Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

O Gengibre

 
O Gengibre - os rizomas da planta
 
O Gengibre - os rizomas da planta
 
 

O gengibre é uma planta asiática, originária da ilha de Java, da Índia e da China, de onde se difundiu pelas regiões tropicais do mundo.
 
O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta herbácea da família das Zingiberaceae. Originário da Ásia é conhecido na Europa desde tempos muito remotos, para onde foi levado por meio das Cruzadas. No Brasil, o gengibre chegou menos de um século após o descobrimento. Naturalistas que visitavam o país (colónia, naquela época) achavam que se tratava de uma planta nativa, pois era comum encontrá-la em estado silvestre. Os indígenas chamavam-na de mangaratiá ou magarataia.
 
Hoje, o gengibre é cultivado principalmente na faixa litoral de Santa Catarina, do Paraná e no sul de São Paulo, em razão das condições de clima e de solo mais adequadas. Trata-se de uma planta perene da Família das Zingiberáceas, que pode atingir mais de 1 m de altura. As folhas verde-escuras nascem a partir de um caule duro, grosso e subterrâneo (rizoma). As flores são tubulares, amarelo-claro e surgem em espigas erectas.
 
Usos medicinais
 
Como planta medicinal o gengibre é uma das mais antigas e populares do mundo. As suas propriedades terapêuticas são resultado da acção de várias substâncias, especialmente do óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona.
 
Popularmente, o chá de gengibre, feito com pedaços do rizoma fresco fervido em água, é usado no tratamento contra gripes, tosse, resfriado e até ressaca. Banhos e compressas quentes de gengibre são indicados para aliviar os sintomas de gota, artrite, dores de cabeça e na coluna, além de diminuir a congestão nasal e cólicas menstruais.
 
Desde a Antiguidade, o gengibre é utilizado na fabricação de xaropes para combater a dor de garganta. A sua acção anti-séptica pode ser a responsável pela fama, tanto que muitos locutores e cantores revelam que entre os seus segredos para cuidar bem da voz está o hábito de mastigar lentamente um pedacinho de gengibre. No entanto, esse hábito (mascar gengibre e em seguida cantar ou falar, enfim, fazer uso da voz) é contra-indicado visto que o gengibre possui também propriedades anestésicas e esta "anestesia tópica" diminui o controle da emissão vocal, favorecendo o aparecimento de abusos vocais.
 
No Japão, massagens com óleo de gengibre são tratamentos tradicionais e famosos para problemas de coluna e articulações. Na fitoterapia chinesa, a raiz do gengibre é chamada de Gan Jiang e apresenta as propriedades acre e quente. A sua acção mais importante é a de aquecer o baço e o estômago, expelindo o frio. É usada contra a perda de apetite, membros frios, diarreia, vómitos e dor abdominal. Aquece os pulmões e transforma as secreções. Na medicina Ayurvédica, o Zingiber officinale é conhecido como "medicamento universal".
 
Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a acção dessa planta sobre o sistema digestivo, tornando-a oficialmente indicada para evitar enjoos e náuseas, confirmando alguns dos seus usos populares, onde o gengibre é indicado na digestão de alimentos gordurosos.
 
Cultivo
 
Os rizomas da planta, as partes subterrâneas e comestíveis, são os responsáveis pela propagação vegetativa. A produção no Brasil é pequena e quase totalmente absorvida pelo mercado externo. Para o cultivo, o solo ideal deve ser argilo-arenoso, fértil e de boa drenagem. A cultura necessita de muita água, mas não suporta encharcamento. De acordo com os técnicos do Instituto Agronómico do Paraná, o plantio deve ser feito no início da estação das chuvas.
 
O gengibre prefere solos com pH entre 5,5 e 6,0 e a correcção com calcário deve ser feita no mínimo três meses antes do plantio. Os sulcos de plantio precisam ter cerca de 15 centímetros de profundidade e a distância recomendada entre os rizomas é de 5 a 8 centímetros. Depois de plantados, os rizomas são cobertos com uma camada de 10 centímetros de terra.
 
Embora resistente, o gengibre necessita de alguns tratos culturais: a chamada "amontoa" (o rizoma cresce para cima, portanto, é preciso cobri-lo periodicamente com terra), a irrigação e o controle de pragas. O ciclo da planta varia de sete a dez meses. Os rizomas estão no ponto de colheita quando as folhas começam a amarelar.
 
O gengibre tem acção bactericida, é desintoxicante e acredita-se também que possua poder afrodisíaco. As suas propriedades afrodisíacas e estimulantes são conhecidas há séculos. Na medicina chinesa tradicional, por sua reconhecida acção na circulação sanguínea, ele é utilizado contra a disfunção eréctil. Uma pesquisa da Unicamp, realizada em coelhos, comprovou os efeitos. Além disso, o óleo de gengibre também é utilizado para massajar o abdómen, provocando calor ao corpo e excitando os órgãos sexuais.
 
O gengibre possui sabor picante e pode ser usado tanto em pratos salgados quanto nos doces e em diversas formas: fresco, seco, em conserva ou cristalizado. O que não é recomendado é substituir um pelo outro nas receitas, pois os seus sabores são muito distintos: o gengibre seco é mais aromático e tem sabor mais suave.
 
O gengibre fresco é amplamente utilizado na China, no Japão, na Indonésia, na Índia e na Tailândia. No Japão costuma-se usar o suco (com o gengibre espremido) para temperar frango e as conservas (beni shouga) feitas com os rizomas jovens são consumidas puras ou com sushi. Já o gengibre cristalizado é um dos confeitos mais consumidos no Sudeste Asiático. O seu caule subterrâneo é utilizado como especiaria desde a antiguidade, na culinária e na preparação de medicamentos.
Fonte: Wikipédia.

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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

Parque Nacional da Peneda-Gerês

 
Ponte sobre o Rio Arado - Parque Nacional da Peneda-Gerês - local mítico e de passagem obrigatória entre outros
 
Ponte sobre o Rio Arado - Parque Nacional da Peneda-Gerês
local mítico e de passagem obrigatória, entre outros
 
 

O Parque Nacional da Peneda-Gerês, é o único parque nacional de Portugal e situa-se no extremo nordeste do Minho, fazendo fronteira com a Galiza, abrangendo os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre) numa área total de cerca de 72 000 hectares.
 
É uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e variedade de fauna (veados, cavalos selvagens, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos e várias plantas medicinais). Estende-se desde a Serra do Gerês, a Sul, passando pela Serra da Peneda até à fronteira espanhola.
 
Inclui trechos da estrada romana que ligava Braga a Astorga. No parque situam-se dois importantes centros de peregrinação, o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, réplica do Santuário do Bom Jesus de Braga, e o de São Bento da Porta Aberta, local de grande devoção popular.
 
Localidades
 
Nas localidades no interior do parque, a vida quotidiana mantém raízes firmes na tradição rural portuguesa. Algumas das de maior valor turístico são:
  • Castro Laboreiro
    Destaca-se pelo seu castelo medieval (Castelo de Castro Laboreiro).
    É famosa pela raça de cães homónima.
  • Lindoso
    Destaca-se pelo seu castelo do século XIII (Castelo de Lindoso).
  • Pitões das Júnias
    Ruínas de um mosteiro, construído em 1147.
  • Soajo
    Aldeia com grande colecção de espigueiros (a).
  • Vilarinho das Furnas
    Aldeia submersa pela construção de uma barragem no rio Homem.
O Rio Homem é um rio português, afluente da margem direita do Cávado, com um comprimento de 37 quilómetros, nasce na Serra do Gerês e drena uma área de 257 km². O escoamento anual na foz do rio Homem é de 399 hm3, sendo o afluente que mais contribui para o escoamento total do rio Cávado. Neste rio localiza-se o aproveitamento hidroeléctrico de Vilarinho das Furnas, com uma capacidade útil da albufeira de 69,7 hm3.
 
Vilarinho das Furnas era uma aldeia, situada no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga. Actualmente está submersa na albufeira da Barragem Vilarinho das Furnas. A construção da barragem, em 1972 obrigou a desalojar os habitantes da aldeia comunitária de Vilarinho das Furnas. Quando é esvaziada (para limpeza) podem ver-se ainda as casas, os caminhos e os muros da antiga aldeia.
 
(a) - O espigueiro, também chamado canastro ou caniço, é uma estrutura normalmente de pedra e madeira, existindo no entanto alguns inteiramente de pedra, com a função de secar o milho grosso através das fissuras laterais, e ao mesmo tempo impedir a destruição do mesmo por roedores através da elevação deste. Como o milho requer que seja colhido no Outono, este precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o Inverno. No território de Portugal Continental, encontram-se principalmente a Norte.
 
Espigueiros no Soajo - Parque Nacional da Peneda-Gerês
 
                   Espigueiros no Soajo - Parque Nacional da Peneda-Gerês
Fonte: Wikipédia.

Publicado por: Praia da Claridade às 00:56
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Terça-feira, 29 de Agosto de 2006

Caminho marítimo para a Índia

 
Caminho percorrido pela expedição (a preto). Nesta figura também se pode ver, para comparação, o caminho percorrido por Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).
 
Caminho percorrido pela expedição (a preto). Nesta figura também se pode ver, para comparação, o caminho percorrido por Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).

 

Descoberta do caminho marítimo para a Índia
 
O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa, D. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império. Porém, o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. Seria o seu sucessor, D. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição, embora mantendo o plano original.
 
Porém, este empreendimento não era bem visto pelas altas classes. Nas Cortes de Montemor-o-Novo de 1495 era bem patente a opinião contrária quanto à viagem que D. João II tão esforçadamente havia preparado. Contentavam-se com o comércio da Guiné e do Norte de África e temia-se pela manutenção dos eventuais territórios além-mar, pelo custo implicado na expedição e manutenção das rotas marítimas que daí adviessem. Esta posição é personificada na personagem do Velho do Restelo que aparece, n'Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, a opor-se ao embarque da armada.
 
El-Rei D. Manuel não era dessa opinião. Mantendo o plano de D. João II, mandou aparelhar as naus e escolheu Vasco da Gama, cavaleiro da sua casa, para capitão desta armada. Curiosamente, segundo o plano original, D. João II teria designado seu pai, Estêvão da Gama, para chefiar a armada; mas a esta altura tinham ambos já falecido.
 
A 8 de Julho de 1497 iniciava-se a expedição semi-planetária que terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio,  rio Tejo adentro, trazendo a boa-nova que elevaria Portugal, durante décadas, ao imortal prestígio marítimo.
 
Antecedentes
 
As especiarias eram, desde sempre, consideradas o ouro das Índias. A canela, o gengibre e a pimenta eram produtos difíceis de obter, pelos quais se esperavam caravanas e mercadores experientes vindos do Oriente.
 
Um mercador de Lisboa descreve a rota terrestre da especiaria da seguinte forma:
«Desta terra de Calecut vai a especiaria que se come em Portugal e em todas as províncias do Mundo; vão também desta cidade muitas pedras preciosas de toda a sorte. Aqui carregam as naus de Meca a especiaria e a levam a uma cidade que está em Meca que se chama Judeia. E pagam ao grande sultão o seu direito. E dali a tornam a carregar em outras naus mais pequenas e a levam pelo Mar Ruivo a um lugar que está junto com Santa Catarina do Monte Sinai que se chama Tunis e também aqui pagam outro direito. Aqui carregam os mercadores esta especiaria em camelos alugados a quatro cruzados cada camelo e a levam ao Cairo em dez dias; e aqui pagam outro direito. E neste caminho para o Cairo muitas vezes os salteiam os ladrões que há naquela terra, os quais são alarves e outros.»
«Aqui tornam a carregá-la outra vez numas naus, que andam num rio que se chama o Nilo, que vem da terra do Preste João, da Índia Baixa; e vão por este rio dois dias, até que chegam a um lugar que se chama Roxete; e aqui pagam outro direito. E tornam outra vez a carregá-la em camelos e a levam, em uma jornada, a uma cidade que se chama Alexandria, a qual é porto de mar. A esta cidade de Alexandria vêm as galés de Veneza e de Génova buscar esta especiaria, da qual se acha que há o grande sultão 600 000 cruzados; dos quais dá, em cada ano, a um rei que se chama Cidadim 100 000 para que faça guerra ao Preste João.»
Dos mercados Veneza e Génova só então eram espalhadas para toda a Europa estas especiarias, acrescidas imensamente no seu custo e sem chegada garantida. O proveito dos portugueses em estabelecer uma rota marítima, portanto praticamente isenta de assalto — não obstante, coberta de perigos no mar —, mostrava-se recompensador e esboçava no futuro um grande rendimento à Coroa. Portugal iria ligar directamente as regiões produtoras das especiarias aos seus mercados na Europa.
 
Cerca do ano de 1481, João Afonso de Aveiro, ao fazer exploração do reino de Benin, colhera informações acerca de um quase lendário príncipe Ogané, cujo reino situava-se muito para o Oriente do de Benin. Seria cristão e gozava de grande veneração e poder. Dizia-se em Benin que o reino de Ogané distava vinte luas de andadura, o que, segundo o relato de João de Barros, corresponderia a duzentas e cinquenta léguas.
 
Animado com tais notícias, D. João II enviou, em 1487, Frei António de Lisboa, e Pedro de Montarroio para colherem no Oriente novas informações que permitissem localizar o Preste João, ao qual parecia corresponder, afinal, a descrição que lhe chegava desse príncipe Ogané. Mas a missão desses enviados não passou de Jerusalém, porque esses dois portugueses desconheciam a língua árabe e por isso temeram continuar, e regressaram a Portugal.
 
Com muito cuidado e segredo preparou dois novos homens da sua confiança, Afonso de Paiva, de Castelo Branco, e Pêro da Covilhã. Iniciando caminho por Valência, Barcelona, Nápoles, Rodes, Alexandria, Cairo, Adem. Aqui deveriam separar-se para destinos diferentes: Afonso de Paiva para a Etiópia e Pêro da Covilhã para a Índia. Nenhum dos homens voltou, mas as informações que D. João necessitava retornaram ao reino e serviriam de base de sustentação à eventual épica aventura marítima que se avizinhava.
 
O plano de viagem teria então que prever a segurança da rota. Para isso seria necessário instalar feitorias ao longo do caminho, e criar fortalezas. A missão caberia ao capitão da armada que ia munido de muitos presentes e equipamento para desbravar os mares e atestado de diplomacia e perseverança para criar elos com os monarcas desconhecidos que eventualmente encontrasse pelo caminho.
 
Mas já não seria no reinado de D. João que este empreendimento, com forte oposição da corte, seria iniciado, mas sim no de seu sucessor, D. Manuel I que não partilhava da opinião geral e via nas rotas marítimas uma boa — senão a melhor — forma de dominar o comércio com o Oriente.
 
A armada
 
Entre os mareantes, incluíam-se dois intérpretes, Fernão Martins e Martim Afonso, e dois frades, João Figueira e Pêro da Covilhã. Ao todo, as tripulações perfaziam 170 homens.
 
Os marinheiros dispunham de cartas de marear onde estava marcada toda a costa africana conhecida até então, de quadrantes, astrolábios de vários tamanhos, de regimentos e de tábuas com cálculos — como as tábuas astronómicas de Abraão Zacuto —, de agulhas e prumos. Um dos navios transportava exclusivamente mantimentos para três anos: biscoitos, feijão, carnes secas, vinho, farinha, azeite, salmouras e medicamentos. Estava previsto o reabastecimento contínuo ao longo da costa de África.
 
A viagem
 
Iniciava-se, assim, a expedição a 8 de Julho de 1497. A linha de navegação de Lisboa a Cabo Verde foi a habitual e no Oceano Índico é descrita por Álvaro Velho: «rota costeira até Melinde e travessia directa deste porto até Calecut». Durante esta expedição foram determinadas latitudes através da observação solar, como refere João de Barros.
 
Relatam os Diários de Bordo das naus muitas experiências inéditas. Encontrou esta ansiosa tripulação rica fauna e flora. Fizeram contacto perto de Santa Helena com tribos que comiam lobos-marinhos, baleias, carne de gazelas e raízes de ervas; andavam cobertos com peles e as suas armas eram simples lanças de madeira de zambujo e cornos de animais; viram tribos que tocavam flautas rústicas de forma coordenada, o que era surpreendente perante a visão dos negros pelos europeus. Ao mesmo tempo que o escorbuto se instalava na tripulação, cruzavam-se em Moçambique com palmeiras que davam cocos.
 
Apesar das adversidades de uma viagem desta escala, a tripulação mantinha a curiosidade e o ânimo em conseguir a proeza e conviver com os povos. Para isso reuniam forças até para assaltar navios em busca de pilotos. Com os prisioneiros, podia o capitão-mor fazer trocas, ou colocá-los a trabalhar na faina; ao rei de Mombaça pediu pilotos cristãos que ele tinha detido e assim trocou prisioneiros. Seria com a ajuda destes pilotos que chegariam a Calecut, terra tão desejada, onde o fascínio se perdia agora pela moda, costumes e riqueza dos nativos.
 
Sabe-se, por Damião de Góis, que durante a viagem foram colocados cinco padrões: São Rafael, no rio dos Bons Sinais; São Jorge, em Moçambique, Santo Espírito, em Melinde; Santa Maria, nos Ilhéus, e São Gabriel, em Calecut. Estes monumentos destinavam-se a afirmar a soberania portuguesa nos locais para que outros exploradores não tomassem as terras como por si descobertas.
 
A chegada à Índia
 
A entrada em Calecut sofreu alguma oposição, também devido ao patrocínio dos mercadores árabes que queriam manter os Europeus afastados. A perseverança de Vasco da Gama fez com que se iniciassem, mesmo assim, as negociações entre ele e o samorim, de onde resultava uma carta comprobatória do encontro que dizia:
«Vasco da Gama, fidalgo da vossa casa, veio à minha terra, com o que eu folguei. Em minha terra, há muita canela, e muito cravo e gengibre e pimenta e muitas pedras preciosas. E o que quero da tua é ouro e prata e coral e escarlata».
O retorno
 
A 12 de Julho de 1499, depois de mais de dois anos do início desta expedição, entra a caravela Bérrio no Rio Tejo, comandada por Nicolau Coelho, com a notícia que iria emocionar Lisboa: os portugueses chegaram à Índia pelo mar. Vasco da Gama tinha ficado para trás, na ilha Terceira, preferindo acompanhar o seu irmão, gravemente doente, renunciado assim aos festejos e felicitações pela notícia.
 
Das naus envolvidas, apenas a São Rafael  não regressou, pois teria sido queimada por incapacidade de a manobrar, consequência do reduzido número a que se via a tripulação no regresso, fruto das doenças responsáveis pela morte de cerca de metade da tripulação, como o escorbuto, que se fez sentir mais afincadamente durante a travessia do Oceano Índico.
 
Vasco da Gama retornava ao país em 29 de Agosto (faz hoje 507 anos) e seria recebido pelo próprio rei D. Manuel I com contentamento que lhe atribuía o título de Dom e grandes recompensas. Fez Nicolau Coelho fidalgo da sua casa, assim como a todos os outros, conforme os serviços que haviam prestado.
 
D. Manuel I apressa-se a dar a notícia aos reis de Espanha, numa exibição orgulhosa do feito e para avisar, simultaneamente, que as rotas seriam doravante exploradas pela Coroa Portuguesa.
 
Há notícia de um mercador italiano que espalhou por Florença a boa-nova: «Descobriram 1800 léguas de novas terras além do Cabo da Boa Esperança, cujo cabo foi descoberto no tempo do rei João. O capitão descobriu uma grande cidade amuralhada , com muito boas casas de pedra, no estilo mourisco, habitada por mouros da cor dos indianos. O capitão desembarcou aqui e o rei deu-lhe um piloto para cruzar o golfo». O mercador referia-se a Melinde.
Fonte: Wikipédia.

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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

A Iluminura

 
Uma letra "p" capitular iluminada na Bíblia de Malmesbury, um livro manuscrito medieval
 
Uma letra "p" capitular iluminada na Bíblia de Malmesbury,
um livro manuscrito medieval
 
 

Uma iluminura era um tipo de desenho decorativo, frequentemente empreendido nas letras capitulares que iniciam capítulos em determinados livros, especialmente os produzidos nos conventos e abadias medievais, aquelas letras maiores que ficam no começo do parágrafo. Foi considerada um ofício bastante importante no contexto da arte medieval, constando de grande parte dos livros produzidos durante a Idade Média.
 
A iluminura apresenta uma variedade de cores e não admite sombra, mas gradações de cor.
 
Um manuscrito iluminado seria estritamente aquele decorado com ouro ou prata, mas estudiosos modernos usam o termo "iluminura" para qualquer decoração em um texto escrito.
 
Recomendo uma visita à
"Página sobre iluminura, de Jofre de Lima Monteiro Alves".
 
Temas:
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Domingo, 27 de Agosto de 2006

O Caminho de Ferro Transiberiano

 
Complemento ao meu artigo "A Rota da Seda"
 
 
A Transiberiana em vermelho, e a linha Baikal Amur em verde. Note o Lago Baikal entre as duas.
 
A Transiberiana em vermelho, e a linha Baikal Amur em verde.
Note o Lago Baikal entre as duas.
 
A marca do quilómetro 9288, no final da linha, em Vladivostok.
 
A marca do quilómetro 9288, no final da linha, em Vladivostok
 
 

O Caminho de Ferro Transiberiano ou simplesmente Transiberiana, construída entre 1891 e 1916, é uma rede ferroviária ligando a Rússia europeia com as províncias russas do extremo oriente. Com 9289 km (5772 milhas) e atravessando 8 fusos horários, é a mais longa ferrovia do mundo.
 
A rota principal é a "Linha Transiberiana", que sai de Moscovo para Vladivostok (nas margens do mar do Japão), passando por Nizhny Novgorod no Volga, Perm no rio Kama, Ekaterinenburg nos Urais, Omsk no rio Irtysh, Novosibirsk no rio Ob, Krasnoyarsk no rio Yenisei, Irkutsk perto da extremidade sul do Lago Baikal, Chita e finalmente Khabarovsk. (De 1956 a 2001 o comboio chegava via Yaroslavl em vez de Nizhny Novgorod). Em 2002 a electrificação foi finalizada. Cerca de 30% das exportações russas viajam por esta linha.
 
Uma segunda linha é a Linha Transmanchuriana, que coincide com a Transiberiana até Tarskaya, algumas centenas de quilómetros a leste do lago Baikal (ver imagem). De Tarskaya a Transmanchuriana dirige-se para o sudeste, China adentro, terminando o seu percurso em Pequim.
 
A terceira linha é a Linha Transmongoliana, que coincide com a Transiberiana até Ulan Ude, na margem oriental do Baikal. De Ulan-Ude a Transmongoliana dirige-se para o sul, em direcção de Ulaanbaatar, para depois dirigir-se ao sudeste, em direcção a Pequim.
 
Em 1991, uma quarta rota indo mais longe para o norte foi finalmente terminada, depois de mais de 50 anos de trabalhos esporádicos. Conhecida como a Linha Baikal Amur (em verde no mapa), esta extensão inicia-se da Linha Transiberiana, a várias centenas de quilómetros a oeste do Lago Baikal, e passa pelo lago na sua extremidade norte. Chega ao Pacífico a nordeste de Khabarovsk, em Sovetskaya Gavan (i.e., Porto Soviético, também conhecida como Sovgavan, Sovietgavan e, antigamente, Imperatorskaya Gavan, i.e., Porto Imperial). Apesar desta rota dar acesso à sensacional costa norte do Baikal, ela também passa por algumas zonas de acesso restrito.
Fonte: Wikipédia.

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Sábado, 26 de Agosto de 2006

A Pietà de Miguel Ângelo

 
A Pietà de Miguel Ângelo
 
A Pietà de Miguel Ângelo
 
 

A Pietà é uma das mais famosas esculturas feitas por Michelangelo (pintor, escultor, poeta e arquitecto renascentista italiano). Ela representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria.
 
História
 
Em 26 de Agosto de 1498 (faz hoje 508 anos), o cardeal francês Jean de Bilheres encomendou a Miguel Ângelo uma imagem da Virgem para a Capela dos Reis de França, na antiga Basílica de São Pedro.
 
Juntando capacidades criadoras geniais a uma técnica perfeita, o artista toscano (Toscana é uma região da Itália central) criou então a sua mais acabada e famosa escultura: a Pietà.
 
Iniciara-se como artista ainda durante o Quattrocento, em Florença, onde trabalhou para os Médicis, mas a Pietà foi a sua primeira grande obra escultórica. Trata-se de um trabalho de admirável perfeição, organizado segundo um esquema em forma de pirâmide, um formato muito utilizado pelos pintores e escultores renascentistas.
 
Nesta obra delicada o artista encontrou a solução ideal para um problema que preocupara os escultores do Primeiro Renascimento: a colocação do Corpo de Cristo morto no regaço de Maria. Para isso alterou deliberadamente as proporções: o Cristo é menor que a Virgem, quer para dar a impressão de não esmagar a Mãe e mostrar que é seu Filho, quer para não “sair” do esquema triangular. A Virgem Maria foi representada muito jovem e com uma nobre resignação: a expressão dolorosa do rosto é idealizada, contrastando com a angústia que tradicionalmente os artistas lhe imprimiam.Torna-se assim evidente a influência do “pathos” dos clássicos gregos.
 
O requinte e esmero da modelação e o tratamento da superfície do mármore, polido como um marfim, deram-lhe a reputação de uma das mais belas esculturas de todos os tempos. Michelangelo tinha apenas 23 anos de idade. Em função da sua pouca idade na realização desta obra não acreditaram que ele fora seu autor. Assim, esculpiu o seu nome na faixa que atravessa o peito da figura feminina.
Fonte: Wikipédia.
 
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:00
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

A Rota da Seda

 
Visão geral da Rota da Seda
 
Visão geral da Rota da Seda
 
 

A Rota da Seda  era uma série de rotas interligadas através da Ásia do Sul, usadas no comércio da seda (fibra proteica usada na indústria têxtil), entre o Oriente e a Europa. Eram transpostas por caravanas e embarcações oceânicas que ligavam comercialmente o Extremo Oriente e a Europa, provavelmente estabelecidas a partir do oitavo milénio a.C. – os antigos povos do Saara possuíam animais domésticos provenientes da Ásia – e foram fundamentais para as trocas entre estes continentes até à descoberta do caminho marítimo para a Índia. Ligava Chang'an (actual Xi'an), na China, até Antióquia na Ásia Menor, assim como a outros locais. A sua influência expandiu-se até à Coreia e o Japão. Formava a maior rede comercial do Mundo Antigo.
 
Estas rotas não só foram significativas para o desenvolvimento e florescimento de grandes civilizações, como o Egipto Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia, a Índia e até Roma, mas também ajudaram a fundamentar o início do mundo moderno. Rota da seda  é uma tradução do alemão Seidenstraße, a primeira denominação do caminho feita pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen no século XIX.
 
A rota da seda continental divide-se em rotas do norte e do sul, devido à presença de centros comerciais no norte e no sul da China. A rota norte atravessa o Leste Europeu (os mercadores criaram algumas cidades na Bulgária), a península da Crimeia, o Mar Negro, o Mar de Mármara, chegando aos Balcãs e por fim, a Veneza; a rota sul percorre o Turquemenistão, a Mesopotâmia e a Anatólia. Chegando a este ponto, divide-se em rotas que levam à Antióquia (na Anatólia meridional, banhada pelo Mediterrâneo) ou ao Egipto e ao Norte da África.
 
O último caminho-de-ferro ligado à rota da seda contemporânea foi completado em 1992, quando a via Almaty-Urumqi foi aberta.
 
A rota da seda marítima estende-se da China meridional (actualmente Filipinas, Brunei, Sião e Malaca) até destinos como o Ceilão, Índia, Pérsia, Egipto, Itália, Portugal e até a Suécia. Em 7 de Agosto de 2005, foi confirmado que o Departamento do Património Histórico de Hong Kong pretende propor a Rota da Seda Marítima como Património da Humanidade.
 
 
Origens
 
Viagem continental
 
Quando as técnicas da navegação e da domesticação de bestas de carga foram assimiladas pelo Mundo Antigo, a sua capacidade de transporte de grandes cargas por longas distâncias foi muito melhorada, possibilitando o intercâmbio de culturas e uma maior rapidez no comércio. Por exemplo, a navegação no Egipto pré-dinástico só foi estabelecida no século IV a.C., período em que a domesticação do burro e do dromedário começaram a ser instituídas. A domesticação do camelo bactriano 
e o uso do cavalo como meio de transporte foram feitas em seguida.
 
Como as rotas náuticas provêm um meio fácil de transporte entre longas distâncias, largos terrenos do interior como as planícies, que permanecem longe do litoral, não se desenvolveram como as rotas costeiras. Em compensação, dispõem de terreno fértil para pastos e água em abundância para as caravanas. Estes terrenos permitem a passagem de caravanas, mercadores e exércitos sem precisar envolver-se com povos sedentários, além de fornecer terras para a agricultura. Da mesma forma, também os nómadas preferem não ter que atravessar longos descampados.
 
Enquanto isto, cargas, especiarias e ideias religiosas eram propagadas por todos os cantos, contrapondo a ideia antiga da troca que, provavelmente, conduzia-se somente por uma rota pré-determinada. É improvável que a rota da seda fosse transcorrida somente por terra, visto que percorre a África, a Europa, o Cáucaso 
e a China.
 
Transporte antigo
 
Os povos antigos do Saara 
já haviam importado animais domesticados da Ásia entre 7500 a.C. e 4000 a.C.. Artefactos datados do 5º milénio a.C., encontrados em sítios bádaros do Egipto pré-dinástico indicam contacto com lugares distantes, como a Síria. Desde o começo do 4º milénio a.C., egípcios antigos de Maadi importam cerâmica e conceitos de construção dos Cananeus.
 
O comércio de lápis lazúli  
provém da única fonte conhecida no mundo antigo, Badakshan, localizada no noroeste do Afeganistão, localidade distante das grandes culturas, com a Mesopotâmia e o Egipto. A partir do 3º milénio a.C., o comércio do lápis lazúli foi estendido até Harappa e Mohenjo-daro, ambos no Vale do Indo.
 
Pensa-se que tenham sido usadas rotas que acompanhavam a Estrada Real Persa (construída por volta do ano 5000 a.C.) desde 3500 a.C.. Existem evidências de que exploradores do Antigo Egipto podem ter aberto e protegido novas ramificações da rota da seda. Entre 1979 e 1985, amostras de carvão vegetal foram encontradas nas tumbas de Nekhen, onde eram datadas dos períodos Naqada I e II, identificadas como cedro-do-líbano, originário do Líbano.
 
Em 1994, escavadores descobriram fragmentos de cerâmica gravada com o símbolo serekh de Naramer, datando do milénio 3000 a.C.. Estudos mineralógicos revelaram que os fragmentos pertenciam a uma jarra de vinho exportado do Vale do Nilo até Israel.
 
Comércio marítimo egípcio
 
A pedra de Palermo menciona o rei Sneferu da quarta dinastia do Egipto enviando navios para importar cedro de alta qualidade do Líbano. Numa cena no interior da pirâmide do faraó Sahuré, da quinta dinastia, os egípcios surgem retornando com grossos troncos de cedro. O nome de Sahuré é encontrado estampado numa pequena peça de ouro numa cadeira libanesa, e foram encontrados cartuchos da quinta dinastia em recipientes libaneses de pedra; outras cenas no seu templo mostram ursos sírios. A pedra de Palermo também menciona expedições ao Sinai 
assim como minas de diorita ao noroeste de Abu Simbel.
 
A mais antiga expedição de que há registo à Terra de Punt (nome que os antigos Egípcios davam a uma região da África Oriental) foi organizada por Sahuré, aparentemente a procura de mirra, assim como malaquita e electrum. O faraó da décima-segunda Dinastia do Egipto, Senuseret III, fez um "Canal de Suez" antigo, ligando o rio Nilo ao Mar Vermelho, para a troca directa com Punt. Por volta de 1950 a.C., no reino de Mentuhotep III, um oficial chamado Hennu fez algumas viagens a Punt. Foi conduzida uma expedição muito famosa por Nehsi e pela rainha Hatchepsut a Punt, realizada no século XV a.C., com o intuito de obter mirra; um relato da viagem sobrevive num pedido de socorro localizado no templo funerário de Hatshetup, em Deir el-Bahari. Muitos de seus sucessores, incluindo Tutmés III, também organizaram viagens a Punt.
 
Estanho britânico
 
A Grã-Bretanha possui grandes reservas de estanho nas regiões da Cornualha e de Devon, no sudoeste da Inglaterra. Por volta de 1600 a.C., o sudoeste da Bretanha experimentou uma explosão comercial, onde o estanho britânico era comercializado por boa parte da Europa. Quando a Era do Bronze substituiu a Era do Ferro, a navegação baseada em peças de estanho (concentrada no Mediterrâneo) declinou entre 1200 a.C. e 1100 a.C.. No entanto, não foi encontrada nenhuma rota terrestre entre a Bretanha antiga e as civilizações do Mediterrâneo.
 
Contactos de chineses e centro-asiáticos
 
Desde o 2º milénio d.C., nefrita e jade (minerais) são extraídos de minas das regiões de Yarkand e Khotan, ambas na China, para serem comercializadas. Curiosamente, estas minas não estão muito longe das minas de lápis lazúli e espinélio de Badakhshan, e apesar de estarem separadas pelos montes Pamir, muitas estradas cruzam as montanhas, algumas desde tempos muito longínquos.
 
As múmias de Tarin, múmias chinesas de um tipo indo-europeu, foram encontradas em Tarin Basin, como as da área de Loulan, localizada na rota da seda, a 200 km a este de Yingpan, que datam de 1600 a.C. e sugerem uma linha de comunicação muito antiga entre ocidente e oriente. Pode-se supor que estes restos mumificados devem ter sido feitos por ancestrais dos Tocários, cuja língua indo-europeia permaneceu em uso em Tarin Basin (moderna Xinjiang) até o século VIII d.C..
 
Muitas sobras do que parece ser seda chinesa foram encontradas no Egipto, datando de cerca de 1070 a.C.. Ainda que a origem seja suficientemente confiável, a seda degrada-se facilmente e os especialistas não puderam verificar com precisão se a seda era cultivada (muito provavelmente terá vindo da China) ou se era um tipo de seda selvagem, que pensam vir da região mediterrânea ou do Meio-Oeste.
 
Contactos próximos da China metropolitana com nómadas fronteiriços dos territórios oeste e noroeste no século VIII a.C. permitiram a introdução do ouro da Ásia Central no território chinês. Assim sendo, os escultores de jade chineses começaram a imitar as estepes nas suas obras (devido à adopção do estilo artístico cítio para animais das estepes, onde os animais eram retratados em combate). Este estilo reflectiu-se particularmente nos cintos de placas rectangulares, feitos em ouro e bronze, com versões alternadas de jade e pedra-sabão.
 
Estrada Real Persa
 
No tempo de Heródoto, a Estrada Real Persa percorria 2.857 km da cidade de Susa, no baixo Tigre até o porto de Esmirna (moderna Izmir na Turquia) no mar Egeu. Era mantida e protegida pelo império Aquemeu, e possuía estações postais e estalagens a intervalos regulares. Com cavalos descansados e viajantes prontos a cada estalagem, mensageiros reais podiam carregar mensagens em nove dias, ao contrário de mensageiros normais que demoravam cerca de três meses. A Estrada Real era ligada a outras rotas. Muitas delas, como as rotas indianas e centro-asiáticas, também eram protegidas por Aqueménides, que mantinha contacto regular com a Índia, a Mesopotâmia e o Mediterrâneo. Existem registos em Ester de despachos feitos em Susa para províncias indianas e para o Cush durante o reinado de Xerxes.
 
Viagens transatlânticas feitas por Roma e Egipto
 
Em 1975, duas ânforas intactas foram resgatadas no fundo da Baía de Guanabara, próxima ao Rio de Janeiro, Brasil. Em 1981, o arqueólogo Robert Marx descobriu milhares de fragmentos de cerâmica num mesmo local, incluindo duzentos pescoços de ânfora. A princípio acreditava-se que haviam sido fabricadas na Roma Antiga, por volta do século II a.C.. Entretanto, o mergulhador Americo Santarelli afirmou ter ele mesmo enterrado as ânforas, as quais teriam sido fabricadas no século XX. Testes feitos em amostras de tecido biológico de múmias do Egipto Antigo, demonstraram a aparição de traços de substâncias químicas que na época eram encontradas somente nas Américas, como o tabaco e a coca. Já que as amostras foram retiradas de diversas múmias, a possibilidade de contaminação é muito pequena.
Fonte: Wikipédia.

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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006

Vulcão dos Capelinhos - Açores

 
Vulcão dos Capelinhos - situa-se na Ponta dos Capelinhos, freguesia do Capelo, na Ilha do Faial, Região Autónoma dos Açores - Portugal
 
 
 

O Vulcão dos Capelinhos, situa-se na Ponta dos Capelinhos, freguesia do Capelo, na Ilha do Faial, Região Autónoma dos Açores. O nome Capelinhos deve-se a existência a 2 ilhéus chamados de "Ilhéus dos Capelinhos". O vulcão manteve-se em actividade entre Setembro de 1957 a Outubro de 1958. A crise sísmica associada à erupção vulcânica e a queda de cinzas e materiais de projecção provocaram a destruição generalizada das habitações e campos das freguesias do Capelo e da Praia do Norte.
 
Hoje em dia, o Vulcão dos Capelinhos encontra-se inactivo. Toda esta área foi constituída como área de paisagem protegida de elevado interesse geológico e faz parte da Rede Natura 2000. O Farol dos Capelinhos será transformado num miradouro, e junto deste, ficará instalado o Centro Interpretativo do Vulcão. Próximo situa-se o Museu Geológico do Vulcão, inaugurado em 1964, que documenta toda a sua actividade eruptiva.
 
Crise sismo-vulcânica e Erupção
Setembro a Dezembro e 1957
 
De 16 a 27 de Setembro de 1957, sentiu-se uma crise sísmica na ilha com mais de 200 sismos, de intensidade não superior a 5º da Escala de Mercalli. No dia 21 de Setembro de 1957, a água do mar começou a fervilhar. Três dias depois, a actividade aumentou intensamente havendo emissão de jactos negros de cinzas vulcânicas de cerca de 1 000 metros de altura (atingindo a altitude máxima de 1 400 metros) e uma nuvem de vapor de água que subia por vezes a mais de 4 000 metros.
 
A 27 de Setembro, iniciou-se uma erupção submarina a 300 metros da Ponta dos Capelinhos. A partir de 3 de Outubro, as explosões de piroclastos, ainda que violentas passaram a ser menos frequentes. A erupção evoluiu formando primeiro uma ilha a 10 de Outubro, chamada de "Ilha Nova" (e ainda, por "Ilha do Espírito Santo" ou "Ilha dos Capelinhos"), com 800 metros de diâmetro e 99 metros de altura, ficando com a cratera aberta ao mar. Com o aparecimento de um istmo, ao fim de poucos meses, a ilha liga-se à Ilha do Faial.
 
Carlos Tudela, repórter da RTP munido da sua câmara de filmar, desembarca na ilha recém-nascida (na vertente do vulcão activo), acompanhando o jornalista Urbano Carrasco, do Diário Popular, arriscando as suas vidas num pequeno barco remado por Carlos Peixoto, para colocar a Bandeira Nacional nas cinzas basálticas da "Ilha Nova".
 
Em Novembro de 1957, aumentou progressivamente a actividade atingindo o seu máximo na primeira quinzena de Dezembro, surgindo um segundo cone vulcânico. A 16 de Dezembro, depois de uma noite de chuvas torrenciais e abundante queda de cinza, cessou a actividade explosiva tendo começado a efusão de lava.
 
Em resultado da erupção, a área da ilha aumentou em 2,40 km². Actualmente, essa área ficou reduzida em cerca de metade devido à natureza pouco consolidada das rochas e à acção das ondas. No Cabeço Norte, existe uma pequena fenda que é um respiradouro do vulcão.
Hoje em dia, o vulcão dos Capelinhos encontra-se inactivo.
Fonte: Wikipédia.
 
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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

A Mocidade Portuguesa

 
Estandarte da Mocidade Portuguesa (baseado na bandeira de D. João I)
 
Estandarte da Mocidade Portuguesa (baseado na bandeira de D. João I)
 
 

A Mocidade Portuguesa era uma organização juvenil que procurava desenvolver o culto do chefe e o espírito militar, ao serviço do Estado Novo. A ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos. A Mocidade Portuguesa foi criada em 19 de Maio de 1936. O desporto era fundamental devido à disciplina que implica. Esta Instituição Juvenil encontrava-se dividida por quatro escalões etários: os lusitos (dos 7 aos 10 anos), os infantes (dos 10 aos 14 anos), os vanguardistas (dos 14 aos 17 anos) e os cadetes (dos 17 aos 25 anos). O primeiro Comissário Nacional a dirigir a Mocidade Portuguesa foi Francisco José Nobre Guedes.
 
Em Dezembro de 1937 formou-se a Mocidade Portuguesa feminina. Os seus objectivos, de acordo com a ideologia do Estado Novo, era formar uma nova mulher, boa católica, futura mãe e esposa obediente.
 
Mas, a partir de 1971, a Mocidade Portuguesa foi perdendo importância, sendo extinta após o 25 de Abril de 1974.
  
Hino da Mocidade Portuguesa:
  

Lá vamos, cantando e rindo
Levados, levados, sim
Pela voz de som tremendo
das tubas, - clamor sem fim
 
Lá vamos, (que o sonho é lindo!)
Torres e torres erguendo,
Rasgões, clareiras, abrindo!
 
- Alva da Luz imortal,
Roxas névoas despedaça
Doira o céu de Portugal!
 
Querer! Querer! E lá vamos!
- Tronco em flor, estende os ramos
À mocidade que passa
 
Cale-se a voz que, turvada,
Já de si mesma se espanta;
Cesse dos ventos a insânia,
Ante a clara madrugada,
Em nossas almas nascida:
E, por nós, oh Lusitânia,
- Corpo de Amor, terra santa -
Pátria! serás celebrada;
E por nós serás erguida;
Erguida ao alto da Vida
 
Querer é a nossa divisa;
Querer, -  palavra que vem
das mais profundas raízes:
Deslumbra a sombra indecisa
Transcende as nuvens de além...
Querer, -  palavra da Graça
Grito das almas felizes
 
Querer! Querer! E lá vamos
Tronco em flor estende os ramos
À Mocidade que passa.
 

Fonte: Wikipédia.
 
Publicado por: Praia da Claridade às 00:59
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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

Pegadas da Serra de Aire

 
O Aramossáurio - o cartão de visita do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, perto de Fátima
 
                                                O Aramossáurio
              o cartão de visita do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, perto de Fátima
 
 
O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, mais conhecido apenas por Pegadas da Serra de Aire foi criado em 1996, pelo Decreto Regulamentar 12/96 de 22 de Outubro. Como o nome indica, situa-se na Serra de Aire, perto de Fátima, nos municípios de Ourém e Torres Novas e é parte integrante do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, ocupando uma área de cerca de 20 hectares.
 
História
 
No local onde hoje se encontram as pegadas dos dinossáurios funcionava uma pedreira, a Pedreira do Galinha; em 4 de Julho de 1994, João Carvalho, da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia, descobriu as pegadas que viriam a transformar a pedreira no monumento actual. O Museu Nacional de História Natural cria um grupo de trabalho que realiza dois relatórios que servem para demonstrar às entidades oficiais e científicas, a importância paleontológica do achado e consequente criação do monumento.
 
O monumento é aberto ao público em 1 de Março de 1997 e no mesmo ano é aberto o primeiro circuito autoguiado. Em 2002 é criado o Jardim Jurássico que tem o objectivo de reproduzir o meio ambiente da época dos dinossáurios e o Aramossáurio. Além do referido, o parque possui ainda uma área de animação, um Centro de Animação Ambiental, um parque de merendas, um grande painel ilustrativo da evolução da vida na Terra ao longo do tempo geológico e diversos painéis informativos ao longo dos cerca de 1000 metros do seu percurso.
 
Os 20 trilhos existentes são os maiores e os mais antigos trilhos de saurópodes de que há conhecimento (175 milhões de anos) mas também, dos mais nítidos, sendo compostos por mais de 1000 pegadas.
 
Formação
 
Há 175 milhões de anos, no Jurássico Médio, onde hoje se encontra a Serra de Aire era uma zona plana e costeira com partes inundadas por lençóis de água. Nessa altura, ainda a Europa se encontrava ligada à América do Norte, formando o supercontinente conhecido por Pangea e entre a Ibéria e o actual Canadá, existia um mar de pouca profundidade e de águas límpidas e mornas que facilitavam a formação de recifes de coral. O clima era quente e húmido e por isso, a vegetação era abundante.
 
No fundo dessas lagoas, era depositada uma lama de calcário, onde ficavam marcadas com facilidade as pegadas dos animais que por ali andavam; entre eles, encontravam-se os saurópodes, animais herbívoros, e de grande porte, podendo chegar aos 30 metros de comprimento e 70 toneladas de peso, para quem, esta paisagem de floresta abundante, era o lar perfeito, sendo desta espécie, a maioria das pegadas encontradas. Os saurópodes foram os maiores animais que já viveram na Terra dos quais se têm notícias.
 
As pegadas impressas na lama seca eram então cobertas por sedimentos calcários que mais tarde se viriam a transformar em rocha, cuja extracção permitiu pôr a descoberto os trilhos dos dinossáurios. O estudo dessas pegadas é importantíssimo para o conhecimento dos hábitos e forma de viver dos dinossáurios, como se movimentavam, a que velocidade e se o faziam sozinhos ou em grupos ou manadas.
 
Pangéia foi o nome dado ao continente que, segundo a teoria da Deriva continental, existiu há 200 milhões de anos, na era Mesozóica, durante os períodos Jurássico e Triássico. A palavra origina-se do facto de todos os continentes estarem juntos (Pan) formando um único bloco de terra (Geia).

 

 Pegada de saurópode
 
Pegada de saurópode
 

Saurópode (ou Sauropoda)
 
Saurópode (ou Sauropoda)
 
 
Mapa de Pangéa
Fonte: Wikipédia

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