Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

Hino de Portugal


"A Portuguesa",  que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu Hino Nacional),  nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "Mapa cor-de-rosa".

Em Portugal, a reacção popular contra os ingleses e contra a monarquia, que permitia esse género de humilhação, manifestou-se de várias formas. "A Portuguesa" foi composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizada desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911  (na mesma data foi também adoptada a bandeira nacional).

A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) - onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses - veio substituir o Hymno da Carta,  então o hino da monarquia.

Em 1956, existiam no entanto várias versões do hino, não só na linha melódica, mas também nas instrumentações, especialmente para banda, pelo que o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de A Portuguesa. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então.

Nota-se na música uma influência clara do hino nacional francês, La Marseillaise, também ele um símbolo revolucionário.

O hino é composto por três partes, cada uma delas com duas quadras (estrofes de quatro versos), sendo as duas primeiras quadras seguidas do refrão, uma quintilha (estrofe de cinco versos). É de salientar que, das três partes do hino, apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas.

A Portuguesa é executada oficialmente em cerimónias nacionais, civis e militares, onde é prestada homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Do mesmo modo, em cerimónias oficiais no território português por recepção de chefes de Estado estrangeiros, a sua execução é obrigatória depois de ouvido o hino do país representado.

A Portuguesa é mencionada no § 2° do Artigo 11° da Constituição
:
"2. O Hino Nacional é A Portuguesa".


A Portuguesa


Data:     1890 (com alterações de 1957)
Letra:    Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu.

Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.

Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Alfredo Keil  foi um compositor de música, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador de arte português. Nasceu em 8 de Julho de 1854 em Lisboa e morreu em 4 de Outubro de 1907 em Hamburgo, na Alemanha. Era filho de João Cristiano Keil e de Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã, que se tinha estabelecido em Portugal. Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Kremling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal. Em 1890, o ultimato da Inglaterra a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição da música do canto patriótico "A Portuguesa", com versos de Henrique Lopes de Mendonça. A cantiga tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita Hino Nacional de Portugal - "A Portuguesa".

Henrique Lopes de Mendonça, historiador, dramaturgo e romancista (1856-1931), casado com Amélia Bordalo Pinheiro, teve dois filhos que deixaram também o nome ligado às letras e artes: Virgínia Lopes de Mendonça (1881-1969) contista e dramaturga, e Vasco Lopes de Mendonça (1881-1963), ceramista e caricaturista.
Foi autor da letra de "A Portuguesa", Hino Nacional de Portugal.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Publicado por: Praia da Claridade às 00:15
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2 comentários:
De Anónimo a 17 de Agosto de 2005 às 18:25
Este seu artigo vem mesmo a propósito, no dia em que joga a selecção nacional. Cumprimentos.Maria do Céu
(http://madrigal.blogsome.com/category/maria-do-ceu-costa/)
(mailto:mariaceucosta@sapo.pt)


De Anónimo a 17 de Agosto de 2005 às 16:37
Amigo Filipe: As coisas que nós vamos aprendendo ao consultar o teu blog. Este sobre o hino nacional poucas pessoas terão conhecimento sobre ele.Aliás atrevo-me a dizer: MESMO MUITO POUCAS! Cumprimentos fbFernando Bento
</a>
(mailto:Solibento@sapo.pt)


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