Domingo, 20 de Fevereiro de 2005

Vitorino Nemésio

 
Nasceu em 19 de Dezembro de 1901
Faleceu em 20 de Fevereiro de 1978
 

VitorinoNemesio03.jpg

Cronologia

 
1901
 - A 19 de Dezembro, nasce Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, na Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores.

1912 -  Inicia os estudos secundários no liceu de Angra do Heroísmo.

1916 - Colabora no «Eco Académico». Semanário dos Alunos do Liceu de Angra, desde o n.º 2 (13 de Fevereiro). Funda e dirige «Estrela d'Alva». Revista Literária Ilustrada e Noticiosa, também em Angra do Heroísmo.

1918 - Conclui na Horta (Faial) o 5.º ano do liceu.

1919 -  Inicia o serviço militar, como voluntário, em Infantaria, o que lhe proporciona a primeira viagem a Lisboa.

1921 -  Em Lisboa, é redactor dos jornais «A Pátria» e «A Imprensa de Lisboa» e do «Última Hora».

1922 -  Conclui o liceu em Coimbra e inscreve-se na Faculdade de Direito. Trabalha como revisor na Imprensa da Universidade.

1923 -  Ingressa na Maçonaria, na loja Revolta, de Coimbra. Morte do pai, a 7 de Abril. Colaboração na revista «Bizâncio», de Coimbra. Primeira viagem a Espanha, com o Orfeão Académico: em Salamanca conhece Unamuno.

1924 -  Abandona o curso de Direito e matricula-se na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Geográficas. Com Afonso Duarte, António de Sousa, Branquinho da Fonseca, Gaspar Simões e outros, funda a revista «Tríptico».

1925 -  Opta definitivamente pelo curso de Filologia Românica. Surge o jornal «Humanidade». Quinzenário de Estudantes de Coimbra, de que é redactor principal Vitorino Nemésio. Colaboram, entre outros, José Régio, João Gaspar Simões e António de Sousa.

1926 -  A 12 de Fevereiro, casa com Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, de quem terá quatro filhos, a primeira das quais, Georgina, nasce em Novembro.

1927 -  Funda e dirige, com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, «Gente Nova». Jornal Republicano Académico.

1928 -  Passa a colaborar na revista «Seara Nova».

1929 -  Início de correspondência com Miguel de Unamuno.

1930 -  Nemésio colabora na «presença» (n.º 27, Junho-Julho, e 29, Novembro-Dezembro), com textos poéticos. Em Outubro transfere-se para a Faculdade de Letras de Lisboa. Começa a pesquisa sobre Herculano que o ocupará ao longo da vida.

1931 -  Licencia-se na Faculdade de Letras de Lisboa, após o que inicia ali o magistério, lecionando Literatura Italiana.

1933 -  Começa a leccionar Literatura Espanhola (a par da Italiana) em Lisboa, na Faculdade de Letras.

1934 -  Passa por Salamanca para se encontrar pessoalmente com Unamuno. Início de correspondência com Valery Larbaud. Inicia o desempenho das funções de chargé de cours na Universidade de Montpellier. Larbaud lerá os poemas franceses de Nemésio e proporcionar-lhe-á a chancela de um editor parisiense (Corrêa). Doutoramento em Letras, em Outubro, com A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

1935 -  Colabora no jornal «O Diabo» com vários poemas.

1936 -  Concorre a Professor Auxiliar da Faculdade de Letras.

1937 -  Funda e dirige, em Coimbra, a «Revista de Portugal» (n.º 1, Outubro), em cujo editorial, não assinado, se afirma: "Não vamos traçar nenhum programa. O nosso melhor programa seriam vinte ou trinta anos de vida e de realizações de cultura universal e portuguesa." Radica-se na Bélgica e na Universidade Livre de Bruxelas lecciona, durante dois anos.

1939 -  O n.º 7 (Abril) da «Revista de Portugal» publica o primeiro fragmento do romance que virá a ter o título Mau Tempo no Canal ("Um ciclone nas Ilhas"). Regressa a Portugal, para ensinar na Faculdade de Letras de Lisboa.

1940 -  Concorre ao lugar de Professor Catedrático da Universidade de Lisboa.

1941 -  Colabora com um poema nos «Cadernos de Poesia».

1942 -  Colabora na revista de António Pedro, «Variante», e na de Ruy Cinatti, «Aventura».

1944 -  É editada a primeira edição de Mau Tempo no Canal. Colabora na revista de Carlos Queiroz, «Litoral» (n.º 1, Junho).

1945 -  O Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências é atribuído a Mau Tempo no Canal.

1946 - É colaborador regular no «Diário Popular», com uma secção intitulada "Leitura Semanal".

1947 - Colabora na revista «Vértice» ("Arquipélago dos Picapaus", vol. IV, n.º 52, Novembro-Dezembro).

1952 -  Primeira viagem ao Brasil, que se tornará um destino frequente para Nemésio. Dela resultam os primeiros estudos, crónicas e poemas brasileiros.

1955 -  Viagem aos Açores, em Maio.

1956 -  É Director, até 1958, da Faculdade de Letras de Lisboa, onde fora secretário de 1944 a 47.

1958 -  Lecciona no Brasil (Baía, Ceará, Rio de Janeiro, etc.).

1960 -  Intervém na reforma dos planos de estudos das Faculdades de Letras então projectada. Viagem a África, relacionada com os cursos de extensão universitária em Luanda e Lourenço Marques.

1963 -  Efectua uma viagem à Holanda. É eleito sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa.

1965 -  Preside à Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente, redigindo parte do programa das comemorações. Nova viagem ao Brasil. A Universidade Paul Valery, de Montpellier, doutora honoris causa o seu antigo leitor. Recebe o Prémio Nacional de Literatura pelo conjunto da obra.

1966 -  A Biblioteca e Arquivo Distrital de Angra comemora os "50 Anos da Vida Literária de Vitorino Nemésio" com uma exposição bibliográfica e a realização de conferências.

1969 -  Inicia uma colaboração regular na RTP, com o programa "Se bem me lembro", que o imporá como figura ímpar em matéria de comunicação audio-visual.

1970 -  Inaugura as comemorações do centenário da Geração de 70 no Centro Cultural Português de Paris, da Fundação Calouste Gulbenkian.

1971 -  A partir de Fevereiro, colabora regularmente na revista «Observador». A 12 de Dezembo, profere a sua "Última lição" na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quarente anos.

1974 -  Recebe o Prémio Montagine, da Fundação Freiherr von Stein/Friedrich von Schiller, de Hamburgo. A Bertrand lança a primeira colectânea de estudos sobre a obra de Nemésio.

1975 -  Colabora na Homenagem ao Prof. Aurélio Quintanilha, a quem dedicará Limite de Idade. A 11 de Dezembro, assume a direcção do jornal «O Dia».

1977 -  Coordenador nacional do centenário de Herculano.

1978A 20 de Fevereiro, morre em Lisboa, no Hospital da CUF, e será sepultado em Coimbra, no cemitério de Santo António dos Olivais. 
Pouco antes de morrer, Nemésio pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.
Publica-se o primeiro estudo em livro que lhe é exclusivamente consagrado: Vitorino Nemésio, a Obra e o Homem, de José Martins Garcia.
 
António Valdemar
Diário de Notícias, 16 de Dezembro de 2001


---------------------------

Um poema:

 
A concha
 
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
 
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
 
E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.
 
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
 
                   Vitorino Nemésio
 

Publicado por: Praia da Claridade às 01:04
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1 comentário:
De Anónimo a 20 de Fevereiro de 2005 às 15:58
Seja pois bem vindo à blogosfera. Um abraço
José Luís Sousa
http://abeiramar.blogspot.com/ (http://abeiramar.blogspot.com/)José Luís Sousa
</a>
(mailto:zeluis@sapo.pt)


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