Quarta-feira, 14 de Setembro de 2005

O Sarampo


O Sarampo é uma doença causada pelo vírus do sarampo e transmitida por via respiratória. Apesar de geralmente de resolução sem problemas, esta doença ainda é uma das causas mais frequentes de óbito em crianças em muitas regiões, particularmente em países onde a vacinação em massa não é satisfatória.

Vírus do Sarampo

  • Grupo: Grupo V ((-)ssRNA)
  • Ordem: Mononegavirales
  • Família: Paramyxoviridae
  • Género: Morbillivirus
  • Espécie: Vírus do sarampo
O vírus do sarampo é um vírus com genoma de RNA simples de sentido negativo (a sua cópia é que é mRNA e serve para síntese proteica). É um vírus envelopado (com membrana lípidica externa) pleomórfico com cerca de 150-300 nanómetros.

Induz a fusão de células infectadas formando células gigantes, o que facilita a sua circulação e multiplicação sem ser reconhecido e inactivado por anticorpos circulantes, e é resistente ao complemento. Ele infecta as células fundindo a sua membrana (envelope) com a da célula após acoplagem da sua proteína envelopar fusão a receptor especifico. Reproduz-se no citoplasma da célula. A sua multiplicação destrói as células excepto nos neurónios. As eritemas cutâneos são causados mais pela acção do sistema imunitário contra o vírus que por ele próprio. A resolução da doença dá imunidade para toda a vida.

Epidemiologia

É um dos quatro exantemas da infância clássicos, como a varicela, rubéola, eritema infeccioso e roséola. É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias como espirros e tosse. Após o inicio do uso da vacina tornou-se rara nos países que a utilizam de forma eficaz, como América do Norte e Europa. Contudo ainda causa 40 milhões de casos e um a dois milhões de mortes por ano em países sem programas de vacinação eficientes. As epidemias tendem a ocorrer a cada dois ou três anos, necessitando do nascimento de novas crianças susceptíveis para se propagar.

Progressão e Sintomas

O período de incubação, que ocorre entre a infecção e o início dos sintomas, é de cerca de 10 dias (variando de 8 a 14). Antes de surgirem os sintomas o doente já é altamente contagioso. As manifestações iniciais são febre alta (até 40ºC), tosse rouca e persistente, rinite alérgica, conjuntivite e fotofobia (hipersensibilidade à luz). Na boca surgem manchas brancas (manchas de Koplic) na mucosa da boca (interior das bochechas) que são diagnósticas. Após isso surgem manchas maculopapulares avermelhadas frequentemente confluentes (eritemas) na pele, inicialmente do rosto e que progridem em direcção aos pés, durando pelo menos três dias, e desaparecendo na mesma ordem de aparecimento.

O sarampo pode causar complicações como otite, pneumonia (oriunda do próprio vírus do sarampo ou secundariamente, por bactérias) e encefalite. O sarampo geralmente é mais grave em desnutridos, gestantes, recém-nascidos e pessoas portadoras de imunodeficiências. Em gestantes, pode causar abortos espontâneos e parto prematuro, embora não sejam conhecidos casos de malformações congénitas associadas à infecção pelo sarampo. A doença também pode agravar a tuberculose, em pessoas ainda não tratadas dessa doença pulmonar.

A encefalite geralmente ocorre em 15% dos casos (0,5% resultam em morte) e surge uma semana depois do inicio da doença. Outra forma de encefalite, pós infecciosa, será de natureza auto-imune. A pneumonia por bactérias oportunistas é responsável por 60% das mortes por sarampo.

A infecção por vírus mutante pode dar origem a um terceiro tipo de encefalite muito grave, encefalite esclerosante sub-aguda, numa pequena minoria de doentes (7 em um milhão), ocorrendo vários anos após o episódio agudo, com distúrbios nas funções intelectuais (memória, personalidade, comportamento).

A mortalidade é de 0,1% em crianças de boa saúde e nutrição, mas pode subir até 25% em crianças sub-nutridas.

Diagnóstico e Tratamento do Sarampo

O diagnóstico é clínico devido às características muito típicas, especialmente as manchas de Koplik. Pode ser feita detecção de antigénios em amostra de soro.
Antigénio é toda partícula ou molécula capaz de iniciar a produção de um anticorpo específico.

Não há cura. A prevenção é por vacina de vírus vivo de baixa virulência.

História

O sarampo hoje é uma doença de infância pouco perigosa mas não terá sido sempre assim. A alta mortalidade que provocou nos ameríndios sem defesas imunitárias ou genéticas quando foi introduzido na América no seguimento da descoberta de Colombo, indica que a sua introdução na Europa poderá ter sido igualmente traumática, e terá provavelmente ocorrido nos últimos séculos da existência do Império romano, em cujo declínio e queda as suas epidemias combinadas com as da varíola terão tido importância significativa. O termo ameríndio é usado para designar os nativos do continente americano, em substituição às palavras "índios", "indígenas" e outras consideradas preconceituosas.

A doença era desconhecida antes da era cristã, Hipócrates não descreve nada parecido. A epidemia terá surgido na Europa nos séculos II e III dC, matando grande proporção da população totalmente não imune do Império romano, como mais tarde faria na América, e sendo um factor principal do declínio dessa civilização. Segundo alguns autores conceituados (o historiador William McNeil entre outros) terá sido a queda da população de Roma e do seu império devido às doenças antes desconhecidas varíola, sarampo e varicela que diminuiu a população do império ao ponto de leis serem decretadas da hereditariedade das profissões, postos oficiais e redução à servidão dos agricultores antes livres, dando origem ao feudalismo.

Nesta situação de debilidade, os povos germânicos e outros terão encontrado a oportunidade de se estabelecer nas terras quase vazias devido à epidemia no império, de inicio com a aquiescência dos oficiais romanos, desesperados com a queda dos rendimentos fiscais. Só depois desta época terão sido a varíola e o sarampo frequentes na Europa, e naturalmente atingindo as crianças não imunes, ao contrário das epidemias raras, que matam os adultos. A infecção das crianças, com morte das susceptíveis mas imunidade para as sobreviventes, é menos danosa para uma civilização que a de adultos já ensinados, donde se explica os graves problemas criados em Roma pela morte de adultos que não tinham encontrado a doença nas suas infâncias.

Na China o panorama terá sido semelhante, e também aí caiu pela mesma altura o Império Han. Julga-se que estas doenças terão sido importadas simultaneamente nessa altura da Índia para as duas grandes civilizações dos extremos da Eurásia, e não será talvez coincidência que foi precisamente nos século I e século II dC que as rotas comerciais para a Índia e a rota da seda para a China foram estabelecidas pela primeira vez, ligando as três regiões com grande débito de mercadorias e comerciantes.

O sarampo foi um dos principais responsáveis pela destruição das populações nativas da América após a sua importação da Europa com Colombo. Juntamente com a Varíola, Varicela e outras doenças, ela matou mais de 90% da população do continente, derrotando e destruindo as civilizações Asteca e Inca muito mais que Hernán Cortéz (1) e Francisco Pizarro (2) alguma vez seriam capazes.

A primeira descrição reconhecível do sarampo é atribuída ao médico árabe Ibn Razi (860-932) - conhecido como Rhazes na Europa. O vírus foi isolado apenas em 1954,  e a vacina foi desenvolvida em 1963.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


(1) -
Entre 1519 e 1526 Hernan Cortez, conquistador espanhol, o intrépido capitão que venceu e aniquilou a maior e mais poderosa civilização do Novo Mundo: o império Asteca.

(2) - Em 1534, o conquistador espanhol Francisco Pizarro iniciou o processo de desintegração do império Inca, derrotando o imperador Atahualpa e o seu exército, e depois fundando sobre os escombros incas uma cidade espanhola Cuzco, localizada no Peru, o que originou um património arquitectónico único no mundo, combinando traços de duas grandes culturas: espanhola e inca.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:08
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1 comentário:
De Anónimo a 14 de Setembro de 2005 às 10:17
É claro que também tive essa coisa e lembro-me do papel de seda vermelho nas janelas do quarto por causa da conjuntivite.
um abraçoVô-Zé
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