunho
 
 
"Homenagem à minha Mãe
 
Não foi por engano…
Na verdade, embarquei para Angola no dia 1 de Abril de 1972, onde cumpri parte do serviço Militar obrigatório durante 27 meses, antes tinha feito na Metrópole e na Madeira mais 15, no total 42 meses.
A ideia que me atormentava desde os meus 15/16 anos, tornou-se na altura uma triste realidade, foi inevitável para a quase totalidade da juventude da minha geração.
Partir e deixar a Mãe, os amigos e os colegas de trabalho foi doloroso. Saltava-nos a ideia de ir e não voltar… chegar e não ver todos os que gostávamos era um tormento que por vezes pensávamos mas não queríamos acreditar e quando pensávamos mais acabávamos com ideias que não quero recordar.
Muitos tiveram a coragem de fugir, eu não tive porque o pensamento seguinte era: e depois, nunca mais posso voltar, era pior a emenda que o soneto.
A minha Mãe vivia só comigo, quis o destino que de três Homens ficasse sem nenhum…
Quando fui para a Madeira, menti-lhe dizendo que ia para Lisboa 3 meses…
Ia e vinha de 3 em 3 semanas, durante não 3 mas 5 meses e foi fácil convencer-se que afinal eu estaria em Lisboa!...
O pior estava para vir.
Mas quando estava para embarcar para Angola voltei a mentir-lhe dizendo desta vez que ia para a Madeira… e só depois de já estar “no mato” lhe escrevi dizendo que estava em Angola, em Luanda (mais uma mentira piedosa).
Quem cá deixei fez o trabalho mais difícil que foi amparando-a e dizendo palavras de circunstância. Passados 10 meses vim de férias e as coisas ficaram mais esclarecidas já que aparentemente eu estava bem o que a tranquilizou.
Os restantes meses passaram com mais ou menos sobressaltos mas a história só fica completa depois do meu regresso definitivo e por aqui se pode aferir dos meses de terror e sobressalto em que viveu aquela senhora…
…Eu tinha chegado no dia 13 de Junho de 1974. Como acontecia com os militares que vinham em fim de missão, traziam os seus haveres mais leves e enviavam de barco os mais pesados. Estes vinham em malas de porão e os meus chegaram a 23 de Agosto de 74, um carro militar chegou a minha casa e disse-lhe que tinham “um caixote” para lhe entregar que era do filho que esteve em Angola.
Era um caixote em madeira, que aos olhos da minha pobre Mãe mais lhe pareceu o meu caixão… valeu-lhe um Alferes que acompanhou a entrega do meu espólio que com algum bom senso lhe transmitiu palavras que a confortaram.
Foram 27 meses que passou sempre a aguardar uma má noticia.
No dia 27 de Agosto D. Maria, minha pobre Mãe teve um AVC que a mandou para uma cama do Hospital, até aos fins da sua vida.
Faleceu em Novembro de 1987.
Que Deus a tenha em descanso."
 
Agradeço a José Lessa a colaboração com este testemunho.
 
 
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

A Batalha de Alvalade

 
Hoje, 366 anos passados após o dia  1º de Dezembro de 1640, data em que se comemora a Restauração da Independência  de Portugal em relação a Espanha,  e que João, Duque de Bragança, se tornou rei como João IV de Portugal após sessenta anos de domínio espanhol, tema já divulgado neste blog, dedico este dia à História de Portugal, a uma batalha que não chegou a ser...
 
  

A Batalha de Alvalade esteve prestes a travar-se entre as tropas de D. Dinis e as de D. Afonso IV, em 1323, mas a luta entre pai e filho foi impedida pela intervenção da Rainha Santa Isabel.
 
Precedentes
 
Muito doente em Leiria, D. Dinis recebeu aí a visita de dois dos seus filhos, o príncipe herdeiro D. Afonso e o bastardo (legitimado) D. Afonso Sanches, o único bastardo do rei que até então fizera causa comum com D. Afonso.
 
Contava, por então, mais de sessenta anos o rei de Portugal, e os cuidados do governo, a par dos desgostos que lhe haviam sido causados pelo seu herdeiro, tinham-lhe abalado profundamente a saúde. Pouco tempo depois dessa visita, sentindo-se pior, D. Dinis regressou a Lisboa, recolhendo-se ao leito. O seu estado aparentava tal gravidade que a rainha (a companheira de todos os instantes da sua doença) receou o pior. O próprio doente julgou chegados ao termo os seus trabalhos, pelo que, em Junho de 1322, quis fazer novo testamento, instituindo como principais testamenteiros, em primeiro lugar, a rainha D. Isabel e, em segundo lugar, o bastardo D. Afonso Sanches; mas a morte ainda dessa vez o poupou.
 
Nos princípios de 1323, as melhoras do seu estado acentuaram-se, o que lhe permitiu providenciar para que fossem presos e submetidos a julgamento todos os autores de roubos, crimes de estupro e assassínios praticados durante as guerras civis. Era a ralé indigna que D. Afonso trouxera ao seu serviço e que a justiça real varria definitivamente do reino.
 
Nesse mesmo ano chegou de Castela um pedido de auxílio a favor do neto de D. Maria de Molina - que morrera em Junho de 1322 -, contra o qual D. Filipe, filho da mesma rainha, recorrera às armas, ameaçando Badajoz. D. Dinis deu satisfação ao pedido, entregando ao príncipe herdeiro, D. Afonso, o comando da expedição e enviando-lhe de Lisboa importantes forças. D. Afonso, que se encontrava em Viseu, reforçou a hoste real com todos os combatentes que pôde recrutar nos seus domínios e mandou convite a D. Filipe para que levantasse o cerco de Badajoz, ao que o infante espanhol não acedeu. Então, sem mais perdas de tempo, o orgulhoso e impetuoso D. Afonso marchou para a fronteira, e D. Filipe, a fim de evitar o combate, abandonou Badajoz e retirou-se para Sevilha.
 
Este facto, demonstrando claramente que D. Filipe temera o confronto com as hostes de D. Afonso, reacendeu no príncipe português as ambições mal extintas. E como os seus partidários, sedentos de guerra e de rapinas, não deixavam de o excitar, pôs-se a caminho de Santarém, onde então se encontrava D. Dinis, disposto a exigir novos benefícios. El-rei não concordou com os exagerados desejos do filho, e este, furioso, ao encontrar junto de seu pai o odiado bastardo Afonso Sanches, reclamou a convocação de Cortes, a que assistiria e com as quais contava para lhe aumentarem a dotação. D. Dinis aceitou o recurso proposto pelo seu filho e deu ordens para que os três estados - Clero, Nobreza e Povo - se reunissem em Lisboa, no mês de Outubro desse ano de 1323. No entanto, essa convocação de Cortes, que deveriam pronunciar-se sobre as exigências do príncipe herdeiro, teria como objecto outros assuntos bem mais importantes, o que decerto havia contribuído para a pronta aquiescência do rei.
 
A assembleia tratou, sucessivamente dos seguintes assuntos de interesse público:

  • Sabia D. Dinis que aos pobres não era ministrada a justiça devida e correcta, pois continuavam a ser impedidos de apelar para o rei, tendo de recorrer aos mestres das Ordens, prelados e donatários. Assim, foram tomadas as necessárias medidas contra as prepotências destes;
  • Para evitar as excessivas demoras nos litígios, foi decretado que os advogados só poderiam receber os seus honorários depois de concluídos os pleitos. As principais acções em juízo seriam movidas por escrito, oferecendo o autor desde logo todo o assunto da demanda e todas as respectivas provas, e o réu, logo que fosse citado, exporia todas as suas razões e tudo o que pudesse demonstrar serem válidas. Os recursos interpostos de despachos anteriores não teriam efeitos suspensivos. Além disso, a lei recomendava aos juízes brevidade e imparcialidade dos julgamentos;
  • Determinou-se qual a forma e processo das heranças entre pessoas do povo, estatuindo-se também sobre o casamento e certos requisitos necessários para a sua celebração. Legislou-se sobre população, propriedade, agricultura e comércio;
  • Foram regulados os sistemas de prevenção e castigo dos crimes. O assassínio, o atentado contra o pudor, a burla, a falsificação dos selos reais, os juramentos e testemunhos falsos, o encobrimento de malfeitores e outros delitos ficaram sujeitos a penas mais de acordo com a moral social.
Só depois vieram à discussão os interesses pessoais do príncipe D. Afonso. Tal era o conhecimento das razões alegadas que o filho de D. Dinis não teve coragem para ir defendê-las. Expostas pelo rei as circunstâncias em que eram formuladas as exigências do príncipe, as cortes recusaram deferi-las, e os representantes nacionais, num gesto de patriotismo, puseram à disposição de el-rei tudo quanto fosse necessário, incluindo vidas e haveres, para castigo dos que ousassem perturbar a ordem geral. Logo que soube do que se passava, partiu D. Afonso furibundo, de Lisboa para Santarém, onde convocou todos os elementos que lhe eram afectos para marchar sobre a capital e assenhorear-se do trono.
 
O confronto
 
Depois de uma última tentativa, ter enviado emissários ao filho a fim de impedir uma renovação de hostilidades - o que não conseguiu -, o monarca viu-se forçado a recorrer às armas. Auxiliados pelos filhos bastardos D. Afonso Sanches e João Afonso, reuniu as suas hostes e foi tomar posições no campo de Alvalade - que hoje é um bairro de Lisboa. D. Afonso alojou-se no Paço do Lumiar. El-rei quis ainda apelar para uma conciliação, mas o seu emissário, D. Álvaro de Azevedo, foi mal recebido pelo príncipe, que, ante a atitude corajosa do fidalgo, avançou sobre ele, de espada em punho. No entanto, graças à intervenção de outros fidalgos, a cena não teve consequências.
 
Sem mais demoras puseram-se a caminho as hostes do príncipe, e ao aproximarem-se das tropas reais logo se travou luta por uma troca de setas e dardos. As lanças da cavalaria e os montantes, rijamente empunhados, esperavam apenas o sinal para entrarem em acção. Mas de súbito, como movidos por uma força invencível, lanças, montantes e pendões se abateram, de um e de outro lado, e toda a peonagem ajoelhou no terreno. Acontecera que, montada na sua pequena mula, surgira entre as duas fracções prestes a digladiarem-se a figura veneranda e majestosa da rainha D. Isabel. Ninguém se atreveu a avançar, ninguém pensou sequer em embargar o passo da rainha. Todos se sentiam profundamente emocionados, e de muitos olhos corriam lágrimas.
 
Mãe dolorosa, esposa desolada, ídolo de plebeus e de nobres, a sua passagem erguia uma barreira luminosa entre as duas hostes. D. Isabel, a rainha tão querida de todos, acudira a tempo ao esposo amargurado e ao filho ambicioso, levando consigo a sua dor e a sua bondade, e a batalha não chegou a acontecer.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Domingo, 29 de Outubro de 2006

A Batalha do Salado

 
A Batalha do Salado foi travada a 30 de Outubro de 1340, um "aniversário" curioso, porque faz hoje 666 anos, entre Cristãos e Mouros, junto da ribeira do Salado, na província de Cádis (sul de Espanha).
 
História
 
Abul-Hassan, rei de Fez e de Marrocos, aliado com o emir de Granada, decidira reapossar-se a todo o custo dos domínios cristãos, e as forças muçulmanas já haviam entrado em acção contra Castela. A frota do prior de S. João do Hospital, almirante castelhano, que tentara opor-se ao desembarque dos mouros, foi completamente destroçada por uma tempestade, e esse desastre obrigou Afonso XI de Castela a humilhar-se, mandando pedir à esposa - a quem tanto desrespeitara com os seus escandalosos amores com Leonor de Gusmão - que interviesse junto de seu pai, o rei português Afonso IV de Portugal, para que este enviasse uma esquadra de socorro.
 
Estava D. Maria de Portugal recolhida num convento em Sevilha e, apesar dos agravos que sofrera, acedeu ao pedido. Todavia, Afonso IV, no intuito de humilhar ainda mais o genro, respondeu ao apelo dizendo, verbalmente, ao enviado da filha, que se o rei de Castela precisava de socorro o pedisse directamente. Vergando o seu orgulho ao peso das circunstâncias, Afonso XI de Castela repetiu pessoalmente - por carta - o pedido foi feito, e o soberano português enviou-lhe imediatamente uma frota comandada pelo almirante genovês Manuel Pessanha (ou Pezagno) e por seu filho Carlos. Mas era cada vez mais desesperada a situação de Afonso XI, a quem o Papa censurava asperamente.
 
Além da frota portuguesa, Castela recebia um reforço de doze galés cedidas pelo rei de Aragão, mas tudo isto nada era em comparação com o número incontável dos contingentes mouros. O rei de Granada, Yusef-Abul-Hagiag, tomou em Setembro de 1340, o comando das tropas, às quais pouco depois se juntou, em Algeciras (cidade portuária do sul de Espanha, na província de Cádis), um formidável exército sob as ordens de Abul-Hassan. A ameaça muçulmana era apavorante. Os mouros, embora repelidos nas primeiras tentativas de ataque a Tarifa (município da Espanha na província de Cádis), não deixavam prever a possibilidade de vantagens futuras para as hostes cristãs.
 
Reconhecendo quanto lhe seria útil a ajuda efectiva do rei de Portugal, Afonso XI de novo rogou a intervenção de D. Maria. Esta acedeu uma vez mais e foi encontrar-se com D. Afonso IV, em Évora. O soberano português atendeu as súplicas da filha, e logo esta foi dar a boa notícia ao seu marido, que ansioso, a fora esperar a Juromenha (freguesia portuguesa do concelho do Alandroal).
(1)
 
D. Afonso IV reuniu então em Elvas o maior número possível de cavaleiros e peões, e à frente do exército, que ia aumentando durante o caminho com os contingentes formados em vários pontos, dirigiu-se a Espanha, onde por ordens do genro foi recebido com todas as honras. Em Sevilha, o próprio Afonso XI acolheu festivamente o rei de Portugal e sua filha, a rainha D. Maria. Ali se desfizeram quanto menos momentaneamente, os ressentimentos de passadas discórdias.
 
Assente entre os dois monarcas o plano estratégico, não se demoraram em sair de Sevilha a caminho de Tarifa. Tendo chegado oito dias depois a Pena del Ciervo avistava-se o extensíssimo arraial muçulmano. Em 29 de Setembro, reunido o conselho de guerra, foi decidido que Afonso XI de Castela combateria o rei de Marrocos, e Afonso IV de Portugal enfrentaria o de Granada. Afonso XI designou D. João Manuel para a vanguarda das hostes castelhanas, onde iam também D. João Nunes de Lara e o novo mestre de Sant'Iago, irmão de Leonor de Gusmão (amante do rei Afonso XI de Castela). Com D. Afonso IV viam-se o bispo de Braga, o prior do Crato, o mestre da Ordem de Avis e muitos denodados cavaleiros.
 
No campo dos cristãos e dos muçulmanos tudo se dispunha para a batalha, que devia travar-se ao amanhecer do dia seguinte. A cavalaria castelhana, atravessando o Salado, iniciou a peleja. Logo saiu, a fazer-lhe frente, o escol da cavalaria muçulmana, não conseguindo deter o ataque. Quase em seguida avançou Afonso XI, com o grosso das suas tropas, defrontando então as inumeráveis forças dos mouros. Estava travada, naquele sector, a ferocíssima luta. O rei de Castela, cuja bravura não comportava hesitações, acudia aos pontos onde o perigo era maior, carregando furiosamente sobre os bandos árabes até os pôr em debandada.
 
Nessa altura a guarnição da praça de Tarifa, numa surtida inesperada para os mouros, caía sobre a retaguarda destes, assaltando o arraial de Abul-Hassan e espalhando a confusão entre os invasores. No sector onde combatiam as forças portuguesas, as dificuldades eram ainda maiores, pois os mouros de Granada, mais disciplinados, combatiam pela sua cidade sob o comando de Yusef-Abul-Hagiag, que via em risco o seu reino. Mas D. Afonso IV de Portugal, à frente dos seus intrépidos cavaleiros, conseguiu romper a formidável barreira inimiga e espalhar a desordem, precursora do pânico e da derrota entre os mouros granadinos. E não tardou muito que numa fuga desordenada, africanos e granadinos abandonassem a batalha, largando tudo para salvar a vida. O campo estava juncado de corpos de mouros vítimas da espantosa mortandade.
 
E o arraial enorme dos reis de Fez (actual cidade de Marrocos) e de Granada (actualmente cidade espanhola, capital da província homónima), com todos os seus despojos valiosíssimos em armas e bagagens, caiu finalmente em poder dos cristãos, que ali encontraram ouro e prata em abundância, constituindo tesouros de valor incalculável. Ao fazer-se a partilha destes despojos, assim como dos prisioneiros, quis Afonso XI de Castela agradecer ao sogro, pedindo-lhe que escolhesse quanto lhe agradasse, tanto em quantidade como em qualidade. Afonso IV, porém num dos raros gestos de desinteresse que praticou em toda a sua vida, só depois de muito instado pelo genro escolheu, como recordação, uma cimitarra (espada de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por certos povos orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos) cravejada de pedras preciosas e, entre os prisioneiros, um sobrinho do rei Abul-Hassan. A 1 de Novembro, ao principio da tarde, os exércitos vencedores abandonaram finalmente o campo de batalha, dirigindo-se para Sevilha onde o rei de Portugal pouco tempo se demorou, regressando logo ao seu país.
 
Pode-se imaginar sem custo a impressão desmoralizadora que a vitória dos cristãos, na Batalha do Salado, causou em todo o mundo muçulmano, e o entusiasmo que se espalhou entre o cristianismo europeu. Era, ao cabo de seis séculos, uma renovação da vitória de Carlos Martel em Poitiers. Afonso XI para exteriorizar o seu regozijo, apressou-se a enviar ao Papa Benedito XII uma pomposa embaixada portadora de valiosíssimos presentes, constituídos por uma parte das riquezas tomadas aos mouros, vinte e quatro prisioneiros portadores de bandeiras que haviam caído em poder dos vencedores, muitos cavalos árabes ricamente ajaezados e com magníficas espadas e adagas pendentes dos arções, e ainda o soberbo corcel em que o rei castelhano pelejara.
 
Quanto ao auxílio prestado por Portugal, que sem dúvida fora bastante importante para decidir a vitória dos exércitos cristãos, deixou-o Benedito XII excluído dos louvores que, em resposta, endereçou a Afonso XI em consequência da opulenta «lembrança» enviada pelo rei de Castela. D. Afonso IV de Portugal, que,
durante o seu reinado praticou as maiores crueldades, ficaria na História com o cognome de «o Bravo», em consequência da sua acção na Batalha do Salado.
Fonte: Wikipédia.  
 
 

(1)  kapa, a quem agradeço, comentou assim este post:
 
"Segundo os dados até hoje recolhidos essa boa nova teria sido dada em Terena e não em Juromenha.
Segundo os estudos o local teria sido aquele onde hoje se encontra o cruzeiro no caminho do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, tendo este Santuário mandado erguer devido à boa nova, ligeiramente mais abaixo do cruzeiro, daí o nome do mesmo Santuário.
  

Estes dados poderão ser consultados no meu 1º post, em Julho de 2005
."
 

A própria História nos "prega partidas" ... ou contradições...
 
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Sábado, 21 de Outubro de 2006

A Batalha de Trafalgar

 
A Batalha de Trafalgar
 
 
 

A Batalha de Trafalgar foi uma batalha naval que ocorreu entre a França e Espanha contra a Inglaterra, em 21 de Outubro de 1805, faz hoje 201 anos, na era napoleónica. A esquadra franco-espanhola era comandada pelo almirante Villeneuve, enquanto que a inglesa era comandada pelo almirante Nelson, para muitos o maior génio em estratégia naval que já existiu. A França queria invadir a Inglaterra pelo Canal da Mancha, mas antes tinha que se livrar do empecilho que era a marinha inglesa. Nelson tinha que evitar isso.

Local
 
O Cabo de Trafalgar fica ao sul de Cádis, na costa atlântica espanhola.
 

Localização de CÁDIS 

 
Contexto histórico
 
A paz assinada em Amiens em Março de 1802 não passou de uma pequena trégua de um ano, que permitiu ao Almirante Nelson retirar-se para uma quinta que tinha adquirido em Merton, descansando um pouco da intensa vida que levava há mais de uma década. As hostilidades retomaram em 1803 e, pouco tempo depois, Nelson seria nomeado comandante da esquadra do Mediterrâneo. O momento continuava a ser delicado para os ingleses, na medida em que Bonaparte continuava a pensar na invasão da Grã-Bretanha e no ataque a Londres, que poria fim ao que tinha sido a maior resistência aos seus planos imperiais. E é interessante observar aqui uma questão que se prende com a já referida diferença da maneira de pensar a guerra em França e em Inglaterra: vimos como os ingleses se empenharam persistentemente no ataque às esquadras francesas, procurando-as à saída dos próprios portos; as derrotas que infringiram tiveram uma importância fulcral para a sua independência, mas Napoleão nunca as valorizou na sua verdadeira dimensão, porque entendia que tudo isso poderia ter fim nesse assalto e ocupação da velha Albion. Na verdade, para conseguir a almejada invasão, precisava de dominar o espaço marítimo do Canal da Mancha durante o espaço necessário ao movimento das tropas, e isso apresentava-se como impossível face ao Poder Naval britânico. Tentou, contudo, um plano: concentrar momentaneamente o maior número de navios possível no Canal, evitando simultaneamente que os ingleses fizessem o mesmo. Não era fácil, porque a presença dos navios de reconhecimento era constante à frente dos portos, e todos os movimentos seriam detectados. Sobretudo, era muito difícil levar navios do Mediterrâneo para o norte, porque a passagem em Gibraltar 
era visível e levantaria suspeitas. Concebeu, no entanto, uma manobra que poderia ter tido algum êxito: uma imensa esquadra combinada, de navios franceses e espanhóis, sairia do Mediterrâneo, atraindo os ingleses até às Antilhas; daí regressaria rapidamente com os ventos gerais do oeste, unindo-se às esquadras de Brest e Rocheford que avançariam para a Mancha. Nessa altura concretizar-se-ia a invasão. Franceses e espanhóis, constituindo uma imensa armada de cerca de trinta navios (juntava-se a esquadra de Toulon e Cádis), comandada pelo Almirante Villeneuve, saia em direcção a oeste iludindo completamente a vigilância de Nelson que os buscava desesperadamente. Tanto quanto se pode saber, terá sido um oficial da marinha portuguesa a sugerir-lhe que o destino eram as Índias Ocidentais, e os ingleses correram até às Antilhas, mas não encontraram nada e regressaram até à zona de Cádis, onde o comando dos navios foi entregue a Collingwood, enquanto Nelson se deslocava a Portsmouth a bordo da “Victory”. Villeneuve regressou como estava previsto, mas perto de Finisterra defrontou-se com uma armada inglesa comandada pelo Almirante Calder. Na verdade a refrega não tinha tido grande importância, mas estava previsto que a esquadra de Brest viesse ao seu encontro e tal não tinha acontecido, de forma que decidiu regressar a Cádis na convicção de que a invasão tinha sido adiada. Na verdade sabemos hoje que Napoleão tinha abandonado a ideia, resolvendo concentrar esforços para atacar a Áustria, mas não temos referência nenhuma a que essa informação alguma vez tenha chegado a Villeneuve. Entrou em Cádis no final de Agosto de 1805 e, dessa vez, Nelson tinha controlado bem o seu movimento, movendo-lhe um bloqueio largo que não impedia a sua saída, mas que lhe permitiria tomar rapidamente uma formação de batalha e dar-lhe combate, caso isso sucedesse. Os espanhóis aconselharam a que se ficasse no porto e aí se invernasse até à próxima estação: o esforço de bloqueio era dos ingleses que tinham de ficar no mar e suportar todos os incómodos dessa situação, enquanto eles recuperavam forças em terra. No entanto, as pressões sobre Villeneuve para que saísse eram muito grandes, e é provável que a mais forte de todas fosse a ameaça do próprio Imperador. Há mesmo uma altura em que o Almirante francês decide aceitar o conselho dos espanhóis, mas muda de opinião, dois dias depois. Nelson previra o que iria acontecer e preparou o seu plano de batalha com todo o cuidado, dentro das regras que ele próprio considerava adequadas: atacaria os espanhóis a partir de uma posição a barlavento, dividindo a sua força em duas colunas que abordariam o inimigo a meio da sua formação, procurando desfazê-la e parti-la, para que tivesse de se empenhar em combates singulares onde os seus navios da retaguarda já não podiam ser socorridos pelos mais avançados.
 
No dia 9 de Outubro – e como já acontecera antes – escreveu todas as instruções num memorando que divulgou a todos os capitães. A manobra era perigosa porque a aproximação ao inimigo seria feita sem possibilidades de fazer fogo sobre ele (os navios não tinham capacidade de fogo para vante), e expondo-se a toda a extensão das suas baterias, mas era a única forma de os obrigar verdadeiramente a combater. Confiava que a sua exposição não seria muito demorada e, sobretudo, acreditava na resistência dos seus navios e na perícia dos seus homens. Os espanhóis saíram a 19 de Outubro navegando em direcção ao sul (ao estreito) com vento oeste, e de imediato foram avistados pelas fragatas inglesas que deram o alarme. A esquadra inglesa manobrou tal como previra o seu experiente comandante, perseguindo o inimigo até à madrugada do dia 21, quando Villeneuve deu ordem para virar em roda e regressar a norte. Esta manobra tem sido alvo de grandes controvérsias a que a historiografia inglesa responde com uma única justificação: o Almirante inimigo não sabia o seu ofício. Com vento oeste, se a esquadra virou em roda a sul do Cabo Trafalgar e à distância que se supõe do mesmo, ficaria numa situação de vento muito escasso para demandar Cádis. Seria um erro demasiado grosseiro, para quem, apesar de tudo tinha uma grande experiência de mar. A verdade é que com esta manobra a formação aliada desfez-se um pouco e favoreceu o ataque inglês nos moldes em que o determinara Nelson.
 
Estratégia inglesa
 
Como a armada francesa era bem maior que a inglesa (33x27), Nelson tinha que preparar uma excelente estratégia. A ideia foi a de atacar a esquadra inimiga que navegava pela costa surpreendendo-a pelo oceano, atacando em duas colunas em fila indiana. Essa estratégia tinha um ponto fraco que era a exposição por aproximadamente 20 minutos dos navios ingleses aos canhões franco-espanhóis. Nelson tinha confiança que sua esquadra aguentaria o fogo em direcção às proas inglesas e, em seguida, poderia apontar os seus canhões nas popas e proas inimigas. Logo após isso, eles virariam os navios de modo a emparelhá-los com os inimigos. O plano original incluía também uma contenção pelo norte, impedindo a marinha inimiga de fugir e iniciarem uma luta espaçada em alto mar. Mas Nelson não tinha barcos suficientes para essa terceira coluna. O plano pretendia gerar confusão na compacta frota franco-espanhola e permitir um combate navio contra navio, o que favorecia os britânicos.
 
Execução
 
Tudo ocorreu perfeitamente para os ingleses, com vários barcos inimigos afundados ou capturados, graças à perícia dos marujos ingleses no manejo dos canhões. No entanto, Nelson morreu na batalha, atingido por uma bala de mosquete das velas de gávea do francês Redoutable que no momento varria o Victory  de popa à proa. Quem assumiu o comando da frota inglesa foi o vice-almirante Cuthbert Collingwood, da nau capitânia Royal Sovereign. Após a batalha, uma tempestade alcançou a frota inglesa, que acabou perdendo grande parte dos navios recém conquistados, já muito destroçados.
 
Consequências
 
Napoleão perdeu o controle do Atlântico, e não pôde atacar a Inglaterra, na sua tão desejada Campanha da Bolonha. Nelson, por outro lado, tornou-se um dos maiores heróis ingleses de todos os tempos. Villeneuve suicidou-se pela derrota. E foi essa vitória que talvez tenha possibilitado o contra ataque inglês na Península Ibérica. E também a fuga da família real portuguesa dos Braganças para o Brasil.
Fonte: Wikipédia.  
 
 

Interactividade
 
Por achar relevante, em termos de complemento a este artigo, transcrevo o comentário deixado por  marius70, ao qual agradeço. 
    
De marius70  a 21 de Outubro de 2006 às 06:29
 
[ Duzentos anos após a famosa batalha naval de Trafalgar, britânicos, franceses e espanhóis prestaram homenagem aos milhares de marinheiros mortos no confronto ao largo de Cádis - em especial ao herói da batalha, o almirante Horatio Nelson. "21 de Outubro de 1805, sete mil mortos com valor, heroísmo, coragem e compromisso. 21 de Outubro de 2005, três nações e um projecto comum, memória conjunta com que prestamos tributo à História, não à guerra, mas aos que morreram na batalha", disse em Cádis o chefe do estado-maior da marinha espanhola, almirante Sebastián Soto.
 
No Reino Unido, as comemorações começaram com o içar das 31 bandeiras no mastro principal do HMS Victory que formaram a frase "Inglaterra espera que cada um cumpra o seu dever" que deu início à batalha de cinco horas.
 
Em Espanha, o neto de Villeneuve - o almirante considerado o responsável pela derrota franco-espanhola que se suicidou seis meses depois da batalha - referiu que "ele sabia que seria uma catástrofe, mas decidiu mesmo assim confrontar Nelson". André de Villeneuve disse ainda que em França simplesmente "não se fala" de Trafalgar.
 
Ao largo de Trafalgar, cada um dos quatro navios que participaram na homenagem lançou uma coroa de flores para homenagear os marinheiros mortos em 1805.
 
«Fonte: DN OnLine»
 
Curioso é que o facto de todas as potências envolvidas homenagearem a Batalha e como bem disse José Bono Ministro da Defesa espanhol:
 
"As guerras são sempre perdidas e todos os países as perdem. É bom lembrar o que aconteceu, para afastar o que poderia acontecer de novo" ].
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:09
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2006

Ataques de 11 de Setembro de 2001

 
Momento do embate da segunda aeronave quando a primeira torre estava já em chamas e vista dos ataques.
 
Momento do embate da segunda aeronave quando a primeira torre estava já em chamas
e vista dos ataques.

  
 
 
Paisagem assustadora de fumaça envolvendo os arranha-céus
 
Paisagem assustadora de fumaça envolvendo os arranha-céus, depois das torres caírem.
 

 
 

Cinco anos depois... O dia em que o mundo mudou...
 
 
Os ataques de 11 de Setembro foram uma série de ataques terroristas contra os Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001. Membros do grupo islâmico al-Qaeda sequestraram quatro aeronaves, fazendo duas delas colidirem contra as duas torres do World Trade Center em Manhattan, Nova Iorque, e uma terceira contra o quartel general do departamento de defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, no Condado de Arlington, Virgínia, próximo da capital dos Estados Unidos, Washington, D.C.. O quarto avião sequestrado foi intencionalmente derrubado num campo próximo a Shanksville, Pensilvânia, após os passageiros enfrentarem os terroristas.
 
Desde a Guerra de 1812, esse foi o primeiro ataque de efeitos psicológicos e altamente correctivos imposto por forças inimigas em território americano. Embora ainda não declaradas as respectivas autorias, esse inimigo invisível deixou um saldo de mortes próximo a 3.000, ainda sem reivindicação de autorias, permanece até hoje um mistério. Mesmo tratando-se de vitimas inocentes, para se ter uma ideia quantitativa do seu arrasador resultado, só o ataque em si excedeu o saldo de aproximadamente 2.400 militares norte-americanos mortos no ataque sem um aviso prévio dos japoneses à base militar de Pearl Harbor em 1941. Além disso, essa terrível demonstração de impunidade, tudo indica que foi caprichosamente planeada e direccionada aos ícones americanos, praticado impunemente tendo como arma simples aviões de linhas comerciais. O acto agravou-se muito mais por ter sido transmitido ao vivo pelas cadeias de TV do mundo inteiro com a própria tecnologia americana, tal ataque ainda sem precedentes em toda a história da humanidade, que feriu profundamente o orgulho americano, superou em muito o efeito moral imposto às tropas americanas pela força aérea japonesa.
 
Os ataques
 
Os ataques envolveram o sequestro de quatro aviões de passageiros. Com aproximadamente 91.000 litros (24 mil galões) de combustível de aviação nos tanques, os aviões foram transformados em bombas voadoras. O voo 11 da American Airlines colidiu com a torre norte do WTC às 8:46 da manhã horário local (12:46:40 UTC). Às 09:03:11 da manhã, horário local (13:03:11 UTC), o voo 175 da United Airlines colidiu com a torre sul. O voo 77 da American Airlines colidiu no Pentágono às 9:37:46 da manhã, horário local de(13:37:46). O quarto avião sequestrado, o voo 93 da United Airlines, possivelmente teria sido abatido num campo entre Shanksville e Stonycreek Township no Condado de Somerset, Pensilvânia, às 10:03:11 da manhã, horário local (14:03:11 UTC) ou quando num confronto directo entre os passageiros (revoltosos) e sequestradores. Nenhum dos ocupantes dos aviões sequestrados sobreviveu.
 
Os mortos nos ataques de 11 de Setembro de 2001 foram milhares: 265 nos aviões; pelo menos 2.602 pessoas, incluindo 242 bombeiros, no World Trade Center, e 125 no Pentágono. Pelo menos 2.992 pessoas foram mortas. Além das Torres Gémeas de 110 andares do World Trade Centre ("WTC"), cinco outras construções nas proximidades do WTC e quatro estações subterrâneas de metropolitano foram destruídas ou seriamente danificadas. No total, foram 25 prédios danificados em Manhattan. Em Arlington, uma parte do Pentágono foi seriamente danificada pelo fogo e outra parte acabou por se desmoronar.
 
Alguns passageiros e tripulantes puderam fazer chamadas telefónicas dos voos condenados. Eles relatavam que vários sequestradores dos ataques de 11 de Setembro estavam em cada avião. Um total de 19 sequestradores foram posteriormente identificados, cinco na maioria dos voos, quatro no voo 93 da United. Segundo informações, os sequestradores assumiram o controle das aeronaves usando facas para matar as assistentes de bordo, pilotos, e/ou ao menos um passageiro. No voo 77 da American Airlines, um dos passageiros relatou que os sequestradores usavam punhais. Foi relatado o uso de algum tipo de spray químico nocivo, chamado gás de efeito moral para manter os passageiros longe da primeira classe nos voos 11 da American Airlines e 175 da United Arlines. Ameaças de bombas foram feitas em três aviões, mas não no 77 da American.
 
A quarta aeronave
 
Especula-se que o alvo dos sequestradores da quarta aeronave, o voo 93 da United Airlines, era o Capitólio ou a Casa Branca em Washington, DC. As gravações da caixa preta revelaram que os passageiros tentaram assumir o controle do avião dos sequestradores, e como abanar o avião não foi o suficiente para subjugar os passageiros, os sequestradores derrubaram o avião num descampado entre Shanksville e Stonycreek Township no Condado de Somerset, Pensilvânia, às 10:03:11 da manhã, horário local (14:03:11 UTC). Some-se aos acontecimentos a possibilidade da quarta aeronave ter sido abatida em voo pela força aérea americana o que também explicaria o abanar da aeronave na tentativa inútil de desviar dos caças. Esta notícia divulgada no início, mas depois suprimida dos noticiários, seria a única explicação ao padrão de destroços da quarta aeronave distribuídos em inúmeras localidades. O próprio espalhamento dos destroços sugere que, antes do impacto com o solo, houve de facto uma desintegração da fuselagem da aeronave ainda em voo, possivelmente causada por uma explosão no ar, resultado da acção de abate provocada por míssil ar-ar ou de forma indirecta, devido ao desgaste estrutural prematuro causado pela alternância da acção centrípeta que era submetida a aeronave em fuga. Teoriza-se que a difícil decisão para abater uma aeronave civil, com vidas humanas a bordo, teria partido do presidente Bush, que se viu na difícil posição de ordenar o ataque e abater a aeronave sobre uma aérea desabitada ou esperar que mais uma possível incursão kamikaze contra outra instituição governamental fosse concluída e mais vidas perdidas, além das que já estavam a bordo.
 
11 de Setembro
 
Normalmente as pessoas referem-se aos ataques como o 11 de Setembro. Era uma terça-feira, e os voos domésticos nos Estados Unidos carregam poucos passageiros no meio da semana, portanto tornando um voo mais fácil de ser sequestrado.
 
Responsabilidade
 
Em 29 de Outubro de 2004, Osama bin Laden assumiu explicitamente a responsabilidade pelos ataques. Ele afirmou que "nós decidimos destruir as torres na América ... Deus sabe que não nos ocorreu originalmente essa ideia, mas nossa paciência esgotou-se diante da injustiça e inflexibilidade da aliança entre Americanos e Israelitas contra o nosso povo na Palestina e no Líbano, e então a ideia surgiu na minha mente."
 
O grupo militante Islâmico al-Qaeda elogiou os ataques e os líderes do grupo haviam previamente dado a entender que tinham participação nos ataques. De facto, pouco depois dos ataques, o governo dos Estados Unidos declarou-os, juntamente com o líder deles, Osama bin Laden, como principais suspeitos. Em 2004, a comissão do governo norte-americano que investigou os ataques oficialmente concluiu que os ataques foram concebidos e implementados por pessoal da al-Qaeda. A comissão que investigou os ataques relatou que, embora tenha havido contactos com o Iraque durante a presidência de Saddam Hussein, não foram encontradas "relações colaborativas" entre o Iraque e a al-Qaeda quanto ao ataque de 11 de Setembro em especial. Entretanto entidades ligadas à Casa Branca afirmam que a al-Qaeda tinha ligações com grupos Iraquianos desde o início da década de 1990. Porém a veracidade dessas afirmações é profundamente questionada pela sociedade civil mundial.
 
 
Consequências do 11 de Setembro
 
Medidas militares e de segurança
 
Os ataques levaram ao que o Presidente George W. Bush chamou de "Guerra contra o Terror" ou "Guerra contra o Terrorismo". O governo dos Estados Unidos intensificou as operações militares, pressões políticas e medidas económicas contra grupos que ele considera serem terroristas, assim como governos e países acusados de os acolher. Em Outubro de 2001 aconteceu a primeira operação militar iniciada pelos Estados Unidos segundo essa política, quando os Estados Unidos derrubaram o governo Taliban no Afeganistão, após estes se negarem a extraditar Osama bin Laden para os Estados Unidos. Os ataques de 11 de Setembro também levaram ao aumento da segurança interna dos Estados Unidos e à criação de uma nova agência federal em nível de gabinete, o Departamento de Segurança Interna.
 
De imediato, os ataques de 11 de Setembro colocaram os Estados Unidos e outros países num alto grau de alerta contra ataques subsequentes em potencial. O tráfego aéreo sobre os Estados Unidos foi — pela primeira vez na história — quase totalmente suspenso por três dias, com vários eventos e locais a serem afectados por encerramentos, cancelamentos, adiamentos e evacuações. Outros países impuseram restrições de segurança similares; na Inglaterra, por exemplo, a aviação civil foi proibida de voar sobre Londres por vários dias depois dos ataques.
 
Reacção internacional
 
Os ataques também tiveram importantes efeitos na política mundial. Muitos países introduziram legislações duras anti-terrorismo - nos Estados Unidos foi o USA PATRIOT Act - e também levaram adiante acções para cortarem as finanças de terroristas (inclusive através do congelamento de contas bancárias suspeitas de serem usadas pelos eles). As agências da lei e de inteligência estabeleceram cooperação para prenderem suspeitos de terrorismo e destruírem células supostamente terroristas ao redor do mundo. Esse foi um processo altamente controverso, já que restrições anteriores impostas pelas autoridades governamentais foram levantadas e certos direitos civis foram derrubados. Isso foi levantado em Setembro de 2004, quando Yusuf Islam, um activista muçulmano britânico conhecido pelo seu trabalho pela paz e pela caridade, anteriormente conhecido como Cat Stevens, foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Isso levou o secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw a reclamar com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, que ordenou uma revisão na restrição colocada contra pessoas para entrarem nos EUA.
 
Os ataques levaram, por todo o mundo, a várias cerimónias em memória das vítimas. Em Berlim, 200 mil Alemães marcharam para mostrar a sua solidariedade às vítimas. O jornal francês Le Monde, tipicamente crítico contra os Estados Unidos, colocou em manchete de primeira página "Nous Sommes Tous Américains", ou "Somos todos americanos". Em Londres, o hino dos Estados Unidos foi tocado durante a troca de guarda no palácio de Buckingham. De imediato, o apoio ao direito dos americanos de se defenderem foi expressado por todo o mundo, como expresso na Resolução 1368 do Conselho de Segurança da ONU.
 
As reacções aos ataques no mundo Islâmico foram confusas. A grande maioria dos líderes religiosos e políticos islâmicos condenaram o ataque - a única excepção significativa foi Saddam Hussein, então presidente do Iraque. Logo após ao ataque foram relatadas celebrações em alguns países por pessoas opositoras às políticas americanas no Médio Oriente.
 
Reacção da população norte-americana
 
Os ataques também tiveram efeitos imediatos e avassaladores na população dos Estados Unidos. A gratidão diante dos trabalhadores uniformizados de segurança pública (especialmente no caso dos bombeiros) foi amplamente expressada na luz tanto do drama dos riscos envolvidos no momento quanto no alto saldo de mortes entre eles. O número de mortos entre os serviços de emergência foi sem precedentes. O papel feito por Rudolph Giuliani, Prefeito de Nova Iorque, garantiu-lhe enorme prestígio nacional. Ele foi eleito Pessoa do Ano de 2001 pela Revista Time, e mantém um prestígio maior nos Estados Unidos do que o do presidente George W. Bush.
 
Consequências económicas
 
Os ataques tiveram impactos significativos nos mercados dos Estados Unidos e mundiais. A Bolsa de Valores de Nova Iorque, o American Stock Exchange e a NASDAQ não abriram em 11 de Setembro e permaneceram fechadas até ao dia 17. As instalações e centros de processamento de dados remotos da Bolsa de Valores de Nova Iorque (“NYSE”) mais as empresas participantes, consumidores e mercados, foram incapazes de se comunicarem devido aos danos ocorridos na instalação da central telefónica próxima ao World Trade Center. Quando os mercados de acções reabriram em 17 de Setembro de 2001, após o maior período em que estiveram fechadas desde a Grande Depressão em 1929, o índice do mercado de acções Dow Jones Industrial Average (“DJIA”) caiu 684 pontos, ou 7,1%, para 8920 pontos, a sua maior queda num único dia. No fim da semana, o DJIA tinha caído 1369,7 pontos (14,3%), a sua maior queda numa semana na história. O mercado de acções americano perdeu 1,2 trilião de dólares em valores numa semana.
 
Salvamento e resgate
 
Apesar da remoção dos escombros do que sobrou dos ataques levarem meses para serem concluídos, com respeito ao cidadão comum, os esforços de salvamento e resgate as vitimas praticamente foram nulos. Levou dias e até semanas simplesmente para apagarem o fogo que queimavam nos escombros do Pentágono e WTC e a limpeza só foi completada parcialmente em Maio de 2002. Apesar de muitos fundos de ajuda terem sido organizados imediatamente para auxiliarem as vítimas dos ataques, o objectivo de fornecer ajuda financeira aos sobreviventes e às famílias das vítimas ainda ocorrem, mostrando uma "desligação" das autoridades.
 
Apenas um pequeno número de sobreviventes e surpreendentemente poucos restos mortais intactos de vítimas foram encontradas nos escombros do WTC.
 
As forças libertadas na desintegração das torres foi tão grande que muitos dos que ficaram presos nos prédios foram simplesmente pulverizados no colapso. Algumas vítimas foram identificadas por coisas mínimas como restos de músculos ou dentes misturados com os escombros. Muitos corpos jamais foram encontrados, presumivelmente por que o calor das chamas os teria incinerado. Em 18 de Janeiro de 2002, o último sobrevivente hospitalizado do ataque ao World Trade Center recebeu alta do hospital.
 
Os mais de 1,5 milhões de toneladas de entulho produzidos pela queda do WTC mostraram serem problemas incríveis de limpeza. Um prédio totalmente ocupado nunca fora derrubado antes, e as consequências sócio-ambientais e para a saúde de tal evento eram desconhecidas. Por volta de 100 toneladas de amianto usados na construção do WTC ainda não foram totalmente removidos. Os ataques libertaram densas nuvens de poeira contendo cimento pulverizado, fibra de vidro, amianto e outros poluidores. Em 2004, por volta da metade dos mais de 1000 trabalhadores e voluntários de resgate envolvidos, relataram problemas respiratórios persistentes e mais da metade relatavam problemas psicológicos. Por causa do grande período de latência entre exposição ao amianto e o desenvolvimento de doenças relacionadas, os residentes de Manhattan, especialmente os trabalhadores do resgate, podem ter problemas futuros de saúde.
 
Seis meses depois do ataque 1,5 milhões de toneladas de entulho foi removido do local do WTC e o trabalho continuou abaixo do solo, apesar das preocupações de que as fundações pudessem vir abaixo. Cerimónias marcando o encerramento da remoção do entulho foram realizadas no final de Maio de 2002.
 
Por que caiu o WTC ?
 
Existe muita especulação sobre as causas do efeito implosório observado nos desabamentos das Torres Gémeas do WTC. Embora sem precedentes na história, a razão de tal queda tão sincronizada acontecer, ainda é um mistério para a ciência que vem sendo debatida por arquitectos, engenheiros de estruturas e agências governamentais, todos voltados à segurança do meio ambiente e interessadas nas respostas ao seguinte questionamento: " Até que ponto os cálculos matemáticos e as técnicas de implosão programada atenderiam ao desmantelamento das grandes estruturas?"
 
Sobre as colisões, deve-se considerar que a força dos impactos com as torres foram relativamente nulas, tendo em vista o efeito trespassador observado quando as velocidades relativas são muito grandes.
 
Contudo, a queima de 91m³ (24.000 galões) de combustível líquido de aviação "praticamente injectados dentro das torres", somado ao design do WTC e as zonas de baixa pressão localizadas nas aberturas “as janelas panorâmicas dos andares superiores por onde os destroços da aeronave abriram fendas”, deram inicio ao efeito-chaminé acelerado. Tal efeito acontece quando a convecção de gases numa chaminé é apressado pelo calor das chamas no seu interior. O alto poder calórico conseguido nesses ciclos promove uma reacção semelhante ao jacto de um maçarico. Essa pois, a causa da falência localizada na estrutura do WTC e que deu início ao aspecto de uma implosão programada.
 
Esta é contudo a versão oficial. O grande problema que se coloca é conseguir provar o que acima está descrito, dado que tal facto é fisicamente impossível.
 
Especulações e teorias da conspiração
 
A partir das fatídicas colisões contra as estruturas que formam a alma dos americanos, tem havido muita especulação sobre o seu planeamento na derrubada desses ícones, em especial relacionadas com a possibilidade de haver mais sequestradores que iriam executar o ataque surpresa. Atrás dessa procura desesperada por informações, formou-se uma comissão para organizar as inúmeras hipóteses, no entanto até agora a comissão do 11 de Setembro não conseguiu explicar de forma racional e coerente os inúmeros fenómenos que rondam esses eventos e mesmo sabendo que existe muita informação disponível da Internet, apoiada por milhares de peritos, que põe em litígio as versões oficiais do 11 de Setembro, apresentando para isso as mais variadas provas cientificas, até agora nada de novo foi acrescentado, demonstrando que os políticos norte-americanos não estão interessados em fazer justiça ou evitar outros ataques mas sim explorar os eventos para alimentar a sua ambição política.
 
O vigésimo sequestrador
 
Apesar de tudo não passar de suposição, Binalshibh 'O vigésimo sequestrador', aparentemente iria participar dos ataques, mas frequentemente foi-lhe negada entrada nos Estados Unidos, recusa essa que deve tê-lo deixado muito deprimido. Mohamed al-Kahtani era outro terrorista em potencial, que também lhe foi negada a entrada nos Estados Unidos, no Aeroporto Internacional de Orlando, em Agosto de 2001, sendo que posteriormente foi capturado e aprisionado encontrando-se hoje na Baía de Guantânamo. Zacarias Moussaoui era considerado um substituto para Ziad Jarrah, que em certo momento ameaçou abandonar o esquema por causa das tensões entre os envolvidos. Os planos para incluir Moussaoui nunca se completaram, pois a hierarquia da al-Qaeda tinha dúvidas sobre a sua lealdade. No fim, Moussaoui não foi inserido no sequestro.
 
Os outros membros da al-Qeada que tentaram sem sucesso participar dos ataques foram Saeed al-Ghamdi (não confundir com o sequestrador bem sucedido de mesmo nome), Mushabib al-Hamlan , Zakariyah Essabar , Ali Abdul Aziz Ali , e Tawfiq bin Attash. Khalid Sheikh Mohammed, o articulador intelectual do ataque, queria eliminar mais um membro da operação -- Khalid al-Mihdhar -- mas foi impedido por Osama bin Laden.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:17
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2006

Batalha de Montes Claros

 
Localização de BORBA, Juromenha e BADAJOZ
 
                          Localização de BORBA, Juromenha e BADAJOZ
 


A Batalha de Montes Claros, foi travada em 17 de Junho de 1665, faz hoje 341 anos, em Montes Claros, perto de Borba, entre Portugueses e Espanhóis.
 
 
História
 
Preparam-se os espanhóis para um ataque que tudo levasse de vencida, mas, por seu lado, os governantes portugueses tomaram todas as cautelas e providências indispensáveis para a defesa do reino. Calculando que a tentativa de invasão seria feita através das fronteiras do Sul, isto é, pelo Alentejo, foi nessa província que se tomaram as maiores precauções. Três mil e quinhentos homens foram sem demora enviados de Trás-os-Montes, constituindo quatro terços de infantaria e catorze companhias de cavalaria.
 
Simão de Vasconcelos e Sousa levou de Lisboa trezentos cavaleiros e dois mil infantes e Pedro Jacques de Magalhães apresentou-se com mil e quinhentos soldados de infantaria e quinhentos de cavalaria. O conjunto representava um reforço de sete mil e oitocentos homens, o que dotava António Luís de Meneses, Marquês de Marialva, com o comando total de vinte mil e quinhentos combatentes. O Marquês de Caracena havia planeado nada menos do que ocupar Lisboa, tomando em primeiro lugar Vila Viçosa e a seguir a cidade de Setúbal. Então pôs em movimento o seu exército, que se compunha de quinze mil infantes, sete mil e seiscentos cavaleiros e as guarnições de catorze canhões e dois morteiros. Tendo ocupado Borba que encontraram despovoada, os espanhóis atacaram Vila Viçosa que embora mal fortificada, ofereceu aos ataques do inimigo uma resistência inquebrantável.
 
Entretanto, o exército português avançava para socorrer a praça, mas foi resolvido pelo comando que as tropas se detivessem em Montes Claros, a aproximadamente meio caminho entre Vila Viçosa e Estremoz. O general espanhol ao saber da proximidade do exército português, deu ordens imediatas para que as forças de que dispunha marchassem ao encontro do adversário. Carregando em massa, a cavalaria espanhola abriu brechas nos terços de infantaria da primeira linha, mas foi recebida com uma chuva de metralha disparada pela artilharia comandada por D. Luís de Meneses. Os esquadrões de Castela, obrigados a recuar refizeram-se e lançaram segunda carga sobre o terço de Francisco da Silva Moura, causando a morte deste e de mais trinta soldados portugueses.
 
O Marquês de Marialva não estava disposto a ceder terreno ou a perder o ânimo. Sob as suas ordens, as brechas abertas pela cavalaria espanhola foram colmatadas, enquanto a artilharia não cessava de fazer fogo sobre os castelhanos. Uma segunda carga igualmente impetuosa, conseguiu no entanto levar os cavaleiros espanhóis até ao mesmo ponto onde fora detida a primeira, mas as perdas sofridas foram de tal ordem que tiveram de deter-se também, sem que a segunda linha portuguesa comandada pessoalmente pelo Marquês de Marialva, tivesse sequer sido molestada. O Conde de Schomberg esteve prestes a cair em mãos espanholas, quando um tiro abateu o cavalo que ele montava. O espanhóis que pareciam ter contado com a fúria dos primeiros ataques em massa, executados em especial pela cavalaria, viram-se em situação de perigo. Deram ainda uma terceira carga, mas o ímpeto inicial tinha-se perdido e o desânimo apoderava-se deles. Ao cabo de sete horas de luta, os atacantes começaram a debandar, e o próprio general Caracena, reconhecendo que a batalha estava perdida, fugiu para Juromenha (freguesia portuguesa do concelho do Alandroal), de onde seguiu depois a caminho de Badajoz.
 
Pode considerar-se que a Batalha de Montes Claros decidiu definitivamente a independência de Portugal, que seria reconhecida pela Espanha três anos mais tarde, ao firmar-se entre os dois países um tratado de paz. A Batalha de Montes Claros foi a última das cinco grandes vitórias de Portugal contra os espanhóis na Guerra da Restauração, sendo as restantes: Montijo, Linhas de Elvas, Ameixial e Castelo Rodrigo.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:34
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Sexta-feira, 24 de Março de 2006

Minas Terrestres



Soldado do Exército dos EUA numa operação de remoção de minas terrestres 
Soldado do Exército dos EUA numa operação de remoção de minas terrestres Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




Minas são dispositivos compostos de um invólucro com carga explosiva e um detonador. A mina terrestre é uma armadilha explosiva enterrada a pouca profundidade e detonada pelo peso do alvo que se quer atingir.
 
A mina terrestre, ou mina explosiva pode continuar activa depois de muito tempo da sua instalação. A principal finalidade da mina terrestre é evitar ou dificultar o avanço de carros de combate ou da infantaria.
 
 
Existem duas classes de minas terrestres:
 
> Minas antitanques ou antiveiculares, destinadas principalmente veículos autopropulsados. Estes dispositivos contêm cerca de cinco quilos de explosivos.
 
> Minas antipessoais, mais leves, tem a função de matar ou ferir várias pessoas se estiverem próximas a estes artefactos após a sua explosão. Contêm em média meio quilo de explosivos e fragmentam-se ao explodir.
 
 
Para a instalação de uma mina, em primeiro lugar, elege-se o que se quer atingir. Para tal, é verificado o grau de fragmentação após a explosão e a dificuldade de detecção do artefacto.
 
O dispositivo é enterrado a pouca profundidade no solo e detonado pelo peso de soldados ou veículos que passam sobre si, dependendo o tipo. O disparo também pode ser através de um temporizador ou por controle remoto.
 
Para evitar a sua detecção magnética através de equipamentos electrónicos, as modernas cápsulas de minas são produzidas por materiais não magnéticos e não condutivos. Existem minas fabricadas com explosivos plásticos, o encapsulamento cerâmico e o dispositivo de disparo fabricado com componentes mecânicos à base de polímeros.
 
O sistema de disparo pode ser accionado por pressão ao toque exercida sobre uma barra articulada.
 
 
Minas antipessoais
 
As minas antipessoais podem ser de explosão ou de fragmentação.
As primeiras atingem ao alvo de forma a causar os maiores danos possíveis, destroçando e queimando o elemento atingido, de forma a reduzir o moral do grupo de avanço, havendo assim, além dos danos físicos, os danos psicológicos.
O segundo tipo expele grande quantidade de fragmentos em altíssima velocidade, o seu alcance é considerável.
Algumas minas são projectadas para ferir o maior número possível de indivíduos. Neste grupo existe o tipo saltador, cuja cápsula, após o disparo, salta de seu nicho a aproximadamente um metro e oitenta cm de altura, explodindo e lançando fragmentos que se espalham horizontalmente, atingindo alvos a grande distância.
 
Existe ainda um tipo de mina fixa não direccional, instalada no solo ou imediatamente abaixo da superfície. Depois da ignição projecta os seus fragmentos para cima e para fora, em 360 graus, formando um arco de 60 graus.
 
A maior indústria de minas antipessoais do mundo encontra-se nos Estados Unidos; o seu nome é Claymore Inc. Esta indústria fabrica um tipo de mina cuja função é destruir e cauterizar após a explosão, os membros inferiores dos elementos atingidos aleijando-os, mas não matando. Este procedimento é feito de forma que o elemento alvo não venha a morrer por hemorragias, mas sim permanecer vivo, acordado, e sentindo dores pela maior quantidade de tempo possível, de forma a quebrar o moral da tropa no seu avanço.
 
Existe um tipo de mina fabricada pela Claymore que dispara cerca de três mil projécteis de aço à base de urânio empobrecido em forma de agulhas (chamados vulgarmente de flexets), cuja função é causar o maior número de danos ao grupo atingido, desde pessoas, até veículos. O alcance destas agulhas chega a várias centenas de metros.
 
 
Minas antitanques
 
As minas antiveiculares necessitam de uma pressão superior a 150 quilogramas para o seu disparo. A carga explosiva danifica os veículos por concussão, e o seu funcionamento básico é semelhante ao de uma mina antipessoal explosiva.
 
Uma mina antitanque, mina AT, ou mina antiveicular, é semelhante a uma mina terrestre, excepto que é desenhada para ser menos sensível e com uma carga explosiva maior, de modo a poder destruir um veículo blindado. Foram primeiramente usadas em grande escala na Segunda Guerra Mundial.
 
Normalmente a instalação de minas é distribuída de forma a ter antipessoais e antiveiculares no mesmo terreno. A função é dificultar a localização e retirada de ambas.
 
A Claymon Inc. fabrica minas químicas que são usadas de forma a dispersar agentes químicos no ambiente próximo à sua localização. Os produtos podem ser líquidos, gasosos, persistentes ou não. A instalação recomendada pelo fabricante deve ser de forma intercalada com minas antipessoais e antiveiculares.
O elemento mais utilizado pelas indústrias norte-americanas de minas terrestres químicas é o gás cloro.
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