Domingo, 29 de Outubro de 2006

A Batalha do Salado

 
A Batalha do Salado foi travada a 30 de Outubro de 1340, um "aniversário" curioso, porque faz hoje 666 anos, entre Cristãos e Mouros, junto da ribeira do Salado, na província de Cádis (sul de Espanha).
 
História
 
Abul-Hassan, rei de Fez e de Marrocos, aliado com o emir de Granada, decidira reapossar-se a todo o custo dos domínios cristãos, e as forças muçulmanas já haviam entrado em acção contra Castela. A frota do prior de S. João do Hospital, almirante castelhano, que tentara opor-se ao desembarque dos mouros, foi completamente destroçada por uma tempestade, e esse desastre obrigou Afonso XI de Castela a humilhar-se, mandando pedir à esposa - a quem tanto desrespeitara com os seus escandalosos amores com Leonor de Gusmão - que interviesse junto de seu pai, o rei português Afonso IV de Portugal, para que este enviasse uma esquadra de socorro.
 
Estava D. Maria de Portugal recolhida num convento em Sevilha e, apesar dos agravos que sofrera, acedeu ao pedido. Todavia, Afonso IV, no intuito de humilhar ainda mais o genro, respondeu ao apelo dizendo, verbalmente, ao enviado da filha, que se o rei de Castela precisava de socorro o pedisse directamente. Vergando o seu orgulho ao peso das circunstâncias, Afonso XI de Castela repetiu pessoalmente - por carta - o pedido foi feito, e o soberano português enviou-lhe imediatamente uma frota comandada pelo almirante genovês Manuel Pessanha (ou Pezagno) e por seu filho Carlos. Mas era cada vez mais desesperada a situação de Afonso XI, a quem o Papa censurava asperamente.
 
Além da frota portuguesa, Castela recebia um reforço de doze galés cedidas pelo rei de Aragão, mas tudo isto nada era em comparação com o número incontável dos contingentes mouros. O rei de Granada, Yusef-Abul-Hagiag, tomou em Setembro de 1340, o comando das tropas, às quais pouco depois se juntou, em Algeciras (cidade portuária do sul de Espanha, na província de Cádis), um formidável exército sob as ordens de Abul-Hassan. A ameaça muçulmana era apavorante. Os mouros, embora repelidos nas primeiras tentativas de ataque a Tarifa (município da Espanha na província de Cádis), não deixavam prever a possibilidade de vantagens futuras para as hostes cristãs.
 
Reconhecendo quanto lhe seria útil a ajuda efectiva do rei de Portugal, Afonso XI de novo rogou a intervenção de D. Maria. Esta acedeu uma vez mais e foi encontrar-se com D. Afonso IV, em Évora. O soberano português atendeu as súplicas da filha, e logo esta foi dar a boa notícia ao seu marido, que ansioso, a fora esperar a Juromenha (freguesia portuguesa do concelho do Alandroal).
(1)
 
D. Afonso IV reuniu então em Elvas o maior número possível de cavaleiros e peões, e à frente do exército, que ia aumentando durante o caminho com os contingentes formados em vários pontos, dirigiu-se a Espanha, onde por ordens do genro foi recebido com todas as honras. Em Sevilha, o próprio Afonso XI acolheu festivamente o rei de Portugal e sua filha, a rainha D. Maria. Ali se desfizeram quanto menos momentaneamente, os ressentimentos de passadas discórdias.
 
Assente entre os dois monarcas o plano estratégico, não se demoraram em sair de Sevilha a caminho de Tarifa. Tendo chegado oito dias depois a Pena del Ciervo avistava-se o extensíssimo arraial muçulmano. Em 29 de Setembro, reunido o conselho de guerra, foi decidido que Afonso XI de Castela combateria o rei de Marrocos, e Afonso IV de Portugal enfrentaria o de Granada. Afonso XI designou D. João Manuel para a vanguarda das hostes castelhanas, onde iam também D. João Nunes de Lara e o novo mestre de Sant'Iago, irmão de Leonor de Gusmão (amante do rei Afonso XI de Castela). Com D. Afonso IV viam-se o bispo de Braga, o prior do Crato, o mestre da Ordem de Avis e muitos denodados cavaleiros.
 
No campo dos cristãos e dos muçulmanos tudo se dispunha para a batalha, que devia travar-se ao amanhecer do dia seguinte. A cavalaria castelhana, atravessando o Salado, iniciou a peleja. Logo saiu, a fazer-lhe frente, o escol da cavalaria muçulmana, não conseguindo deter o ataque. Quase em seguida avançou Afonso XI, com o grosso das suas tropas, defrontando então as inumeráveis forças dos mouros. Estava travada, naquele sector, a ferocíssima luta. O rei de Castela, cuja bravura não comportava hesitações, acudia aos pontos onde o perigo era maior, carregando furiosamente sobre os bandos árabes até os pôr em debandada.
 
Nessa altura a guarnição da praça de Tarifa, numa surtida inesperada para os mouros, caía sobre a retaguarda destes, assaltando o arraial de Abul-Hassan e espalhando a confusão entre os invasores. No sector onde combatiam as forças portuguesas, as dificuldades eram ainda maiores, pois os mouros de Granada, mais disciplinados, combatiam pela sua cidade sob o comando de Yusef-Abul-Hagiag, que via em risco o seu reino. Mas D. Afonso IV de Portugal, à frente dos seus intrépidos cavaleiros, conseguiu romper a formidável barreira inimiga e espalhar a desordem, precursora do pânico e da derrota entre os mouros granadinos. E não tardou muito que numa fuga desordenada, africanos e granadinos abandonassem a batalha, largando tudo para salvar a vida. O campo estava juncado de corpos de mouros vítimas da espantosa mortandade.
 
E o arraial enorme dos reis de Fez (actual cidade de Marrocos) e de Granada (actualmente cidade espanhola, capital da província homónima), com todos os seus despojos valiosíssimos em armas e bagagens, caiu finalmente em poder dos cristãos, que ali encontraram ouro e prata em abundância, constituindo tesouros de valor incalculável. Ao fazer-se a partilha destes despojos, assim como dos prisioneiros, quis Afonso XI de Castela agradecer ao sogro, pedindo-lhe que escolhesse quanto lhe agradasse, tanto em quantidade como em qualidade. Afonso IV, porém num dos raros gestos de desinteresse que praticou em toda a sua vida, só depois de muito instado pelo genro escolheu, como recordação, uma cimitarra (espada de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por certos povos orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos) cravejada de pedras preciosas e, entre os prisioneiros, um sobrinho do rei Abul-Hassan. A 1 de Novembro, ao principio da tarde, os exércitos vencedores abandonaram finalmente o campo de batalha, dirigindo-se para Sevilha onde o rei de Portugal pouco tempo se demorou, regressando logo ao seu país.
 
Pode-se imaginar sem custo a impressão desmoralizadora que a vitória dos cristãos, na Batalha do Salado, causou em todo o mundo muçulmano, e o entusiasmo que se espalhou entre o cristianismo europeu. Era, ao cabo de seis séculos, uma renovação da vitória de Carlos Martel em Poitiers. Afonso XI para exteriorizar o seu regozijo, apressou-se a enviar ao Papa Benedito XII uma pomposa embaixada portadora de valiosíssimos presentes, constituídos por uma parte das riquezas tomadas aos mouros, vinte e quatro prisioneiros portadores de bandeiras que haviam caído em poder dos vencedores, muitos cavalos árabes ricamente ajaezados e com magníficas espadas e adagas pendentes dos arções, e ainda o soberbo corcel em que o rei castelhano pelejara.
 
Quanto ao auxílio prestado por Portugal, que sem dúvida fora bastante importante para decidir a vitória dos exércitos cristãos, deixou-o Benedito XII excluído dos louvores que, em resposta, endereçou a Afonso XI em consequência da opulenta «lembrança» enviada pelo rei de Castela. D. Afonso IV de Portugal, que,
durante o seu reinado praticou as maiores crueldades, ficaria na História com o cognome de «o Bravo», em consequência da sua acção na Batalha do Salado.
Fonte: Wikipédia.  
 
 

(1)  kapa, a quem agradeço, comentou assim este post:
 
"Segundo os dados até hoje recolhidos essa boa nova teria sido dada em Terena e não em Juromenha.
Segundo os estudos o local teria sido aquele onde hoje se encontra o cruzeiro no caminho do Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, tendo este Santuário mandado erguer devido à boa nova, ligeiramente mais abaixo do cruzeiro, daí o nome do mesmo Santuário.
  

Estes dados poderão ser consultados no meu 1º post, em Julho de 2005
."
 

A própria História nos "prega partidas" ... ou contradições...
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:29
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11 comentários:
De @GotaDeAmor a 29 de Outubro de 2006 às 01:33
Vim colocar a minha leitura em dia e desejar-te um excelente domingo ... Fica bem ... beijinhos


De conchitamachado a 29 de Outubro de 2006 às 01:57
Visita breve, agradecendo tua visita e pelo lindo sol que deixaste...
Volterei para ler melhor teu(s) belíssimo texto!

Alegre fim de semana, Filipe
Beijinho


De Menina_marota a 29 de Outubro de 2006 às 03:52
Grande momento de cultura. Gostei de relembrar.

Um abraço e bom domingo. Não te esqueças de mudar a hora... ;)


De Maria Elisa a 29 de Outubro de 2006 às 15:11
Amigo Filipe!..como sempre grande lição de História,pois demos todo isto na escola,mas hoje a grande maioria não sabe do que foi feita a nossa História?..seria bom saber um pouco dela por menos.Gostei muito do tema de hoje,pois aqui vim dar um pouco da minha opinião sobre,este trabalho seu,pois daqui a pouco vou descançar um pouco pois tive de serviço,durante a noite e entrei as 21:00 e saí hoje sa 11:00 da manha,foi muito tempo fora de casa e Voluntário, mas o coração fala mais alto,não poderemos abandonar os que de nós precisam.
Beijos de carinho para o Filipe
Maria Elisa


De soaresesilva a 29 de Outubro de 2006 às 16:53
Em contraponto com o meu sentir de agora. não pude deixar de vibrar com a descrição desta batalha que, para nós portugueses, teve como herói principal o Rei D. Afonso IV. Modernamente a invasão dos mouros faz-se de outra maneira (imigrantes que vão entrando clandestinamente em Espanha e outros países da Europa). O combate a esta "invasão" já não se faz com exércitos mas com tratados que vamos tentando fazer com os Governos respectivos. Darão resultado? Espero que não tenhamos de usar novamente a força das armas...


De Sindarin a 29 de Outubro de 2006 às 17:06
Olá Filipe! Venho agradecer a visita desejar e boa semana. Mtos beijinhos para ti.


De Cöllyßry a 29 de Outubro de 2006 às 17:34
Querida amigo...pois mais um pedaço de historia para nos lembrar e realmente curioso a data, as batalhas eram bem diferentes de agora, nesta era de bactérias e nuclear...Doce beijo deixo, Cõllybry


De Maria Papoila a 29 de Outubro de 2006 às 19:07
Nem sempre comento mas vir aqui tornou-se um hábito enriquecedor dos meus conhecimentos de história. 666 anos sobre a batalha do Salado... Beijo


De Jorge G a 30 de Outubro de 2006 às 20:12
Pois, faz hoje 666 anos!
E a verdade é que o diabo continua a comandar as mentes dos extremistas radicais.

Cumprimentos


De marius70 a 30 de Outubro de 2006 às 20:54
«Quanto ao auxílio prestado por Portugal, que sem dúvida fora bastante importante para decidir a vitória dos exércitos cristãos, deixou-o Benedito XII excluído dos louvores que, em resposta, endereçou a Afonso XI em consequência da opulenta «lembrança» enviada pelo rei de Castela.»

Ontem, como hoje, a Igreja deixa de fora quem valentemente luta pela fé com humildade, e abraça quem opulentas «lembranças» lhe oferta. Perante Deus somos todos filhos Dele, perante a Igreja uns são filhos, outros... enteados!

Já não me lembrava desta Batalha do Salado que se aprende nos bancos de escola, pelo menos do nosso tempo, e foi bom lembrar que tivemos um Rei que lutou com os seus guerreiros e que dos ricos despojos de guerra trouxe uma simples adaga, ah como estão mudados os tempos!!! Um abraço


De Caracol a 30 de Outubro de 2006 às 22:13
"Leonor de Gusmão (amante do rei Afonso XI de Castela)", grande afronta para a nossa Maria que sofria por ter que dividir o marido e o castelo com ela.....
.... este Afonso XI não foi o mesmo que aprisionou D.Constança num castelo..... a mesma contança de nosso D.Pedro I ? ..... acho que já me baralhei toda....


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