Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Beatriz Costa

Hoje: Centenário do seu nascimento




A Agulha e o Dedal





Aldeia da Roupa Branca



Beatriz Costa, pseudónimo de Beatriz da Conceição (Mafra, 14 de Dezembro de 1907 — Lisboa, 15 de Abril de 1996) é uma actriz de teatro e cinema portuguesa.
 
Ícone da cultura popular portuguesa, estreou-se aos quinze anos, como corista, na revista Chá e Torradas (1923) no Éden Teatro, em Lisboa. No ano seguinte, em 1924, estreia-se no Teatro Maria Vitória (Parque Mayer) com a revista Rés Vés. Posteriormente, ingressa na companhia do Teatro Avenida estreando-se, no mesmo ano, no Rio de Janeiro onde é felicitada pela imprensa e pelos espectadores, nomeadamente nas revistas Fado Corrido e Tiro ao Alvo.
 
De regresso a Lisboa (1925) ocupa um lugar de destaque ao lado de Nascimento Fernandes em Ditosa Pátria, no Teatro da Trindade. Em Agosto do mesmo ano a Companhia do Trindade segue para o Porto apresentando-se no Sá da Bandeira e Beatriz faz a sua primeira ida como artista à cidade invicta.
 
Em Outubro de 1925 integra uma Companhia de operetas sediada no Teatro São Luiz. De regresso à revista, passa pelos teatros Éden e Maria Vitória nas revistas Fox Trot, Malmequer, Olarila , Revista de Lisboa e Sete e meio.
 
Em 1927, traduzindo uma moda cinéfila, aparece pela primeira vez de franja e estreia-se no cinema em papéis episódicos de filmes de Rino Lupo - O Diabo em Lisboa - e, ainda no mesmo ano, havia dançado um tango em Fátima Milagrosa (do mesmo realizador) ao lado de Manoel de Oliveira.
 
Passou pelo Teatro Apolo, transferindo-se depois com a Companhia de Eva Stachino para o Trindade. Aí se fez Pó de Maio , onde conheceu o maior êxito da popularidade com o celebrado número D. Chica e Sr. Pires ao lado de Álvaro Pereira.
 
Na sua segunda tournée ao Brasil (1929), com a Companhia de Eva Stachino, ao Rio de Janeiro, foi recebida sobre as mais efusivas manifestações e relembrada a sua revelação como actriz nos grandes órgãos de imprensa da América do Sul.
 
Após breve incursão aos palcos de S. Paulo, Beatriz é convidada por Procópio Ferreira, comediante de indisputável relevo no teatro brasileiro, para ficar a trabalhar no Rio de Janeiro integrando o elenco da sua Companhia de comédias; mas a proposta seria recusada.
 
De volta ao continente, e ainda neste ano, Beatriz Costa aparece no documentário Memória de uma Actriz (com base nos artigos que já escrevia para O Século a contar episódios pícaros da sua carreira).
 
Em 1930 participa no filme Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros.
 
Em Dezembro de 1930, durante a visita de Ressano Garcia, gerente da Paramount em Lisboa, recebe um convite de Blumenthal e San Martin para um contrato muito vantajoso para o papel da protagonista de A Minha Noite de Núpcias (da versão original Her Wedding Night de Frank Tuttle e que na versão portuguesa foi dirigida por Alberto Cavalcanti), o terceiro fonofilme em português, a realizar-se em França.
 
Recebendo sempre provas de apreço desde o pessoal dos estúdios à mais considerada vedeta destaca das suas colegas estrangeiras Olga Tsehekova e Camila Horn.
 
Deixa a Companhia e é contratada por Corina Freire para participar nos êxitos de revistas como A Bola, Pato Marreco, O Mexilhão ou Pirilau.
 
Numa ida a Espanha, a convite da Casa da Imprensa de Badajoz para uma festa no Teatro Lopez Ayola, obteve estrondoso êxito ao representar Burrié, sendo homenageada juntamente com os outros artistas portugueses que a acompanhavam (Amarante e Nascimento Fernandes).
 
Em 1933 a sua imagem imortalizava-se n' A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo, ao lado de António Silva e Vasco Santana, e em 1936, ao participar na revista Arre Burro.
 
Em 1937 Beatriz ganha ao lado de Vasco Santana os votos de preferência dos cinéfilos portugueses e são eleitos "príncipes do cinema português", protagonizando em 1939 A Aldeia da Roupa Branca, de Chianca de Garcia, aquele que seria o seu último filme.
 
Neste mesmo ano de 1939, Beatriz Costa aceitou novo convite para o Brasil (dada a sua enorme popularidade) para uma temporada que se prolongou por 10 anos (de 1939 a 1949), a que chamou "os melhores anos da sua vida". Quase sempre actuou no Casino de Urca, no Rio, desde os tempos da peça Tiro-Liro-Liro, até ao final da década, altura do seu único casamento em 1947, com Edmundo Gregorian (poeta, escritor, escultor), de quem se divorciou dois anos depois.
 
Em 1949, regressa aos palcos de Lisboa para uma revista no Teatro Avenida, cujo título diz tudo sobre o mito que continuava a ser: Ela aí está!. E, aos 41 anos, repetiu os êxitos de há 20 anos atrás.
 
Ainda apareceu em Lisboa em revistas de sucesso como Com Jeito Vai, mas em 1960 despediu-se dos palcos em Está Bonita a Brincadeira.
 
É a partir da década de 60 que começa a viajar por todo o mundo, assistindo a festivais de teatro, de Ocidente a Oriente. Conheceu personalidades como Salvador Dali, Pablo Picasso, Sophia Lorenz, Greta Garbo, Edith Piaf ou o ReHassan II de Marrocos.
 
Depois da Revolução dos Cravos - quando já vivia no Hotel Tivoli, onde viveu até morrer - começou a publicar livros sobre a sua espantosa vida (já anteriormente a "publicara" em vários capítulos nas Páginas das Minhas Memórias nos anos 30), aconselhada e incentivada por Tomás Ribeiro Colaço. Ela que aprendera a ler aos 13 anos de idade e sozinha, seguindo a sua ambição de saber, começou a sua alfabetização à mesa d' A Brasileira, rodeada por figuras como Almada Negreiros, Gualdino Gomes, Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio, entre outros.
 
Após o seu reaparecimento num espectáculo da Casa da Imprensa que decorreu no Coliseu dos Recreios foi sistematicamente solicitada pelos órgãos de comunicação social e espantou-se com as óptimas reacções do público leitor em relação a essa outra faceta da sua vida - escrever.
 
Em 1977 é editado pela Emi-Valentim de Carvalho um álbum que compila vários dos seus sucessos musicais e que em 1996 seria reeditado com o título Grande Marcha de Lisboa na Colecção Caravela da mesma editora. Apesar das muitas propostas para regressar aos palcos (por Vasco Morgado) preferiu ficar longe deles por considerar o teatro de revista muito diferente do que era, por "estar decadente".
 
Muitos foram também os convites para programas de televisão (por Joaquim Letria) e, de facto, viria a participar como membro de júri no concurso Prata da Casa (RTP) apresentado por Fialho Gouveia e que visava lançar jovens no mundo do espectáculo.
 
Um grupo de jovens chegaria mesmo a propor a sua candidatura simbólica nas eleições presidenciais de 1985 como meio de comemorar O Ano Internacional da Juventude do ano seguinte.
 
Morreu na manhã de 15 de Abril de 1996, aos 88 anos, num quarto do 6º andar do Hotel Tivoli Lisboa.
Faz este ano, 2007, 100 anos que nasceu esta prestigiada actriz, com o qual o Museu de Mafra festeja com uma exposição.
 
 
Filmografia
  • A Aldeia da Roupa Branca, de Chianca de Garcia (1939);
  • O Trevo de Quatro Folhas, de Chianca de Garcia (1936);
  • A Canção de Lisboa, de José Cotinelli Telmo (1933)
  • Minha Noite de Núpcias, de E. W. Emo (1931)
  • Lisboa, de J. Leitão de Barros (1930)
  • Fátima Milagrosa, de Rino Lupo (1928);
  • O Diabo em Lisboa, de Rino Lupo (1926).
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Mário Viegas



António Mário Lopes Pereira Viegas (Santarém, 10 de Novembro de 1948 — Lisboa, 1 de Abril de 1996) foi um actor e encenador português. Fazia hoje 88 anos.
 
Unanimemente reconhecido como um dos melhores actores da sua geração, foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde se inicia no teatro universitário. Frequentou o Conservatório Nacional de Teatro, em Lisboa. Estreia-se como actor profissional no Teatro Experimental de Cascais, trabalhando com Carlos Avilez. Passa pelo Teatro Universitário do Porto em 1969.
 
Fundador de três companhias teatrais (a última das quais foi a Companhia Teatral do Chiado), interpretou peças de autores como Stadt Hamm, Raul Baal, Fernando Krapp ou Wayne Wang e encenou peças de Beckett, Eduardo De Filippo, Bergman, Tchekov, Strindberg, Pirandello, Peter Shaffer, entre outros.
 
Actor regular no cinema, participou em mais de quinze películas, entre elas O Rei das Berlengas de Artur Semedo (1978), Azul, Azul de José de Sá Caetano (1986), Repórter X de José Nascimento (1987), A Divina Comédia de Manoel de Oliveira (1991), Rosa Negra de Margarida Gil (1992) ou Sostiene Pereira de Roberto Faenza (1996), onde contracenou com Marcello Mastroianni. É ainda de salientar a sua presença nos filmes de José Fonseca e Costa, como Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991).
 
Fez também televisão, popularizando-se, particularmente com duas séries de programas sobre poesia - Palavras Ditas (1984) e Palavras Vivas (1991). Trabalhou também na rádio, principalmente como divulgador de poesia e de teatro e foi colaborador regular do jornal Diário Económico, para onde escreveu artigos sobre teatro e humor.
 
Deu-se a conhecer pelos seus recitais de poesia, gravando uma discografia com poemas de, entre outros, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade ou ainda de autores estrangeiros (Brecht, Pablo Neruda, entre outros). Divulgou nomes como Pedro Oom ou Mário-Henrique Leiria. Viajou por inúmeros países, fazendo teatro em Moçambique, Macau, Brasil, Países Baixos ou Espanha.
 
Pela sua actividade teatral foi premiado diversas vezes pela Casa da Imprensa e pela Associação Portuguesa de Críticos. Recebeu o Prémio Garrett, como Melhor Actor, pela Secretaria de Estado da Cultura (1987), para além de distinções em Festivais de Teatro e Cinema Internacionais (1979 - Festival de Teatro de Sitges, em Espanha, com a peça D. João VI; 1978 - Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha, pelo filme O Rei das Berlengas de Artur Semedo). Em 1994 é ordenado Comendador pela Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Mário Soares.
 
Preocupado com a política, candidata-se em 1995, à Presidência da República Portuguesa, pela União Democrática Portuguesa.
 
Escreveu Auto-Photo Biografia (edição do autor) em 1995 que não foi autorizado a publicar. Em 2001 foi homenageado pelo Museu Nacional do Teatro com a exposição Um Rapaz Chamado Mário Viegas.
Fonte: Wikipédia. 


 



Manifesto Anti-Dantas, um panfleto satírico da autoria de José de Almada Negreiros cujo alvo era Júlio Dantas,
declamado por Mário Viegas



Mário Viegas - declamando um poema de Mário Cesariny

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Ouça e leia também aqui o
Manifesto Anti-Dantas, declamado por Mário Viegas

 

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Fred Astaire

 
Fred Astaire

Fred Astaire

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Fred Astaire (Omaha, Nebraska, 10 de Maio de 1899 – Los Angeles, Califórnia, 22 de Junho de 1987, faleceu faz hoje 20 anos) foi um actor e dançarino estado-unidense.
 
Antes de Fred Astaire estrear no cinema, os dançarinos apareciam nos filmes apenas "em partes": os pés, as cabeças e os torsos eram compostos na sala de edição. Astaire, por sua vez, exigia ser filmado de corpo inteiro. Para isso eram necessários longos ensaios - certa vez chegou a três meses com dez horas diárias de trabalho, com repetições feitas passo a passo e movimentos de câmara acompanhando a coreografia. Nos seus filmes, Astaire conseguiu dar nova emoção à dança, fosse ela banal ou repleta de tragicidade. A sua interpretação enriquecia-se pelo que James Chagney chamava de "o toque do vagabundo". Sempre trajado a rigor, o seu charme tornou-se lendário.
 
Nascido com o nome de "Frederick Austerlitz", fez a sua primeira apresentação no palco aos cinco anos com a irmã Adele, que o acompanhava em revistas musicais nos anos 20, em Londres. Estreou no cinema em 1915, fazendo uma pequena ponta e em 1933 apareceu ao lado de Joan Crawford em Dancing lady. Nesse mesmo ano actuou no primeiro de uma série de dez filmes ao lado de Ginger Rogers. Os dois formavam uma parceria impecável ("Ele dava classe a ela, ela dava sex-appeal a ele", explicou certa vez um director de estúdio). Hollywood tinha razão ao conferir-lhe um Oscar especial em 1949, pela sua contribuição à técnica dos musicais no cinema. Ginger Rogers, claro, foi quem lhe entregou o prémio.
 
Em 1933 casou-se com Phyllis Potter, falecida em 1954, de quem teve dois filhos, Fred e Ava. Ele deixou de ser dançarino em 1968 para passar a interpretar papéis dramáticos. Fora dos estúdios não gostava de dançar e dizia que as danças de salão o entediavam. Grande fã de corrida de cavalos voltou a casar-se em 1980 com a jóquei Robbin Smith, 35 anos mais nova que ele.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Rafael Bordalo Pinheiro

 
Retrato de Rafael Bordalo Pinheiro      Imagem em barro do Zé Povinho

     Retrato de Rafael Bordalo Pinheiro        Imagem em barro do Zé Povinho




Rafael Bordalo Pinheiro
, desenhador e aguarelista, ilustrador de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor. Um nome que está intimamente ligado à caricatura portuguesa, à qual deu um grande impulso, imprimindo-lhe um estilo próprio levando a uma visibilidade nunca antes atingida. Autor da figura popular Zé Povinho  que se veio a tornar num símbolo do povo português.
 
Biografia
 
Nasceu em 1846 em Lisboa. Filho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, cedo ganha o gosto pelas artes.
 
Em 1860 inscreve-se no conservatório e posteriormente matricula-se sucessivamente na Academia de Belas Artes (desenho de arquitectura civil, desenho antigo e modelo vivo), no Curso Superior de Letras e na Escola de Arte Dramática, para logo de seguida desistir. Estreia-se no Teatro Garrett embora nunca venha a fazer carreira como actor.
 
Em 1863, o pai arranja-lhe um lugar na Câmara dos Pares, onde acabou por descobrir a sua verdadeira vocação, derivado das intrigas políticas dos bastidores.
 
Casa em 1866 com Elvira Ferreira de Almeida e no ano seguinte nasce o seu filho Manuel Augusto.
 
Começa por tentar ganhar a vida como artista plástico com composições realistas apresentando pela primeira vez trabalhos seus em 1868 na exposição promovida pela Sociedade Promotora de Belas-Artes, onde apresenta 8 aguarelas inspiradas nos costumes e tipos populares, com preferência pelos campinos de trajes vistosos. Em 1871 recebe um prémio na Exposição Internacional de Madrid. Paralelamente vai desenvolvendo a sua faceta de ilustrador e decorador.
 
Em 1875 cria a figura do Zé Povinho, publicada n'A Lanterna Mágica. Nesse mesmo ano, parte para o Brasil onde colabora em alguns jornais e a enviar a sua colaboração para Lisboa, voltando a Portugal em 1879 e lança O António Maria.
 
Experimenta em 1885 trabalhar o barro e começa o fabrico da louça artística das Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.
 
Morre a 23 de Janeiro de 1905, faz hoje 102 anos, em Lisboa, no nº 28 da Rua da Abegoaria (actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro).
 
O Desenhador
 
Bordalo Pinheiro deixou um legado iconográfico verdadeiramente notável, tendo produzido dezenas de litografias. Compôs inúmeros desenhos para almanaques, anúncios e revistas estrangeiras como El Mundo Cómico (1873-74), Ilustrated London News, Ilustracion Española y Americana (1873), L'Univers Illustré e El Bazar. Fez desenhos em álbuns de senhoras, foi o autor de capas e de centenas de ilustrações em livros, e em folhas soltas deixou portraits-charge  de diversas personalidades. Começou a fazer caricatura por brincadeira como aconteceu nas paredes dos claustros do edifício onde dava aulas o Professor Jaime Moniz, onde apareceram, desenhados a ponta de charuto, as caricaturas dos mestres. Mas é a partir do êxito alcançado pel'O Dente da Baronesa (1870), folha de propaganda a uma comédia em 3 actos de Teixeira de Vasconcelos, que Bordalo entra definitivamente para a cena do humorismo gráfico.
 
Dotado de um grande sentido de humor mas também de uma crítica social bastante apurada e sempre em cima do acontecimento, caricaturou todas as personalidades de relevo da política, da Igreja e da cultura da sociedade portuguesa. Apesar da crítica demolidora de muitos dos seus desenhos, as suas características pessoais e artísticas cedo conquistaram a admiração e o respeito público que tiveram expressão notória num grande jantar em sua homenagem realizado na sala do Teatro Nacional D. Maria II, em 6 de Junho de 1903 que, de forma inédita, congregou à mesma mesa praticamente todas as figuras que o artista tinha caricaturado.
 
Na sua figura mais popular, o Zé Povinho, conseguiu projectar a imagem do povo português de uma forma simples mas simultaneamente fabulosa, atribuindo um rosto ao país. O Zé Povinho continua ainda hoje a ser retratado e utilizado por diversos caricaturadores para revelar de uma forma humorística os podres da sociedade.
 
O Ceramista
 
Após a constituição da fábrica de faiança das Caldas da Rainha, Rafael Bordalo Pinheiro dedica-se à produção de peças de cerâmica que, nas suas mãos, rapidamente, adquiriram um cunho original. Jarras, vasos, bilhas, jarrões, pratos e outras peças demonstram um labor tão frenético e criativo quanto barroco e decorativista, características, aliás, também presentes nos seus trabalhos gráficos. Mas Bordalo não se restringiu apenas à fabricação de loiça ornamental. Além de ter desenhado uma baixela de prata da qual se destaca um originalíssimo faqueiro que executou para o 3º visconde de S. João da Pesqueira, satisfez dezenas de pequenas e grandes encomendas para a decoração de palacetes: azulejos, painéis, frisos, placas decorativas, floreiras, fontes-lavatório, centros de mesa, bustos, molduras, caixas, e também broches, alfinetes, perfumadores, etc.
 
No entanto, a cerâmica também não poderia excluir as figuras do seu repertório. A par das esculturas que modelou para as capelas do Buçaco representando cinquenta e duas figuras da Via Sacra, Bordalo apostou sobretudo nas que lhe eram mais gratas: O Zé Povinho (que será representado em inúmeras atitudes), a Maria Paciência, a mamuda ama das Caldas, o polícia, o padre tomando rapé e o sacristão de incensório nas mãos, a par de muitos outros.
 
Embora financeiramente a fábrica se ter revelado um fracasso, a genialidade deste trabalho notável teve expressão nos prémios conquistados: uma medalha de ouro na Exposição Colombiana de Madrid em 1892, em Antuérpia (1894), novamente em Madrid (1895), em Paris (1900), e nos Estados Unidos, em St. Louis (1904).
 
O Jornalista
 
Rafael Bordalo Pinheiro destacou-se sobretudo como um homem de imprensa. Durante cerca de 35 anos (de 1870 a 1905) foi a alma de todos os periódicos que dirigiu quer em Portugal, quer nos três anos que trabalhou em terras brasileiras.
 
Semanalmente, durante as décadas referidas, os seus periódicos debruçaram-se sobre a sociedade portuguesa nos mais diversos quadrantes, de uma forma sistemática e pertinente.
 
Em 1870 lançou três publicações: O Calcanhar de Aquiles, A Berlinda e O Binóculo, este último, um semanário de caricaturas sobre espectáculos e literatura, talvez o primeiro jornal, em Portugal, a ser vendido dentro dos teatros. Seguiu-se o M J ou a História Tétrica de uma Empresa Lírica, em 1873. Todavia, foi A Lanterna Mágica, em 1875, que inaugurou a época da actividade regular deste jornalista sui generis que, com todo o desembaraço ao longo da sua actividade, fez surgir e também desaparecer inúmeras publicações. Seduzido pelo Brasil, também aí (de 1875 a 1879) animou O Mosquito, o Psit!!! e O Besouro, tendo tido tanto impacto que, numa obra recente, intitulada Caricaturistas Brasileiros, Pedro Corrêa do Lago lhe dedica diversas páginas, enfatizando o seu papel.
 
O António Maria, nas suas duas séries (1879-1885 e 1891-1898), abarcando quinze anos de actividade jornalística, constitui a sua publicação de referência. Ainda fruto do seu intenso labor, Pontos nos ii são editados entre 1885-1891 e A Paródia, o seu último jornal, surge em 1900.
 
A seu lado, nos periódicos, estiveram Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, João Chagas, Marcelino Mesquita e muitos outros, com contributos de acentuada qualidade literária. Daí que estas publicações constituam um espaço harmonioso em que o material textual e o material icónico se cruzam de uma forma polifónica.
 
Vivendo numa época caracterizada pela crise económica e política, Bordalo, enquanto homem de imprensa, soube manter uma indiscutível independência face aos poderes instituídos, nunca calando a voz, pautando-se sempre pela isenção de pensamento e praticando o livre exercício de opinião. Esta atitude granjeou um apoio público tal que, não obstante as tentativas, a censura nunca logrou silenciá-lo. E todas as quintas-feiras, dia habitual da saída do jornal, o leitor e observador podia contar com os piparotes costumeiros, com uma crítica a que se juntava o divertimento. Mas como era natural, essa independência e o enfrentar dos poderes instituídos originaram-lhe alguns problemas como por exemplo o retirar do financiamento d'O António Maria como represália pela crítica ao partido do seu financiador. Também no Brasil arranjou problemas, onde chegou mesmo a receber um cheque em branco para se calar com a história de um ministro conservador metido com contrabandistas. Quando percebe que a sua vida começa a correr perigo, volta a Portugal, não sem antes deixar uma mensagem:
 
".... não estamos filiados em nenhum partido; se o estivéssemos, não seríamos decerto conservadores nem liberais. A nossa bandeira é a VERDADE. Não recebemos inspirações de quem quer que seja e se alguém se serve do nosso nome para oferecer serviços, que só prestamos à nossa consciência e ao nosso dever, - esse alguém é um infame impostor que mente." ( O Besouro, 1878)
 
 
O Homem de teatro
 
Com 14 anos apenas, integrado num grupo de amadores, pisou como actor o palco do teatro Garrett, inscrevendo-se depois na Escola de Arte Dramática que, devido à pressão da parte do pai, acabou por abandonar. Estes inícios — se revelaram que o talento de Rafael Bordalo não se direccionava propriamente para a carreira de actor — selaram, porém, uma relação com a arte teatral que não mais abandonou.
 
Tendo esporadicamente desenhado figurinos e trabalhado em cenários, Bordalo foi sobretudo um amante do teatro. Era espectador habitual das peças levadas à cena na capital, frequentava assiduamente os camarins dos artistas, participava nas tertúlias constituídas por críticos, dramaturgos e actores. E transpunha, semana a semana, o que via e sentia, graficamente, nos jornais que dirigia. O material iconográfico legado por Rafael Bordalo adquire, neste contexto, uma importância extrema porque permite perceber muito do que foi o teatro, em Portugal, nessas décadas.
 
Em centenas de caricaturas, Rafael Bordalo faz aparecer o espectáculo, do ponto de vista da produção: desenha cenários, revela figurinos, exibe as personagens em acção, comenta prestações e critica gaffes. A par disso, pelo seu lápis passam também as mais variadas reacções do público: as palmas aos sucessos, muitos deles obra de artistas estrangeiros, já que Lisboa fazia parte do circuito internacional das companhias; as pateadas estrondosas quando o público se sentia defraudado; os ecos dos bastidores; as anedotas que circulavam; as bisbilhotices dos camarotes, enfim, todo um conjunto de aspectos que têm a ver com a recepção do espectáculo e que ajudam a compreender o que era o teatro e qual o seu papel na Lisboa oitocentista.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

Mímica

 
Chama-se de Mímica à arte de exprimir os pensamentos e/ou os sentimentos por meio de gestos. É, portanto, uma classe de sematologia (doutrina dos símbolos como expressão do pensamento ou do raciocínio; a ciência de indicar o pensamento por símbolos).
 
A Mímica como Diversão
 
No Palco, no Cinema e nas Ruas
 
Na época do cinema mudo a comunicação entre os actores e o público era feita inteiramente com mímica. Um dentre muitos talentos que fizeram sucesso nessa época foi Charles Chaplin  com o inesquecível Carlitos. Com o advento do som nos filmes, o uso de mímica em locais públicos passou a ser feito nos palcos por profissionais talentosos  (ver o filme anexo)  e nas ruas por aprendizes ou profissionais menos requisitados, estes como forma de subsistência.
 
Como Brincadeira
 
Mímica é o nome de uma brincadeira tradicional da qual podem participar crianças, adolescentes e adultos. Possui variantes, mas, basicamente, consiste em uma pessoa ter que representar somente utilizando-se da mímica, sem usar, portanto, quaisquer códigos, letras ou palavras, uma entidade de sua escolha relativa a um assunto pré-determinado com os demais participantes. Pode ser um animal, um objecto, o nome de um filme, de uma pessoa, etc... O restante dos participantes deve, então, tentar adivinhar qual a entidade que está sendo comunicada pela mímica. Quem acertar ganha alguma forma de prémio...
 
As variantes podem incluir limite de tempo para se acertar, formação de grupos, penalidades para quando ninguém acerta, e muito mais, dependendo da criatividade dos participantes.
Fonte: Wikipédia. 
 

 

Jerome Murat num espectáculo. Um vídeo bonito e interessante...
 

 

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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

A Iluminura

 
Uma letra "p" capitular iluminada na Bíblia de Malmesbury, um livro manuscrito medieval
 
Uma letra "p" capitular iluminada na Bíblia de Malmesbury,
um livro manuscrito medieval
 
 

Uma iluminura era um tipo de desenho decorativo, frequentemente empreendido nas letras capitulares que iniciam capítulos em determinados livros, especialmente os produzidos nos conventos e abadias medievais, aquelas letras maiores que ficam no começo do parágrafo. Foi considerada um ofício bastante importante no contexto da arte medieval, constando de grande parte dos livros produzidos durante a Idade Média.
 
A iluminura apresenta uma variedade de cores e não admite sombra, mas gradações de cor.
 
Um manuscrito iluminado seria estritamente aquele decorado com ouro ou prata, mas estudiosos modernos usam o termo "iluminura" para qualquer decoração em um texto escrito.
 
Recomendo uma visita à
"Página sobre iluminura, de Jofre de Lima Monteiro Alves".
 
Temas:
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Sábado, 26 de Agosto de 2006

A Pietà de Miguel Ângelo

 
A Pietà de Miguel Ângelo
 
A Pietà de Miguel Ângelo
 
 

A Pietà é uma das mais famosas esculturas feitas por Michelangelo (pintor, escultor, poeta e arquitecto renascentista italiano). Ela representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria.
 
História
 
Em 26 de Agosto de 1498 (faz hoje 508 anos), o cardeal francês Jean de Bilheres encomendou a Miguel Ângelo uma imagem da Virgem para a Capela dos Reis de França, na antiga Basílica de São Pedro.
 
Juntando capacidades criadoras geniais a uma técnica perfeita, o artista toscano (Toscana é uma região da Itália central) criou então a sua mais acabada e famosa escultura: a Pietà.
 
Iniciara-se como artista ainda durante o Quattrocento, em Florença, onde trabalhou para os Médicis, mas a Pietà foi a sua primeira grande obra escultórica. Trata-se de um trabalho de admirável perfeição, organizado segundo um esquema em forma de pirâmide, um formato muito utilizado pelos pintores e escultores renascentistas.
 
Nesta obra delicada o artista encontrou a solução ideal para um problema que preocupara os escultores do Primeiro Renascimento: a colocação do Corpo de Cristo morto no regaço de Maria. Para isso alterou deliberadamente as proporções: o Cristo é menor que a Virgem, quer para dar a impressão de não esmagar a Mãe e mostrar que é seu Filho, quer para não “sair” do esquema triangular. A Virgem Maria foi representada muito jovem e com uma nobre resignação: a expressão dolorosa do rosto é idealizada, contrastando com a angústia que tradicionalmente os artistas lhe imprimiam.Torna-se assim evidente a influência do “pathos” dos clássicos gregos.
 
O requinte e esmero da modelação e o tratamento da superfície do mármore, polido como um marfim, deram-lhe a reputação de uma das mais belas esculturas de todos os tempos. Michelangelo tinha apenas 23 anos de idade. Em função da sua pouca idade na realização desta obra não acreditaram que ele fora seu autor. Assim, esculpiu o seu nome na faixa que atravessa o peito da figura feminina.
Fonte: Wikipédia.
 
 
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Sábado, 5 de Agosto de 2006

Gema (mineralogia)

 
Uma selecção de seixos de gemas. Feito pela rocha áspera caindo com grão abrasivo, num cilindro a girar.

   Uma selecção de seixos de gemas.
  
Feito pela rocha áspera caindo com grão abrasivo, num cilindro a girar.
  O seixo maior tem 40 milímetros de comprimento.
 
        1 -  Turquesa                 7 -  Cornalina                 13 -  Rubi
        2 -  Hematite                  8 -  Pirita                        14 -  Moss agate
        3 -  Crisocola                 9 -  Sugilite                     15 -  Jaspe
        4 -  Olho de tigre          10 -  Malaquita                 16 -  Ametista        
        5 -  Quartzo                  11 -  Quartzo rosa             17 -  Blue lace agate  
        6 -  Turmalina              12 -  Obsidiana                 18 -  Lápis-lazúli
 
   

  
Uma gema é um mineral, rocha (como a lápis-lazúli) ou material petrificado que quando cortado e polido é coleccionável ou pode ser usado em joalharia. Outro é orgânico, como o âmbar (resina de árvore fossilizada) e azeviche (uma forma de carvão). Algumas gemas bonitas são demasiado macias ou frágeis para serem usadas em jóias como, por exemplo, o cristal simples de rodocrosita, mas são exibidos nos museus e procurados por coleccionadores.
 
Algumas gemas são manufacturadas para imitar outras gemas. Por exemplo, o zircónio cúbico ou zircão é um substituto sintético do diamante. As imitações copiam a aparência e a cor da pedra real mas não possuem as suas características químicas nem físicas. Entretanto, as gemas sintéticas não são necessariamente imitações. Por exemplo, o diamante, o rubi, a safira e a esmeralda podem ser manufacturados em laboratórios, com características químicas e físicas idênticas aos do artigo genuíno.
 
Os corindons artificiais, incluindo o rubi e a safira, são muito comuns e custam somente uma fracção das pedras naturais. Os diamantes artificiais menores foram utilizados em grandes quantidades como abrasivos industriais por muitos anos. Só recentemente, os diamantes artificiais maiores, da qualidade de gema, especialmente a variedade colorida, foram manufacturados.
 
Uma gema é apreciada especialmente pela beleza ou a grande perfeição. Portanto, a aparência é quase o atributo mais importante das gemas. A sua beleza deve também poder ser o teste do tempo. Se uma gema for riscada ou desintegrada, perde o seu valor imediatamente. As características que fazem o bonito da pedra ou desejável são a cor, fenómenos ópticos incomuns dentro da pedra, uma inclusão interessante tal como um fóssil, raridade e às vezes a forma do cristal natural. Não surpreende que o diamante seja altamente apreciado como uma gema, desde que é a substância mais dura conhecida e pode reflectir a luz como fogo e reluzir.
 
Tradicionalmente, gemas foram classificadas em pedras preciosas e em pedras semi-preciosas. A categoria anterior foi determinada, pela maior parte, por uma história do uso eclesiástico, devocional ou cerimonial e da raridade imposta pelos limites conhecidos dos depósitos e métodos disponíveis de colecção. Somente quatro tipos de gemas foram consideradas preciosas. Elas são:
  • Diamante
  • Rubi
  • Safira
  • Esmeralda
Hoje em dia, todas as gemas são consideradas "preciosas," embora as quatro originais "gemas cardinais" sejam geralmente, mas não sempre, as mais caras. Existem 130 espécies de minerais que foram cortados em gemas com 50 espécies no uso comum. Estes incluem:
  • Ágata
  • Alexandrita e outras variedades de chrysoberyl
  • Ametista
  • Água marinha e outras variedades de berilo
  • Crisocola
  • Crisoprase
  • Feldspato (pedra da lua)
  • Granada
  • Hematite
  • Jade - jadeite and nephrite
  • Jaspe
  • Lápis-lazúli
  • Malaquita
  • Obsidiana
  • Olivine (Peridot)
  • Opala
  • Pirita
  • Quartzo e suas variedades, como Olho de tigre, Citrino, Ágata, e Ametista
  • Spinel
  • Sugilite
  • Tanzanite e outras variedades de zoisite
  • Topázio
  • Turquesa
  • Turmalina
  • Zircónio
Os materiais artificiais usados como gemas:
  • vidro High-lead
  • zircônia cúbica sintética
  • corindon sintética
  • spinel sintética
  • moissanite sintética
Há um número de materiais orgânicos usados como gemas, incluindo:
  • Âmbar
  • Osso
  • Coral
  • Marfim
  • Jet (lignite)
  • Madrepérola
  • Pérola
     
Publicado por: Praia da Claridade às 00:17
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Sábado, 22 de Julho de 2006

Construções na Areia

 
Construções na areia - Praia da Figueira da Foz


 
Construções na areia (pormenor) - Praia da Figueira da Foz
 
 

Em tempo de praia, construir um castelo na areia é uma forma das crianças se divertirem e sociabilizarem. Contudo, esta brincadeira torna-se, por vezes, uma paixão, ou uma especialidade dentro do desporto de construções na areia, praticado quer por crianças quer por adultos.
 
As construções originais fazem-se, geralmente, com a própria areia da praia, constituída por sedimentos de rocha, que é molhada para permitir a fixação de estruturas. Porém, com o fascínio provocado pelas potencialidades deste passatempo, surgiram campeonatos, festivais e mesmo espectáculos de construções, que utilizam já misturas de areia com pequenas quantidades de argila para permitir construções ainda mais audazes.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

O Origami

 
Origami - insectos e flores
 
Origami - insectos e flores
 
 

Origami  é a arte japonesa de dobrar o papel. A origem da palavra advém do japonês ori (dobrar) gami (papel). Geralmente parte-se de um pedaço de papel quadrado, cujas faces podem ser de cores diferentes, prosseguindo-se sem cortar o papel.
 
No entanto, a cultura do Origami Japonês, que se desenvolve desde o Período Edo (divisão da história do Japão que vai de 1603 a 1867), não é tão restritiva acerca destas definições, por vezes cortando o papel durante a criação do modelo, ou começando com outras formas de papel que não a quadrada (rectangular, circular, etc.).
 
 
História
 
No início existia muito pouco papel disponível e, por isso, apenas os ricos podiam dobrar o papel. Os Japoneses encontraram utilidade para o seu origami: por exemplo, os Samurais teriam, algures no período Muromachi, trocado presentes na forma conhecida como noshi, que seria um papel dobrado com uma fatia de peixe seco ou carne. Isto era considerado um símbolo de boa-ventura. Também os nobres Shinto teriam celebrado casamentos envolvendo copos de licor de arroz em forma de borboletas que seriam dobradas para representar o noivo e a noiva.
 
Conforme se foram desenvolvendo métodos mais simples de criar papel, este foi-se tornando menos dispendioso, e o Origami foi-se tornando cada vez mais uma arte popular. Contudo, os japoneses sempre foram muito cuidadosos em não desperdiçar; guardavam sempre todas as pequenas réstias de papel, e usavam-nas nos seus modelos de origami.
 
Durante séculos não existiram instruções para criar os modelos origami, pois eram transmitidas verbalmente de geração em geração. Esta forma de arte viria a tornar-se parte da herança cultural dos japoneses. Em 1787 foi publicado um livro (Hiden Senbazuru Orikata) contendo o primeiro conjunto de instruções origami para dobrar um pássaro sagrado do Japão. O Origami tornou-se uma forma de arte muito popular, conforme indica uma impressão em madeira de 1819 intitulada "Um mágico transforma folhas em pássaros", que mostra pássaros a serem criados a partir de folhas de papel.
 
Em 1845 foi publicado outro livro (Kan no mado) que incluía uma colecção de aproximadamente 150 modelos Origami. Este livro introduzia o modelo do sapo, muito conhecido hoje em dia. Com esta publicação, o Origami espalha-se como actividade recreativa no Japão.
 
Não seriam apenas os Japoneses a dobrar o papel, mas também os Mouros, no Norte de África, que trouxeram a dobragem do papel para Espanha na sequência da invasão árabe no século VIII. Os mouros usavam a dobragem de papel para criar figuras geométricas, uma vez que a religião proibia-os de criar formas animais. Da Espanha espalhar-se-ia para a América do Sul. Com as rotas comerciais marítimas, o Origami entra na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:52
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