Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

D. Henrique, o Cardeal-Rei de Portugal

 
D. Henrique, o Cardeal-Rei de Portugal

D. Henrique, o Cardeal-Rei de Portugal

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O Cardeal D. Henrique I (31 de Janeiro de 1512 — Almeirim, 31 de Janeiro de 1580), faz hoje 495 anos que nasceu e 427 anos que faleceu, foi o décimo-sétimo Rei de Portugal, tendo governado entre 1578 e até à sua morte, 1580. É conhecido pelos cognomes de O Casto (devido à sua função eclesiástica, que o impediu de ter descendência legítima), O Rei-Cardeal  (igualmente por ser eclesiástico) ou O Eborense / O de Évora  (por ter sido também arcebispo daquela cidade e aí ter passado muito tempo, e inclusivamente fundado a primeira Universidade de Évora, entregue à guarda dos Jesuítas), transformando Évora num pólo cultural importante, acolhendo alguns vultos da cultura de então: Nicolau Clenardo, André de Resende, Pedro Nunes, António Barbosa, entre outros.
 
Henrique era o quinto filho de D. Manuel I e sua segunda mulher Maria de Aragão, e era irmão mais novo do Rei D. João III. Como se compreende, Henrique não tinha tido a esperança de subir ao trono.
 
Bem cedo na sua vida, Henrique recebeu o sacramento da ordenação, para promover os interesses portugueses na Igreja Católica, na altura dominada pela Espanha. Ele subiu cedo na hierarquia da Igreja, tendo sido rapidamente Arcebispo de Braga, primeiro Arcebispo de Évora, Arcebispo de Lisboa e ainda Inquisidor-mor antes de receber o título de Cardeal, com o título dos Santos Quatro Coroados (1546). Embora nunca tenha assistido a qualquer conclave, chegou a ser apontado como um dos favoritos a suceder no trono de São Pedro nos dois conclaves de 1555 (inclusivamente, o seu irmão João III de Portugal pediu ao cunhado, o imperador Carlos V, que favorecesse a ascensão do seu irmão ao sólio pontifício, através da compra dos votos do colégio dos cardeais).
 
Henrique, mais do que ninguém, empenhou-se em trazer para Portugal a ordem dos Jesuítas, tendo utilizado os seus serviços no Império Colonial.
 
Serviu como regente para o seu sobrinho de segundo grau Sebastião, após 1557, e mais tarde o sucederia como rei, após a desastrosa Batalha de Alcácer-Quibir em 1578, depois de receber a confirmação da sua morte, no Mosteiro de Alcobaça. Henrique renunciou então ao seu posto clerical e procurou imediatamente uma noiva por forma a poder dar continuidade à Dinastia de Avis, mas o Papa Gregório XIII, que era um familiar dos Habsburgos, não o libertou dos seus votos.
 
Mesmo com o sério problema da sucessão em mãos, D. Henrique nunca aceitou a hipótese de nomear seu herdeiro no trono, o seu outro sobrinho, o Prior do Crato, pois não reconhecia a legitimidade de D. António; por consequência após a sua morte, de facto D. António, o Prior do Crato, subiu ao trono, mas não conseguiu mantê-lo, perdendo-o para seu primo Filipe II de Espanha, na batalha com o duque de Alba.
 
Foi aclamado rei na igreja do Hospital de Todos-os-Santos, no Rossio, sem grandes festejos. Caberia-lhe resolver o resgate dos muitos cativos em Marrocos. O reino, então jubilante pela juventude com que D. Sebastião liderava, perde o ânimo com a notícia e exige ao rei a vingança pelo sucedido que, entretanto, adoecia.
 
O Rei-Cardeal morreu em 1580, durante as Cortes de Almeirim, deixando uma Junta de cinco governadores: o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas.
 
Em Novembro de 1580, enviou o Duque de Alba para reivindicar o Reino de Portugal pela força. Lisboa caiu rapidamente e Filipe I de Portugal foi eleito Rei de Portugal, com a condição de que o Reino e os seus territórios ultramarinos não se tornassem províncias espanholas.
 
Quadra popular:
 
Que o cardeal-rei D. Henrique
Fique no Inferno muitos anos
Por ter deixado em testamento
Portugal aos Castelhanos.
 
 
D. Henrique foi sepultado primeiramente em Almeirim, tendo depois o seu sobrinho Filipe II de Espanha feito-o sepultar, em 1582, no transepto da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde descansa junto do sobrinho-neto morto em Alcácer-Quibir, D. Sebastião (cuja sepultura foi também aí colocada por ordem de Filipe).
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Mindelo (Vila do Conde)

 
Localização do Concelho de Vila do Conde e Brasão de Mindelo

Localização do Concelho de Vila do Conde e Brasão de Mindelo




O Mindelo é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila do Conde, com 5,44 km² de área e 3 402 habitantes (2001). Densidade: 625,4 hab/km². Está inserida na Área Metropolitana do Porto, na zona costeira Noroeste de Portugal. Dista cerca de 5 km da sede do Concelho, 10 km do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, 15 km do Porto de Mar da Póvoa de Varzim e 20 km da cidade do Porto. Tem como freguesias confrontantes: Árvore pelo norte, Fajozes e Gião pelo nascente, Modivas e Vila Chã pelo sul e o Oceano Atlântico pelo poente. Acessos pela EN13 ou A28, ou pela linha B do Metro do Porto.
 
Economia
 
A agro-pecuária, a indústria tradicional e de ponta, os serviços e o turismo, constituem as principais actividades económicas da freguesia.
 
Sociedade e Educação
 
A freguesia tem um movimento associativo forte e empenhado em contribuir para o desenvolvimento social da população. A Associação dos Amigos de Mindelo para a Defesa do Ambiente, a Associação Cultural e Desportiva de Mindelo (ACDM), a Associação Recreativa Rancho Regional de Mindelo (ARRRM), o Centro Social de Mindelo – IPSS e o Corpo Nacional de Escutas – Agrup. 572, têm tido um papel notável, pelas acções que têm desenvolvido em prol do Ambiente, da Cultura, do Desporto, do Recreio, da Solidariedade e da Formação.
 
A Educação é assegurada pelos Jardins de Infância e Escolas do 1º ciclo do Carvalhal e da Areia e pela Escola do 2º e 3º ciclos D. Pedro IV.
 
Mindelo é a primeira freguesia do País com um processo de Agenda 21 local, forma de envolvimento da comunidade na identificação de problemas e na definição de prioridades, rumo ao Desenvolvimento Sustentável e à Qualidade de Vida.
 
Património e História
 
O documento mais antigo com referências a Mindelo data de 1068 e refere-se a um trespasse aqui efectuado. Outros documentos anteriores ao ano de 1100 citam a vila de Amidjelus, que viria a dar o nome a Mindelo. Integra desde 1836 o município de Vila do Conde. Como nota histórica relevante, de referir o desembarque do exército liberal, comandado por D. Pedro IV, nas praias entre Mindelo e Pampolide, em 8 Julho de 1832, cujos soldados ficaram conhecidos por Bravos do Mindelo.
 
Bravos do Mindelo foi a designação dada durante o processo de glorificação dos vencedores das guerras liberais portuguesas aos membros das forças liberais que participaram no desembarque do Mindelo.
 
Desembarque do Mindelo é a designação dada ao desembarque das tropas liberais a norte do Porto em 8 de Julho de 1832, durante as Guerras Liberais, nome pela qual ficou conhecida a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). O desembarque, que envolveu cerca de 7.500 homens, entre os quais se contavam Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António Aguiar, transportados por 60 navios, permitiu às forças liberais tomar a cidade do Porto no dia 9 de Julho, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cerco do Porto. D. Miguel acabaria por capitular em 1834, em Évora-Monte, abrindo caminho à implantação definitiva do Liberalismo em Portugal. Apesar do nome pelo qual ficou conhecido, o desembarque não ocorreu na vila de Mindelo, mas antes praia da Arenosa de Pampelido, actual Praia da Memória, na freguesia da Lavra, concelho de Matosinhos.
 
Do património arquitectónico religioso de Mindelo constam a igreja paroquial de S. João Evangelista (séc. XVIII) e a capela de S. Pedro dos Mareantes (séc. XX).
 
De referir ainda outros edifícios com interesse arquitectónico associados à actividade agrícola, nomeadamente na rua do Covelo e na rua de Paredes, bem como o edifício da “Vila Corina” (séc. XIX), onde já funcionou o liceu.
 
 
Principais Eventos
  • Festival de concertinas e cantares ao desafio (Primavera)
  • Festa de São Pedro (finais de Junho)
  • Festa do Padroeiro, São João Evangelista (primeiro Domingo de Agosto)
  • Festival Folclórico (segundo Domingo de Agosto)
  • Festas do Menino, cortejos de Natal
 
A Reserva Ornitológica de Mindelo (ROM) é a única área costeira na Área Metropolitana do Porto que mantém as suas características naturais. Com uma área de cerca de 600 ha é formada por um conjunto de praias e dunas embrionárias e interiores, campos agrícolas e manchas florestais, sendo atravessada pela Ribeira de Silvares. Por essa razão é alvo de diversos estudos científicos, nomeadamente, o estudo das aves (ornitologia). Por aqui passam mais de 150 espécies de aves, existindo também mamíferos e uma grande variedade de espécies de anfíbios. Foi, em 1957, a primeira área protegida criada em Portugal.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Recordando... faz hoje um ano...

 

"Domingo, 29 de Janeiro de 2006
Neve na Figueira da Foz

 
Esta manhã nevou na cidade da Figueira da Foz durante mais de 2 horas e com alguma intensidade. A praia ficou linda !...
Aqui já não se via este espectáculo há muitos anos !...
Nevou desde a zona centro do País, até ao Algarve, e esteve cortada a auto-estrada A1 entre Leiria e Pombal, acabando por serem encerradas muitas outras vias..."
 
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Há um ano os lisboetas assistiram à queda de neve, o que não acontecia há 52 anos na cidade. Por coincidência, voltou a nevar ontem, 28-Jan-2007, em algumas zonas da capital, mas com pequena intensidade, muitos residentes nem se aperceberam...
 
 
Algumas fotografias na zona da Figueira da Foz, em 29-Janeiro-2006

































  

Mais fotografias, de quase todo o País,
 
no

Blog NEVE E FRIO


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Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Fafe (Portugal)

 
Praça 25 de Abril, em Fafe

Praça 25 de Abril, em Fafe




Fafe é uma cidade portuguesa no Distrito de Braga, Região Norte e sub-região do Ave, com cerca de 15 300 habitantes. É sede de um município com 218,87 km² de área e 52 757 habitantes (2001), subdividido em 36 freguesias. Até 1840 o concelho tinha a designação de Montelongo ou Monte Longo. O município é limitado a norte pelos municípios de Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho, a leste por Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, a sul por Felgueiras e a oeste por Guimarães. É banhado pelo Rio Vizela.
 
O rio Vizela nasce na Serra da Cabreira, no concelho de Fafe, e é afluente do rio Ave. Tem um comprimento aproximado de 45 km. No seu percurso, na direcção nordeste-sudoeste, banha sucessivamente os concelhos de Fafe, Felgueiras, Guimarães, Vizela e Santo Tirso. É neste rio que se encontra a barragem de Queimadela.
 
 
As freguesias de Fafe são as seguintes:
 
Aboim, Agrela, Antime, Ardegão, Armil, Arnozela, Cepães, Estorãos, Fafe, Fareja, Felgueiras, Fornelos, Freitas, Golães, Gontim, Medelo, Monte, Moreira do Rei, Passos, Pedraído, Queimadela, Quinchães, Regadas, Revelhe, Ribeiros, Santa Cristina de Arões, São Clemente de Silvares, São Gens, São Martinho de Silvares, São Romão de Arões, Seidões, Serafão, Travassós, Várzea Cova, Vila Cova. e Vinhós.
  
 
A Igreja de São Romão de Arões situa-se na freguesia de São Romão de Arões, concelho de Fafe. A igreja foi fundada por D. Gomes de Freitas, no século XI e é constituída por uma só nave rectangular, como quase todas as outras igrejas românicas construídas nas zonas rurais de Portugal, coberta por telhado de madeira com caixotões.
 
O monumento tem uma bonita capela-mor, de dois tramos, coberta por abóbada quadrada. A esta acede-se por um arco triunfal de arquivoltas quebradas que, tal como o arco divisório da cabeceira, assenta em capitéis decorados com motivos vegetalistas, os da capela-mor – onde correm frisos com enxaquetados, palmetas e lanceolados – e temáticos, os de arco triunfal – castigo e redenção, animais devorando os pecadores e aves bebendo da mesma taça. Dos portais destaque para o axial, situado na fachada ocidental – eixo Nascente/Poente, uma vez que reforça o percurso, entrada altar, é um portal simples, pouco profundo, sem colunas, tem escrito no tímpano da porta o símbolo cristão «Agnus Dei», que de acordo com elementos descobertos teria uma decoração mais rica nas arquivoltas, ostentando a exterior, uma teoria de cabeças de animais mordendo o toro da moldura. Transposto o portal principal penetramos num espaço que se estrutura em função de uma só nave, relativamente mais alta em comparação com a capela-mor, explicando-se talvez pelo período tardio da sua construção. A igreja tem somente uma porta lateral, virada a Sul, com um tímpano preenchido por inscrições.
 
Este templo é composto por dois blocos rectangulares separando funções por volumes. Tem um bloco acrescentado ao corpo da nave que hoje desempenha a função de sacristia, ao mesmo tempo que serve de suporte à torre sineira, ambos de construção posterior.
 
Transposto o portão principal penetramos num espaço que se estrutura em função de uma só nave, relativamente mais alta em comparação com a capela-mor, explicando-se talvez pelo período tardio da sua construção.
 
A cobertura deste templo, como quase todos os templos românicos destas dimensões, é de madeira, mas posteriormente forrada com caixotões decorativos.
 
Elemento típico do edifício românico, o coro, localizado no fundo da igreja, tem aqui, na igreja de S. Romão de Arões, uma função mais para albergar os fiéis do que por afirmação de uma cultura arquitectónica. É um coro pouco desenvolvido.
 
A transição entre o corpo da nave e o corpo da capela-mor faz-se transpondo o arco triunfal. A cabeceira, com pavimento mais elevado e a parte mais nobre da igreja, é onde se encontram lavores decorativos. Esta encontra-se dividida por dois tramos com capitéis semelhantes ao arco triunfal e com decoração tipicamente românica.
 
A cobertura é executada por uma abóbada de canhão, que tal como o arco triunfal é bastante quebrada. A luminosidade interior é pequena, pormenor tipicamente românico. A luz do dia entra unicamente por algumas frestas, todas à mesma altura, bastante estreitas, tipo vigias.
 
Os contrafortes são utilizados como solução construtiva, sendo importantes na estrutura do edifício, pois são utilizados onde se exerce maior peso – na capela-mor que é abobadada. As abóbadas pesadas das igrejas românicas exerciam grandes pressões. Para garantir a solidez do edifício, eram necessárias colunas maciças e paredes muito espessas, em que apenas se podiam fazer coberturas estreitas, situadas obrigatoriamente acima dos pontos de apoio, que deviam ser reforçados também a partir do exterior, por poderosos contrafortes.
 
Lateralmente, as arcadas cegas, pelo seu aspecto pesado e profundo, desempenham também a função de contrafortes.
 
No corpo da nave a segunda linha de contrafortes fica-se pelo arranque, precisamente no mesmo ponto onde há uma diferença no aparelho da pedra.
 
Esta igreja sofreu, ao longo dos tempos, obras diversas que lhe foram alterando as suas características originais de obra românica, as quais levaram a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais a incluí-la nas suas obras de salvamento.
 
Foi restaurada, tendo-lhe sido retirado tudo o que de algum modo poderia amesquinhar ou descaracterizar a construção primitiva, e reaberta ao culto em 1935.
 
Esta igreja insere-se num conjunto de pequenas igrejas e capelas rurais com soluções arquitectónicas bastante simples e de modesta decoração que se desenvolveram em Portugal no período românico, adaptando-se às condições económicas, sociais e às características dos lugares onde foram edificadas.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sábado, 27 de Janeiro de 2007

Lagos (Portugal)

 
Lagos com a Meia Praia ao fundo

Lagos com a Meia Praia ao fundo

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Lagos é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com cerca de 17 500 habitantes. É sede de um município com 213,92 km² de área e 25 397 habitantes (2001), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Monchique, a leste por Portimão, a oeste por Vila do Bispo, a noroeste por Aljezur e a sul tem litoral no Oceano Atlântico.
 
A cidade de Lagos é servida pelas Estradas Nacionais 120 e 125 e pela auto-estrada Via do Infante. Lagos possui ligação ferroviária, sendo uma estação terminal da Linha do Algarve.
 
 
História de Lagos
 
Lagos é uma povoação marítima com mais de 2000 anos. A sua importância aumentou imenso durante o período das grandes navegações marítimas Portuguesas do século XV. O Infante Dom Henrique, conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador, viveu em Lagos, comandando muitas expedições que partiram desta cidade em direcção às conquistas em Marrocos e à descoberta das costas ocidentais africanas. Lagos foi elevada a cidade por el-rei D. Sebastião em 1573, aquando da sua deslocação ao Reino do Algarve; contudo, a carta de confirmação do título apenas foi passada pela chancelaria régia no reinado do seu sucessor, o tio-avô Cardeal D. Henrique, em 1579. Lagos antiga era uma cidade lindíssima com muitos monumentos, até ao momento do grande Terramoto de 1755  e pelo subsequente tsunami, tendo no entanto sobrevivido entre outros, algumas muralhas do século XVI, o palácio do governador e o mercado de escravos, que se crê ter sido o primeiro na Europa de escravos negros.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Fortaleza, Farol e Capela da Guia (Macau)

 
A Capela e o Farol da Guia, localizados no interior da Fortaleza da Guia

A Capela e o Farol da Guia, localizados no interior da Fortaleza da Guia

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A Fortaleza da Guia, a Capela de Nossa Senhora da Guia e o Farol da Guia simbolizam o passado marítimo, militar e missionário de Macau. Estes 3 edifícios de grande valor, situados na colina mais alta de Macau (a Colina da Guia), são incluídos na Lista dos monumentos históricos do "Centro Histórico de Macau", por sua vez incluído na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO.
 
 
Fortaleza da Guia
 
A construção da Fortaleza da Guia foi terminada em 1622. Em 1638, ela foi ampliada para aumentar a capacidade defensiva. Durante a tentativa holandesa de invasão a Macau (1622), ela desempenhou, juntamente com a Fortaleza do Monte, um papel fundamental e importantíssimo na defesa da Cidade.
 
Ela tem uma área de 800 m2, eleva-se a 90 metros acima do nível médio das águas do mar e apresenta uma planta trapezoidal. Está equipada com um posto de sentinela, cisternas, um depósito de munições e uma torre de vigia.
 
No interior desta importante estrutura de defesa, encontram-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, construída por volta de 1622, e o Farol da Guia, o primeiro farol do Extremo Oriente, construído em 1865.
 
Dentro da fortaleza, perto do Farol e da Capela da Guia, existe uma rede de túneis subterrâneos que, antigamente, tinham o objectivo de proteger a guarnição militar desta fortaleza dos ataques aéreos. Serviam também de instalações militares com os seus próprios geradores de energia eléctrica, salas de descanso e depósitos de combustíveis e de mantimentos. O túnel mais comprido tem 456 metros e o mais curto apenas 47.
 
A fortaleza, até à saída da Guarnição Militar Portuguesa de Macau (1976), manteve-se como uma zona de reserva militar, de entrada restrita. Só no dia 25 de Agosto (dia de "Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior") e no dia do Culto dos Antepassados (ou também chamada, em chinês, de "Chong Yeong") é que era permitido a entrada de fiéis para a Capela, dedicada a Nossa Senhora da Guia. Depois de 1976, a fortaleza, incluindo os túneis subterrâneos, foi aberta ao público e tornou-se uma atracção turística.
 
Na fortaleza, próximo do Farol, existe um poste onde é içado o aviso de aproximação de tufões. Antigamente, os avisos da aproximação das tempestades eram feitos pelo toque do sino da torre da capela.
 
 
Capela de Nossa Senhora da Guia
 
A Capela de Nossa Senhora da Guia, também chamada de Ermida de Nossa Senhora da Guia, foi construída por volta de 1622 no interior de Fortaleza da Guia. Originalmente, esta ermida era administrada por freiras clarissas, que residiram no local até à fundação do Convento de Santa Clara. Algumas lendas locais contam que, durante a tentativa de invasão holandesa (1622), a imagem da Virgem Maria saiu da capela e estendeu o manto para afastar as balas dos inimigos. Nesta ermida, foram sepultados alguns missionários do séc. XVII.
 
A fachada da capela é de cor branca e simples, com um frontão triangular assente sobre pilastras de cor amarela. Esta pequena capela, de nítido traçado português, é composta por um pequeno coro-alto, situado por cima da zona da entrada, e por uma nave de 16m por 4,7 m. As suas grossas paredes, decoradas com pinturas murais, sustentam a abóbada interior. O telhado, em forma de arco, está coberto com telhas tradicionais vermelhas, feitas de cera.
 
Em 1998, durante a realização de trabalhos de manutenção, foram descobertas pinturas murais no seu interior. Estas pinturas foram tapadas por camadas de cal, depositadas ao longo de quase dois séculos. Estes frescos ilustram personagens bíblicas e as suas respectivas histórias, e também ilustram figuras de estilo chinês (ex: morcegos, leões de pedra, bonsai...). É a única capela existente no Sul da China com pinturas decorativas no interior, representando perfeitamente um exemplo da dimensão multicultural de Macau (um lugar onde a cultura ocidental e oriental se encontram e convivem harmoniosamente).
 
 
Farol da Guia
 
O Farol da Guia é o primeiro e o mais antigo farol do Extremo Oriente. Em 1864, começou a construção deste farol e, no dia 24 de Setembro de 1865, entrou finalmente em serviço. Uma tempestade, em Setembro de 1874, causou grandes danificações a esta torre de grande importância. Seguiu-se rapidamente as obras de restauro e foi-lhe adicionado um novo mecanismo. Entrou novamente em serviço no dia 29 de Junho 1910. Hoje, ele continua a funcionar.
 
O Farol, situado nas proximidades da Capela de Nossa Senhora da Guia e no interior da Fortaleza, tem uma altura de 15 metros. A base do farol tem um diâmetro de 7 m e o topo um diâmetro de 5 metros. No topo foi construído uma área circular de observação, na qual está instalada a lanterna do farol. Uma escadaria em espiral, situada no interior da estrutura, conduz as pessoas ao transmissor de luz. A torre de 3 andares, pintada de branco, tem um exterior rústico e simples, em harmonia com a Capela.
 
A sua localização (113º 55” Leste e 21º 11” Norte) foi adoptada como as coordenadas geográficas oficiais de Macau.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Guerra Colonial Portuguesa

 
Teve e seu início há 46 anos...

Colónias portuguesas em África no período da Guerra Colonial

Colónias portuguesas em África no período da Guerra Colonial

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Embarque de tropas portuguesas

Embarque de tropas portuguesas

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Soldados portugueses nas matas de Angola

Soldados portugueses nas matas de Angola

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Monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar, em Lisboa

Monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar, em Lisboa

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Designa-se por Guerra Colonial, ou Guerra do Ultramar, o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique, entre 1961 e 1974. A expressão guerra colonial  está tecnicamente incorrecta já que os territórios ultramarinos portugueses tinham o estatuto de províncias e não de colónias.
 
O início deste episódio da história militar portuguesa ocorreu em Angola, a 4 de Fevereiro de 1961, na zona que viria a designar-se por Zona Sublevada do Norte (ZSN), que corresponde aos distritos do Zaire, Uíje e Quanza-Norte. A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim. Com a mudança do rumo político do país, o empenhamento militar das forças armadas portuguesas deixou de fazer sentido. Os novos dirigentes anunciavam a democratização do país e predispunham-se a aceitar as reivindicações de Independência das colónias — pelo que se passaram a negociar as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.
 
Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multiracial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de auto-determinação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta.
 
Contexto político-social
 
Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistência à presença das potências coloniais. Porém, ao longo do século XX, o sentimento nacionalista — fortemente impulsionado pelas primeira e segunda guerras mundiais — era patente em todas as movimentações europeias, pelo que não será surpreendente notar o seu alastramento às colónias, já que também muitos dos seus nativos nelas participaram, expondo o paradoxo da celebração da vitória na luta pela libertação, em território colonial, ainda submetido e dependente.
 
Por outro lado, também as grandes potências emergentes da II Guerra Mundial, os Estados Unidos da América e a União Soviética, alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. É neste contexto que a Conferência de Bandung, em 1955, irá conceder voz própria às colónias, que enfrentavam os mesmos problemas e procuravam uma alternativa ao simples alinhamento no conflito bipolar que confrontava as duas grandes potências. Estas, eram, assim, chamadas a considerar com outra legitimidade as reivindicações do chamado Terceiro Mundo, quer para manter o equilíbrio nas relações internacionais da Guerra Fria, quer para canalizar os sentimentos autonomistas para seu benefício, como zona de influência. A influência externa nas colónias perdia a orientação meramente separatista e desestabilizadora, e caminhava para um efectivo apoio - ou entrave - nas relações com os países colonizadores.
 
No final da década de 1950, as Forças Armadas Portuguesas viam-se confrontadas com o paradoxo da situação política gerada pelo Estado Novo, que haviam implantado e sustentado desde 1926: por um lado, a política de neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial colocava as Forças Armadas Portuguesas afastadas de um eventual confronto Leste-Oeste, por outro, aumentava, na perspectiva do regime, a responsabilidade na manutenção da soberania sobre os vastos territórios ultramarinos, onde a tensão do pós-guerra avizinhava lutas independentistas nas colónias da Europa Imperial. Contudo, os mesmos dirigentes que afastaram Portugal da luta pela libertação europeia, optaram por integrar o país na estrutura militar da NATO, num subtil desejo de se aliar aos vencedores, em detrimento da preparação para as ameaças nos espaços coloniais, que o próprio regime considerava imprescindíveis para a sobrevivência nacional.
 
Esta integração de Portugal na Aliança Atlântica iria formar uma elite de militares que se tornaria indispensável para o planeamento e condução das operações durante a Guerra do Ultramar. Esta "geração NATO" ascenderia rapidamente aos mais altos cargos políticos e de comando, sem necessidade de dar provas de fidelidade para com o regime. A Guerra Colonial estabelecia, assim, incompatibilidades entre a estrutura militar — fortemente influenciada pelas potências ocidentais, de regime democrático — e o poder político. Alguns analistas consideram que o chamado «golpe Botelho Moniz» marcou o início desta ruptura, bem como a origem de uma certa desconfiança do regime em relação à manutenção de um único centro de comando, perante a ameaça do confronto com a força armada. Esta situação provocaria, como se verificaria mais tarde, a descoordenação entre os três estados-maiores (Exército, Força Aérea e Marinha).
 
Oposição
 
Contrariando o que o Estado pretendia transmitir como sendo de consenso geral, isto é, que as colónias faziam parte da unidade nacional, os comunistas foram os primeiros a opor-se aos confrontos. Na verdade, a primeira organização a manifestar-se publicamente foi o PCP, em 1957, durante o seu V Congresso, pedindo a independência imediata, completa e indolor. Porém, a censura do regime obrigava o partido a representar dois papéis: o de partido político e o de força de coesão entre os sectores oposicionistas, com os quais acordava programas que não reflectiam as suas posições anticoloniais; seguindo a mesma linha de orientação, já assim se tinham manifestado, durante as eleições presidenciais celebradas durante o Estado Novo, onde era defendida essa unidade: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951), Humberto Delgado (1958), e mesmo os candidatos apoiados pelo PCP: Rui Luís Gomes e Arlindo Vicente.
 
Depois da fraude eleitoral de 1958, Humberto Delgado formou o Movimento Nacional Independente (MNI) que, em Outubro de 1960, defendia a necessidade de preparar o povo das colónias, antes de lhe ser concedido o direito à autodeterminação. No entanto, nenhuma data ou metodologia foi sugerida.
 
Assim, a oposição ia-se assumindo lentamente, começando pelo estalar da luta armada, até se aperceber que o conflito estava a durar tempo demais. Em 1961, o nº 8 da Tribuna Militar  tinha como título, "Ponhamos fim à guerra de Angola". Os seus autores estavam ligados às Juntas de Acção Patriótica (JAP), apoiantes de Humberto Delgado, responsáveis pelo ataque ao quartel de Beja. A Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), criada em Dezembro de 1962, contrapunha as posições conciliadoras. O sentimento oficial do estado português, contudo, mantinha-se: Portugal possuía direitos inalienáveis e legítimos sobre as colónias e era isso que era transmitido pelos meios de comunicação e pela propaganda estatal.
 
Em Abril de 1964, o Directório de Acção Democrata-Social reivindicava uma resolução política e não militar. Em sintonia com esta iniciativa, em 1966, Mário Soares sugeria a preparação de um referendo sobre a política ultramarina a seguir por Portugal, e que deveria ser precedido por um debate nacional a realizar durante seis meses.
 
Nem a morte de Salazar fez com que o panorama político se alterasse. Só com as eleições legislativas de 1969 se viria a verificar uma radicalização da atitude política, nomeadamente entre as camadas mais jovens, que mais se sentiam vitimizadas pela continuação da guerra. As universidades desempenharam um papel fundamental na difusão deste posicionamento. Surgem, assim, as publicações Cadernos Circunstância, Cadernos Necessários, Tempo e Modo, e Polémica. É neste ambiente que a Acção Revolucionária Armada (ARA) e as Brigadas Revolucionárias (BR) se revelam como uma importante forma de resistência contra o sistema colonial português, dirigindo os seus ataques, principalmente, contra o Exército.
 
A ARA, vinculada ao PCP, iniciou as suas acções militares em Outubro de 1970, mantendo-as até Agosto de 1972. Destacam-se o ataque à Base Aérea de Tancos contra equipamento da Força Aérea, a 8 de Março de 1971, e o atentado contra as instalações do quartel-general do Comiberlant, em Oeiras, em Outubro do mesmo ano. As BR, por sua vez, iniciaram as acções armadas a 7 de Novembro de 1971, com a sabotagem da base da NATO de Pinhal de Ameiro, verificando-se a última a 9 de Abril de 1974, contra o navio Niassa que se preparava para zarpar de Lisboa transportando tropas para a Guiné. As BR chegaram, inclusive, a agir nas colónias, colocando uma bomba no Comando Militar de Bissau, a 22 de Fevereiro de 1974.
 
Também o alinhamento dos sectores da finança e negócios, classes médias e movimentos operários constituiu um importante ponto de inflexão na contestação à política do regime, em 1973. Apresentavam-se, agora, concordantes quanto à independência das colónias, poucos meses antes do 25 de Abril.
 
 
Foi em Angola o início do conflito armado
 
Em Angola, a sublevação da ZSN foi efectuada pela União das Populações de Angola (UPA) — que passou a designar-se como Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em 1962. A 4 de Fevereiro de 1961, o Movimento Popular de Libertação de Angola reivindicou o ataque à cadeia de Luanda, onde foram mortos sete polícias. A 15 de Março de 1961, a UPA, num ataque tribal, deu origem a um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta região seria reocupada mediante operações militares de grande envergadura que, porém, não conseguiram conter o alastramento das acções de guerrilha a outras regiões de Angola, como Cabinda, o Leste, o Sudeste e planalto central. Ao MPLA, que desempenhou um papel fundamental, há a acrescentar, a partir de 1966, a acção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
 
Com motivações essencialmente tribais, e dirigidos de forma autocrática por Holden Roberto, a actividade da UPA caracterizou-se pela guerrilha rural, realizada por pequenos grupos armados, e pelo massacre de populações, como já se previa na sua primeira acção. Com catanas e algumas espingardas, os canhangulos, procuravam apoderar-se das armas das fazendas e postos administrativos atacados. Não manifestaram interesse em consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem foi apresentado qualquer programa político.
 
Em Angola, os efectivos militares contavam, no início de 1961, com 5000 mililitares africanos e 1500 metropolitanos, organizados em dois regimentos de infantaria — um em Luanda e outro em Nova Lisboa — cada um com dois batalhões de instrução e outro de atiradores, e um grupo de cavalaria, sediado em Silva Porto. A densidade média era, portanto, de um soldado para cada 30 km2. Imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada estavam apenas mil soldados europeus e 1200 africanos.
 
 
O fim da guerra
 
O golpe de estado de 25 de Abril de 1974, planeado e executado por militares dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas, uma nova geração de oficiais de baixa e média patente, formada e criada na guerra, que aprendera a agir com autonomia, levantaria, sob a direcção do MFA, um período revolucionário que transformaria radicalmente o Estado e a sociedade. Embora inúmeros factores tenham contribuído para a Revolução, a Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.
 
O Programa do MFA, da responsabilidade da sua Comissão Coordenadora apresentava, de forma inequívoca, a vontade de possibilitar a independência das colónias. Porém, a remoção desta alínea, negociada durante a noite de 25 para 26 de Abril, levantaria ainda alguns equívocos a respeito, que só seriam esclarecidos pela Lei 7/74 de 27 de Julho. Esta medida levantaria grande parte da cortina que separava o Estado Português de conseguir negociações com os movimentos de libertação. Dava-se assim início ao processo de descolonização.
 
Porém, a ambiguidade das primeiras posições relativas à nova política colonial gerou situações duvidosas que não puderam ser ultrapassadas sem graves desentendimentos. Cada redefinição do processo representava uma dura luta entre António de Spínola e a Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Os dois projectos apresentados para essa nova política diferiam, sobretudo, nas questões ligadas com as futuras relações de Portugal com as colónias; mesmo os pontos concordantes seriam rapidamente submetidos perante a prova prática da realidade, o que exigiu, na maioria das vezes, a sua revisão. Assim, com o esclarecimento pela Lei 7/74, e posterior comunicado conjunto Portugal-ONU, publicado a 4 de Agosto, eram levantadas as últimas dúvidas, dando início à fase definitiva da descolonização.
 
Iniciaram-se as negociações com o PAIGC e com a Frelimo, que levaram à assinatura de protocolos de acordo. Em Argel, a 26 de Agosto ficava concluído o processo entre Portugal e o PAIGC, em que a ex-colónia era reconhecida como Estado soberano, sob o nome de «República da Guiné-Bissau». O último contingente militar regressou da Guiné em 15 de Outubro.
 
Relativamente a Moçambique, seria assinado a 7 de Setembro, em Lusaka, um acordo conducente à independência moçambicana. Contudo, grupos organizados, num movimento contrário ao acordo, assaltaram as instalações da Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques e outras cidades, e seus emissores regionais, sugerindo a intervenção da África do Sul. Esta tentativa destabilizadora do processo de paz viria a fracassar, sob a acção das Forças Armadas Portuguesas.
 
Relativamente a São Tomé e Príncipe e Guiné Portuguesa, foi assinado o Acordo de Argel em 26 de Novembro de 1974.
 
Quanto a Cabo Verde, o acordo entre Portugal e o PAIGC já estabelecia o princípio do acesso deste arquipélago à autodeterminação e independência. Em 17 de Dezembro seria publicado o Estatuto Constitucional de Cabo Verde, prevendo eleições por sufrágio directo e universal, a 30 de Junho de 1975. A assembleia instituída a partir daí proclamou a independência do território a 5 de Julho de 1975.
 
Quanto a Angola, a aproximação dos três movimentos de libertação constituía uma dificuldade para o governo português. Com efeito, pairava a possibilidade do alargamento de um confronto entre os países ocidentais, a África do Sul e a União Soviética. Spínola reunir-se-ia ainda com Mobutu, com alguma continuidade, mas viria a demitir-se do cargo a 30 de Setembro. Com Costa Gomes na Presidência da República Portuguesa, desenvolveram-se conversações dirigidas especificamente a cada um dos movimentos. Inicialmente, com a FNLA, posteriormente com o MPLA. Porém, as várias tentativas de restabelecer a paz em Angola e minimizar o impacto da descolonização seriam deitadas por terra rapidamente. A guerra civil arruinou a serenidade deste processo, agravando a situação interna, com milhares de vítimas e a fuga dos portugueses.
 
Também em Timor-Leste se verificou um período dramático, já que as autoridades portuguesas não tinham como dispor de capacidade para normalizar os conflitos, acabando a Indonésia por invadir a ilha.
 
Em suma, as condições oferecidas pelo novo regime para a descolonização, reconfigurou a situação no continente africano, com a criação de novos países independentes em busca dos seus próprios rumos e afirmação nacional, o que iria contribuir para o desmantelamento do Apartheid na África do Sul.
 
 
Os veteranos de guerra

Foram também vítimas da guerra os soldados que nela participaram, tornando-se uma das faces mais visíveis das consequências do conflito. Não obstante, os hospitais militares tornaram-se simultaneamente, para estes, um refúgio e um depósito onde a sociedade mantinha longe da vista os corpos amputados. Nem o Código de Inválidos de 1929, que visava dar um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial, evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.
 
É também neste contexto que o 25 de Abril de 1974 mostra uma luz de esperança, ao ser instituída a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) que teve como primeiro acto a apresentação à Junta de Salvação Nacional de um conjunto de princípios reivindicativos, que possibilitavam a prestação de serviços de apoio aos associados, desde os processos burocráticos e administrativos, aos cuidados de saúde, reabilitação física e integração social. Esta associação conta com mais de 13 500 associados, ilustrando perfeitamente as necessidades sentidas pelos feridos de guerra. No entanto, alguns levantamentos estatísticos efectuados pela ADFA apontam a marca para os 25 milhares, durante todos os 13 anos de guerra. Em relação ao stress de guerra, a ADFA estima números bastante superiores aos apontados pelas fontes oficiais (560).
Fonte: Wikipédia. 
 


Um testemunho
 
 
"Homenagem à minha Mãe
 
Não foi por engano…
Na verdade, embarquei para Angola no dia 1 de Abril de 1972, onde cumpri parte do serviço Militar obrigatório durante 27 meses, antes tinha feito na Metrópole e na Madeira mais 15, no total 42 meses.
A ideia que me atormentava desde os meus 15/16 anos, tornou-se na altura uma triste realidade, foi inevitável para a quase totalidade da juventude da minha geração.
Partir e deixar a Mãe, os amigos e os colegas de trabalho foi doloroso. Saltava-nos a ideia de ir e não voltar… chegar e não ver todos os que gostávamos era um tormento que por vezes pensávamos mas não queríamos acreditar e quando pensávamos mais acabávamos com ideias que não quero recordar.
Muitos tiveram a coragem de fugir, eu não tive porque o pensamento seguinte era: e depois, nunca mais posso voltar, era pior a emenda que o soneto.
A minha Mãe vivia só comigo, quis o destino que de três Homens ficasse sem nenhum…
Quando fui para a Madeira, menti-lhe dizendo que ia para Lisboa 3 meses…
Ia e vinha de 3 em 3 semanas, durante não 3 mas 5 meses e foi fácil convencer-se que afinal eu estaria em Lisboa!...
O pior estava para vir.
Mas quando estava para embarcar para Angola voltei a mentir-lhe dizendo desta vez que ia para a Madeira… e só depois de já estar “no mato” lhe escrevi dizendo que estava em Angola, em Luanda (mais uma mentira piedosa).
Quem cá deixei fez o trabalho mais difícil que foi amparando-a e dizendo palavras de circunstância. Passados 10 meses vim de férias e as coisas ficaram mais esclarecidas já que aparentemente eu estava bem o que a tranquilizou.
Os restantes meses passaram com mais ou menos sobressaltos mas a história só fica completa depois do meu regresso definitivo e por aqui se pode aferir dos meses de terror e sobressalto em que viveu aquela senhora…
…Eu tinha chegado no dia 13 de Junho de 1974. Como acontecia com os militares que vinham em fim de missão, traziam os seus haveres mais leves e enviavam de barco os mais pesados. Estes vinham em malas de porão e os meus chegaram a 23 de Agosto de 74, um carro militar chegou a minha casa e disse-lhe que tinham “um caixote” para lhe entregar que era do filho que esteve em Angola.
Era um caixote em madeira, que aos olhos da minha pobre Mãe mais lhe pareceu o meu caixão… valeu-lhe um Alferes que acompanhou a entrega do meu espólio que com algum bom senso lhe transmitiu palavras que a confortaram.
Foram 27 meses que passou sempre a aguardar uma má noticia.
No dia 27 de Agosto D. Maria, minha pobre Mãe teve um AVC que a mandou para uma cama do Hospital, até aos fins da sua vida.
Faleceu em Novembro de 1987.
Que Deus a tenha em descanso."
 
Agradeço a José Lessa a colaboração com este testemunho.
 
 
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

A Natureza

 
A Terra vista do espaço. Fotografia tirada pela tripulação da Apollo 17

A Terra vista do espaço. Fotografia tirada pela tripulação da Apollo 17

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Exemplo de paisagem natural

Exemplo de paisagem natural

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A expressão Natureza aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o facto de ser natural, ou seja, envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção antrópica (modificação efectuada pelo Ser Humano no ambiente natural).
 
Dessa noção da palavra, surge o seu significado mais amplo: a Natureza corresponde ao mundo material e, em extensão, ao Universo físico: toda a sua matéria e energia, inseridas num processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias (estudadas pelas ciências naturais).
 
A palavra vem do latim natura.
 
 
Escala
 
A escala abrangida pela palavra Natureza, dentro deste contexto, envolve desde o sub-atómico até o amplamente universal, como os planetas e as estrelas. Tomando como o recorte a escala do homem, inclui basicamente o meio ambiente natural e normalmente exclui o meio ambiente construído, de forma a ser tradicionalmente associada à vida selvagem, aos fenómenos e recursos naturais e aos seus processos e dinâmicas próprios. Há também, porém, definições que incluem o meio-ambiente alterado pelo homem como elemento da Natureza.
 
A associação mais popular que se faz à palavra Natureza, ligando-a à definição do parágrafo anterior,  confunde-a com a ideia de paisagem natural: a paisagem é o resultado dos processos complexos presentes num determinado ambiente, enquanto a Natureza envolve vários, os próprios processos e o resultado.
 
 
Realidade
 
O mundo natural costuma estar associado ao mundo real.
 
 
A metafísica
 
Teoricamente, aquilo que está além da percepção natural deste mundo real (os fenómenos físicos) faz parte do mundo metafísico, um ramo da filosofia que estuda o mundo como ele é. A saber, é o estudo do ser ou da realidade.
 
 
Estudo da Natureza
 
O estudo sistematizado dos elementos da Natureza, aos seus processos, actividades e consequências dá-se através das Ciências Naturais.
 
 
Natureza e o homem
 
Preocupação ambiental
 

O crescimento das populações, o aumento do consumo ligado às inovações tecnológicas, à escala global, uma proliferação de resíduos que contaminam o ambiente, afectando os ecossistemas.
 
No sentido de permitir um desenvolvimento sustentável, o Homem tem vindo a desenvolver práticas que permitem a protecção e a conservação da Natureza. Dessas práticas podem destacar-se:
  • Tratamento de resíduos sólidos
  • Tratamento das águas
  • Conservação de certas áreas protegidas notáveis
 
Considera-se a paisagem como sendo o resultado material de todos os processos (naturais e sociais) que ocorrem num determinado sítio. A paisagem é portanto construída a partir da síntese de todos os elementos presentes neste local e a sua apreensão se dá pela imagem resultante dela (uma definição tradicional da paisagem é a de um espaço territorial abrangido pelo olhar). Uma paisagem é o mesmo que um espaço, é tudo o que posso ver ao meu redor, isto é, tudo o que posso ver numa extensão ou espaço.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Rafael Bordalo Pinheiro

 
Retrato de Rafael Bordalo Pinheiro      Imagem em barro do Zé Povinho

     Retrato de Rafael Bordalo Pinheiro        Imagem em barro do Zé Povinho




Rafael Bordalo Pinheiro
, desenhador e aguarelista, ilustrador de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor. Um nome que está intimamente ligado à caricatura portuguesa, à qual deu um grande impulso, imprimindo-lhe um estilo próprio levando a uma visibilidade nunca antes atingida. Autor da figura popular Zé Povinho  que se veio a tornar num símbolo do povo português.
 
Biografia
 
Nasceu em 1846 em Lisboa. Filho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, cedo ganha o gosto pelas artes.
 
Em 1860 inscreve-se no conservatório e posteriormente matricula-se sucessivamente na Academia de Belas Artes (desenho de arquitectura civil, desenho antigo e modelo vivo), no Curso Superior de Letras e na Escola de Arte Dramática, para logo de seguida desistir. Estreia-se no Teatro Garrett embora nunca venha a fazer carreira como actor.
 
Em 1863, o pai arranja-lhe um lugar na Câmara dos Pares, onde acabou por descobrir a sua verdadeira vocação, derivado das intrigas políticas dos bastidores.
 
Casa em 1866 com Elvira Ferreira de Almeida e no ano seguinte nasce o seu filho Manuel Augusto.
 
Começa por tentar ganhar a vida como artista plástico com composições realistas apresentando pela primeira vez trabalhos seus em 1868 na exposição promovida pela Sociedade Promotora de Belas-Artes, onde apresenta 8 aguarelas inspiradas nos costumes e tipos populares, com preferência pelos campinos de trajes vistosos. Em 1871 recebe um prémio na Exposição Internacional de Madrid. Paralelamente vai desenvolvendo a sua faceta de ilustrador e decorador.
 
Em 1875 cria a figura do Zé Povinho, publicada n'A Lanterna Mágica. Nesse mesmo ano, parte para o Brasil onde colabora em alguns jornais e a enviar a sua colaboração para Lisboa, voltando a Portugal em 1879 e lança O António Maria.
 
Experimenta em 1885 trabalhar o barro e começa o fabrico da louça artística das Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.
 
Morre a 23 de Janeiro de 1905, faz hoje 102 anos, em Lisboa, no nº 28 da Rua da Abegoaria (actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro).
 
O Desenhador
 
Bordalo Pinheiro deixou um legado iconográfico verdadeiramente notável, tendo produzido dezenas de litografias. Compôs inúmeros desenhos para almanaques, anúncios e revistas estrangeiras como El Mundo Cómico (1873-74), Ilustrated London News, Ilustracion Española y Americana (1873), L'Univers Illustré e El Bazar. Fez desenhos em álbuns de senhoras, foi o autor de capas e de centenas de ilustrações em livros, e em folhas soltas deixou portraits-charge  de diversas personalidades. Começou a fazer caricatura por brincadeira como aconteceu nas paredes dos claustros do edifício onde dava aulas o Professor Jaime Moniz, onde apareceram, desenhados a ponta de charuto, as caricaturas dos mestres. Mas é a partir do êxito alcançado pel'O Dente da Baronesa (1870), folha de propaganda a uma comédia em 3 actos de Teixeira de Vasconcelos, que Bordalo entra definitivamente para a cena do humorismo gráfico.
 
Dotado de um grande sentido de humor mas também de uma crítica social bastante apurada e sempre em cima do acontecimento, caricaturou todas as personalidades de relevo da política, da Igreja e da cultura da sociedade portuguesa. Apesar da crítica demolidora de muitos dos seus desenhos, as suas características pessoais e artísticas cedo conquistaram a admiração e o respeito público que tiveram expressão notória num grande jantar em sua homenagem realizado na sala do Teatro Nacional D. Maria II, em 6 de Junho de 1903 que, de forma inédita, congregou à mesma mesa praticamente todas as figuras que o artista tinha caricaturado.
 
Na sua figura mais popular, o Zé Povinho, conseguiu projectar a imagem do povo português de uma forma simples mas simultaneamente fabulosa, atribuindo um rosto ao país. O Zé Povinho continua ainda hoje a ser retratado e utilizado por diversos caricaturadores para revelar de uma forma humorística os podres da sociedade.
 
O Ceramista
 
Após a constituição da fábrica de faiança das Caldas da Rainha, Rafael Bordalo Pinheiro dedica-se à produção de peças de cerâmica que, nas suas mãos, rapidamente, adquiriram um cunho original. Jarras, vasos, bilhas, jarrões, pratos e outras peças demonstram um labor tão frenético e criativo quanto barroco e decorativista, características, aliás, também presentes nos seus trabalhos gráficos. Mas Bordalo não se restringiu apenas à fabricação de loiça ornamental. Além de ter desenhado uma baixela de prata da qual se destaca um originalíssimo faqueiro que executou para o 3º visconde de S. João da Pesqueira, satisfez dezenas de pequenas e grandes encomendas para a decoração de palacetes: azulejos, painéis, frisos, placas decorativas, floreiras, fontes-lavatório, centros de mesa, bustos, molduras, caixas, e também broches, alfinetes, perfumadores, etc.
 
No entanto, a cerâmica também não poderia excluir as figuras do seu repertório. A par das esculturas que modelou para as capelas do Buçaco representando cinquenta e duas figuras da Via Sacra, Bordalo apostou sobretudo nas que lhe eram mais gratas: O Zé Povinho (que será representado em inúmeras atitudes), a Maria Paciência, a mamuda ama das Caldas, o polícia, o padre tomando rapé e o sacristão de incensório nas mãos, a par de muitos outros.
 
Embora financeiramente a fábrica se ter revelado um fracasso, a genialidade deste trabalho notável teve expressão nos prémios conquistados: uma medalha de ouro na Exposição Colombiana de Madrid em 1892, em Antuérpia (1894), novamente em Madrid (1895), em Paris (1900), e nos Estados Unidos, em St. Louis (1904).
 
O Jornalista
 
Rafael Bordalo Pinheiro destacou-se sobretudo como um homem de imprensa. Durante cerca de 35 anos (de 1870 a 1905) foi a alma de todos os periódicos que dirigiu quer em Portugal, quer nos três anos que trabalhou em terras brasileiras.
 
Semanalmente, durante as décadas referidas, os seus periódicos debruçaram-se sobre a sociedade portuguesa nos mais diversos quadrantes, de uma forma sistemática e pertinente.
 
Em 1870 lançou três publicações: O Calcanhar de Aquiles, A Berlinda e O Binóculo, este último, um semanário de caricaturas sobre espectáculos e literatura, talvez o primeiro jornal, em Portugal, a ser vendido dentro dos teatros. Seguiu-se o M J ou a História Tétrica de uma Empresa Lírica, em 1873. Todavia, foi A Lanterna Mágica, em 1875, que inaugurou a época da actividade regular deste jornalista sui generis que, com todo o desembaraço ao longo da sua actividade, fez surgir e também desaparecer inúmeras publicações. Seduzido pelo Brasil, também aí (de 1875 a 1879) animou O Mosquito, o Psit!!! e O Besouro, tendo tido tanto impacto que, numa obra recente, intitulada Caricaturistas Brasileiros, Pedro Corrêa do Lago lhe dedica diversas páginas, enfatizando o seu papel.
 
O António Maria, nas suas duas séries (1879-1885 e 1891-1898), abarcando quinze anos de actividade jornalística, constitui a sua publicação de referência. Ainda fruto do seu intenso labor, Pontos nos ii são editados entre 1885-1891 e A Paródia, o seu último jornal, surge em 1900.
 
A seu lado, nos periódicos, estiveram Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, João Chagas, Marcelino Mesquita e muitos outros, com contributos de acentuada qualidade literária. Daí que estas publicações constituam um espaço harmonioso em que o material textual e o material icónico se cruzam de uma forma polifónica.
 
Vivendo numa época caracterizada pela crise económica e política, Bordalo, enquanto homem de imprensa, soube manter uma indiscutível independência face aos poderes instituídos, nunca calando a voz, pautando-se sempre pela isenção de pensamento e praticando o livre exercício de opinião. Esta atitude granjeou um apoio público tal que, não obstante as tentativas, a censura nunca logrou silenciá-lo. E todas as quintas-feiras, dia habitual da saída do jornal, o leitor e observador podia contar com os piparotes costumeiros, com uma crítica a que se juntava o divertimento. Mas como era natural, essa independência e o enfrentar dos poderes instituídos originaram-lhe alguns problemas como por exemplo o retirar do financiamento d'O António Maria como represália pela crítica ao partido do seu financiador. Também no Brasil arranjou problemas, onde chegou mesmo a receber um cheque em branco para se calar com a história de um ministro conservador metido com contrabandistas. Quando percebe que a sua vida começa a correr perigo, volta a Portugal, não sem antes deixar uma mensagem:
 
".... não estamos filiados em nenhum partido; se o estivéssemos, não seríamos decerto conservadores nem liberais. A nossa bandeira é a VERDADE. Não recebemos inspirações de quem quer que seja e se alguém se serve do nosso nome para oferecer serviços, que só prestamos à nossa consciência e ao nosso dever, - esse alguém é um infame impostor que mente." ( O Besouro, 1878)
 
 
O Homem de teatro
 
Com 14 anos apenas, integrado num grupo de amadores, pisou como actor o palco do teatro Garrett, inscrevendo-se depois na Escola de Arte Dramática que, devido à pressão da parte do pai, acabou por abandonar. Estes inícios — se revelaram que o talento de Rafael Bordalo não se direccionava propriamente para a carreira de actor — selaram, porém, uma relação com a arte teatral que não mais abandonou.
 
Tendo esporadicamente desenhado figurinos e trabalhado em cenários, Bordalo foi sobretudo um amante do teatro. Era espectador habitual das peças levadas à cena na capital, frequentava assiduamente os camarins dos artistas, participava nas tertúlias constituídas por críticos, dramaturgos e actores. E transpunha, semana a semana, o que via e sentia, graficamente, nos jornais que dirigia. O material iconográfico legado por Rafael Bordalo adquire, neste contexto, uma importância extrema porque permite perceber muito do que foi o teatro, em Portugal, nessas décadas.
 
Em centenas de caricaturas, Rafael Bordalo faz aparecer o espectáculo, do ponto de vista da produção: desenha cenários, revela figurinos, exibe as personagens em acção, comenta prestações e critica gaffes. A par disso, pelo seu lápis passam também as mais variadas reacções do público: as palmas aos sucessos, muitos deles obra de artistas estrangeiros, já que Lisboa fazia parte do circuito internacional das companhias; as pateadas estrondosas quando o público se sentia defraudado; os ecos dos bastidores; as anedotas que circulavam; as bisbilhotices dos camarotes, enfim, todo um conjunto de aspectos que têm a ver com a recepção do espectáculo e que ajudam a compreender o que era o teatro e qual o seu papel na Lisboa oitocentista.
Fonte: Wikipédia. 
 

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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Ilha do Sal

 
Arquipélago de Cabo Verde

Arquipélago de Cabo Verde

 
Cabo Verde - Ilha do Sal - Praia da Santa Maria

Cabo Verde - Ilha do Sal - Praia da Santa Maria

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Sal é uma ilha do grupo do Barlavento de Cabo Verde e concelho do mesmo nome. É uma das menores ilhas habitadas, estendendo-se por 30 km de comprimento e 12 km de largura, no sentido leste-oeste e distante cerca de 50 km em linha recta da Boa Vista, a sua mais próxima vizinha. O concelho do Sal é constituído apenas por uma freguesia: Nossa Senhora das Dores.
 
Ilhas do Barlavento
 
Grupo de ilhas do arquipélago de Cabo Verde integrando (de oeste para leste): Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia (desabitada), São Nicolau, Sal e Boa Vista.
 
Pertencem ainda ao grupo do Barlavento os ilhéus desabitados de Branco e Razo, situados entre Santa Luzia e São Nicolau; o ilhéu dos Pássaros, em frente à cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente; os ilhéus Rabo de Junco, na costa da ilha do Sal e os ilhéus de Sal Rei e do Baluarte, na costa da ilha da Boa Vista.
 
Ilhas do Sotavento
 
Grupo de ilhas do arquipélago de Cabo Verde que inclui (de leste para oeste): Maio, Santiago, Fogo e Brava.
 
Fazem ainda parte do Sotavento o ilhéu de Santa Maria, em frente à cidade da Praia, na ilha de Santiago; os ilhéus Grande, de Cima, do Rei, Luís Carneiro e Sapado, a cerca de 8 km da ilha Brava e o ilhéu da Areia, junto à costa dessa mesma ilha.
 
História da Ilha do Sal
 
A ilha deve o seu nome à descoberta de mina de sal mineral na localidade de Pedra de Lume, em 1833. O seu povoamento iniciou-se no século XIX, tendo pertencido ao concelho da Boavista até 1935. A ilha, praticamente deserta, só começou a ter actividade económica expressiva com a exploração das suas salinas, tornando-se exportadora de sal até meados de 1980.
 
Visando um porto de escala para voos para a América do Sul, em 1939 surgiu na ilha plana, por iniciativa italiana, o aeroporto internacional. O seu desenvolvimento determinou a migração interna, sobretudo de S. Nicolau para a ilha do Sal. O aeroporto internacional Amílcar Cabral é hoje o principal porto de entrada no país e possibilita a exploração de modernos complexos turísticos, que nos últimos 20 anos se vêm instalando, principalmente na vila de Santa Maria.
 
Clima e geografia
 
O Sal tem uma superfície total de 216 km² e uma extensão máxima de cerca de 30 km, com cerca de 14.800 habitantes. Pertence ao grupo das três ilhas do arquipélago de Cabo Verde (do qual também fazem parte Boa Vista e Maio) que partilham as características físicas:
  • Proximidade ao continente africano, o que as torna vulneráveis ao vento quente e seco do deserto que transporta a areia do Saara e anualmente causa uma espécie de nevoeiro conhecido como bruma seca.
  • Planura extrema, apesar da sua origem vulcânica - a inexistência de montanhas que condensem a humidade atmosférica faz com que seja uma ilha muito árida onde a vegetação é escassa.
  • Extensas praias de areia branca, que é transportada pelos ventos a partir do deserto do Saara, o que se revela de grande interesse turístico.
  • Presença de salinas naturais e artificiais (que no caso do Sal deram o nome à ilha).
 
A Vila dos Espargos é a capital e sua cidade mais populosa. Santa Maria, ao sul, é o centro turístico e o segundo maior centro populacional da ilha, dispondo de uma boa estrutura hoteleira.
  
Economia
 
Sal é o principal foco de atracção turística do país. A sua boa rede de hotéis é responsável por mais de 50% das dormidas turísticas em todo o arquipélago. A ilha é plana, condição ideal para abrigar o principal aeroporto do arquipélago, ponto de chegada, partida e escala de diversos voos internacionais, o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral (código internacional SID), localizado no centro da ilha, próximo de Espargos.
 
Ilha do Sal (do VozDiPovo-Online.com)
Fonte: Wikipédia. 
 

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