Segunda-feira, 15 de Agosto de 2005

O Canal do Panamá

O Canal do Panamá é um canal de 82 km que corta o
istmo do Panamá, ligando assim o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Devido à forma em S do Panamá, o Atlântico situa-se a oeste do canal e o Pacífico a leste, invertendo a orientação usual.

O canal tem dois grupos de eclusas no lado do Pacífico e um no lado do Atlântico. No lado Atlântico, as portas maciças de aço das eclusas triplas de Gatún têm 21 m de altura e pesam 745 toneladas cada uma, mas são tão bem contrabalançadas que um motor de 30 kW é suficiente para abri-las e fechá-las.
O
lago Gatún, que fica a 26 metros acima do nível do mar, é alimentado pelo rio Chagres, onde foi construída uma barragem para a formação do lago. Do lago Gatún, o canal passa pela falha de Gaillard e desce em direcção ao Pacífico, primeiramente através de um conjunto de eclusas em Pedro Miguel, no lago Miraflores, a 16,5 m acima do nível do mar, e depois através de um conjunto duplo de eclusas em Miraflores. Todas as eclusas do canal são duplas, de modo que os barcos possam passar nas duas direcções. Os navios são dirigidos ao interior das eclusas por pequenos aparelhos ferroviários. O lado do Pacífico é 24 cm mais alto do que o lado do Atlântico, e tem marés muito mais altas.

Diversas ilhas situam-se no lago Gatún, incluindo a ilha Barro Colorado, um famoso santuário mundial de vida selvagem.

História

O sonho de um canal atravessando o istmo da América Central tem as suas origens há séculos, e houve sérias discussões sobre a possibilidade da sua construção a partir dos anos 1820. As duas rotas mais favoráveis eram as rotas através do Panamá e através da Nicarágua, com uma rota através do istmo de Tehuantepec, no México, como terceira opção. A rota através da Nicarágua foi seriamente considerada e sobrevive até hoje. O caminho-de-ferro do Panamá foi construído através do istmo de 1850 a 1855. A funcionalidade dessa linha ferroviária foi um ponto-chave no plano de construção do canal do Panamá.

Antes da construção do canal do Panamá, a rota mais rápida para se viajar de barco de Nova Iorque à Califórnia era pelo Cabo Horn, no sul da América do Sul, uma rota longa e perigosa. Após o sucesso do Canal do Suez, no Egipto, os franceses estavam convencidos que eles conseguiriam ligar outros oceanos com pouca dificuldade. Ferdinand de Lesseps, que dirigiu a construção do Canal do Suez, foi inicialmente chamado para dirigir a construção deste novo canal, e a construção começou, finalmente, em 1 de Janeiro de 1880.

No entanto, havia uma vasta diferença entre escavar areia numa área seca e plana e remover enormes quantidades de pedras no meio da floresta tropical. Enchentes, desmoronamentos de barro e altas taxas de mortalidade por causa da malária, da febre amarela e de outras doenças tropicais acabaram por forçar os franceses a abandonarem o projecto, no episódio que ficou conhecido como os Escândalos do Panamá.

O presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt estava convencido de que os Estados Unidos podiam terminar o projecto, e reconheceu que o controle dos E.U. da passagem do Atlântico ao Pacífico seria de uma importância militar e económica considerável. O Panamá fazia então parte da Colômbia, de modo que Roosevelt começou as negociações com os colombianos para obter a permissão necessária. No início de 1903, o Tratado Hay-Herran foi assinado pelos dois países, mas o Senado colombiano não o ratificou. No que foi então, e ainda hoje é, um movimento polémico, Roosevelt deu a entender aos rebeldes panamianos que, se eles se revoltassem contra a Colômbia, a marinha dos Estados Unidos apoiaria a causa de independência panamiana. O Panamá acabou por proclamar a sua independência em 3 de Novembro de 1903, e o navio norte-americano U.S.S. Nashville, em águas panamianas, impediu toda e qualquer interferência colombiana.

Quando as lutas começaram, Roosevelt ordenou à Marinha dos Estados Unidos para estacionar os navios de guerra perto da costa panamiana para "exercícios e treinos". Muitos argumentam que o medo de uma guerra contra os Estados Unidos obrigou os colombianos a evitarem uma oposição séria ao movimento de independência. Os panamianos vitoriosos devolveram o favor a Roosevelt permitindo aos Estados Unidos o controle da Zona do Canal do Panamá em 23 de Fevereiro de 1904 por US$ 10 milhões (como previsto no Tratado Hay-Bunau-Varilla, assinado em 18 de Novembro de 1903).

O primeiro sucesso dos Estados Unidos foi eliminar a febre amarela, que matou tantos trabalhadores. Baseado nos trabalhos do médico cubano Juan Carlos Finlay, Walter Reed tinha descoberto em Cuba, durante a Guerra Hispano-Americana, que a doença era transmitida por mosquitos. Vinte mil trabalhadores franceses tinham morrido da doença; no entanto, as novas medidas sanitárias introduzidas pelo Dr. William C. Gorgas eliminaram a febre amarela em 1905 e melhoraram as condições de higiene e trabalho.

O primeiro engenheiro-chefe do projecto foi John Findlay Wallace. Atrapalhado pelas doenças e pela escassa organização, o seu trabalho não foi bom, e ele acabou por se demitir após 1 ano. O segundo engenheiro-chefe, John Stevens, construiu a maior parte da infra-estrutura necessária para a construção do canal, incluindo a construção de casas para os trabalhadores, a reconstrução do caminho-de-ferro do Panamá para acomodar o transporte de carga pesada e o projecto de um método eficiente de remoção dos restos da escavação por comboio. Ele demitiu-se em 1907. O coronel George Washington Goethals foi o último engenheiro-chefe, e a sua direcção do projecto foi muito apreciada. O trabalho ainda era difícil, mas diversos progressos foram feitos.

De Lesseps insistira num canal a nível do mar, mas os engenheiros franceses jamais encontraram uma solução para o problema causado pelo rio Chagres, que atravessava a linha do canal diversas vezes. O Chagres era passível de diversas cheias durante a estação das chuvas, e um canal a nível do mar implicaria a drenagem total do rio. O plano do canal a eclusas, finalmente escolhido por Stevens e construído por Goethals, controlou o Chagres através de um imenso aterro, formando uma barragem, em Gatún. O lago artificial resultante não somente fornecia a água e a energia hidroeléctrica para operar as eclusas, como também constituía uma "ponte de água" que cobria um terço da distância através do istmo. Sob a liderança de Goethals, o trabalho de engenharia no canal foi dividido na construção de represas, eclusas e lagos em ambos os lados, e o grande trabalho de escavação através da falha continental em Culebra, hoje conhecida como Falha de Gaillard. Mesmo com a mudança do plano inicial de um canal ao nível do mar para um canal a eclusas, o volume final escavado foi de quase quatro vezes o valor estimado inicialmente por Lesseps.

O presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson apertou o botão para a explosão do dique de Gambôa em 10 de Outubro de 1913, completando assim a construção do canal. Diversos trabalhadores das Índias Ocidentais trabalharam no canal, e sua mortalidade oficial eleva-se a 5.609 mortos.

Quando o canal entrou em actividade em 15 de Agosto
de 1914, era uma maravilha tecnológica. Uma complexa série de eclusas permitia até mesmo a passagem dos maiores navios. O canal foi um trunfo estratégico e militar importantíssimo para os Estados Unidos, e revolucionou os padrões de transporte marítimo. Os Estados Unidos usaram o canal durante a Segunda Guerra Mundial para revitalizar a sua frota devastada no Pacífico. Alguns dos maiores navios que os Estados Unidos tiveram que enviar pelo canal foram porta-aviões, em particular o Essex. Eles eram tão largos que, apesar das eclusas poderem contê-los, os postes de luz que ladeiam o canal tiveram que ser removidos para que pudessem passar. Os mais largos navios que podem atravessar o canal são conhecidos como Panamax.

O canal e a Zona do Canal em redor foram administrados pelos Estados Unidos até 1999, quando o controle foi passado ao Panamá, como previsto pelo Tratado Torrijos-Carter, assinado em 7 de Setembro de 1977, no qual o presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter cede aos pedidos de controle dos panamianos. O tratado previa uma passagem gradual do controle aos panamianos, que terminou pelo controle total do canal pelo Panamá em 31 de Dezembro de 1999.

O Panamá tem, desde então, melhorado o Canal, quebrando recordes de tráfego, financeiros e de segurança ano após ano.

O Canal do Panamá foi declarado uma das Sete maravilhas do mundo moderno pela Sociedade dos Estados Unidos de Engenheiros Civis.
Fonte: Wikipédia
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:18
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Agosto de 2005 às 10:36
Continuo a vir ouvir a minha "helena" suponho que agora en nova versão, mas melhor acompanhada por outras boas músicas.
um abraçoacacio simoes
(http://atonito.blogspot.com/)
(mailto:acacio.luis.simoes@iol.pt)


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