Segunda-feira, 25 de Abril de 2005

25 de Abril de 1974 - "A Revolução dos Cravos"

E já passaram 31 anos....

Pelo menos para os portugueses, aquele 25 de Abril de 1974 nascia diferente. Todos sentiam que os acontecimentos seriam a definição do futuro das gerações vindouras e de vários países. Era uma primavera, como tantas outras, mas nunca as flores tinham representado tanto para um povo, especialmente os cravos vermelhos, símbolo do 25 de Abril de 1974.  Tinha nascido a "Revolução dos Cravos"...

Podemos dizer que tudo começou há muito tempo atrás, em meados dos anos de 1920, mas, ao contrário de um conto de fadas, essa é uma história de horror. Naquela época assumia o poder em Portugal o ditador fascista Salazar, que governou com mão-de-ferro tanto o país como as suas colónias de além-mar. O pequeno Portugal era um país pobre e agrícola e dependia do monopólio das riquezas de suas colónias, especialmente na África, para tentar equilibrar a sua fraca economia. O atraso do país era potencializado por um controle forte das forças armadas e uma censura rígida, que impediam a competitividade dos poucos produtos industrializados e as inovações nos meios de produção e nas relações de trabalho. Partidos da esquerda e do centro foram banidos e a intelectualidade, se não comungasse com as ideias de extrema-direita, era considerada subversiva e não patriótica. A força do regime era tão evidente, que com a morte de Salazar, seu sucessor, Marcelo Caetano, não faz nenhuma alteração significativa nos quadros do Governo, indicando que não ocorreriam mudanças. O salazarismo sobrevive ao seu fundador.

Para a manutenção do controle sobre as colónias, era indispensável um forte aparato repressor e a mecanização e aparelhamento das forças armadas, o que não saia barato para os cofres públicos. Aumenta o arrocho nos salários e nos impostos em todos os "territórios portugueses". Para suprir a falta de oficiais para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, jovens são convocados para servir "ao seu país". Estudantes universitários eram mandados, após pequeno treino, para as colónias, para combater pessoas que nunca lhes havia feito mal algum (uma situação bem actual), em nome de um regime que eles execravam.

Destes novos quadros sairão os "Capitães de Abril", um grupo de oficiais que planeia derrubar o Governo salazarista, implantando a democracia em Portugal. Naquele mesmo ano de 1974, em 16 de Março, um único regimento de infantaria marcha sobre Lisboa. Essa tentativa de golpe é frustrada e o regimento – isolado – capitula; 200 militares são presos, mas é um indicativo forte do que está por vir.
Para "resumir" esta história aqui está uma breve cronologia dos acontecimentos, retirada do site de notícias AEIOU
.

23 de Abril
Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as acções a desencadear na noite de 24 para 25 e um exemplar do jornal a Época, como identificação, destinada às unidades participantes.

24 de Abril
O jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa "Limite" dessa noite, na Rádio Renascença.
22:00 horas
Otelo Saraiva de Carvalho e outros cinco oficiais ligados ao MFA (Movimento das Forças Armadas) já estão no Regimento de Engenharia 1 na Pontinha onde, desde a véspera, fora clandestinamente preparado o Posto de Comando do Movimento. Será ele a comandar as operações militares contra o regime.
22:55 horas
A transmissão da canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o início das operações militares contra o regime.

25 de Abril
00:20 horas

A transmissão da canção " Grândola Vila Morena " de José Afonso, no programa "Limite" da Rádio Renascença, é a senha escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.
Das 00:30 às 16:00 horas
Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais ( RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi).
Primeiro Comunicado do MFA difundido pelo Rádio Clube Português.
Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço.
As forças paramilitares leais ao regime começam a render-se: a Legião Portuguesa é a primeira.
Desde a primeira hora o povo vem para a rua para expressar a sua alegria.
Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Dentro do Quartel estão refugiados Marcelo Caetano e mais dois ministros do seu Gabinete.
16:30 horas
Expirado o prazo inicial para a rendição anunciado por megafone pelo Capitão Salgueiro Maia, e após algumas diligências feitas por mediadores civis, Marcelo Caetano faz saber que está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a coronel.
17:45 horas
Spínola, mandatado pelo MFA entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo.
O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca.
19:30 horas
Rendição de Marcelo Caetano. A chaimite (tipo de blindado) BULA entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros que o acompanhavam, levando-os, à guarda do MFA para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha.
20:00 horas
Disparos de elementos da PIDE/DGS (polícia política) sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia na Rua António Maria Cardoso, fazem quatro mortos e 45 feridos.

26 de Abril
A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais director daquela corporação.
Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP.
Por ordem do MFA, Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira.
O General Spínola é designado Presidente da República.
Libertação dos presos políticos de Caxias e Peniche.

27 de Abril
Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas.

29 a 30 de Abril
Regresso dos líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português (Álvaro Cunhal).

1 de Maio
Manifestação do 1º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas. Outras grandes manifestações decorreram nas principais cidades do país.

4 de Maio
O MRPP organiza a primeira manifestação de boicote ao embarque de soldados para as colónias. A Junta de Salvação Nacional previra a necessidade de envio de alguns batalhões de militares para substituírem a tropa portuguesa ainda em território africano e cujo período de mobilização já terminara. Pensava-se também que seria importante manter as Forças Armadas Portuguesas em África até final das negociações com os Movimentos de Libertação Africanos, com vista à independência dos territórios.

16 de Maio
Tomada de posse do Iº Governo Provisório, presidido por Adelino da Palma Carlos.
Do Iº Governo fazem parte, entre outros, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro.

20 de Maio
Américo Tomás e Marcelo Caetano, com o conhecimento da JSN mas não do Governo, partem para o exílio no Brasil.

A Revolução ficou conhecida como a "Revolução dos Cravos". Os militares  passaram a "desfilar" pelas ruas de Lisboa com cravos "na lapela" ou "na boca das espingardas". Para uma revolução pacífica, onde a população se irmanava com os militares, não havia melhor símbolo que uma flor, tanto mais que fosse bem "portuguesa". Rapidamente todos estavam acompanhando o desenrolar dos acontecimentos com um cravo nas mãos e a esperança no coração.
Publicado por: Praia da Claridade às 00:06
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