Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O Império Otomano

 
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
Localização do Império Otomano na sua maior extensão (1683)
 
 
 

O império otomano foi um estado que existiu entre 1281 e 1923 e que no seu auge compreendia a Anatólia, o Médio Oriente, parte do norte da África e do sudeste europeu. Foi estabelecido por uma tribo de turcos Oghuz no oeste da Anatólia e era governado pela dinastia Osmanlı. Era por vezes referida em círculos diplomáticos como a da "Porta Sublime " ou simplesmente como "a Porta", devido à cerimónia de acolhimento com que o sultão agraciava os embaixadores à entrada do palácio. O império foi fundado por Osman I (em árabe Uthmān, de onde deriva o nome "otomano"). Nos séculos XVI e XVII, o império otomano constava entre as principais potências políticas europeias e em vários países europeus foi sentido o receio dos avanços nos Balcãs. No seu clímax, compreendia uma área de 11.955.000 km². Em 1453, após a captura da cidade, Constantinopla (a actual Istambul) tornou-se a capital. A partir de 1517, o sultão otomano era também o Califa do Islão, e o império otomano era entre 1517 e 1922 (ou 1924) o sinónimo de Califado, o Estado Islâmico. O auge do Império Otomano foi durante o governo de Solimão, o Magnífico, no qual os seus exércitos chegaram às portas de Viena, e Istambul foi transformada em capital cultural. Foi também durante o seu governo que ocorreu a Batalha de Rodes. O declínio do Império Otomano teve início no final do reino de Suleiman I e prosseguiu até ao final da Primeira Guerra Mundial. Uma reacção oficial a este declínio surgiu por fases: a primeira deu-se com a Reforma Tradicional (1566-1807), que procurou restaurar as antigas instituições; a segunda surgiu com a Reforma Moderna (1807-1918) quando se abandonaram os antigos preceitos e foram adoptados novos, importados do Ocidente.
 
No seguimento da Primeira Guerra Mundial, na qual a maioria do seu território foi capturada pelos aliados, o império otomano transformou-se na moderna Turquia durante a guerra da independência turca.
 
Um aglomerado étnico
 
Como o teórico do nacionalismo Ernest Renan afirma, o Império Otomano era, em contraste com outros estados-nações (como a França, Alemanha ou Reino Unido) uma unidade política multiétnica. Em "Qu 'est-ce qu' une nation ?", de 1882, ele afirma que "o turco, o eslavo, o grego, o arménio, o árabe, o sírio, o curdo, são tão distintos hoje como sempre foram desde o primeiro dia da conquista".
 
Bernard Lewis afirma em "The Emergence of Modern Turkey", 1968:
"O império otomano era tolerante com outras religiões... Mas elas eram estritamente segregadas dos muçulmanos, nas suas próprias comunidades. Nunca eles foram permitidos a mesclar-se livremente na sociedade muçulmana como tinham feito anteriormente em Bagdade e Cairo... Se o converso era rapidamente aceite, os não-conversos eram excluídos tão fortemente que mesmo hoje, 500 anos após a conquista de Constantinopla, nem os Gregos nem os Judeus da cidade dominam a língua turca... Podemos falar de árabes cristãos - mas um turco cristão é um absurdo e uma contradição. Mesmo hoje, após 35 anos de uma república secular turca, um não-muçulmano na Turquia pode ser chamado de cidadão turco mas nunca de turco."
 
A Batalha de Rodes ocorrida em 1522, na cidade de Rodes (a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram actualmente o território administrado pela Grécia), opondo as forças do sultão otomano Suleiman e dos Cavaleiros de São João. O pretexto para o conflito foi o constante ataque que os cavaleiros em Rodes faziam contra os navios turcos. Tanto que a cidade era conhecida pelos otomanos como o lar dos demónios. Suleiman enviou uma mensagem ao grão-mestre dos Cavaleiros de São João, Philippe Villiers de L'Isle-Adam, que caso eles se rendessem, poderiam partir levando todos os seus tesouros. Mas a proposta foi recusada. Durante o Verão, em Junho, 300 navios e 100 mil soldados otomanos sitiaram Rodes, que contava com apenas 5 mil homens e 600 cavaleiros. Uma luta desigual. Mas ataque por ataque, os turcos iam sendo massacrados. Numa ofensiva otomana, Suleiman perdeu 15 mil soldados, enquanto os seus inimigos perderam apenas 200. A rendição dos cavaleiros veio em Dezembro, e o sultão aceitou a sua rendição pelas mesmas condições propostas antes, afinal ele já perdera mais de 60 mil homens. Os 180 cavaleiros e os mil e quinhentos soldados de Rodes seguiram com os seus tesouros, em navios turcos, até Creta. Os desastres militares do sultão mudou a sua política, sendo cada vez menos benevolente com os seus inimigos.
 
 

Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Egeu
Marina de Rodes, a maior das ilhas do Dodecaneso, situadas no Mar Egeu e que integram o território administrado pela Grécia. Famosa devido ao Colosso de Rodes, estátua considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade medieval de Rodes, capital da ilha, é Patrimônio Histórico da Humanidade. A ilha tem cerca de 1398 km2 e uma população de aproximadamente 82 mil habitantes.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Acrópole

 
O Partenon na acrópole de Atenas
O Partenon na acrópole de Atenas
 
 
 

Acrópole (do grego acro: alto, elevado - polis: cidade) é a parte da cidade construída nas partes mais altas do relevo da região. A posição tem tanto valor simbólico, elevar e enobrecer os valores humanos, como estratégico, pois dali podia ser melhor defendida.
 
Era na acrópole das diversas cidades que se construíam as estruturas mais nobres, como os templos e os palácios dos governantes.
 
A acrópole grega original de Atenas ficou famosa pela construção do Partenon, sumptuoso templo em honra à deusa Atena, ricamente construído em mármores raros e ornado com esculturas de Fídias por ordem de Péricles e com recursos originalmente destinados a patrocinar a guerra contra os Persas.
 
A acrópole de Atenas é a mais conhecida e famosa das acrópoles (cidade alta) da Grécia. O seu significado é tal na arte e cultura do ocidente que muitas vezes é referida simplesmente como a acrópole. É uma colina rochosa de topo plano com 150 metros de altura do nível do mar, que abriga algumas das mais famosas edificações do mundo antigo, como o Partenon e o Erecteion.
 
A palavra acrópole tem sido usada em arqueologia e história para designar os centros das cidades antigas ou sítios arqueológicos onde se situam as principais estruturas arquitectónicas.
 
Nas cidades maias é comum e recorrente a acrópole com pirâmides-templos, grandes praças públicas, estádios e palácios e não poucos historiadores as compararam com as formações arquitectónicas da acrópole original.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006

A Civilização Maia

 
Ruínas de construções maias no México
 
Ruínas de construções maias no México
 
 
 

A Civilização Maia habitou a América Central nos actuais Belize e Guatemala, e no Iucatã ao sul do México, com uma rica história de 3 000 anos, tratando-se de uma cultura meso-americana pré-colombiana. Contrariando a crença popular, o povo maia nunca "desapareceu", pois milhões ainda vivem na mesma região e muitos deles ainda falam alguns dialectos da língua original. Este artigo discorre principalmente sobre a civilização maia antes da conquista espanhola.
 
 
Origem
 

Evidências arqueológicas mostram que os maias começaram a edificar a sua arquitectura cerimonial há 3 000 anos. Entre os estudiosos há um certo desacordo entre os limites e diferenças entre a civilização maia e a cultura meso-americana pré-clássica vizinha dos olmecas. Os olmecas e os maias antigos, parecem ter-se influenciado mutuamente.
 
Os monumentos mais antigos consistem em simples montículos onde construíram tumbas funerárias, precursoras das pirâmides
erigidas mais tarde.
 
Eventualmente, a cultura olmeca ter-se-ia desvanecido depois de dispersar a sua influência na península de Iucatã, na Guatemala
e em outras regiões.
 
Os maias construíram as famosas cidades de Tikal, Palenque, Copán, e Calakmul, também Dos Pilas, Uaxactún, Altún Ha, e muitos outros centros habitacionais na área. Desenvolveram um império baseado na agricultura depois de uma longa fase de cidades-estado independentes. Os monumentos mais notáveis são as pirâmides que construíram nos seus centros religiosos, junto aos palácios dos seus governantes. Outros restos arqueológicos muito importantes são as chamadas estelas (os maias chamam-nas de Tetún, ou “tres piedras”), monólitos de proporções consideráveis que descrevem os governantes da época: a sua genealogia, os seus feitos de guerra e outros grandes eventos, gravados em caracteres hieroglíficos
.
 
Os maias participavam activamente no comércio em toda a meso-américa e possivelmente além. Entre os principais produtos do comércio estavam o cacau, o sal e a obsidiana (variedade de rocha vulcânica de aspecto vítreo, que outrora era utilizada para fazer facas, pontas de lança, espelhos, etc.).
 
Arte
 
Muitos consideram a arte maia da Era Clássica (200 a 900 d.C.) como a mais sofisticada e bela do Novo Mundo antigo. Os entalhes e relevos em estuque de Palenque e o estatuário de Copán são especialmente refinados, mostrando uma graça e observação precisa da forma humana, que recordaram aos primeiros arqueólogos da civilização do Velho Mundo, daí o nome dado à Era.
 
Somente existem fragmentos da pintura avançada dos maias clássicos, a maioria sobrevivente em artefactos funerários e outras cerâmicas. Também existe uma construção em Bonampak que tem murais
antigos e que, afortunadamente, sobreviveram a um acidente.
 
Com as decifrações da escrita
maia descobriu-se que essa civilização foi uma das poucas nas quais os artistas escreviam o seu nome nos seus trabalhos.
 
Arquitectura
 
A arquitectura maia abarca vários milénios; ainda assim, mais dramática e facilmente reconhecíveis como maias são as fantásticas pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante. Durante este período da cultura maia, os centros de poder religioso, comercial e burocrático, cresceram para se tornarem incríveis cidades como Chichén Itzá, Tikal e Uxmal. Devido às suas muitas semelhanças assim como diferenças estilísticas, os restos da arquitectura maia são uma chave importante para o entendimento da evolução da sua antiga civilização.
 
Desenho urbano
 
Ainda que as cidades maias estivessem dispersas na diversidade da geografia da meso-américa, o efeito do planeamento parecia ser mínimo; as suas cidades foram construídas de uma maneira um pouco descuidada, como ditava a topografia e declive particular. A arquitectura maia tendia a integrar um alto grau de características naturais. Por exemplo, algumas cidades existentes nas planícies de pedra calcária no norte do Iucatã converteram-se em municipalidades muito extensas enquanto que outras, construídas nas colinas das margens do rio Usumacinta, utilizaram os declives e montes naturais da sua topografia para elevar as suas torres e templos a alturas impressionantes. Ainda assim prevalece algum sentido de ordem, como é requerido por qualquer grande cidade. No começo da construção em grande escala, geralmente estabelecia-se um alinhamento com as direcções cardinais e, dependendo do declive e das disponibilidades de recursos naturais como água fresca (poços ou cenotes), a cidade crescia ligando grandes praças com as numerosas plataformas que formavam os fundamentos de quase todos os edifícios maias, por meio de calçadas ou sacbeob. No coração das cidades maias existiam grandes praças rodeadas por edifícios governamentais e religiosos, como a acrópole real, grandes templos de pirâmides e ocasionalmente campos de jogo de bola. Imediatamente para fora destes centros rituais estavam as estruturas das pessoas menos nobres, templos menores e santuários individuais. Entretanto, quanto menos sagrada e importante era a estrutura, maior era o grau de privacidade. Uma vez estabelecidas, as estruturas não eram desviadas das suas funções nem outras eram construídas, mas as existentes eram frequentemente reconstruídas ou remodeladas. As grandes cidades maias pareciam tomar uma identidade quase aleatória, que contrasta profundamente com outras cidades da meso-américa como Teotihuacán na sua construção rígida e quadriculada. Ainda que a cidade se dispusesse no terreno na forma em que a natureza ditara, punha-se cuidadosa atenção à orientação dos templos e observatórios para que fossem construídos de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas. Afora os centros urbanos constantemente em evolução, havia os lugares menos permanentes e mais modestos do povo comum.
 
O desenho urbano maia pode descrever-se singelamente como a divisão do espaço em grandes monumentos e calçadas. Neste caso, as praças públicas ao ar livre eram os lugares de reunião para as pessoas. Por esta razão, o enfoque no desenho urbano tornava o espaço interior das construções completamente secundário. Somente no período pós-clássico tardio, as grandes cidades maias se converteram em fortalezas
que já não possuíam, na maioria das vezes, as grandes e numerosas praças do período clássico.
 
Materiais de construção
 
Um aspecto surpreendente das grandes estruturas maias é a carência de muitas das tecnologias avançadas que poderiam parecer necessárias a tais construções. Não há notícia do uso de ferramentas de metal, polias ou veículos com rodas. A construção maia requeria um elemento com abundância, muita força humana, embora contasse com abundância dos materiais restantes, facilmente disponíveis. Toda a pedra usada nas construções maias parece ter sido extraída de pedreiras locais; com maior frequência era usada pedra calcária, que ainda que extraída e exposta, permanecia adequada para ser trabalhada e polida com ferramentas de pedra, só endurecendo muito tempo depois. Além do uso estrutural de pedra calcária, esta era usada em argamassas feitas do calcário queimado e moído, que tem propriedades muito semelhantes às do actual cimento, geralmente usada para revestimentos, tetos e acabamentos e para unir as pedras apesar de, com o passar do tempo e da melhoria do acabamento das pedras, reduzirem esta última técnica, já que as pedras passaram a encaixar-se quase perfeitamente. Ainda assim o uso da argamassa permaneceu crucial em alguns tetos de postes e vergas sobre portas e janelas (dintel). Quando se tratava das casas comuns, os materiais mais usados eram as estruturas de madeira, adobos nas paredes e cobertura de palha, embora tenham sido descobertas casas comuns feitas de pedra calcária, senão total, parcialmente. Embora não muito comum, na cidade de Comalcalco, foram encontrados ladrilhos de barro cozido, possivelmente solução encontrada para o acabamento em virtude da falta de depósitos substanciais de boa pedra.
 
Processo de construção
 
Todas as evidências parecem sugerir que a maioria dos edifícios foi construída sobre plataformas aterradas cuja altura variava de menos de um metro, no caso de terraços e estruturas menores, até quarenta e cinco metros no caso de grandes templos e pirâmides. Uma trama inclinada de pedras partia das plataformas em pelo menos um dos lados, contribuindo para a aparência bi-simétrica comum à arquitectura maia. Dependendo das tendências estilísticas que prevaleciam na área e época, estas plataformas eram construídas de um corte e um aterro de entulhos densamente compactado. Como no caso de muitas outras estruturas, os relevos maias que os adornavam, quase sempre se relacionavam com o propósito da estrutura a que se destinavam. Depois de terminadas, as grandes residências e templos eram construídas sobre as plataformas. Em tais construções, sempre erguidas sobre tais plataformas, é evidente o privilégio dado ao aspecto estético exterior em contra-ponto a pouca atenção à utilidade e funcionalidade do interior. Parece haver um certo aspecto repetitivo quanto aos vãos das construções nos quais os arcos (como curvas) são raros, mas frequentemente rectos, angulados ou imbricados, tentando mais reproduzir a aparência de uma cabana maia, do que efectivamente incrementar o espaço interior. Como eram necessárias grossas paredes para sustentar o teto, alguns edifícios das épocas mais posteriores utilizaram arcos repetidos ou uma abóbada arqueada para construir o que os maias denominavam pinbal, ou saunas, como a do Templo da Cruz em Palenque. Ainda que completadas as estruturas, a elas se iam anexando extensos trabalhos de relevo ou pelo menos reboco para aplainar quaisquer imperfeições. Muitas vezes sob tais rebocos foram encontrados outros trabalhos de entalhes e dintéis e até mesmo pedras de fachadas. Comummente a decoração com faixas de relevos era feita em redor de toda a estrutura, provendo uma grande variedade de obras de arte relativas aos habitantes ou ao propósito do edifício. Nos interiores e notadamente em certo período foi comum o uso de revestimentos em reboco primorosamente pintados com cenas do uso quotidiano ou cerimonial.
 
Há sugestão de que as reconstruções e remodelações ocorriam em virtude do encerramento de um ciclo completo do calendário maia de conta larga, de 52 anos. Actualmente, pensa-se que as reconstruções eram mais instigadas por razões políticas do que pelo encerramento do ciclo do calendário, já que teria havido coincidência com a data da assunção de novos governantes. Não obstante, o processo de reconstrução em cima de estruturas velhas é uma prática comum. Notavelmente, a acrópole de Tikal
, parece ser a síntese de um total de 1500 anos de modificações arquitectónicas. Eles fazem a construção em pedras.
 
 
Construções notáveis
 
Plataformas cerimoniais
 
Estas eram comummente plataformas de pedra calcária com muros de menos de quatro metros de altura onde se realizavam cerimónias públicas e ritos religiosos. Construídas nas grandes plataformas, eram ao menos realçadas com figuras talhadas em pedra e às vezes tzompantli ou uma estaca usada para exibir as cabeças das vítimas ou sejam, os oponentes derrotados nos jogos de bola meso-americanos.
 
Palácios
 
Grandes e geralmente muito decorados, os palácios geralmente ficavam próximos do centro das cidades e hospedavam a elite da população. Qualquer palácio real grande ou ao menos que tivesse várias câmaras ou erguido em vários níveis, tem sido chamado de acrópole. Tais construções consistiam de várias pequenas câmaras ou pelo menos um pátio interno, parecendo propositadas a servirem de residência a uma pessoa ou pequeno grupo familiar decorada como tal. Os arqueólogos parecem estar de acordo em que muitos palácios são também o lugar de muitas tumbas mortuárias. Em Copán, debaixo de 400 anos de remodelações posteriores, descobriu-se a tumba de um dos seus antigos governantes e a acrópole de Tikal parece ter sido o lugar de vários sepultamentos do final do período pré-clássico e início do clássico.
 
Grupos E
 
Os estudiosos têm denominado de "Grupo E" à frequentemente encontrada formação de três pequenas construções, sempre situadas a oeste das cidades, tratando-se de um intrigante mistério a sua recorrência. Estas construções sempre incluem pelo menos uma pequena pirâmide-templo a oeste da praça principal que tem sido aceite como observatório devido ao seu preciso posicionamento em relação ao Sol, quando observado da pirâmide principal nos solstícios e equinócios. Outras teses sugerem que a sua localização reproduz ou pelo menos se relaciona com a história da criação do Universo segundo a mitologia maia, visto que vários dos seus adornos a ela, frequentemente, se referem.
 
Pirâmides e templos
 
Com frequência os templos religiosos mais importantes se encontravam em cima das pirâmides maias, supostamente por ser o lugar mais perto do céu. Embora recentes descobertas apontem para o uso extensivo de pirâmides como tumbas, os templos raramente parecem ter contido sepulturas. A falta de câmaras funerárias indica que o propósito de tais pirâmides não é servir como tumbas e se as encerram isto é incidental. Pelas íngremes escadarias, permitia-se aos sacerdotes e oficiantes o acesso ao cume da pirâmide onde havia três pequenas câmaras com propósitos rituais. Os templos sobre as pirâmides, a mais de 60 metros de altura, como El Mirador, de onde se descortinava o horizonte ao longe, constituíram estruturas impressionantes e espectaculares, ricamente decoradas. Comummente possuíam uma crista sobre o teto, ou um grande muro que, teorizam, poderia ter servido para a escrita de sinais rituais para serem vistos por todos. Como eram ocasionalmente as únicas estruturas que excediam a altura da selva, as cristas sobre os templos eram minuciosamente talhadas com representações dos governantes que se podiam ver de grandes distâncias. Debaixo dos orgulhosos templos estavam as pirâmides que eram, em última instância, uma série de plataformas divididas por escadarias empinadas que davam acesso ao templo.
 
Observatórios astronómicos
 
Os maias foram excepcionais astrónomos e mapearam as fases e cursos de diversos corpos celestes, especialmente da Lua e de Vénus. Muitos dos seus templos tinham janelas e miras demarcatórias (e provavelmente outros aparatos) para acompanhar e medir o progresso das rotas dos objectos observados. Templos arredondados, quase sempre relacionados com Kukulcan, são talvez os mais descritos como observatórios pelos mais modernos guias turísticos de ruínas, mas não há evidências que o seu uso tinha exclusivamente esta finalidade, como também, em vários templos sobre pirâmides, foram encontradas marcações de miras que indicam que observações astronómicas também foram feitas dali.
 
Campos de jogo de bola
 
Um aspecto interessante do estilo de vida meso-americano é o seu jogo de bola ritual e os seus campos ou estádios, que foram construídos por todo o império maia em grande escala. Estes estádios situavam-se normalmente nos centros das cidades. Tratava-se de espaços amplos entre duas laterais de plataformas ou rampas escalonadas paralelas, em forma de "I" maiúsculo direccionado uma plataforma cerimonial ou templo menor. Tais campos foram encontrados na maioria das cidades maias, excepto nas mais pequenas.
 
 
Sistema de escrita
 
O sistema de escrita maia (geralmente chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egipto, com o qual não se relaciona) era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. É o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no velho mundo. As decifrações da escrita maia têm sido um longo e trabalhoso processo. Algumas partes foram decifradas no final do século XIX e início do século XX (em sua maioria, partes relacionadas com números, calendário e astronomia), mas os maiores avanços fizeram-se nas décadas de 1960 e 1970 e se aceleraram daí em diante de maneira que actualmente a maioria dos textos maias podem ser lidos quase completamente nos seus idiomas originais. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, na sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os livros maias logo após a conquista. Assim, a maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra e isto porque a grande maioria estava situada em cidades já abandonadas quando os espanhóis chegaram. Os livros maias, tinham normalmente páginas semelhantes a um cartão, feitas de um tecido sobre o qual aplicavam uma película de cal branca, sobre a qual eram pintados os caracteres e desenhadas ilustrações. Os cartões ou páginas eram atadas entre si pelas laterais de maneira a formar uma longa fita que era dobrada em zigue-zague para guardar e desdobrada para a leitura. Actualmente restam apenas três destes livros e algumas outras páginas de um quarto, de todas as grandes bibliotecas então existentes. Frequentemente são encontrados, nas escavações arqueológicas, torrões rectangulares de gesso que parecem ser restos do que fora um livro depois da decomposição do material orgânico.
 
Relativamente aos poucos escritos maias existentes, Michael Cor, um proeminente arqueólogo da Universidade de Yale disse:
“Nosso conhecimento do pensamento maia antigo representa só uma minúscula fracção do panorama completo, pois dos milhares de livros nos quais toda a extensão dos seus rituais e conhecimentos foram registados, só quatro sobreviveram até os tempos modernos (como se toda a posteridade soubesse de nós, baseados apenas em três livros de orações e "El Progreso del Peregrino).” (Michael D. Cor, The Maya, Londres: Thames y Hudson, 4ª ed., 1987, p. 161.)
 
Livros maias
  • Chilam Balam
  • Popol Vuh , (que significa livro da reunião ou comunidade, considerado a Bíblia Maia)
  • Rabinal Achí
  • Anais dos Cakchiqueles

Matemática
 
Os maias (ou os seus predecessores olmecas) desenvolveram independentemente o conceito de zero (de facto, parece que estiveram a usar o conceito muitos séculos antes do velho mundo), e usavam um sistema de numeração de base 20. As inscrições mostram-nos, em certas ocasiões, que trabalhavam com somas até à centena de milhões. Produziram observações astronómicas extremamente precisas; os seus diagramas dos movimentos da Lua e dos planetas se não são iguais, são superiores aos de qualquer outra civilização que tenha trabalhado sem instrumentos ópticos. Ao encontro desta civilização com os conquistadores espanhóis, o sistema de calendários dos maias já era estável e preciso, notavelmente superior ao calendário gregoriano
, muitas vezes reformado depois disto.
 
Decadência da civilização maia
 
Nos séculos VIII e IX a cultura maia clássica entrou em decadência, abandonando a maioria das grandes cidades e as terras baixas centrais. A guerra, o esgotamento das terras agrícolas e a seca, ou ainda a combinação destes factores, são frequentemente sugeridos como os motivos da decadência. Existem evidências de uma era final em que a violência se expandia: cidades amplas e abertas foram então fortemente guarnecidas por muralhas, às vezes visivelmente construídas às pressas. Teoriza-se também com revoltas sociais em que classes campesinas acabaram revoltando-se contra a elite urbana nas terras baixas centrais.
 
Os estados maias pós-clássicos também continuaram prosperando nos planaltos do sul. Um dos reinos maias desta área, Quiché, é o responsável pelo mais amplo e famoso trabalho de historiografia e mitologia maias, o "Popol Vuh".
 
A conquista dos estados maias
 
Os maias foram absorvidos durante o processo de expansão do império asteca por volta do século XV. Por fim, no ano de 1519, Hernán Cortez inicia a conquista das terras astecas, anteriormente parte do território maia. Algumas cidades ofereceram uma grande e feroz resistência; a última cidade estado não foi subjugada pelos espanhóis senão em 1697.
 
Panorama das descobertas
 
Cristóvão Colombo, que tomou posse da ilhota (San Salvador) em nome da Coroa de Castela em 12 de Outubro de 1492 e vagou pelas ilhas do Haiti, Cuba e Jamaica, julgava tratar-se das costas ocidentais de Cipango (Japão) e Catai (China).
 
De retorno, a mercadoria mais interessante que trouxe foram habitantes das terras ocidentais, os índios Caraíbas (vendeu 509 deles em Sevilha em 1495 e o seu irmão vendeu 300 no ano seguinte em Cádis
) que, pela sua nudez e modos, logo denunciaram não pertencerem aos reinos das índias, havendo até quem dissesse que nem mesmo descendentes de Adão eram.
 
Assim, logo se alastrou o preceito de que se chegara apenas nas antilhas ou seja, terra inculta e inóspita a caminho das Índias, razão porque, em 1506, Juan Dias de Solis e Vicente Yanes Pizon, quando chegaram ao México, no extremo norte do Iucatã
, julgaram tratar-se apenas de mais outra ilha.
 
Nem no sôfrego desembarque emergencial de um punhado de sobreviventes de uma expedição de Vasco Nuñes de Balboa, em 1511, nas costas do México, nem a chegada de Ponce de León em 1513, mais ao norte, na Flórida, deram notícia dos Maias, que continuaram ignorados mesmo de Fernando Cortez quando se apoderava do Império Asteca no México Central a partir de 1519
.
 
Primeiro contacto
 
Foi somente em 4 de Março de 1517 que a flotilha comandada por Francisco Hernandes de Córdoba (que estava à procura de índios para os escravizar nas fazendas de Cuba), fugindo a uma tempestade que já durava dois dias, aportou no norte do Iucatã e logo foi assediada por algumas canoas repletas de maias vestidos com túnicas de algodão e (em razão de suas aparências) os espanhóis logo lhes atribuíram mais razão que os habitantes de Cuba.
 
As sólidas e grandiosas construções ("casas de cal y canto") visíveis do mar inspiraram o nome que os espanhóis deram ao lugar: "Gran Cairo" que evocava a cultura islamita da qual os ibéricos eram tradicionais adversários (recorrentemente chamavam as pirâmides de mesquitas
). Tratava-se do primeiro contacto entre as duas civilizações.
 
Entendendo-se por sinais, os espanhóis aceitaram o convite e desembarcaram no dia seguinte e, após duas horas de marcha continente adentro, foram surpreendidos pelo ataque dos maias no qual, já de início, sucumbiram 15 espanhóis. E sucumbiriam todos, se não fora o uso dos mosquetes
que mais pelo barulho que pelo efeito fatal, pôs os atacantes em fuga.
 
Conta-nos Bernal Diaz de Castilho
 na sua obra História da Conquista da Nova Espanha, que ficaram horrorizados pelo grande número de ídolos de argila, uns com cabeças monstruosas, mulheres de grande estatura, todos em cenas e gestos diabólicos e que ...Gonzales, o padre da expedição, passou os cinco dedos em diversos deles e confiscou todo o ouro que encontrou.
 
Apresando dois maias, a expedição fez-se ao mar novamente e navegou a oeste e sul até chegar na actual Campeche
cujas duas grandes torres visíveis ao longe do mar inspiraram o nome Punta de las Mujeres dado ao local.
 
Aí os espanhóis horrorizaram-se, pois o sacerdote local acabara de praticar um sacrifício e as paredes, assim como os cabelos do sacerdote, estavam ensopados de sangue (e era preceito rigoroso que não se podia limpar-los). O mal-estar deve ter ficado explícito e o sacerdote, convocando um grande número de guerreiros, fez os espanhóis entenderem que não eram bem-vindos: acenderam uma pequena fogueira e deram a entender que se eles não se fossem até o fogo se extinguir, iria haver violência.
 
Cautelosa a tripulação retirou-se e rumou mais para o sul até Champoton
onde desembarcaram pois a provisão de água dos navios se tinha acabado e era necessário renová-la. Tentando encher as suas pipas e vasilhas num poço dos maias, estes os hostilizaram e atacaram por dias a fio, flexando-os à distância do fio das espadas e dos tiros de mosquetes que já não os assustavam.
 
Sem outra alternativa, os espanhóis romperam o cerco e fugiram em direcção aos navios, abandonando as vasilhas de água. Na fuga os batéis emborcaram e os espanhóis seguiram meio a nado, meio agarrados aos escombros, e depois foram resgatados.
 
Da centena de homens do início da expedição, neste embate cinquenta foram mortos e os que não tiveram as suas gargantas cortadas com espadas de madeira encravadas de sílex foram capturados para servirem a futuros sacrifícios
, e todos os demais ficaram feridos à excepção de um único soldado que surpreendentemente saiu ileso.
 
O próprio cronista Bernal Diaz de Castilhos, então com 25 anos, havia levado três flechadas, e o chefe da expedição Hernandes de Córdoba veio a falecer das complicações dos ferimentos daqueles combates.
 
Feitos ao mar sem água potável, com pesadas baixas mas com um punhado de ouro, estes primeiros conquistadores foram o estopim para futuras expedições de outros tantos aventureiros. Assim se iniciava a conquista dos estados maias.
 
Redescoberta dos maias
 
As colónias espanholas americanas estavam muito afastadas do mundo exterior, e as ruínas das grandes cidades antigas eram pouco conhecidas excepto pelos locais. Entretanto, em 1839, o explorador americano John Lloyd Stephens, escutando notícias de ruínas perdidas nas selvas, visitou Copán, Palenque e outras localidades acompanhado do arquitecto e desenhista Frederick Catherwood. O seu diário de viagem ilustrado sobre as ruínas incendiaram um forte interesse pela região e a sua gente promovendo a assimilação do vínculo com a cultura maia entre os dirigentes locais. A maioria da população rural contemporânea da Guatemala e Belize é maia por descendência e idioma primário; em áreas rurais do México ainda existe uma cultura maia.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

Província romana

 
A divisão provincial do Império Romano

A divisão provincial do Império Romano
 
 
 

Uma província romana era a maior divisão administrativa das possessões estrangeiras (fora da península itálica) da Roma antiga. As províncias eram atribuídas por períodos de um ano a governadores originários da classe senatorial, normalmente ex-cônsules ou ex-pretores (cargo associado ao cursus honorum  - carreira política em Roma Antiga). No início do ano romano (em Março, até às reformas de Júlio César), as províncias eram atribuídas aos governadores por sorteio, na época da República, ou nomeação, no Império. Normalmente, as províncias onde eram esperadas complicações, quer por rebeliões internas ou invasões de povos bárbaros, eram conferidas a homens mais experientes, de grau consular. A distribuição de legiões romanas pelas províncias era igualmente dependente do perigo em que se encontrava. A Legião Romana era a divisão fundamental do exército romano. Os legiões variavam entre os 4000 e os 8000 homens, dependendo das baixas que eventualmente sofressem nas batalhas.
 
Assim, em 14 d.C., a Lusitânia não detinha nenhuma legião permanente, enquanto que a Germânia Inferior, onde a fronteira do Reno ainda representava um problema, tinha uma guarnição de quatro legiões. As províncias mais problemáticas eram as mais desejadas pelos futuros governadores, pois problemas significavam guerra e na guerra havia a possibilidade de obter despojos, escravos para venda e outras oportunidades de enriquecimento.
 
A primeira província romana foi a Sicília, anexada pela república em 241 a.C., depois do fim da primeira guerra púnica. Hispânia Tarraconensis e Hispânia Ulterior, que englobavam a Península Ibérica (Hispânia para os romanos) foram obtidas em 197 a.C., de novo à custa de Cartago, no fim da segunda guerra púnica. Em 147 a.C., Lucius Aemilius Paullus adquire a Macedónia e a destruição de Cartago em 146 a.C. rende a província do Norte de África. Já no período do Império Romano, a Britânia tornou-se numa província depois da invasão comandada pelo Imperador Cláudio em 43, apesar da pacificação completa ter demorado umas décadas a ser obtida. A província romana da Bretanha (Britannia, em latim) ocupou o território equivalente aos actuais País de Gales, Inglaterra e sul da Escócia, na ilha da Grã-Bretanha, do século I ao início do século IV.
 
O número e dimensão das províncias flutuou ao longo da história, de acordo com as políticas da metrópole. Durante o Império, as maiores e mais bem guarnecidas províncias foram subdivididas em territórios mais pequenos, para evitar que um único governador detivesse demasiado poder nas mãos.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Domingo, 24 de Setembro de 2006

O Cromeleque dos Almendres

 
Cromeleque dos Almendres - Évora, Portugal
 
Cromeleque dos Almendres - Évora, Portugal
 
 
 

O Cromeleque dos Almendres é um monumento megalítico que está situado numa encosta voltada a nascente, em Nossa Senhora de Guadalupe, uma freguesia portuguesa do concelho de Évora, com 68,66 km² de área e 495 habitantes (2001). Densidade: 7,2 h/km². Esta freguesia foi criada em 1985, desmembrando-se da freguesia vizinha de Nossa Senhora da Graça do Divor no território que havia constituído a antiga freguesia de São Matias.
 
O Cromeleque dos Almendres é o maior conjunto de menires estruturados da Península Ibérica (não só devido à sua dimensão, mas também, devido ao seu estado de conservação) e um dos mais importantes da Europa. Encontra-se a cerca de 13 quilómetros da cidade de Évora, no Alentejo, a Sul de Portugal continental. Este recinto só foi assinalado em 1964 pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina, no decorrer dos trabalhos da carta cartográfica de Portugal. Este monumento data dos finais do VI milénio a.C. ou início do V milénio a.C. e é constituído por 95 menires, sendo que, no seu apogeu, teria cerca de cem. Este cromeleque já teve três campanhas de estudo e escavação.
 
Cromeleque ou Cromlechs, é o conjunto de diversos menires (ou menhires), [monumentos pré-históricos em pedras, cravadas verticalmente no solo (ortóstatos)], agrupados num ou vários círculos, em elipses, em rectângulos, em semicírculo ou por vezes sem ordem aparente. Trata-se de monumentos pré-históricos que parecem ter tido uma função religiosa. A grande maioria dos Cromeleques existentes em Portugal, encontram-se em encostas expostas a nascente-sul.
 
Para erigir os seus monumentos, os homens da época pré-histórica provavelmente começaram por levantar uma coluna, em honra de um deus ou de um acontecimento importante, embora a maioria dos historiadores relacionem o seu aparecimento com:
  • Culto da fecundidade  (menir isolado)
  • Marcos territoriais  (menir isolado)
  • Orientadores de locais  (menires isolados e em linha)
  • Santuários religiosos  (menires em círculo)
Esses monumentos pré-históricos eram pedras, cravadas verticalmente no solo, às vezes bastante grandes (megalito denominado menir ou menhir). Pelo peso dessas pedras, algumas com mais de três toneladas, acredita-se que não poderiam ter sido transportadas sem o conhecimento da alavanca.
 
Estas pedras (os menires) deram origem às colunas. Mais tarde percebeu-se que, usando três elementos, era possível construir. Assim nasceu o dólmen (Bretão dol = mesa, men = pedra), em forma de mesa, ou o trilito (três pedras), formado por duas colunas que apoiavam uma arquitrave. Uma série de trilitos fez a colunata.
 
Cronologia
 
A formação do Cromeleque dos Almendres, foi iniciada no final do Sexto milénio a.C. e terminada no Terceiro milénio a.C..
  • No Neolítico Antigo Médio foi erigido um conjunto de monólitos, agrupados em três círculos concêntricos.
  • No Neolítico Médio foi erigido um novo recinto com a forma de duas elipses concêntricas, mas irregulares.
  • No Neolítico Final foram acrescentados aos dois recintos existentes, alguns monólitos com gravuras com marcada influência religiosa.
Estrutura
 
Os monólitos, alguns com três metros de altura, foram colocados sobre alvéolos ou cavidades, previamente preparados. Actualmente existe planta da disposição de todos estes monólitos, estando todos eles numerados de forma a ser possível identificar as características individuais de cada.
Os dois recintos contíguos apresentam uma orientação nascente-poente.
  • O recinto mais a Oeste, em forma de círculo é o mais antigo e foi edificado no Neolítico Antigo Médio.
É constituído por três círculos concêntricos, apresentando no total vinte e quatro monólitos. O círculo exterior tem de diâmetro, aproximadamente 18,8 metros e o círculo interior cerca de 11,4 metros.
  • O recinto mais a Leste, em forma de elipse, é o recinto edificado no Neolítico Médio e era constituído na sua origem por 56 menires.
Este recinto é formado por duas elipses concêntricas, em que a maior apresenta as seguintes dimensões: eixo maior 43,6 metros e o menor 32 metros.
 
No interior do recinto em forma de elipse, foram colocados, já no Neolítico Final, alguns novos menires, e em alguns dos já existentes, foram gravadas algumas figuras em relevo.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Com os meus agradecimentos a A PAPOILA que comentou há dias:
"Para quando um trabalho sobre o nosso Cromeleque dos Almendres?"
Como gosto da inter-actividade de quem me visita, sempre que me é possível,  transmito as ideias colocadas nos comentários. 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

História do Egipto

 
Imagem satélite da região do Delta do Nilo - Egipto
 
Imagem satélite da região do Delta do Nilo - Egipto

  
 

A História do Egipto corresponde a uma das mais longas histórias de um território do mundo.

Pré-História
 
Durante o Paleolítico o clima do Egipto sofreu uma alteração, passando de um clima húmido e equatorial para um clima seco. O processo de desertificação da região que é o hoje o Saara, concentrou no vale do Rio Nilo as populações circundantes.
 
No quinto milénio o Vale do Nilo, já com as características climáticas actuais, conheceu uma série de culturas neolíticas (Faium, Tasa, Merimde...). Os habitantes do Egipto domesticaram animais como o porco, o boi e cabra e cultivaram o trigo e a cevada.
 
O quarto milénio a.C. corresponde àquilo que a historiografia designa como o período pré-dinástico (ou proto-dinástico). Nele surge o cobre e na região do Alto Egipto surgem sucessivamente três civilizações: a badariense, a amratiense e gerzeense. Esta última civilização acabaria por se difundir por todo o território do Egipto.
 
O Egipto otomano (1517-1798)
 
Em 1516 e 1517, o sultão Selim I derrotou os Mamelucos e o Egipto transforma-se numa província do Império Otomano, governada por um paxá nomeado anualmente. A autoridade do Império Otomano era escassa e os paxás tomavam frequentemente decisões à margem dos desejos do sultão, que se contentava em receber o tributo, apenas exigindo que as fronteiras fossem vigiadas para evitar qualquer tipo de intrusão. As antigas elites mamelucas conseguiram penetrar as estruturas administrativas e continuar a governar o Egipto. Embora colaborassem com os otomanos por vezes desafiavam o seu poder. A este período corresponde um declínio económico e cultural.
 
No século XVII desenvolve-se uma elite de mamelucos que usava o título de "bey", ao mesmo tempo que as guerras entre duas facções de mamelucos devastam o país. No século XVIII, Ali Bey e o seu sucessor, Muhammad Bey, conseguiram fazer do Egipto um território independente face ao Império Otomano. Por outro lado, a situação económica do Egipto degradara-se e a população conheceu uma fase de penúria e fome.
 
Neste contexto de um Egipto debilitado, a França e a Inglaterra começaram a alimentar ambições em relação ao território. Em 1798 o general Napoleão Bonaparte invadiu o país para tentar desestabilizar o comércio inglês na região.
 
Mehemet Ali e os seus sucessores
 
Napoleão fugiu do Egipto para França em 1799, deixando atrás um exército de ocupação. Este exército seria expulso pelos otomanos e pelos ingleses em 1801, terminando a breve ocupação francesa. O Egipto conhece um período de desordem que acaba em 1805 quando um soldado albanês de nome Mehemet Ali toma o poder.
 
Depois de repelir a invasão inglesa de 1807, Mehmet Ali dedicou-se a acabar com as revoltas constantes dos Mamelucos que ameaçavam a estabilidade do país. Para atingir tal objectivo reúne-os na cidadela do Cairo em 1811 onde organiza o massacre destes.
 
Mehmet Ali declarou-se senhor do Egipto, dono de todas as terras. Ajudado pelos franceses, organiza um exército moderno e criou uma marinha de guerra. Tomou também uma série de medidas que pretendiam modernizar a economia do país, ordenando a construção de canais e fábricas.
 
Independência
 
Em 1922 a Inglaterra concedeu a independência ao Egipto e Ahmad Fuad tornou-se rei com o título de Fuad I. Esta independência era meramente nominal, uma vez que a Inglaterra reserva-se ao direito de intervir nos assuntos internos do país se os seus interesses fossem postos em causa. Em 1923 foi adoptada a constituição do país, que estabelecia uma monarquia constitucional como sistema político vigente. As primeiras eleições para o parlamento tiveram lugar em 1924 e delas saiu vitorioso o partido Wafd, cujo líder, Saad Zaghlul, se tornou primeiro-ministro.
 
O Wafd tinha surgido como partido do desejo em libertar completamente o Egipto do poder britânico. Em Novembro de 1924 o comandante do exército britânico no Egipto foi assassinado e a polícia descobre, a partir das suas investigações, ligações entre a morte do comandante e terroristas associados ao Wafd. Em consequência, o primeiro-ministro Zaghlul demitiu-se.
 
As eleições que tiveram lugar na sequência desta crise dariam de novo a vitória ao Wafd. O rei Fuad, que temia este partido, ordenou o encerramento do parlamento e em 1930, apoiado em políticos opositores do Wafd, impõe uma nova constituição ao Egipto, que reforçava o poder da monarquia.
 
Com a morte de Fuad em 1936, o seu filho, Faruk I, decide restaurar a constituição de 1923. Novas eleições deram a vitória ao Wafd, que formou um governo. No mesmo ano o Egipto e a Inglaterra assinaram um tratado cujos termos levaram a uma redução do número de militares ingleses no país e cimentaram uma aliança militar entre as duas nações. Este tratado permitiu ao Egipto a entrada na Liga das Nações.
 
A Segunda Guerra Mundial fez com que a Inglaterra aumentasse a sua presença militar no Canal do Suez. Embora o país se tenha declarado neutro, muitos líderes nacionalistas egípcios desejavam uma vitória das potências do Eixo, que acreditavam livraria o país da presença inglesa. Em 1942, perante a ofensiva militar da Alemanha sobre a Líbia, o embaixador britânico no Egipto pressionou o rei Faruk a nomear um governo do partido Wafd, uma vez que esta força política tinha assinado o tratado de 1936, dando uma maior segurança à Inglaterra quanto ao posicionamento do Egipto no conflito. Nahas Paxá tornou-se primeiro-ministro e colaborou com os Aliados até ao fim da guerra. Porém o prestígio do Wafd no movimento nacionalista viu-se afectado e o partido perdeu muitos líderes. Numa tentativa de melhorar a sua imagem junto da opinião pública o partido ordenou reformas na educação e promoveu a formação da Liga Árabe (1945).
 
Em 1948 o Egipto e outros países árabes tentaram impedir, sem sucesso, o estabelecimento do Estado de Israel na região histórica da Palestina.
 
A era de Nasser (1952-1970)
 
Na noite de 22 para 23 de Julho de 1952 deu-se um golpe de estado organizado por uma facção do exército conhecida como os "Oficiais Livres", cujo chefe era o general Gamal Abdel Nasser. O rei Faruk foi obrigado a abdicar e como presidente do Conselho foi escolhido o general Muhammad Naguib, que não sendo membro dos "Oficiais Livres", foi escolhido devido à sua popularidade. Em Dezembro do mesmo ano foi abolida a constituição monárquica e em Janeiro do ano seguinte todos os partidos políticos foram proibidos. Naguib ascende à posição de primeiro presidente da proclamada República do Egipto.
 
As simpatias que Naguib nutria pelos antigos partidos políticos e pela Irmandade Muçulmana fizeram com que crescesse a oposição à sua pessoa por parte dos "Oficiais Livres". Naguib acabaria por ser afastado da presidência e colocado sob prisão domiciliária, sendo substituído na sua função por Nasser, eleito como presidente em 1956.
 
Nasser assegurou a retirada dos soldados britânicos do Canal de Suez. A sua política externa ficou marcada pelo recusa do Pacto de Bagdade, uma tentativa britânica em criar uma frente anticomunista no Médio Oriente, na qual se integravam a Turquia, o Iraque, o Irão e o Paquistão contra a União Soviética. Foi também activo no movimento dos países não-alinhados, tendo participado activamente na Conferência de Bandung.
 
O ataque israelita à Faixa de Gaza (então controlada pelo Egipto) fez com que Nasser procurasse armas junto dos países comunistas, uma vez que as potências ocidentais se recusavam a vender armas ao Egipto. Em Setembro de 1955 o Egipto assina um importante acordo sobre fornecimento de armas com a Checoslováquia.
 
Nasser decidiu também construir a barragem do Assuão, projecto que se inseria num plano de irrigação e de electrificação do país, procurando assegurar os empréstimos para a construção junto do Reino Unido, do Banco Mundial e dos Estados Unidos. Este país, inicialmente favorável, recusou-se a fornecer o empréstimo, ao qual Nasser respondeu com a nacionalização do Canal de Suez, acto que gerou uma intervenção conjunta da França e do Reino Unido. Israel uniu-se a estes dois países no ataque ao Egipto, conseguindo conquistar a Faixa de Gaza e grande parte da Península do Sinai. Uma semana depois, os Estados Unidos e a União Soviética asseguraram nas Nações Unidas um cessar-fogo que obrigou à retirada dos territórios ocupados e a França e o Reino Unido saíram humilhados do episódio. Em 1958 o governou da União Soviética comprometeu-se a financiar a construção da barragem.
 
A crise do Suez fortaleceu a imagem de Nasser não só no Egipto, mas em todo o mundo árabe. A 21 de Fevereiro de 1958 Nasser ratifica através de referendo a união do Egipto e da Síria, formando a República Árabe Unida, à qual se juntou o Iémen em Março do mesmo ano. Esta união foi dissolvida em 1961 devido a uma revolta na Síria.
 
Durante os anos 60, Nasser desenvolveu uma série de políticas socialistas. Em 1962 foi publicada uma Carta Nacional, na qual se previa a extensão do controlo do estado às finanças e à indústria. Segundo esta carta, o Estado egípcio estaria fundamentado na existência de um único partido, a União Árabe Socialista.
 
O período Sadat
 
Com a morte de Nasser em 1970, sucedeu-lhe Anwar Sadat, que exercia o cargo de vice-presidente. Sadat seguiu uma política de reaproximação à Arábia Saudita, sem contudo se afastar da União Soviética. Em 1973 o país liderou a coligação de países árabes na Guerra dos Seis Dias, tendo o país conseguido um relativo sucesso, já que reconquistou a Península do Sinai e conseguiu a reabertura do Canal de Suez. A nível económico, Sadat promoveu uma política que se afastava do socialismo de Nasser, incentivando o investimento privado (esta política recebeu o nome de "Intifah", "porta aberta" em árabe).
 
Devido à crise económica que o Egipto atravessava, Sadat teve que reduzir as despesas militares, orientando o país para uma política de paz. Em 1977 fez uma visita histórica a Israel e em 1978 o presidente assinou os Acordos de Camp David, que levaram à paz com aquela nação. Uma das consequências dos acordos foi uma aproximação do Egipto aos Estados Unidos, tendo o país beneficiado de ajuda financeira americana considerável. Porém, esta política de paz com Israel fez com que Sadat fosse odiado pelos vizinhos árabes; o país foi mesmo expulso da Liga Árabe. A 6 de Agosto de 1981 o presidente Sadat foi assassinado por um extremista muçulmano.
 
De Hosni Mubarak aos nossos dias
 
Sadat foi sucedido pelo general Hosni Mubarak, vice-presidente desde 1975, que continuou a política de paz do seu predecessor. Embora continuasse a aproximação do país aos Estados Unidos, verifica-se também um distanciamento em relação a Israel e uma tentativa de reconciliação com os países árabes. Por volta de 1987 a maioria dos países árabes já tinha restabelecido relações diplomáticas com o Egipto, que em 1989 foi readmitido na Liga Árabe.
 
A partir de 1990 os movimentos fundamentalistas islâmicos iniciaram uma série de ataques terroristas, que tinham como principal alvo os turistas ocidentais, com o objectivo de privar o país de uma das suas principais fontes de divisas. Foram também atingidos intelectuais seculares e a minoria copta (coptas: antigos habitantes do Egipto). Em 1990 o presidente do parlamento egípcio Rafaat Mahgub é assassinado por fundamentalistas. O Estado egípcio responde a estes ataques com detenções maciças, execuções e a declaração do estado de emergência.
 
Na Guerra do Golfo (1990-1991), o Egipto tomou partido da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos que visava expulsar o Iraque do Kuwait. Em 1993 Mubarak foi eleito pela terceira vez presidente do Egipto.
 
Em 1995 Mubarak consegue escapar a um atentado contra a sua vida, na Etiópia. Em 1999 é reeleito como presidente para um novo período de seis anos, mediante eleições na qual é o único candidato. O presidente defende a luta contra o desemprego que em finais de 1999 atinge 1,5 milhões de egípcios.
 
No ano 2000 o Papa João Paulo II visita o Egipto, pedindo desculpas pelo comportamento da Igreja Católica Romana contra os muçulmanos no passado.
 
Nas eleições para a Assembleia do Povo em Outubro e Novembro de 2000, consagra-se como vencedor o partido do governo, o NDP.
 
Em Setembro de 2005 Hosni Mubarak foi reeleito presidente com 88,6% dos votos, numas eleições consideradas históricas pelo facto de terem sido autorizados outros candidatos. A oposição considerou as eleições uma fraude.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Sábado, 2 de Setembro de 2006

Império Asteca

 
Império Asteca
 
Império Asteca
 
 
Escultura mexicana mostrando o momento em que os astecas acham o sinal para a fundação de Tenochtitlan
 
Escultura mexicana mostrando o momento em que os astecas
acham o sinal para a fundação de Tenochtitlan
"seguindo instruções dos seus deuses
para se fixarem onde vissem uma águia pousada num cacto, devorando uma cobra"


 
Os Astecas (1325 até 1521) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao actual México. Os astecas foram derrotados e a sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Hernán Cortez. Entre outras coisas, inventaram o chocolate. O idioma asteca era o Náuatle.
 
O controle político do populoso e fértil vale do México ficou confuso após 1100. Gradualmente, os astecas, uma tribo do norte, assumiram o poder depois de 1200. Eram um povo indígena da América do Norte, antigamente conhecido como méxica (daí México) ou tenochea (daí Tenochtitlán, a sua capital). Como os seus predecessores toltecas, são originários de alguma parte do norte do México. Era uma sociedade que valorizava as habilidades dos guerreiros acima de todas as outras, e essa ênfase deu-lhes uma vantagem em relação às tribos rivais da região. Migraram para o vale do México (ou Anahuac) no princípio do século XIII e assentaram-se posteriormente numa ilha no lago Texcoco (depois todo drenado pelos espanhóis), seguindo instruções dos seus deuses para se fixarem onde vissem uma águia pousada num cacto, devorando uma cobra (ver imagem em cima). A partir dessa base formaram uma aliança com duas outras cidades -- Texcoco e Tlacopán -- contra Atzcapotzalco, derrotaram-no, e continuaram a conquistar outras cidades do vale durante o século XV, quando controlavam todo o centro do México como um império militarista que colectava tributos dos rivais. No princípio do século XVI, eram um império que se estendia de costa a costa, tendo ao norte os desertos e ao sul o reino dos maias de Yucatán.
 
Os astecas, que atingiram alto grau de civilização, cultura e organização política, eram governados por uma monarquia electiva, dividiam-se em clãs e classes (nobres, sacerdotes, povo, comerciantes e escravos), possuíam uma escrita ideográfica e dispunham de dois calendários (astronómico e litúrgico).
 
A sua cultura caracterizava-se por três aspectos: a religião, que pedia sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao deus da guerra, Huitzilopochtli; a utilização eficiente das chinampas (ilhas de jardins artificiais construídas em redes pelo lagos, com canais divisórios) para alimentar a sua população e a vasta rede de comércio e sistema de administração tributária.
 
Os astecas absorveram a experiência dos que vieram antes deles e inventaram pouca coisa que fosse nova. Eles tinham uma agricultura avançada que sustentava uma população muito grande. Construíram edificações enormes de traços maravilhosos e floresceram em muitas artes. Eram adeptos do trabalho com metal, mas não tinham ferro. A roda não tinha função de locomoção pois os astecas careciam de animais de carga apropriados.
 
Uma das características únicas da cultura asteca era a sua predilecção por sacrifícios. Mitos astecas mandavam que sangue humano fosse dado ao Sol como alimento para dar força para que o astro pudesse nascer cada dia. Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala; algumas centenas em um dia só não eram incomuns. As vítimas eram frequentemente decapitadas ou esfoladas, e corações eram arrancados de vítimas vivas. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto do Sol e o sangue escorria pelos degraus. Apesar da economia asteca estar baseada primordialmente no milho, as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios.
 
O crescente pedido por vítimas para serem sacrificadas significa que os astecas mantinham um controle frouxo sobre cidades-satélites pois frequentes revoltas ofereciam a oportunidade para capturar vítimas para os sacrifícios. Durante os tempos de paz, "guerras" eram realizadas como campeonatos de coragem e de habilidades de guerreiros, e com o intuito de capturar mais vítimas. Eles lutavam com clavas de madeira (pau pesado, mais grosso em uma das extremidades, que se usava como arma) para mutilar e atordoar, e não matar. Quando lutavam para matar, colocava-se nas clavas uma lâmina de obsidiana (um tipo de vidro natural, produzido por vulcões quando a lava esfria rapidamente).
 
Apesar da sua grande agricultura e artes, os astecas aparecem nas retrospectivas como uma sociedade sem brilho. Eles não passaram adiante nenhuma tecnologia significativa ou ideias de teorias políticas ou religiosas.
 
A sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI. Tornaram-se aliados de Cortez em 1519. O governante asteca Moctezuma II considerava os espanhóis descendentes do deus-rei Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que o seu reino corria. Ele recebeu Cortez, que posteriormente o tomou como refém. Em 1520 houve uma revolta asteca e Moctezuma II foi assassinado. O seu sucessor, Cuauhtémoc, o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortez capturou Tenochtitlán e subjugou o império.
A crueldade dos astecas contribuiu para a sua queda, pois tornou mais fácil para os espanhóis aliarem-se com os povos não-astecas do México.
Fonte: Wikipédia.

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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2006

A Suméria

 

Suméria entre 3500 e 3000 a.C.

Suméria: 
a civilização mais antiga da humanidade

A Suméria (ou Shumeria, Shinar, ki-en-gir na língua nativa), considerada a civilização mais antiga da humanidade, localizava-se na parte sul da Mesopotâmia (o Iraque da actualidade), apropriadamente posicionada em terrenos conhecidos pela sua fertilidade, entre os rios Tigre e Eufrates. Evidências arqueológicas datam o início da civilização suméria em cerca de 5000 a.C. Entre 3500 e 3000 a.C. houve um florescimento cultural, e a Suméria exerceu influência sobre as áreas circunvizinhas, culminando na dinastia de Agade, fundada em aproximadamente 2340 a.C. por Sargão I. Sendo que este, ao que tudo indica, seria de etnia e língua semitas. Depois de 2000 a.C. a Suméria entrou em declínio, sendo absorvida pela Babilónia e pela Assíria.

Duas importantes criações creditadas aos sumérios são a escrita cuneiforme, que antecede provavelmente todas as outras formas de escrita, tendo sido originalmente usada por volta de 3500 a.C.; e as cidades-estados - sendo, provavelmente a mais conhecida, a cidade de Ur, construída por Ur-Nammu, o fundador da terceira dinastia Ur, por volta de 2000 a.C.


História

O termo "sumério" é na verdade um exónimo aplicado (e, provavelmente, cunhado)  pelos acádios.

Exónimo: nome de um lugar usado por estrangeiros que difere do nome usado por seu povo nativo.
Acadianos: grupos de nómadas vindos do deserto da Síria, que começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumerianas.

Astronomia

Os sumérios foram os inventores da astronomia. O estudo da observação dos astros. Nas ruínas das cidades sumérias escavadas pelos arqueólogos desde o princípio do século passado, foram encontrados muitas centenas de inscrições e textos deste povo sobre as suas observações celestes.

Entre estas inscrições existem listas especificas de constelações e posicionamento de planetas no espaço bem como informação e manuais de observação.

Existem textos específicos sobre o sistema solar e o movimento dos planetas em torno do sol, na sua ordem correcta. Muitas destas inscrições, com mais de 4500 anos, estão agora conservadas na secção do Próximo Oriente, no Museu Estatal de Berlim Oriental.


Legado

Os sumérios talvez sejam mais lembrados devido às suas muitas invenções. Muitas autoridades dão-lhes crédito pelas invenções da roda e do torno de oleiro. O seu sistema de escrita cuneiforme foi o primeiro sistema de escrita de que se tem evidência, pré-datando os hieróglifos egípcios em pelo menos cinquenta anos. Os sumérios estavam entre os primeiros astrónomos. Inventaram a carroça e possivelmente as formações militares. Inventaram a cerveja. O mais importante de tudo, talvez, seja o facto de que, de acordo com muitos académicos, os sumérios foram os primeiros a domesticar tanto plantas como animais. No caso do primeiro termo, através de plantações sistemáticas e da colheita de uma descendência de grama mutante, conhecida actualmente como einkorn, e de sementes de milho e de trigo. Com relação ao segundo termo, os animais, domesticaram-nos através do confinamento e da procriação de carneiros ancestrais (similares à cabra montês e ao gado selvagem (búfalos)). Essas invenções e inovações facilmente colocam os sumérios entre uma das culturas mais criativas de toda a pré-história, e mesmo da história.


Língua e Escrita

A língua suméria é uma língua isolada, o que significa que não está directamente relacionada a nenhuma outra língua conhecida, apesar das várias tentativas equivocadas de provar ligações com outros idiomas. A língua suméria é aglutinante, ou seja, os morfemas (as menores unidades com sentido da língua) se justapõem para formar palavras.

Credita-se aos sumérios a invenção do sistema cuneiforme de escrita (caracteres em forma de cunha), que foi utilizada por toda a Mesopotâmia e povos vizinhos. Era uma escrita pictográfica, onde o objecto representado expressava uma ideia. Um barco marcado por determinados sinais, por exemplo, poderia significar que ele estava carregado ou vazio.

Um corpo extremamente vasto (muitas centenas de milhares) de textos na língua suméria sobreviveu, sendo que a maioria está gravada em tabuinhas de argila. A escrita suméria está gravada em cuneiforme e é a mais antiga língua humana escrita conhecida. Os tipos de textos sumérios conhecidos incluem cartas pessoais e de negócios e/ou transacções comerciais, receitas, vocabulários, leis, hinos e rezas, encantamentos de magia e textos científicos incluindo matemática, astronomia e medicina. Inscrições monumentais e textos sobre diversos objectos, como estátuas ou tijolos, também são bastante comuns. Muitos textos sobrevivem em múltiplas cópias pelo facto de terem sido transcritos repetidamente por escribas "estagiários". O Escriba era a pessoa na Antiguidade que dominava a escrita e a usava para, a mando do regente, redigir as normas do povo daquela região ou de uma determinada religião.

A compreensão dos textos sumérios hoje em dia pode ser problemática até mesmo para especialistas. Os textos mais antigos são os mais difíceis, pois não mostram a estrutura gramatical da língua de forma sólida.


Cronologia
  • 5000 - Desenvolvimento primitivo da Suméria
  • 4000 - Desenvolvimento da alta civilização
  • 3500 - Sumérios estabelecem-se na Mesopotâmia. Construção do templo em Tell Uqair, que durou de 3.500 a 1.900 a.C.
  • 3300 - Escrita suméria em tabuinhas de argila (escrita pictórica ou pictorial)
  • 3250 - A escrita suméria evolui para a cuneiforme; a roda é usada na Mesopotâmia
  • 3000 - Rivalidades políticas e militares. Construção do Templo Branco em Uruk (de pé até 2.750 a.C.)
  • 2750 - O lendário Gilgamesh reina sobre Uruk; Enmebaragesi & Agga reinam sobre Kish
  • 2600 - A rainha Shudu-ad é enterrada nos Túmulo Reais de Ur
  • 2500 - Rei de Ur, primeiro rei a possuir registos escritos na Suméria; Lugalannemudu de Abab unifica cidades-estados
  • 2550 - Mesalim reina sobre Kish
  • 2475 - Ur-Nanshe reina sobre Lagash, Meskalamdug reina sobre Ur. Conflitos militares entre Lagash & Umma perduram por um longo tempo
  • 2375 - Lugalzaggisi (ou Lugalzagesi) de Umma unifica a Suméria por um curto período de tempo
  • 2350 a 2340 - Sargão, o Acádio, derrota Umma e Lugalzaggisi, conquistando a Suméria e a Acádia, criando um império de superioridade política e económica
  • 2250 - Revivificação de cidades-estados; inventa-se o arco-composto, cujas flechas são capazes de penetrar armaduras de couro e possuem o dobro do alcance concedido por arcos comuns.
  • 2230 - Invasão gútia quebra a unidade acádio-sumeriana.
  • 2217 - Shar-kali-sharri, rei da Acádia, perde o Elam, invade Gútio e é assassinado
  • 2200 - A Acádia entra em colapso devido às invasões do norte. Data-se daqui o mais antigo documento do Egipto escrito em papiro
  • 2175 - Gudea reina sobre Lagash
  • 2148 - La'arab, rei de Gútio, conquista a Acádia vindo do leste e invade a Suméria
  • 2133 - Utu-hegal reina em Uruk
  • 2120 - Utu-hegal, rei de Uruk, expulsa os Gútios; Abraão deixa a cidade de Ur (há discordâncias. Conf. 2000)
  • 2112 - Nova unificação da Suméria e Acádia, desta vez por Ur-Nammu de Ur. O novo governante deixa textos legais à posteridade, conhecidos por As Leis de Ur-Nammu
  • 2100 - Construção do zigurate em Ur
  • 2047 - No Egipto, Mentuhotep II completa a reunificação, dando início ao Reino, ou Império, Médio
  • 2030 - Nova quebra da unidade acádio-sumeriana, desta vez pelos elamitas
  • 2020 - Ishbi-Erra, governante amorita de Isin, tenta unificar novamente o território
  • 2000 - Os indo-europeus deixam a área do Mar Negro em direcção ao Médio Oriente numa das maiores correntes migratórias da história da humanidade. Desenvolvimento da civilização minoana em Creta, na Grécia. Os cítios vêm da Ásia Central e invadem a Ásia Ocidental a cavalo. Amoritas nómadas invadem a Mesopotâmia pelo norte e oeste e estabelecem-se num vilarejo chamado Babilónia. A população mundial gira em torno de 27 milhões. Os hititas migram do vale do Danúbio para a península da Anatólia. O Egipto conquista a Baixa Núbia. Diz-se que Abraão deixa a cidade de Ur e marcha à Palestina (alguns datam o acontecimento em 2120). Período patriarcal de Israel. A civilização de Harappa na Índia desfalece. Desenvolvimento dos primeiros centros de cerimónia no Peru. Era Micénica na Grécia. Marduk é adorado como o deus capital da Babilónia. Creta começa a usar navios com quilhas e costeletas.
  • 1934 - Leis de Lipit-Ishtar
  • 1900 - Leis de Eshnuna da Babilónia; Antigo Período Assírio; Império Babilónico
  • 1860 - Desenvolvimento do alfabeto semítico primitivo
  • 1850 - Armas de cobre são endurecidas com o uso de martelos
  • 1800 - Os hititas expulsam os assírios da Anatólia; migração ariana da parte sul da Rússia em direcção ao Próximo Oriente
  • 1795 - Rim-Sin de Larsa derrota Isin, obtendo controle sobre a Suméria e a Acádia
  • 1792 - Hamurabi sobre ao trono da Babilónia
  • 1770 - É feito o Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis da humanidade
  • 1760 - Hamurabi derrota Larsa, obtendo controle sobre toda a Suméria e a Acádia
  • 1720 - Invasores hicsos expulsam habitantes egípcios do Baixo Egipto; mudança no rio Eufrates, e consequente colapso da vida em Nippur, além de outras cidades sumérias
  • 1700 - José lidera o povo hebreu Egipto adentro; popularização da arte minoana em Creta. Mais tarde, os palácios de Cnossos e Faistos são destruídos pelo fogo. Os gregos usam armaduras de bronze, espadas cortantes e lanças inviscerantes
  • 1600 a 1595 - Invasões e razias hititas quebram a unidade acádio-sumeriana. A Suméria, como se conhecia, é extinta.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Os sumérios autodescreveram-se como sag-gi-ga (o povo de cabeças negras) e chamaram à sua terra Ki-en-gi, o lugar dos senhores civilizados. A palavra acadiana Shumer possivelmente representa esse nome num dialecto diferente. A respeito dos sumérios, donos de língua, cultura (e, provavelmente, aparência) diferentes da dos seus vizinhos semíticos e sucessores, acredita-se que foram invasores ou migrantes, apesar de que seja difícil determinar exactamente quando esses eventos ocorreram ou mesmo as suas origens geográficas. Alguns arqueólogos afirmam que os sumérios procediam, de facto, das planícies mesopotâmicas. Outros sugerem que o termo 'suméria' deveria restringir-se à língua sumeriana, colocando-se na posição de que não havia grupos étnicos 'sumérios' avulsos. O próprio termo 'sumério' é geralmente usado para se referir a uma língua isolada no campo da Linguística, já que ela não pertence a nenhuma família linguística conhecida, em comparação, por exemplo, ao acádio, que pertence ao hamito-semítico, ou às chamadas línguas afro-asiáticas.

A origem e a história antiga dos sumérios ainda são pouco conhecidas. Sabe-se que no final do período neolítico, os povos sumerianos, vindos do planalto do Irão, fixaram-se na Caldeia e fundaram diversas cidades autónomas, verdadeiros Estados independentes, como Ur, Uruk, Nipur e Lagash. A primeira cidade que conseguiu estabelecer controle sobre a totalidade da Suméria foi Kish. Mais tarde, Kish, Ur e Erech travaram renhida luta pela hegemonia na região de Súmer.

Após um período de domínio dos reis elamitas (viviam no sudoeste do actual Irão), os sumerianos voltaram a gozar de independência. As cidades de Lagash, Umma, Eridu, Uruk e principalmente Ur tiveram seus momentos de glória.

Bem cedo, grupos de nómadas, vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumerianas. Conhecidos como acadianos, dominaram as cidades-estados da Suméria por volta de 2550 a.C. Mesmo antes da conquista, já estava ocorrendo uma síntese entre as culturas suméria e acadiana, que aumentou acentuadamente com a unificação dos dois povos. Os ocupantes assimilaram a cultura dos vencidos, embora em muitos aspectos as duas culturas mantivessem diferenças entre si, mais evidente, sobretudo, no campo da religião.


Civilização Acadiana

Mais tarde, por volta de 2369 a.C., Sargão, o Velho, patési (supremo-sacerdote e chefe militar absoluto) da cidade de Acad, unificou a maioria das cidades-templos. O grande rei acádio, guerreiro e conquistador, tornou-se conhecido como “soberano dos quatro cantos da terra”. Apesar da unificação, as estruturas políticas da Suméria continuaram a existir. Os reis das cidades-estados sumerianas foram mantidos no poder e reconheciam-se como tributários dos conquistadores acadianos.

O império criado por Sargão desmoronou-se após um século de existência, em consequência de revoltas internas e dos ataques dos guti, nómadas originários dos montes Zagros, no Alto do Tigre, que investiam contra as regiões urbanizadas, porque a sedentarização das populações do Médio Oriente lhes dificultava a caça e o pastoreio. Por volta de 2150 a.C., os guti conquistaram a civilização sumério-acadiana. Depois disso, a história da Mesopotâmia parecia repetir-se. A unidade política dos sumério-acadianos era destruída pelos guti, que, por sua vez, eram vencidos por revoltas internas dos sumério-acadianos.


Renascença Sumeriana

O domínio intermitente dos guti durou um século, sendo substituído no século seguinte (cerca de 2100 a.C.–1950 a.C.) por uma dinastia proveniente da cidade-estado de Ur. Expulsos os guti, Ur-Nammur reunificou a região sobre o controle dos sumérios. Foi um rei energético, que construiu os famosos zigurates e promoveu a compilação das leis do direito sumeriano. Os reis de Ur não somente restabeleceram a soberania suméria, mas também conquistaram a Acádia. Nesse período, chamado de renascença sumeriana, a civilização sumeriana atingiu o apogeu, mas esse foi o último acto de manifestação do poder político da Suméria.


Declínio

Uma vez que os estados locais cresceram em força bruta, os sumérios começaram a perder a sua hegemonia política sobre a maioria das partes da Mesopotâmia.

Atormentados pelos ataques de tribos elamitas e amoritas, o império ruiu. Nesta época, os sumérios desapareceram da história, mas a influência da sua cultura nas civilizações subsequentes da Mesopotâmia teve longo alcance. Os amoritas fundaram a Babilónia. Os hurrianos da Arménia estabeleceram o império de Mitanni na parte norte da Mesopotâmia por volta de 2000 a.C., enquanto os babilónios controlavam o sul.
Ambos os grupos se defendiam dos egípcios e dos hititas. Esses últimos derrotaram Mitani, mas foram expulsos pelos babilónios. Os cassitas, entretanto, venceram os babilónios em 1400 a.C.. Os cassitas foram depois vencidos pelos elamitas por volta de 1150 a.C..


Administração e Política

Os sumérios habitaram várias cidades-estados, cada uma erigida em torno dos seus respectivos templos, dedicados ao deus a cuja protecção a cidade competia. Estas cidades, grandes centros mercantis, eram governadas por déspotas locais denominados patésis, supremos-sacerdotes e chefes militares absolutos, auxiliados por uma aristocracia, constituída por burocratas e sacerdotes. O patési controlava a construção de diques, canais de irrigação, templos e celeiros, impondo e administrando os tributos a que toda a população estava sujeita. As cidades-estados sumerianas, tradicionalmente, eram cidades-templos. Isto porque os sumérios acreditavam que os deuses haviam fundado as cidades para que fossem centros de culto. Mais tarde, segundo a religião, os deuses limitavam-se a comunicar aos soberanos as plantas das cidades e dos santuários. A ligação dos patésis aos ritos da cidade era extremamente íntima.

Os templos estavam ligados ao poder estatal e as suas riquezas eram usufruídas pelos soberanos, considerados intermediários entre os deuses e os homens. Junto com os templos das cidades, homenageando o seu deus patrono, não raramente eram erguidos zigurates, pirâmides de maciços tijolos cozidos ao Sol, que serviam se santuários e acesso aos deuses quando desciam até ao seu povo.

Dentre as cidades mais importantes do território sumério estavam Eridu, Kish, Lagash, Uruk, Ur e Nippur. Com o desenvolvimento dessas cidades, a tentativa de supremacia duma sobre a outra tornou-se inevitável. O resultado foi um milénio de embates quase incessantes sobre o direito de uso de água, rotas de comércio e tributos a tribos nómadas.


Agricultura e Caça

Os sumérios mantinham uma produção de cevada, grão-de-bico, lentilha, milhete, trigo, nabo, tâmara, cebola, alho, alface, alho-porro e mostarda. Eles também criavam gado, carneiro, cabra e porco. Além disso usavam bois como opção principal no trabalho de carga e burros como animal de transporte. Os sumérios pescavam peixe e caçavam aves galináceas.

A agricultura suméria dependia muito da irrigação, sendo efectuada através do uso de canais, barragens, diques e reservatórios. Os canais requeriam reparos frequentes e a remoção contínua de lodo. O governo ordenava a determinados cidadãos a tarefa de trabalhar nos canais, apesar dos ricos poderem ser dispensados.

Com o uso de canais os fazendeiros irrigavam os seus campos e então drenavam a água. Depois deixavam que os bois macerassem a terra e matassem as ervas daninhas. O passo seguinte era dragar os campos com picaretas. Depois de secar, eles aravam-os, gradavam e varriam três vezes, pulverizando-os depois com um alvião.

Os sumérios ceifavam durante a fase seca do Outono em equipes de três pessoas, consistindo de um ceifador, um enfardador e um enfeixador. Os fazendeiros usavam um tipo de colheita arcaica para separar a cabeça dos cereais dos seus respectivos talos, para então usar um tipo de trenó de triagem, que separava o grão dos cereais. Em seguida peneiravam a mistura de grãos e debulhos.


Arquitectura

A planície Tigre-Eufrates carecia de minerais e árvores. As edificações sumérias compreendiam estruturas plano-convexas feitas de tijolos de barro, desprovidas de argamassa ou cimento. Uma vez que os tijolos plano-convexos são de composição relativamente instável, os pedreiros sumerianos adicionavam uma mão extra de tijolos, postos perpendicularmente a cada poucas fileiras. Aí então preenchiam as lacunas com betume, engaço, cana e cizânias. Construções feitas com tijolos de barro, entretanto, acabavam por se deteriorar, de forma que eram periodicamente destruídas, niveladas e reconstruídas no mesmo lugar. Essa constante reconstrução gradualmente elevou o nível das cidades, de modo que se ergueram acima da planície à sua volta. Os aterros resultantes (chamados em inglês de tell) são encontrados através do antigo Próximo Oriente. O tipo mais famoso e impressionante dentre as edificações sumérias chama-se zigurate, uma construção de largas e amplas plataformas sobrepostas em cujo topo se encontravam templos. Esse maciço edifício de celsa estatura pode ter sido a inspiração para a Torre de Babel bíblica. Selos cilíndricos sumerianos também descrevem casas construídas com cana, similares àquelas construídas pelos árabes das terras baixas da parte sul do Iraque até anos recentes.

Por outro lado, templos sumérios e palácios fizeram uso de materiais e técnicas mais avançadas como reforços (suporte para os tijolos), recessos (quinas), pilastras e pregos de argila.


Cultura

O historiador Alan Marcus fala que os "sumérios ostentavam uma perspectiva circunspecta sobre a vida."

Um sumério escreveu: "Lágrimas, lamento, angústia e depressão residem dentro de mim. O sofrimento tolhe-me. O perverso destino aprisiona-me e faz com que cesse a vida minha. Sou banhado por uma doença maligna."

Um outro escreveu: "Por que me contam entre os ignorantes? A comida encontra-se em todo o lugar, e ainda assim minha comida a fome proporciona. Durante o dia a partilha era orçada; e o orçamento de minha partilha, prejudicada."

Apesar das mulheres poderem alcançar um status mais elevado na Suméria do que em outras civilizações, a cultura permanecia predominantemente masculina.


Economia e Comércio

Empreendedores e criativos, os sumérios estabeleceram relações comerciais com vários povos da costa do Mediterrâneo e do vale do Indo.

Descobertas de obsidiana em locais longínquos da Anatólia e no Afeganistão remontam a Dilmun (hoje Bahrain, um principado no Golfo Pérsico), e vários selos inscritos na grafia dos povos do Vale do Indo sugerem uma rede consideravelmente extensa de comércio antigo, centrado nos limites do Golfo Pérsico.

A Epopeia de Gilgamesh refere-se ao comércio com terras longínquas de mercadorias como madeira, já que esse item representava um material escasso na Mesopotâmia. O cedro do Líbano era especialmente apreciado.

Os sumérios usavam escravos, embora esses não representassem a maior parte da economia. Mulheres escravas trabalhavam como tecelãs, prensadoras, moleiras e carregadoras.

A cerâmica suméria decorava vasos com pinturas em óleo de cedro. Os ceramistas utilizavam furadoras arqueadas para produzir o fogo necessário ao cozimento da cerâmica. Os pedreiros e ourives sumérios não só conheciam como faziam uso de marfim, ouro, prata, galena e lápis-lazúli.


Medicina

Como em qualquer sociedade pré-moderna, os sumérios possuíam um conhecimento limitado de diagnóstico e tratamento médicos. Laxantes, purgantes e diuréticos formavam a maioria dos remédios daquele povo. Determinadas cirurgias também eram postas em prática.

Os sumérios manufacturavam salitre, conseguido a partir da urina, da cal, de cinzas e do sal. Eles combinavam esses materiais com leite, pele de cobra, casco de tartaruga, cássia, murta, timo, salgueiro, figo, pêra, abeto e/ou tâmara. A partir daí, misturavam esses agentes com vinho, usando o resultado obtido de duas formas: ou passando o produto como se fosse uma pasta, ou então misturavam-no com cerveja, consumindo o remédio por via oral.

Os sumérios explicavam a doença como uma consequência do aprisionamento, e consequente tentativa de escape, de um demónio dentro do corpo humano. O objectivo do remédio era persuadir o demónio a acreditar na ideia de que continuar residindo naquele corpo seria uma experiência desagradável. Comummente os sumérios colocavam um carneiro ou cabra próximo ao doente, esperando atrair o demónio para dentro do corpo do animal, que então seria morto. No caso de não haver ovelhas à disposição, tentavam a sorte com uma estátua, que se conseguisse transferir o demónio para dentro de si, seria coberta de betume.


Características Militares

As cidades sumérias eram defendidas por muralhas. Os sumérios engajavam-se em guerras de sítio entre as suas cidades, e as muralhas de tijolos de barro obviamente não podiam deter os inimigos, que já conheciam o material.

O exército sumério consistia na sua maior parte da infantaria. A infantaria leve carregava machados de guerra, adagas e lanças. A infantaria de linha de frente também usava capacetes de cobre, capas de feltro e saias (kilts) de couro.

Os sumérios inventaram a carruagem, à qual atavam onagros (burros selvagens). Essas carroças antigas não funcionavam tão bem em combate quanto os modelos construídos a posteriori, e alguns sugeriram que as carroças serviam primeiramente como meio de transporte, embora a "equipe" de guerra suméria carregasse machados de guerra e lanças. A carroça ou carruagem suméria constituía-se de um dispositivo de quatro-rodas manejado por uma equipe de duas pessoas e ligado a quatro onagros. A carroça era composta por cestas entretecidas e as rodas possuíam um sólido design triplo.

Os sumérios usavam fundas e arcos simples (só mais tarde a humanidade inventaria o arco composto.)


Religião

Tratar dum assunto tal como a "Religião Suméria" pode ser complicado, uma vez que as práticas e crenças adoptadas por aquele povo variaram largamente através do tempo e distância, em que cada cidade possuía a sua própria visão de mitologia e/ou teologia.

Entre as principais figuras mitológicas adoradas pelos sumérios, é possível citar An (ou Anu), deus do céu; Nammu, a deusa-mãe; Inanna, a deusa do amor e da guerra (equivalente à deusa Ishtar dos acádios); e Enlil, o deus do vento. Cada um dos deuses sumérios (na sua própria língua, dingir - no plural, dingir-dingir ou dingir-a-ne-ne) era associado a cidades diferentes, e a importância religiosa a eles atribuída intensificava-se ou esmorecia dependendo do poder político da cidade associada. Segundo a tradição suméria, os deuses criaram o ser humano a partir do barro com o propósito de serem servidos por suas novas criaturas. Quando estavam zangados ou frustrados, os deuses expressavam os seus sentimentos através de terramotos ou catástrofes naturais: a essência primordial da religião suméria baseava-se, pois, na crença de que toda a humanidade estava à mercê dos deuses.

Os sumérios acreditavam que o universo consistia num disco plano fechado por uma cúpula de latão. Já a vida após a morte envolvia uma descida ao vil sub-mundo, onde se passava a eternidade numa existência deplorável, numa espécie de inferno, chamado Sheol.

Os templos sumérios consistiam de uma nave central com corredores em ambos os lados, flanqueados por aposentos para os sacerdotes. Numa das pontas do corredor achavam-se um púlpito e uma plataforma construída com tijolos de barro, usada para sacrifícios animais e vegetais.

Granéis e depósitos localizavam-se geralmente na proximidade dos templos. Mais tarde, os sumérios começaram a construir os seus templos no topo de colinas artificiais, terraplanadas e multifacetadas: esses templos especiais chamavam-se zigurates.


Tecnologia

Exemplos da tecnologia suméria incluem: serras, couro, cinzéis, martelos, braçadeiras, brocas, pregos, alfinetes, anéis, enxadas, machados, facas, lanças, flechas, espadas, cola, adagas, odres de água, caixas, arreios, barcos, armaduras, aljaves, bainhas, botas, sandálias e arpões.
Os sumérios possuíam três tipos de barcos:
  • os barcos de pele eram feitos a partir de cana e peles de animais.
  • os barcos à vela caracterizavam-se por serem feitos com betume, sendo à prova d'água.
  • os barcos a remo (com remos feitos de madeira) eram às vezes usados para subir a correnteza, sendo puxados a partir de ambas as margens do rio por pessoas e animais.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:08
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