Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Zeca Afonso

 
Zeca Afonso - Monumento em Grândola

Zeca Afonso - Monumento em Grândola

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Comemora-se hoje o 20º aniversário do seu falecimento.
 
 
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987), mais conhecido por Zeca Afonso, foi um cantor e compositor de música de intervenção português. Escreveu, entre outras coisas, música de crítica à ditadura fascista que vigorou em Portugal desde 1933 até 1974.
 
Biografia
 
Foi criado pela tia Gé e pelo tio Xico, numa casa situada no Largo das Cinco Bicas, em Aveiro, até aos 3 anos (1932), altura em que foi viver com os pais e irmãos, que estavam em Angola havia 2 anos.
 
A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, os grandes rios atravessados em jangadas, a floresta, esconderam-lhe a realidade colonial. Só anos mais tarde saberá o quão amarga é essa sociedade, moldada por influências do "apartheid".
 
Em 1937, volta para Aveiro onde é recebido por tias do lado materno, mas parte no mesmo ano para Moçambique, onde se reencontra com os pais e irmãos em Lourenço Marques (agora Maputo), com quem viverá pela última vez até 1938, data em que vai viver com o tio Filomeno, em Belmonte.
 
O tio Filomeno era, na altura, presidente da Câmara de Belmonte. Lá, completou a instrução primária e viveu o ambiente mais profundo do Salazarismo, de que seu tio era fervoso admirador. Ele era pro-franquista e pró-hitleriano e levou-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. "Foi o ano mais desgraçado da minha vida", confidenciou Zeca.
 
Zeca Afonso vai para Coimbra em 1940 e começa a cantar por volta do quinto ano no Liceu D. João III. Os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. Inicia-se em serenatas e canta em «festarolas de aldeia». O fado de Coimbra, lírico e tradicional, era principalmente interpretado por si.
 
Os meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo, inspiraram-lhe para a sua balada «Menino do Bairro Negro». Em 1958, José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra". Grava também, mais tarde, "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa" (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira), se torna um dos símbolos de resistência antifascista da época. Foi neste período (1958-1959) professor de Francês e de História na Escola Comercial e Industrial de Alcobaça.
 
Em 1964, parte novamente para Moçambique, onde foi professor de Liceu, desenvolvendo uma intensa actividade anti-colonialista o que lhe começa a causar problemas com a polícia política pela qual será, mais tarde, detido várias vezes.
 
Quando regressa a Portugal, é colocado como professor em Setúbal, mas, devido ao seu activismo contra o regime, é expulso do ensino e, para sobreviver, dá explicações e grava o seu primeiro álbum, "Baladas e Canções".
 
Entre 1967 e 1970, Zeca Afonso torna-se um símbolo da resistência democrática. Mantém contactos com a LUAR e o PCP o que lhe custará várias detenções pela PIDE. Continua a cantar e participa, em 1969, no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat", em Paris, e grava também o LP "Cantares do Andarilho", recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa em virtude de ser alvo de censura.
 
Em 1971, edita "Cantigas do Maio", no qual surge "Grândola Vila Morena", que será mais tarde imortalizada como um dos símbolos da Revolução de Abril. Zeca participa em vários festivais, sendo também publicado um livro sobre ele e lança o LP "Eu vou ser como a toupeira". Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava o álbum "Venham mais cinco".
 
Após a Revolução dos Cravos continua a cantar, grava o LP "Coro dos tribunais" e participa em numerosos "cantos livres". A sua intervenção política não pára, tornou-se um admirador do período do PREC e em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na sua candidatura à Presidência da República.
 
Os seus últimos espectáculos decorrem nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, quando Zeca Afonso já se encontrava doente. No final deste ano, é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa. Mais tarde, em 1994, é feita nova tentativa a título póstumo, mas a sua mulher recusa, dizendo que, se o marido a não tinha aceitado em vida, não seria depois de morto que a iria receber.
 
Em 1985 é editado o seu último álbum de originais, "Galinhas do Mato", em que, devido ao avançado estado da doença, José Afonso não consegue cantar a totalidade das canções. Em 1986, já em fase terminal da sua doença, apoia a candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo à Presidência da República.
 
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, faz hoje 20 anos, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Será certamente recordado como um resistente que conseguiu trazer a palavra de protesto antifascista para a música popular portuguesa e também pelas suas outras músicas, de que são exemplo as suas baladas.
 
 
Discografia
  • Balada do Outono (1960, EP)
  • Baladas de Coimbra (1962, EP)
  • Ó vila de Olhão (1964, single)
  • Cantares de José Afonso (1964, EP)
  • Baladas e canções (1964)
  • Cantares de andarilho (1968)
  • Contos velhos rumos novos (1969)
  • Menina dos olhos tristes (1969, single)
  • Traz outro amigo também (1970)
  • Cantigas do Maio (1971)
  • Eu vou ser como a toupeira (1972)
  • Venham mais cinco (1973)
  • Coro dos tribunais (1974)
  • Viva o poder popular (1974, single)
  • Grândola, vila morena (1974, EP)
  • Com as minhas tamanquinhas (1976)
  • Enquanto há força (1978)
  • Fura fura (1979)
  • Ao vivo no Coliseu (1983, álbum duplo)
  • Como se fora seu filho (1983)
  • Galinhas do mato (1985)
Fonte: Wikipédia. 
Grândola Vila Morena
(para ouvir esta canção, desligue a que está a tocar na coluna esquerda)




....................... 
Música: Traz outro amigo também
Temas:
Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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15 comentários:
De JOSE LESSA a 23 de Fevereiro de 2007 às 10:13
NÃO PUDE EVITAR UM ARREPIO NEM QUE UMA LÁGRIMA SE SOLTA-SE NA FACE AO LER O TEMA DE HOJE.
O ZECA FOI, É E SERÁ UMA FIGURA IMPAR, QUER COMO MUSICO QUER COMO SER HUMANO, MUITAS HORAS PASSEI A OUVIR AS SUAS BALADAS EM ANGOLA QUANDO A CUMPRIR SERVIÇO MILITAR, ELE COM AS SUAS MUSICAS FOI UMA DAS VOZES MAIS OUVIDAS CONTRA O REGIME DA DITADURA.
ANARQUISTA CONVICTO TUDO FEZ PARA DESTABILIZAR O REGIME.
20 ANOS DEPOIS E APESAR DE MUITAS MUDANÇAS OS POBRES ESTÃO CADA VEZ MAIS POBRES E OS RICOS CADA VEZ MAIS RICOS.
FICA-ME A MEMÓRIA DE UM HOMEM COM H GRANDE DAQUELES QUE ANTES QUEBRAR QUE TORCER QUAL DINOSSAURO EM FASE DE EXTINÇÃO...
ONDE QUER QUE ESTEJAS ZECA VAIS VER LOGO MAIS PELA NOITE UMA LUZ QUE VOU COLOCAR NA MINHA JANELA.
pARA O fILIPE OS MEUS RENOVADOS PARABENS PELO TRABALHO
JOSÉ LESSA


De Vô-Zé a 23 de Fevereiro de 2007 às 11:17
O seu comentário é um "belo poema". Parabéns.


De jose lessa a 23 de Fevereiro de 2007 às 15:34
VÔ-ZÉ
OBRIGADO PELO COMENTÁRIO, EU NÃO O MEREÇO MAS VAI DIREITINHO PARA O ZECA AFONSO, ELE SIM DIGNO DE TODOS NÓS PORTUGUESES QUE AMAMOS A NOSSA PÁTRIA, NÃO PACTUAMOS É COM NOVOS RICOS QUAIS AVES DE RAPINA, SEMPRE A ESPERA QUE UM HOMEM CAIA PARA O EMPURRAR AINDA MAIS PARA A VALETA.
joselessa@sapo.pt


De Florinda a 23 de Fevereiro de 2007 às 10:19
Oi lindo! Desculpa a demora para comentar, mas é que tive uns virus no meu computador e ainda tenho problemas em algumas páginas da internet, mas mesmo assim não desisti. Zeca Afonso realmente foi um grande cantor português, gosto das musicas dele, e viva a liberdade de expressão. Também reparei que mais uma vez os açores estiveram em alta no teu blog, e fico feliz por isso, assim não te esqueces de mim. Já estou a melhorar graças a Deus, o que passou, passou agora é seguir em frente. Agora despeço-me com mil beijinhos da fã do teu blog, e até ao próximo comentário.


De Vô-Zé a 23 de Fevereiro de 2007 às 11:14
...Uma voz especial. Aquele "falsete" deve ser completamente inimitável.


De Sindarin a 23 de Fevereiro de 2007 às 13:34
Olá Filipe! Se havia pessoa k admirasse o Zeca era eu e sou. Uma grande perda, um grande homem. Um beijinho amigo. Bfsemana.


De soaresesilva a 23 de Fevereiro de 2007 às 18:52
Para além do Homem e do lutador, admiro nele o artista. Voz lindíssima a interpretar lindas melodias. Ouvi-o pela primeira vez em Alenquer, numa noite de fados de Coimbra, juntamente com o Luis Gois. Nessa altura ele era um dos grandes interprets das baladas de Coimbra. Mais tarde é que se começou a falar dele como o símbolo da resistência contra a ditadura. Em qualquer dos campos, a qualidade da sua música manteve-se sempre ao mais alto nível.


De Jofre Alves a 23 de Fevereiro de 2007 às 18:59
Zeca Afonso, Sempre! Pela sua música, mas essencialmente pelo símbolo de toda uma geração, o sonhador da utopia fraterna duma humanidade melhor, o cantor, o político, o resistente, o poeta, o compositor, o baladeiro, o cidadão de exemplar consciência cívica, e também o professor (perseguido e proibido de exercer o magistério, pela sua grande coragem moral!).

Foi homem exemplar, modesto com as grandes figuras o são sempre, e totalmente desprendido da vã ambição dos bens materiais, sólido no carácter.

A propósito do Zeca, recordo estes vilmente esquecidos: José Mário Branco, Francisco Fanhais, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, Fausto, Tino Flores, Manuel Freire, etc.

Como sempre, a página do Filipe é uma mais valia. Óptimo fim-de-semana.


De aquimetem a 23 de Fevereiro de 2007 às 22:04
É desta espécie de homens que Portugal continua carenciado. Homens de uma só cara e de uma só palavra, daqueles que com coragem saibam no momento certo, e em consciência, dizer perante as circunstâncias o seu radical: Sim ou Não ! Por vezes somos nós quem fazemos as pessoas más porque as pintamos com a cor que nos apetece. Não conheci pessoalmente o Zeca Afonso, mas o seu amigo Fanhais e outros artistas intervencionistas, sim, vi-os actuar. Um abração


De eduardo a 23 de Fevereiro de 2007 às 23:55
Olá amigo. Parabéns pelo poste . Zeca Afonso foi um símbolo da resistência que sempre admirei, apesar de não comungar do seu percurso politico. As suas canções - a força que nos animava - são para mim uma marca que não esquece. Talvez que para isso também tenha contribuído o facto de eu gostar de fado de Coimbra, mas as letras são tão mais importantes que a própria música. É com alguma saudade que hoje relembro o poeta. Bom fim de semana.


De maripossa a 24 de Fevereiro de 2007 às 00:05
Amigo Filipe,este texto sobre o nosso Zeca Afonso,que posso eu dizer o que tudo mais disseram os amigos,pois todos são de bem para entender o homem que foi o Zeca o que ele deixou de música para além de ser um lutador o homemque fez frente ao regime implantado em portugal que não deixou os portuguêses ser algém e ter de fugir para ter uma vida digna,e tirando os que fugiram as celas a onde eles apodreciam de doença e fome,por tudo isto sempre ZECA AFONSO em Grándula Vila Morena,em

Amigo maior que pensamento!.
Por essa estrada meu amigo vem!
Não percas tempo que o vento.
É teu amigo também
e muitas mais..
Filipe a todos os que comentáram neste blog os meus comprimentos pela estima ao Homem ZECA AFONSO


De isa&luis a 24 de Fevereiro de 2007 às 11:25
Olá amigo,

Obrigada pelo momento divino que tive ao ler-te.

Zeca Afonso ficará sempre tatuado nos nossos corações.

Bom fim de semana com muito sol, luz e alegria.

Beijos

Isa


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