Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

Almeida Garrett

 
Almeida Garrett, pelo escultor A. Pinheiro

Almeida Garrett, pelo escultor A. Pinheiro

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João Baptista da Silva Leitão e mais tarde visconde Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
 
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D.Maria II   
e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
 
 
Biografia
 
Primeiros anos
 
João Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto a 4 de Fevereiro, faz hoje 208 anos. Na adolescência foi viver para os Açores, em Angra do Heroísmo, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra. Em 1816 seguiu para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Em 1821
publicou O Retrato de Vénus, trabalho que lhe custou um processo por ser considerado materialista, ateu e imoral. É neste mesmo ano que ele e a sua família passam a usar o apelido de Almeida Garrett.
 
Presença nas lutas liberais
 
Participou da revolução liberal de 1820, seguindo para o exílio na Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Antes havia casado com Luísa Midosi, de apenas 14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores, e visitando castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior. Em 1824, seguiu para França, onde escreveu Camões (1825) e Dona Branca (1826), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Em 1826 foi amnistiado e regressou à pátria com os últimos emigrados dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário O Português (1826-1827) e o semanário O Cronista (1827). Teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Rei absolutista D. Miguel. Ainda nesse ano perdeu a filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828) e Catão (1828
).
 
Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833
.
 
Vida política
 
A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde lê Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional  e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D.Maria II, em Lisboa
). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro.
 
Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett afasta-se da vida política até 1852. Contudo, em 1850 subscreveu, com mais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa
, mais conhecida por “lei das rolhas”.
 
Garrett sedutor
 
A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dandy, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal. Separado da esposa, passa a viver em mancebia com D. Adelaide Pastor até à morte desta, em 1841. A partir de 1846, a sua musa é a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, inspiradora dos arroubos românticos das Folhas caídas. Em 1851, Garrett é feito visconde de Almeida Garrett em duas vidas, e em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta dos Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque de Saldanha
.
 
Falece em 1854, vítima de cancro, em Lisboa, na sua casa situada na actual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique
.
 
 
Obra
 
Teatro
 
Dá inicio ao seu projecto de regeneração do teatro português, levando à cena em 1838 Um Auto de Gil Vicente, pouco depois Filipa de Vilhena  e, em 1842, O Alfageme de Santarém, todas sobre temas da história de Portugal. Em 1844 é publicada a sua obra-prima, Frei Luís de Sousa, que um crítico alemão, Otto Antscherl, considerou a "obra mais brilhante que o teatro romântico produziu". Estas peças marcam uma viragem na literatura portuguesa não só na selecção dos temas, que privilegiam a história nacional em vez da antiguidade clássica, como sobretudo na liberdade da acção e na naturalidade dos diálogos
.
 
Prosa
 
Em 1843, Garrett publica o Romanceiro  e o Cancioneiro Geral, colectâneas de poesias populares portuguesas, e em 1845 o primeiro volume d'O Arco de Santana  (o segundo apareceria em 1850), romance histórico inspirado por Notre Dame de Paris de Victor Hugo. Esta obra seduz não só pela recriação do ambiente medieval do Porto, mas sobretudo pela qualidade da prosa
, desespartilhada das convenções anteriores e muito mais próxima da linguagem falada.
 
A obra que se lhe seguiu deu expressão ainda mais vigorosa a estas tendências: Viagens na minha terra, livro híbrido em que impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes se entrelaçam com uma novela romântica sobre factos contemporâneos do autor e ocorridos na proximidade dos lugares descritos (outra inovação para a época, em que predominava o romance histórico). A naturalidade da narrativa disfarça a complexidade da estrutura desta obra, em que alternam e se entrecruzam situações discursivas, estilos, narradores e temas muito diversos.
 
Poesia
 
Na poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas colectâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior. Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais. A liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação carregados de subjectividade
são as principais marcas destas obras.
 
 
Cronologia das obras (primeiras edições ou representações)
  • 1819 Lucrécia
  • 1821 O Retrato de Vénus; Catão (representação); Mérope (representação)
  • 1822 O Toucador
  • 1825 Camões
  • 1826 Dona Branca
  • 1828 Adozinda
  • 1829 Lírica de João Mínimo; Da Educação (ensaio)
  • 1830 Portugal na Balança da Europa (ensaio)
  • 1838 Um Auto de Gil Vicente
  • 1841 O Alfageme de Santarém (1842 segundo algumas fontes)
  • 1843 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomo 1; Frei Luís de Sousa (representação)
  • 1845 O Arco de Sant'Ana - tomo 1; Flores sem fruto
  • 1846 Viagens na minha terra; D. Filipa de Vilhena (inclui Falar Verdade a Mentir e Tio Simplício)
  • 1848 As profecias do Bandarra; Um Noivado no Dafundo; A sobrinha do Marquês
  • 1849 Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira
  • 1850 O Arco de Sant'Ana - tomo 2;
  • 1851 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomos 2 e 3
  • 1853 Folhas Caídas
  • 1871 Discursos Parlamentares e Memórias Biográficas (antologia póstuma)
 
Publicações periódicas 
     1827 O cronista

Relevância na literatura portuguesa
 
No
século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett era geralmente tida como uma das mais geniais da língua, inferior apenas à de Camões. A crítica do século XX (notavelmente João Gaspar Simões) veio questionar esta apreciação, assinalando os aspectos mais fracos da produção garrettiana. No entanto, a sua obra conservará para sempre o seu lugar na história da literatura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novos rumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett, até pelo acentuado individualismo que atravessa toda a sua obra, merece ser considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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4 comentários:
De JOSÉ LESSA a 4 de Fevereiro de 2007 às 00:10
JÁ ALGUEM SUGERIU QUE LHE FOSSE ATRIBUIDO UM PRÉMIO PELA DIVULGAÇÃO QUE FAZ DOS ILUSTRES DESTE PAIS BEM COMO DAS CIDADES DE PORTUGAL.
A ISSO CHAMA-SE PATRIOTISMO.
AQUELE ABRAÇO,
JOSE LESSA


De Florinda a 4 de Fevereiro de 2007 às 13:56
Oi Filipe! Mais um post da nossa história de Portugal, gostei de saber que mais uma vez os açores entraram na nossa grande história, assim eles não são esquecidos é que tem pessoas que ouvem pouco faar dos açores e pensam que os açores pertecem á mandeira, mas ambas são muito diferentes lá por serem ilhas não quer dizer nada. Agradeço imenso os seus comentários e obrigado por mais uma aula de história beijinhos e agradeço imenso as visitas ao meu blog.


De soaresesilva a 4 de Fevereiro de 2007 às 18:03
Tenho, deixadas pelo meu Avó Paterno, as obra completas do Almeida Garrett. Li muitas delas não só porque era obrigatório no liceu, mas porque sempre me fascinaram. Claro que, de entre todas, destaco as Viagens na minha Terra, que, de vez em quando, releio co o mesmo prazer.


De maripossa a 4 de Fevereiro de 2007 às 23:28
Amigo Filipe,espero que o seu domingo,tenha sido de saúde e boa disposição,sobre o nosso poeta ALMEIDA GARRET,ainda me lenbro bem de na escola se ler as Viagens da Minha Terra,era grade Poeta escritor,e dramaturgo,com algumas peças de teatro.
Amigo Filipe,passei um pouco tarde mas não esqueci..Beijinho amigo fica bem.
Maripossa


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