Domingo, 2 de Julho de 2006

O Astrolábio

 
Astrolábio persa do século XVIII
 
Astrolábio persa do século XVIII



O astrolábio é um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros acima do horizonte. Inventado por Hipátia de Alexandria (filósofa neoplatónica residente em Alexandria). Era usado em astrologia e astronomia. Mais tarde foi simplificado e substituído pelo sextante (instrumento astronómico usado para determinar a latitude, substituindo o astrolábio - ele mede a distância angular, como a altura do Sol, da Lua e das estrelas. O sextante foi inventado simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1731).
 
Também era utilizado para resolver problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou a profundidade de um poço. Era formado por um disco de latão graduado na sua borda, num anel de suspensão e numa mediclina (espécie de ponteiro). O astrolábio náutico era uma versão simplificada do tradicional e tinha a possibilidade apenas de medir a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar.
 
Não existem vantagens nem desvantagens entre esses instrumentos antigos de navegação; de certa forma são instrumentos perfeitos que atendem às suas funções. A função do astrolábio é uma, e a do quadrante é outra. A única diferença (interpretada como vantagem ) é o facto de um ser um instrumento terrestre para usar numa ilha ou num continente e mirar uma determinada estrela próximo ao pólo, Estrela Polar, e o outro um instrumento de bordo mais fácil de trabalhar para calcular a passagem meridiana com a sombra do Sol. Ambos funcionavam bem tanto no hemisfério sul como no hemisfério norte, mas principalmente o astrolábio, pelo seu peso, é indicado para funcionar embarcado, capaz de permanecer na vertical apesar do balanço do navio !
 
O disco inicial foi parcialmente aberto para diminuir a resistência ao vento. O manejo do astrolábio exigia a participação de duas pessoas; consistia em grande círculo, por cujo interior corria uma régua; um homem suspendia o astrolábio na altura dos olhos, alinhando a régua com o Sol enquanto outro lia os graus marcados no círculo.
 
O astrolábio moderno de metal foi inventado por Abraão Zacuto, em Lisboa, a partir de versões pouco precisas árabes.
 
Abraão ben Samuel Zacuto foi um rabino, astrónomo, matemático e historiador judeu que serviu na corte do Rei D. João II de Portugal.
 
Biografia
 
Nasceu em Salamanca, Espanha em c. 1450. Estudou astronomia e tornou-se Professor dessa cadeira na Universidade de Salamanca, e mais tarde nas de Saragoça e Cartagena. Também se formou em Lei Judaica e tornou-se Rabino.
 
Rabino, dentro do Judaísmo, significa "professor, mestre" ou, literalmente, "grande". A palavra "Rabbi" ("Meu Mestre") deriva da raiz hebraica Rav, que no hebraico bíblico significa "grande" ou "distinto (em conhecimento).
 
Quando da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, Zacuto refugiou-se em Lisboa, Portugal. Foi chamado à Corte e nomeado Astrónomo e Historiador Real pelo Rei D. João II, cargo que exerceu até ao reinado de D. Manuel I. Foi consultado por este monarca acerca da possibilidade de uma viagem por mar até à Índia, que apoiou e encorajou.
 
Zacuto seria dos poucos a conseguir fugir de Portugal após as conversões à força e proibições de emigração que Dom Manuel I impôs aos judeus portugueses. Morreu no Império Otomano c. 1510.
 
Obra
 
Abraão Zacuto foi o autor de um novo e melhorado Astrolábio, que ensinou os navegantes portugueses a utilizar, e também de melhoradas tábuas astronómicas que ajudaram a orientação das caravelas portuguesas no alto-mar, através de cálculos a partir de observações com o Astrolábio.
 
As suas contribuições salvaram sem dúvida a vida de muitos marinheiros portugueses e permitiriam as descobertas do Brasil e da Índia.
 
Ainda em Espanha, escreveu e publicou um tratado notável de astronomia em hebreu, com o título "Ha-jibbur Ha-gadol".
 
Publicou na tipografia de Leiria (Portugal), de Abraão de Ortas, em 1496, a obra "Bi'ur Lu?ot"  ou, em Latim, "Almanach Perpetuum", que viria a ser traduzida em Latim e Castelhano. Neste livro viriam as tábuas astronómicas para os anos de 1497 a 1500, que foram utilizadas, juntamente com o seu astrolábio melhorado de metal, por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral nas suas viagens.
 
Em 1504, na Tunísia, escreveu uma História dos Judeus, "Sefer ha-Yu?asin", desde a Criação do Mundo até 1500, e ainda vários tratados astronómicos.
 
Esta História foi muito respeitada e republicada em Cracóvia em 1581, em Amesterdão em 1717, e em Königsberg em 1857. Em Londres também foi publicada uma edição no ano de 1857.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Publicado por: Praia da Claridade às 00:58
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3 comentários:
De soaresesilva a 2 de Julho de 2006 às 16:03
Muito interessante esta história do astrolábio. Agora nada disso é preciso para se navegar com segurança mas foram precisos todos estes passos para se chegar à precisão de hoje.


De jo a 2 de Julho de 2006 às 23:00
Astrolábio=ao nosso GPS. Como eles eram creativos e sabedores porque senão não se tinha chegado a té aqui.
Abraço


De Martuxa a 3 de Julho de 2006 às 00:01
Faz-me lembrar os descobrimentos e a glória do Portugal de outrora
Sorrisos e beijinhos


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