Domingo, 21 de Janeiro de 2007

História da Antártica

 
Pólo Sul e o Oceano Antárctico

Pólo Sul e o Oceano Antárctico


 
'Fazendo observações no Pólo', Roald Amundsen no Pólo Sul

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O 'Bélgica', navio de Adrien de Gerlache

O 'Bélgica', navio de Adrien de Gerlache

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Como não há povos nativos da Antárctica, a história da Antárctica é a história de sua exploração. É muito provável que os primeiros a visitá-la tenham sido os povos vizinhos ao continente: os povos Aush da Terra do Fogo, por exemplo, falam sobre o "país do gelo" e um chefe maori de nome Ui-Te-Rangiora teria atingido a região em 650 d.C. No entanto, esses povos não deixaram vestígios da sua presença.
 
A crença na existência da Terra Australis — um vasto continente localizado ao sul com a finalidade de balancear o peso da Europa, Ásia e África — foi proposta por Ptolemeu e Aristóteles na Grécia Antiga. Por isso, a inclusão nos mapas de uma grande massa de terra ao sul era comum em mapas do século XVI. Mesmo no final do século XVII, com o conhecimento de que a América do Sul e a Austrália não faziam parte da Antárctica, os geógrafos acreditavam que o continente fosse muito maior do que é na verdade. A situação permaneceu assim até a expedição de James Cook.
 
Até o final do século XIX, no entanto, a Antárctica não havia sido estudada de forma exaustiva e a ocupação humana limitava-se às ilhas sub-antárcticas. Com os dois Congressos Internacionais de Geografia, realizados no final do século, a situação começou a mudar e diversos governos europeus, além dos Estados Unidos, patrocinaram exploradores. Sobressaem-se a disputa entre Roald Amundsen e Robert Falcon Scott pela conquista do Pólo Sul e a posterior tentativa de Ernest Henry Shackleton de atravessar o continente. Recentemente, após o Tratado da Antárctica, 27 países mantêm bases científicas e mais cientistas realizaram expedições.
 
Primeiras expedições
 
As primeiras viagens documentadas às águas antárcticas aconteceram no século XVI. Américo Vespúcio relatou o avistamento de terras na altura dos 52ºS. Expedições sucessivas aproximaram-se da região até o Capitão James Cook, que se dirigiu para a Polinésia por ocasião de um eclipse, e as tripulações do Resolution e do Adventure cruzarem o Círculo Polar Antárctico três vezes entre 1772 e 1775 desfazendo o mito da Terra Australis sem, no entanto, avistá-la devido ao gelo e névoa.
 
A ocupação humana propriamente dita começa na primeira metade do século XIX, quando navios baleeiros chegavam à região das Ilhas Sanduíche do Sul e acontecem algumas explorações esporádicas por parte de navegadores europeus e dos Estados Unidos. Em 1819 um navio inglês, o Williams, desviou-se da sua rota e foi levado às Ilhas Shetland do Sul e de lá, fretado numa viagem mais para o sul sob o comando de Edward Bransfield que acabou por aportar em 30 de Janeiro de 1820 na Terra de Graham. Três anos antes, o capitão russo Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen havia descoberto a costa e nomeou-lhe Terra de Alexandre I e Nathaniel Palmer, um caçador de focas de Stonington, Connecticut, teria explorado a região.
 
Em 1822, o inglês James Weddell descobriria o mar que leva seu nome. Entre o fim da década de 1830 e a de 1840 três expedições - a francesa de Jules Dumont d'Urville, a dos Estados Unidos de Charles Wilkes e a inglesa de James Clark Ross - percorreram a costa a fim de determinar se a Antárctica era realmente um continente ou um conjunto de ilhas unidas pelo gelo. O francês Dumont D'Urville descobriu entre outros lugares, a Terra de Adélia e a Ilha Joinville. Depois do Pólo Norte Magnético ser localizado em 1831, exploradores e cientistas começaram a busca pelo Pólo Sul Magnético. Partindo da Tasmânia, James Clark Ross, seguiu uma rota inédita até então e descobriu o mar que leva seu nome retornando em 1843. Nessa mesma expedição descobriu e baptizou também a Terra Victoria do Sul e os montes Erebus e Terror, nomeados em homenagem aos seus dois navios.
 
Passaram-se vários anos até que o VI Congresso Internacional de Geografia realizado em 1895 lançasse um apelo pela exploração do antárctico devido aos benefícios científicos que poderiam advir daí. A esta chamada, em 1897, respondeu o Barão Adrien de Gerlache que no comando do Bélgica deixou a Antuérpia com destino a Antárctica. A tripulação multinacional incluía um zoólogo romeno (Emile Racovitza), um geólogo polaco (Henryk Arctowski), um navegador e astrónomo belga (George Lecointe), vários noruegueses, incluindo Roald Amundsen e um médico americano, Dr. Frederick Cook. Em 1898, eles tornaram-se os primeiros homens a passar o Inverno na Antárctica, quando o seu navio ficou preso pelo gelo. Ficaram impedidos de prosseguir em 28 de Fevereiro de 1898 e só manobraram para fora do gelo em 14 de Março de 1899. Durante a sua permanência forçada, vários homens perderam a sua sanidade, não só por causa da noite do Inverno antárctico e do sofrimento suportado, mas também por causa dos problemas de comunicação entre as diferentes nacionalidades.
 
Expedições nacionais
 
Devido ao pouco sucesso alcançado, o VII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1899 fez uma segunda chamada ao qual responderam diversos países, Alemanha, Inglaterra, França e Suécia.
 
A Alemanha organizou uma incursão entre 1901 e 1903 comandada por Erich von Drygalski. A Inglaterra, uma entre 1901 e 1904 liderada por Robert Falcon Scott, para a realização de estudos oceanográficos, geológicos, meteorológicos e biológicos, além de pretender chegar ao Pólo Sul, e entre seus homens estava Ernest Shackleton. Entre outros factores, por Shackleton ter contraído escorbuto, a meta não foi alcançada, restando 850 quilómetros e apesar de todos os seus pedidos em contrário, Shackleton foi enviado de volta, o que gerou a sua posterior disputa com Scott.
 
O britânico William Speirs Bruce intentou obter o apoio da coroa para a realização de mais uma expedição oficial, mas este foi-lhe negado. Com isso, William recorreu ao nacionalismo escocês e entre 1902 e 1904 realizou-se a "Expedição Antárctica Nacional Escocesa". Um francês que havia organizado uma viagem de exploração do Árctico resolveu direccioná-la para o sul. Com o apoio do governo, realizou em 1904 uma expedição às Ilhas Shetland do Sul, a "Expedição Antárctica Francesa".
 
Ainda respondendo ao Congresso Internacional de Geografia, a Suécia organizou a sua própria campanha que, partindo da Terra do Fogo e de Ushuaia, exploraria a Península Antárctica em 1895 e 1897. Com o sucesso dessa missão o capitão Otto Nordenskjöld sugeriu que se prosseguisse com a exploração do litoral, o que lhe foi negado. Resolveu, por isso, organizar uma expedição com recursos próprios que por pouco não terminou em desastre quando o navio ficou preso no gelo e o grupo se dividiu. Foram resgatados em Setembro de 1903 após passarem o Inverno a duras penas em abrigos de pedra e com escassez de alimentos.
 
Corrida ao Pólo Sul
 
Ao ser enviado de volta por Scott, Shackleton começou a organizar o seu plano para a conquista do Pólo Sul. Partiu da Nova Zelândia para o Mar de Ross (mar localizado na costa antárctica do Oceano Pacífico) no início de 1908. Em 20 de Outubro deu início à sua viagem. No entanto, os trenós puxados por póneis mostraram-se ineficientes, pois os animais suavam e nas temperaturas polares isso matava-os por hipotermia. Assim, os próprios homens tiveram que carregar os trenós. Os mantimentos planeados para durar 91 dias tornaram-se escassos e, a 175 quilómetros da meta, Shackleton decidiu retornar em 1909. A notícia dos seus esforços fez com que fosse tratado como herói e, inclusive, sagrado cavaleiro.
 
Amundsen e Scott
 
Depois da expedição no Bélgica  e de outra ao Árctico, Amundsen resolveu rumar para o Pólo Norte, mas com a conquista deste em 1909, mudou os seus planos em direcção ao Sul. Simultaneamente, a notícia da expedição de Shackleton fez Scott querer garantir para o império britânico a glória da conquista e para si a prova da sua superioridade sobre o primeiro. Os dois estabeleceram-se na Plataforma de Ross a 800 quilómetros um do outro.
 
Amundsen partiu em 20 de Outubro de 1911, seguido por Scott duas semanas mais tarde. O primeiro grupo levava trenós puxados por cães e o segundo por um misto de póneis e cães. Seguindo a mesma rota de Shackleton, teve logo que se dividir ao chegar a um ponto de maior altitude, passando os trenós a serem puxados pelos homens.
 
Em 14 de Dezembro de 1911, o grupo liderado pelo explorador polar norueguês Roald Amundsen veio a ser o primeiro a alcançar o Pólo Sul, retornando em Janeiro. Com as crescentes dificuldades, Scott dividiu novamente o grupo, seguindo com quatro homens: Edward Adrian Wilson, Henry Robinson Bowers, Lawrence Oates e Edgar Evans. Chegaram ao Pólo em 17 de Janeiro e encontraram a bandeira norueguesa. No regresso, exaustos, pela fome e frio, dois homens ficaram pelo caminho e Scott seguiu com os dois restantes, morrendo eles mesmos a 13 quilómetros de um depósito de provisões.
 
Travessia do continente
 
Após a conquista do Pólo Sul, restava ainda uma outra façanha a ser realizada: atravessar o continente de costa a costa. Shackleton assumiu para si esse desafio.
 
A "Expedição Imperial Transantárctica" de 1914, estava organizada em duas frentes, a primeira sairia da Geórgia do Sul com direcção ao Mar de Weddell a bordo do Endurance em 5 de Dezembro de 1914, e a segunda da Nova Zelândia com direcção do Mar de Ross no navio Aurora. No entanto, o Endurance  ficou preso no gelo e Shackleton decidiu esperar a chegada da Primavera, só que o navio foi arrastado pelo gelo. Shackleton pensava chegar à Ilha Cerro Nevado, mas percebeu que seria impossível, pois o gelo já os havia arrastado até a Península Antárctica e acabou por afundar o navio em 21 de Novembro de 1915, pouco depois de descarregarem alguns botes e mantimentos. O capitão decidiu, então, rumar com cinco homens para as Ilhas Clarence ou Ilha Elefante em busca de ajuda, chegando depois de três dias a remar, sem água ou comida quente.
 
Dali, achando que a ajuda poderia demorar, rumou para a Geórgia do Sul, onde pediu socorro numa estação baleeira e conseguiu um navio com o qual pôde resgatar os seus homens que havia deixado sob o comando de Frank Wild, seu auxiliar, em 30 de Agosto de 1916. Os homens no Aurora  também tinham tido dificuldades e o navio havia retornado para a Nova Zelândia para reparos.
 
Ainda assim, organizou uma nova jornada que sairia da Geórgia do Sul para estudar o Oceano Antárctico, mas morreu no dia seguinte da sua chegada na ilha.
 
História recente
 
O Contra-Almirante da marinha dos Estados Unidos Richard Evelyn Byrd liderou cinco expedições para a Antárctica durante as décadas de 1930, 1940, e 1950. Ele sobrevoou o Pólo Sul com o piloto Bernt Balchen em 28 e 29 de Novembro de 1929, para igualar o seu sobrevoo do Pólo Norte em 1926. As explorações de Byrd tinham a ciência como finalidade e ele iniciou o uso de aeronaves no continente, apesar de o primeiro voo transcontinental ter sido realizado por Lincoln Ellsworth. As suas expedições estabeleceram o cenário das modernas explorações e pesquisa da Antárctica.
 
Até 31 de Outubro de 1956 ninguém voltaria a pisar no Pólo Sul; nesse dia o Contra-Almirante George Dufek e outros pousaram com sucesso uma aeronave R4D Skytrain (Douglas DC-3).
 
Durante o Ano Geofísico Internacional de 1957 foram montadas um grande número de expedições. O alpinista neozelandês Edmund Hillary liderou uma expedição usando tractores preparados para a travessia polar, alcançando o Pólo perto do fim do ano de 1957, a primeira expedição desde Scott a atingir o Pólo Sul por terra. Hillary estava a colocar depósitos de suprimentos para a expedição transantárctica britânica, mas "desviou-se" para o Pólo porque a viagem ia bem. Então em 1958, o explorador britânico Vivian Fuchs conseguiu realizar com sucesso a expedição pretendida por Shackleton em 99 dias na "Espedição Transantárctica do Commonwealth".
 
O Tratado da Antárctica foi assinado em 1 de Dezembro de 1959 e entrou em vigor em 23 de Junho de 1961 e actualmente muitos países mantêm bases de pesquisa permanente.
 
O Tratado da Antárctica é um documento assinado pelos países que reclamavam a posse de partes do continente da Antárctica, em que se comprometem a suspender as suas pretensões por um período indefinido, permitindo a liberdade de exploração científica do continente, num regime de cooperação internacional.
 
Um bebé, chamado Emilio Marcos de Palma, nascido próximo à baía Hope em 7 de Janeiro de 1978, tornou-se o primeiro nascido no continente. Históricamente, esse foi também o nascimento mais ao sul. A sua mãe foi enviada pelo governo da Argentina para que este fosse o primeiro país com crianças nascidas lá.
 
Em 28 de Novembro de 1979, um DC-10 da Air New Zealand, numa viagem turística, chocou com o Monte Erebus, na Ilha de Ross, matando todas as 257 pessoas a bordo. O acidente pôs um fim permanente às linhas aéreas operando voos comerciais para o continente, devido aos riscos compreendidos e a localização remota dos serviços de busca e resgate.
 
No final do século foram realizadas numerosas expedições, com um renovado interesse pelo continente sul. Começando em 17 de Julho de 1989 e tendo fim em 24 de Fevereiro de 1990 realizou-se a Expedição Transantárctica  formada por exploradores dos Estados Unidos, Japão, França, Inglaterra, China e Rússia, cruzando os Montes Transantárcticos e o continente na direcção da sua maior extensão e procurando alertar os governos e as sociedades para os danos ambientais na região. Na "Antartikten Transversale" dois alemães, Reinhold Mesmer e Arved Fuchs realizaram a rota de Shackleton com os métodos de Scott e Laurence de la Terrière foi uma francesa que cruzou a planície antárctica sozinha.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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5 comentários:
De isa&luis a 21 de Janeiro de 2007 às 13:25
Olá,
não quero ser repetitiva,mas não resisto, adoro o teu cantinho, saio sempre mais sábia.

Um domingo com muito sol e alegrias.

Beijinhos

Isa


De aquimetem a 21 de Janeiro de 2007 às 13:26
Grato pelo seu comentário, que achei muito objectivo. Eu "secas" políticas só se for obrigado a "gramalas", noutra condição dispenso. Mas aqui e neste momento, o que está em jogo é lutar em favor da vida; e embora respeitando a todos, não deixar de chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome: ao que é pedra não apelidar de pau. Um bom domingo e inicio de semana para si. O Amigo Filipe, já está em forma? Um grande abraço.


De Luis a 21 de Janeiro de 2007 às 14:07
Se há coisas de que eu gosto uma delas é indubitavelmente a História.
Abraço
Luis


De soaresesilva a 21 de Janeiro de 2007 às 16:57
Sempre tive uma enorme admiração por estes aventureiros que, sem certezas nenhumas, se arricavam em viagens para estes longíquos e desconhecidos locais. Li e vi muitos fillmes sobre estas expedições que deram a conhecer ao mundo mundos ignorados. Impressionante!!!!


De aurelia a 27 de Fevereiro de 2007 às 09:27
txii bueda louco.....dedica-te a pesca


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