Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Regicídio de 1908

 
Praça do Comércio e Arco Triunfal da Rua Augusta - Lisboa

Praça do Comércio e Arco Triunfal da Rua Augusta - Lisboa

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O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio (mais conhecida por Terreiro do Paço), em Lisboa, faz hoje 99 anos, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do Rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe.
 
O atentado ficou a dever-se ao progressivo desgaste do sistema político português, vigente desde a Regeneração (designação dada ao período da Monarquia Constitucional portuguesa que se seguiu à insurreição militar de 1 de Maio de 1851 que levou à queda de Costa Cabral e dos governos de inspiração setembrista), em parte devido à erosão política originada pela alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador. O Rei, como árbitro do sistema político, papel que lhe era atribuído pela constituição, havia designado João Franco para o lugar de Presidente do Conselho de Ministros (chefe do Governo). Este, dissidente do Partido Regenerador, solicitou ao Rei o encerramento do Parlamento para poder implementar uma série de medidas com vista à moralização da vida política. Com esta medida acirrou-se toda a oposição, não só a republicana (bastante activa em Lisboa), mas também a monárquica, liderada pelos políticos rivais de Franco. O Rei tornou-se então no alvo de todas as críticas, que acusavam Franco de governar em ditadura. A questão dos Adiantamentos à Casa Real (regularização das dívidas régias ao Estado, sendo que a Lista Civil da Casa Real não era revista há mais de cinquenta anos), e a assinatura do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, que previa a expulsão sumária para as colónias dos envolvidos numa intentona republicana ocorrida dois dias antes, precipitaram os acontecimentos. O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em
Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no Inverno. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor D. Luís, com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 17 horas da tarde. Apesar do clima de grande tensão, o Rei optou por seguir em carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar normalidade. Enquanto saudavam a multidão presente na Praça, a carruagem foi atacada por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Seguiram-se vários disparos; o Príncipe Real conseguiu ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na face por um outro disparo. A rainha, de pé, defende-se com o ramo de flores que lhe fora oferecido, fustigando um dos atacantes, que subira o estribo da carruagem. O infante D. Manuel é também atingido num braço. Dois dos regicidas, Manuel Buíça, professor primário expulso do Exército e Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, são mortos no local. Outros fogem. A carruagem entra no Arsenal da Marinha, onde se verifica o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono, não se tendo praticado autópsias.
 
O infante sobrevivente,
D. Manuel II, reinaria até 1910. Após o atentado, pediu a demissão de João Franco do Governo, que não impedira a morte do Rei. O Governo de "Acalmação" lançou um rigoroso inquérito, primeiro presidido pelos juízes Alves Ferreira e depois por José da Silva Monteiro e Dr. Almeida e Azevedo que ao longo dos dois anos seguintes veio a apurar que o atentado fora cometido por membros da Carbonária, que pretendia liquidar a Monarquia. O processo de investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro. Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos do assassinato como Alberto Costa (Pad Zé), Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes e outros. Alguns dos elementos estavam refugiados no Brasil e em França, e dois, pelo menos, foram mortos pela Carbonária (sociedade secreta e revolucionária). O regicídio de 1908 acabou por abreviar a monarquia ao colocar no trono o jovem D.Manuel II e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros, com gáudio dos republicanos. A Europa ficou revoltada com este atentado, uma vez que D. Carlos era estimado pelos restantes Chefes de Estado europeus. Logo a seguir à Proclamação da República, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório que o levou a Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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10 comentários:
De padeiradealjubarrota a 1 de Fevereiro de 2007 às 00:39
Apesar das circunstâncias vividas, custa-me a compreender a brutalidade desse atentado, ali, no Terreiro do Paço. Assim como, o massacre dos Judeus, no Rossio.


De smareis a 1 de Fevereiro de 2007 às 04:06
Oi querido amigo
Passando pra deixar um carinho e agradcer pelas linda palavras que sempre deixa no meu cantinho.
O Amor é plantado,e com carinho cultivado,a Amizade vem faceira,e com troca de alegria e tristeza,torna-se uma grande e querida companheira.
Obrigada por sua amizade e seu carinho.
Estarei viajando , mas logo estarei de volta. Meu cantinho esta aberto, atualizado e te esperando sempre com muito carinho.
Obrigada pela amizade!


Bjs em seu coração.

Smareis!


De soaresesilva a 1 de Fevereiro de 2007 às 12:44
Uma triste página da nossa História! A minha Avó materna, monárquica ferrenha, contava-nos muitas vezes este acontecimento com lágrimas na voz. Que pena nem todas as revoluções se poderem fazer sem derramaamento de sangue.


De TiBéu ( Isa) a 1 de Fevereiro de 2007 às 15:03
Como é bom recordar a nossa História de Portugal, para isso precisamos de ter amigos como tu que nos dão este prazer. Muito obrigada e que tudo esteja a correr bem contigo. Um bj


De aquimetem a 1 de Fevereiro de 2007 às 16:26
Uma óptima lição de história que fazia muito jeito aos alunos e até a certos professores que parece sabem tanto como eles. Mas ninguém tem culpa, se não foi ensinado... Bom fim-de-semana, eu se calhar vou andar por aí perto da Claridade.


De maripossa a 1 de Fevereiro de 2007 às 20:01
Amigo Filipe!..Hoje cheguei até aqui com um pouco de pressa,pois temos hoje formação,e não tenho muito tempo.
Sobre este texto sobre história de Portugal,e sobre o famosso "ARCO DA RUA AUGUSTA"parece um pouco com o Arco do Triunfo em França,mas este é nosso bem português!..Lindo este trabalho amigo.
Filipe beijinho e fique bem.
"SABORLATINO"


De maripossa a 1 de Fevereiro de 2007 às 20:01
Amigo Filipe!..Hoje cheguei até aqui com um pouco de pressa,pois temos hoje formação,e não tenho muito tempo.
Sobre este texto sobre história de Portugal,e sobre o famosso "ARCO DA RUA AUGUSTA"parece um pouco com o Arco do Triunfo em França,mas este é nosso bem português!..Lindo este trabalho amigo.
Filipe beijinho e fique bem.
"SABORLATINO"


De CENTENARIO DO REGICIDIO a 9 de Dezembro de 2007 às 18:23
Interessante post, mas infelizmente a questão do regicídio é outra muito diferente. No site do Centenário do Regicídio (www.regicidio.org) poderá encontrar algumas respostas para o regicídio. Não se trata de desgaste mas sim de atentado contra o Estado de Direito. Quando sistemas políticos estão em crise, reformam-se e modernizam-se. A Monarquia Constitucional precisava de modernização, não precisava de assassinos, bombistas e terroristas. Não só o regicídio é uma barbaridade, não há desculpa para que se fizesse e ainda menos o golpe de estado republicano, ocorrido 37 dias após eleições e uma derrota republicana (14 deputados eleitos).
Neste centenário, é necessário reflectir sobre a questão.
Cumprimentos
A Equipa do Site do Centenário do Regicídio


De Praia da Claridade a 9 de Dezembro de 2007 às 18:47
Agradeço este comentário e as oportunas considerações nele colocadas.
Cumprimentos


De Jose Martins a 13 de Julho de 2008 às 06:53
Fabuloso! Abraço


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