Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006

D. Dinis de Portugal

 
 

D. Dinis, 6.º Rei de Portugal
 
D. Dinis, 6.º Rei de Portugal
 
 
 
 

D. Dinis (também existe a grafia arcaizante Diniz)  nasceu em 9 de Outubro 1261 (faz hoje 745 anos) e faleceu em  7 de Janeiro 1325, em Santarém. Rei de Portugal, filho de D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela. Foi aclamado em Lisboa em 1279. Cognominado O Lavrador ou O Rei-Agricultor (pelo impulso que deu no reino àquela actividade) e ainda, O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador (pelas Cantigas de Amigo e de Amor  que compôs e pelo desenvolvimento da poesia trovadoresca a que se assistiu no seu reinado), foi o sexto Rei de Portugal. Foi o primeiro rei português a assinar os seus documentos com o nome completo. Presume-se que tenha sido o primeiro rei português não analfabeto.
 
Como herdeiro da coroa, D. Dinis desde cedo foi envolvido nos aspectos de governação pelo seu pai. À data da sua subida ao trono, Portugal encontrava-se em conflito com a Igreja Católica. D. Dinis procurou normalizar a situação assinando um tratado com o Papa Nicolau III, onde jurava proteger os interesses de Roma em Portugal. Salvou a Ordem dos Templários em Portugal através da criação da Ordem de Cristo, que lhe herdou os bens em Portugal depois da sua extinção e apoiou os cavaleiros da Ordem de Santiago ao separarem-se do seu mestre castelhano.
 
D. Dinis foi essencialmente um rei administrador e não guerreiro: envolvendo-se em guerra com Castela em 1295, desistiu dela em troca das vilas de Serpa e Moura. Pelo Tratado de Alcanises (1297) firmou a Paz com Castela, definindo-se nesse tratado as fronteiras actuais entre os dois países ibéricos. Por este tratado previa-se também uma paz de 40 anos, amizade e defesa mútuas.
 
A sua prioridade governativa foi essencialmente a organização do reino: continuando a vertente legisladora de seu pai D. Afonso III. A profusa acção legislativa está contida, hoje, no Livro da Leis e Posturas e nas Ordenações Afonsinas. Não são "códigos" legislativos tal como os entendemos hoje, mas sim compilações de leis e do direito consuetudinário municipal, alteradas e reformuladas pela Coroa. Com efeito, a incidência de questões de carácter processual com igual peso ao carácter de direito positivo das suas leis, denuncia a crescente preocupação do rei em enquadrar o direito consuetudinário (ou costumeiro) no âmbito da Coroa, e em efectivar o seu poder no terreno. As determinações sobre a actuação de alvazis (oficiais concelhios), juízes, procuratores e advocati  demonstram isto, já que um poder meramente nominal sobre todos os habitantes do Reino, como era típico na Idade Média, não se compatibiliza com este esforço em esmiuçar os trâmites jurídicos, ou em moralizar o exercício da justiça. A criação de corregedores denuncia claramente o início do processo de territorialização da jurisdição da Coroa, extravasando os domínio régios, a par da crescente importância da capitalidade de Lisboa.
 
O reinado de D. Dinis acentuou a predilecção por Lisboa como local de permanência da corte régia. Não existe uma capital, mas a localização de Lisboa, o seu desenvolvimento urbano, económico e mercantil vão fazendo da cidade o local mais viável para se afirmar como centro administrativo por excelência. A articulação entre o Norte e o Sul do país - este Sul que se torna alvo da maior atenção e permanência dos reis - fazem de Lisboa centro giratório para tornar Portugal viável. Entre o Norte, onde a malha senhorial é mais densa e apertada, e o sul, onde o espaço vasto conquistado aos mouros implanta sobretudo os domínios régios e as ordens militares, assim como vastos espaços de "res nullius", torna Portugal um reino onde duas realidades diferentes se complementam.
 
Preocupado com as infra-estruturas do País, D. Dinis ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e fomentou as trocas com outros reinos, assinou o primeiro tratado comercial com o rei de Inglaterra em 1308 e criou o almirantado, atribuído como privilégio ao genovês Manuel Pessagno, e fundando as bases para uma verdadeira marinha portuguesa ao serviço da Coroa.
 
D. Dinis redistribuiu terras, promoveu a agricultura e fundou várias comunidades rurais, assim como mercados e feiras criando as chamadas feiras francas ao conceder a várias povoações diversos privilégios e isenções. Um dos seus maiores legados foi a ordem de plantar o Pinhal de Leiria, que ainda se mantém, de forma a proteger as terras agrícolas do avanço das areias costeiras.
 
A cultura foi um dos seus interesses pessoais. D. Dinis não só apreciava literatura, como foi ele-próprio um poeta notabilíssimo e um dos maiores e mais fecundos trovadores do seu tempo. Aos nossos dias chegaram 137 cantigas da sua autoria, distribuídas por todos os géneros (73 cantigas de amor, 51 Cantigas de Amigo e 10 Cantigas de escárnio e maldizer), bem como a música original de 7 dessas cantigas (descobertas casualmente em 1990 pelo Prof. Harvey L. Sharrer, no Arquivo da Torre do Tombo, num pergaminho que servia de capa a um livro de registos notariais do século XVI, e que ficou conhecido como "Pergaminho de Sharrer"). Durante o seu reinado, Lisboa foi, pois, um dos centros Europeus de cultura. A Universidade de Coimbra foi fundada pelo seu decreto Magna Charta Priveligiorum no qual foram desde logo ensinadas as Artes, o Direito Civil, o Direito Canónico e a Medicina. Mandou traduzir importantes obras, tendo sido a sua Corte um dos maiores centros literários da Península Ibérica.
 
Os últimos anos do seu reinado foram, marcados por conflitos internos. O herdeiro, futuro D. Afonso IV, receoso que o favorecimento de D. Dinis ao seu filho bastardo, D. Afonso Sanches o espoliasse do trono, exigiu o Poder e combateu o pai. Nesta luta teve intervenção apaziguadora a
Rainha Santa Isabel que, em Alvalade se interpôs entre as hostes inimigas já postas em ordem de batalha. Tem como descendente também o Papa Bento XIII, que foi Papa de 1724 a 1730. D. Dinis está sepultado no Convento de São Dinis, em Odivelas.
Fonte: Wikipédia. 
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:44
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10 comentários:
De soaresesilva a 9 de Outubro de 2006 às 12:42
Aqui está um Rei de que gosto muito. Um verdadeiro governante precupado com a organização do País. Éinteressante pensarmos que ele foi o primeiro dos reis a saber ler e escrever. Como se entenderiam os outros? Li todos os escritos dele que chegaram até nós e acho-os admiráveis.


De Maria Papoila a 9 de Outubro de 2006 às 17:00
Um rei de que muito gosto, por todas as razões apontadas... Não sabia que D. Dinis nasceu a 9 de Outubro! Também desconhecia que era compositor.
É um dos blogs que me agrada visitar. O ritmo de informação diário e nem sempre me permite a visita.
Beijo


De isa&luis a 9 de Outubro de 2006 às 17:38
Olá menino,

Obrigada por me presenteares:))

Eu passeio pelos Pinhais que O rei D.Dinis mandou semear, que pena, hoje ver como tudo está tão devastado:))

Um beijo grande

Isa


De Chicailheu a 10 de Outubro de 2006 às 19:52
D. Dinis, um Rei Trovador e Poeta!

É um dos meus favoritos Reis de Portugal.
beijinhos
Chicailheu


De Caracol a 10 de Outubro de 2006 às 20:33
Um dos meus favoritos reis, mas não o preferido.
Certamente um dos mais importantes (vamos puxar a brasa a nossa sardinha, né?).
Um rei culto que se importava com a cultura do nosso país e que antecipou e até adivinhou (segundo alguns, inclusive Pessoa) a nossa "queda" para os descobrimentos marítimos - criando o Pinhal de Sintra!

Mas para mim o meu favorito é com certeza o grande Rei Pedro I, neto de D. Dinis e esse sim desenvolve bastante a justiça em Portugal... Por algum motivo tem o cognome de "O Justo"


De CARLOS a 26 de Outubro de 2006 às 15:55
É UM DOS REIS QUE MAIS ADMIRO,PARA ALÉM DE TUDO FOI O REI QUE DEU FORAL Á MINHA CIDADE EM 1289(VILA REAL).


De Praia da Claridade a 26 de Outubro de 2006 às 21:44
"CARLOS... de VILA REAL" ...
Sem página pessoal para retribuir esta visita, agradeço aqui neste meu blog os comentários colocados. Comentários sempre agradáveis. São eles que me fazem continuar...
Um Abraço.
Filipe, com o da minha Praia.


De Anónimo a 26 de Maio de 2008 às 22:33
gosto muito parabens


De Praia da Claridade a 28 de Maio de 2008 às 17:32
Agradeço a visita e o comentário.


De pedro a 5 de Março de 2007 às 20:49
o voso blog e uma merda nem mostra o uqe nos queremos xau merdas


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