Domingo, 17 de Setembro de 2006

Guerra Junqueiro

 
Guerra Junqueiro
 


Abílio Guerra Junqueiro ( 1850– 1923 ) foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada “Escola Nova”. Poeta panfletário, a sua poesia ajudou criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República.
 
Biografia
 
Nasceu em Freixo de Espada à Cinta (distrito de Bragança) a 17 de Setembro de 1850, fazia hoje 156 anos,  filho do negociante e lavrador abastado José António Junqueiro e de sua mulher D. Ana Guerra. A mãe faleceu quando Guerra Junqueiro contava apenas 3 anos de idade.
 
Estudou os preparatórios em Bragança, matriculando-se em 1866 no curso de Teologia da Universidade de Coimbra. Compreendendo que não tinha vocação para a vida religiosa, dois anos depois transferiu-se para o curso de Direito. Terminou o curso em 1873.
 
Entrando no funcionalismo público da época, foi secretário-geral do Governador Civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Em 1878, foi eleito deputado pelo círculo de Macedo de Cavaleiros. Faleceu em Lisboa a 7 de Julho de 1923.
 
Obra literária
 
Guerra Junqueiro iniciou a sua carreira literária de maneira promissora em Coimbra no jornal literário A Folha, dirigido pelo poeta João Penha, do qual mais tarde foi redactor. Aqui cria relações de amizade com alguns dos melhores escritores e poetas do seu tempo, grupo geralmente conhecido por Geração de 70.
 
Guerra Junqueiro desde muito novo começou a manifestar notável talento poético, e já em 1868 o seu nome era incluído entre os dos mais esperançosos da nova geração de poetas portugueses. No mesmo ano, no opúsculo intitulado O Aristarco Português, apreciando-se o livro Vozes Sem Eco, publicado em Coimbra em 1867 por Guerra Junqueiro, já se prognostica um futuro auspicioso ao seu autor.
 
No Porto, na mesma data, aparecia outra obra, Baptismo de Amor, acompanhada dum preâmbulo escrito por Camilo Castelo Branco; em Coimbra publicara Guerra Junqueiro a Lira dos Catorze Anos, volume de poesias; e em 1867 o poemeto (poema pequeno) Mysticae Nuptiae; no Porto a casa Chardron editara-lhe em 1870 a Vitória da França, que depois reeditou em Coimbra em 1873.
 
Em 1873, sendo proclamada a República em Espanha, escreveu ainda nesse ano o veemente poemeto À Espanha Livre. Em 1874 apareceu o poema A Morte de D. João, edição feita pela casa Moré, do Porto, obra que alcançou grande sucesso. Camilo Castelo Branco consagrou-lhe um artigo nas Noites de Insónia, e Oliveira Martins, na revista Artes e Letras.
 
Vindo residir para Lisboa, foi colaborador em prosa e em verso, de jornais políticos e artísticos, como a Lanterna Mágica, com a colaboração de desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro. Em 1875 escreveu o Crime, poemeto a propósito do assassínio do alferes Palma de Brito; a poesia Aos Veteranos da Liberdade; e o volume de Contos para a Infância. No Diário de Notícias também publicou o poemeto Fiel e o conto Na Feira da Ladra. Em 1878 publicou em Lisboa o poemeto Tragédia Infantil.
 
Uma grande parte das composições poéticas de Guerra Junqueiro está reunida no volume que tem por título A Musa em Férias, publicado em 1879. Neste ano também saiu o poemeto O Melro, que depois foi incluído na Velhice do Padre Eterno, edição de 1885. Publicou Idílios e Sátiras, e traduziu e coleccionou um volume de contos de Hans Christian Andersen e outros.
 
Após uma estada em Paris, aparentemente para tratamento de doença digestiva contraída durante a sua permanência nos Açores, publicou em 1885 no Porto A velhice do Padre Eterno, obra que provocou acerbas réplicas por parte da opinião clerical, representada na imprensa, entre outros, pelo cónego Sena Freitas.
 
Quando se deu o conflito com a Inglaterra sobre o "mapa cor-de-rosa", que culminou com o ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1891, Guerra Junqueiro interessou-se profundamente nesta crise nacional, e escreveu o opúsculo Finis Patriae, e a Canção do Ódio, para a qual Miguel Ângelo escreveu a música. Posteriormente publicou o poema Pátria. Estas composições tiveram uma imensa repercussão, contribuindo poderosamente para o descrédito das instituições monárquicas.
 
 
1850: Nasce, a 17 de Setembro, no lugar de Ligares, Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança;
1866: Frequenta o curso de Teologia na Universidade de Coimbra;
1867: «Vozes Sem Eco»;
1868: «Baptismo de Amor». Matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra;
1873: «Espanha Livre». Colaboração de Guerra Junqueiro em «A Folha» de João Penha. É bacharel em Direito;
1874: «A Morte de D. João»;
1875: Primeiro número de «A Lanterna Mágica» em que colabora;
1878: É nomeado Secretário Geral do Governo Civil em Angra do Heroísmo;
1879: «A Musa em Férias». Adere ao Partido Progressista. É transferido de Angra do Heroísmo para Viana do Castelo e eleito para a Câmara dos Deputados;
1880: Casa a 10 de Fevereiro com Filomena Augusta da Silva Neves. A 11 de Novembro nasce a filha Maria Isabel;
1881: Nasce a filha Júlia. Interditada por demência vem a ser internada no Porto;
1885: «A Velhice do Padre Eterno». Criação do movimento «Vida Nova» do qual Guerra Junqueiro é simpatizante;
1887: Segunda viagem de Guerra Junqueiro a Paris;
1888: Constitui-se o grupo «Vencidos da Vida». «A Legítima»;
1890: «Finis Patriae». Guerra Junqueiro é eleito deputado pelo círculo de Quelimane;
1895: Vende a maior parte das colecções artísticas que acumulara;
1896: «A Pátria». Parte para Paris;
1902: «Oração ao Pão»;
1903: Reside em Vila do Conde;
1904: «Oração à Luz»;
1905: Visita a Academia Politécnica do Porto e instala-se nesta cidade;
1908: É candidato do Partido Republicano pelo Porto;
1910: É nomeado Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário da República Portuguesa junto da Confederação Suiça, em Berna;
1911: Homenagem a Guerra Junqueiro no Porto;
1914: Exonera-se das funções de Ministro Plenipotenciário;
1920: «Prosas Dispersas»;
1923: Morre a 7 de Julho, em Lisboa.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:56
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8 comentários:
De soaresesilva a 17 de Setembro de 2006 às 14:17
Mais um aniversário!!! Conheço bem o Guerra Junqueiro embora não aprecie todas as suas ideias. Mas tem belíssimas poesias que encantam qualqquer pessoa. A sua vida política não a conhecia tão bem. Com o teu artigo fiquei a saber mais,


De Dalva a 17 de Setembro de 2006 às 22:23
oi Filipe..pesquisador incansável que nos brinda sempre com novos artigos.. novos conhecimentos!!
beijinhos alemaes....


De Maria Papoila a 17 de Setembro de 2006 às 22:25
Minha avó paterna era de Freixo de Espada à Cinta e meu avô um homem da I República (seu pai, chapeleiro, um dos vencidos do 31 de Janeiro...) Guerra Junqueiro era pois figura querida em casa de meus avós paternos e tenho fotos dele na casa de meus avós.
Foi bom aqui recordar assim a sua vida de homem público e a sua obra literária.
Beijo


De Menina_marota a 17 de Setembro de 2006 às 22:39
Excelente este "retrato" de Guerra Junqueiro e para completar a parte que mais gosto... um Poema que te deixo:

"Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?...há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!...

Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh! a ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!...

Trago d'amargura o coração desfeito...
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!...

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d'astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!

Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!...) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

Cante-me cantigas, manso, muito manso...
Tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh'alma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!..."


"Guerra Junqueiro in Os Simples (poesias líricas)"

Um abraço e boa semana ;)


De Praia da Claridade a 23 de Setembro de 2006 às 02:19
Os meus sinceros agradecimentos por este belo poema de Guerra Junqueiro que veio enriquecer o meu post.
Um excelente fim de semana, com alegria e saúde.
Um Abraço.
Filipe


De Jorge G. a 17 de Setembro de 2006 às 23:34
Ora aí está um transmontano de boa cepa!

Um homem de ideias e de acções, esgrimia com palavras. Deputado no tempo em que sê-lo, ainda representava alguma coisa e não era qualquer "cowboy" que lá chegava.
Um anti-monárquico e anti-clerical.
Com "A velhice do padre eterno" deu que fazer às autoridades eclesiásticas!

Muito pouco divulgado.
Ainda bem que aqui foi trazido!

Um abraço
Jorge G.


De Odília a 23 de Junho de 2008 às 03:47
Onde posso conseguir na íntegra o poemeto "O Crime", de Guerra Junqueiro? Cheguei a lê-lo na minha juventude, o que muito me impressionou. Gostaria de relê-lo agora, na "idade da razão".


De Praia da Claridade a 23 de Junho de 2008 às 19:24
Agradeço a visita ao blog.
Tenter procurar na Net o livro referido... não encontrei, pelo menos nas "primeiras" procuras...
Talvez procurando numa boa Livraria...


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